A triste canção do sul (subsidios para a historia do fado)
Part 13
É o n.º 21 na 2.ª serie da casa Sassetti.
=João Maria dos Anjos= (Fado)
Composto em 1868.
=Jorge da Silva= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.
=José Ricardo= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz. José Ricardo é o actor d’este nome.
=Lamparina= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.
=Lapa dos poetas= (Fado da)
É o n.º 5 da Collecção do estudante Candido de Viterbo. Editora, a viuva Paula e Silva.
A Lapa dos poetas é um logar celebre e pitoresco na quinta das Cannas em Coimbra.
=Lazarista= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 73.
=Leandro= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 69.
=Leça= (Fado de)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 59.
É o n.º 16 na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.
Leça da Palmeira, certamente. Assim se chama a villa que se defronta com a de Mattosinhos (arrabalde maritimo do Porto). O rio Leça, separando as duas povoações, deu o nome a uma d’ellas.
Tambem nos suburbios do Porto ha Leça do Bailio, notavel ainda hoje pelo seu templo gothico, que pertenceu á ordem militar de S. João de Jerusalem.
O _Fado_ deve ser de Leça _da Palmeira_, terra de marinheiros e, por conseguinte, de guitarras.
=Leixões= (Fado de)
Este _Fado_ é o n.º 35 na 3.ª serie da casa Sassetti.
Leixões, penedia distante meia legua da foz do Leça, deu o nome ao porto artificial que procurou evitar os perigos da barra do Porto para navios de maior tonelagem.
Tem um _Fado_, e já teve um poema (heroe-comico) _As viagens a Leixões_, publicado em 1855 por Alexandre Garrett, irmão do visconde de Almeida Garrett.
=Limoeiro= (Fado do)
Composição do Padre Borba.
=Linda-a-Velha= (Fado de)
Musica de Alberto de Moraes; lettra de Alfredo Portugal. Editores, Benjamin & Filgueiras, Lisboa.
Linda-a-Velha (Ninha-a-Velha se dizia antigamente) é uma graciosa povoação, que se ergue sobre um cabeço, na freguezia de Carnaxide, dominando o largo panorama do Tejo.
=Liró= (Fadinho)
Vide _Fadinho liró._
=Lisbonense= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 22.
É o n.º 5 na 1.ª serie da casa Sassetti.
Tambem publicado pelas casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa; e Eduardo da Fonseca, do Porto.
Foi seu auctor João Maria dos Anjos.
=Livro d’ouro do fadista=
Nova collecção de fados para cantar ao piano e á guitarra, escriptos e recopilados por Faustino Antonio da Cunha. Porto, 1878, Editora--Livraria portugueza e extrangeira.
=Luar= (Ao)
Fado muito facil para piano por Antoine de Ferrière. Editora, a livraria Avellar Machado.
Lettra: duas quadras apenas.
=Luiz Petroline= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.
=Machado Corrêa= (Fado)
Supponho que Machado Corrêa é o jornalista d’estes appellidos, que collaborou na _Tarde, Dia e Novidades_, foi ponto de theatro em Lisboa, auctor dramatico, e que tendo ido para o Pará, como secretario da empresa Sousa Bastos, por lá se deixou ficar, passando depois para o Rio de Janeiro. Ultimamente regressou a Lisboa.
=Madrugada= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 27.
=Maggioly= (Fado)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 5.º.
Maggioly é o appellido de um dos nossos melhores tocadores de guitarra.
Veja pag. 63 d’este livro, nota.
=Marinheiro= (Fado do)
Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 68.
=Marinheiro= (Fado do)
Este Fado é differente do anterior.
Parece ser dos primeiros que se vulgarisaram em Lisboa, segundo informa o velho guitarrista Ambrosio Fernandes Maia.
Elle não tem ideia de outro qualquer Fado mais antigo.
=Maritimo= (Fado)
É o n.º 9 na 1.ª serie da casa Sassetti.
=Meiguinho= (Fado)
Por Alberto Pimenta: Porto, 1901. Lettra de Campos Monteiro.
=Meu= (O) =enlevo=
Fado muito facil para piano por A. Dourade. Editora, livraria Avellar Machado, Lisboa.
Lettra: duas quadras apenas.
=Monchique= (Fado de)
Lettra e musica de Alberto de Moraes.
Editores: Benjamin & Filgueiras, Lisboa.
