Um contemporaneo do Infante D. Henrique
Part 5
Quanto ao primeiro cavalleiro do catalogo de Védouro, Alvaro de Almada, o _Justador_, não deixa de inspirar certa desconfiança a coincidencia de existirem na mesma época dois homens do mesmo nome e do mesmo vulto cavalheiresco.
Não será acaso Alvaro de Almada, o _Justador_, um desdobramento da individualidade de Alvaro de Almada, o conde de Avranches, por errada repetição de algum códice, nobiliario principalmente?
Talvez por descobrir este equivoco seria que José da Fonseca, na edição dos _Lusiadas_, feita em Paris em 1846, substituiu Alvaro de Almada, o designado _Justador_, por João Fernandes Pacheco, que no catalogo de Védouro figura como primeiro supranumerario.
A ter-se como certa a ida dos _Doze_ cavalleiros portuguezes a Inglaterra, o que não póde ter-se como certo, parece-me, é que Alvaro Vaz de Almada fosse um d'esses cavalleiros.
Elle, que foi armado cavalleiro em Ceuta em 1415, e que pela primeira vez estivera na Inglaterra em Janeiro d'esse anno, quando alli fôra levantar as trezentas e cincoenta lanças, não poderia tomar parte n'um torneio, que se teria realisado no fim do seculo anterior.
A sua inclusão na lenda dos _Doze_ explica-se, decerto, por ter sido um dos mais famosos cavalleiros portuguezes do seu tempo.
Sobretudo, as suas viagens e a sua morte em Alfarrobeira, que tanta impressão causou pelas circumstancias cavalheirescas que a revestiram, despertariam, na imaginação popular, o sentimento do maravilhoso. D'aqui talvez o associarem-n'o á lenda.
Mas Alvaro Vaz de Almada não precisa d'essa gloria, aliás duvidosa, porque sobeja gloria lhe adveio dos seus brilhantes feitos e singulares aventuras.
Na _Chronica_ de Monstrelet falla-se de um combate que, no anno de 1414, houve em França entre tres cavalleiros portuguezes e tres gascões: sendo o pretexto o amor das damas, comquanto o verdadeiro mobil fosse o odio que existia entre os francezes e os inglezes, de que os portuguezes eram então alliados.
Os portuguezes foram D. Alvares, D. João e D. Pedro Gonçalves[78]; e os gascões François de Grignols, Archambaud de la Roque e Maurignon.
O combate ter-se-ia realisado em Saint-Ouen, na presença do rei: Os portuguezes portaram-se com bravura, mas foram vencidos. Pudera! ou a versão não fosse franceza...
Desculpe, meu caro snr. Lugan. O orgulho das nações chega a ser uma cousa respeitavel.
Para fazer justiça ao valor dos seis campeões, foram passeiados, todos, pelas ruas de Paris, em triumpho, ao som de trombetas e acclamações enthusiasticas.
Ora estes tres nomes, mudado Alvares para Alvaro, correspondem justamente aos dos tres cavalleiros da familia Almada: o pai e os dous filhos.
E o appellido de Gonçalves poderá talvez explicar-se por confusão com o do _Magriço_, que, como sabemos, se chamava Alvaro Gonçalves (Coutinho).
Vimos como Alvaro Vaz de Almada fôra com seu pai a Inglaterra levantar armas para a guerra de Ceuta. Naturalmente tambem iria Pedro de Almada. O pai estava na côrte de Henrique V em setembro de 1414, como consta do _Quadro diplomatico_, e Alvaro ainda alli estava em Janeiro de 1415.
A commissão requeria brevidade, porque D. João I queria partir para Ceuta, e não me parece provavel que a familia Almada se demorasse então em França a combater gascões.
Mas é possivel.
O que é provavel é que Alvaro Vaz de Almada, e seu pai, e seu irmão, na Inglaterra, na França ou mesmo na Allemanha, onde Alvaro Vaz se encontraria mais tarde com o infante D. Pedro, praticassem, collectiva ou individualmente, algum feito galante em honra das damas, tomassem parte em qualquer dos torneios cavalheirescos, que eram n'aquella época frequentes.
Após o combate entre os tres portuguezes e os tres gascões, houve um duello entre outro portuguez e um cavalleiro bretão, de appellido La Haye, na presença de Carlos VI.
«Foram, diz Vulson de la Colombière, por ordem do rei igualmente honrados, comquanto se diga que La Haye obteve vantagem».
