Fábulas—folhas cahidas

Part 6

Chapter 63,656 wordsPublic domain

Era um dia de Abril; a primavera Mostrava apenas seu virgineo seio Entre a folhagem tenra; não vencêra, De todo, o sol o mysterioso inleio Da nevoa rara e fina que extendêra A manhan sôbre as flores; o gorgeio Das aves inda timido e infantil... Era um dia de Abril. E nós iamos lentos passeiando De vergel em vergel, no descuidado Socêgo d’alma que se está lembrando Das luctas do passado, Das vagas incertezas do porvir. E eu não cançava de admirar, de ouvir, Porque era grande, um grande homem devéras Aquelle duque--alli maior ainda, Alli no seu Lumiar, entre as sinceras Bellezas d’esse parque, entre essas flores, A qual mais bella e de mais longe vinda Esmaltar de mil côres Bosque, jardim, e as relvas tam mimosas, Tam suaves ao pé--muito ha cançado De pisar alcatifas ambiciosas, De tropeçar no perigoso estrado Das vaidades da terra. E o velho duque, o velho homem d’Estado, Ao fallar d’essa guerra Distante--e das paixões da humanidade, Surria malicioso D’aquelle surrir fino sem maldade, Que tam seu era, que, entre desdenhoso E benevolo, a quanto lhe sahia Dos labios dava um cunho de nobreza, De razão superior. E então como elle a amava e lhe queria A ésta pobre terra portugueza! Velha tinha a razão, velha a experiencia, Joven só esse amor.

Tam joven, que inda cria, inda esperava, Inda tinha a fe viva da innocencia!... Eu, na fôrça da vida, Tristemente de mim me invergonhava. --Passeavamos assim, e em reflectida Meditação tranquilla descuidados Iamos sós, ja sem fallar, descendo Por entre os velhos olmos tam copados, Quando sentimos para nós crescendo Rumor de vozes finas que zumbia Como enxame de abelhas entre as flores, E vimos, qual Diana entre os menores Astros do ceo, a fórma que se erguia. Sôbre todas gentil, d’essa extrangeira Que se esperava alli. Perfeita, inteira No velho amavel renasceu a vida E a graça facil. Cuidei ver o antigo O nobre Portugal que resurgia No venerado amigo; E na formosa dama que surria, O genio da subida, Rara e fina elegancia que a nobreza, O gòsto, o amor do Bello, o instincto da Arte Reune e faz irmãos em toda a parte; Que affere a grandeza Pela medida só dos pensamentos, Do stylo de viver, dos sentimentos, Tudo o mais como futil desprezando.

Pensei que a saudar o velho illustre Em seus ultimos dias E a despedir-se, até Deus sabe quando, De nossas praias tristes e sombrias, Vinha esse genio... Tristes e sombrias, Que o sol lhe foge, lhe esmorece o lustre, E onde tudo o que é alto vai baixando...

O triste, o que não tem ja sol que o aqueça Sou eu talvez--que, á míngua de fe, sinto O cerebro gelar-me na cabeça Porque no coração o fogo é extincto. Elle não era assim, Ou, sabía fingir melhor do que eu!

--Como o nobre corcel que invelheceu Nas guerras, ao sentir o aureo telim E as armas sôbre o dorso descarnado, Remoça o garbo, em juvenil meneio Franja de espuma o freio, E honra os brazões da casa em que foi nado.

Nunca me hade esquecer aquelle dia! Nem os olhos, as fallas, e a sincera Admiração da bella dama ingleza Por tudo quanto via; O fructo, a flor, o aroma, o sol que os gera, E ésta vivaz, vehemente natureza, Toda de fogo e luz, Que ama incessante, que de amar não cança, E continua produz Nos fructos o prazer, na flor a esp’rança.

Alli as nações todas se junctaram, Alli as várias línguas se fallaram; A Europa convidada Veio ao festim--não ao festim, ao preito. Vassallagem rendida foi prestada Ao talento, á belleza, A quanto n’alma infunde amor, respeito, Porque é devéras grande:--que a grandeza Os homens não a dão; Põe-na por sua mão N’aquelles que são seus, Nos que escolheu--só Deus.

Oh! minha pobre terra, que saudades D’aquelle dia! Como se me aperta O coração no peito co’as vaidades, Co’as miserias que ahi vejo andar álerta, Á sôlta, appregoando-se! Na intriga, Na traição, na calúmnia é forte a liga, É fraca em tudo o mais...

