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Part 18

Chapter 184,230 wordsPublic domain

Depois que as Livras chegaraõ a grande diminuiçaõ, como adiante veremos, mandou ElRey D. Duarte lavrar outra moeda mais grossa, que chegaraõ _Reaes brancos_; os quaes eraõ de cobre com liga doutro metal, que os fazia mais brancos, do que os nossos Reaes de cobre, tal, e por isso se chamaraõ _brancos_, como se collige da Ord.[214] §. 16. Mandou ElRey D. Duarte, que cada Real branco destes valessem hum Soldo dos antigos, e assim cada hum delles valia 35. Livrinhas, e 20. Reaes brancos faziaõ huma Livra antiga das 700. a este respeito valia cada Real destes da nossa moeda dez seitijs, e quatro quintos de seitil pois 20. delles valiaõ 36. que he huma Livra das mayores.

Quando o mesmo Rey mandou bater estes _Reaes brancos_, parece que mandou juntamente bater outra moeda, a que chamou _Pretos_; dez dos quaes valiaõ hum Real branco; porque jà que se mudavaõ os soldos em Reaes brancos, pareceo conveniente, que se mudassem os Dinheiros em Preto; e este nome de _Preto_, parece que foy posto por diferença dos _Brancos_, e deviaõ tambem ser mais pretos, porque naõ teriaõ a liga do metal, ou de estanho, como tinhaõ os brancos. A valia, que estes primeiros Pretos tinhaõ, confórme à nossa Moeda, he a mesma de hum Seitil, e quatro cincoentavos de Seitil. Porque a mesma Ordenaçaõ diz, que hum Real destes brancos valia dez Seitis, e quatro quintos de Seitil; e como dez Pretos valiaõ hum Real branco, bem se infere, que hum Preto destes primeiros tinha hum Seitil; e o que lhe cabia dos quatro quintos do Seitil, que saõ quatro cincoentavos de Seitil. Tambem este Rey mandou lavrar escudos de ouro baixo.

§. XXIX.

_Das Moedas delRey D.Afonso V._

Na Chronica delRey D, Afonso V. cap. 138. se diz, que em tempo delRey Duarte se lavraraõ escudos de ouro baixo, que nos Reynos estranhos se tomavaõ com muita difficuldade. E ElRey D. Afonso quando aceitou a Cruzada, para ir à Terra Santa, mandou lavrar de ouro sobido de toda a perfeiçaõ a Moeda dos Cruzados, a qual mandou sobir em peso, e naõ em preço dous graõs sobre todos os Ducados da Christandade, para assim poderem correr em todas as partes onde elle fosse. Destes cruzados ha ainda hoje muitos, e saõ buscados para dourar com elles pela sua muita fineza; e alguns, que me vieraõ à maõ, tem de huma parte huma Cruz, como a de S. Jorge com letras, que dizem: _Adjutorium nostrum in nomine Domini_; e da outra o escudo Real coroado, metido ainda na Cruz de Aviz com estas letras: _Cruzatus Alfonsi Quinti R_. O nome de Cruzado parece lhe deu por ser feito para a empreza da Cruzada, que aceitàra.

Hum Real tenho deste Rey com a figura de sua empreza, que era hum rodizio de hum moinho correndo com o impeto da agoa, a qual empreza usou em muitas partes, e principalmente no Mosteiro de S. Francisco de Varatojo junto a Torres Vedras, onde se elle retirou, por ser sitio muy aprazivel com a vista do mar, e muita caça da Coutada de Cintra, aonde esta empreza se ve pintada em muitos lugares da Igreja, e das officinas da casa; as letras da empreza dizem o que estava na mesma figura: _He rodizio_; porque se prezava este Principe de taõ comedido, que queria ser advertido dos erros para se emendar delles.

Fez ElRey D. Afonso V. humas Moedas do cobre chamadas Espadins do tamanho de Real, que de huma parte tem no meyo huma maõ com huma espada com a ponta para baixo, e pela roda este letreiro: _Alphonsus Dei gratia, Rex P._ e da outra parte o escudo Real sobre a Cruz de Aviz, e as letras dizem: _Adjutorium nostrum in nomine Domini_.

