Os dialectos romanicos ou neo-latinos na África, Ásia e América

Part 4

Chapter 43,815 wordsPublic domain

--Você me mandou cantá 20. Ai pensando que eu não sabia, Eu não sou cumo a cigarra Que no cantá leva o dia. Por favô, Senhô doutô, Me adecifre esta conta Vinte e cinco guardanapos 14. Com dois gintem em cada ponta?

Sim senhô, eu advinho Ai! sô mestre cardereiro Sem fartá nem um dé réis, Metta a mão na mêladura, Doze pátacas e meia Que a canna do Lavradô Vem a ser quatro mim réis. Só que dá é rapadura.

Diversas particularidades caracteristicas dos dialectos creolos repetem-se no Brazil; tal é a tendencia para a suppressão das fórmas do plural, manifestada aqui em que, quando se seguem artigo e substantivo, adjectivo e substantivo, etc., que deviam concordar, só um toma o signal do plural. Assim na cantiga n.^o 20: _dois gintem_==dois vintens. Ouve-se com frequencia _os homen_ por _os homens_; _as muyé_ por _as mulheres_; _duas boa pessoa_ por _duas boas pessoas_; _casas grande_ por _casas grandes_, etc. Mencionaremos ainda o habito de dar fórmas diminutivas aos pronomes: _ellasinha_==ella (referindo-se a uma menina); _umasinha_==uma (referindo-se a uma creança, a um animal, a uma cousa pequena). _Tens um cão? Tenho umzinho_ (isto é um cão pequeno).

6. Dialecto portuguez de Ceylão ou indo-portuguez

A primeira noticia que tivemos d'este dialecto achámol-a na obra de A. A. Teixeira de Vasconcellos, _Les contemporains portugais, espagnols et brésiliens_, t. I. _Le Portugal et la Maison de Bragance._ Paris, 1859, 8.^o, pag. 115-116, em que se acha um curtissimo extracto da parabola do semeador em indo-portuguez. A obra de lord Stanley _The three voyages of Vasco da Gama_ ministrava-nos depois um excerpto mais extenso (Genesis, cap. III). Depois, como já dissemos, reunimos assás abundantes materiaes para o estudo do dialecto. Hoje limitâmo-nos á parte historica e bibliographica, e no nosso ultimo capitulo indicaremos os principaes pontos de contacto entre o indo-portuguez e os dialectos similhantes.

Em 1503 Lourenço d'Almeida submetteu um dos reis mais poderosos da ilha de Ceylão, Boenago Pandar. Por esse tempo foi fundada a fortaleza de Colombo e deu-se o commando da ilha a um capitão portuguez[3]. O terceiro viso-rei da India Lopo Soares fundou ali um estabelecimento commercial em 1517, que porém decaíu. Só pela morte de D. João Dharmapala, que legou os seus dominios ao rei de Portugal, então Filippe I (1581), é que os portuguezes adquiriram titulo á soberania da ilha, com excepção de Jaffna, de que reconheciam ainda o rei nominal, e de Kandy, em cujo throno elles queriam assentar a rainha Catharina. Apesar dos portuguezes desejarem impor suas leis e costumes, ficaram de pé as antigas leis e privilegios da ilha.

N'esse periodo e no seguinte as guarnições dos fortes portuguezes regulavam por 20:000 homens, dos quaes apenas menos de 1:000 eram europeus. Colombo desenvolveu-se então muito: edificaram-se conventos, igrejas, hospitaes, e quando caíu em 1656 nas mãos dos hollandezes residiam lá mais de 900 familias nobres, alem de 1:500 familias de empregados da justiça, commerciantes e negociantes. Em 1617 os portuguezes assenhorearam-se á mão armada de Jaffna. A alliança dos hollandezes com o rei de Kandy foi o ponto de partida para o seu dominio na ilha. Em 1658 tornaram-se senhores de todo o littoral e terras baixas e expelliram os portuguezes, tratando de destruir todos os vestigios da nossa influencia. As igrejas catholicas foram substituidas por igrejas protestantes; a lingua portugueza, que durante o nosso tão curto dominio se implantára na ilha sob uma fórma dialectal, ao lado das linguas indigenas, o singalez e o tamul, foi perseguida. Rapava-se a cabeça de todos os escravos que fallavam portuguez; multavam-se por negligencia os seus senhores: os hollandezes esperavam assim, como diziam n'uma proclamação «destruir a lingua dos portuguezes para que o nome dos nossos inimigos pereça e o nosso proprio floreça em seu logar». (Emerson II, 70.)