Tu, socegado Descança no sepulchro; e cerra, cerra Bem os olhos, amigo venerado, Não vejas o que vai por nossa terra. Eu fecho os meus, para trazer mais viva Na memoria a tua imagem E a dessa bella Ingleza que se esquiva De nós entre a folhagem Dos bosques de Parthenope. Cançado, Fito n’esta miragem Os olhos d’alma, em quanto que arrastado, Vai o tardio pé Por este que inda é, Que cedo não será, bem cedo--em mal! O velho Portugal.[16]

NOTAS DE RODAPÉ:

[16] Estes versos foram inspirados pela visita da celebrada Mrs. Northon á quinta do Lumiar, onde o fallecido duque de Palmella reuniu, para a festejar, alguns poucos amigos escolhidos. Foi nos ultimos tempos de sua vida. Mrs. Northon reside actualmente em Napoles, a Parthenope de que falla o texto.

XVIII.

A UM AMIGO.

Fiel ao costume antigo, Trago ao meu joven amigo Versos proprios d’este dia. E que de os ver tam singelos, Tam simples como eu, não ria Qualquer os fara mais bellos, Ninguem tam d’alma os faria.

Que sôbre a flor de seus annos Soprem tarde os desinganos; Que emtôrno os bafeje amor, Amor da espôsa querida, Prolongando a doce vida Fructo que succeda á flor.

Recebo este voto, amigo, Que eu, fiel ao uso antigo, Quiz trazer-te n’este dia Em poucos versos singelos, Qualquer os fara mais bellos, Ninguem tam d’alma os faria.

XIX.

OS LUSIADAS.

EPILOGO DE PAGGI.

I.

Co’a doce voz o cysne lusitano Assim as proprias feras abrandava; Mas nem o Tejo, de seu canto ufano, Nem as ingratas Tagides tocava: De seu impio destino deshumano Nunca as íras fataes, nunca domava; Nem achou entre os seus humanidade Quem moveria as pedras á piedade.

II.

Ingrata patria, o ingenho sublimado Digno de um capitolio em Roma antiga, Tu não o ergueste d’esse baixo estado Em que só por tua glória se affadiga! O ingenho que te inveja mallogrado Toda a nação de meritos amiga, Tu na vida em miserias o deixaste, E em leito vil á fome o assacinaste!

III.

Vai! Sua glória é mais hoje a maravilha Das gentes, porque mais o perseguiste; Morre o teu nome quando o seu mais brilha, Despojam delle a tua lingua triste; Iberia o adoptou, França o perfilha, Britannia o quer; e agora eterno existe, Que n’um e n’outro italico idioma Entre os seus vates o colloca Roma.

IV.

Tu fica-te c’os ossos deshonrados Que te accusam de ingrata ao ceo e á terra; Seu spirito, esse vai onde prezados São virtude e talento, e onde ímpia guerra Stulto o podêr não faz aos mais honrados: Mais de outros ja que teu, ja não se incerra N’um canto do orbe sua altiva fama, Que Augusto a ampara e um Alexandre a acclama

V.

Lá onde surge de alto monte, e brilha Sôbre a escolhida grey de Deus a estrêlla, E egual áquella antiga maravilha Que os reis guiou a Deus, sôbre os reis véla, Lá onde ao merito o podêr se humilha, Beja a paz da justiça a face bella, E de illustre carvalho á sombra amena Descança Roma no velar de Siena,[18]

VI.

Lá vai, minha obra, e d’esta luz roubada Tu leva á patria musa esses primores; Em falla ignota estava sepultada, Raios de extranho sol são seus fulgores. Vai, viverás: tambem com luz furtada Deu vida Prometheu. Se mais não fores, Serás reflexo de belleza, lustre, E de eterno splendor émula illustre.[19]

XIX.

LA LUSIADA.

EPILOGO DI PAGGI.[17]

I.

Cotal cantava il lusitano cigno Molcendo con sue voce anco le fere, Non che l’amato patrio Tago e’l Migno, E le del canto suo Tagide altere: Che pur del suo destino empio e maligno Non puote unqua addolcir l’ire severe; Non trovando fra suoi humanitade Quei ch’i scelsi avria mossi anco a pietade.

II.

Potesti, ingrata patria, un spirto degno D’un campidoglio in una Roma antica, Non sollevar da basso stato, indegno Di cui fiè per te gloria ogni fatica? Un spirto che t’invidia al maggior segno Ogni altra nazion di mer’ti amica, Veder soffristi vivo egro e scontento Ed in vil letto di disagio spento!

III.

