A triste canção do sul (subsidios para a historia do fado)

Part 12

Chapter 123,508 wordsPublic domain

No mar, no fundo, etc.

E padece outras alterações, que facilmente podiam ter sido evitadas.

[102] Tambem publicado, com a lettra, nos _Cantos populares_ editados no Porto por Eduardo da Fonseca.

[103] Tambem vem publicado na 2.ª série de _Cantos populares_, Porto, editor Eduardo da Fonseca.

[104] Consegui reunir na minha modesta livraria 24 volumes sobre a poesia popular das nações da Europa. Estimo muito esta collecção, não só porque não é facil juntal-a, mas porque n’ella encontro bellezas que deixam a perder de vista muitos poetas cultos e gloriosos.

[105] No jornal _A Chronica_, n.º 68, do 3.º anno.

VI

Bibliographia musical do Fado

É quasi impossivel coordenar um catalogo completo dos _Fados_ (musica) hoje mais ou menos vulgarisados em Portugal.

Succedem-se uns aos outros. Apparecem, alguns d’elles gosam de certa popularidade, e demoram-se até que um novo _Fado_ lh’a roube ou pelo menos cerceie; outros não encontram ecco no gosto publico, passam e esquecem rapidamente.

O catalogo alphabetico, que em seguida publicamos, abrange, ainda assim, mais de 100 _Fados_.

As indicações bibliographicas, que pudemos reunir, são por vezes deficientes, mas algumas não deixarão de ser interessantes.

De muitos _Fados_ se ignora o nome do auctor.

A este respeito baldamos longas pesquizas e aturados esforços, mas tivemos de resignar-nos a mencionar apenas o titulo dos _Fados_ por não haver meio de descobrir quaes foram os seus auctores.

É possivel que, n’uma nova edição, logrêmos preencher algumas lacunas.

Sempre que dissermos _Fados_, deve entender-se que são as composições musicaes d’este nome; quando se trata apenas da cantiga ou lettra, temos o cuidado de o fazer sentir para evitar equivocos.

Como entre a entrega do manuscripto ao editor e a publicação do livro mediaram largos mezes, pudemos addicionar a este capitulo alguns fados que foram publicados ou reeditados entretanto; bem como a noticia de outros que chegaram ao nosso conhecimento, e varias indicações que encontramos na imprensa relativas ao assumpto.

* * * * *

Posto isto, segue o catalogo.

=Açoriano= (Fado)

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

=Albertina= (Fado)

Editor Raul Venancio, rua do Ouro, Lisboa.

=Alcantara= (Fado d’)

O sr. Fernando Diniz, professor lisbonense de guitarra, recolhe todos os _Fados_ que vae ouvindo.

Possue uma collecção de mais de 60, mas não sabe o nome dos auctores de muitos d’elles.

Só por este colleccionador é que tive noticia do _Fado d’Alcantara_.

=Alegre= (Fado)

Auctora, Theodolinda E. Silva.

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Algarve= (Fado do)

Musica de Alberto de Moraes; lettra de Bernardo de Passos.

Lettra:

Meu doce fado, és tão triste Como á noite a voz do mar; Tão triste, que a quem te canta Dás vontade de chorar.

Eu não sei quem fez o fado, Mas tenho d’isto a certeza: Quem lhe deu esta tristeza, Amou e não foi amado.

Se um dia a trança te ardesse Nas chammas do teu olhar, Nem talvez todo o meu pranto Pudesse o fogo apagar.

Nada maior do que o ceu, Que é immenso como o espaço, Pois o ceu cabe em teus olhos E tu cabes n’um abraço.

Teu chorar é uma aurora E dizes que soffres tanto... Mais triste do que o teu pranto É meu rir a toda a hora.

Nos braços da cruz morreu Por sina o proprio Jesus. E eu morro longe dos teus, Sendo tu a minha cruz.

Editores d’este _Fado_: Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

=Alijó= (Fado de)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Amanhã= (=O=) Fado.

Este _Fado_ era cantado pelo actor Queiroz na revista do anno de 1895, _Retalhos de Lisboa_, por Eduardo Schwalbach Lucci.

Foi lithographada a musica na officina da rua das Flores, 13, Lisboa.

Basta citar uma ou duas copias para dar idéa da intenção do titulo:

De navios é preciso Nossa esquadra guarnecer. Amanhã se trata d’isso, Hoje ha muito que fazer.

