Part 20
Elysa Neto de Noè, que he o mesmo Luso (porque o Ypsilon pronunciavaõ os Gregos por V.) foy o primeiro que povoou Espanha[220] dando principio à fundaçaõ de Lisboa, que delle tomou o nome _Elysea_, e os seus campos: _Elyseos_; e a Provincia _Lysitania_, & _Lusitania_ como o provaõ Joaõ Goropio. Chamaraõ-se depois estes habitadores de Lisboa Turdolos, e multiplicando-se pelo tempo adiante, povoaraõ toda a terra de Andaluzia, onde retiveraõ o mesmo nome de Turdolos, e depois de Turdetanos; quasi Turdoletanos, ou Bolitanos, como os chama Apiano Alexandrino, ficando sempre aos de Lisboa o nome de Turdolos Veteres, ou antigos, por delles procederem os de mais. Por onde, confórme aos Antigos Geographos, naõ sómente se chamou Lusitania, e pertencia a esta Provincia toda a terra, que estava entre Douro, e Guadiana; mas do Oceano Setentrional, até o Mediterraneo de Valença: e por isso chama Estrabo[221] aos Lusitanos: _Gens amplissima_, suas palavras saõ: _Tagi verò regio ad Aquilonem spectans Lusitania est, inter Hispanos gens amplissima, & annis plurimis Romonorum armis oppugnata, hujus regionis latus Australe Tagus cingit; ab Occasu verò, & Septentrione Occeanus; ab Aurora Carpetani._ Da outra parte da Turdetania o confesa o mesmo Plinio,[222] affirmando que os Celticos de Espanha eraõ Colonias dos Celtiberos da Lusitania, como se vé destas palavras: _Quæ autem regio à Beti ad fluvium Anam tendit, extra prædicta, Beturia appellatur, in duas divisa partes, totidemque gentes, Celticos, qui Lusitaniam attingunt Hispalensis Conventus, Turdulos, qui Lusitaniam, & Tarraconensem accolunt, jura Cordubam petunt. Celticos à Celtiberis ex Lusitania advenisse, manifestum est, sacris, linguis, oppidorum vocabulis_. Quasi dizendo: A regiaõ, que se estende des de Betis ao Rio Guadiana, se chama Beturia, dividida em duas partes, e em outras tantas gentes, Celticos com a Lusitania do termo de Sevilha, e os Turdolos, que habitaõ a Lusitania, e a Tarraconense, e pedem sua justiça em Cordova. Cousa certa he, terem vindo os Celticos dos Celtiberos da Lusitania; prova-se, pela religiaõ, pela lingua, e pelos vocabulos dos povos. Isto mesmo confessa o doutissimo Rodrigo Cato[223] nas Antiguidades do Principado de Sevilha, dizendo: _Beturia por ventura, tomò el nombre del rio Betis, llamose assi mismo Vetonia, y con nombre mas general Lusitania, en ella fue ilustrissima la ciudad de Merida, que fue convento juridico, y tuvo jurdicion, y finalmente fue cabeça, de la Lusitania_. E Ortelio no seu Thesouro fallando de Olitingi, diz que estava na Lusitania entre as fozes de Gualdalquibir, e Guadiana: _Olitingi Hispaniæ oppidum Pomponio in Lusitania intra Betis ostia, & Anæ fluminum videtur_. Destas authoridades se mostra claro, que os Lusitanos povoaraõ tambem toda a Turdetania; porèm que a Vetonia, como mais vizinha, reteve mais o nome de Lusitania; e assim na Vetonia ficou sendo cabeça da Lusitania Merida, e dentro da mesma Provincia Cordova, Italica, Hispalis, ou Sevilha. Os Principes que governaõ pòdem estender, e diminuir os limites das Provincias para mòr commodidade; mas nem por isso deixa de ser a gente a que era dantes.