Esta Moeda mandou lavrar ElRey D. Afonso V. em memoria da Ordem da Espada, que instituio para a Conquista de Fez;[215] na mais alta torre da qual se dizia, que estava huma espada engastada por hum antigo Astrologo dos Mouros, com pronostico, que quem pelo valor das armas dalli a tirasse, avia de ser Senhor do Mundo. Destas Moedas tenho muitas, assim de prata, como de cobre, como se ve na presente.

[Illustração]

Outra Moeda ha deste Rey de prata do tamanho de hum vintem, que de huma parte tem as Quinas sómente, e o letreiro à roda diz: _Alphonsi Quinti Regis Por._ e da outra hum A. grande Gotico, que he a primeira letra do nome delRey, e em cima huma Coroa, e à roda: _Adjutorium nostrum in nomine Domini_.

Outra Moeda de prata se acha sua do tamanho de quatro vinteis, mas naõ de tanto peso, a qual de huma parte tem o escudo Real sobre a Cruz de Aviz, e o letreiro à roda diz: _Alphonsis Dei gratia Rex Por._ Da outra banda estaõ as armas quarteadas de Castella, e Leaõ; e o letreiro à roda diz: _Alphonsus Dei Gratia Rex Por._ Esta Moeda se lavrou no tempo, que ElRey D. Afonso pretendia o Reyno de Castella pelo casamento da Excellente Senhora; e por isso usava das armas de Castella, e do titulo do mesmo Reyno.

Outra Moeda tenho sua de cobre da grossura de hum vintem pouco mayor, de huma parte tem hum A. Gotico grande debaixo de huma Coroa, e o letreiro: _Alphonsus Rex Portuguliæ_; da outra as Quinas sómente com as letras gastadas.

Outra Moeda se acha de cobre do tamanho de meyo vintem, mas de mayor grossura com outro A. Gotico, e huma Coroa por cima, e da outra banda as cinco Quinas em Cruz, e ambos os letreiros dizem: _Alphonsus Rex Portugalliæ_.

Outra fórma de Moeda ha, que de huma parte tem huma Cruz da maneira das Commendas de Christo, com o letreiro: _Alphonsus_; e da outra os cinco escudetes em Cruz atravessados, e taõ largos, que os quatro fazem entrar os braços da Cruz pelo lugar do letreiro da borda atè o fim, e o letreiro, qua vay entre os quatro escudetes, diz: _Rex Portugal_. Outras Moedas se bateraõ em tempo do mesmo Rey, de que adiante com as Livras se faz particular mençaõ.

§. XXX.

_Moedas delRey D. Joaõ o II._

ElRey D. Joaõ II. mandou lavrar Moedas novas no anno de 1485.[216] a primeira foy huma de ouro, que chamaraõ _Justo_ de ley de 22. quilates, e peso de 600. reis, que eu tenho, e de huma parte tem nella o escudo Real jà com as Quinas direitas sem a Cruz de Aviz; e foy esta a primeira vez, em que assim appareceo o escudo Real, depois delRey D. Joaõ I. o qual como foy Mestre de Aviz, poz o escudo Real no meyo da Cruz daquella Ordem, e as letras dizem: _Joannes Secundus R. Portugal. Algar. Dominus Guinè_; que he: Joaõ II. Rey de Portugal, e Algarve, Senhor de Guinè; o qual titulo tomou tambem no mesmo anno: da outra parte estava ElRey armado, assentado em cadeira Real com huma espada na maõ, e as letras à roda diziaõ: _Justus ut palma florebit_: o justo fllorecerà como a palma, deste letreiro parece lhe deraõ a esta Moeda o nome de _Justo_.

