Tres capitaes

Part 3

Chapter 33,633 wordsPublic domain

Ha dois terraços—varandas, lateraes e exteriores, a seis columnas de marmore mesclado e pavimento a mosaico.

As bancadas geraes da ultima ordem são de peroba e comportam mais de 800 pessôas.

Na caixa do theatro, todos os pannos são movidos a electricidade.

Os camarins, em tres pavimentos, com installação hydrotherapica no 1.º, são vastos, arejados e profusamente illuminados.

Em um prédio contiguo estão os motores electricos para a illuminação geral do edificio.

O porão do theatro, está seis metros abaixo do nivel do sólo.

Em caso de incendio, a scena será immediatamente inundada por machinismo especial.

Todos os relogios da casa funccionam electricamente, pela energia que lhes é transmittida por um relogio central.

A illuminação da sala é feita por um systema original, que consiste em lampadas disfarçadas no oval dos balaustres. A mobilia da plateia e dos camarotes é de mogno vermelho, com incrustações de páu-marfim.

O fundo dos camarotes e galerias é de pellica côr de rosa, bem como as guarnições das balaustradas.

Ha um ascensor para a communicação geral da caixa do theatro e um salão para bibliotheca da especialidade. As portas e janellas do _foyer_ são de carvalho e crystal.

O aspecto geral, como os detalhes, até aos mais minuciosos, obedecem ás mais modernas condições, de hygiene, aceio e luxo.

Gabinete Portuguez de Leitura

A associação fundadora d’este monumento, data de 10 de Setembro de 1847, e a inauguração do edificio teve logar cincoenta annos depois. Eleva-se na rua Luiz de Camões, defronte da travessa da Academia, a pouca distancia do largo de S. Francisco de Paula.

O Gabinete é uma joia artistica, interior e exteriormente, e o mais bello padrão de gloria da colonia portugueza no Rio de Janeiro.

A frontaria, elegantissima, é de pedra lioz, em estylo manuelino. Decoram-n’a as estatuas de Camões, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral e do Infante D. Henrique.

No interior, além da secretaria e de varias peças interessantes, ha dois salões notabilissimos pelas dimensões e pela belleza architectonica e decorativa.

O salão da Bibliotheca, occupa toda a altura do edificio, na dimensão de 23 metros. É ladrilhado a mosaico e illuminado por bellissima claraboia de vitraes coloridos. Está dividido em tres pavimentos, por galerias circulares, guarnecidas a columnas de ferro dourado. O golpe de vista é empolgante e maravilhoso.

As artisticas estantes que forram este salão, comportam 85:000 volumes, entre elles a mais celebre camoneana do mundo.

O salão nobre, ou de Honra, é decorado com os escudos de todas as cidades de Portugal.

Ha mais a admirar, o album commemorativo de Eduardo de Lemos, o fundador do Gabinete; os bustos do mesmo, de Joaquim da Costa Ramalho Ortigão, de Eça de Queiroz e de D. Carlos I; a miniatura da canhoneira _Patria_, vitrinas com preciosidades bibliographicas, a mesa da Directoria, etc.

O monumento importou em 592 contos de réis, mas quasi outro tanto se tem gasto em melhoramentos e reparações.

O Gabinete conta um fundo social de 800 contos e 114 socios benemeritos, 39 honorarios, 26 correspondentes, 1:327 remidos e 357 contribuintes. Foi architecto do edificio o portuguez Frederico José Branco.

Academia das Bellas Artes

Foi fundada em 1816, pelo vice-rei Conde da Barca, que contratou 11 professores francezes, para as cadeiras de desenho, pintura, esculptura, architectura e mechanica. Chamou-lhe o fundador, Real Academia de Desenho, Pintura, Esculptura e Architectura Civil. A frontaria é obra de Grandjean de Montigny. Nota-se um artistico portão de ferro, do mesmo artista; baixos relevos, de Zeferino Ferrez; uma sacada com balaustres de bronze, e seis columnas jonicas; as estatuas de Minerva e de Appolo e, a rematar, o frontão decorado pela classica quadriga, execução de Ferrez, como o restante é de Montigny.

