Ramalho Ortigão

Part 2

Chapter 22,741 wordsPublic domain

Occorrer-lhe-ha: se a obra demolidora das _Farpas_ foi bem comprehendida nos seus intuitos ou, antes, se os leitores ingenuos não tomaram sempre como verdades eternas o que, no fundo, não passava d'um processo superficial que propositadamente apouca ou desmesuradamente amplia os assumptos versados, contanto que o espirito, a _verve_, a ironia, o _humour_, espirrassem de cada pagina; n'uma palavra, se as _Farpas_ foram lidas (como, aliás, o seu auctor entendia) como obra de espirito _que faz ver os objectos, critical-os, fóra das correlações geraes, d'um modo imprevisto, disforme e comico_...

Occorrer-lhe-ha: se a transformação das ideias do insigne escriptor é phenomeno de fresca data--com o advento do Snr. Conselheiro João Franco aos conselhos da corôa, como muita gente pensa--ou se já se vem operando de longe, lentamente, com segurança e criterio justo...

Compenetrado da obrigação moral de responder a estas questões, ao futuro biographo, se leu a obra do seu biographado _dentro das correlações geraes_, grandes surpresas se lhe levantarão.

E, como preparo, como viatico fortificante para esta viagem de historia e de critica, embeber-se-ha nas paginas augustas da já, e nunca assaz, citada carta do Eça-de-1878 e, ahi, verá as tendencias iniciaes de Ramalho Ortigão, antes da publicação das _Farpas_.

Paris, «o Paris do _chic_, das _cocottes_, das operetas, dos _boursiers_, dos _jockeys_, das dansarinas e dos pequenos tyrannos deixara-lhe nos olhos e no espirito um grande deslumbramento: se lá se estivesse estabelecido então, teria escripto, com fervor, no _Figaro_; teria ido todas as tardes ao _Bois_ curvar o espinhaço diante da libré verde e oiro do personagem taciturno e caquetico que então dominava o mundo... Em Portugal... dizia-se conservador... detestava a Democracia porque lhe supunha caspa... e se não era inteiramente devoto, achava a religião um accessorio indispensavel ao homem bem educado; e preferiria decerto ter escripto a _Familia Benoiton_ a ter composto os _Lusiadas_.»

Urge não esquecer que estas truncadas linhas são da penna de Eça, aquelle, d'entre os escriptores portuguezes, para quem o _termo_ tinha, dentro da _sua arte_, uma significação propria, insubstituivel e que elle não sacrificava nem ao talhe aristocratico do periodo nem á phonia de tão grandes effeitos da sua prosa: _aquella extraordinaria geração vinda parte de Coimbra, parte de aqui, parte de acolá_, propunha-se, antes de mais nada, para a propugnação das novas ideias, acabar com a rethorica. D'ellas, das palavras transcriptas, pode, portanto, concluir-se que Ramalho Ortigão quando abandonou o Porto e veio para Lisbôa (e já não era nenhuma creança) tinha grandes predilecções pelo exhibionismo dourado do 2.º imperio, representado na sumptuaria elegante e custosa de que era symbolo magnifico a volta consuetudinaria _autour du lac_; que se dizia conservador em politica detestando a democracia; que, em materia religiosa, não sendo _inteiramente_ devoto, estava por isso mesmo longe de ser _inteiramente_ o contrario; e, finalmente, que em litteratura preferia o leve modelo parisiense a toda a obra dos mestres até então consagrados... Permanecia, no entanto, um escriptor de «estylo vernaculo, quinhentista, arcaico, obsoleto: exprimia as suas preferencias de _boulevard_ na linguagem de Bernardes...»

O estylo é o homem. Tal era Ramalho Ortigão pela volta dos 32 annos.

As _Farpas_ deveriam apparecer 3 annos mais tarde; mas antes d'esse apparecimento, Eça de Queiroz já entrevia na _Visita de Pesames_ (das «Historias Côr de Rosa») _o realista, o caricaturista, com os processos quasi scientificos do escárneo_.

