Part 9
_Asylo Provisorio do Hospital Geral_—Talvez pareça extranho que se mantenham asylos nos hospitaes, mas a lei da necessidade a isso nos obriga.
O que se ha de fazer das crianças cujas mães succumbem nas enfermarias, não tendo ninguem que se encarregue dos infelizes orfãos, e das que são abandonadas propositalmente na Sala do Banco? Guardamol-as.
Se são de tenra idade ficam na Casa dos Expostos; de 4 annos em diante permanecem no hospital em commodos especiaes, recebendo instrucção primaria, até attingirem idade que permitta ás meninas irem para algum dos asylos e aos meninos para o Collegio Salesiano, em Santa Rosa, mediante retribuição, afim de se prepararem em artes mechanicas.
A manutenção, vestuario e quanto é preciso nos asylados correm por conta da despeza geral do hospital, inclusive os enxovaes dos que são entregues aos Salesianos.
Existe matricula com todos os esclarecimentos que se póde obter, afim de em qualquer tempo ser reconhecida sua identidade.
No anno findo existiam, em seu começo, 35 meninos, no seu decurso entraram 3 e foram enviados 5 para o Collegio Salesiano; não houve obito, restando-nos assim 33.
Com relação ás meninas o movimento foi este no mesmo periodo: existiam 25, entraram 4, foi enviada uma para o Asylo de S. Cornelio, nem uma falleceu, e actualmente existem 28. Temos ao todo 61.
Quando contrahem casamento, mesmo desligadas por terem feito 21 annos, recebem 300$ de dote, tanto mais que são ellas dos 8 aos 12 annos, as que fazem o serviço do sorteio dos numeros nas loterias, fonte do peculio d’onde sahem os dotes.
Assignalarei a circumstancia de, apezar da tenra idade, das más condições em que se acham quando nos são legados, e de viverem n’um hospital, não haver fallecido nem um d’esses seres frageis, o que mostra o interesse e carinho que merecem das irmãs de caridade, a cujo cargo estão.
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_Asylo Provisorio do Hospicio da Saúde_—No periodo compromissal de que estou dando contas começámos com 36 asyladas, entraram tres, falleceram duas, saíram cinco e restam-nos 32.
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_Peculio das Asyladas_—Sob esta rubrica figurava no orçamento a importancia de 52:825$122, destinada ao pagamento de dotes de 300$, a todas as orfãs e asyladas dos estabelecimentos da Santa Casa, que não dispõem de cofre privativo, como o Recolhimento das Orfãs, ou de recursos proprios como a Casa dos Expostos.
Para a sua constituição concorreram e ainda concorrem, álem de outros donativos que lhe foram applicados, os que recebem as asyladas do Hospital Geral pelo serviço que prestam, ha bastantes annos, em tirarem as espheras dos numeros e premios nos sorteios lotericos.
Durante o anno compromissal, de que estou dando contas, foram pagos cinco dotes, sendo as contempladas uma ex-asylada do Asylo da Misericordia, tres ex-asyladas do Asylo de S. Cornelio e uma ex-asylada do Asylo Provisorio do Hospicio de Nossa Senhora da Saúde.
O patrimonio, em 30 de Junho, feita a conta dos respectivos juros, é de 60:770$783.
Por conta dos dotes—Prudente de Moraes—nem um se pagou, sendo o saldo, na mesma data, de 10:486$690, com os respectivos juros.
Os dotes já distribuidos, por esta conta, são em numero de 18.
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_Cemiterio de S. Francisco Xavier_—Essa vasta necropole, em cujo centro se acha o Campo Santo da nossa Irmandade, está sendo, e ainda por muitos annos será, em consequencia de suas vastas proporções, e dos colossaes melhoramentos que lhe são indispensaveis, o longo e largo canal por onde se escoará consideravel parte da renda da Empreza Funeraria.
Basta assignalar que ha cêrca de seis annos, sem interrupção, se faz o aterro do mangue que ainda existe n’uma de suas faces, n’isto se despendendo até agora um pouco mais de 500:000$000.
