Parnaso portuguez moderno

Part 13

Chapter 133,448 wordsPublic domain

Deixae-as vir a mim com toda a liberdade, As crianças adoro humildes ou zangadas; As innoxias, tambem, estridulas risadas, Não ha n'essa expansão os sulcos da maldade: Deixae-as vir a mim com toda a liberdade.

Deixae-as vir a mim; eu amo as criancinhas, Nos folguedos gazís, no lar silenciosas; E quando eu as contemplo insontes, descuidosas, Estudo-lhe da face as curvas e covinhas. Deixae-as vir a mim; eu amo as criancinhas.

Deixae-as vir a mim; são luzes do porvir, Almas cheias de amor e aureas esperanças; Nos olhos divinaes de todas as crianças Ha mundos de candura e crenças a florir. Deixae-as vir a mim são luzes do provir.

OCTAVIANO HUDSON, _Peregrinas_, p. 7. Rio de Janeiro, 1874.

CANTOS POPULARES BRAZILEIROS

* * * * *

I

CHACARA DO CEGO

(Da provincia do Ceará)

--Sinhá da casa Venha vêr seu pobre; Nem por vir pedir Deixo de ser nobre.

«Não póde ser nobre Quem vem cá pedir; Não ha que lhe dar, Já póde seguir.»

--Não usais commigo Tanta ingratidão: D'este pobre cego Tende compaixão:

«Eu não sou dona, Nem governo nada; A dona da casa Ainda está deitada.»

--Si está deitada Ide-a chamar, Que o pobre do cego Lhe quer fallar.

«Acordai, senhora Do doce dormir, Vinde ver o cego Cantar e pedir.»

--«Si elle canta e pede Dae-lhe pão e vinho, Para o pobre do cego Seguir seu caminho.

Larga, Anninha, a róca, E tambem o linho, Vae ensinar o cego Seguir seu caminho.»

«Aqui fica a róca Acabou o linho; Marchae, adiante, cego, Lá vae o caminho.»

--Anda, anda, Anninha, Mais um boccadinho, Sou curto da vista, Não enchergo o caminho.

«De conde e fidalgo Me vi perseguida; Hoje de um cego Me vejo rendida.»

--Cala-te, condessa, Prenda tão querida, Eu sou este conde Que te pretendia.

«Cala-te, conde, Não digas mais nada, Só quero saiâmos D'aqui d'esta estrada.»

Infinitas graças Vos dou, meu senhor, Já ter vencido Um cruel amor.

* * * * *

II

CHACARA DE D. JORGE

(Do Ceará)

Dom Jorge se namorava D'uma mocinha mui bella, Pois que apanhando servido Ousou logo de ausentar-se, Em procura d'outra moça Para com ella casar.

Juliana que d'isso soube Pegou logo a chorar, A mãe lhe perguntou: --De que choras minha filha? «É Dom Jorge, minha mãe, Que com outra vae casar.» --Bem te disse, Juliana, Que em homens não te fiasses; Não era dos primeiros Que as mulheres enganasse.

--«Deus te salve, Juliana, No teu sobrado assentada!» «Deus te salve, rei Dom Jorge, No teu cavallo montado. Ouvi dizer, rei Dom Jorge Que estavas para casar?» --«É verdade, Juliana, Já te vinha desenganar.» «Esperae, rei Dom Jorge, Deixa eu subir a sobrado, Deixa buscar um copinho Que tenho para ti guardado.» --«Eu lhe peço, Juliana, Que não haja falsidade; Olhe que sômos parentes, Prima minha, da minh'alma.» «Eu lhe juro por minha mãe, Pelo Deus que nos criou, Que rei Dom Jorge não logra Esse seu novo amor.» --«Que me deitas, Juliana, N'este seu copo de vinho, Estou com as redeas nas mãos, Não enchergo meu russinho. Ai qu'é do meu paisinho, Por elle pergunto eu? Eu morro, é de veneno Que Juliana me deu. --Morra, morra o meu filhinho, Morra contricto com Deus, Que a morte que te fizeram Ella quem vinga sou eu. --«Valha-me Deus do céo, Que 'stou com uma grande dor; A maior pena que levo É não vêr meu novo amor.»

* * * * *

III

CHACARA DE FLORES-BELLA

(Do Ceará)

--Mouro, se fôres ás guerras, Trazei-me uma cativa! Que não seja das mais nobres, Nem tambem de villa minha; Seja das escolhidas Que em Castelhana havia.

