Reliquias de Casa Velha

Part 12

Chapter 122,534 wordsPublic domain

Plena mocidade.

BARÃO

Velho para o mundo. Que posso eu dar ao mundo senão a minha prosa scientifica?

D. HELENA

Só uma cousa lhe acho inacceitavel.

BARÃO

Que é?

D. HELENA

A theoria de que o amor e a sciencia são incompativeis.

BARÃO

Oh! isso...

D. HELENA

Dá-se o espirito á sciencia e o coração ao amor. São territorios differentes, ainda que limitrophes.

BARÃO

Um acaba por annexar o outro.

D. HELENA

Não creio.

BARÃO

O casamento é uma bella cousa, mas o que faz bem a uns, póde fazer mal a outros. Sabe que Mafoma não permitte o uso do vinho aos seus sectarios. Que fazem os turcos? Extraem o succo de uma planta, da familia das papaveraceas, bebem-no, e ficam alegres. Esse licor, se nós o bebessemos, matar-nos-hia. O casamento, para nós, é o vinho turco.

D. HELENA, _erguendo os hombros_.

Comparação não é argumento. Demais, houve e ha sabios casados.

BARÃO

Que seriam mais sabios se não fossem casados.

D. HELENA

Não fale assim. A esposa fortifica a alma do sabio. Deve ser um quadro delicioso para o homem que despende as suas horas na investigação da natureza, fazel-o ao lado da mulher que o ampara e anima, testemunha de seus esforços, socia de suas alegrias, attenta, dedicada, amorosa. Será vaidade de sexo? Póde ser, mas eu creio que o melhor premio do merito é o sorriso da mulher amada. O applauso publico é mais ruidoso, mas muito menos tocante que a approvação domestica.

BARÃO, _depois de um instante de hesitação e luta_.

Falemos da nossa licção.

D. HELENA

Amanhã, se minha tia consentir. (_Levanta-se_) Até amanhã, não?

BARÃO

Hoje mesmo, se o ordenar.

D. HELENA

Acredita que não perderei o tempo?

BARÃO

Estou certo que não.

D. HELENA

Serei academica de Stockolmo?

BARÃO

Conto que terei essa honra.

D. HELENA, _cortejando_.

Até amanhã.

BARÃO, _o mesmo_.

Minha senhora! (_D. Helena sae pelo fundo, esquerda, o barão caminha para a direita, mas volta para buscar o livro que ficára sobre a cadeira ou sophá_).

SCENA X

BARÃO, D. LEONOR

BARÃO, _pensativo_.

Até amanhã! Devo eu cá voltar? Talvez não devesse, mas é interesse da sciencia... a minha palavra empenhada... O peior de tudo é que a discipula é graciosa e bonita. Nunca tive discipula, ignoro até que ponto é perigoso... Ignoro? Talvez não... (_Põe a mão no peito_) Que é isto?... (_Resoluto_). Não, sicambro! Não has de adorar o que queimaste! Eia, volvamos ás flores e deixemos esta casa para sempre. (_Entra D. Leonor_)

D. LEONOR, _vendo o barão_.

Ah!

BARÃO

Voltei ha dous minutos; vim buscar este livro. (_Comprimentando_) Minha senhora!

D. LEONOR

Senhor Barão!

BARÃO, _vae até á porta, e volta_.

Creio que V. Ex. não me fica querendo mal?

D. LEONOR

Certamente que não.

BARÃO, _comprimentando_.

Minha senhora!

LEONOR, _idem_.

Senhor Barão!

BARÃO, _vae até á porta e volta_.

A senhora D. Helena não lhe falou agora?

D. LEONOR

Sobre quê?

BARÃO

Sobre umas licções de botanica...

D. LEONOR

Não me falou em nada...

BARÃO, _comprimentando_.

Minha senhora!

D. LEONOR, _idem_.

Senhor Barão! (_Barão sae._) Que exquisitão. Valia a pena cultival-o de perto.

BARÃO, _reapparecendo_.

Perdão...

D. LEONOR

Ah!--Que manda?

BARÃO, _approxima-se_.