Mui poucas de suas longas e extensas ruas estão calçadas, e ha grande numero de quadros de carneiros que precisam de ter cimentados os corredores que lhes dão accesso.
Sua arborização é deficiente, apezar de iniciada ha dous annos. Longo seria indicar quanto se deve fazer; limitar-me-hei a affirmar que, dentro dos recursos orçamentarios, se trabalha continuamente, attendendo ao que é inadiavel, e a informar o que se executou no anno passado.
Serviço da maior importancia foi iniciado ha cêrca de tres mezes, espero vêl-o concluido dentro de dous ou tres annos; é a revisão da numeração das sepulturas rasas, em numero superior a 40:000, não incluidas as sepulturas communs.
Esse trabalho está sendo feito com o maximo cuidado, examinados os assentamentos um a um, substituídas as condemnadas chapas de ferro por marcos de cimento, e depois de só assim preparado e rectificado o quadro, far-se-ha n’elle novo enterramento.
Ao presado Irmão Mordomo cabe boa somma do que se tem levado a cabo, e do pessoal da administração apenas cinco empregados, em particular de seu chefe, que é um d’elles, me tem vindo valioso auxilio para a boa execução das reformas em andamento.
Os enterramentos no anno de que trato, foram de 519 em carneiros, 7:282 em sepulturas rasas e 3:923 em sepulturas communs, ou um total de 11:726.
_Cemiterio de S. João Baptista_—De menores proporções, sempre merecendo cuidados, é este cemiterio hoje um dos bons attestados do zêlo da Santa Casa e póde competir com os que em melhor conta sejam tidos.
Muito pouco ha a fazer n’elle, álem da conservação do que se tem executado, e um ou outro melhoramento.
Ainda este anno findo foi dotado de um forno para incineração de lixo, cuja construcção importou em 7:500$. macadamisaram-se e alcatroaram-se algumas das suas ruas; a substituição das chapas de ferro e a numeração das sepulturas rasas foi terminada; e apenas restam dous ou tres quadros de carneiros ou jazigos para terem as ruas internas cimentadas.
A arborisação está terminada.
Póde começar a descançar o presado Irmão Mordomo, que ha cerca de cinco annos se esforça para conseguir o bello resultado que todos applaudem.
Tres são os empregados da administração, que bem cumprem seus deveres, salientando-se um a que faz justa referencia o zeloso Mordomo.
Foram inhumados 3:299 cadaveres, dos quaes 492 em carneiros, 2:468 em sepulturas rasas de contribuição, e 339 em gratuitas, facultadas aos indigentes; pois n’esse cemiterio ha muito que foi exctincta a sepultura commum.
Dos nichos perpetuos do collumbario, exclusivamente feitos para os que não têm recursos que permittam a acquisição de jazigos perpetuos, foram vendidos 64.
Espero em breve vêr concluida a planta cadastral iniciada no anno findo.
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_Recapitulação_—Não fôsse a conveniencia, direi melhor, a proveitosa obrigação de, em obediencia ao Compromisso, explanar o modo porque a administração da Santa Casa se houve durante um anno no desempenho de seus delicados deveres, afim de que a Mesa, todos os presados Irmãos, os Poderes Publicos, a população d’esta Capital, possam julgar de sua gestão e continuar a dar-lhe o amparo e confiança tão necessarios á acção que se vae desenvolver no anno corrente, e bastaria apresentar de um lado a commemoração dos serviços prestados pela Instituição no alludido periodo, de outro, os recursos disponiveis para acudir no novo anno ás grandes necessidades que como sempre se hão-de apresentar para serem remediadas.
Em poucas linhas seria dito bastante para patentear a grandeza da obra da Misericordia.
N’uma synthese rapida, mas eloquentemente expressiva, mostrar-se-hia, quanto aos soccorros, que em um anno foram recolhidos aos hospitaes 19:440 enfermos, attendidos nos consultorios 236:511, preparadas 258:686 fórmulas, dispensados nos gabinetes de especialidades 27:828 soccorros, agasalhadas nos diversos estabelecimentos cêrca de mil orfãs, expostos e asyladas, distribuidos a viuvas, 20:272$, e inhumados caridosamente 4:264 indigentes.
