Part 14
Neste Reyno se teve sempre esta dignidade em muito, e senaõ deu senaõ a filhos, e netos dos Reys, ou a parentes chegados à Casa Real. E os que os Reys atégora fizeraõ sem repetir os Titulos mais, que huma só vez, ainda que depois se reformasse a mercé, saõ os seguintes: os primeiros, como vimos, foraõ o Infante D. Pedro, a quem ElRey D. Joaõ I. seo pay deu Titulo de Duque de Coimbra, e ao Infante D. Henrique de Viseu; ElRey D. Afonso V. fez Duque de Bragança a D. Afonso Conde de Barcellos, filho natural delRey D.Joaõ I. e ao Infante D. Fernando seu irmaõ, de Viseu; e de Guimaraens ao filho mais velho do Duque de Bragança, ElRey D. Joaõ II. fez Duque de Beja ao Senhor D. Manoel, que depois foy Rey; o qual deu Titulo de Duque de Coimbra ao Senhor D. Jorge filho bastardo do mesmo Rey D. João II. e ao Infante D. Luiz seu filho, o fez Duque de Beja; e ao Infante D. Fernando, da Guarda; ElRey D. João III. concedeo aos primogenitos da casa de Bragança Titulo de Duques de Barcellos, e mudou o Titulo de Duque de Coimbra em Aveiro ao successor do Senhor D. Jorge; e deu à Senhora Infanta Dona Maria o Titulo de Duquesa de Viseu; ElRey D. Felippe I. deu ao Marquez de Villa-Real D. Manoel de Meneses Titulo de Duque da mesma Villa, que depois seu filho teve com Titulo de Caminha; ElRey D. Felippe III. concedeo aos primos genitos dos Duques de Aveiro se chamassem Duques de Torres Novas, donde tinhaõ Titulos de Marqueses; ElRey D.João IV. fez a D.Nuno Alvares de Mello, que era Marquez de Ferreira, Duque do Cadaval. ElRey D. João V. fez Duqueza de Lafoens a Dona Luiza Casimira de Sousa herdeira da Casa de Arronches, e mulher do Senhor D. Miguel, e este Titulo tem seu filho D. Pedro de Sousa. A esta dignidade aconteceo o que a nenhuma outra, que foy accrescentamento de grào no mesmo nome, como fizeraõ os Duques de Austria, chamando-se Archiduques, e outros se accrescentaraõ com o nome de Grandes, como o de Lituania, e o de Toscana.
§. XXIV.
_Dos Marqueses, que ha no Reyno, e das ceremonias, com que eraõ creados antigamente._
Marquez se disse de _Marca_, que em lingua Alemã significa termo, e limite. Naõ foy este nome dignidade conhecida dos Romanos,[166] mas entrou com os Principes do Norte, os quaes destruindo o Imperio, e dividindo-o em muitos Reynos, punhaõ nos limites, e marcas de seus Estados Fronteiros, que as defendessem; e porque a estas fronteiras chamavaõ Marcas, intitularaõ aos Capitaens _Marchiones_; e depois corruptamente Marqueses. Deste tempo ficaraõ em Italia os Marquesados de Mantua, e Ferrara, e as Provincias ditas Marca de Ancona, e Trivizana. Em Espanha usaraõ tambem os Godos dos mesmos nomes, como se vè das historias dos Reys Godos, e os aponta Morales,[167] e particularmente neste Reyno, onde nos deixaraõ a palavra _Comarca_, que ainda hoje conservamos.
Sendo esta dignidade de Marquez officio, se foy tambem depois naõ sómente fazendo Senhorio das mesmas Marcas, mas ainda Dignidade, e Titulo. O primeiro, que houve neste Reyno, foy D. Afonso filho do primeiro Duque de Bragança, a quem ElRey D. Afonso V. deu este Titulo. Foy este Senhor, sendo ainda Conde de Ourem, ao Concilio de Basilea por Embaixador de Portugal com grande acompanhamento, e dahi, antes de tornar para o Reyno, correo grande parte de Europa, e Asia; e assim em remuneraçaõ de seus serviços o fez ElRey D. Afonso V. Marquez de Valença.