Em 1855, este edificio foi augmentado pelo architecto Job Justino de Alcantara.

A Academia foi inaugurada em 5 de Novembro de 1826, por D. Pedro I, e por iniciativa do ministro Visconde de S. Leopoldo. A primeira exposição publica de trabalhos artisticos, teve ahi logar em 1829, expondo, entre outros, os artistas Debret, Grandjean e Marcos Ferrez.

A sala de leitura é decorada a pinturas de Montigny e de Ferreira, seu sobrinho. Ha ahi muitos retratos de pintores celebres.

Bibliotheca da especialidade.

Ao subir a dupla escadaria, veem-se quadros de Pedro Americo, Grandjean e Ferreira. A notar, _Santa Thereza de Jesus_, pelo primeiro. Salão da Escola Nacional. Ao centro, _Batalha de Avahy_, por Pedro Americo. O proprio pintor está retratado á frente do regimento n.º 33. Em frente, _Batalha de Guararapes_, por Victor Meirelles. O _Ultimo Tamoyo_, esplendido trabalho de Rodolpho Amoedo.

Do mesmo auctor:—_Partida de Jacob_. De Henrique Bernardelli:—_Os Bandeirantes_.

Segue-se uma galeria de escólas estrangeiras, de pintura, onde está principalmente representada a escóla italiana. Ha preciosidades artisticas de Raphael, Rubens, Ticiano, Ribera, Velasquez, e de outros pintores immortaes, que o visitante não póde apreciar, devido á péssima exposição dos quadros.

A notar, ainda, _A Noite_, de Pedro Americo.

A collecção artistica d’esta Academia, é avaliada em 4:000 contos. O magnifico palacio das Bellas Artes, em construcção na Avenida Central abrigará, brevemente, estas e outras preciosidades esparsas por diversos edificios da capital da Republica.

Grupos e Estatuas

_Monumento do Centenario_—Na praça da Gloria, que mede 20:000 metros quadrados, e sobre um pedestal de granito, da altura de 4 metros, eleva-se o grupo, em bronze, commemorativo do 4.º centenario da descoberta do Brasil. É alto de 10 metros e consta das figuras bem lançadas de Pedro Alvares Cabral, Pero Vaz de Caminha e Fr. Henrique de Coimbra, respectivamente commandante, escrivão e capellão da frota descobridora.

O monumento é de Rodolpho Bernardelli, e foi encommendado pela Associação do Quarto Centenario do Descobrimento do Brasil. A arte casa-se aqui com a imponencia e a formosura do aspecto geral.

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_Fonte Ramos Pinto_—Este gracioso e artistico monumento está collocado ao centro do jardim que aformoseia a Praça da Gloria. Foi offerecido á cidade do Rio de Janeiro, pelos viticultores portuenses Adriano Ramos Pinto & Irmão, e é um gigantesco blóco de marmore branco, decorado por quadros estatuas.

A execução, do esculptor Thevenet, é primorosamente artistica, especialmente a da figura feminina que, tendo um joelho poisado sobre uma anfractuosidade da rocha, mostra a parte posterior ao publico. É tão perfeito este trabalho, que provocou a regeição do prefeito Francisco Pereira Passos, com o pretexto de que excitaria os instintos libidinosos das baixas camadas populares. Com grande reluctancia, Thevenet praticou o enorme delicto artistico de cobrir a estatua com uma ligeira camisa, que não deixa de accusar-lhe o primôr das fórmas.