Turdetanos, diz Estrabo, como logo vetemos, que em seu tempo tinhaõ leys escritas em verso de seis mil annos; donde se vè, que os Lusitanos foraõ os primeiros professores das letras, que houve em Espanha, e taõ antigos no exercicio dellas, que Santo Agostinho na Cidade de Deos[224] os poem entre os primeiros, que ensinaraõ no mundo, como refere Luiz Vives nos seus Commentarios. Estes Turdetanos foraõ sempre continuando com a doutrina, e crescendo nas sciencias de maneira, que havia entre elles Universidades, e grandes volumes de antiguidades. Pelo que foraõ estimados pelos mais polidos povos de Espanha; como diz o mesmo Estrabo neste lugar: _Hi inter Hispaniæ populos_ (diz elle) _sapientia putantur excellere, & literarum studijs utuntur, & memorandæ vetustatis volumina habent poemata, leges quoque versibus conscriptas è sex annorum millibus, ut aiunt_. Estes annos se haõ de entender de tres meses, segundo o antigo computo dos Espanhoes, que referem[225] varios Authores; e assim vem a fazer estes seis mil annos, os que havia depois da pouoaçaõ de Espanha, atè o tempo de Augusto, em que Estrabo escreveo.
Nestes estudos de Turdetania floreceo, e ensinou Asclypiades Merliano, que escreveo a Navegaçaõ, e naufragios de Olyses, de quem o mesmo Estrabo faz particular mençaõ.
Vendo pois Sertorio nos Lusitanos este antigo amor das Sciencias, quiz usar delle para utilidade sua como excellente Politico, e sendo chamado pelos Lusitanos por seu Capitaõ, e Governador, lhes mandou vir novos Mestres das Artes, que entaõ se professavaõ: instituhio huma Universidade em Guesca Cidade de Aragaõ, onde foraõ logo estudar os filhos dos principaes Lusitanos, que lhe ficaraõ servindo de refens para senaõ poderem levantar contra elle, como conta, e nota particularmente Plutarco na sua vida; mas sendo depois morto, e senhoreando-se de tudo Metello, levou estes Lusitanos, como por trofeos a Roma, por serem excellentes Poetas, segundo refere Tullio,[226] ainda que diz delles, que eraõ _Pingue quiddam sonantibus_: porque parece naõ pronunciavaõ bem a lingua latina; e com tudo pouco depois foy Mestre da mesma Roma Antonio Juliano, de quem faz mençaõ Aulo Gelio,[227] e Quintiliano. E pois o nome de Lusitania alcançava a Cordova, como os Authores allegados confessaõ, bem podemos chamar nossos Lucano, Seneca, e Silio Italico, que tanto floreceraõ em tempo dos Romanos.
Aqui nesta Provincia dos Turdolos antigos se devia conservar mais a Sciencia, pois a tinhão taõ antiga, principalmente em Beja, e Santarèm, onde pelos tribunaes das Chancellarias, que os Romanos nellas instituiraõ, se deviaõ praticar mais as letras, como parece bem pelos Authores, que destes Conventos juridicos da Lusitania sahiraõ, ainda em tempo dos Godos, como de Santarém João Abbade de Valclara, e Bispo de Girona; e de Beja Isidoro, Aprigio, Pacenses, e outros muitos, que no Cathalogo dos Authores Portugueses sahiraõ à luz com grandissima honra de suas Patrias, e de toda Lusitania.
Depois dos Godos sobrevieraõ as inundaçoens dos barbaros Arabes, que confundiraõ, e desfizeraõ as memorias de todas; mas tornando com grande trabalho a restaurar o perdido, os Reys de Oviedo, e Leão, foy a Provincia de Portugal huma das primeiras, que conseguio a liberdade. Deu-se Portugal por ElRey D. Afonso VI. (que ganhou Toledo) em dote ao Conde D. Henrique com sua filha Dona Tharesa; donde começou a clarissima successaõ dos nossos Reys Portugueses, de cuja virtude, e esforço tiveramos grandes memorias, se as continuas guerras dos primeiros D. Afonso, e D. Sancho na conquista do Reyno naõ tirassem o lugar à curiosidade, e dos outros dous, suas particulares discordias os naõ tiveraõ inquietos quasi todo o tempo, que reynaraõ, e por juntamente se prezarem mais naquelle tempo as armas, que as sciencias, temos delles taõ poucas memorias.