Reiffenberg dá noticia de que D. João I convidára muitos cavalleiros francezes para um torneio em Lisboa[79].
Era este o requinte da galanteria militar da época. Portanto Alvaro Vaz ou qualquer dos outros cavalleiros da sua familia bem poderiam ter praticado semelhantes proezas no estrangeiro, de 1414 a 1415, ou depois da tomada de Ceuta, quando se viram obrigados a emigrar.
Infelizmente, não posso precisar quaes fossem esses feitos cavalheirescos praticados por elle ou pelos seus.
Camões, na sequencia do episodio dos _Doze_, refere-se ao duello que o _Magriço_ teve com um francez, e ao desafio que um outro dos cavalleiros portuguezes tivera na Allemanha.
O cavalleiro francez morto, no campo, pelo _Magriço_ foi, segundo a tradição, mr. De Lansay.
O duello do outro portuguez com o allemão:
Outro tambem dos doze em Allemanha Se lança, e teve um fero desafio C'um germano enganoso, que com manha Não devida, o quiz pôr no extremo fio;
bem podia ser vaga recordação de alguma façanha de Alvaro Vaz quando combateu pelo imperador Sigismundo, embora essa façanha nenhuma relação tivesse com a lenda dos _Doze_. Mas, no poema, quando Velloso está n'este lance da narrativa, o mestre de bordo toca o apito, a manobra começa, as conversações na tolda interrompem-se.
Camões conta que Magriço não recolhera logo depois do torneio:
Mas dizem que comtudo o grão Magriço Desejoso de vêr as cousas grandes, Lá se deixou ficar, onde um serviço Notavel á Condessa fez de Frandes.
E Mariz, nos _Dialogos_, diz que tambem ficaram no estrangeiro, além de Magriço, mais dous, «fazendo taes obras em armas, que um d'elles alcançou de el-rei de França o condado de Abranches em França, pelas obras que em seu serviço fizera», e que este veio depois a morrer em Alfarrobeira.
Ora não foi o rei de França, mas o de Inglaterra, como já está dito, que deu o condado de Avranches a Alvaro Vaz de Almada. E, dizendo a lenda que o torneio dos _Doze_ se realisou em vida do duque de Lancaster, não podia Alvaro Vaz tomar parte n'elle, por não ser ainda nascido ou por estar ainda na primeira infancia.
Em conclusão, meu caro snr. Lugan:
Na formação das lendas, a imaginação popular não olha a anachronismos. Alvaro Vaz foi um cavalleiro famoso por seus feitos d'armas, pelo seu grande valor; combateu ao serviço de Inglaterra e em Inglaterra foi mais tarde agraciado: a lenda cavalheiresca dos _Doze_ envolveu-o portanto nos seus magicos véos, para nos servirmos de uma expressão de Pinheiro Chagas, sem attender á chronologia. Tambem em torno do infante D. Pedro se fórma a lenda das _sete partidas_, originada nas suas viagens. A imaginação popular não podia deixar de envolver no maravilhoso das tradições nacionaes estes Castor e Pollux do seculo XV, tão unidos moralmente, tão consubstanciados, na vida e na morte, por um estreito laço de relação historica.
* * * * *
Seria longo trabalho enumerar as menções e referencias que de Alvaro Vaz de Almada fazem tanto os escriptores portuguezes, como os estrangeiros que se têm occupado em estudar a historia do nosso paiz.
D'estes, alguns, Ferdinand Denis á frente, lamentam que tão pouco se saiba da vida do conde de Avranches. Um d'elles, que é dos que melhor conhecem a litteratura portugueza, mr. Francisque Michel, chega a escrever: «_Nous ne savons rien de sa vie_».
Quanto aos escriptores nacionaes, não quero, comtudo, deixar de citar Gomes Eanes de Azurara, porque escrevia em circumstancias verdadeiramente embaraçosas para elle. Azurara fôra encarregado por D. Affonso V de escrever a _Chronica do descobrimento e conquista de Guiné_. Por D. Affonso V, note-se, por D. Affonso V, que moveu o seu exercito contra o infante D. Pedro, e que tão severo se mostrou com todos os que combateram em Alfarrobeira ao lado do infante.
Azurara acabou de escrever a sua _Chronica_ em fevereiro de 1453, isto é, menos de quatro annos depois do deploravel acontecimento, quando ainda não estavam de todo apagadas as paixões politicas que lhe deram origem.