Mandou lavrar tambem _Espadim_ douro da ley dos Justos, e da ametade da valia, que eraõ 300. reis, e tinha de huma parte as mesmas armas, e titulos, que os Justos, e da outra huma maõ com huma espada nûa com a ponta para cima; e por letra: _Dominus protector vitæ meæ, à quo trepidabo?_

Fez tambem meyos Reaes de prata de ley de onze Dinheiros, a que depois chamaraõ Vinteis, por valerem 20. reis, e fez meyos Vinteis, e Cinquinhos, que valiaõ cinco reis: tambem lavrou Reaes de cobre da valia dos que agora correm. Destes Reaes ha alguns, em que està esculpido o Pelicano dando a beber aos filhos o sangue de seu peito, que foy a empresa deste Rey com a letra: _Pela ley, e pela grey_: dando a entender, que derramaria o sangue em defensaõ da Fè, e de seus vassallos.

Os Pelicanos saõ Aves quasi nunca vistas em Europa; com tudo eu vi hum em Evora em casa do Senhor D. Duarte tio de ElRey Dom Joaõ o quarto, que lhe viera de Angola; e ainda que estava morto, tinha todas as pennas, e só lhe faltavaõ os intestinos, que para o conservarem, lhe tiraraõ, era mayor que huma Cegonha, e quasi com as mesmas pennas brancas, e negras; no peito tinha hum callo, tamanho como hum Cruzado, dos que agora correm, vermelho, e naõ muito duro; por onde parece que por alli rompe algumas veyas com o bico, que he muito grande, para naturalmente sustentar seus filhos; como dizem os Escritores, de maneira, que naõ lhe deve de causar esta acçaõ morte, porque parece cousa natural.

Outros _Espadins_ fez bater prateados, que valiaõ quatro reis. Mandou lavrar Cruzados, que valiaõ 390. e ElRey D. Manoel os acrescentou a 400. no valor anno de 1517.

§. XXXI.

_Das Moedas delRey D. Manoel._

Damiaõ de Goes aponta no cap. ult. da Chronica delRey D. Manoel as Moedas que fez, que saõ as seguintes.

No anno de 1499. mandou tambem bater os Portugueses de ouro de 24. quilates, que era a mesma ley dos Cruzados desdo tempo delRey D. Afonso V. e cada hum delles tinha dez Cruzados de valor; e de huma parte tinhaõ a Cruz da Ordem de Christo com letras, que diziaõ: _In hoc signo vinces_; e da outra o escudo Real coroado, e dous letreiros; o do circulo mayor dizia: _Primus Emanuel Rex Portugalliæ; Algarbiorum, citra, & ultra in Africa, & Dominus Guinè_. O do circulo menor: _Æthyopiæ, Arabiæ, Persiæ, Indiæ_.

No mesmo anno mandou lavrar huma moeda de prata de ley de 15. Dinheiros, que 70. faziaõ hum marco, e valia 33. cada huma. Esta moeda chamaraõ _Indios_; e tinha de huma parte a mesma Cruz, e letreiro, que os Portugueses, e da outra as armas do Reyno com o letreiro: _Primus Emmanuel_.

No anno de 1504. fez os Portugueses de prata de valor de 400. reis cada hum com os mesmos letreiros, e cunhos, que os Portugueses de ouro: e destes mandou fazer meyos, e quartos, que saõ os Tostoens com o mesmo escudo, e letreiro, que os Portugueses douro. Chamaraõ-se Tostoens à imitaçaõ doutra semelhante moeda de França, a qual por ter por divisa huma cabeça, que os Franceses chamaõ _Teste_, se lhe deu o nome de _Testaõ_, e corruptamente _Tostaõ_.

Depois no anno 1517. fez meyos Tostoens, que de huma parte tem os cinco escudos das Quinas sem Castellos, e da outra huma Cruz, e de ambas as bandas diz o letreiro: _Primus Emmanuel R.P. & A. D. G._ Manoel primeiro Rey de Portugal, e Algarve, Senhor de Guinè.

Continuou os Cruzados do mesmo peso, e ley delRey D. Afonso V. e delRey D. Joaõ II. e nos vintens, e seitijs.

Fez Reaes de cobre de seis seitijs cada Real, que de huma parte tinhaõ hum R. debaixo de huma Coroa, e da outra o escudo das armas do Reyno com estas letras: _Emmanuel Rex Portugaliæ, & A. Dominus Guinè_.