Ma vanne pur che, quanto iniqua, austera Fusti com lui, tanto fra l’altre genti Sorgerá la sua gloria ove tua pera, Fino a caciarne i tuoi nativi accenti. Adotteranlo la nazione ibera, La franca, use adottar spirti eminenti, L’angla; ed ambe le italiche favelle Vorran che viva fra suoi poeti anch’elle.

IV.

Tienti pur l’ossa inonorate ancora Che t’accusan d’ingrata anco sepulte; Che lo spirto di lui, gia di te fuora Non errará, ne fien sue pene inulte; Vedrailo accolto ove virtu s’onora: Gia piu d’altri che tuo, fra le piu culte Genti del orbe, e maturar sua speme Sotto un Augusto e un Alessandro insieme

V.

La ve ad illuminar da eccelso monte Astro di Dio, l’eletta gregia, sorge, Che al par di quel che ad inchinar la fronte Condussi i regi a Dio, i regi scorge, La dove il merto abbatte sforzi ed onte, La giustizia à la pace il labro porge, E di quercia Feretria à l’ombre amena Riposa Roma al vigilar di Siena.

VI.

Or la vanne, opra, ed à le patrie muse, Quasi terzo cristal le luci rendi Che sotto ignoto dir sepolte e chiuse Da sol che altrove splende or furi e prendi. Vanne, e qual gia Prometteo anima infuse Con le luci non sue, tu vita attendi: Spechio del altrui bello, emulo industre E d’eterno splendor riflesso illustre.

NOTAS DE RODAPÉ:

[17] Paggi esteve muitos annos em Lisboa, e aqui publicou duas edições da sua traducção dos LUSIADAS, que, se não tem o valor poetico da de Nervi, nem a fidelidade da de Briccolani, é todavia muito apreciavel. Este _epilogo_ foi tirado da seg. edic. de 1659--que é a mais correcta, conservando-se-lhe a propria orthographia.

[18] Cidade do gran’-ducado de Toscana, patria do papa Alexandre VII, a quem a versão dos Lusiadas foi dedicada.

[19] Publicando-se a primeira vez ésta traducção dos versos de Paggi no 2.º num. do vol. II do jornal, a SEMANA, appareceu com uma introducção, da qual julgâmos dever extractar alguns paragraphos:

‘Um nome illustre e portuguez, germanado pela inspiração e pelas tradicções patrias com a glória de Camões, associa-se hoje á nobre desaffronta que um estrangeiro soube, ha seculo e meio, escrever no fim dos _Lusiadas_ em honra das esquecidas cinzas de Camões. O estrangeiro foi Carlos Antonio Paggi, que na sua traducção italiana dos _Lusiadas_ accrescentou, como epilogo, seis formosas strophes em honra do poeta que a patria, ou antes a côrte do seu tempo, votára á humiliação e á indigencia. O nome glorioso na historia contemporanea das nossas lettras, é o de Almeida Garrett, que em bellissimos versos portuguezes trasladou a elegia melancolica com que o italiano Paggi apostrophou a indifferença, ou o desprêzo que foram em vida de Camões a tença mais avultada que os poderosos lhe destinaram no seu livro de mercês.

‘Quem gravou mais estes versos na loisa de Camões, quem lhe refrescou as cinzas com mais esta saudade, foi o poeta, que resume no seu nome, como n’um traço conciso, toda uma regeneração litteraria, o poeta que marca no stadio das lettras um repoiso ameno depois do servilismo, ou da inanição da poesia nacional; o mesmo que celebrou Camões em versos ungidos de sentimento e de saudade íntima; aquelle que interrogou os portuguezes sobre o logar onde jaziam os ossos do maior genio da nossa terra; foi o proprio que em Portugal, onde só a opulencia tem monumentos, e a nullidade estátuas, levantou o mais clamoroso brado a favor daquella pobre ossada, perdida, profanada, pisada talvez sacrilegamente pelos filhos degenerados d’uma patria invilecida; foi aquelle mesmo que rematou tambem um dos seus mais graciosos e sentidos poemas, com ésta apostrophe, temerosa e solemne, ja tantas vezes citada por nacionaes e extrangeiros:

Onde jaz, portuguezes, o moimento Que do immortal cantor as cinzas guarda? Homenagem tardia lhe pagastes No sepulchro siquer? Raça d’ingratos!

XX.

O TEJO.

AO SENHOR VISCONDE DE ALMEIDA-GARRETT.

PELO CONDE DE CAMBURZANO.