Vieram as _Farpas_. Como?! «O grande successo da Lanterna _tendo posto á moda, como systema, o riso de opposição_ deu, talvez, origem ás _Farpas_.»

Temos d'este modo, pelo auctorisado testemunho do collaborador emerito e do melhor amigo de Ramalho, a psycologia d'esses pamphletos de retumbantes exitos e de immarcescivel graça, em que o bom-senso, o bom-gosto e a visão certa das pessoas e das coisas teem uma parte consideravel; mas cujo fundo é feito pelos processos _quasi scientificos do escarneo_, mercê da _moda_ arvorando, _como systema, o riso de opposição_.

A espessa ingenuidade (chamemos-lhe assim) talvez do maior numero dos leitores d'esses fasciculos celebres não comprehendeu essa psycologia; antes tomou á letra tudo quanto a inexhaurivel caudal de violenta ironia lhes proporcionava... não vendo, muitissimas vezes, n'uma palavra--adjectivo ou adverbio--a negação patente de toda aquella logica de desenfastiado _dilletante_ cheio de saúde de corpo e alma.

Tomemos, ao acaso, aquella deliciosa _Carta ao Principe Snr. D. Carlos_, escripta em 1883.

Quem d'ella se lembrar (e eu creio que quem alguma vez a leu jámais a esquecerá) talvez se recorde de ter concluido que ao Senhor D. Carlos proporcionaram seus Augustos Paes, com uma detestavel educação, uma instrucção sob todos os pontos lamentosa: maus compendios, maus mestres, processos atabalhoados, humanidades em demasia, syntheses biologicas e chimicas postas de banda, todo o systema comteano feito n'um frangalho... um pavor!

Cheguemos a 1908 e abramos o _Rei D. Carlos, O Martyrisado_:

«Foi elle que, em successivas viagens a nações extrangeiras, _pela variedade dos seus conhecimentos e das suas ideias geraes, pela facilidade em fallar as linguas, pelo envolvente encanto do seu trato_...»

«Foi elle de todos os poderes do Estado _o que mais se interessou pela cultura e pelos progressos da sciencia moderna_.»

«_A especialisação scientifica_ é um dos seus titulos á consideração do futuro...»

«_A sua obra de naturalista_... faz subida honra ao seu methodo scientifico e _á gravidade dos seus estudos_...»

E ainda diz que El-Rei D. Carlos, com a sua contribuição scientifica, concorre _com companheiros_ que se chamam Humbold, Darwin, Jussieu, Agassiz, Geoffroy Saint-Hilaire.»

Estou d'aqui a ouvir estrondosamente saltar, da bocca de cada um dos leitores, um argumento decisivo e pesado como cylindro de granito sobre a miseranda pedra-britada de pareceres tão contradictorios, o qual vem a ser que entre 1883 a 1908 decorre um quarto de seculo e que Ramalho mudou de ideias, tendo-se feito cortezão.

Puro engano!

Volvamos a 1883. O Senhor D. Carlos vae partir para o extrangeiro e quem o acompanha é Antonio Augusto de Aguiar.

Que esfusiar de ironias!

«É este homem que vae ser o real olheiro de Vossa Alteza... Um olheiro de galochas de borracha na vista!; um olheiro que vae para ver tudo e que a si mesmo se não viu nunca senão até metade do ventre porque da outra metade até aos pés principia para o seu raio visual o hemispherio do grande indecifravel, do eterno incognoscivel!»; e mais e muitos mais epigrammas. Logo a seguir, porém, n'uma transição brusca:

«E todavia é possivel que o _veneravel sabio_ venha a abusar um pouco do algebrismo technico da sciencia que tão _gloriosamente_ professa...»

Oh! Senhores! Pois se a familia real portugueza entregava o seu primogenito aos cuidados d'um _veneravel_ e, demais a mais, _glorioso sabio_ para o guiar n'essa viagem de estudo, especie de complemento aos trabalhos theoricos de gabinete, que até então o tinham occupado, que prova mais frisante do cuidadoso disvelo que presidiu á orientação espiritual dada ao Principe herdeiro?!