Teve ElRey D. Manoel por empresa a Esphera, que vulgarmente se chamava entaõ _Espera_, e lha deu ElRey D. Joaõ II. como em pronostico da Coroa. Pelo que depois de ser Rey, mandou lavrar huma moeda de ouro, que de huma parte tem esculpida huma Esphera, e da outra huma Coroa com huma letra, que diz: _Mea_; com que parece quiz denotar, que a Esphera que ElRey D. Joaõ lhe dera por empresa, alcançou elle por obra, descobrindo, e conquistando a India, e o Brasil, de maneira, que ficaraõ sendo sua Coroa as quatro partes do mundo, que comprehende a Esphera. Pelo que alludindo a este Senhorio, usando da palavra _Mea_, segundo parece, por ser de S. Paulo, que chama aos Philippenses, a quem converteo: _Gaudium meum, & Corona mea_: meu contentamento; e noutra parte 1. aos Philippenses 2. _Quæ enim est nostra spes, aut Gaudium, aut Corona gloriæ, nonne vos, &c_. Donde parece que quiz dizer, que a sua gloria, e coroa, foy o novo descobrimento, e conversaõ do mundo. Na India depois de tomada Goa, mandou o Governador Afonso de Albuquerque fazer algumas moedas com o nome delRey D. Manoel, assim de ouro, como de prata, e cobre, às quaes poz o nome _Espheras_; que de huma tinhaõ a Cruz da Ordem de Christo, e da outra a Esphera, que era empresa delRey, como jà dissemos; pesava a Esphera de prata dous vintens, e outra ametade, a que chamavaõ _Mea Esphera_, nesta conformidade.

[Illustração]

As moedas de cobre poz nome _Leaes_, e outras Dinheiros, tres dos quaes valiaõ hum Leal; e de ouro mandou lavrar Cruzados, como se vè nos Comentarios de Afonso de Albuquerque p. 2 cap. 26.

§. XXXII.

_Das Moedas delRey D. Joaõ III._

Posto que na Chronica delRey D. Joaõ III. se naõ faz mençaõ mais, que das moedas de cobre, que elle mandou lavrar, com tudo consta de outras muitas, que fez bater de todos os metaes, e particularmente a moeda de ouro chamada S. Vicente, que era de peso de 1U000. reis, e de huma parte tem a figura de S. Vicente com huma nào na maõ esquerda, e huma palma na direita com letras à roda: _Zelator usque ad mortem_; e he Zelador da Fè atè a morte; e da outra o escudo Real coroado com as letras: _Joannes Tertius Rex Portu. & Al._ Desta moeda se lavrou outra de ametade da sua valia, e com as mesmas insignias, que por isso lhe chamaõ Meyos S. Vicentes, como se vè da seguinte.

[Illustração]

O titulo de Zelador da Fè, que teve nesta moeda, usou ElRey, por lho dar o Papa Paulo III. por o grande zelo, e instancia, com que pedio o Tribunal do Santo Officio da Inquisiçaõ para este Reyno, e como titulo hereditario usou tambem delle ElRey D. Sebastiaõ nas mesmas moedas, que em seu tempo mandou lavrar.

Fez outra moeda de ouro do peso dos Cruzados, a que chamaraõ _Calvarios_, por terem de huma parte huma Cruz comprida posta sobre hum monte, como ordinariamente a pintaõ no Calvario com estas letras: _In hoc signo vinces_; e da outra parte o escudo Real com Coroa, e o letreiro: _Joannes Tertius Port. & Al. R D. Guinè_.

Tambem na India se bateo outra moeda no anno 1548. governando Garcia de Sà, era de ouro de 20. quilates, e hum quarto; entravaõ num marco 67. de huma parte tinhaõ as armas de Portugal com a letra: _Joannes III. Portug. & Al. Rex_; da outra parte a imagem de S. Thomè com a letra: _India tibi cessit_; della se faz mençaõ na 6. Dec. l. 7. c. 2.

Tambem anno 1555. governando D. Pedro Mascarenhas, se lavrou em Goa outra moeda de prata, chamada _Patacaõ_, que foy a mayor deste metal, que houve naquelle Estado, como se refere na 7. Dec. cap. 6. col 6.