N’essas margens risonhas do Tejo Não ha som que não cante de amor; Em suas ondas azues o lampejo Das estrêllas, no albor, se espelhou.

XX.

IL TAGO.

AL SIGNOR VISCONTE DE ALMEIDA-GARRETT.

DAL CONTE DI CAMBURZANO.

Sule sponde ridenti del Tago Dice ogni eco canzone d’amore; In que’ flutti d’azzuro sì vago Ogni stella al mattin si spechiò. Essa terra produz a violeta Ao primeiro surrir da manhan, Vago Zephyro a flor indiscreta, Sussurrando, lascivo beijou.

É loquaz este bosque sombrio, Cheio ainda do canto dos bardos; Aqui é Tempe, aqui o Menalo frio, E o Meandro que os cysnes produz.

Oiço uns echos de magica lyra Pela noite ir ao longo da praia... Quem é esse tam fero que ahi gyra E do dia desdenha da luz?

É Catão,[20]--só a este não doma Quem a terra fez muda a seu mando; É Catão--a infamia de Roma Na sua frente jamais não pesou.

Quella terra produce la viola Al primiero dell’ alba sorriso, Zefiretto che lene trasvola Susurrando quel fiore baciò.

Son loquaci le brune foreste, Piene ancora del canto de’ bardi; Quivi è Tempe, quì Menalo agreste, E’l Meandro che i cigni nutrì.

Odo un suono di magica lira Lungo il lido sull’ umida sera... Chi è colui che sì fiero s’aggira E disdegna la luce del di?

Egli é Cato[21], lui solo non doma Chi la terra fè muta á suoi cenni; Egli é Cato, l’infamia di Roma Sul suo capo giammai non pesò.

Como geme alva pomba ferida, Assim Merope[22] geme e lamenta; Soam trompas guerreira alarida, E a alegria ao seu peito voltou.

Nas cumiadas de Herminio[23] nevosas, Que dos horridos gelos se c’roam, Ve a aurora coberta de rosas De belleza em que pompa surgiu!

Na hástea debil as tenras florinhas Vão o puro rocio bebendo, Cada gotta do ceo, nas hervinhas, Ricca perola ardente luziu.

Mas o Genio do monte, que horrendo Entre as sombras impera da noite, Bate as azas, ja foge e fremendo No profundo do mar mergulhou.

Come gemon le bianche colombe, Cosi Merope[24] piange e lamenta; Ma improviso squillare di trombe Alta gioja in suo cuore versò.

Su le cime d’Erminio[25] nevose, Cui fan gl’orridi ghiacci corona, Ve’ l’aurora cosparsa di rose Qual fa pompa di rara beltà!

I fioretti sul gracile stelo Van bevendo la pura rugiada, Ogni stilla caduta dal cielo Fra l’erbette una perla si fa.

Ma lo Spirto del monte, che orrendo Tiene impero fra l’ombre di notte, Bate l’ali, gia fugge e fremendo Nel profondo dei mari piombó.

Repentino lá surge um guerreiro, Torvo o cenho, a armadura de ferro... É Viriato... a seus pés--o primeiro!-- Calca as Aguias que o mundo adorou.

Da caverna que os ossos lhe incerra Surde a voz... Inclinae as cabeças Ante o livre que impavido á terra --Ou morrer--ou salvá-la jurou...

Immudece a harpa.--O nome adorado Da sua Julia[26] as Driades cantem! Sôbre a fronte ao poeta sagrado Phebo proprio os seus loiros poisou.

Un guerriero repente si desta, Torvo il ciglio, rachiuso nell’arme, É Viriato... un vessillo calpesta Che tremante la terra mirò.

Dallo speco che l’ossa ne serra Una voce si parte--t’inchina A colui che la libera terra O far salva o perire giurò...

Tace l’arpa... Di Giulia[27] ripeta Ogni Driade il nome soave!... Su la fronte del sacro poeta Febo istesso l’alloro posò.

NOTAS DE RODAPÉ:

[20] Allude á tragedia CATÃO do Sr. Garrett.

[21] Idem.

[22] Allude á tragedia MEROPE do Sr. Garrett.

[23] Do mesmo modo allude á CAVERNA DE VIRIATO, publicada ultimamente nas FLORES SEM FRUCTO, com a traducção franceza por M.ˡˡᵉ de Flaugergues.

[24] Idem.

[25] Idem.

[26] Allude egualmente á ode ou canção II do livro primeiro--FLORES SEM FRUCTO.

[27] Idem.

XXI.