Completo a minha pergunta. A sobrinha de V. Ex. falou-me em receber algumas licções de botanica. V. Ex. consente? (_Pausa._) Ha de parecer-lhe exquisito este pedido, depois do que tive a honra de fazer-lhe ha pouco...

D. LEONOR

Sr. Barão, no meio de tantas copias e imitações humanas...

BARÃO

Eu acabo: sou original.

D. LEONOR

Não ouso dizel-o.

BARÃO

Sou; noto, entretanto, que a observação de V. Ex. não responde á minha pergunta.

D. LEONOR

Bem sei; por isso mesmo é que a fiz.

BARÃO

Nesse caso...

D. LEONOR

Nesse caso, deixe-me reflectir.

BARÃO

Cinco minutos?

D. LEONOR

Vinte e quatro horas.

BARÃO

Nada menos?

D. LEONOR

Nada menos.

BARÃO, _comprimentando_.

Minha senhora!

D. LEONOR, _idem_.

Senhor Barão! (_Sae o barão._)

SCENA XI

D. LEONOR, D. CECILIA

D. LEONOR

Singular é elle, mas não menos singular é a idéa de Helena. Para que quererá ella aprender botanica?

D. CECILIA, _entrando_.

Helena! (_D. Leonor volta-se._) Ah! é titia.

D. LEONOR

Sou eu.

D. CECILIA

Onde está Helena?

D. LEONOR

Não sei, talvez lá em cima (_D. Cecilia dirige-se para o fundo._) Onde vaes?...

D. CECILIA

Vou...

D. LEONOR

Acaba.

D. CECILIA

Vou concertar o penteado.

D. LEONOR

Vem cá; concerto eu. (_D. Cecilia approxima-se de D. Leonor_) Não é preciso, está excellente. Dize-me: estás muito triste!

D. CECILIA, _muito triste_

Não, senhora; estou alegre.

D. LEONOR

Mas, Helena disse-me que tu...

D. CECILIA

Foi gracejo.

D. LEONOR

Não creio; tens alguma cousa que te afflige; has de contar-me tudo.

D. CECILIA

Não posso.

D. LEONOR

Não tens confiança em mim?

D. CECILIA

Oh! toda!

D. LEONOR

Pois eu exijo... (_Vendo Helena, que apparece á porta do fundo, esquerda_) Ah! chegas a proposito.

SCENA XII

D. LEONOR, D. CECILIA, D. HELENA

D. HELENA

Para que?

D. LEONOR

Explica-me que historia é essa que me contou o Barão?

D. CECILIA, _com curiosidade_.

O Barão?

D. LEONOR

Parece que estás disposta a estudar botanica.

D. HELENA

Estou.

D. CECILIA, _sorrindo_

Com o Barão?

D. HELENA

Com o Barão.

D. LEONOR

Sem o meu consentimento?

D. HELENA

Com o seu consentimento.

D. LEONOR

Mas de que te serve saber botanica?

D. HELENA

Serve para conhecer as flores dos meus _bouquets_, para não confundir jasmineas com rubiaceas, nem bromelias com umbelliferas.

D. LEONOR

Com que?

D. HELENA

Umbelliferas.

D. LEONOR

Umbe...

D. HELENA

...liferas. Umbelliferas.

D. LEONOR

Virgem santa! E que ganhas tu com esses nomes barbaros?

D. HELENA

Muita cousa.

D. CECILIA, _áparte_

Boa Helena! Comprehendo tudo.

D. HELENA

O periantho, por exemplo: a senhora talvez ignore a questão do periantho... a questão das gramineas...

D. LEONOR

E dou graças a Deus!

D. CECILIA, _animada_

Oh! deve ser uma questão importantissima!

D. LEONOR, _espantada_.

Tambem tu!

D. CECILIA

Só o nome! Periantho! É nome grego, titia; um delicioso nome grego. (_Áparte._) Estou morta por saber do que se trata.

D. LEONOR

Vocês fazem-me perder o juizo! Aqui andam bruxas, de certo. Periantho de um lado, bromelias de outro; uma lingua de gentios, avessa á gente christã. Que quer dizer tudo isso?

D. CECILIA

Quer dizer que a sciencia é uma grande cousa, e que não ha remedio senão adorar a botanica.