«O dominio da Hollanda em Ceylão foi quasi igual em duração ao de Portugal, cerca de um seculo e quarenta annos, mas a politica dos dois paizes deixou uma muito differente impressão do caracter e instituições do povo em cujo seio elles viveram.» (Emerson II, pag. 70.)

Ha uma palavra portugueza que os hollandezes não perseguiram, antes aproveitaram como fonte de receita. O titulo de _dom_ era muito estimado pelos indigenas de Ceylão: os portuguezes permittiam o seu uso pela quantia de alguns centos de dollars. Escrevia-se o nome do comprador n'uma placa de prata com o desejado _dom_ á frente; o comprador ajoelhava ante o governador ou pessoa por elle regularmente auctorisada; collocava-lhe a placa na cabeça e a auctoridade dizia: Levanta-te, dom Fulano. Os hollandezes continuaram a vender o _dom_ rendoso, reduzindo o preço, que chegou por fim a dez dollars, tornando-se assim accessivel ás bolsas modestas. Hoje ainda a ilha está cheia de dons. O hollandez foi esquecido totalmente, até pelos descendentes dos que o fallavam; a repressão odienta não poude ao contrario destruir o portuguez.

Senhora da ilha desde 1796, a Inglaterra adoptou uma politica diversa da dos seus predecessores: os inglezes estudaram o indo-portuguez, como elles chamam ao dialecto portuguez de Ceylão; deram-lhe uma pequena litteratura, de que damos mais abaixo noticia, e serviram-se d'elle como meio de propaganda politica e religiosa.

Muito mais facil de estudar que as linguas indigenas, o tamul que, é fallado na costa norte, e o singalez, fallado ao centro e na costa sul, comprehendido por muitas familias principaes das cidades, que ainda se ensoberbecem com o seu _dom_, os seus nomes portuguezes, precedendo os appellidos indigenas, o indo-portuguez era um instrumento precioso que os inglezes com o seu genio administrativo não podiam deixar de aproveitar.

As informações que reunimos sobre a extensão e importancia actual do indo-portuguez não são sufficientes para formar sobre este assumpto um juizo inteiramente seguro. Um missionario que esteve na ilha escrevia, em data de 13 de novembro de 1875, que o indo-portuguez é quasi exclusivamente a lingua dos descendentes dos portuguezes e hollandezes que se estabeleceram na ilha; que a lingua não é considerada pelos missionarios como importante meio de instrucção, tanto quanto os que a usam fallam outra lingua; que os missionarios Wesleyanos têem um serviço publico em portuguez em Colombo e em duas ou tres cidades; que o dialecto está em extrema decadencia, e que com o curso de outra geração se extinguirá totalmente. O missionario que deu estas noticias não estava, porém, bem informado, porque diz que o indo-portuguez não tem grammatica nem diccionario, o que nós sabemos não ser exacto. Um outro missionario, que residiu tambem em Ceylão, descreve com data de 20 de março de 1877, que durante o exercicio das suas funcções de missionario em Ceylão não encontrou uma só pessoa com quem o portuguez podesse ser empregado como meio de conversação; que nos districtos do norte e do oriente da ilha o portuguez está quasi inteiramente extincto; que a missão tinha deixado de o empregar para o serviço publico havia alguns annos, ao norte da ilha; que ao sul estava em rapida decadencia.

Alguns testemunhos, em verdade anteriores aos d'esses missionarios, cujas informações devemos ao nosso bom amigo rev. R. H. Moreton, attribuem ao dialecto maior importancia e extensão; a bibliographia que damos mais abaixo depõe tambem n'este sentido.

Na _Cruz de Christo_ lê-se: «O auctor te da sua guardismento per o publico, per o modo ne qual sua _Versos sagrada_ tinha recebido; dos cento e cincoenta livrinhos de aquel tinha impressado e vendido per o povo quem te sabe portuguez; esti lingoa mais que assi corrupto, tem papiado extensivomente nesti Ilha, e tem ainde doci, mellifluozo, como seu parente Frances e Italiano».