É inutil dizer que Aguiar não era só um chimico illustre; era um homem d'uma cultura superior em qualquer parte do mundo e nem mesmo lhe faltava o apreço pelas formulas mundanas e até um leve sybaritismo que tornava a sua convivencia encantadora e brilhante.

Ainda a escolha de tal homem, se nos lembrarmos de que collaborára na _Democracia_ de José Elias e que precedera o Snr. Dr. Bernardino Machado, e outros não menores liberaes, no grão-mestrado do Grande-Oriente, responde, de irrefutavel maneira, á ironia das _Farpas_ no respeitante á educação acanhada e beata que (segundo ellas) era dada ao Senhor D. Carlos, de modo a tornal-o uma espécie de _Rosière de Nanterre_...

Mas, para o maior numero dos leitores não eram estas patentes considerações que prevaleciam, mas as que antitheticamente ali se expunham, _com os processos quasi scientificos do escarneo, com o systematico riso de opposição_:

«Os pedagogos de V. A. educaram-o dentro da virtude, mas fóra da natureza.»

E esses leitores ficaram inteirados.

Pois esta especie de _satisfação justiceira_ feita pelo pamphletario á sua propria consciencia de homem de bem, repete-se muitas e muitas vezes ao longo das _Farpas_ e o futuro biographo, para quem estou garatujando estas linhas subsidiarias, não deve perdel-a de vista, porque n'ella encontrará o filão que o leve a concluir que a attitude de Ramalho, tão retumbantemente posta a nú nos ultimos tempos, não só vinha de longa data, como derivava d'uma tendencia espiritual de inicio, que foi desviada pela leitura--talvez levemente diffusa--dos scientistas modernos e pelo _meio_ em que a sua actividade lettrada se expandiu durante um largo periodo.

Para esses leitores d'então, e que hoje andam na volta dos 50, elle devia viver muito de mal com Deus, porque nas _Farpas_ andava de velha rixa com os homens em geral e, em particular, com o sr. Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello e com o cabido da Sé. Deveria ser um homem temeroso que--ou só ou de parceria com um tal Eça de Queiroz que se encostava ás portas da Havaneza vestido de lagarto com um vidro entalado n'um dos olhos--ria, chasqueava de tudo e de todos n'uma irreverencia de demolição; esfarrapando, hoje, o _cache-nez_ do Snr. Duque d'Avila; desfazendo, ámanhã, a maleta philosophica com que viajava S. M. o Senhor D. Pedro de Alcantara; dizendo, no outro dia, as maiores barbaridades sobre o sangue e manhas das pilecas que o Snr. Conde de Sobral mandava correr no nosso Longchamps de Pedrouços; e hoje e ámanhã e sempre fazendo gala d'umas ideias e d'umas _toilettes_ mirabolantes para a sociedade d'então que se sentia escandalisada... mortalmente.

Nós não viamos mais.

* * * * *

O Centenario de Camões, em 1880 (que o partido republicano soube empolgar) encontra Ramalho Ortigão, pela acção effectiva que n'elle desempenhou, no apogeu da sua gloria de demolição monarchico-religiosa; quando duvidas houvesse lá está o prefacio da edição commemorativa dos Luziadas, mandada fazer pelo Gabinete Portuguez de Leitura do Rio de Janeiro e lá estão as _Farpas_ a attestál-o exhuberantemente.

Um revisteiro de habilidade levou para o palco, como _raisonneur_ da sua _revista_, a figura saudavel, insolente de mascula compleição de Ramalho, tal qual a tinhamos visto, de jaquetão e chapeu de côco, alto, aprumado, impassivel, enorme--n'aquella memoravel tarde de maio, gloriosa de sol, quando o cortejo camoneano serpenteava n'um halo d'enthusiasmo pelas ruas de Lisboa--por entre a chusma negra das casacas (que ao tempo ainda não eram tidas exclusivamente como traje de noite, _evening dress_) dos caracteristicos e variegados capellos universitarios, das auriluzentes fardas do exercito e do alto funccionalismo.