Porèm vindo o Infante D. Afonso Conde de Bolonha de França para governar este Reyno de Portugal em lugar de seu irmão, trouxe consigo alguma mais policîa, com a pratica, que em França tivera, que entaõ era o mais florente Reyno de toda Europa, e assim mandou crear os Infantes seus filhos D. Diniz, e D. Affonso na boa disciplina de todas as Artes, em que sahiraõ taõ excellentes, que nenhuns Principes do seu tempo se lhe avantajaraõ, principalmente ElRey D. Diniz, o qual teve grande conhecimento das boas letras, em que pelo tempo adiante fez varias obras, e ferveo nelle tanto o desejo de ver as sciencias em Portugal, que foy o primeiro, que fez Universidade neste Reyno, para se lerem nella todas as disciplinas, e artes liberaes, da qual, e das outras de Espanha o Catalogo he o seguinte.
§. III.
Catalogo das Universidades de Espanha.
_Universidades de Portugal._
_Universidade de Coimbra._
A Universidade de Coimbra foy a primeira Universidade, que em Espanha foy creada com privilegios Apostolicos, a qual se instituhio à instancia de muitos Prelados do Reyno, que offereceraõ para os salarios dos Mestres os rendimentos de algumas Igrejas, e ElRey D. Diniz em seu nome, e de todos fez supplica para sua creaçaõ em Roma anno 1288. e o Papa Nicolao IV. passou as Bullas no anno 1290. que saõ 44. annos primeiro que o Papa Joaõ XXII. passasse as Bullas para a de Salamanca.
Foy esta Universidade fundada em Lisboa por ElRey D. Diniz, e depois passada por elle a Coimbra, donde em tempo de seu filho D. Affonso IV. se tornou para Lisboa, e nella esteve muitos annos, e foy muy accrescentada por o Infante D. Henrique, Mestre de Christo, filho delRey D. Joaõ I. o qual lhe deu as suas casas, que agora chamaõ Escolas Geraes para Aulas das Sciencias: porèm ElRey D. Joaõ III. a amplificou mais que todos, e a tornou a Coimbra, trazendo para Mestres os mais eminentes sojeitos, que entaõ havia em Europa.
Lem-se nestas Universidades todas as faculdades. De Theologia ha seis Cadeiras, de Canones sete, de Leys outo, de Medicina seis, de Mathematica huma, outra de Musica, de Artes quatro Cursos; de linguas, huma de Hebraico, outra de Grego, onze de Latim, e duas de ler, e escrever, e contar. A Filosofia, e linguas se ensinaõ no Collegio dos Padres da Companhia, e elles saõ os Lentes.
A Universidade se governa por hum Reytor, o qual preside aos Conselhos, que saõ quatro, hum de Conselheiros, outro de Deputados, o terceiro dos Conselheiros, e Deputados, que se chama Claustro; o quarto, que se chama Claustro pleno, consta de todos os Lentes, Conselheiros, e Deputados; e aqui se provem muitos prazos, e beneficios rendosos, todas as Conesias Doutoraes do Reyno, algumas das quaes chegaõ a dous, e tres mil cruzados de renda.
Desta Universidade foraõ Mestres, e tem sahido doutissimos Varoens, como entre outros na Theologia o Padre Francisco Soares da Companhia, o Padre Frey Egido da Fonseca Religioso de Santo Agostinho.