Monchique é, como se sabe, a «Cintra» do Algarve.
=Mondego= (Fado)
Editor, Raul Venancio; rua do Ouro, Lisboa.
=Morenas= (Fado das)
Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.
Crêmos que foi recolhido na provincia.
Tem lettra, que não pudemos obter.
=Mouraria= (Fado da)
É o n.º 31 na 3.ª serie da casa Sassetti.
Tambem anda nas collecções das casas Lambertini e Engestrom, de Lisboa; e da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.
Mouraria é, como se sabe, um dos bairros fadistas de Lisboa.
=Mousão= (Fado)
O sr. Antonio Mouson (é assim que o seu appellido deve escrever-se) nasceu no Porto e foi discipulo, em guitarra, de João Maria dos Anjos.
O seu nome inscreve-se entre os dos primeiros guitarristas portuenses, que são, além d’elle, Chico Brandão e Guilherme de Campos.
Dizem-me d’aquella cidade, a seu respeito:
«É o mais fecundo auctor de fados, o mais sentimental na expressão e no canto, fino rapaz de sala, fallando distinctamente o castelhano, o francez e italiano, um dos melhores _vivants_ da _troupe_ bohemia.»
Outra informação acrescenta:
«De altura regular, robusto e valente, é, a par d’estas qualidades physicas, um excellente rapaz, coração de ouro e alma educada para comprehender e sentir todos os grandes affectos, todas as grandes dores. O Porto inteiro o conhece e estima; tem muitos amigos e admiradores.
«É frequentador dos theatros, bailes de mascaras e dos cafés, especialmente do _Portuense_, onde se encontra todas as noites.
«Apesar de ter a cabeça quasi branca, não conta mais de 36 annos.
«Dedilhando a guitarra, entoa fados deliciosos, que as mulheres escutam com enlevo.
«Já se tem feito ouvir nos nossos theatros e nas praias, portuguezas e hespanholas, sempre com vivo enthusiasmo e ruidosos applausos.»
=Mulher= (Fado da)
Recolhido pelo sr Fernando Diniz, professor de guitarra.
=Muller fils= (Fado)
Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.
=Nacional= (Fado)
Composto por João Maria dos Anjos.
Vem incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 54.
É o n.º 12 na 1.ª serie da casa Sassetti.
=Nazareth= (Fado da)
Nazareth, praia de banhos na Extremadura, districto de Leiria. Terra celebre pelo famoso milagre com que ali foi favorecido D. Fuas Roupinho.
=Noite serena= (Fado)
Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.
=Notas falsas= (Fado das)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.
=Novo fado=
Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.
=Olinda= (Fado serenata)
De Jacinto Freire. Editor, Eduardo da Fonseca, Porto.
Lettra:
Musa, dá-me inspirações Para o meu fado cantar, Que enterneçam corações E que os façam palpitar.
Cordas da minha guitarra, Soltae uns tristes gemidos, Lembranças da mocidade, D’esses tempos tão queridos.
As minhas tristes canções, Repassadas de amargura, São saudades desfolhadas Pelas noutes sem ventura.
Teus olhos de côr tão negra, Brilhantes, meigos e lindos, Desejos accendem n’alma De beijos loucos, infindos.
=Palmyra Bastos= (Fado)
Pelo actor Roldão. Editora, a livraria Avellar Machado; Lisboa.
Este _Fado_ chamou-se assim em razão de ter sido cantado por aquella actriz na revista _Tim-tim por tim-tim_.
Traz o retrato de Palmyra Bastos, a lettra em verso, e um artigo em prosa assignado por Julio de Menezes.
=Parodia= (Fado da)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, na sua collecção.
=Pedro Rolla= (Fado)
Tambem recolhido pelo sr. Fernando Diniz.
=Pedrouços= (Fado de)
O sr. Simões Ratolla, excellente consultor sobre tudo que diz respeito a Pedrouços, teve a gentileza de me fornecer a seguinte informação:
«O _Fado de Pedrouços_ não tem lettra. A musica é de Antonio e Eduardo Castello Branco. Possuo um exemplar impresso, para piano, com 12 pautas, e com o n.º 982, que julgo ser de chapa.
«Nas caixas de musica, de 4 _Fados_, encontra-se um com a indicação: _Fado de Pedrouços--Branco_.
«É o mesmo _Fado_; evidentemente só ha um _Fado de Pedrouços_.»