Fez tambem de prata, a que vulgarmente chamamos moedas de dous vintens, que de huma parte tinhaõ huma Coroa, e debaixo o nome delRey nesta cifra: _Io. III._ e por baixo _XXXX._ e à roda estas letras: _Rex Portugaliæ Al_. e da outra huma Cruz de S. Jorge com as letras: _In hoc signo vinces_.

Fez tambem outra moeda destes Reaes de prata dobrados, a que ordinariamente chamamos quatro vintens, e tem as mesmas insignias, que os outros; só debaixo do nome delRey tem hum numero de 80. que he a valia dos 80. reis, e na cercadura diz: _Rex Portugaliæ, Al. D. G._

No cap. 58. da 4. p. da Chronica delRey D. Joaõ III. se diz, que mandou continuar em Lisboa no lavramento dos Seitijs, que cada hum delles tinhaõ 18. graõs, e com os mesmos cunhos, que atè entaõ corriaõ. E assim mesmo mandou fazer Reaes, que valessem seis seitijs, e tinhaõ meya oitava de peso cada hum; e de huma parte tinhaõ no meyo letreiros, que em breve diziaõ: _Joannes Tertius Portugaliæ, & Algarbiorum Rex_; e da outra parte hum _R._ com huma Coroa em cima, que he a primeira letra do nome da mesma moeda, que he _Real_.

Outra moeda mandou fazer de peso de oitava, e meya, e tem huma Coroa por cima, e humas letras no circuito, que dizem: _Portugaliaæ, & Algarbiorum Rex Africæ_; e da outra hum escudo de Armas Reaes.

Fez _Patacoens_ de cobre de cinco outavas, que valia dez reis: e de huma parte tinha o escudo Real coroado com letras, que em breve diziaõ: _Joannes Tertius Portugaliæ, & Algarbiorum_; e da outra parte hum _X._ e ao redor: _Rex Quintus Decimus_.

§. XXXIII.

_Moedas delRey D. Sebastiaõ_.

DelRey D. Sebastiaõ hà varias moedas de ouro, como saõ as de 500. reis, que tem de huma parte huma Cruz da Ordem de Christo com as letras: _In hoc signo vinces_; e da outra o escudo com Coroa, e na cercadura: _Sebastianus I. Rex Portugaliæ_. Fez tambem a moeda dos Portugueses de dez Cruzados.

De cobre mandou lavrar os meyos reaes, os quaes tem hum R. de huma parte com huma Coroa em cima, e da outra estas letras: _Sebastianus_.

Outros meyos reaes tem de huma parte hum S. grande debaixo de huma Coroa, e da outra estas letras: _R. Sebastianus I_. Mandou o mesmo Rey por huma Provisaõ sua de 27. de Junho de 1558. e por outra de 22. de Abril de 157O. que se lavrassem de prata sómente Tostoens, Meyos tostoens, Vintens, e Meyos vintem, e que 24. Tostoens fizessem hum marco de prata, valendo cada Tostaõ 100. reis de seis seitijs o Real, e que tivessem as ditas moedas os mesmos cunhos, e letras, que atè entaõ costumavaõ ter as semelhantes; e do lavramento de cada marco de prata em moeda se tirassem 80. reis para os custos.

Tambem mandou abater as moedas de cobre, que ElRey D. Joaõ seu Avò lavràra; de maneira, que a moeda de dez reis, que chamamos Patacaõ, valesse sómente tres, e a moeda de cinco reis, q́ tem hum V. valesse real, e meyo.

§. XXXIV.

_Moedas delRey D. Joaõ IV._

ElRey D. Joaõ IV. quando tomou posse do Reyno, mandou lavrar os Cruzados de prata, que tem 400. reis; e os meyos Cruzados, Tostoens, e meyos tostoens com o mesmo preço antigo, mas de menos peso: porque como a prata tinha em todas as Provincias do Norte muito mayor valia, que neste Reyno, levavaõ os Estrangeiros toda a prata de Portugal. E assim para se remediar este danno foy necessario levantar o preço do marco de prata, e diminuir o peso das moedas.