Na Sagrada Escritura o Padre Frey Hieronymo de Azambuja, chamado Oleastro, Frey Heytor Pinto da Ordem de S. Hieronymo, Frey Luiz de Sotto Mayor, o Padre Sebastiaõ Barradas da Companhia, cujos livros correm com grande applauso por toda Europa.
Nos Canones o Doutor Martim de Aspilcueta Navarro, e o Arcebispo Primàs D. Rodrigo da Cunha, D. Sebastiaõ Cesar de Meneses; os D. D. Christovaõ Joaõ, Luiz Correa, Diogo de Brito, Francisco Vaz de Gouvea, Joaõ de Carvalho, o Bispo Ugentino Agostinho Barbosa, e outros. Nas leys o grande Pedro Barbosa, o Subtilissimo Manoel da Costa, Miguel de Cabedo, o Doutor Ayres Pinhel, Alvaro Vaz, Luiz Pereira, e outros.
Na Medicina o grande Thomaz Rodrigues, o Doutor Garcia d’Horta, e Christovaõ da Costa Escritores das Drogas do Oriente.
Na Filosofia o Padre Manoel de Goes, Author dos Cursos Conimbricenses, e o Padre Pedro da Fonseca clarissimo interprete de Aristoteles, e seu Commentador, e que foy Mestre na Filosofia, e Mathematica do Padre Christovaõ Clavio, que tanto tem illustrado com os seus numerosos, e excellentes escritos estas Sciencias, que aprendeo em Coimbra, lendo o Padre Pedro da Fonseca os Cursos.
O numero de Authores, que em todas estas profissoens escreveraõ, he taõ grande, que só os que se poderaõ colligir com noticia particular, passaõ de 1500. como se verà do Catalogo dos Escritores Portugueses, que està cada hora para sahir a luz. Mas naõ saõ menos de ponderar as acçoens estudiosas dos Oppositores ordinarios desta Universidade, os quaes naõ contentes com as liçoens de ponto, para que se daõ nas mais Universidades 24. horas, todos elles ostentaõ, que vem a ser lerem quasi de repente, naõ se detendo mais, que em quanto lhes mostraõ o ponto, e se vaõ subir à Cadeira: e outros por mostrar mais a flor de seus engenhos, repetiraõ, e leraõ o ponto em versos latinos, cousa naõ vista nunca em nenhuma Universidade do Mundo atè aquelle tempo. Desta Universidade de Coimbra trataõ particularmente Pedro de Mariz nos Dialogos de Varia historia Dialog. 5. cap. 3. fol. 553. e Afonso Garcia Mata-Moros, no seu Tratado de Academiis, que anda na Hispania illustrada fol. 815. o Padre André Escoto na Biblioteca Hispana tit. 1. cap. 2. fol. 28. Frey Hieronymo Roman na Republica Christã l. 5. cap. 21. fol. 299. o Doutor Francisco de Monçaõ no seu Espelho de Principes l. 1. c. 36. fol. 85.
§. IV.
_Universidade de Evora._
A Universidade de Evora foy fundada pelo Cardeal, e Rey D. Henrique a 20. de Setembro de 1558. annos, como se ve no Anacephaleose 21. do Padre Antonio de Vasconcellos fol. 331. faz della mençaõ o Padre Andre Escoto tom. 1. cap. 2, fol. 29. Lese nella Theologia, Philosophia, e Latinidade.
Da Theologia Escholastica hà tres liçoens, e huma da Escritura; duas da Theologia Moral; hà quatro Cadeiras de Cursos de Philosophia: ensina-se a Rhetorica, Humanidades, e lingua latina em outo Classes, e duas mais de ler, e escrever. Floreceraõ nesta Universidade grandes Theologos, Philosophos, e Humanistas: aqui ensinou muitos annos o Padre Molina, e compoz os seus livros de Justitia, o Padre Fernaõ Rebello sobre os contratos, o Padre Braz Viegas, que escreveo sobre o Apocalypse, o Padre Bento Fernandes, que escreveo sobre o Genesis, o Padre Sebastiaõ do Couto insigne Philosopho, e Autor dos Cõmentarios da Logica, o Padre Manoel Pimenta eruditissimo nas letras sagradas, e humanas, e o Padre Francisco de Mendoça, cujos livros sobre os Reys saõ em toda a parte muito celebrados.