«O indo-portuguez é mais ou menos entendido por todas as classes na ilha de Ceylão e por toda a costa da India; a sua extrema simplicidade de construcção e facilidade de acquisição tendo-o posto extensamente em uso como um meio de trafico. Mas o povo de que é vernaculo e que, em Ceylão só, sobe a mais de 50:000 individuos, é constituido por descendentes dos hollandezes e portuguezes, os primeiros dominadores (europeus) da India.» _The Bible of Every Land_, pag. 275-276.

Damos em seguimento a nota bibliographica das publicações em dialecto portuguez de Ceylão ou relativas a elle, de que até hoje tivemos conhecimento; as que não possuimos e nem sequer vimos vão indicadas com o signal [++].

_Bautismo: sua subjectos e modo de sua administração. Parte premeiro: Tocando o bautismo de nocentes._ Colombo: impressado ne officia de Missão Wesleyano. 1869, 44 pp, in-12.

_Bom novas._ N.^o 15. March. 1869. p. 57-60. Colombo: printed at the Wesleyan Mission Press. É um numero de um pequeno periodico religioso.

_Cantigas por adoração publico em lingoa portugueza de Ceylon._ De Robert Newstead, missionario wesleyano. Terceiro vez impressado. Colombo impressado ne officina Wesleyana. 1823. 8.^o 22-4 pp. (de index).

[++] _Compendium (A) of the Ceylon-portuguese language_ by W. B. Fox. Colombo. 1859.

_Cruz (A) de Christo._ Colombo: Impressado ne officio de A. H. Peterson. 1859. 23 pp. A _Intrudição_ acha-se subscripta por J. A. C. No nosso exemplar acha-se o nome manuscripto por inteiro: John Arnold Cristophelaz.

[++] _Dictionary (A) in the Singhalese, Portuguese and English languages._ Second edition, enlarged. By W. B. Fox, Wesleyan Missionary. (Publicado em 1820).

_Fórma (A) da oração publico e administração dos Sacramentos, conforme ao uso da Igreja Inglaterra. Traduzido, por o missão, em lingua portuguez de Ceylon._ Pelo Robert Newstead, missionario Wesleyano. Em Colombo: Impressado na officina Wesleyano. 1820. 44 pp.

[++] _Grammatical (A) Arrangement on the method of learning the corrupted portuguese as spoken in India_, by Berrenger. Sec. edit. Colombo, 1811. Indicação do sig. Teza no artigo alludido infra.

_Horte de paraiso. Em o nome de o Jesus crucificado._ (XIV orações.) Impressado ne Officio de Baptiste Missionarios, Kandy. 32 pp.

_Hum caminho per inferno._ Folha avulsa, 1 p.

_Hum catecismo per o ensino de criances ne o principiô de relize, e hum curto catecismo de o nomis ne o escritura._ Colombo: impressado ne officio de Wesleyanos. 1837. 12 pp.

_Indoportoghese._ E. Teza. 8.^o 10 pp. Estratto dal Periodico:--Studi Filologici, Storici e Bibliografici Il Propugnatore. Vol. V. É o primeiro estudo scientifico sobre este dialecto.

[++] _Instructions for children._ By the late Rev. John Wesley, A. M. of the University of Oxford. In portuguese and english.

(Publicado antes de 1820.)

_Meditacãos e oracãos_ (sic) _sober differenti subjectos e por differenti casiãos._ J. Campbell, Printer, Hulfsdorp Press. 50 pp. 4.^o peq.

_Novo (O) Testamento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Christo, traduzido ne indo-portugueza._ Colombo, officina de Missão Wesleyano, 1852. 8.^o

_Oraçãos, Dez Mandamentos, O sermão riba do montanha._ 16 pp.

_Psalterio (O), ou Psalmos de David, como apontado a ler nas igrejas. Traduzido em lingoa portugueza de Ceylon, e publicado por a Sociedade Biblia de Colombo._ A Colombo: Impressado na officina Wesleyano. 1821. 8.^o 102 pp.

_The singhalese Tract Society_, n.^o 6, 1856. _O Serpente de Cobre._ 8 pp. No fim acha-se a indicação: Preço hum challi de-cobri, huma ou senao oito fanam hum cento.

_Voz de verdade._ (Pequeno periodico religioso mensal; temos alguns numeros desde 1 de outubro de 1870, em que começou a publicar-se, até janeiro de 1873. Sem logar de impressão.) 4 pp. cada numero.