Pois, não obstante estas difficeis circumstancias em que se via collocado, Azurara, com louvavel hombridade, faz esta referencia a D. Alvaro Vaz de Almada:
«... batalha da Alfarrobeira, naqual o dicto iffante foe morto e o conde Dabranxes que era com elle, e toda sua hoste desbaratada, onde, se o meu entender pera esto abasta, justamente posso dizer, que lealdades dos homees de todollos segres (seculos) forom nada em comparaçom da sua. E postoque o serviço nom seja tamanho, quanto ao trabalho, segundo os que já disse, certamente as circonstancias lhe dam splandor e grandeza sobre todollos outros, cuja perfeita declaraçom remeto aa estorea geeral dos feitos do regno»[80].
D. Affonso V leu isto, que foi escripto na sua propria casa--_acabousse esta obra na livrarya que este Rey dom Affonso fez em Lixboa_--e sentiu, porventura, passar ainda por diante dos olhos o vulto d'esse cavalleiro fascinante, que elle quiz por força vêr quando D. Alvaro ia caminho da Ameeira, e que tamanha influencia exercia no seu juvenil espirito, que os inimigos do infante D. Pedro, quando o conde de Avranches regressou de Ceuta pela segunda vez, julgaram conveniente a seus fins levar o rei para Cintra, de modo a evitar nova entrevista.
Affonso V leu isto, e certamente lhe pesou na alma o remorso de ter cedido ás perfidas suggestões dos inimigos do infante.
As palavras que Azurara havia escripto, ficaram. O rei não as cancellou. O espirito de Affonso V fez justiça ao chronista e ao conde, conservando-as.
* * * * *
Tal era o homem, o heroe.
Elle bastaria por si só a caracterisar uma época, o occaso da idade-média em Portugal, se, a dous passos de distancia, os descobrimentos maritimos, promovidos pelo infante D. Henrique, não tivessem vindo relegar para o segundo plano do vasto quadro da civilisação universal todos os outros factos, e todos os vultos humanos que não collaboraram directamente n'essa colossal epopêa das aventuras maritimas.
Alvaro Vaz de Almada é até certo ponto prejudicado pelo esplendor de uma época gloriosissima, que marca o inicio dos tempos modernos. Eramos então tão felizes que sobejavam heroes, heroes de uma raça unica, inexcedivel, para todos os generos de celebridade. Mas a grandeza do vulto do conde de Avranches, podendo medir-se pela bitola dos maiores e melhores cavalleiros do cyclo medieval, tanto se abalisou nas tradições da Europa cavalheiresca, que não ficou de todo offuscada pelo esplendor da sua propria época.
Quando quizermos recordar o periodo aureo em que o espirito aventuroso dos portuguezes investia com as lendas tenebrosas do oceano, para rasgal-as com a prôa das caravellas descobridoras, e affrontava os perigos das explorações terrestres por sertões inhospitos, teremos que figurar na nossa imaginação o vulto do infante D. Henrique, de pé sobre o promontorio de Sagres, dominando o mar, que se lhe quebrava aos pés humilde como um leão vencido, e que, no seu eterno refluxo, ia levar a longinquas plagas o prestigio do nome portuguez.
Mas quando quizermos figurar a agonia extrema da cavallaria portugueza, quando quizermos procurar a chave de ouro que fechou, n'esta região do occidente, o periodo do valor militar, das aventuras galantes, da coragem no soffrimento, da dedicação na amizade, da abnegação na existencia e da heroicidade na morte, teremos que figurar o conde de Avranches, brandindo primeiro a lança, floreando depois a espada, no campo de Alfarrobeira, onde o infante D. Pedro era já cadaver, até que, extenuado, sentindo exhalar-se o derradeiro alento, cae sobre a terra da patria, offerecendo aos golpes dos adversarios o corpo que já podia menos do que a alma, e exclamando ao despedil-a: _Ora vingar, villanagem!_
Se o infante D. Henrique é o traço de união que para todo o sempre, emquanto se não perder a memoria das grandezas passadas com a existencia do ultimo homem, nos liga ao Oriente, cujas portas abrimos, cujos mares devassamos, cujos emporios vencemos, D. Alvaro Vaz de Almada é o vinculo eterno que nos prende ao Occidente cavalheiresco, ás tradições aventurosas do brio militar e do militarismo galante que foram, na Europa da idade-média, a suprema expressão da nobreza da alma humana.