Saiu o Conde Flores Fazer essa romaria: A Condessa como nobre Foi em sua companhia. Mataram o Conde Flores, Cativaram Lixandria, E trouxeram de presente Á rainha de Turquia.

--«Vem cá, vem cá minha moura, Aqui está vossa cativa;» --Já vou entregar as chaves As chaves da minha cozinha. «Entregae, entregae, senhora, Que a desgraça foi minha; Ainda hontem ser senhora, Hoje escrava da cosinha.

Ao cabo de cinco mezes Tiveram os filhos n'um dia; A moura teve um filho, A cativa uma filha. Levantou-se a moura Com tres dias de parida, Foi á cama da escrava: --Como estaes, escrava minha? «Como hei de estar, senhora, Sempre na vossa cosinha.»

Foi olhando para a criança, Foi achando muito linda: --Se estivesses em tua terra Que nome tu botarias? «Botaria Flores-Bella, Como uma mana que tinha, Que os mouros carregaram Sendo ella pequenina. --Si tu a visses hoje Tu a conhecerias? «Pelo signal que tinha Só assim a conhecia!» --Que tinha um lirio roxo Que todo peito cobria! «Pelo signal que me dais, Bem parece mana minha.» --Vem cá, vem cá minha moura Que te dizes tua cativa. «Eu já estou bem agastada, E já me vou anojar Tu mandaste lá buscar, O teu cunhado matar.» --Si eu matei meu cunhado Outro melhor te hei de dar. Farei tua irmã senhora Da minha monarchia! «Eu não quero ser senhora Da tua monarchia Quero ir para a minha terra Onde eu assistia.» --Aprontae, aprontae a náo, Mais depressa em demasia. Para levar Lixandria, Ella e sua filhinha. «Adeus, adeus Flores-Bella! --Vae-te embora Lixandria. E dae lá muitas lembranças Á nossa parentaria. Que eu fico como moura Entre tanta mouraria.»

* * * * *

LUNDUNS E MODINHAS

(Pará)

Quanta laranja miuda, Quanta florinha no chão; Quanto sangue derramado Por causa d'essa paixão.[58]

Quem vae a Pará, parou; Quem bebe açahy ficou.

(S. Paulo)

Pinheiro, dá-mi uma pinha, Roseira dá-mi um botão, Morena, dá-mi um abraço, Que eu te dou meu coração.[59]

(Cuyabá)

O bicho pediu sertão, O peixe pediu fundura, O homem pediu riqueza, A mulher a formosura[60].

(Pará)

Te mandei um passarinho, _Patuá mira pupé_; (Dentro de uma caixa pequena) Pintadinho de amarello _Iporãnga ne iavé_. (E tão formoso como você.)

(Amazonas)

Vamos dar a despedida _Mandu sarará_, Como deu o passarinho _Mandu sarará_; Bateu aza, foi-se embora, _Mandu sarará_, Deixou a pena no ninho _Mandu sarará_[61].

(De Ouro preto)

Vamos dar a despedida, Como deu a pintasilva; Adeus, coração de prata, Perdição da minha vida.

Vamos dar a despedida, Como deu a saracura; Foi andando, foi dizendo Mal de amores não tem cura.[62]

* * * * *

(Maranhão)

Quem quizer comer mangabas Vá no pé da mangubeira, Vá comendo, vá gostando, Vá mettendo na algibeira.

Cajueiro pequeno, Carregado de flores, Eu tambem sou pequeno, Carregado de amores.

Quando eu era pequenino, Que aprendia o _b-a_, _bá_, Minha mestra me ensinava O Lundum do Mon-Roy.

BATUQUE DOS CURURUEIROS

(De Cuyabá)

Em cima d'aquelle morro Siá dona! Tem um pé de jatobá; Não ha nada mais pió Ai, siá dona! Do que um home se casá.

* * * * *

DESAFIO DOS CURURUEIROS

(De Cuyabá)

--Eu passei o Parnahyba Navegando n'uma barça; Os peccados vem da saia, Mas não pode vir da carça.

«Dizem que a muié é farça, Tão farça como papé, Mas quem vendeu Jesus Christo Foi home, não foi muié[63].