As ceremonias, com que esta dignidade se dà, conta largamente Garcia de Resende[168] na Chronica delRey D. Joaõ II. quando ElRey fez ao Conde de Villa Real D. Pedro de Meneses Marquez da dita Villa, e foy nesta forma. ElRey citava em seu estrado Real vestido ricamente, em pè com a mão na cadeira, debaixo de hum docel de brocado, acompanhado do Principe, e Grandes da Corte, vestidos todos de festa. O Conde veyo de sua Casa acompanhado de muitos Fidalgos, precedendo trombetas, charamellas, sacabuxas, e os Reys de Armas, e hum dos principaes Fidalgos, que o acompanhavaõ, levava diante hum Estendarte das Armas do Conde na mão com pontas, e outro huma espada rica embainhada, e o terceiro huma carapuça de seda vermelha forrada de arminhos, posta em hum prato de prata ricamente lavrado; com esta ordem entrou na sala, e chegou ao estrado, em que ElRey estava; e o Chanceler Mór por mandado delRey fez huma pratica, em que contou os muitos serviços do Conde, e como em gratificaçaõ delles, o queria ElRey acrescentar à dignidade de Marquez. Acabada a pratica, se chegou o Conde diante delRey, o qual tirou a carapuça do prato, e lha poz na cabeça, e tomou a espada, e lha cingio por cima dos vestidos, e da cinta lha tirou nua, e com ella lhe cortou as pontas do Estendarte, e ficou em Bandeira quadrada; e tomou hum anel de diamante, e lho meteo no dedo annular da maõ direita. Feito isto, o Marquez se poz de joelhos, e lhe beijou a maõ, e o mesmo fizeraõ logo o Principe, e os mais Grandes, e Fidalgos, que ahi estavaõ presentes. Convidou ElRey o Marquez, e jantou com elle aquelle dia à mesma mesa, estando ElRey debaixo do docel no lugar do meyo, e à sua maõ direita o Principe, e logo o Marquez, e à maõ esquerda ElRey D. Manoel Duque de Viseu, que depois lhe succedeo no Reyno. Acabado de comer, se recolheo ElRey, e o Marquez com o mesmo acompanhamento tornou para casa. Neste Reyno, e no de Italia costumaõ trazer Coroneis de perolas sobre as Armas; posto que como vimos, ElRey D. Joaõ lhe deu o barrete Ducal.
Os Senhores, a que os Reys deste Reyno deraõ titulo de Marquez, sem repetir duas vezes numa Familia o mesmo Titulo, saõ os seguintes. ElRey D. Afonso V. fez Marquez de Valença a D. Afonso, como jà vimos, e a seu Irmaõ D. Fernando Marquez de Villa-Viçosa. ElRey D. Joaõ II. a D. Pedro Meneses Conde de Villa Real fez Marquez da mesma Villa. ElRey D. Manoel concedeo aos primogenitos dos Duques de Aveiro o Titulo de Marquez de Torres Novas; e D.Joaõ III. fez Marquez de Ferreira a D. Rodrigo de Mello, Conde de Tentugal; e ElRey D. Filippe III. deu o mesmo Titulo a D. Christovaõ de Moura, fazendo o de Conde de Castello Rodrigo, Marquez da mesma Villa; e a D. Diogo da Sylva o de Marquez de Alanquer; ao Conde de Portalegre D. Filippe da Sylva fez ElRey D. Filippe o IV. Marquez de Gouvea; e ao Conde de Castelbom D. Jorge Mascarenhas Marquez de Montalvaõ; e ElRey D. Joaõ IV. ao Conde de Vimioso D. Afonso fez Marquez de Aguiar; e ao Conde de Monsanto D. Alvaro Pirez de Castro fez Marquez de Cascaes, e ao Conde de Vidigueira D. Vasco da Gama fez Marquez de Niza. ElRey D. Afonso VI. fez Marquez de Fontes a D. Francisco de Sà, e Menezes Conde de Penaguiaõ: Marquez de Sande a D. Francisco de Mello, e Torres Conde da Ponte, e Marquez de Marialva a D. Antonio Luiz de Menezes Conde de Cantanhede. ElRey D. Pedro II. fez Marquez de Alegrete a Manoel Telles da Sylva: de Fronteira a D. Joaõ Mascarenhas Conde da Torre: das Minas a D. Francisco de Sousa Conde Prado: de Tavora a Luiz Alvares de Tavora Conde de S. Joaõ de Pesqueira. ElRey D.Joaõ o V. fez Marquez de Angeja a D. Pedro Antonio de Noronha Conde de Villa-Verde: de Gouvea a D. Martinho Mascarenhas Conde de Santa Cruz: de Marialva a D. Diogo de Noronha: de Valença a D. Francisco de Portugal Conde de Vimioso, e ao Marquez de Fontes D. Rodrigo de Sà, e Menezes mudou este Titulo no de Abrantes, ficando o outro em seu primogenito D. Joaquim Francisco de Sà, e Menezes Conde de Penaguiaõ.