_Vocabulary (A) in the Ceylon Portuguese, and English Languages, with a series of Familiar Phrases._ By John Callaway, Wesleyan Missionary. Colombo: Printed at the Wesleyan Mission Press. 1820. Price six fanams. 44 pp. in 12.^o

A maior parte das publicações mencionadas que possuimos devemol-as á dedicação do nosso bom amigo o rev. R. H. Moreton, que se empenhou para com a missão Wesleyana e missionarios seus amigos para nol-as obter.

Na obra: _The Bible of Every Land, a history of the Sacred Scriptures in every language and dialect into which translations have been made_, etc. London, Samuel Bagster and Sons. 4.^o, p. 275-276, achâmos as seguintes noticias com relação ás traducções do Antigo e Novo Testamento em indo-portuguez.

«Com o declinar dos governos portuguez e hollandez na India, os membros d'estas nações foram deixados sem meios de instrucção religiosa excepto os que offereciam os missionarios catholicos romanos; e em consequencia, o catholicismo romano tornou-se a fórma prevalecente da sua religião. Em 1817, Mr. Newstead, missionario wesleyano, que residia em Negombo, em Ceylão, começou uma traducção do Novo Testamento para beneficio espiritual d'este povo. Partes d'esta traducção foram lidas por Mr. Newstead do pulpito, e foram tambem emprestadas livremente a pessoas doentes, uma das quaes, diz-se, morreu com o evangelho de S. João debaixo do travesseiro. O povo mostrou tanto interesse pela obra, que uma edição impressa foi em breve resolvida, e, em 1819, a versão do evangelho de S. Matheus foi publicada em Ceylão, á custa da Sociedade biblica auxiliar de Colombo; e os psalmos seguiram-se, em 1821, á custa da mesma sociedade.

«Pouco depois Mr. Newstead completou a sua traducção do Novo Testamento, e a obra foi submettida a uma miuda revisão por uma commissão nomeada para esse fim, consistindo de tres missionarios e de seis dos mais intelligentes indo-portuguezes. A revisão foi terminada em 1824; e Mr. Newstead emprehendeu uma viagem a Inglaterra para sollicitar o auxilio da Sociedade biblica ingleza e estrangeira para a publicação da obra. A traducção foi recommendada com instancia á adopção da commissão pelo rev. T. J. Twisleton, archidiacono de Ceylão; e, como o seu valor foi attestado por outros juizes competentes, duas edições foram impressas em Londres, a expensas da sociedade, em 1826, sob a superintendencia pessoal de Mr. Newstead. A segunda edição do Novo Testamento, consistindo de 5:000 exemplares, appareceu em Colombo em 1831; e, no anno seguinte, uma versão dos livros do Genesis, Exodo, e parte do Levitico foi publicada no mesmo logar, a expensas da mesma sociedade. O Pentateucho e o Psalterio foram impressos em Colombo, em 1833, n'uma edição de 5:000 exemplares; annuncia-se como estando em progresso a traducção de todo o Antigo Testamento.

«Uma outra edição do Novo Testamento indo-portuguez foi mais recentemente emprehendida, e projectou-se no começo imprimil-a em Londres, sob a inspecção de Mr. Newstead, o traductor, e á custa da Sociedade biblica ingleza e estrangeira. Mas Mr. Newstead, depois de muitos annos de ausencia de Ceylão, não sentiu sufficiente confiança no seu conhecimento da lingua para fazer imprimir o Novo Testamento; e em consequencia d'isso resolveu-se imprimir só o evangelho de S. Matheus em Londres, para fim provisorio, emquanto a impressão da obra inteira seria confiada a missionarios residentes em Ceylão, com a vista de a imprimir na imprensa da missão n'aquella ilha. O evangelho de S. Matheus foi acabado em 1852, sob a superintendencia de Mr. Newtead. Deram-se ao mesmo tempo instrucções para a impressão em Colombo de 2:000 exemplares do Testamento inteiro, á custa da Sociedade biblica ingleza e estrangeira. Esta edição foi completada em 1853, sob o cuidado de uma commissão de revisão escolhida para esse fim.»

Eis um specimen do dialecto:

O sermão riba do Montanha

Ne Evangelho de São Matheus

Capitulo V[4]

E Jesus olhando o multidãos (de gentes) ja foi riba de hum montanha, e elle quando ja santa sua disçipulos ja chegar perto per elle.