É força tomar juizo, As finanças recompor. Hoje não, oh que maçada! Amanhã, se faz favor.

=Amphiguri= (Fado)

Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 49.

=Anadia= (Fado)

Este _Fado_ nem foi composto pelo penultimo conde de Anadia, como muita gente suppõe, nem teve por berço a villa da Anadia.

Testemunha contemporanea (o fallecido Severo Ernesto dos Anjos) contou-me uma vez que o titulo d’este _Fado_ lhe adveio de ter sido offerecido em Lisboa áquelle titular por um musico, de que me disse o nome, que infelizmente esqueci.

Vem publicado no 5.º fasciculo do _Cancioneiro de musicas populares_, e ahi se diz que «é uma das musicas no estylo moderno, do genero, mais distincta e não monotona.»

Incluido nas collecções das casas Lambertini, Sassetti, etc. de Lisboa, e da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

O conde de Anadia viveu na bohemia elegante, mas não cantava o _Fado_, e supponho que não tocava guitarra.

=Antonino= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Armada= (Fado da)

Este _Fado_ foi aproveitado por Freitas Gazul na revista de Souza Bastos _Sal e pimenta_. Cantava-o actriz Carmen Cardoso, applicando-lhe quadras allusivas aos vehiculos do empresario Jacinto, que então faziam carreiras nas ruas de Lisboa. Por este motivo se lhe ficou chamando tambem _Fado do Jacinto_.

Vide _Jacinto_.

=Artilheiro= (Fado)

Vide _Fado Robles_.

=Até Chora!= (Fado)

Composição de Julio Neuparth.

=Atroador= (Fado)

Incluido na 1.ª série de _Fados_ da casa Sassetti, de Lisboa, e na collecção da casa Eduardo da Fonseca, do Porto.

=Ballada= (Fado)

Original de Militão Lucio Garcia Coelho, professor de piano em Lisboa.

=Beira= (Novo Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra, na sua collecção.

=Bohemio= (Fado)

De Reynaldo Varella. Editado no Porto, para piano, por Eduardo da Fonseca.

Lettra:

Guitarra, minha guitarra, Vamos correr esse mundo. Será, vendo-te a meu lado, Meu pesar menos profundo.

Quando eu gemer tu suspira, Sorrirás quando eu sorrir. Havemos assim, guitarra, Prazer e dor compartir.

Quando a saudade da amante Vier meus olhos turvar, Tu cantarás, e cantando Minha dor has de acalmar.

Entre as folhas orvalhadas Dormem as rosas e os lirios. Não dorme quem tem amores, Porque amores são martyrios.

=Branco e Negro= (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Brazileiro= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Brilhante= (Fado)

Canto nacional para piano por N. S. Propriedade do auctor. Lith. R. das Flores--Lx.ᵃ.

=Brisa= (=A=) Fado

Composição de Francisco Jorge de Sousa Bahia, professor de musica em Lisboa.

=Brisa e Rosa= (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Campestre= (Fado)

Incluido (com o n.º 23) na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti. Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 33.

=Cantadores= (Fado dos)

Incluido (com o n.º 22) na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

=Carmona= (Fado)

Incluido (com o n.º 20) na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti. Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 62.

=Carriche= (Fado de)

Pequena povoação da freguezia do Lumiar, arrabalde de Lisboa, Carriche é um sitio muito frequentado por occasião das esperas de touros, posto já o fosse mais, quando ali havia, ao fundo da calçada, o _Hotel de Nova Cintra_, com uma bella horta para comesainas ao ar livre. Hoje o dono do _Hotel_ veio estabelecer-se no Campo Grande. No sitio, apenas restam algumas tascas, que ainda assim fazem bom negocio em noitadas de touros, e que são habitualmente visitadas pelos saloios que ali passam.

=Cascaes= (Fado)

Muito vulgarisado. Incluido (com o n.º 18) na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti, e na collecção de 8 _Fados_ da casa Lambertini. Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 56.

Cascaes é a praia aristocratica de Portugal; a praia da côrte.

=Cascos de rolhas= (Fado de)

Incluido (com o n.º 27) na 3.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

=Casino Lisbonense= (Fado do)

Original de João Maria dos Anjos.

Veja pag. 68 d’este livro.

[Illustração: O guitarrista João Maria dos Anjos]

=Cega= (Fado da)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Cegos= (Fado dos)

Incluido (com o n.º 17) na 2.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

=Celta= (Fado do)

Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 72.