Com relação aos recursos com que se vae encetar o anno, sujeitos ao balanço addicional e a destinos especiaes, encontramos no cofre do Hospital Geral, 701:293$600, no da Casa dos Expostos, 214:870$406, no do Recolhimento das Orfãs, 43:620$782, no das Desvalidas de Santa Thereza, 22:594$520, no dos Dotes, 23:070$520, no da Empreza Funeraria, 112:105$128.
E o meu relatorio estaria feito.
Apenas accrescentar-lhe-hia, com tristeza, que quanto temos para applicar em obras de misericordia não basta.
No cumprimento de meu dever, como quem mais de perto lida com a pobreza da Capital, e em justificação da attitude apparentemente pouco caritativa que me vejo obrigado a manter, conhecedor da estreiteza relativa dos nossos recursos, confessaremos ao Poder Publico, ás almas piedosas que, não ás vezes, sim quotidianamente, recusamos enfermos por não haver mais logar no chão dos hospitaes onde estender um colchão, não acolhemos dezenas de orfãos solicitando admissão nos asylos por não haver collocação, deixamos sem esmolas a velhas viuvas por estarem esgotadas as verbas.
Não será, pois, com o meu silencio que se desculpará a indifferença dos poderosos e, ainda menos, a deliberalidade dos opulentos.
Quanto a nós, desempenhemo-nos dos nossos encargos com a inteireza e fidelidade que exige o serviço da Santa Casa, como determina o Compromisso, e teremos na tranquillidade de nossas consciencias elevada recompensa ao trabalho que nos rodear.
E d’isso dando exemplo, em falta de mais valioso titulo, venho satisfazer um dever apresentando-vos meu relatorio.
DR. MIGUEL JOAQUIM RIBEIRO DE CARVALHO.
Este substancioso documento, melhor do que qualquer descripção especial, dá bem a ideia da beneficencia, ou assistencia particular no Rio de Janeiro, assumpto que continuaremos a tratar nos sub-capitulos que vão seguir-se.
O relatorio acima transcripto não refere, porém, que a limpeza do Hospital Geral, deixa muito a desejar, sentindo-se em todas as suas dependencias o cheiro forte e caracteristico d’estas casas de caridade, quando a hygiene não é sufficientemente observada. Este immenso edificio, em 2 quadrilateros a 3 pavimentos e 4 torreões a 3 andares, faceia a praia de Santa Luzia e foi construido com o producto de loterias, tendo sido a primeira de 110 contos, concedida por D. João VI. Os pavimentos encerram 28 enfermarias geraes, com nomenclatura de santos. O Necroterio, adjunto ao Hospital, é indigno da instituição.
A irmandade da Misericordia, do Rio de Janeiro, data de 1545, e o hospital foi fundado nos primeiros annos do seculo XVII, ignorando-se exactamente a data, occupando varios immoveis, antes da construcção do actual edificio.
Como consta do Relatorio acima transcripto, a Santa Casa da Misericordia do Rio de Janeiro, tem as seguintes organisações subsidiarias, ou complementares:
—_Asylo da Misericordia_, em S. Clemente, inaugurado em 27 de Julho de 1890, com 162 asylados, no fim de 1907;
—_Asylo de Santa Maria_, funccionando desde 29 de Abril de 1877, e que encerra, actualmente, 52 orfãos;
—_Asylo das Velhas_, inaugurado em 1 de Maio de 1884, com 43 invalidas;
—_Casa dos Expostos_, ao principio, isto é, em 14 de Janeiro de 1738, data da sua fundação, intitulada Roda dos Expostos. Abriga 260 creanças dos dois sexos, além de cêrca de 200 dadas a criar fóra do estabelecimento.
Até ao fim de 1900, tinha esta instituição recolhido 43:038 creanças.
—_Recolhimento das Orfãs_, fundado em 15 de Outubro de 1739, em Botafogo. Em fins de 1907, tinha 170 internadas, ás quaes é ministrada educação elementar, além da alimentação, até á puberdade.
