Viagens na Minha Terra (Volume I)
Chapter 11
Capitulo XIII.--Dos frades em geral.--O frade moralmente considerado, socialmente e artisticamente.--Próva-se que é muito mais poetico o frade do que o barão.--Outra vez D. Quixote e Sancho Pansa.--Do que seja o barão, sua clasificação e descripção linneana.--Historia do castello do Chucherumello.--Erro palmar de Eugenio Sue: mostra-se que os jesuitas não são a cholera-morbus, e que é preciso refazer o 'Judeu errante'--De como o frade não intendeu o nosso seculo nem o nosso seculo ao frade.--De como o barão ficou em logar do frade, e do muito que n'isso perdémos.--Unica voz que se ouve no actual deserto da sociedade: os barões a gritar contos de réis.--Como se contam e como se pagam os taes contos.--Predilecção artistica do A. pelo frade: confessa-se e explica-se ésta predilecção. 121
Capitulo XIV.--Emendado emfim de suas distracções e divagações, prosegue o A. direitamente com a historia promettida.--De como Fr. Diniz deu a manga a beijar a avó e á neta, e do mais que entre elles se passou.--Ralha o frade com a velha, e começa a descubrir-se onde a historia vai ter. 133
Capitulo XV.--Retrato de um frade franciscano que não foi para o depósito da Terra-sancta, nem consta que esteja na Academia das Bellas-Artes.--Ve-se que a logica de Fr. Diniz se não parecia nada com a de Condillac.--Suas opiniões sôbre o liberalismo e os liberaes.--Que o podêr vem de Deus, mas como e paraquê.--Que os liberaes não intendem o que é liberdade e egualdade; e o para que eram os frades, se fossem.--Próva-se, pelo texto, que o homem não vive so de pão, e pergunta-se o de que vivia então Fr. Diniz. 147
Capitulo XVI.--Saibamos da vida do frade.--Era franciscano porquê?--Dos antigos e dos novos martyres.--Alguns particulares de Fr. Diniz antes e depois de ser frade.--Emigração.--Explicação incompleta.--De como a velha tinha perdido a vista, e Joanninha o riso.--Sexta feira dia aziago. 155
Capitulo XVII.--De como, chegando outra sexta-feira e estando a avó e a neta á espera do frade, este lhe appareceu, contra o seu costume, da banda de Lisboa.--Por que razão muitas vezes a mais animada conversação é a que mais facilmente pára e quebra de repente.--Nova demonstração de dois grandes axiomas dos nossos velhos, a saber: Que o hábito não faz o monge; e que ralhando as comadres se descobrem as verdades.--No ralhar da velha com o frade, levanta-se uma ponta do véo que cobre os mysterios da nossa historia. 171
Capitulo XVIII.--Descobre-se que ha grandes e espantosos segredos entre o frade e a velha--Piedosa fraude de Joanninha.---Lucta entre o hábito e o monge. 181
Capitulo XIX.--Guerra de postos avançados, Joanninha no bivac.--De como os rouxinoes do valle se disciplinaram a ponto de tocar a alvorada e a retreta.--Quem era a 'menina dos rouxinoes,' e porque lhe poseram este nome.--A sentinella perdida e achada. 191
Capitulo XX.--Joanninha adormecida--O demi-jour da coquette.--Poesia do Flos-sanctorum.--De como os rouxinoes accompanhavam sempre a menina do seu nome; e do bem que um d'elles cantava no bivac.--Retratto esquissado á pressa para satisfazer ás amaveis leitoras.--Pondera-se o triste e pessimo gôsto dos nossos governantes em tirarem as honras militares ao mais elegante e mais nacional uniforme do exército portuguez.--Em que se parece o auctor da presente obra com um pintor da edade-média.--De como os abraços, por mais apertados que sejam, e os beijos, por mais interminaveis que pareçam, sempre teem de acabar por fim. 203
Capitulo XXI.--Quem vem lá?--Como entre dous litigantes nem sempre gosa o terceiro.--Carlos e Joanninha n'uma especie de situação _ordeira_, a mais perigosa e falsa das situações. 215
Capitulo XXII.--Bilhete de manhan da prima ao primo. Inganam a pobre da velha.--Noite mal dormida.--Da conversa que teve Carlos com os seus botões.--A Joanninha que elle deixára e a Joanninha que achou.--Obrigações d'amor, triste palavra.--A mulher que elle amava, e se elle a amava ainda.--Quesitos do A. aos seus benevolos leitores. Declara que com os hypocritas não falla.--Quem hade levantar a primeira pedra?--Dous modos differentes de acudir uma coisa ao pensamento. 225.
Capitulo XXIII.--Continúa a accudir muita coisa vaga e incontrada ao pensamento de Carlos.--Dança de fadas e duendes.--Fr. Diniz o fado-mau da familia.--Veremos, é a grande resolução nas grandes difficuldades.--Carlos poeta romantico.--Olhos verdes--Desafio a todos os poetas moyen-ages do nosso tempo. 235.
Capitulo XXIV.--Novo Génesis.--O Adam social muito differente do Adam natural.--Carlos sempre um por seus bons instinctos, sempre outro por suas más reflexões.--De como Joanninha recebeu o primo com os braços abertos, e do mais que entre elles se passou.--Dor meia dor, meia prazer. 247.
Capitulo XXV.--O excesso da felicidade que aterra e confunde tambem.--Pasmosa contradicção da nossa natureza.--De como os olhos verdes de Joanninha se inturvaram e perderam todo o brilho.--Que o coração da mulher que ama, sempre advinha certo. 261.
Notas. 275.
Notas:
[1] Chamavam assim por escarneo, em Portugal, ao general Loison a quem faltava um braço.
[2] Célebre urso do Jardim das Plantas em París.
[3] Pag. 40, 41, 42.
Lista de erros corrigidos
Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:
+----------+--------------------+--------------------+ | | Original | Correcção | +----------+--------------------+--------------------+ |#pág. 3| venceder | vencedor* | |#pág. 15| Cervantos | Cervantes | |#pág. 18| morachão | marachão* | |#pág. 40| esperavava | esperava | |#pág. 41| maldadades | maldades | |#pág. 62| café | harem* | |#pág. 89| tinha-ânimo | tinha ânimo | |#pág. 95| esquerlo | esquerda | |#pág. 97| um historia | uma historia | |#pág. 106| toda o movimento | todo o movimento | |#pág. 118| trababalho | trabalho | |#pág. 126| conte | conter* | |#pág. 129| aeronantas | aeronautas* | |#pág. 134| paasos | passos | |#pág. 163| memoraval | memoravel | |#pág. 203| demij-our | demi-jour* | |#pág. 223| didireitas | direitas | |#pág. 228| as alagadiços | os alagadiços | |#pág. 240| infeitavam | infeitiçavam* | |#pág. 276| viagem | visita | |#pág. 286| em em logar frade | em logar do frade | |#pág. 288| d'ad'mor | d'amor | +----------+--------------------+--------------------+
* correcções feitas com base na errata do próprio livro.
Shakespeare e Rotschild surgem neste livro como Shakspeare e Rotchild respectivamente. Dada a repetitividade constante, decidi manter de acordo com o original.
Foram adicionados travessões onde a sua falta foi notada.
As indicações dos números de páginas que se mencionaram na secção de "Notas do Primeiro Livro" e "Índice", foram corrigidas para corresponder ao local correcto.
End of Project Gutenberg's Viagens na Minha Terra, by Almeida Garrett