Scenas da Roça: Poema de costumes nacionaes
Chapter 3
Depois de beberem voltaram p'ra roda ao som da viola, tocando e cantando, ao longe se ouvia o tinir das chilenas, as palmas cadentes dos moços dansando.
XI
A noiva estava com somno.... o noivo.... não sei se o tinha, mas estava assim com cara onde logo se advinha.... vontade de se ir deitar.
A madrinha, disfarçando, para o quarto do noivado foi com ella, onde ajudou-lhe a tirar o véo bordado e a grinalda virginal.
Desapertou-lhe o vestido e em saia branca a deixou.... baixinho deu-lhe conselhos, depois a porta cerrou deixando-a ficar sosinha.
De repente ouviu-se um grito! era a voz de Margarida, e um toque de campainhas, que prolongou-se em seguida, indicava o quarto della.
Todos correm pressurosos, perguntam: «Que aconteceu?» Dona Olympia mais ligeira do que todos, lá correu, fechou a porta, e que viu?!
Viu na cama semeados carrapichos aos milhões! alfinetes espetados! e por baixo dos colchões campainhas penduradas!
E a pobre da menina que se foi sentar na beira... espetou-se não sei onde, nem como, de que maneira fez dobrar o carrilhão.
Não pôde dormir na cama! foi p'ra o quarto da madrinha. O noivo tremeu com frio, a noiva ficou sosinha scismando.... nos carrapichos.
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Percebes, meu leitor, que eu não desejo entrar n'alguns detalhes melindrosos; respeito o sanctuario da familia e deixo a indagação aos curiosos.
XII
Um anno já se passou Depois que vi estas scenas, mas inda tenho saudades d'aquellas boas pequenas.
Ha tres dias, por acaso, n'um bond do Pedregulho encontrei o _seu_ Medeiros que levava um grande embrulho.
«--Como vai? me disse elle, ó homem, não apparece! pois olhe, todo o meu povo do senhor nunca se esquece.
«Já soube que a Margarida teve um filho o mez passado? --Não, senhor!--Pois é verdade! e p'ra o mez é o baptizado!
«Não falte e leve os amigos, porque temos brincadeira; vim á côrte só para isto, e ando assim desta maneira!»
E apontou-me o embrulho que mettera sob o banco, e nisto o maldito bond deu um enorme solavanco.
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Leitor, se lêste attento estes meus versos, é que és bom, condescendente e meu amigo. Has-de ir pagodear lá na fazenda, eu posso convidar-te: vais comigo.