=Cezaria= (Fado da)

Este _Fado_ para guitarra foi dedicado por Ambrosio Fernandes Maia, como já dissemos, a uma rapariga de nome Maria Cezaria, continuadora das tradições fadistas da Severa.

A ella se refere a ultima das seguintes glosas de um _Fado_ moderno:

Quando a Severa cantava, Dizem os _faias_ antigos Que a pedido dos amigos Grande copasio empinava. Sem isso bem não cantava, Não _trinava_ com paixão; Mas se via um cangirão Dizia, ao som do fadinho: --Venha lá mais um copinho _D’esse vinho de tostão_.

E houve ainda outra _canaria_ Que tambem fazia o mesmo E bebia sempre a esmo, De fórma extraordinaria. Chamava-se ella Cezaria E era como a toutinegra, Que canta sempre com regra Tendo vinho ou agua-pé, Pois já dizia Noé: _Só o vinho nos alegra._

(Transcriptas do _Almanach da Severa_ para 1902).

Chegou! chegou!

O mesmo que _Fado Visconti_. Vide _Visconti_

=Chiado= (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Choradinho= (Fado)

O _Cancioneiro de musicas populares_ (fasc. 18) traz este popularissimo _Fado_ com a seguinte annotação: «Recolhido em Lisboa, em 1850. Este é um dos fados propriamente ditos, e dos mais antigos, por onde se moldaram outros muitos que posteriormente appareceram.»

Não ha duvida que é, chronologicamente, dos primeiros. Mas o primeiro decerto não foi. (Vide _Fado do marinheiro_). Bem podia elle ter estabelecido o typo d’este genero de canções a julgar pela sua grande espontaneidade de sentimento, singela e profunda. Todavia a designação de _Fado choradinho_ parece indicar que já havia outros, e que este se distinguia por um tom ainda mais plangente, d’onde lhe viera o nome. Em verdade, dir-se-ia um rosario musical feito de gemidos e suspiros.

O _Cancioneiro_ dá-lhe a lettra de algumas quadras populares, taes como esta:

Quem tiver filhas no mundo Não falle das malfadadas: Porque as filhas da desgraça Tambem nasceram honradas.

É claro que se lhe póde applicar qualquer outra lettra.

Este _Fado_ está vulgarisadissimo.

Em Lisboa anda nas collecções das casas Sassetti, Engestrom, Lambertini, etc.

No Porto, Moreira de Sá escreveu sobre elle variações para piano, para rabeca, bandolim ou flauta com acompanhamento de piano ou de violão e guitarra.

Em Lisboa, Rey Colaço tambem glosou o _Fado choradinho_; dizia o jornal _Novidades_, de 31 de janeiro de 1903:

«Foi agora posto á venda mais um trabalho do illustre pianista Rey Colaço, uma das mais poderosas organisações artisticas do nosso paiz. É um fado (choradinho), e, como todas as producções inspiradas na melopeia que é o caracteristico da nossa raça, esta de Rey Colaço é cheia d’uma melancolia de poente do outono, terna e triste como uma despedida.

«O delicioso fado, que é dedicado ao sr. Raul Lino e estampa no frontispicio a reproducção da casa portugueza que aquelle architecto anda a construir para Rey Colaço, está á venda em todos os armazens de musica.»

=Choramigas= (Fado)

Incluido (com o n.º 34) na 3.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

=Cigarreiras= (Fado das)

Incluido (com o n.º 26) na 3.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

=Cinira Polonio= (Fado)

É o nome da gentil actriz brazileira, que durante muitos annos viveu e representou em Portugal, e que está actualmente na sua patria.

Este _Fado_ foi recolhido pelo sr. Fernando Diniz (logar citado).

=Cintra= (Fado de)

Auctor, A. dos Santos Garcez.

=Coimbra= (Fado de)

Publicado no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 29.

Incluido (com o n.º 8) na 1.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

Collecção de fadinhos

(Vide _Fadinhos_).

=Corrido= (Fado)

O _Cancioneiro de musicas populares_ diz que este _Fado_ já era popularissimo em 1870, e dá-lhe a lettra de algumas quadras que andam na tradição oral.

Mas o _Corrido_ não é mais que o simples acompanhamento do canto.

Sobre este typo melodico teem sido bordadas muitas variantes por Alexandre Rey Colaço, Reynaldo Varella, Militão e outros, incluindo um compositor extrangeiro, Munier.