§. V.
Leaõ, e Castella.
_Salamanca._
Os estudos de Palencia foraõ fundados[228] por ElRey D. Afonso de Leaõ; mas esta fundaçaõ foy só dar privilegios aos Mestres, que quisessem ensinar os Estudantes, no anno de 1200. O mesmo fez ElRey D.Fernando II. de Leaõ em Salamanca, de modo que nenhuma destas Universidades teve sallarios, nem liçoens certas, senaõ voluntarias; e por isso se extinguiraõ de todo as liçoens de Palença, e naõ se mudaraõ para Salamanca, como alguns querem dizer.
A segunda fundaçaõ de Salamanca foy feita por ElRey D. Afonso o Sabio no anno de 1254. assinalando sallarios para os Mestres; porèm naõ teve Universidade por authoridade Apostolica atè o anno de 1334. em que o Papa Joaõ XXII. deu sua authoridade ao Mestre Eschola para o governo de Universidade, e dar os gràos nas sciencias; por onde de entaõ para cà começou a antiguidade da Universidade. E por quanto a nossa Universidade de Coimbra foy instituida pelo Papa Nicolào IV. anno 1290. ficaõ sendo as Bulas de Salamanca mais modernas, que as de Coimbra 44. annos. Esta opiniaõ porém da antiguidade da Universidade de Salamanca naõ he taõ certa, que senaõ diga della na Biblioteca Hispana do Padre Andre Escoto que antes do anno 1404 naõ hà cousa certa nesta materia, como se vé destas palavras: _Salmanticensis in Regno Castellæ, de cujus institutionis tempore parum constare affirmat Sabarellus Card. Clem. I. de Magistris; alij tamen anno Domini 1404. erectam asserunt_.[229] Esta Universidade floreceo em mayor numero de Estudantes, que nenhuma outra de Espanha, e pòde ser que fóra della: porque chegaraõ a passar de 15U000. e como eraõ tantos, foy necessario multiplicarem-se as liçoens, porque naõ havia Aula, em que coubessem todos os ouvintes de huma profissaõ; e assim acrescentaraõ duas liçoens de Prima, e Vespera, e chegou o numero dos Lentes a 60. Os homens eminentes, que desta Universidade tem sahido, e Authores insignes, podemos dizer, que saõ sem numero, por sua grande multidaõ; o mais se pòde ver largamente na historia de Salamanca de Gil Gonçalves de Avila l. 2. c. 17.
§. VI
_Toledo._
A Universidade de Toledo foy fundaçaõ do Mestre Eschola D. Francisco Alvares de Toledo[230] anno 1490. segundo o Padre Fr. Barnabè de Montalvo na Chronica de Cister 1. p. l. 5. c. 43. Rodrigo Mendez Sylva no seu livro da Povoaçaõ geral de Espanha l. 1. c. 6. diz que a fundaçaõ desta Universidade foy feita no Collegio de Santa Catharina no anno 1485. e que se fez com authoridade do Summo Pontifice Innocencio VIII. e depois com Bulas de Leaõ X. e Paulo III. approvando tudo o Emperador Carlos V. o qual a ampliou, e no anno de 1520. lhe concedeo os privilegios da Universidade de Salamanca.
§. VII.
_Siguença._
Fundou a Universidade de Siguença o Arcediago de Almazan D. Joaõ Lopes de Medina no Collegio de Santo Antonio de Porta cæli de Religiosos Hieronymos da mesma Cidade; e ainda que a dotaçaõ se fez no anno de 1471. acabou-se de ordenar o Collegio no anno de 1501. Lese aqui Theologia, e Philosophia, e se daõ os mais gràos por privilegio. Trata desta Universidade o Padre Fr. Jozè de Siguença na historia de S. Hier. l. 3. c. 6. fol. 27.