Um, o infante, é a aurora do novo dia que começa a raiar para a humanidade do seculo XV, aurora resplendente de fulgurações prismaticas, de arreboes dourados, de rosicler cambiante.
O outro, o conde, é o occaso da idade-média, o sol-pôr de um seculo de feitos heroicos, de primores e gentilezas de cavalleiros intemeratos,--occaso opulento de tintas e de sombras grandiosas, em que a luz briga ainda com as trevas, affirmando na lucta o valor que certamente havia aprendido com os cavalleiros d'esse tempo.
Estes dous homens, o infante e o conde, são como uma dupla personificação da sua época, do momento de transição solemne em que a poesia das espadas, a epopêa das cavallarias errantes, que preparavam a alma humana para todas as concepções arrojadas e para todos os feitos destemidos, vai ceder o passo á quilha das caravellas e das naus, que iam em demanda do Oriente para trazel-o ás portas de Lisboa, estreitando as relações dos povos, desenvolvendo a navegação e o commercio, fomentando a industria pela abundancia de capitaes e pela exploração de novos mercados, pela nobilitação do trabalho, que não tardaria a deixar de ser um mister de escravos para converter-se n'uma applicação honrosa da actividade humana.
O infante e o programma, ainda então mal desenrolado, da transformação economica da Europa culta.
O conde é o livro, prestes a fechar-se, do espirito militar da idade-média, o ultimo clarão da cavallaria moribunda.
São uma época, estes dous homens. Completam-se um pelo outro.
Ora, no momento em que a cidade do Porto vai prestar uma grande homenagem collectiva ao infante Descobridor, que n'essa boa terra nasceu, e fazer resuscitar por alguns dias o periodo mais brilhante da nossa historia nacional, pareceu-me justo, agora o repito, recordar o vulto do homem que, ao lado de D. Henrique, synthetisa o seculo XV, a transição da idade-média para os tempos modernos, na historia de Portugal.
Tendo, meu caro snr. Lugan, de lhe enviar esta carta a tempo de poder ser publicada por occasião da festa centenaria do infante, fui obrigado a circumscrever-me a estreitissimos limites, e a passar rapidamente por acontecimentos que mereciam longa attenção.
Não é um trabalho litterario perfeito o que lhe mando, porque o fazel-o excederia os meus recursos e não caberia nos poucos dias de que pude dispôr. É, pois, uma simples carta, escripta ao correr da penna, sem preoccupações academicas, mas inspirada unicamente no desejo de corresponder á louvavel resolução do meu bom amigo e de, por minha parte, render homenagem ás glorias da minha patria.
Lisboa, 2 de fevereiro de 1894.
De V.
amigo muito affeiçoado
_Alberto Pimentel._
[1] Quando se queria elogiar a opulencia de alguem, dizia-se: É como Janeanez (João Éannes ou Annes).
[2] O snr. Oliveira Martins (_Filhos de D. João I_, pag. 87) confunde João Vaz de Almada com João Annes, que erradamente suppõe ter sido o pai de Alvaro Vaz de Almada.
[3] «Tavarez fait remonter les chevaliers de cette race au grand Janeanez d'Almada, qui occupa les offices les plus importants sous D. Pedro, puis sous son fils, et auquel ont dû les fortifications dont ce dernier monarque entoura _Lisbonne_». (_Portugal_, pag. 85).
[4] O valle por onde hoje se estende a Avenida da Liberdade.
[5] João Vaz de Almada teve um filho bastardo, do mesmo nome, que foi senhor de Pereira.
[6] Fernam Lopes, _Chronica d'el-rei D. João I_, cap. XXXIX.
[7] _Quadro diplomatico_, tom. I, pag. 283; tom. XIV, pag. 155-156.
[8] _Quadro diplomatico_, tom. XIV, pag. 172-173.
[9] _Ibid._, pag. 174.
[10] Esta preferencia explica-se pelo facto de João Vaz de Almada ir na qualidade de capitão-mór da cidade de Lisboa.