O _Fado corrido_ anda em todas as collecções.

=Cotovia= (Fado da)

Não sei o nome do auctor.

=Custodia= (Fado da)

Auctora, Custodia Maria. É antigo.

=Damas= (Fado das)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Desfalque=, =O= (Fado)

Cantado na revista do anno, _Agulhas e alfinetes_, de Eduardo Schwalbach Lucci.

=Dez mandamentos= (Fado dos)

Por uma referencia do livro _In illo tempore_, de Trindade Coelho, sabemos da existencia d’este fado: «um condiscipulo que nós tinhamos chamado Miguel Dias, que era doido por musica, e levava o tempo a tocar violão, e a cantar o fado dos _Dez mandamentos_».

=Diario de Noticias= (Fado do)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz, professor de guitarra.

=Dias de Souza= (Fado)

O sr. J. Dias de Souza é aspirante dos telegraphos no Porto, collaborador de varios jornaes, auctor de alguns fados e acompanhador, á viola, dos primeiros guitarristas portuenses.

Antonio Mouson não gosta de tocar sem ser acompanhado por elle.

Nascido no Porto, baixo e extremamente magro, Dias de Souza, que não conta mais de trinta e tantos annos, tem uma physionomia illuminada por uma dupla expressão de intelligencia e bondade.

=Domingos de Campos= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Eduardo Silva= (Fados)

1.º, 2.º e 3.º

Recolhidos pelo sr. Fernando Silva na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=Elegante= (Fado)

Nada pude apurar a respeito do nome do auctor.

=Elite= (Fado da)

Composição do sr. Carlos Stuart Torrie, actualmente residente em Lisboa, mas oriundo de uma familia portuense.

Este _Fado_, foi editado pelo proprio auctor, em 1900.

Tem segunda edição.

A lettra é do sr. Mattoso da Fonseca. Transcrevemos as primeiras trez quadras:

Morenas prendem á terra Na graça do seu sorriso. Louras levam-nos ao ceu, Aos sonhos do Paraiso.

Tens a candidez dos lirios, A graça das borboletas, A modestia dos martyrios, O pudor das violetas.

Através o veu subtil O seu olhar feiticeiro Brilha como o sol d’abril Em manhãs de nevoeiro.

=Estoril= (Fado do)

É o n.º 25 da 3.ª serie de _Fados_ da casa Sassetti.

O Estoril, sobre a linha ferrea de Cascaes, é hoje um dos sitios mais elegantes que a população de Lisboa procura para veranear. Possue lindos e numerosos _chalets_, um estabelecimento thermal, magnifico _hotel_, matta sombria, e uma excellente praia de banhos. Com o Mont’Estoril, S. João do Estoril e Parede, constitue actualmente uma nova serie de estações balneares, que se povoaram dentro de poucos annos, e que fazem grande concorrencia a Cascaes.

=Estudante= (Fado do)

Do seu auctor apenas sei que tem o appellido Leite.

=Estudantes= (Fado dos)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 56.

=Fadinho liró=

Composição de Francisco Jorge de Souza Bahia.

=Fadinhos= (Collecção de)

Auctor, Moraes. Esta collecção foi editada pela casa Moreira de Sá, no Porto.

=Fadinhos Portuenses=

Só a lettra, e sem valor litterario. Collecção publicada no Porto pela _Livraria Portugueza_, de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5. Conheço o fasciculo 2.º, que comprehende: Fadinho Brazileiro, Fado dos Amantes, Fado de S. Martinho, Fado do Caminho de Ferro. Transcrevemos este ultimo:

Da estação de _Lisboa_ Ao _Poço do Bispo_ salto, Vi os _Olivaes_ no alto, Mais _Sacavem_, cousa boa; Á _Povoa_ fui dar á tôa, De longe _Alverca_ avistei, De _Alhandra_ me aproximei, _Villa-Franca_ tambem vi, No _Carregado_ desci, Por _Azambuja_ passei; Eu vi do _Reguengo_ a ponte, E de _Sant’Anna_ tambem; Vi o _Valle de Santarem_, Mais de _Santarem_ o monte; _Valle de Figueira_ defronte, _Matto de Miranda_ a par, Fui _Torres-Novas_ passar, Parei no _Entroncamento_; De _Paialvo_ n’um momento A _Chão de Maçãs_ fui dar; De _Caxarias_--que tal? Na _Albergaria_ me puz; De _Vermoil_--catrapuz! Dei co’ os ossos no _Pombal_; A _Soure_ fui menos mal, P’ra _Formoselha_ voei, P’ra _Taveiro_ nem olhei, Em _Coimbra_ quiz descer; Depois de _Souzellas_ ver, Á _Mealhada_ cheguei; P’ra _Mogofores_ segui rumo, Eu vi do _Bairro Oliveira_; De _Aveiro_--que brincadeira! Para _Estarreja_ fiz fumo; Em _Ovar_ me puz a prumo, No _Esmoriz_ quiz saltar, Pelo _Espinho_ ali ficar, Quiz ver a _Granja_ primeiro, P’ra _Valladares_ fui ligeiro, Té que ao _Porto_ fui parar.