=Penedo da meditação= (Fado)
É o n.º 1 da Collecção do estudante Candido de Viterbo, publicada em Coimbra.
Editora, a viuva Paula e Silva.
O «Penedo da Meditação», que fica nas proximidades de Cellas, é um dos sitios mais pittorescos e mais decantados dos arrabaldes de Coimbra.
=Penedo da saudade= (Fado do)
É o n.º 4 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.
Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.
O «Penedo da Saudade» é uma das mais encantadoras paragens do formoso aro que circumda a cidade de Coimbra. Sitio predilecto dos estudantes, como o «Penedo da meditação». Diz a lenda que D. Pedro I frequentava muito este logar, onde desafogava saudades da sua querida e desditosa Ignez.
=Pimpão= (Fado do)
Para piano e canto. Lettra de _Pan Tarantula_. Musica de Arthur Davis Tavares de Mello.
Na capa reproduz em miniatura o frontispicio de um numero do periodico _O Pimpão_.
Duas quadras, das seis que constituem a lettra:
O _Pimpão_ é rei da troça, O _Pimpão_ é rijo d’aço! O _Pimpão_ entra na choça, O _Pimpão_ entra no paço!
Do _Pimpão_ nasce a Folia, Do _Pimpão_ Jubilo brota, Do _Pimpão_ surde a Alegria Do _Pimpão_ salta a Risota!
Este _Fado_ foi publicado pela empresa da folha humoristica _O Pimpão_.
=Pina= (Fado do)
Composição de Julio Neuparth.
=Pintasilgo= (Fado do)
Auctor, Rey Colaço. Veja-se este nome.
=Pisões= (Fado dos)
É o n.º 32 na 3.ª serie da casa Sassetti.
=Pitada= (Fado do)
É o n.º 19 na 2.ª serie da casa Sassetti.
=Plagiario= (Fado)
Por A. B. Ferreira Junior.
Editor, Eduardo da Fonseca; Porto.
O auctor intitulou assim a sua composição, porque n’ella imita outra de Rey Colaço, _Um Fado_, que está incluido nos 5 a que fazemos referencia no principio da noticia Rey Colaço.
=Pobre preto= (Fado do)
Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.
=Popular= (Fado)
Na 2.ª serie da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.
=Porto= (Fado)
Encontro uma referencia a este _Fado_ no _Livro d’ouro do fadista_, Porto, 1878.
Diz assim:
Conhecendo o meu destino, Julgando-me um desgraçado, Dediquei-me d’alma e vida Ás raparigas do fado.
Cantava ao som da guitarra (Quantas vezes já tão torto!) Um _fadinho_ muito usado, Chamado o _Fado do Porto_.
=Povo= (Fado do)
Na collecção da casa Engestrom, de Lisboa.
=Primavera=, A (Fado)
Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.
Vem acompanhado de lettra, que principia:
De tarde, virei da selva, Sobre a relva, Os meus suspiros te dar; E de noite, na corrente, Mansamente, Mansamente te embalar!
=Primeiro Fado=
De Luiz Pinto d’Albuquerque. Offerecido a Rey Collaço. Publicado no Porto, por Moreira de Sá.
Traz as seguintes quadras:
O meu amor, que exquisito... Sendo rosa desmaiada, De cada vez que eu a fito Torna-se logo encarnada!
Sei os segredos das rosas, Da branca e da encarnada. A encarnada anda d’amores; Da branca não digo nada...
=Quinta das lagrimas= (Fado da)
É o n.º 3 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.
Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.
A _Quinta das lagrimas_, em Coimbra, é uma propriedade celebre pela sua belleza e pela lenda. Uma fonte, chamada _dos amores_, ainda hoje mantem a tradição.
Dos amores de Ignez, que ali passaram. Vêde que fresca fonte rega as flores, Que lagrimas são a agua, e o nome amores.
=Rabicha= (Fado da)
É o n.º 30 na 3.ª serie da casa Sassetti; Lisboa.
Rabicha é o logar que fica sob o arco grande do aqueducto das Aguas Livres, em Lisboa. Ha ali hortas, retiros, muito frequentados por fadistas e outra gente de vida airada. Não ha dia em que se não cante o _Fado_ n’aquelle rincão votado ao prazer do canto e do copo.
=Recreio musical= (Fado do)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.