—_Asylo de S. Cornelio_, no Cattete, inaugurado em 1 de Setembro de 1900. 34 asylados.
—_Asylo de N. S. da Saúde_, annexo ao hospital da mesma denominação. Foi inaugurado em 1853 e abriga 340 orfãos.
—_Asylo Provisorio do Hospital Geral_, especialmente destinado a recolher orfãos deixados sem abrigo por enfermos fallecidos nos hospitaes da Santa Casa.
—_Asylo de N. S. das Dôres_, em Cascadura, para asyladas tuberculosas, ou extraordinariamente debeis, mandadas a melhores ares pelos varios estabelecimentos que a Santa Casa mantem na cidade.
—_Hospital de S. João Baptista da Lagôa_, em Botafogo, com 100 leitos e 5 enfermarias, para homens. Consultorio externo e distribuição gratuita de remedios.
—_Hospital de N. S. do Soccorro_, em S. Christovão, com 50 leitos.
—_Hospital de N. S. da Saúde_, na Gambôa, com 300 leitos. Tambem abriga meninas desvalidas, não reclamadas pelos interessados.
Consultorio gratuito para a indigencia.
—_Instituto Pasteur._ Inaugurado em 1888. Assistencia preventiva de pessôas mordidas por animaes hydrophobos.
Não obstante o numero e a variedade de estabelecimentos beneficentes, a Santa Casa resente-se, especialmente no grandioso Hospital Geral, da accumulação de enfermos invalidos, convalescentes e em tratamento de molestias incuraveis, sendo insufficientes as enfermarias existentes e de urgentissima necessidade a creação de novas instituições destinadas a recolher o excesso da população hospitalar.
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_Asylo Gonçalves de Araujo_—Antonio Gonçalves de Araujo, negociante portuguez fallecido no Rio de Janeiro, em 21 de Setembro de 1889, legou mil e quinhentos contos de réis á Irmandade de N. S. da Candelaria, para a fundação e custeio de um asylo destinado a abrigar menores dos dois sexos.
O edificio, com tres pavimentos, occupa na praça Marechal Deodoro, uma area de 12:000 metros.
No 1.º pavimento estão as salas da Administração, o almoxarifado, a despensa, as officinas, o lavabo e as banheiras; no 2.º andar, a bibliotheca, a residencia do Director e das regentes, as aulas, os refeitorios e a cosinha; no terceiro pavimento, o salão de honra, os dormitorios, as enfermarias e a rouparia. Em fins de 1907 havia 92 asylados, sendo 67 do sexo feminino. A condição de admissão é a extrema pobreza, dos 7 aos 18 annos. Ensina-se costura, bordado, fabríco de flôres, lavagem, engommado, arte culinaria, além do curso primario, completo.
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_Dispensario Azevedo Lima_—Esta altruistica instituição foi, em principio, denominada—_Dispensario da Liga Brasileira contra a Tuberculose_—por ser creado por esta collectividade, mas o Presidente da Republica, dr. Affonso Pena, ao inaugural-o, em 25 de Maio de 1907, escreveu no auto de inauguração—_Dispensario Azevedo Lima_—em homenagem ao seu fundador e Presidente da Liga, o eminente e benemerito facultativo, dr. José Jeronymo de Azevedo Lima.
O governo cedeu o terreno, junto da Avenida Central, e a Liga levantou o predio, que custou 120 contos de réis. Fica isolado, por tres das suas faces, dos predios visinhos, e ergue-se entre jardins. O Estado subsidia o Dispensario com a annuidade de 24 contos. Os clinicos são beneficentes e effectivos.
No vestibulo ha duas salas de espera; um gabinete de exame, com balança de pesagem e apparelhos para desinfecção; uma sala para exame especial de laringe, com o material competente; um laboratorio bacteriologico e uma dependencia com estufa para encineração de residuos. Primeiro pavimento. Gabinete da Directoria. Sala das sessões, com o busto da Caridade, em bronze, por Teixeira Lopes. Bibliotheca da especialidade. Esta secção continua no 2.º andar, onde tambem ha um terraço com a admiravel perspectiva da Avenida Central e de parte da cidade e da bahia.
