Chapter 3
[19] D'esta obra, ainda inedita, existe um manuscripto no Museu Britanico, ms. add. 16255; d'elle foi feita uma copia actualmente depositada na Bibliotheca Nacional de Lisboa. A _Vida de Takla Haymanot_ está t. I, fol. 92, _v_ a 104, _r_.
[20] Almeida, _Historia de Ethiopia a alta,_ t. I, fol. 92, _r_ e _v_.
[21] No manuscripto ha evidentemente uma lacuna; a traducção da passagem correspondente do texto geez é: «E um dia Fremenatos disse a Embaram: Ó meu senhor, eu na verdade admiro os vossos usos da gente de Ethiopia; a circumcisão e a crença de Christo existe entre vós; mas o baptismo e o receber da communhão não existem. E Embaram disse a Fremenatos: A circumcisão na verdade trouxeram os Levitas, nossos paes, e a crença trouxe o eunucho da rainha Hendake; e para dar o baptismo e ministrar a communhão não nos foi enviado apostolo. Mas eia, vae tu ao arcebispo, e recebe d'elle a ordenação para seres nosso apostolo.» (_Gadla Takla Haymanot_, cap. IV; ms. aeth. c. 3 da Bibliotheca Bodleiana, fol. 3, _v_).
[22] Em geez este nome é escripto _Motalame_. Dillmann (_Chrestomathia aethiopica_, p. 177) conjectura que este nome é derivado do verbo arabico _lama_ (brilhar); Basset (_Études sur l'histoire d'Éthiopie_, p. 231) o compara com a palavra arabica _musalama_ (dada, concedida); Conti Rossini (_Il Gadla Takla Haymanot_, p. 32, nota 3) julga que o mesmo nome é uma palavra cuxita. Em um hymno em honra do rei Amda Seyon (Guidi, _Le canzioni geex-amariña_, VIII. v. 27) um principe de Damot, inimigo d'aquelle rei, tem o nome de _Mot lami_. Em galla a palavra _moti_ significa rei (Cecchi, _Da Zeila alle frontiere del Caffa_, t. III, p. 229), mas esta palavra é provavelmente de origem cuxita, tomada de uma das linguas falladas nas regiões situadas ao sul de Ethiopia. A palavra _Motalame_ é talvez por _Mot Alame_, e _Alame_ por _Alamale_ (_Historia das guerras de Amda Seyon_, ed. Perruchon, p. 10, l. 16), e esta é o nome de um antigo reino situado ao sul de Xava, a oeste de Vaj, e a leste de Hadya. (Conti Rossini, _Catalogo dei nomi propri di luogo dell'Etiopia_, p. 14). Assim _Motalame_, que o escriptor abexim tomou por um nome proprio, significaria simplesmente _rei de Alamale_.
[23] «Muitos dos [Religiosos de Ethiopia] que professam vida eremitica, vestem pelles escodadas tingidas de amarello, ou pannos da mesma cor.» (Tellez, _Historia geral de Ethiopia a alta_, liv. I, cap. XXXIV).
O monachismo christão de Ethiopia foi, segundo é tradicção, propagado do Egypto; comtudo em algumas peças de vestuario não póde deixar de se reconhecer a influencia hindu.
O habito dos monges hindus compõe-se de tres peças de vestuario, que são simples pedaços de tecido de algodão tingidos de amarello.
[24] No manuscripto falta o numero, que segundo o texto geez era de quarenta e cinco centos de centos (450000). (_Gadla Takla Haymanot,_ cap. LXIII).
[25] «Aschema he como Escapulario; e parece que aquelles primeyros Monges [os nove Santos], como eram Gregos, lhe chamaram Asquema por ser _tamquam schema Monachismi,_ que he a divisa de Monge. Porque quasi todos os Monges de Ethiopia andam vestidos, como cada um pode, e lhe parece; mas em trazendo aquelle escapulario, que he feyto de correyas brandas, e bem curtidas, sam avidos por Macarios, e Pachomios.» (Tellez, _Historia geral de Ethiopia a alta_, liv. I, cap. XXXIII). «Asquema he huma transinha de tres tiras de couro ordinario, e vermelho, as quays lançadas ao pescoço se rematam em huma argolinha de ferro, ou cobre, que trazem em huma correya, com que se cingem.» (Tellez, _op. cit._, liv. I, cap. XXXIV).
A palavra _askema_, em syriaco _askema_, em arabe _askim_, do grego _schema_, designa em particular a _estola angelica_, que segundo é tradicção um anjo deu a S. Antam, principe dos monges do Egypto, e que por elle foi deixada a seu successor, como superior do seu mosteiro, em signal da sua dignidade. (Dillmann, _Lexicon linguae Aethiopicae_, c. 752; Brun, _Dictionarium Syriaco-Latinum_, p. 25; Vansleb, _Histoire l'église d'Alexandrie_, p. 42). Esta _estola_, que em copto tem o nome de _marchnoh_, foi depois usada por todos os monges da ordem de S. Antam, e por ella se distinguiam dos outros monges. (Peyron, _Lexicon linguae Copticae_, p. 104). Mas segundo o testemunho de Maqrizi (_Khitat_, t. II, p. 508) e do Padre Sicard (_Nouveaux memoires des Missions dans le Levant_, t. V, p. 150) a _estola angelica_ ou _askim_ tinha forma muito differente do _askema_ usado pelos monges Abexins. (Evetts, _The Churches and Monasteries of Egypt, attributed to Abu Salih_, p. 164, nota 1).
A forma do _askema_ usado pelos monges de Ethiopia é muito semelhante ao cordão usado pelos Brahmanes. «A todos aquelles [tres] espiritos regentes do mundo [os Brámenes] fazem como filhos da primeira causa [filhos de Deus], e participantes da sua divindade, e per honra, e culto supersticioso dos tres, que dissemos, traz cada Brámene hum tiracollo de tres fios atados, e rematados em hum só nó.» (Lucena, _Historia da vida do Padre S. Francisco de Xavier_, liv. II, cap. XI)