=Rey Colaço= (Fados de)
Estão publicados 8. Cinco d’elles não teem nome especial. Os outros intitulam-se: _Hylario_, _Corrido_ e _Pintasilgo_. Um d’aquelles cinco é offerecido á sr.ᵃ duqueza de Palmella.
Alexandre Rei Colaço é um brilhante pianista, professor do Conservatorio.
Os seus _Fados_ são verdadeiras rapsodias portuguezas, variações artisticas sobre motivos populares.
Quasi todos são acompanhados de uma ou duas quadras colhidas na tradição oral.
Lia-se no _Diario de Noticias_, de janeiro de 1904:
«N’uma linda edição feita por uma das primeiras casas editoras de musica da Allemanha, acaba de ser posta á venda a encantadora e popularissima collecção de fados do nosso eminente pianista e professor Rey Colaço.
«A impressão é muito nitida e perfeita. A capa, para que tudo tenha o sabor portuguez, é uma curiosa e magnifica reproducção a côres do nosso lenço popular, o celebre lenço da estamparia do Bolhão, orlado d’arabescos com caracter genuinamente oriental.
«A collecção comprehende oito fados--os que são propriedade do compositor, porque o 2.º é do sr. Sassetti--entre esses fados ha o «Choradinho», o «Corrido», o «Hylario», o «Pintasilgo» e esse «primeiro fado» que tem corrido o paiz e que todos os amadores gostam de tocar, e toda a gente gosta d’ouvir.
«Este «primeiro» fado foi levemente modificado n’um sentido mais artistico e musical.
«A mencionar ainda a deliciosa «Canção das Serras», talvez a mais bella pagina de Colaço, n’um rythmo originalissimo--o mesmo da «Canção do Mondego»--digna de figurar ao lado das «Feuilles d’album» do Grieg. Pediriamos ao delicadissimo compositor que nos desse mais d’estas «Feuilles d’album», genero que elle, como ninguem, póde cultivar entre nós com exito.
«Uma collecção que todos os «dilettantes» devem ter sobre a sua estante.»
=Ribatejo= (Fado do)
Conheço muito bem a musica d’este _Fado_, que pela primeira vez ouvi em 1901. Não sei quem é o auctor. Tambem não sei se ha apenas a musica ou se anda acompanhada de lettra especial.
Creio que a sua área de divulgação se circumscreve ás povoações ribeirinhas mais proximas de Lisboa. Em Santarem não é conhecido, como d’ali me diz o sr. João Arruda, redactor do _Correio da Extremadura_, em carta que vou transcrever, porque n’ella se encontram algumas rapidas informações que confirmam asserções minhas, expostas no texto d’este livro.
Diz o sr. Arruda:
«Não se conhece nenhum fado do Ribatejo e quanto a _fados locaes_ diz-me um regente de musica muito distincto, que ha aqui, _que todos nascem em Lisboa_. Por aqui temos o _verde-gaio_, _o balhariló_ e outras cantigas.
«Tambem consultei o mestre da banda de caçadores 6, e um amador de musica, que muitos annos dirigiu a Academia Bellini, e elles nada conhecem, tendo aliás feito alguns fados _baseados no que existe_.»
=Ribeira Nova= (Fado da)
Na collecção da casa Lambertini.
=Rigoroso= (Fado)
O mesmo que _Fado corrido_. Vide _Corrido_. É o simples acompanhamento para as trovas de qualquer _Fado_.
Palmeirim diz a respeito da Severa:
«O orgulho de se considerar a primeira da sua classe, de ouvir o seu nome celebrado em todas as _banzas_, e os seus amores assoalhados em todos os fados, «desde o _rigoroso_, que não consente variações», até ao mais artistico, em que a voz adormece, e acorda em requebros languidos, tornavam-n’a surda á voz da consciencia».
=Robles= (Fado)
J. R. Robles, que foi 1.º sargento de cavallaria e agora é empregado da Companhia dos Tabacos, em Lisboa, já vem mencionado a pag. 63 d’este livro entre os melhores tocadores de guitarra.
Este Fado anda na 2.ª série da casa Eduardo da Fonseca, Porto, e foi incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 57.
O seu auctor compol-o de 1879 a 1880. Estando por esse tempo em Evora, ahi se generalisou o seu _Fado_. Em 1900, havendo tido baixa no exercito, deu-o a rever em Lisboa a pessoas competentes, e depois o publicou.