* * * * *

(De Rio de Janeiro)

Sinhasinha, vá-se embora Vá p'ra casa direitinha, Não me faça como honte Que se me ficou no caminho. Não me encorrilhe meus babados, Não me suje meu collarinho.

Cupidinho das quedas, Cae aqui cae acolá; Não venha cahir nos braços Da minha amante Iá, Iá.

Ora que gostos Você mi dá! Gosto de ti, Ladrão, vem cá.

Mandei fazer um anel Na ilha do Paquetá Para metter no dedinho Da minha amante Iá Iá.

A CHULA (a tres vozes)

(Ceará)

Lá nos campos de Cendrêa Meu corpo vi maltratado! Tudo isto experimentei Só por ser seu bem amado.

Vem aos meus braços, Meu bem amado, Vem consolar Um desgraçado.

Si eu não te quero bem Deus do céo me não escute; As estrellas me não vejam, A terra me não sepulte.

Vem aos meus braços, Meu bem amado, Vem consolar Um desgraçado.

N'aquelle primeiro amor Que no mundo teve a gente, O amor cravado n'alma É lembrado eternamente.

Vem aos meus braços, Meu bem amado, Vem consolar Um desgraçado.

* * * * *

SARABANDA

(Ceará)

--Aqui estou, minha senhora, Com dôr no meu coração, Bem contra minha vontade Fazer-lhe esta citação.

«Tambem tenho minha casa Mui da minha estimação; Tudo darei á penhora, Porem as cadeiras não.

Tambem tenho minha cama Coberta de camellão,

A barra de setim nobre, O forro de camellão; Tudo darei á penhora, Porem as cadeiras não.

Tambem tenho cinco escravos, Tres negros e dois mulatos Mui da minha estimação, Tudo darei á penhora Porém as cadeiras não.

--Venha cá, minha senhora, Deixe-se de tantas besteiras, Que no mundo não falta ourives Que lhe faça outras cadeiras.

NOTAS DE RODAPÉ:

[58] Ap. Couto de Magalhães, _O Selvagem_, P. II, p. 79.

[59] Ibidem, p. 80.

[60] Ibidem, p. 81.

[61] Ibidem, 144--5.

[62] Ibid. p. 146.

[63] Ap. _Noticia sobre a provincia de Matto-Grosso_, por Ferreira Moutinho, p. 19.

PARTE III

* * * * *

OS LYRICOS GALLEGOS

_Airiños, airiños, aires, Airiños da miña terra; Airiños, airiños, aires, Airiños, leváime a ella._

Cant. pop.

Sin ela vivir non podo, Non podo vivir contenta, Qu'á donde queira que vaya, Cróbeme unha sombra espesa. Cróbeme unha espesa nube Tal preñada de tormentas, Tal de soidás preñada, Qu'á minha vida envenena. Leváime, leváime airiños, Com'unha folliña seca, Que seca tamen me puxo A callentura que queima. Ay! si non me levás pronto, Airiños da miña terra; Si non me levás, airiños, Quiçaes xa non me conesan Qu'a frebe que de min come, Vaime consumindo lenta, E no meu corazonsiño Tamen traidora se ceiba.

Fun n'outro tempo encarnada Com'á color de sireixa, Son oxe descolorida Com'os cirios das igrexas, Cal si unha meiga chuchona A miña sangre bebera: Vou-me quedando muchiña, Com'unha rosa qu'inverna, Vóume sin forzas quedando, Vóume quedando morena, Cal unha mouriña moura Filla de moura ralea

Leváime, leváime, airiños, Leváime á donde m'esperan Unha nay que por min chora Un pay que sin min n'alenta, Un hirman por quen daria A sangre das miñas venas, E un amoriño á quen alma E vida lle promettera. Si pronto non me levades, Ay morrerei de tristeza, Soya n'unha terra extraña, Dond'extraña m'alumean, Donde todo canto miro Todo me dic'; extranxeira!

Ay, miña pobre casiña! Ay, miña vaca bermella! Años, que valás nos montes, Pombas, qu'arrulás nas eiras, Mozos, qu'atruxás bailando, Redobre d'as castañetas, Xás-co-rras-chás das cunchiñas, Xurre-xurre d'as pandeiras, Tambor do tamborileiro, Gaitiña, gaita gallega, Xa non m'alegras dicindo: _Muiñera! muiñera!_ Ay quen fora paxariño De leves alas ligeiras! Ay con que prisa voara Toliña de tan contenta, Para cantar á alborada Nos campos da miña terra! Agora mesmo partira, Partira com'unha frecha, Sin medo as sombras da noite, Sin medo da noite negra. E que chovera ou ventara, E que ventara ou chovera, Voaria, e voaria Hastra qu'alcanse á vela. Pero non son passariño E irey morrendo de pena, Xa en lagrimas convertida, Xa en suspiriños desfeita.