§. XXV.
_Da origem dos Condes, e sua antiguidade, e preeminencia em Portugal._
Conde se dirivou de _Comes_, palavra latina, que significa companheiro, e _comitatus_, companhia. Sendo este nome generico, se fez tambem especial,[169] quando os Emperadores Romanos começaraõ de usar dos Nobres da Republica para os officios do Paço. Introduzio-se este costume em tempo de Valeriano;[170] o qual como se tratasse jà mais como Rey, que naõ seus antecessores, transferio o Senado para o Paço; e escolheo dos principaes Senadores hum Conselho, com o qual determinava tudo. E porque elle de sua condiçaõ naõ estava nunca em hum lugar, e caminhando sempre, e trazendo fempre consigo estes Senadores, lhe chamaraõ _Comites_, ou Companheiros de Cesar, e aos Continuos da Corte, e à Casa Imperial, _Comitatus Cæsaris_; foy logo de grande estima este Titulo de Companheiro do Emperador; e concedia se aos Conselheiros; e àquelles, que no Paço tinhaõ superintendencia em algum particular ministerio; e precediaõ a outros Ministros inferiores, chamando-os Condes daquelle officio. De maneira, que ao que agora dizem o Veador da Casa, chamavaõ elles: _Comes rei privatæ_: ao Guarda roupa: _Comes sacræ vestis_: ao Veador da fazenda: _Comes largitionum_; e assim aos de mais, como se pòde ver largamente[171] pelo livro da Noticia de ambos os Imperios. Depois estenderaõ os Emperadores Marco Aurelio, e Lucio Comodo Uro este nome de _Comites_, ou Condes, aos Governadores das Provincias, aos quaes deraõ Titulo de Condes dellas. E no Imperio Occidental se governaraõ por Condes, Italia, Africa, o destrito de Argentina em Alemanha, Inglaterra, o Illyrico, e as Espanhas. Pelo que vindo os Godos, e Naçoens do Norte a apoderar-se das Provincias Romanas, usaraõ do mesmo estilo; e seus Reys querendo imitar o fausto dos Emperadores, deraõ tambem nomes de Condes aos Senhores, e Illustres, que os serviaõ nos officios do Paço: e particularmente vemos isto nos Reys Godos de Espanha, cujas Historias,[172] e Concilios de seus tempos estaõ cheyos destes nomes de Condes, como era o que chamavaõ; _Comes escanciarum_, que servia de Copeiro: _Comes cubiculi_, de Camareiro: _Comes patrimonij_, de Veador da fazenda: _Comes spathariorum_, de Capitão da Guarda: _Comes stabuli_, de Estribeiro Mòr: _Comes Notariorum_, o Secretario: _Comes Thesaurorum_, o Thesoureiro Mòr, e assim outros muitos.