D. LEONOR

Que mais?

D. CECILIA

Que mais? Quer dizer que a noite de hoje ha de estar deliciosa, e podemos ir ao theatro lyrico. Vamos, sim? Amanhã é o baile do conselheiro, e sabbado o casamento da Julia Marcondes. Tres dias de festas! Prometto divertir-me muito, muito, muito. Estou tão contente! Ria-se, titia; ria-se e dê-me um beijo!

D. LEONOR

Não dou, não, senhora. Minha opinião é contra a botanica, e isto mesmo vou escrever ao Barão.

D. HELENA

Reflicta primeiro; basta amanhã!

D. LEONOR

Ha de ser hoje mesmo! Esta casa está ficando muito sueca; voltemos a ser brasileiras. Vou escrever ao urso. Acompanha-me, Cecilia; has de contar-me o que ha. (_Saem._)

SCENA XIII

D. HELENA, BARÃO

D. HELENA

Cecilia deitou tudo a perder... Não se póde fazer nada com creanças... Tanto peior para ella. (_Pausa_) Quem sabe se tanto melhor para mim? Póde ser. Aquelle professor não é assaz velho, como convinha. Além disso, ha nelle um ar de diamante bruto, uma alma apenas coberta pela crosta scientifica, mas cheia de fogo e luz. Se eu viesse a arder ou cegar... (_Levanta os hombros_) Que idéa! Não passa de um urso, como titia lhe chama, um urso com patas de rosas.

BARÃO, _approximando-se_.

Perdão, minha senhora. Ao atravessar a chacara, ia pensando no nosso accordo, e, sinto dizel-o, mudei de resolução.

D. HELENA

Mudou?

BARÃO, _approximando-se_

Mudei.

D. HELENA

Póde saber-se o motivo?

BARÃO

São tres. O primeiro é o meu pouco saber... Ri-se?

D. HELENA

De incredulidade. O segundo motivo...

BARÃO

O segundo motivo é o meu genio aspero e despotico.

D. HELENA

Vejamos o terceiro.

BARÃO

O terceiro é a sua edade. Vinte e um annos, não?

D. HELENA

Vinte e dous.

BARÃO

Solteira?

D. HELENA

Viuva.

BARÃO

Perpetuamente viuva?

D. HELENA

Talvez.

BARÃO

Nesse caso, quarto motivo: a sua viuvez perpetua.

D. HELENA

Conclusão: todo o nosso accordo está desfeito.

BARÃO

Não digo que esteja; só por mim não o posso romper. V. Ex. porém avaliará as razões que lhe dou, e decidirá se elle deve ser mantido.

D. HELENA

Supponha que respondo affirmativamente.

BARÃO

Paciencia! obedecerei.

D. HELENA

De má vontade?

BARÃO

Não; mas com grande desconsolação.

D. HELENA

Pois, Sr. Barão, não desejo violental-o; está livre.

BARÃO

Livre, e não menos desconsolado.

D. HELENA

Tanto melhor!

BARÃO

Como assim?

D. HELENA

Nada mais simples: vejo que é caprichoso e incoherente.

BARÃO

Incoherente, é verdade.

D. HELENA

Irei procurar outro mestre.

BARÃO

Outro mestre! Não faça isso.

D. HELENA

Porque?

BARÃO

Porque... (_Pausa_) V. Ex. é intelligente bastante para dispensar mestres.

D. HELENA

Quem lh'o disse?

BARÃO

Adivinha-se.

D. HELENA

Bem; irei queimar os olhos nos livros.

BARÃO

Oh! seria estragar as mais bellas flores do mundo!

D. HELENA, _sorrindo_

Mas então nem mestres nem livros?

BARÃO

Livros, mas applicação moderada. A sciencia não se colhe de afogadilho; é preciso penetral-a com segurança e cautella.

D. HELENA

Obrigada. (_Estendendo-lhe a mão_) E visto que me recusa as suas licções, adeus.

BARÃO

Já!

D. HELENA

Pensei que queria retirar-se.