Doces galleguiños aires, Quitadoiriños de penas. Encantadores d'as auguas,

Amantes d'as arboredas, Musica dás verdes canas Do millo d'as nossas veigas, Alegres compañeirinos, Run-run de tódalas festas, Leváime nas vosas alas, Com'unha folliña seca, Non permittás qu'aqui morra, Airiños da miña terra, Qu'ainda penso, que de morta, Eide sospirar por ela. Ainda penso, airiños, aires, Que dimpois que morta sea, E aló pólo composanto, Dond'enterrada me teñam, Pasés na calada noite Runxindo antr'á folla seca, Ou murmuxando medrosos Antr'as broncas calaveras, Inda dimpois de mortiña Airiños da miña terra, Éivos de berrar: ¡Airiños, Airiños, leváime á ela!

D. ROSALIA CASTRO DE MURGUIA, _Cantares gallegos_, p. 87. Madrid, 1872.

CANTAR GALLEGO

Acolá enriba Na fresca montaña, Qu'alegre se crobe, De verde retama, Meniña morena De branco vestida, Nubiña parece No monte perdida. Que xira, que corre, Que torna, que passa, Que rola, e mainiña Serena se para.

Xa embolta se mira N'espuma que salta, Do chorro que ferve Na rouca cascada. Xa erguida na punta De pena sombrisa Immoble cál virxe De pedra se mira. A cofia de liño A os ventos voltada As trenzas descoida Qu'os aires espalhan; Tendídal-as puntas Do pano de seda, As alas d'un anxel De lonxe semellan. Si as brisas da tarde Xogando con elas As moven ca gracia Qu'un angel tivera. Eu penso ¡coitado De min! que me chaman, Si as vexo bulindo Na verde enramada; Mas ay, qu'os meus ollos M'engañam traidores, Pois von, e lixeira Na niebra s'esconde; S'esconde outras veces Na sombra dos pinos E cant'escondida Cantares dulciños, Qu'abrasan, que firen, Ferida d'amor Que teño feitinha No meu corazon.

Que feita, que linda, Que fresca, que branca. Deu Dios á meniña Da verde montaña! Qu'hermosa parece, Que chore, que xima! Cantando, sorrindo, Disperta, dormida! Ay, si seu pay Por regalo ma dera, Ay, non sentira No mundo mais penas! Ay, que por tela, Commigo por dama _Eu llá vestira, Eu llá calzara_.

D. ROSALIA CASTRO DE MURGUIA, _Cantares gallegos_, p. 75.

* * * * *

_Cantan os galos pr'ó dia, Érguete, meu ben, e vaite, --Como m'ei d'ir, queridiña, Como m'ei d'ir e deixarte._

--D'eses teus olliños negros Como doas relumbrantes, Hastr'as nosas maus unidas As vagoas ardentes caen. ¿Como m'ei d'ir si te quero? Como m'ei d'ir e deixarte, Si cá lengua me desvotas, E có coraçon me atraes? N'un corruncho do teu leito

Carinhosa m' abrigaches; Có teu manso caloriño Os frios pés me quentastes; E d'aqui xuntos miramos Por antr' ó verde ramaxe, Cal iba correndo á lua Por enriba dos pinares. ¿Como queres que te deixe, Como que de ti m' aparte, Si mais qu' á mel eres dulce, E mais qu'as froles soave?

«Meiguiño, meiguiño meigo, Meigo que me namoraste, Baite d' onda min meiguinho Antes qu'ó sol se levante.

--Ainda dorme, queridiña, Antr' as ondiñas do mare, Dorme por que m' acariñes E por qu' amante me chames, Que sol' onda tí, meniña, Pódo contento folgare.

«Xa cantam os paxariños, Érguete, meu ben, qu' é tarde.

--Deixa que canten, Marica, Marica, deixa que canten... Si tí sintes que me vaya, Eu relouco por quedarme.

«Conmigo, meu queridiño Mitá dá noite pasaches.