Alèm destes Condes, que serviaõ no Paço aos Reys Godos, havia outros nas Cidades principaes das Provincias, que as governavaõ, e seus territorios, como agora os Corregedores; pelo que lhe chamavaõ Condes da segunda ordem, por naõ serem da qualidade dos primeiros, que andavaõ junto à pessoa do Principe. Porèm nenhum destes Condes era perpetuo, mas serviaõ os officios a tempos, e deste modo se conservaraõ atè a entrada dos Arabes em Espanha; os quaes concederaõ aos Christãos, que entre elles ficassem seus Condes, que como Juizes os governassem, como se pòde ver largamente na 2. e 3. p. da Monarquia Lusitana,[173] onde se nomea Theodoro Conde de Coimbra muitos annos antes que se ganhasse esta Cidade aos Mouros. Depois os Reys, que succederaõ a D. Pelayo, deraõ tambem titulo de Condes aos Governadores, que punhaõ nas Cidades, como se vè do privilegio, que ElRey D. Afonso Magno deu à Igreja de Santiago de Galiza; onde alèm de outros se nomea Alvaro Conde da Idanha, Ermigildo Conde de Tuy, e do Porto, Arias seu filho Conde de Eminio, Pelayo Conde de Bragança, Odoario Conde de Castella, e Viseu. Estes saõ os primeiros Condes de Portugal, que se achaõ em confirmações, depois de se ir recuperando do poder dos Mouros. Daqui veyo dar ElRey D. Afonso VI. esta Provincia a seu genro D. Henrique com titulo de Conde. Em seu tempo, e em quanto seu filho D. Afonso esteve sem Titulo de Rey, naõ lemos que houvesse algum Senhor no Reyno com esta dignidade; porèm tanto que foy levantado por Rey, logo devia dar o titulo de Conde a outros para grandeza de sua Corte, como parece dos que achamos nomeados na jornada de Sevilha, que acompanharaõ o Infante D. Sancho. Estes titulos de Conde eraõ entaõ sómente em vida; depois se fizeraõ hereditarios, dando-os os Reys á imitaçaõ do que jà tinha feito o Emperador Carlos Magno, o qual senhoreando-se de toda Italia, França, Alemanha, deixou estes, e outros titulos aos mais dos Senhores, que os administravaõ, por herança, para elles, e seus descendentes, como jà temos dito; usando nisto de huma grande razaõ de estado; porque dividindo nesta fórma as Provincias em muitos Senhores particulares vassallos, ficava seguro de se lhe naõ poderem rebelar; porque cada hum por si naõ tinha forças bastantes para o fazer; e unirem-se todos, era quasi impossivel, pela grande multidaõ delles. Alèm do que se seguia outro grande beneficio ao bem publico, e era, que administrando cada Senhor sua Cidade, e territorio como cousa propria, ficava sendo muito mayor o accrescentamento das cousas publicas, como se ve no campo mais pequeno, que he melhor cultivado, que a herdade grande: e assim resultaraõ depois destas divisoens maravilhosos aumentos em todas as Cidades, e Povos, que tiveraõ particular Senhorio, tanto em Italia, e França, como em Alemanha; de que saõ boas testemunhas em Italia as Cidades de Mantua, Urbino, Ferrara, Millaõ; em França Parîs, Orliens, Bezansom, Gray, Nantes, Metz; nos Paizes baixos, Cambray, Arráz, Liegi; em Alemanha Clevis, Colonia, Aspurg, Gratz, e infinitas outras, que deste tempo para cà floreceraõ admiravelmente. De modo, que a esta imitaçaõ começaraõ os Reys de Espanha, por sua liberalidade dar por herança os titulos de Condes juntamente com o Senhorio das terras, que governavaõ. Porèm isto senaõ fazia ordinariamente, senaõ a pessoas muy conjunctas em sangue com a Casa Real. Pelo que dando ElRey D. João o I. titulos de Duques a seus filhos D. Pedro, e D. Henrique, como jà deixamos dito, ficaraõ sendo de mòr dignidade, que os Condes; ainda que estes eraõ muito mais antigos no Reyno depois da restauraçaõ de Espanha.