As moedas de ouro de quatro Cruzados, que ElRey de Castella D. Filippe, que chamaraõ o Bom, mandou lavrar neste Reyno, fez recolher no anno de 1642. e batellas de novo com o seu nome: _Joannes IV. D. G. Rex Portugaliæ, & Algarb._ e da outra parte a Cruz de S. Jorge; e nos quatro vaõs o anno de 1642. e à roda: _In hoc signo vinces_; e mandou que valessem tres mil reis.

Outras se lavraraõ, que tem ametade deste peso, e valor com as mesmas letras, e outras de quarto. E porque quando levantou o preço do marco de prata, senaõ pode recolher todo o dinheiro que entaõ corria, e trocallo por Moedas novas, se mandou cunhar com o algarismo do novo valor, esculpindo no Tostaõ 120. reis, e nos quatro vinteis 100. e no Meyo. tostaõ 60. e nos Reaes singelos, que chamavaõ de dous Vinteis 50. De novo se lavraraõ Vinteis com hum I. no meyo, que he a primeira letra do nome de ElRey por cifra: e tambem se lavraraõ dous Vinteis com o mesmo nome, e huma Coroa em cima, e da outra parte a Cruz de S. Jorge. Estas Moedas se bateraõ naõ sómente em Lisboa, mas em Evora, e no Porto, nas quaes Cidades se mandou de novo levantar casa de Moeda.

Demos felice remate a esta materia com a insigne Moeda, que o mesmo Rey mandou lavrar, depois que fez tributario o Reyno de Portugal à Igreja da Conceiçaõ de N. Senhora de Villaviçosa. Mandou lavrar huma Moeda grande de prata de mayor circumferencia, que os Cruzados de prata, que de huma parte tem a imagem de N. Senhora da Conceiçaõ com os pés na meya Lua sobre o globo, e de huma, e outra parte o Sol, e outras metaphoras, porque he invocada da Igreja, como saõ o Sol, o Espelho, o Horto concluso, a Casa de ouro, a Fonte selada, a Arca do Santuario, e as letras: _Tutelaris Regni_; e da outra as armas Reaes com a Coroa cerrada postas no meyo da Cruz da Ordem de Christo; e as letras: _Joannes Quartus D. G. Portugaliæ, & Algarbiæ Rex_. Pesa esta Moeda 450. reis; outra mandou lavrar de ouro com a mesma escultura, e letra, de valor de 12U000. reis.

[Illustração]

§. XXXV.

_Moedas delRey D. Afonso VI._

ElRey D. Afonso VI. mandou lavrar moedas de ouro de quatro mil reis, de dous mil reis, e de dez tostoens. Mandou lavrar moedas de prata de valor de dous tostoens, de tostaõ, de quatro vintens, de meyo tostaõ, de vintem, e de dez reis tambem de prata. Marcouse depois a moeda de crusado em cinco tostões, a de dous tostoens em dusentos, e cincoenta reis, o tostaõ em cento, e vinte reis, e os quatro vintens em tostaõ. Tambem mandou lavrar cobre na forma cõmua.

§. XXXVI.

_Moedas delRey D. Pedro II._

ElRey D. Pedro II. mandou lavrar moedas de ouro de quatro mil reis, de dous mil reis, e de mil reis. Mandou lavrar outras moedas de ouro de quatro mil, e quatro centos, de dous mil, e duzentos, e de mil, e cem reis. Mandou lavrar moedas de prata chamadas Cruzados, que valiaõ quatro centos reis, de dusentos reis, de tostaõ, de oitenta reis, de cincoenta reis, de quarenta reis, de vintem, e de dez reis de prata. Com o levantamento da moeda sobiraõ as moedas de ouro a quatro mil, e oito centos, as de dous mil, e dusentos a dous mil, e quatro centos, e as de mil, e cem reis, a mil, e dusentos reis. Os Cruzados de prata a quatro centos, e oitenta, os duzentos reis a duzentos, e quarenta reis, o tostaõ a cento, e vinte reis, os oitenta reis a cem reis, os cincoenta reis a sessenta reis, os quarenta reis a cincoenta reis, e as moedas marcadas de duzentos, e cincoenta reis sobiraõ a trezentos reis, e as de cinco tostoens a seis centos reis.