[11] «Rex Johannem Valascum de Almatina vocari fecit, cui dixit: «Cape signum Sancti Vicentii et, si potes, alteram civitatis partem ingrede, et si senseris barbaros fugam arripuisse arcemque reliquisse, signum in summo arcis pone». Ille mandato Regis parens, signum accepit et ad portam muri qui civitatem in duas partes dividebat, cum multis armatis eum sequentibus, venit; et quia clausa erat, illos eam ipsam rescindere monuit; illis vero rescindentibus, duo barbari qui remanserant, ut rerum exitum expectarent, ad murum accedentes, lingua castellana quam noverant dixere: «Nolite tantum laboris assumere, nos enim portam aperiemus et vobis aditum faciemus». Ubi fuit aperta Johannes Valascus, arcem ingressus, in altiori turre signum collocavit, etc.» (Matheus de Pisano, _Gesta illustrissimi regis Johannis de Bello Septensi_, 1460; _Inéditos da Accademia_, tom. I).
Henry Major copiou este episodio. _Discoveries of Prince Henry the Navigator._ London, 1877. Pag. 35.
[12] _Historia de Portugal_, vol. I, pag. 9.
[13] «E este Ifante (D. Affonso, fiiho do rei D. Duarte) foy ho primeiro filho herdeiro dos Reys destes Regnos, que se chamou Principe, porque atee elle, todoloos outros se chamaram Ifantes primogenitos herdeiros, etc.» (Ruy de Pina, _Chronica do sr. rei D. Duarte_, vol. I dos _Inéditos_).
[14] O _Nobiliario_ de Damião de Goes (Torre do Tombo, 21-B-26) falla de ferimentos; outro codice (Torre do Tombo, 21-F-17) diz--pancadas.
[15] O snr. João Teixeira Soares, artigo _Os doze de Inglaterra_, publicado na _Era nova_, pag. 458.
[16] _Historia serafica_, 1.ª parte, cap. XXIII.
[17] _Descripção de Portugal_, pag. 311.
[18] _Os filhos de D. João I_, pag. 87.
[19] «... esta cerimonia (a investidura de um cavalleiro) dava áquelle que iniciava um seu companheiro no culto do valor e da lealdade, uma certa influencia sobre o neophyto, que lhe ficava consagrando sempre respeito e affeição indissoluvel». (Pinheiro Chagas, _Historia de Portugal_, vol. II, pag. 147).
[20] Ferdinand Denis, _Portugal_, pag. 84.
[21] Torre do Tombo. Codice 21-F-17.
[22] Fernam Lopes, _Chr. d'el-rei D. João I_, cap. XCV.
[23] ... né au commencement du quinzième siècle...» (Ferdinand Denis, _Nouvelle biographie universelle_, tom. II, pag. 170). «Alvaro était né, selon toutes les probabilités, à peu près vers l'époque ou Joam Ier avait eu ses premiers fils». (Ferdinand Denis, _Portugal_, pag. 86).
[24] Suppomos ser o snr. Pinheiro Chagas a pessoa que, no _Diccionario popular_, escreveu o artigo relativo a Alvaro Vaz de Almada.
[25] Foi Pedro José de Figueiredo, mas parece que teve collaboradores. 1817.
[26] Artigo _Alvaro Vaz de Almada_, no _Diccionario popular_.
[27] A pedido de Alvaro Vaz, esta carta foi confirmada por outra do rei D. Duarte, dada em Almeirim a 5 de Janeiro de 1434.
O posto de capitão-mór da armada conservou-se depois nos Almadas descendentes do agraciado, até ao tempo de el-rei D. Sebastião, que d'elle fez mercê a D. Fernando de Almada, bisneto de Alvaro Vaz, por carta passada em Evora a 25 de agosto de 1573.
[28] Ruy de Pina, _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXIV.
[29] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXV.
[30] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXVI.
[31] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXXIV.
[32] Ruy de Pina, _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXXVI.
[33] _Portugal_, pag. 86, nota.
[34] _O infante D. Pedro_, chronica por Gaspar Dias de Landim, cap. XIV.
[35] Landim, mesmo capitulo.
[36] _Chronica do senhor rei D. Affonso V_, cap. XXXI.
[37] Pina, _Chronica do senhor rei D. Affonso V_, cap. XXXIV.
Era o _Limoeiro_. Este edificio havia sido Casa da Moeda, e depois palacio _dos infantes_, porque lhes era destinado. (Vêr _Noticias chronologicas da universidade de Coimbra_, por Francisco Leitão Ferreira, nas _Memorias da Academia Real de Historia_ relativas ao anno de 1729, pag. 206). Mas ficou por muito tempo o costume de designar o palacio pelo seu nome antigo: a _Moeda_.