O _Fado Robles_, que algumas pessoas denominam _Artilheiro_, tambem é popular no Porto, onde o auctor fez serviço militar até janeiro de 1891.
=Roldão= (Fado)
Este _Fado_ foi cantado pelo actor Roldão na peça _José João_ (parodia) que se representou no theatro do Principe Real em Lisboa.
O auctor da peça, e, portanto, das coplas é o sr. Eduardo Fernandes (_Esculapio_), antigo redactor do _Seculo_, hoje do _Diario_.
A musica e a lettra foram editadas pela Livraria Popular, de Francisco Franco, travessa de S. Domingos, Lisboa.
O frontispicio é illustrado com dois retratos do actor Roldão e com uma scena da peça.
Um dos retratos representa aquelle actor vestido de fadista, guitarra em punho, tal como apparecia no palco.
Dizeres do frontispicio: Fado Roldão, cantado pelo auctor, etc.
Ora, como já dissemos em outro logar, este _Fado_ é, com leves alterações, especialmente na 2.ª parte, a canção _Hija del Guadalquivir_, que estava publicada desde 1894, no Porto, em o _Cancioneiro de musicas populares_.
Não dizemos isto como censura, mas apenas para notar uma coincidencia casual, que muitas vezes se tem dado na poesia e na musica.
O actor Jorge Roldão nasceu em 1859: foi musico de infantaria 16; entrou para o theatro como executante na orchestra; depois passou a ponto, e de ponto a actor. Trabalhou no Porto, nos theatros D. Affonso e Carlos Alberto; em Lisboa tem trabalhado nos theatros da Rua dos Condes, Principe Real, Trindade e Avenida.
Artista de merito secundario, é comtudo uma «utilidade».
Roldão cantava o «seu» _Fado_ em ré maior.
No folheto _Fados modernos_ vem a lettra de um _Fado para o Roldão_.
=Rosa de Vila= (Fado)
Composto pelo sr. Julio Neuparth expressamente para ser cantado pela artista d’aquelle nome na festa de caridade realizada no Colyseu dos Recreios, a 26 d’abril de 1904, em beneficio da classe dos vendedores de jornaes de Lisboa, após a _gréve_ dos typographos.
=Rosas= (Fado das)
Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.
=Ruas= (Fado das)
É o n.º 23 na 3.ª serie da casa Sassetti, de Lisboa.
=Salas= (Fado das)
Na collecção da casa Engestrom e da casa Sassetti, de Lisboa; e na de Eduardo da Fonseca, Porto.
=Santo Thyrso= (Fado de)
Apenas existe a lettra, que recolhi no livro _Santo Thyrso de Riba d’Ave_, e que foi composta por um pobre carpinteiro d’aquella villa, Narciso Ferreira d’Araujo, o _Ferreirinha_, quando partiu para o Brazil, onde falleceu.
Adaptava esta lettra a qualquer _Fado_ dos até então conhecidos.
=Saudade= (Fado)
Para piano, por Herminio dos Anjos. Homenagem ao inconfundivel poeta das «Peninsulares». Editora, livraria Avellar Machado.
Traz no frontispicio o retrato de Simões Dias, e n’uma folha appensa esta «silva de cantigas» do mesmo poeta, para serem cantadas com a musica do _Fado_:
O peixe vive nas aguas, Vive a flor entre abrolhos, Só eu não vivo um instante Longe da luz dos teus olhos.
Cada vez que a tua falla Vem morrer nos meus ouvidos, De sobresalto e de gosto Perco de todo os sentidos.
Tu és o raiar da aurora Que no puro azul divaga, Eu, frio sol que descora, E pouco a pouco se apaga.
Saudades que me vão n’alma Ninguem as póde contar, São tantas como as estrellas, Como as areias do mar.
Meu amor se andas perdido Sem saber quem te perdeu, Nos meus olhos tens a escada Por onde se sobe ao céu.
Como a rosa desfolhada Vae boiando na corrente, O meu pensamento vôa Para ti constantemente.
Se eu soubesse que te rias Quando eu suspiro e dou ais, Tirava os olhos da cara Para nunca te ver mais.
Quando foi á despedida, Quando te apertava a mão, Dobrou o sino a finados, Morria o meu coração.
Quando eu morrer vae á cova Sobre o meu corpo chorar, Que ao sentir que por mim chamas Hei de aos teus braços voltar.
Não te faças tão esquiva, Não digas que me não queres, Que eu por mal de meus peccados Bem sei o que são mulheres.