2 E Jesus ja abri sua boca, e ja ensina per elotros fallando.

3 Bendito _tem_ os pobres ne espirito, porque per elotros tem o reyno de ceo.

4 Bendito _tem_ elotros quem tem tristes, porque elotros lo ser consolados.

5 Bendito _tem_ elotros quem tem paçiente ne coraçaõ (humildes), porque elotros lo herida o terra.

6 Bendito _tem_ elotros quem te senti fome e securo por justiça, porque elotros lo ser enchido, (per elotros lo tem baste).

7 Bendito _tem_ o gentes misericordioso, porque elotros lo acha (reçebe) misericordia.

8 Bendito _tem_ os limpos ne coraçaõ, porque elotros lo olha per Deus.

9 Bendito _tem_ o gentes quem te faze paz, porque elotros lo ser chomado filhos filhas de Deos.

10 Bendito _tem_ elotros quem te suffri (padeçe) per o causo de justiça: porque per elotros tem o reyno de ceo.

11 Bendito tem vosoutros quando _gentes_ te engeita per vosoutros, e perseguir _per vosoutros_, e te falla toquando de vosoutros, tudos sortes de mal, falsamente, sem rezaõ por o causo de mi.

12 Allegré com muito grande allegria, porque vossas paga ne ceo _tem_ grande, porque assi (mesmo modo) elotros ja perseguir per os prophetas, quem tinhe antes (mais diante) vosoutros.

13 ¶ Vosoutros tem o sal de terra, mas si o sal ja perdi aquel so sabor, acquel com que lo ser salgado? aquel despois nunca valé nada, senaõ per fica pinchado fora, e per fica massado baixo de pes de gente

14 Vosoutros tem o lume de o mundo, hum cidade que tem riba de um montanho non pode ser escundido.

15 Nem gentes nunca sandé hum candecera e (despois) aquel bota baixo de hum medida, mas riba hum candeler, e aquel te da lumi per tudos (pessaõs) quem tem ne caza.

16 Vossas lumi desse luzi diante de gentes, que vossas bom fazeres elotros pode olha, e glarifica per vossas Pai quem tem ne ceo.

17 ¶ Naõ lembra que eu ja vi per destrui o lei ou o prophetas, eu nunca vi per destrui, mas per guarda (per faze) aquel lei.

18 Em verdade eu te falla per vosoutros, (que) ate que ceo e terra lo ser passado, nehum palavra, nehum lettra de o lei nada ser passado, ate que tudo lo ser cabado.

19 Videaquel, quem seja lo quebra uma de istes mais piquinino manedmentos e assi lo ensina por gentes, (per faze) el lo ser chomado o mais piquinino ne o reyno de ceo; mas, quem seja lo faze e lo ensina istes mandamentos, aquel mesmo pessaõ lo ser chomado grande ne o reyno de ceo.

20 Porque eu te falla por vosoutros, doque _o justiça_ de os escribos e (de os) phariseos, si vossa justiça non ten mais grande, vosoutro si nem hum modo nada entra ne o reyno de ceo.

21 ¶ Vosoutros ja ovi que tinhe fallado de elotros de tempo antigo, (velho tempo) vos nada mata, e quem seja te mata, lo ser ne perigo de o juizo.

22 Mas Eu te falla per vosoutros, que quem seja com sua irmaõ tem raibe sem rezão, lo ser ne perigo de o juizo, e quem seja per sua irmaõ lo falla, Raca, (vil pessaõ,) lo ser ne perigo de o supremo counselho, e quem seja que lo falla vos dodo, lo ser ne perigo de o fogo de inferno.

23 Videaquel, si vos te trize vossa sagoate per o altar, e ali te cahi ne sentido que vossa irmaõ tem alun cousa contra vos.

24 Ali guarda vossa sagoate diante o altar, e anda vos, primeiro com vossa irmaõ fica bom amizade, e depois de aquel, vi, e offerçe (da) vossa sagoate.

25 Accorda com vossa enimigo prestamente que hora vos tem ne o caminho com elle, ou senaõ ne alum tempo, o enimigo pode entrega per vos per julgador, e o julgador te entrega per vos per sapier, e vos te fica lançado ne prisão.

26 Em verdade Eu te falla per vos, que vos nem hum modo nada vi fora (de aquel lugar) ate que vos ja paga o trazeiro padas de dinheiro.