=Fado= (Novas cantigas do)

Por Jayme de Sá. É publicação anterior a 1882, e foi feita no Porto pelos editores Clavel & C.ᵃ, rua do Almada 119-123.

=Fado= (Um)

Vide Rey Colaço e _Fado plagiario_.

=Fado= (Um)

Para piano por D. Laura Gentil. Lisboa.

=Fado Nocturno=

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa.

=Fado Novo=

Auctor, Raymundo Varella.

=Fado Novo=

Na revista _Beijos de burro_, representada em abril de 1904 no theatro do Rato em Lisboa.

=Fado Serenata=

Pelo actor Roldão. Editora a livraria Avellar Machado; Lisboa. Vide _Sinhá_.

=Fados=

Rapsodia de _Fados_, para piano, composição do professor da «Tuna do Diario de Noticias», Augusto Machado. Dedicados á sr.ᵃ D. Maria Guerra Quaresma Vianna. Estão impressos, mas já antes haviam sido executados em publico.

=Fados=

Por Veterano. Só a lettra, publicada no Porto, em 1902. São cinco fados, contendo allusões pessoaes, como os seus titulos indicam.

=Fados=

Para piano, «escriptos expressamente para o «_Auto de Misericordia_», do Ex.ᵐᵒ Snr. Severim de Moraes, peça representada no Theatro D. Amelia, no sarau dos distinctos estudantes da Escola Polythecnica por A. Mantua».

São dois _Fados_. A lettra, como acima se diz, é de Severim de Moraes.

Do 1.º Fado:

Não te cances a estudar, Toma tento com a morte: Que passar ou não passar É tudo questão de sorte.

Do 2.º Fado:

Quando em noutes de luar Sósinha cantas o _Fado_, Ouve-se alguem soluçar No velho quarto do lado.

Sou eu que sonho acordado, Sou eu que estudo e versejo; Sou eu que em sonhos te vejo, Ó dona do triste _Fado_.

=Fados modernos= (Collecção de)

Só a lettra, e sem valor litterario. Publicada no Porto pela _Livraria Portugueza_ de Joaquim Maria da Costa, Largo dos Loyos, 5. Contém:

Fado dos janotas (primeira parte), fado do adeus do degredado, fado do verdadeiro amor, fado da velha presumida, fado do pescador, fado do cego e o cão.

Fado do meu coração (segunda parte), fado do medo da trovoada, fado do beijo, fado do pastor, fado do meu anjo.

Fado da saudade (terceira parte), fado de Lisboa, fado da minha guitarra, fado do engeitado, fado da donzella e o espelho, fado do pastor.

Fado do exercito (quarta parte), fado do ramalhete, fado da ultima vontade, fado das tesouras, fado dos ladrões, fado das guitarras.

Fado do noivado (quinta parte), fado do meu desejo, fado do amor, fado do escravo, fado d’um baptisado, fado dos padeiros.

Fado dos animaes (sexta parte), fado do que eu amo, fado do jantar, fado das cosinheiras, fado das torradinhas.

Fado do engeitado (setima parte), fado dos dois esposos, fado da mulher, fado das eleições, fado do casamento, fado do bebado.

Fado das aves (oitava parte), fado do leque, fado da desgraçada, fado do desafio, fados das fructas.

Não sei se n’esta mesma collecção ou n’outra, da mesma casa, anda a lettra dos seguintes Fados: Do Marquez de Pombal, de Luiz de Camões, da Portugueza, da Deusa Venus, Lisboeta, Bréjeiro, do Exercito, Descriptivo, Tripeiro, da Maia, etc.