CANÇÃO DA DONZELLA FINLANDEZA.

Oh! se o meu Bem me volver, Se quem d’antes via, eu vejo, Traga elle a bôcca a escorrer De lobo em sangue, lh’a bejo; E a mão vou-lh’a apertar, Cobras lh’a andem a inroscar. Ah! se o vento alma tivera, Lingua o ar da primavera, Fôra a sua voz bastante: Novas levára e trouxera Entre um e outro amante. Desprézo finos guizados, Deixo ao cura os seus assados; Só quero amar, ser constante A quem o verão me deu E o hinverno affez a ser meu.[28]

NOTAS DE RODAPÉ:

[28] O original é phenico ou finlandez.

Esta pequena Runa, canção em metro runico, é considerada no Norte como um d’esses raros exemplares da litteratura primitiva dos povos, que a characterisam. Como tal tem sido traduzida em muitas linguas com auxílio das versões litteraes, que para isso se publicara em Stokolmo.

Por este modo se fez a portugueza: e creio ser a primeira que apparece nas linguas do Sul. Dou com ella as versões todas, poeticas e litteraes, que me chegaram á mão. Muito approveitaria ao estudo das linguas e litteraturas da Europa se os nossos litteratos se dessem com o mesmo impenho ao estudo das runas e sagas do Norte com que alli se dão ao das nossas xacaras e soláos.

XXI.

EYTON RUNO SUOMALAISEN.

Jos mun tuttuni tulisi, Ennen nähtyni näkyisi, Sillen suuta suikkajaisin; Jos olis suu suden weressä; Sillen kättä käppäjäisin, Jospa käärme kämmen-päässä. Olisko tuuli mielellisnä, Ahawainen kielellisnä: Sanan toisi, sanan weisi, Sanan liian liikuttaisi, Kahden kaunihin wälillä. Ennen heitän herkku-ruuat, Paistit pappilan unohdan, Ennenkun heitän herttaseni, Kesän kestyteltyäni, Talwen taiwuteltuani.[A]

XXI.

CARMEN FENICAE FUELLAE.

Ille si meus veniret, Visus ante si veniret; Illitum lupi cruore Os libenter oscularer; Si ter implicaret anguis, At manum manu tenerem. Si qua mens adesset austro, Si qua lingua veris aurae; Ferret aura, ferret auster, Et referret usque verba, Nuntians, amanti amantis. Nil moror dapes opimas, Presbiter nihil quod assat, Dum mihi meum reservem, Quem mihi subegit aestas, Bruma quem dedit domandum.

A. HEDNER Praepositus Ydriensis.

XXI.

ΕΙΔΥΛΛΙΟΝ ΦΕΝΝΙΚΟΝ

Ὡς ἴκοιθ’ ὁ προσφιλής μοι, Τὸν πάλαι φανέντ’ ἴδοιμι, Τόνδε κἀκ λύκου φιλοῖμ’ ἄν Αἱματοσταγῆ τὰ χείλη, Ἐν χεροῖν αὐτοῦ δὲ φῦσα Ὄφιος οὐ ταρβοῖμ’ ἑλιγμούς. Εἰ γένοιτ’ ἔμφρων μὲν αὔρα, Εἰ πνοὴ δ’ ἔναυδος ἦρος, Σὺν τάχει πρόσω πάλιν τε, Τοὺς ἂν ἀλλήλων ἐρώντων, Πίστεως λόγους κομίίζοι. Πλὴν λιχνεύματ’ ἂν μεθείην, Ὀπτὰ κρέα θ’ ἱρέως ἔγωγε Μᾶλλον, ἢ τἀνδρὸς λαθοίμην, Τοῦπερ ἐν θέρει δαμέντος, Ἐν κρύει κατεκράτησα.

J. SPONGBERG Professor Linguæ Græcæ

TRADUCÇÕES LITTERAES.

I.

ALLEMAN.

Oh! wenn mein Geliebter[29] kommen würde, Der früher gesehene, wenn er erschiene (erscheinen würde): Sogleich würde ich einen Kuss auf seinen Mund drücken,[30] Auch wenn er (der Mund) mit Wolfsblut besudelt[31] wäre! Seine Hand würde ich zugleich auch warm (herzlich) fassen,[32] Wenn auch eine Schlange sich um seine Finger schlängelt! Ach! wenn der Wind Verstand hätte,[33] Der frische Lenzeshauche, wenn er einer Sprache mächtig wäre:[34] Ein Wort würde er hinbringen,[35] ein Wort würde er zurückbringen; Mit Nachrichten würde er schnell eilen[36] Zwischen zwei Liebenden.-- Lieber verschmähe ich die kostbarsten Speisen,[37] Vergesse lieber den Braten auf des Priesters Tische,[38] Als dass ich meines Herzens Geliebten verlasse, Den, welchen ich im Sommer mir ergeben machte[39] Den, welchen ich im Winter (an mich) befestigte.[40]

NOTAS DE RODAPÉ:

[29] Eigentl.: mein Bekannter.