§. VIII.
_Alcalà de Henares._
A Universidade de Alcalà de Henares foy fundaçaõ do Arcebispo de Toledo D. Francisco Ximenes anno de 1508. Lem-se nella todas as sciencias, e letras humanas, e as linguas Grega, e Hebraica, como refere largamente o Mestre Eugenio de Roble na vida do Arcebispo fundador cap. 16. pag. 127.
O governo da Universidade està no Reytor do Collegio de Santo Illefonso, a quem o Arcebispo nomeou por Advogado della; pela devaçaõ, que tinha a este Santo, por haver sido Arcebispo de Toledo, e muy douto em todas as sciencias.
Saõ as Cadeiras da Universidade 42. seis de Theologia, seis de Canones, quatro de Medicina, huma de Anatomia, outra de Cirurgia, outo de Artes, huma de Moral, outra de Mathematica, quatro de Grego, e Hebraico, quatro de Rhetorica, e seis de Grammatica latina.
He esta Universidade de Alcalà illustrissima, por muitas prerogativas; porque nella se compoz, e publicou primeiro a Biblia, que de seu nome se chama Complutense com os Textos das quatro linguas Hebraica, Syriaca, Grega, e Latina. Tem o Collegio trilingue com 36. Collegiaes, para que estudem Hebraico, Grego, e Latim. A Igreja da Villa tem o titulo de S. Justo, e Pastor, por estarem nella seus sagrados corpos, e he Collegiada de sete Dignidades, 30. Conegos, e 19. Beneficiados, que todos saõ providos, e graduados pela Universidade, as Dignidades, e Conesias em Doutores, e os Beneficios em Mestres em Artes; fazem-se os provimentos nos Graduados assistentes, que se achaõ na Universidade a tempo das vacantes, entrando nas prebendas por suas antiguidades; o que he occasiaõ para se graduarem muitos, e residirem nella continuamente grande numero delles; e sobre tudo para estar aquella Igreja ornada com tantos Varoens doutos.
§. IX.
_Osma._
O Bispo D. Pedro da Costa, sobrinho do nosso Cardeal D. Jorge da Costa, fundou a Universidade de Osma, e segundo parece de sua vida, que anda escrita por Fr. Bartholomeu Ponce, pag. 73. ordenou a Universidade no Collegio de Santa Catharina, que edificou na mesma Cidade, o anno naõ explica, mas sendo a entrada do Bispo de Osma pelos de 1539. e fallecendo no anno de 1563. neste meyo tempo devia ser a sua fundação, a qual refere o Arcebispo D. Rodrigo da Cunha nos Bispos do Porto p. 2, addiçaõ ao cap. 34. fol. 449. A Universidade parece que goza de privilegios de poder dar gràos. Rodrigo Mendes Sylva na sua Poblacion general de España c. 15. diz que a fundação da Universidade foy no anno de 1550.
§. X.
_Avila._
No Convento de Religiosos Dominicos de Avila està instituhida a Universidade por Bullas do Papa Gregorio XIII. anno 1576. Lese neste Collegio Theologia, e Artes; e pelo privilegio Apostolico se dão tambem gràos em ambos os Dereitos, e Medicina. O Convento foy fundado por Fr. Thomaz de Torquemada Inquisidor Mòr de Castella, e com as esmolas do Fisco, que os Reys Catholicos applicaraõ. Trata desta Universidade o Bispo de Monopoli D. Fr. Joaõ Lopes na 3. p. da Historia de S. Domingos l. 3. c. 35. fol. 274.
§. XI.