Estes dois ultimos já se vendiam (1884) na antiga _Livraria Civilisação_, do Porto, rua de Santo Ildefonso.

É curioso que no texto de qualquer dos dois _Fados_ não haja nenhuma composição que justifique o titulo.

Sob a designação de _Fadinho Tripeiro_ estão incluidos:

A joven seduzida, A phylloxera, Não posso deixar de amar, Poucos se affastam do vicio; e sob a designação _Fadinho da Maia_: O mendigo, A miseria, Não chores! As criadas de servir.

Vide _Fadinhos Portuenses_.

=Fados modernos=

Collecção de 99 cantigas sob o titulo--_A Guitarra d’ouro_. Collaboração de Augusto Garraio, Luiz de Athaide, Luiz d’Araujo, Joaquim dos Anjos, Armelindo Veiga, Baptista Diniz, A. Roldão, Carlos Harrigton, Celestino da Silva, Coimbra Lobo, Dupont de Souza, Eduardo Fernandes, Ernesto Varella, Feliciano Correa, J. Rodrigues Chaves, Julio Dumont, J. I. d’Araujo, Penha Coutinho, Salomão Guerra e F. Napoleão de Victoria.

=Figueira da Foz= (Fado da)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 28.

É o n.º 2, com o epitheto de «rigoroso», da 1.ª serie da casa Sassetti.

Tambem publicado pelas casas Engestrom e Lambertini, de Lisboa; e Eduardo da Fonseca, do Porto.

=Fonte da Sereia= (Fado da)

É o n.º 6 da Collecção do estudante Candido de Viterbo.

Editora, a viuva Paula e Silva, Coimbra.

A Fonte da Sereia, que deu o titulo a este _Fado_, pertence á bella Quinta de Santa Cruz em Coimbra.

Hoje construiu-se n’essa magnifica vivenda d’outr’ora um bairro novo, mas crèmos que a _Fonte da Sereia_ subsiste de pé.

=Furnas= (Fado das)

Musica de Alberto de Moraes; lettra de Candido Guerreiro.

Este _Fado_ deve ser de inspiração michaelense, porque o valle das Furnas é o sitio mais bellamente pittoresco da ilha de S. Miguel.

=Garoto= (Fado do)

Lettra e musica de D. Ernestina Leite.

D’este _Fado_, bem como do anterior, são editores Benjamin & Filgueiras, Lisboa.

=Gato= (Fado do)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 63.

É o n.º 6 na 1.ª serie da casa Sassetti.

O mesmo que _Fado Taborda_. Vide _Taborda_.

=General Boum=

O n.º 14 na 2.ª serie da casa Sassetti.

_General Boum_ é o nome de uma das personagens da operetta _A Gran-Duqueza de Gerolstein_.

=Graça= (Fado)

A justificação do titulo está no facto de ter sido dedicada esta composição ao sr. Silva Graça, proprietario e director do jornal _O Seculo_.

=Guitarra= (A) =d’Almaviva=

Canções da plebe (collecção de _Fados_, cantigas) por Adelino Veiga. Porto, 2.ª edição, 1882.

=Hylaria= (Fado da)

Publicado pela casa Engestrom; Lisboa.

=Hylario= (Fado ao)

Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 229.

=Hylario= (Fados do)

Veja-se o cap. V d’este livro, pag. 225.

=Jacinto= (Fado do)

Veja-se _Armada_.

Jacinto era o nome do empresario de uns vehiculos, que faziam carreiras nas ruas de Lisboa. Como os _Ripperts_, a empresa resistiu por muito tempo, e ainda mais do que elles, á concorrencia dos carros americanos.

Esta resistencia tornou-se celebre pela tenacidade, apesar da pesada contribuição que a camara municipal impoz ao Jacinto.

Por fim, a sua empresa seguiu o exemplo dos _Ripperts_ e deixou-se absorver pela companhia dos americanos, com a qual se fundiu.

Agora vieram os carros electricos e metteram os americanos n’um chinelo, como estes tinham mettido os _Ripperts_ e os _Jacintos_.

É a lei do progresso: _Celi tuera cela_.

=Janotas= (Fado dos)

Auctor, J. R. Cordeiro.

=João Blach= (Fado)

Recolhido pelo sr. Fernando Diniz na sua collecção, manuscripta, de _Fados_.

=João de Deus= (Fado)

Incluido no _Cancioneiro de musicas populares portuguezas_, fasciculo 73.

=João e Helena= (Fado)