BARÃO

Queria e custa-me. Em todo o caso, não desejava sair sem que V. Ex. me dissesse francamente o que pensa de mim. Bem ou mal?

D. HELENA

Bem e mal.

BARÃO

Pensa então...

D. HELENA

Penso que é intelligente e bom, mas caprichoso e egoista.

BARÃO

Egoista!

D. HELENA

Em toda a força da expressão. (_Senta-se_) Por egoismo,--scientifico, é verdade,--oppõe-se ás affeições de seu sobrinho; por egoismo, recusa-me as suas licções. Creio que o Sr. Barão nasceu para mirar-se no vasto espelho da natureza, a sós comsigo, longe do mundo e seus enfados. Aposto que, desculpe a indiscreção da pergunta,--aposto que nunca amou?

BARÃO

Nunca.

D. HELENA

De maneira que nunca uma flor teve a seus olhos outra applicação, além do estudo?

BARÃO

Engana-se.

D. HELENA

Sim?

BARÃO

Depositei algumas coroas de goivos no tumulo de minha mãe.

D. HELENA

Ah!

BARÃO

Ha em mim alguma cousa mais do que eu mesmo. Ha a poesia das affeições por baixo da prova scientifica. Não a ostento, é verdade; mas sabe V. Ex. o que tem sido a minha vida? Um claustro. Cedo perdi o que havia mais caro: a familia. Desposei a sciencia, que me tem servido de alegrias, consolações e esperanças. Deixemos, porém, tão tristes memorias...

D. HELENA

Memorias de homem; até aqui eu só via o sabio.

BARÃO

Mas o sabio reapparece e enterra o homem. Volto á vida vegetativa... se me é licito arriscar um trocadilho em portuguez, que eu não sei bem se o é. Póde ser que não passe de apparencia. Todo eu sou apparencias, minha senhora, apparencias de homem, de linguagem e até de sciencia...

D. HELENA

Quer que o elogie?

BARÃO

Não; desejo que me perdôe.

D. HELENA

Perdoar-lhe o que?

BARÃO

A incoherencia de que me accusava ha pouco.

D. HELENA

Tanto perdôo que o imito. Mudo egualmente de resolução, e dou de mão ao estudo.

BARÃO

Não faça isso!

D. HELENA

Não lerei uma só linha de botanica, que é a mais aborrecivel sciencia do mundo.

BARÃO

Mas o seu talento...

D. HELENA

Não tenho talento; tinha curiosidade.

BARÃO

É a chave do saber.

D. HELENA

Que monta isso? A porta fica tão longe!

BARÃO

É certo, mas o caminho é de flores.

D. HELENA

Com espinhos.

BARÃO

Eu lhe quebrarei os espinhos.

D. HELENA

De que modo?

BARÃO

Serei seu mestre.

D. HELENA, _levanta-se_

Não! Respeito os seus escrupulos. Subsistem, penso eu, os motivos que allegou. Deixe-me ficar na minha ignorancia.

BARÃO

É a ultima palavra de V. Ex.

D. HELENA

Ultima.

BARÃO, _com ar de despedida_

Nesse caso... aguardo as suas ordens.

D. HELENA

Que se não esqueça de nós.

BARÃO

Crê possivel que me esquecesse?

D. HELENA

Naturalmente: um conhecimento de vinte minutos.

BARÃO

O tempo importa pouco ao caso. Não me esquecerei nunca mais destes vinte minutos, os melhores da minha vida, os primeiros que hei realmente vivido. A sciencia não é tudo, minha senhora. Ha alguma cousa mais, além do espirito, alguma cousa essencial ao homem, e...

D. HELENA

Repare, Sr. Barão, que está falando á sua ex-discipula.

BARÃO

A minha ex-discipula tem coração, e sabe que o mundo intellectual é estreito para conter o homem todo; sabe que a vida moral é uma necessidade do ser pensante.

D. HELENA

Não passemos da botanica á philosophia, nem tanto á terra, nem tanto ao ceu. O que o sr. Barão quer dizer, em boa e mediana prosa, é que estes vinte minutos de palestra não o enfadaram de todo. Eu digo a mesma cousa. Pena é que fossem só vinte minutos, e que o Sr. Barão volte ás suas amadas plantas; mas é força ir ter com ellas, não quero tolher-lhe os passos. Adeus! (_Inclinando-se como a despedir-se_)

BARÃO _comprimentando_

Minha senhora! (_Caminha até á porta e pára._) Não transporei mais esta porta?