Elle entrava, n'essa revista popular de theatrinho modesto, na figuração do _Bom-Senso_.

A _revista_ teve um grande exito e não me custa a crer que, momentaneamente, Ramalho se sentisse lisongeado dos applausos que, em effigie, todas as noites lhe eram tributados pela massa soberana dos espectadores.

Se, porém, attentarmos nas suas predilecções espirituaes, na sua compreensão e exteriorisação do conforto e da elegancia, no aprumo da sua pessoa e grave gentilesa das suas maneiras; se nos lembrarmos do seu rebarbativo orgulho d'intellectual que tem por obrigação lêr tudo, saber de tudo, com tudo entreter o publico, apoderar-se de todas as ideias, observar todos os phenomenos sociaes, criticar todos os usos, sorrir de todas as gerarchias humanas, escarnecer de todos os ridiculos e ridicularisar todas as coisas; se nos compenetrarmos de que n'aquella, já agora celebre, agua-furtada da C. dos Caetanos vivia e laborava um homem de tão requintada sensibilidade espiritual e cuja philosophia tinha, antes, accentuadas, decididas preferencias pela endumentaria de Petronio e pela mesa de Lucullo, do que escopo na imitação das celebradas frugalidades e abstenções de qualquer especie dos _philosophos_, desde Socrates até ao Sñr. Theophilo Braga; então, não será demasiado adeantar que a sua figuração no _Tutti-li-mundi_, com os _bravos_ rascoeiros d'uma população anonyma e anodyna só momentaneamente o poderia lisongear. A sua ideosyncrasia suggerir-lhe-hia, antes, um vago desdem, quasi que um recondito incommodo, talvez a si proprio não confessado, por essa consagração de rua e de palco que não podia casar-se com o seu _grande-ar_ de futuro e proximo frequentador do _drawing-room_ da Senhora D. Maria Kruz e dos bailes no palacio Palmella.

Dois annos volvidos, o centenario pombalino, esse francamente radical, já o não encontra na brecha revolucionaria, ao menos, d'um tão ostensivo modo. Bem pelo contrario. É por demais suggestivo o n.º 1 da 4.ª série das _Farpas_, relativo a junho e julho de 1882. Esse fasciculo, de braço dado com o _Perfil do Marquez de Pombal_, de Camillo, deixou a memoria do ministro de D. José n'uma lastima.

A democracia portugueza entendeu apoderar-se do Marquez como lábaro de aspirações sectarias, anti-clericaes, por ter expulsado os jesuitas e decepado as cabeças d'uns tantos nobres--esquecida, a misera!, de que elle substituira o favor até então disfructado pela Companhia de Jesus, ás graças dispensadas aos Oratorianos e á Inquisição (a quem deu o titulo de Magestade) e que os golpes vibrados aos membros da aristocracia redundavam n'um accrescimo de absolutismo para o poder real. Mas não é de Pombal que se trata, se não de Ramalho de 1882, perante a consagração centenaria que as avançadas liberalengas da epoca levaram a cabo com tanto enthusiasmo quanta inconsequencia.

Todo esse fasciculo das _Farpas_ é sobremodo notavel e presta-se a um desenvolvido estudo. N'elle, se patenteiam flagrantemente todas as qualidades e todos os senões do grande escriptor: a graça leve, a ironia funda, a incerteza moral, laivos tedientos de cansaço, assomos d'indignação, pontos de vista certos a espirrarem como faúlas brilhantes d'entre a caligem paradoxal. Para de tudo haver, n'esse supremo escripto, accentuadamente negativista, nem lhe fallece a nota prophetica: «_Emquanto á estatua do reformador, em que se falla como complemento do centenario, a cuja celebração acabamos de assistir, ella seria, se a fizessem, o monumento funebre elevado á morte da democracia ou á do senso-commum na sociedade portuguesa. Mas não a farão nunca. É já demais a do Terreiro do Paço para consignar a estima d'este povo pelo charlatanismo dos seus tyrannos_».