A Liga resolveu fundar novos sanatorios em varios bairros da capital e no interior do paiz, assim como um sanatorio para creanças tuberculosas, com o nome da rainha D. Amelia, de Portugal. A commissão da colonia portugueza que promovia grandiosos festejos para a recepção de D. Carlos I, resolveu entregar á Liga, para o fim acima exposto, as sommas arrecadadas. Para avaliar-se da necessidade d’esta philantropica instituição, bastará considerar-se que, em 1906, morreram, na cidade do Rio de Janeiro, 2:782 tuberculosos, em um total de 13:957 defuncções. Antes do actual a Liga já possuira um Dispensario na rua Gonçalves Dias, em 1902. Em 1906 a Liga deu 621 consultas, fez 77 visitas domiciliarias, aviou 883 receitas, fez 160 exames microscopicos e 87 laryngoscopicos. Além d’isso distribuiu 131 porções de oleo de figado de bacalhau, 2:150 de carne, 2:150 de leite e 353 escarradores.
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_Hospital da Real Sociedade Portugueza de Beneficencia_—A ideia da fundação, no Rio de janeiro, de uma Sociedade Portugueza de Beneficencia, pertence ao então ministro de Portugal, no Brasil, Joaquim Cesar Figaniére Mourão, que, em 1839, a suggeriu ao consul, dr. José Marcellino da Rocha Cabral. Tomou a iniciativa da fundação a Directoria do Gabinete Portuguez de Leitura, que organisou os estatutos. Quanto ao hospital, foi seu iniciador o socio João Nunes de Andrade, que apresentou a proposta em sessão de 20 de Fevereiro de 1848. Começou-se pela fundação, em 1849, de uma enfermaria denominada de _S. Vicente de Paulo_, para os portuguezes atacados de febre amarella.
A compra do terreno para edificação do actual hospital, fez-se em 1851 e importou em 9:280$000 réis, na rua de Santo Amaro e nas dimensões de 26 braças e 4 palmos.
Muito concorreu para a fundação d’este estabelecimento, o presidente da Sociedade, Hermenegildo Antonio Pinto. Em 19 de Dezembro de 1853, foi lançada a 1.ª pedra do edificio, e a inauguração realisou-se em 16 de Setembro de 1858. Á entrada ha duplo lance de escadaria de granito, dividido por tres grupos estatuarios, representando a Caridade, depois de transposto o triplice portão de ferro, encimado pelas estatuas de D. Affonso Henriques e de Pedro Alvares Cabral.
O vestibulo é decorado pelos bustos, em marmore, de D. Carlos I, e dos condes de Agrolongo, de Mattosinhos, de Avellar e de S. Mamede. Gabinete da administração, com os retratos de D. Pedro V, de D. Estephania e do conde de Santa Marinha. Seguem-se, no mesmo pavimento vestibular, a secretaria, a rouparia, o gabinete das consultas externas, 2 dos curativos e a sala de operações. Na ala fronteira, uma enfermaria cirurgica, 3 mistas de medicina e cirurgia, refeitorios, installação hydrotherapica e cosinha geral. A pharmacia e o laboratorio funccionam em pavilhão separado. Pavilhão de isolamento de molestias contagiosas. Enfermaria de tuberculosos. Necroterio, na cêrca, em pavilhão isolado. Novissimo pavilhão com 2 salas de operações. Quartos particulares para contribuintes. Vestibulo da 2.ª ala geral do edificio, decorado por um grupo, em marmore, representando a Caridade, e pelos bustos de D. Pedro V, do conde de S. Cosme do Valle, de Julio Alberto da Costa, por Teixeira Lopes, e de Alexandre Herculano, este em ferro prateado e aquelles de marmore branco. Sala da Bibliotheca, com 3:000 volumes. Primeiro pavimento. Sala das sessões, guarnecida a retratos de bemfeitores do hospital. Retratos a oleo de D. Pedro V, D. Luiz I e D. Maria Pia. Quartos particulares e de internos (doutorandos). Consultorio homópathico e pharmacia. Enfermaria S. José (homópatha) composta de quartos a 2 camas. Enfermaria de Santa Luzia, (ophtalmologica). Sala de operações, quartos e camara escura. Enfermaria de invalidos. Passagem sobre terraço e ao ar livre, para o 1.º pavimento da 1.ª ala. Enfermaria de S. Joaquim, para medicina, composta de quartos a 2 leitos; e de S. Jeronymo, para medicina. Mais quartos para contribuintes. Linda e vasta capella, decorada por Bernardelli.