--Mais en tanto ti dormias Contenteime con mirarte, Qu' asi sorind' entre soños Coidaba qu' eras un anxel, E non con tanta pureza O pé d' un anxel velase.

«Asi te quero, meu ben, Com' un santo dos altares, Mais fuxe... qu' ó sol dourado Por riba dos montes saye.»

--Irey, mais dame un biquiño Antes que de ti m' aparte; Qu' eses labiños de rosa Inda non sei como saben.

«Con mil amores chó dera, Mais teño que confesarme, E moita vergonza fora Ter un pecado tan grande.»

--Pois confesate, Marica, Que cando casar nos casen, Non ch' han de valer, meniña, Nin confesores, nin frades. Adios, cariña de rosa!

«Raparigo, Dios te garde,»

D. ROSALIA CASTRO DE MURGUIA, _Cantares gallegos_, pag. 21.

Un repoludo gaitero De pano sédan vestido, Com' un principe cumprido, Cariñoso e falangueiro, Antr' os mozos o pirmeiro E nas siudades sin par, Tiña costum' en cantar Aló po la mañanciña: _Con esta miña gaitiña As nenas ei d' enganar_.

Sempre pó la vila entraba Con aquel de señorio, Sempre con poxante brío Co tambor s' acompasaba: E si na gaita sopraba, Era tan doçe soprar, Que ven fixera en cantar Aló po la mañanciña: _Con esta miña gaitiña As nenas ei d'enganar_.

Todas por él reloucaban, Todas por él se morrian, S' o tiñam cerca, sorrian, S' ó tiñam lonxe, choraban: Mal pecado! non coidaban, Que c' aquel seu frolear Tiña costum' encantar Aló pó-la mañanciña: _Con esta miña gaitiña As nenas ei d' enganar_.

Camiño da romeria, Debaixo d'unha figueira, Canta menina solteira ¡Querote! lle repetia... Y él c' á gaita respondia Por á todas envoucar, Pois ven fixeira en cantar Aló pó-la mañanciña: _Con esta miña gaitiña As nenas ei d' enganar_.

Elas louquiñas bailaban E por xunta d' el corrian, Cegas... cegas que non vian As espiñas qu' as cercaban; Probes palomas buscaban A luz qu' as iba queimar, Pois qu' el soupera cantar Aló pó-la mañanciña, _Ó son da miña gaitiña As nenas ei d' enganar_.

¡Nás festas, canto contento! ¡Canta risa nas fiadas! Todas, todas namoradas Deranll' ó seu pensamento; Y él que d'amores sedento Quixo á todas enganar, Cand'as veu dimpois chorar Cantaba nas mañanciñas, Non sean elas toliñas Non veñan ô meu tocar.

D. ROSALIA CASTRO DE MURGUIA, _Cantares gallegos_, p. 47.

* * * * *

O DESCONSOLO

D'esta fontiña á beira froleada Sentado á sombra d'un choron estou Doido o peito, a alma esconsolada, Triste morrendo pouco á pouco vou.

Desde qu'a negra morte aquella prenda Que tanto quixen me arrancou sin dor, Solás non acho en nada, e solta renda, A pena, choro o meu perdido amor.

Quen o diria! tão garrida e nova, Doce cal rula, e branca cal xasmin, Tan cedo habias de baixar á cova, Piedade, céos, ay, piedá de min.

Solo quedei no mundo, solo, solo, Qu'ei de facer?... chorar e mais chorar! E qu'ainda te vexo no meu colo, Sabeliña, querida, maxinar.

Xa non iremos mais polas roleiras En compaña amorosa ás moras, non; Nin baixo das follosas ameneiras As coitas che direi do corazon.

Cantas veces da auga d'esta fonte Che dice, mina vidiña, pola mao! Cantas os dous deixabamos o monte, Por tomar aqui o fresco, aló no brau.

E nas tardes de outono... ¡non te acordas... Mais ¿que digo acordar? si te perdin? Partenseme, ay do corazon as cordas Penso qu'ainda aqui estás... louco de min!

N'outono... pois con alegria moita Nos ibamos ó longo castañal, E a rebaladas eu guindabava froita Mentras ti regalabas meu cantar

E tamen cando... ¿pero á que memoria Fago de tempo aquel? ay! calarei! Mirame, Sabeliña, desde a groria; Por ti de cote triste chorarei.

ALBERTO CAMINO, ap. _Trovas e Cantares_, p. 329.