«Mas não a farão nunca!» Já lá vão 33 annos sobre o dito e, se se não apressam, é natural que Ramalho tenha de subir á cathegoria de _propheta maior_.

Chegados a 1883, a _Carta ao Principe_ é mais ainda um supremo adeus á satyra virulenta do que a obra magnifica d'um espirito cheio de seiva e alacridade, que joga explendidamente com as palavras e com os conceitos para seu goso proprio.

Basta, n'ella, reler a passagem, sobre todas hilariante, que é a historia do principe Paulo no primeiro dia do seu noivado. Está na memoria de todos: as festas do consorcio principesco findaram «e o commandante da companhia dos vivas, incumbido mediante a esportula de 3$200 e jantar, de fazer de Povo nos dias de gala, havia terminado os seus trabalhos; o rei, com sua natural affabilidade, havia-lhe dito commovido, batendo-lhe no hombro e mettendo-lhe na mão os 3$200: _Obrigado, meu Povo!_»

É, como resalta aos olhos menos habituados a vêr n'estes assumptos, tremendamente demolidor; Offenbach nunca fez mais nem melhor: toda a psycologia dos enthusiasmos populares, pelas alegrias e fastigio da realeza, posta a nú n'uma dissecação anatomica perfeita...

Comtudo, o periodo não acaba ali; tem o leve berbicacho que segue; «e elle (o commandante dos vivas), com o vozeirão restaurado por duas gemadas, partira á pressa para ir levantar os vivas á Republica n'uma manifestação de provincia para que estava escripturado.»

Gela-se, talvez, o sorriso satisfeito d'aquelles que celebraram a primeira parte da oração, porque, se a logica lhes não fôr coisa omissa, encontrarão, n'esta segunda parte, motivos de sobra para o conhecimento da psycologia dos _meneurs de vivorio e de morrorio_ tão nossos conhecidos...

É um leve bisturi, bem afiado, de dois gumes.

No verão de 1886 (se não estou em erro) em Cintra, na quinta do Relogio, Ramalho dansa, n'um _cotillon_, com a Senhora Duqueza de Bragança.

Os _Vencidos da Vida_, com excepção talvez do Snr. Guerra Junqueiro, são a nata da elegancia e do palacianismo; elle lá estava, no seu posto, ao lado dos companheiros de luctas demolidoras Oliveira Martins e Eça de Queiroz.

Em 1889, morrem o infante D. Augusto e o rei D. Luiz. As palavras que concede ao primeiro são repassadas d'uma ternura tão recatada que parecem escriptas no proposito de dizer á gente: Olhem que não fui eu quem suggeriu e, menos, escreveu no _Album das Glorias_ (de que fui é certo, collaborador momentaneo) aquella _charge_ tremendamente agressiva: «Nasceu (e segue-se uma pagina de pontinhos) é infante e general.»

Quanto ás paginas que dedica a D. Luiz, termina-as com as palavras da biblia: «Ouvimos, porém, que os reis d'essa casa teem por si a clemencia», dizendo que elle as merece _aos seus mais encarniçados detractores_...

É que «o seculo XIX, chegado ao periodo senil do seu termo padece (palavras de Ramalho) a apathica e sombria enfermidade de todas as incertezas moraes.»

Foram a essas _incertezas moraes_ que tanto elle como os companheiros de criterio positivista fugiram ou tentaram fugir, pelo regresso a ideias e praticas que, n'um dado momento da vida--e, meu Deus, no momento em que cabouqueiros do Ideal de mais força dispunham para edificar--negaram inconsideradamente...

Mas o que é a Providencia!...

Os homens insignes, valentes Saúes, _que vinham para desmantelar os bustos olympicos_, não deixaram a outros o cuidado de plantar as cruzes.

Elles proprios volveram-se Paulos, n'essa Estrada de Damasco que é feita de _factos_, de observações, de experiencias e da sua respectiva historia.

Elles é que plantaram as cruzes.

13 de Novembro de 1915.