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_Hospital da Penitencia_—É o mais importante dos hospitaes particulares do Rio de Janeiro. Pertence á Veneravel Ordem Terceira da Penitencia, a mais rica da capital da Republica. Occupava, outr’ora, um vastissimo edificio do largo da Carioca, que foi demolido para embellezamento da cidade, e o hospital provisoriamente removido para dois grandes predios da rua do Conde de Baependy, até que fique concluido o grandioso edificio que, nas proximidades, está a construir a mencionada Ordem, a mais antiga do Rio de Janeiro. Sustenta uma escóla para menores, no bairro da Saúde, e soccorre os irmãos nos domicilios.
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_Hospital do Carmo_—Pertence á Ordem de N. S. do Monte do Carmo, que tambem soccorre com dinheiro, pensões e visitas domiciliarias, os seus irmãos enfermos e invalidos.
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_Hospital de S. Francisco de Paula_—É mantido pela Irmandade de S. Francisco de Paula, em vasto predio, na rua Duque de Saxe. Tem sala para consultas externas, cemiterio, em Catumby, e um asylo para meninas orfãs.
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_Recolhimento de N. S. da Piedade_—Mantido pela Irmandade da Candelaria, e fundado em substituição do Recolhimento de Santa Ritta de Cassia, mandado fechar pela municipalidade, que o subvencionava, em consequencia de uma campanha sustentada n’_O Paiz_, por Francisco Ferreira da Rosa, um dos seus redactores, que descobrira, em minuciosa visita, ser este estabelecimento um antro de immoralidade.
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_Asylos da Caridade, do Bom Pastor e de Santo Antonio_—Estes tres estabelecimentos philantropicos são mantidos pela Ordem da Immaculada Conceição. O 2.º é para regeneração de mulheres transviadas e o ultimo abriga umas 60 orfãs, e está situado no delicioso arrabalde do Rio Comprido.
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_Policlinica Geral do Rio de Janeiro_—Funcciona officialmente, esta prestante collectividade, desde 17 de Junho de 1882. Foi fundada por medicos e empregou o seu patrimonio, de trezentos contos de réis, na construcção de um edificio para sua séde, na Avenida Central. É destinada a prestar soccorros medicos a enfermos pobres e possúe laboratorios para varias especialidades clinicas.
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_Maternidade das Larangeiras_—Funcciona, desde 3 de Março de 1904, em um predio do bairro das Larangeiras, e em 31 de Dezembro de 1907, tinha em tratamento 19 parturientes. É subsidiada pelo governo.
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_Stranger’s Hospital_—Está situado no bello e aristocratico bairro de Botafogo. Foi fundado em 21 de Janeiro de 1892, para realisar a assistencia hospitalar aos estrangeiros domiciliados no Rio de Janeiro. Dirige-o uma associação de beneficencia.
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_Instituto de Protecção e Assistencia á Infancia_—Foi fundado em 24 de Março de 1889 e funcciona desde 14 de Julho de 1901. Sustenta um Dispensario, na rua do Visconde do Rio Branco, que soccorre, por todas as fórmas, as creanças indigentes. Além de medicos e medicamentos gratuitos, essa caridosa instituição fornece leite esterilisado, calçado e vestuario. Tambem examina amas mercenarias e soccorre as creanças victimas de accidentes na via publica. É subvencionado pela municipalidade e pelo governo federal. Este benemerito Instituto foi fundado pelo dr. Moncorvo Filho, e publica mensalmente os seus _Archivos_.
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