O ALALALAA

Si é que escoitades cando ó sol morre, Cando á ovelliña no monte bala, Un canto tenro, vago e subrime Que commovida vos deixa a yalma; Un canto brando pero queixoso Que de pasados recordos fala, E o mellor canto da nossa terra, E o _alalalaa_.

Cántan-o as mozas que o gando coidan, Cántan-o os homes que os eidos labran, Cantando os nenos que san da escola Van isa cántiga... ¡Ay que feitizos eiqui en Galicia Ten ó _alalalaa...!_

Cand'os gallegos morren de coitas Entr'os misteiros d' as suas montanas, Entoan ó canto con moita forza, Y-enton semellan, nas enramadas, Ises gorxeos dos roulsinores Cando saudan á lus da yalba, Ises murmuxos que ten-o rio, Ises concertos que fan as auras...

Dempois qu' o entoan con moita forza Con toda a forza da sua yalma, Van-o baixando pouquiño a pouco Hastra que logo na gorxa esmaya, Como unha queixa que leva o vento, Cal un sospiro qu'o peito garda.

¡Ay! non m' esquenzen d' aquella tarde As oxe mortas legrias santas, Cando eu ouvia por ves primeira, Aló no monte, lonxe, o _alalalaa!..._ ¿Qué canto e ise?--eu perguntéille A unha garrida xóven aldeana Qu' un feixe d' erba, na sua cabeza Chea de negros rizos, levaba,-- Y ela miróume co aquilos ollos Qu' a duas estrellas s' assemellaban, E co-a sonrisa nos roxos lábios, Asina dixo con moita gracia:

«A cantiguiña qu' astra nos chega Conmovedora, doida, branda, E o feitizo d'istas ribeiras, A compañeira da nossa yalma, E o consolo das penas fondas, O pano limpo que enxuga as vágoas, O millor canto da nossa terra, E o _alalalaa!..._ O meu cortexo veira da fonte, E n' unha noite de lua crara, Vendo que estaba cantando, estraida, Sonando amores, un _alalalaa..._ Díxome logo qu' enchin á ola E cando ó pobo m' encamiñaba: --«Por Dios che rogo que cando estemos Os dous soliños, miña Mariana, Si é que non queres me volva tolo, Non mais entoes ise _alalalaa...;_ Seica che deron iman as meigas, Seica che deron sua voz as fadas; Tí fasme dano, si é que me queres Miña xoiña, non cantes, cala.--»

¡Meu Dios! ¿qu' estrano é que se volvan Loucas d'amores as aldeanas, Si ti puxeches no chao gallego As melodias d' un _alalalaa?..._ Ise lenguaxe do sentimento, Isa amorosa doida cántiga, Forte ó comenzo, tenra no tono, E lastimeira, cando s' apaga: E necesairo non ter no peito Un sentimento nobre, nin alma Pra que indifrente pódea escoitar-se Aló nas noites de lua crara Nista adourada bendita terra, Un _alalalaa..._

Cando se queixan os paxariños, Cando murmuxan as frescas augas, Cando os prefumes do val s' esparxen, Cando sospiran as ledas auras, E cando as tristes campás d'a irexia Dobran ás animas, ¡Ay! que feitizos eiqui en Galicia Ten o _alalalaa..._

VALENTIN L. CARVAJAL, _Espiñas, follas e frores_, p. 5. Ourense, 1876.

DOORA

Unha nena abouraba ó seu cortexo, C'o ardente anhelo d'o primeiro amor: Na ansiedá d'os seus prácidos ensonos Falando á solas, con amante voz Decía: «¡Quen me dera pr'adouralo, Ter moitos..., pêro moitos curazós!»

Amou constante e foi correspondida; Ela siguiu amando, il, olvidou: Cando sola se viu, cando perdera A fé sagrada d'o primeiro amor, Escramaba entre vágoas e sospiros; «¡Quen poidera vivir sem curazon!»

VALENTIN L. CARVAJAL, _Espiñas, follas e frores_, p. 14.

Á CARTA D' A GUERRA

Unha probiña xente d'unha aldea, Sempre agardando carta d'un rapaz Que camiñou para a guerra, vindo as noites, Xa non fay outra cousa que chorar. Os coitadiños pensan que chorando Danll'a xoya que garda ó seu amor Ises consolos tenros que non teñem Os que levan ferido o curazon.