Se tu suspiras, suspira Cá dentro o meu coração; Se tu choras, tambem choro, Vê lá se te quero ou não.
Mandei lêr a minha sina, E a sina me respondeu Que um triste fugir não póde Á sorte que Deus lhe deu.
Sonhos d’amor e ventura Quando tornareis a vir? Só se fôr na outra vida Quando d’esta me partir.
Se souberes que estou morto Não te ponhas a chorar, Mais vale acabar a vida Do que viver a penar.
Teu corpo é feito de cêra, Tão tenrinho que mais não; Amor, quem t’o derretera Ao calor do coração!
Teus olhos são mais escuros Do que a noite mais fechada, E apesar de tanto escuro Sem elles não vejo nada!
=Sebenta= (Fado da)
Composto por D. Laura Escrich e offerecido á Tuna academica de Coimbra, em 1899, a proposito de se celebrar n’aquella cidade o centenario da Sebenta, hilariante festa escolar promovida e realizada pelos alumnos da Universidade.
A Sebenta é, como se sabe, a synopse, redigida por um estudante e adquirida pelos outros, da prelecção feita pelo professor em cada cadeira.
Tradição universitaria, tem resistido á troça dos estudantes e á opposição de alguns lentes.
Em 1852 escrevia o dr. Adrião Forjaz, da faculdade de direito:
«Continuarão as _sebentas_? quer dizer continuará a trocar o maior numero de alumnos juristas o indispensavel estudo dos seus compendios e das obras magistraes, que os elucidam, pela tomada de cór d’uma papeleta, que o agiota-alumno autographou á pressa dos apontamentos tomados durante a exposição do professor? Receamos que a molestia não diminua. Ajuda-a grande numero de empresarios, a preguiça que favorece em muitos dos alumnos, e a falta talvez d’uma combinação e energica decisão dos professores.»
Referindo-se ao prematuro fallecimento da auctora d’este _Fado_, dizia a folha lisbonense, _O Dia_, no seu numero de 12 de novembro de 1902:
«Ha existencias affastadas e calmas, tão serenas que parecem ter direito a que a desgraça as esqueça.
«A senhora que acaba de fallecer, loura, elegante e distincta, com trinta e cinco annos apenas, tinha uma vida de grande simplicidade e dedicação--iamos quasi a dizer d’heroismo.
«Só com sua mãe, uma senhora de altas virtudes e raro caracter, trabalhava incessantemente, para que no seu lar houvesse o agasalho sufficiente a uma senhora de cabellos brancos, que n’um momento via partir-se-lhe dolorosamente o coração. A morte leva-lhe assim, inesperadamente, a sua unica filha!
«A sr.ᵃ D. Laura Escrich, filha do sr. Frederico Alexandre Meiners, allemão, ha muito tempo no Rio de Janeiro, vivia entregue ás suas licções de pintura, em que era distinctissima, adorada pelas suas discipulas. Compunha tambem valsas e musicas de grande harmonia e valor.
«Cinco dias bastaram para espesinhar e dispersar toda esta existencia de serenidade e trabalho. Hontem ás 11 horas bruscamente morria. Curvemo-nos perante a grande Dôr d’aquella que viu ao mesmo tempo morrer-lhe nos braços a filha e com ella fenecerem-lhe as ultimas esperanças de felicidade na terra.»
=Sebenta= (Fado da)
É a _serenatella_ do «_Auto da sebenta_», composta pelo estudante Candido de Viterbo.
Veja-se o que dizemos a este respeito no capitulo V, quando tratamos dos _Fados_ litterarios.
=Sello= (Fado do)
Referindo-se á romaria do Senhor da Serra, em Bellas, anno de 1902, dizia o _Diario de Noticias_, de Lisboa:
«Dançou-se animadamente durante a tarde, em varios sitios da quinta, não deixando tambem de ouvir-se um ou outro cantador de fado, que ao som do «pianinho» largava a sua cantiga mais ou menos engraçada, como a que segue:
Eu não sei cantar o fado Pois que não tenho capello, E p’ra largar a piada Não quero pagar o sello.»
É possivel que o cantador enfiasse outras quadras allusivas ao mesmo assumpto. Mas esta basta como prova de que o _sello_ já entrou alguma vez nos dominios do _Fado_.
=Sem nome= (Fado)
Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.
=Sentimental= (Fado)