27 Vosoutros ja ovi que tinhe fallado, de elotros de tempo antigo vos nada faze adulterio.

28 Mas, per vosoutros Eu te falla Que quem seja com impuro deseijo te olha sobre hum mulher, ja faze adulterio com ella ne sua coração.

29 E si vossa olha dreito te offende par vos (tem um cassião per vos per offende) ranca aquel, e pincha fora de vos, porque tem mais bom per vos que uma de vossas olhos te fica destruido, e não que vossa enteiro corpo lo ser lançado ne inferno.

30 E si vossa maõ dreito (mesmo modo) te offende per vos, corta aquel, e lança fora de vos, porque doque vossa inteiro corpo per fica lançado ne inferno, tem mais bom que uma de vossa mãos te fica destruido.

31 Tinhe fallado que quemseja lo reda (bote fora) sua mulher, elle miste da per ella hum carta de seperaçaõ.

32 Mas eu te falla per vosoutros que quem seja lo reda sua mulher senaõ (forde) per rezaõ de fornicaçaõ, ella te causo per faze adultero, e quem seja lo caza com aquel mulher, (tambem) te faze adulterio.

33. Torna, vosoutros ja ovi que tinhe fallado de elotros de tempo antigo, vos ne mista da falsa juramento, mas miste paga per o Senhor vossa permita:

34 Mas Eu te falla per vosoutros, que enteiromente ne miste jura nem pelo ceo porque aquel tem o throno de Deus.

35 Nem pelo o terra porque aquel tem o estrado de sua pes: nem pelo Jerusalem porque aquel tem o cidade de o grande Rey.

36 Nem pelo vossa cabeça porque vos nonpode faze branco ou preto hum cabello.

37 Mas vossas cõmmunicaçaõ desse fica sem, sem naõ, naõ, porque doque iste que seja tem mais, te vi de mal.

38 ¶ Vosoutros ja ovi que tinhe fallado, hum olho por hum olho, e hum dente por hum dente.

39 Mas Eu te falla per vosoutros que vosoutros ne miste dessa mal: mas quem seja quando buftea per vos ne façe dreito; vira per elle o outra tambem.

40 E si alum homi lo çita per vos ne hum corte de justiça, e tira vossa cabai, elle desse toma vossa mantle tambem.

41 E quem seja lo força par vos per anda hum leagou, anda com elle dous leagous.

42 Da per elle quem te pedie com vos, e ne miste vira de elle quem lo toma per deuda de vos.

43 Vosoutros ja ovi que tinhe fallado, vos miste ama per vossa vizinho, e abhoreçe per vossa enimigo.

44 Mas Eu te falla per vosoutros. Ama por vossas enimigos, benze per elotros quem te maldiçoa per vosoutros, faze bom per elotros quem te abhoreçe por vosoutros, e roga (com Deos) por elotros, quem te faze mal, e te perseguir per vosoutros.

45 Que vosoutros pode fica o filhos filhas de vossas Pai quem tem ne ceo, porque elle te faze o Sol por luze sobre o maldito gentes, e sobre o bom gentes, e te manda chuve sobre os justos, e (tambem) os injustos.

46 Porque si vosoutros te ama per elotros, quem per vosoutros te ama, vossas meriçementos que tem? O maldito gentes o mesmo te faze.

47 E si vosoutros per vossas irmaõs namais te mostra bondade, vosoutros que te faze mais doque outros? O maldito gentes o mesmo te faze.

48 Videaquel, seja vosoutros perfeito, ate assi como vossas Pai quem tem ne ceo, tem perfeito.

Capitulo VI

Toma cuidade que vosoutros nunca faze caridade, (da ismolas,) diante de gentes per fica olhado de elotros; ou senaõ vosoutros nunca recebe nem um paga de vossas Pai quem tem ne ceo.

2 Videaquel, vos quando te da ismolas, ne miste son hum trombetta diante de vos, (per da sabe vos que te faze) assi como os hypocritas te faze, ne os synagogas, e ne os ruas que elotros pode acha honra de gentes; Em verdade, eu te falla per vosoutros, (Que) elotros te acha elotros su paga.

3 Mas vos quando te da ismolas, vossa maõ escarde naõ desse sabe, vossa maõ dreito que te faze.

4 Que vossas ismolas pode ser ne segrade, e vossa Pai, quem ne segrade te olha, sua mesmo ne publico lo paga per vos.