D. HELENA

Já a fechou por suas proprias mãos.

BARÃO

A chave está nas suas.

D. HELENA, _olhando para as mãos_

Nas minhas?

BARÃO _approximando-se_

De certo.

D. HELENA

Não a vejo.

BARÃO

É a esperança. Dê-me a esperança de que...

D. HELENA _depois de uma pausa_

A esperança de que...

BARÃO

A esperança de que... a esperança de...

D. HELENA, _que tem tirado uma flor de um vaso_

Creio que lhe será mais facil definir esta flor.

BARÃO

Talvez.

D. HELENA

Mas não é preciso dizer mais: adivinhei-o.

BARÃO, _alvoraçado_

Adivinhou?

D. HELENA

Adivinhei que quer a todo o trance ser meu mestre.

BARÃO, _friamente_

É isso.

D. HELENA

Acceito.

BARÃO

Obrigado.

D. HELENA

Parece-me que ficou triste?...

BARÃO

Fiquei, pois que só adivinhou metade do meu pensamento. Não adivinhou que eu... porque o não direi? dil-o-hei francamente... Não adivinhou que...

D. HELENA

Que...

BARÃO, _depois de alguns esforços para falar_.

Nada... nada...

D. LEONOR, _dentro_

Não admitto!

SCENA XIV

D. HELENA, BARÃO, D. LEONOR, D. CECILIA

D. CECILIA, _entrando pelo fundo com D. Leonor_

Mas, titia...

D. LEONOR

Não admitto, já disse! Não te faltam casamentos. (_Vendo o Barão._) Ainda aqui!

BARÃO

Ainda e sempre, minha senhora.

D. LEONOR

Nova originalidade.

BARÃO

Oh! não! A cousa mais vulgar do mundo. Reflecti, minha senhora, e venho pedir para meu sobrinho a mão de sua encantadora sobrinha. (_Gesto de Cecilia_)

D. LEONOR

A mão de Cecilia!

D. CECILIA

Que ouço!

BARÃO

O que eu lhe pedia ha pouco era uma extravagancia, um acto de egoismo e violencia, além de descortezia que era, e que V. Ex. me perdôou, attendendo á singularidade das minhas maneiras. Vejo tudo isso agora...

D. LEONOR

Não me opponho ao casamento, se fôr do agrado de Cecilia.

D. CECILIA, _baixo a D. Helena_.

Obrigada! Foste tu...

D. LEONOR

Vejo que o Sr. Barão reflectiu.

BARÃO

Não foi só reflexão, foi tambem resolução.

D. LEONOR

Resolução?

BARÃO, _gravemente_

Minha senhora, atrevo-me a fazer outro pedido.

D. LEONOR

Ensinar botanica a Helena? Já me deu vinte e quatro horas para responder.

BARÃO

Peço-lhe mais do que isso; V. Ex. que é, por assim dizer, irmã mais velha de sua sobrinha, póde intervir junto della para... (_Pausa_)

D. LEONOR

Para...

D. HELENA

Acabo eu. O que o Sr. Barão deseja é a minha mão.

BARÃO

Justamente!

D. LEONOR, _espantada_

Mas... Não comprehendo nada.

BARÃO

Não é preciso comprehender; basta pedir.

D. HELENA

Não basta pedir; é preciso alcançar.

BARÃO

Não alcançarei?

D. HELENA

Dê-me tres mezes de reflexão.

BARÃO

Tres mezes é a eternidade.

D. HELENA

Uma eternidade de noventa dias.

BARÃO

Depois della, a felicidade ou o desespero?

D. HELENA, _estendendo-lhe a mão_

Está nas suas mãos a escolha. (_A D. Leonor_) Não se admire tanto, titia; tudo isto é botanica applicada.

Notas

Os erros óbvios do editora foram corrigidos.

O Indice foi realocado ao inicio para facilitar a navegaçäõ.