[30] Ganz wörtlich: ihm den Mund ich sogleich hinhalten würde, d. h. ihn küssen

[31] Ganz wörtl.: wäre auch sein Mund in Wolfsblut, d. h. wäre er mit Wolfsblut befleckt.

[32] Wörtlicher: ich würde ihm einen leichten Handschlag geben.

[33] Ganz wörtlich: wäre der Wind als Verstand-besitzend.

[34] Oder: wäre als sprachmächtig.

[35] Eigentl.: holen.

[36] Ganz wörtl.: ein Wort zur Genüge, würde er (der Wind, der Hauch) in Bewegung bringen (rege machen), d. h. würde er wechselweise bringen zwischen, etc. (Dieser Vers ist, wie man sieht, an Geist und Sinn, nur ein Parallelism zu dem nächst vorangehenden. Solche findet man nicht selten in der finnischen Runen-Dichtung.)

[37] Oberhaupt: Herrenessen.

[38] Ganz wörtl.: des Pfarrhauses Braten (Plur.) ich lieber vergesse.

[39] Oder: mir anlockte, d. h. machte dass er sich an mich schloss.

[40] Oder: bändigte, d. h. nach meinem Sinne lenkte.

II.

INGLEZA.

Oh! If my beloved[41] would come, The before seen, if he would appear; Instantly I should press a kiss on his mouth,[42] Even though it (the mouth) were stained with the blood of a wolf.[43] His hand I should at the same time warmly (cordially) seize,[44] Even though a snake wound round his fingers! Oh! if the wind had understanding,[45] The fresh zephyrs of the spring, if they were capable of speech: A word they would bring hither,[46] a word they would return, With intelligence they would quickly hasten[47] Between two lovers.-- I should sooner give up the nicest dishes[48], Forget rather the roast-meat on the priest’s table[49] Than I forsake my dear beloved, Him, whom in the summer I made attached to me,[50] Him, whom in the winter I captivated.[51]

NOTAS DE RODAPÉ:

[41] _Or_: intimate; _properly_: well-known.

[42] _Literally_: to him I should instantly offer my mouth, _that is to say_: kiss him.

[43] _Quite literally_: even though his mouth were in the blood of a wolf; _that is to say_: if it were besmeared with the blood of a wolf.

[44] _More literally_: I should give him a light squeezing of the hand.

[45] _Quite literally_: if the wind were as if possessing understanding.

[46] _Properly_: fetch.

[47] _Literally_: a word which were sufficient, they (the winds, the zephyrs) would set a-going, _that is to say_: they would alternatively bring between, etc (This verse forms, as it appears, in sense and thought, a parallelism with the preceeding verse. Such are not seldom met with in the Finlandian rune-poetry)

[48] _Very-near_: the gentlemen’s (the lord’s) meat.

[49] _Quite literally_: forget rather the roast-meats of the priest’s house.

[50] _Or_: attracted to me, _that is to say_: caused him to become attached to me.

[51] _Or_: tamed, _that is to say_: made him submit to my mind or will.

III.

LATINA

O, si ille familiaris meus veniret, Antea visus mihi appareret! Statim ei os porrigerem,[52] Etiamsi esset (os) lupi cruore maculatum.[53] Manum ejus calide[54] premerem, Etiamsi anguis digitos cingeret.[55] O! si ventus esset mente praeditus,[56] Si flamen[57] veris alacre[58] linguae esset potens; Verbum huc ferret, verbum referret,[59] Nuntium vicissim motu ageret[60] Inter duos amantes.-- Rejiciam potius lautissimas cupedias, Quin carnis assae de mensa presbyteri[61] obliviscar, Quam meum ex corde amatum deseram; Quem aestate mihi deditum reddidi,[62] Quem hieme satis mansuefeci.[63]

NOTAS DE RODAPÉ:

[52] Eum mox oscularer.

[53] _Proprie_: etiam si in lupi cruore os esset, _i. e._ etiamsi lupi cruor in ore ejus esset.