[38] _Chronica_, cap. XXXVI.
[39] Torre do Tombo--Chancellaria de D. Affonso V, liv. 20, fol. 85 v.
[40] _Chronica_, cap. LXXI.
[41] _Elementos para a historia do municipio de Lisboa_, tom. I, pag. 322.
[42] _Diccionario popular_, artigo _Alvaro Vaz de Almada_.
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Ex Archivis in Turri London E rotulo Franciae, A.º 23.º Hen. 6, membrana 2.
Henricus dei gratia Rex Angliae et Franciae et dominus Hiberniae Archiepiscopis, Episcopis &c. salutem. Magnis efferendi sunt laudibus, singulari attollendi gloria, qui in Rei publicae salutem dies suos et vitam ipsam ferventi studio et animo indefesso conferre nituntur; qui de seipsis pericula faciunt pro aliorum quiete, qui egregiam famam et nomen immortale, prae coeteris mundanis rebus sitiunt, et foelices se praedicant dum communem utilitatem eorum operâ et fide adjutari posse arbitrantur: O foelicissimum genus hominum! sine quibus urbes, moenia, regna, dominia, mundi Principes, nec mundus ipse, incolumitate gaudere poterunt: O clarissimi et justi viri! quorum sancta dispositione virescunt virtutes omnes et florent, pulcherime effrenantur mali, praemuntur perversi; nemo est certe qui horum ingenuos animos aut literis contexere aut verbis affari dignâ laude poterit; de quorum numero insignis et nobilis animi vir et strenuus et splendidissimus miles DOMINUS ALVARUS DE ALMADAA dicendus et praedicandus est, qui ab ineunt suâ aetate, dum annos pueritiae excesserat, militiae gloriâ debaccatus, virtutum praemia et communem omnium salutem anelans, toto conanime et omni studio in armorum usum so conjecit, et cum aptiores Rei militares attigerat annos, adolevit strennitas sua cum aetate, itaq animo excellenti in omnem Rei publicae tuitionem crevit, ut nichil sibi dulce, acceptum aut desiderabile videbatur, si pro communi bono non fuerit institutum; adeo sua pro virili bellorum descrimini insudavit forti animo, et pacis tranquilitati consilio, quod suo jure praemia debentur suo labori: propterea nos animadvertentes nobilitatem et animi dicti viri egregiam dispositionem, quae suis gestis adjunctae magnum efficiuntornamentum, nec non ingentia facta quae non tantum tempore regni celeberimae memoriae Christianissimi Progenitoris nostri verum etiam cumulum amoris servitii et meritorum quae nobis regnisq exhibuit nostris, ipsum in militem ac socium et fratrem de GARTERIA EX unanimi consensu societatis ejusdem elegimus et realiter investivimus: eundem etiam Dominum ALVARUM ex nostra habundantiori gratiâ in evidens testimonium suarum virtutum, in comitem DAVARANS in DUCATU nostro NORMANDIAE creavimus et praefecimus, ac per presentes creamus et praeficimus ac de eisdem nomine honore et titulo per cincturam gladii investientes effectualiter insignivimus. Habenda et tenenda eadem nomen et honorem Comitis DAVARANS sibi et haeredibus suis masculis de corpore suo legitime exeuntibus in perpetuum, volentes et praecipientes pro nobis et haeredibus nostris quod dictus fidelis noster dominus ALVARUS nomen et honorem Comitis DAVARANS teneat sibi et haeredibus suis masculis de corpore suo ut praemissum est legitime exeuntibus in perpetuum, Hiis testibus venerabilibus patribus I: Cantuar: et I. Eborum archiepis. Tho: Norwicen: W: Sarum, I: Bathon et Wellen Epis. carissimo avunculo nostro Humfredo Duce Glouc: ac carissimis consanguineis nostris Iohan. Exon. et Humfredo Buck. Ducibus et Willõ Marchione Suffolciae. Iohan: Vicecom: de Beaumont, ac diltis(1) et fidelibus suis Radulpho Cromwell et Radulpho Botiller militibus, Thess(2) Angl., et Magistro Adam Moleyns custode privati sigilli et aliis. Dat. per manum nostram apud Westm(3). 4 die Aug.
Per breve de private sigillo et de data praedicta &c.
(1) Dilectis.
(2) Thesaurariis.
(3) Westminster.
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