Em Italia naõ trazem Coroneis, e saõ chamados Espectaveis, e naõ Illustres, porèm em Portugal tem Coronel de perolas. Em Castella os que saõ Grandes, precedem aos Marqueses, que o naõ saõ. Quando ElRey D. Pedro de Portugal fez Conde de Barcellos a D. Joaõ Afonso Tello, conta o Chronista a solennidade, com que velou as armas, porèm naõ diz a com que o fez Conde. Com tudo parece, que em Portugal seguiraõ o costume de Italia, como fizeraõ nos Marqueses; e o que se póde colligir nesta materia era, que hia o Conde com acompanhamento dos Fidalgos, Reys de Armas, e instrumentos musicos ao Paço, onde ElRey dizendo-lhe: Venhais embora Conde, e metendo-lhe na maõ o Estendarte, lhe dava a investidura do Estado. E sendo convidado aquelle dia delRey, se tornava depois para casa com o mesmo acompanhamento. Os Senhores, a quem os Reys de Portugal deraõ o Titulo, referirey como fiz nos passados sem repetir duas vezes o mesmo Condado; ainda que ao filho, ou neto se tornasse a fazer merce delle. O primeiro que achey, he o Conde de Bragança D. Fernaõ Mendes o Bravo, que casou com Dona Theresa filha delRey D. Afonso Henriques. O segundo o Conde D. Pedro; na historia do qual Rey se nomeaõ tambem o Conde D. Ramiro, e D. Pedro das Asturias, que se acharaõ com o Infante D. Sancho na batalha, em que venceo a ElRey de Sevilha. Na Chronica do mesmo D. Sancho o I. se nomeaõ o Conde D. Mendo o Sousaõ; e na delRey D. Afonso III. o Conde D. Garcia de Sousa, que casou com huma filha bástarda do mesmo Rey. ElRey D. Diniz deu o titulo de Conde de Barcellos a D. Pedro, e de Albuquerque a D. Afonso Sanches seus filhos bastardos. ElRey D. Pedro fez Conde de Barcellos a D. Joaõ Afonso Tello de Meneses; e depois ElRey D. Fernando o fez Conde de Ourem, o qual fez tambem Conde Barcellos a D. Joaõ Afonso Tello, irmaõ da Rainha Dona Leanor, e D. Joaõ Tello Conde de Viana; e a D. Gonçalo Telles Conde de Neiva, e Faria, a D. Henrique Manoel Conde de Cea, e Cintra; e a D. Alvaro Pires de Castro Conde de Arrayolos, e Conde de Ourem a D. Joaõ Fernandes Andeiro. ElRey D. Joaõ I. deu o mesmo Titulo a D. Nunalvares Pereira, e o de Barcellos a D. Afonso seu filho natural, e ultimamente o de Villa Real a D. Pedro de Meneses primeiro Capitaõ de Ceita, D. Afonso V. fez Conde de Monsanto a D. Alvaro de Castro, e D. Afonso de Vasconcellos Conde de Penella, a D. Duarte de Meneses Conde de Viana, e depois de Loulè, a D. Henrique seu filho Conde de Valença, a D. Lopo de Albuquerque Conde de Penamacor, a D. Fernando de Noronha Conde de Odemira, a D. Fernando Coutinho Conde de Marialva, a D. Alvaro Gonçalves de Ataide Conde de Atouguia, a D. Pedro Martins de Mello, Conde de Atalaya, a D. Afonso filho do Duque de Bragança D. Fernando I. Conde de Faraõ, a D. Lopo de Almeida Conde de Abrantes, a D. Rodrigo de Mello, Conde de Olivença, a D. Ruy Vaz Pereira Conde da Feira, a D. Pedro de Meneses Conde de Cantanhede, a D. Pedro Alvares de SottoMayor Conde de Caminha, a D. Joaõ Galvaõ Bispo de Coimbra Conde de Arganil. ElRey D. Joaõ o II. deu o Condado de Borba a D. Vasco Coutinho, que depois se trocou pelo do Redondo. ElRey D. Manoel deu titulo de Conde de Portalegre a D. Diogo da Sylva, e aos primogenitos do Marquez de Villa Real, o de Alcoutim, a