_Valhadolid._
Da Universidade de Valhadolid faz mençaõ o Licenciado Afonso Garcia Mata-Moros,[231] mas naõ diz della mais que nomealla por Pinciana. O Licenciado Medina na Descripçaõ de Espanha escreve della largamente, mas naõ diz o Fundador, nem o anno, em que foy fundada. Rodrigo Mendes Sylva no livro, que intitulou Poblacion de España, diz que esta Universidade foy instituhida pelo Papa Clemente VI. à instancia de D. Affonso XII. Rey de Castella anno 1346. e ampliada no anno 1483. e 84. e 1505. mas naõ allega Author. Lem-se nesta Universidade todas as Faculdades, e tem o mesmo estylo no governo, que a de Salamanca. O Collegio de S. Gregorio Dominicano na mesma Cidade florece grandemente em letras: e nelle se pòdem tambem dar gràos por particular privilegio Apostolico, porque foy feito Universidade no anno de 1608. como se ve do Bispo de Monopoli 4. p. da Hist. de S. Domingos l. 3. c. 38.
§. XII.
_Oropesa._
Nesta Villa se diz no livro intitulado Poblacion de España, que ha Universidade com outo Cadeiras, instituhida por D. Francisco de Toledo, Viso-Rey das Indias, e naõ aponta o anno, nem dà mais razaõ della.
§. XIII.
Andaluzia.
_Ossuna._
A Universidade de Ossuna foy fundada pelo quarto Conde de Urenha D. Joaõ Telles Giron, no anno 1449. consiste delle o he da Universidade, da qual trata o Doutor Hieronymo Gudiel na historia dos Girones cap. 34. fol. 118. em hum Collegio, onde se lem todas as sciencias, e o Reytor
§. XIV.
_Sevilha._
A Universidade de Sevilha se chama Collegio de Maestro Rodrigo,[232] cujo nome era Rodrigo Fernandes de Santa Ella Arcediago de Reyna, e Conego de Sevilha, que ordenou se lesse Theologia, e Canones; ao qual Collegio se juntaraõ depois outras doaçoens, com que se lem tambem Leys, e Medicina. Seu principio foy pelos annos de 1509. em que morreo o fundador, como se ve da historia de Sevilha de Alonso Morgado l. 2. c. 7. fol. 45. No Collegio de Santo Thomaz dos Pregadores da mesma Cidade, que he fundaçaõ do Cardeal de Essa, se pòdem dar gràos, como os de Universidade, por particular privilegio, assim se refere na 4. p. da historia de S. Domingos do Bispo de Monopoli, l. 1. c. 43.
§. XV.
_Granada._
Foy fundaçaõ de Carlos V. anno 1531. ainda que naõ teve effeito, senaõ depois no anno de 537. Lem-se nella todas as Sciencias, e trata della D. Francisco Bermudes de Pedraça na Hist. Eccl. de Granada 4. p. c. 55.
§. XVI.
_Baeça._
Na Universidade de Baeça se le Theologia, Filosofia, e letras humanas, ordenou-se anno 1564. della se trata na historia de Jaem cap. 20. foy seu Author o Doutor Rodrigo Lopes, e o Veneravel Padre Joaõ de Avila a deu à execução.
§. XVII.
_Murcia._
Murcia tem dous Collegios, e em cada hum delles se le Theologia, Filosofia, e letras humanas. O mais antigo he dos Dominicos, que começou pelos annos de 1310. e ultimamente se reformou por Frey Fernando de Castilho Author da Historia Dominicana, como se ve da Historia de Murcia Discur. 16. c. 1. fol. 268. vers. O segundo he da Companhia, ordenado por D. Estevaõ de Almeida Bispo de Carthagena Portugues anno 1563. Porèm, nem hum, nem outro parece Universidade, senaõ Collegio particular, ainda que as liçoens saõ publicas, como se ve do mesmo Discurso fol. 271. posto que o Padre Andrè Escoto se persuade, que he Universidade, e por isso a referimos aqui.
§. XVIII.
Galiza.
_Compostella._