Part 2
Temos a latrina de Pandora p'ra casos do aperto mais velhaco. Tambem ha a caverna de Caco mas vive n'ella, Agrippina, agora.
Á noute, luzes ha, de brancos ais, velas, tochas de pedantes, ais de luz agonisantes e mais outras lamparinas que taes.»
E tomando as reles pinturas allegoricas de todas estas hyperboles _semaphoricas_, com os recortes das figuras principaes, funambulas e grotescas e originaes, tudo no panellão deitaram em tropel.
_(Um poeta não tira os olhos do papel; e movendo a penna com rapidez electrica escreve, a serio, esta michordia phonetica.)_
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Então a musa Clio, que á festa presidiu, a palavra alterosa assim me dirigiu:
--«Neophito! acabas de penetrar os arcanos do saber que sómente dão os muitos annos. Não julgues porém tu, que sómente com isso, que não passa de bagaço e reles palhiço, conseguirás talvez hombrear os geniaes, altivos, sonorosos poetas actuaes.
Isso só consegues indo calçar ao ferrador, e dando muitos coices, com ataques de estupor, na grammatica mais na Lua, em Deus e na Razão. Descoberto este segredo serás um sabichão.»--
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Termina a festa. Apollo empunha a lyra d'ouro e, soltando aos ares o seu cabello louro, dedilha, debruçado no instrumento qu'rido, o puro do fadinho, o popular, corrido.
E as musas dando á gambia, á canella, batem o fado em roda da panella.
Com zumbidos feios, torpes emanações, a grande panellada ferve em borbulhões lascivos de luxuria, quentes, abbaciaes, espalhando no espaço vapores sensuaes, emquanto que o Pegaso farto de pastar, como burro indecente, se poz a ornear.
V
Sabes leitor, o que é perder a noute no Penin, no Magina, ou nos Penachos? ou ir á Brazaliza, ou ao Dáfundo, Poço dos Mouros, ou Perna de Pau? Farta e boa ceia regada de briol, devorada em companhia feminina por ventura tu já exp'rimentaste? Já comeste bom mexilhão na Pincha, os beefs no Gallo, as iscas no Semellas? no Magina, nos Cestos, no Cunhal, bebeste já o fino de Bucellas?
Leitor: se nada d'isto tu tens feito mal pódes apreciar como se acorda depois d'uma tremenda borracheira. Emfim, nunca fizeste tal asneira... Pois sabe como fica um desgraçado depois da cama se ter levantado.
Os olhos parecem estar pegados e, mesmo após o serem esfregados, nunca ficam lá muito bem abertos. Ouvimos sons determinados, certos, exquisitos, raros, indefiniveis. Pelo estomago, sensações terriveis, quentes e causticas, effervescentes, e na barriga ruidos indecentes. Lingua sêcca; beiços intumecidos, e viscosos, pegados, e feridos. O nariz com cheiro acre, apimentado. Mesmo que se não tenha vomitado temos na bocca, como coiros rélhos, --um sabor especial a ferros velhos.--
Ahi tendes o lastimoso estado que encontro esta manhã, sendo acordado por um maldito burro d'um visinho.
Não imagines que hontem bebi vinho. Vaes ver o que em tal estado me poz; vaes ficar sabendo o nome do algoz:
--Este damninho sonho no Parnaso.--
E quem tem toda a culpa d'este caso é o poema moderno:
*VELHICE DO PADRE ETERNO*