D. Rodrigo de Mello fez de Tentugal, a D. Joaõ de Meneses, de Tarouca, a D. Francisco de Portugal, do Vimioso, a D. Martinho de Castello Branco, de Villanova, a D. Vasco da Gama, da Vidigueira. ElRey D. Joaõ III. deu o Condado da Castanheira a D. Antonio de Ataide, e a D. Diogo da Sylveira, o da Sortelha. ElRey D. Sebastiaõ a D. Simaõ Gonçalves da Camara fez Conde da Calheta. ElRey D. Filippe I. a D. Francisco de Sà Conde de Penaguiaõ, a D. Fernando de Castro, do Basto, a D. Duarte de Castelbranco, do Sabugal, a D. Rodrigo Gonçalves da Camara, de Villafranca, a D. Francisco Manoel, da Atalaya, a D. Francisco Mascarenhas, de Santa Cruz. ElRey D. Filippe III. deu titulo de Conde de Ficalho a D. Carlos de Aragaõ, de Lumiares a D. Luiz de Moura, e Corte Real, de Villaflor, a D. Luiz Henriques, a Luiz Alvares de Tavora, de S. Joaõ da Pesqueira, a Henrique de Sousa, de Miranda do Corvo; a D. Francisco de Fàro, do Vimieiro; a D. Estevaõ de Fàro, de Fàro de Alentejo. ElRey D. Filippe IV. deu titulo de Conde de Obidos a D. Vasco Mascarenhas, e de Conde da Torre a D. Fernando Mascarenhas, e de Conde de Castelbom a D. Jorge Mascarenhas, e de Conde de S. Miguel a Francisco Botelho; e de Conde de Castelmelhor, a Ruy Mendes de Vasconcellos, e de Conde de Sarzedas a D. Rodrigo Lobo da Sylveira; e de Conde de Aveiras, a Joaõ da Sylva Tello, e de Conde de Assumar, a D. Francisco de Mello; e de Conde de S. Lourenço a Luiz da Sylva, e de Conde da Ilha do Principe a Luiz Carneiro de Alcaçova, e de Conde de Armamar, a Ruy de Mattos de Noronha, a Leonel de Lima deu as honras de Conde no titulo de Visconde de Villanova da Cerveira. ElRey D. Joaõ IV. fez Conde de Serem a D. Fernando Mascarenhas, e de Alegrete a Mathias de Albuquerque, e Conde de Villapouca a Antonio Telles; e de Villarmayor a Fernaõ Telles; e Conde de Soure a D. Joaõ da Costa. Confirmou a D. Fernando de Menezes a merce de Conde da Ericeira, fez Conde de Oriola ao Baraõ de Alvito, a D. Francisco de Sousa confirmou a merce de Conde do Prado, restituhio o da Torre tirado por Castella a D. Fernando Mascarenhas, e fez Conde de Villaverde a D. Antonio de Noronha. ElRey D. Afonso VI. fez Conde de Avintes a D. Luiz de Almeida, de Pombeiro a D. Pedro de Castellobranco, da Ponte a Francisco de Mello, e Torres, de S. Vicente a Joaõ Nunes da Cunha, de Villaflor a D. Sancho Manoel, e de Santiago a Lourenço de Sousa seu Aposentador Mòr. ElRey D. Pedro II. fez Conde de Alvor a Francisco de Tavora, do Assumar a D. Pedro de Almeida, de Coculi a D. Francisco Mascarenhas, das Galveas a Diniz de Mello de Castro, do Lauradio a Luiz de Mendonça, do Redondo a D. Manoel Coutinho, do Rio Grande a Lopo Furtado de Mendoça, de Tarouca a Joaõ Gomes da Sylva, de Valadares a D. Miguel Luiz de Menezes, e de Viana a D. Jozé de Menezes. ElRey D. Joaõ o V. fez Conde das Galveas a Andrè de Mello de Castro, Embaixador em Roma, do Lauradio a D. Antonio de Almeida, de Monsanto, D. Fernando de Noronha, de Povolide a Tristaõ da Cunha de Attaide, do Redondo a Fernaõ de Sousa Coutinho, de Alva a D. Joaõ Diogo de Ataide Governador das Armas do Alemtejo, da Sabugosa a Vasco Fernandes Cesar de Menezes, de Sandomil a Pedro Mascarenhas, e do Vimieiro a D. Sancho de Faro.
§. XXVI.