Alèm do cobre na forma antiga, mandou lavrar outro sendo Regente do Reyno (pelo impedimento politico de seu Irmaõ ElRey D. Afonso VI.) que foraõ moedas de dez, de cinco, de tres reis, e de real, e meyo: eraõ estas moedas primorosamente cunhadas, tinhaõ de huma parte as Armas Reaes com estas letras: _Petrus D. G. P. Portugaliæ_, e no reverso o valor da moeda, e ao redor _Anno Regens. decimo quinto 1682_. No anno seguinte mandou lavrar outro cobre ainda mais primoroso, e do mesmo valor, com as letras: _Petrus D. G. P. Portugaliæ_, e no reverso _Anno sexto decimus regim. sui 1683_. Mas de humas, e outras moedas pela sua raridade naõ se devia bater grande copia.

Mandou lavrar outro cobre do mesmo valor, q́ tem de huma parte _P. II._ com huma Coroa em cima, e a redor _D. G. Port. & Alg. Rex_; e no reverso o valor da moeda com estas letras _Utilitati publica_.

Para a America mandou lavrar como moeda provincial moedas de ouro de quatro mil reis, de dous mil reis, e de mil reis, de huma parte tem as Armas Reaes com estas letras _Petrus II. D.G. Portugaliæ Rex_, e da outra a Cruz de S. Jorge, e ao redor, _Et Brasiliæ Dominus Anno 1700_. Mandou lavrar moeda de prata de duas patacas, que valem 640. reis, patacas de 320. reis, como se vè da estampa seguinte.

[Illustração]

Meyas patacas de 160. reis, quarto de pataca de 80. reis, e vintem. Tem todas de huma parte, _Petrus II. D. G. Rex, & Bras. D._ e da outra parte huma Esphera sobre huma Cruz de Christo com estas letras entre os braços da Cruz, _Subq signo nata stab._ que dizem que debaixo do sinal da Cruz naceo, e se estabeleceo a America, porque o primeiro nome, que se deo àquella terra, quando se descobrio, foy o de Santa Cruz, e depois se chamou Brasil por causa desta madeira. Mandou lavrar moedas de cobre de vinte reis, e de dez reis, que tem de huma parte estas letras _Petrus II. D. G. Portug. R. D. Æthiop._ e na outra dous XX. entre huma especie de quatro crecentes, em cujos vaõs hà quatro P. e ao redor, _Moderato splendeat usu. 1697_.

§. XXXVII.

_Moedas delRey D. Joaõ V._

Sua Magestade, que Deos guarde, alèm das moedas de ouro, como as delRey D. Pedro II. mandou lavrar Cruzados novos de ouro, que tem de huma parte duas palmas, e huma Coroa, e debaixo della _Joan. V._ e da outra a Cruz de Christo com as letras, _in hoc signo vinces_, se cunharaõ nas Minas moedas de vinte, e quatro mil reis, como mostra a seguinte estampa.

[Illustração]

E, de doze mil reis, a qual moeda ordenou o dito Senhor, que senaõ lavrasse mais. Mandou lavrar moedas de doze mil, e oito centos reis, como se vè da estampa seguinte.

[Illustração]

De seis mil, e quatro centos reis, de tres mil, e duzentos reis, de mil, e seis centos reis, de oito centos reis, e de quatro centos reis; todas com a sua Imagem, e ao redor _Joannes V. D. G. Port. & Alg. Rex_, e no reverso as Armas Reaes com as palavras, _in hoc signo vinces_: agora naõ costumaõ trazer as ditas letras.

Mandou lavrar duas sortes de cobre: a primeira de dez reis, de cinco reis, de tres reis, e de real, e meyo: tem de huma parte a Coroa Real, e debaixo della estas letras _J. V._ e ao redor _D. & Port. & Alg. Rex_, e da outra o valor da moeda com as letras, _Utilitati publicæ_. A segunda tem o Escudo das Armas Reaes com estas letras ao redor, _Joannes V. Dei gratia_, e da outra o valor da moeda, e as letras _Portugaliæ & Algarbiorum Rex_.