_Dos Viscondes, e Baroens._
Em toda a parte costumaraõ os Reys, e Monarcas darem a seus primogenitos algum Titulo ainda em vida, para com isso os introduzir no governo das cousas publicas, e alcançarem mayor authoridade com o povo; e como todos os Grandes procurem imitar os Reys, alcançaraõ tambem muitos Senhores de Titulo de seus Principes outros Titulos taõ bons, ou menores para os filhos Morgados. Disto vemos hoje assaz de exemplos em Espanha, onde os mais dos primogenitos dos Duques tem Titulo de Duques, ou de Marqueses, e os dos Marqueses de Condes. Pelo que querendo tambem alguns Condes de Alemanha, França, e Italia, que a seus filhos se desse esta preeminencia, e naõ havendo outro Titulo inferior, lhes concederaõ os Reys nome de Vicecomites, ou Viscondes; encomendando-lhes juntamente com o Titulo o governo de algum lugar, confórme o affirmaõ o Ceremonial de Principes feito por Mosem Diogo de Valera, Garibay, e Padre Fr. Jeronymo Roman.[174] ElRey D. Afonso V. vindo de França, querendo gratificar os muitos serviços, que Leonel de Lima lhe fizera, lhe deu o Titulo de Visconde de Villa-Nova da Cerveira; e foy o primeiro que houve em Portugal, conservando-se atègora esta dignidade nos Senhores desta Casa. ElRey D. Joaõ IV. fez Visconde de Castello Branco a D. Pedro de Castello Branco. ElRey D. Afonso VI. fez Visconde da Asseca a Martim Correa de Sà, e de Barbacena a Afonso Furtado de Mendoça, e ElRey D. Pedro II. fez Visconde de Fonte Arcada a Pedro Jaques de Magalhaens.
Baraõ se dirivou de _Baro_, nome latino,[175] que confórme à melhor significaçaõ, quer dizer homem prudente, e grave. Pelo que com razaõ usou o nosso Luiz de Camoens desta palavra, quando na proposta dos seus Cantos dos Lusiadas disse: _As armas, e Baroens assinalados_, e naõ varoens, como alguns inadvertidamente querem. Os Italianos deraõ o nome de Baraõ a todos os Senhores de lugares vassallos doutro Principe, e assim he generico naquella Provincia; o que parece tem tambem lugar em Alemanha, e França pela grande multidaõ de Baroens, que hà naquelles Reynos. Em Portugal introduzio este Titulo ElRey D.Afonso V. que o deu a Joaõ Fernandes da Sylveira, depois que veyo de Italia, onde foy acompanhando a Emperatriz Dona Leonor mulher de Federico III. E assim neste Reyno he Titulo particular, e se diz tem obrigaçaõ de sahir em lugar delRey a desafio, em caso que seja chamado a campo. ElRey D. Afonso VI. fez Baraõ da Ilha Grande a Luiz de Sousa de Macedo.
As ceremonias, com que se estes Titulos daõ, naõ constaõ de alguma Escritura; mas sómente se collige do Regimento dos Reys de Armas, que se celebra este acto, indo os novos Titulados ao Paço, acompanhados de muitos Fidalgos, parentes, e amigos com os Reys de Armas diante, e que ElRey lhe diz: _Venhaes embora Visconde, ou, Baraõ de tal parte_.
Estas saõ as dignidades, que hà no Reyno, as quaes modernamente os Reys naõ costumaõ a dar com as solemnidades antigas. Pelo que o uso ordinario he sómente ir o que hà de ser Titulado ao Paço bem acompanhado; e entrando onde ElRey està, dizer-lhe ElRey as mesmas palavras, que agora referimos. _Venhaes embora Duque, Marquez, ou Conde_; e com isto recebe investidura do Titulo, e lhe fallaõ, e escrevem dahi por diante, como a tal. Isto porèm he nos Titulos, que ElRey faz de novo, ou a quem renova a mercè; porque os que tem de herança, sem mais ceremonia se intitulaõ da dignidade, em que succedem, e saõ havidos por taes.
§. XXVII.
_Do Titulo de Senhor._