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_Estatua Equestre de D. Pedro I_—A erecção d’este monumento foi approvada em sessão do Senado da Camara Municipal do Rio de Janeiro, a 11 de Maio de 1825. Esta resolução não teve seguimento, bem como outras posteriores tentativas, até que em 7 de Setembro de 1854, a Camara Municipal approvou nova proposta do seu presidente, dr. Roberto Jorge Haaddock Lobo. Para o custeio foi aberta uma subscripção publica, por intermedio das camaras municipaes de todo o paiz. Tambem foi aberto concurso entre artistas nacionaes e estrangeiros, cabendo o 1.º premio ao brasileiro João Maximiano Mafra, quanto ao projecto e desenho, sendo a execução confiada ao esculptor francez Luiz Rochet, o 3.º concorrente premiado. A pedra fundamental do monumento foi collocada em 1 de Janeiro de 1862, realisando-se a inauguração em 30 de Março do mesmo anno. A estatua, que custou 334:710$375 réis, occupa o centro da praça da Constituição. A base é de granito, seguindo-se-lhe o pedestal, em bronze, ornamentado a grupos que representam os grandes rios do Brazil—Amasonas, Paraná, Madeira e S. Francisco, symbolisados por indigenas, cuja expressão é eminentemente artistica.

O friso do pedestal é guarnecido por escudos, que representam as vinte provincias brasileiras. D. Pedro I está a cavallo e em grande uniforme de general. Na mão direita, o imperador empunha a Carta Constitucional do Brasil.

O peso total do monumento é de 55:000 kilos. A sua altura é de 3,ᵐ30 na base, 6,ᵐ40 no pedestal e 6 metros da estatua equestre.

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_Estatua do Visconde do Rio Branco_—Eleva-se ao sul da Praça da Gloria, e a pouca distancia da Fonte Ramos Pinto. É de bronze e foi modelada e fundida pelo esculptor francez Charpentier. A figura está sentada e veste o uniforme de senador do imperio. A mão direita descansa sobre dois livros do Visconde—_A Convenção de 20 de Fevereiro e Collecção de Leis do Brasil_.

A base, de gneiss do Brasil, sustenta o pedestal, de pedra do Jura, e a estatua da Historia, em bronze, que lê, em uma tábua, a seguinte phrase de Tacito—_Autoritate Constantia fama inquantam proeumbante imperatoris fastigio datus clarus_.

Este monumento foi inaugurado em 13 de Maio de 1902, anniversario da promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil, e em homenagem ao estadista que fez votar a lei do ventre livre.

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_Estatua do Duque de Caxias_—Este primôr de esculptura, talvez o melhor trabalho de Rodolpho Bernadelli, ergue-se, desde 15 de Agosto de 1899, ao centro do Jardim e da Praça do Duque de Caxias. O monumento é equestre, em bronze, e assenta sobre um pedestal de marmore de Carandahy.

São notaveis, como obra de arte, os baixo-relevos que ornam o pedestal. O marechal, que monta um cavallo de raça, sustenta, na mão direita, um oculo de alcance.

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_Estatua de José de Alencar_—Foi inaugurada em 1897, e ergue-se na pequena praça que enfrenta o Hotel dos Estrangeiros, entre o Cattete e Botafogo. É de bronze e de Rodolpho Bernardelli. Alencar está sentado em uma poltrona que tem, por base, um blóco de marmore cinzento.

Nas quatro faces do pedestal ha baixo-relevos representando scenas de _Iracema_, do _Guarany_, do _Sertanejo_ e do _Gaúcho_, obras primas do eminente cearense, que brilhou no romance, no drama, na poesia e no jornalismo.

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_Estatua de João Caetano dos Santos_—Eleva-se defronte da fachada principal da Academia das Bellas Artes, em um hemicyclo traçado por Grandjean de Montigny, para dar espaço, ar e luz á primorosa frontaria do palacio. É obra do esculptor fluminense Chaves Pinheiro, modelada em 1859, no Rio de Janeiro, e fundida em Roma, em 1890. É de bronze, tendo estado, o modelo, exposto na exposição de Philadelphia, em 1876.

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_Estatua do General Osorio_—Foi inaugurada em 12 de Novembro de 1894, e fundida com o bronze de canhões, tomados aos inimigos da patria. O monumento é equestre, eleva-se ao centro da praça Quinze de Novembro e foi modelada por Bernardelli.

Pésa 5:700 kilos. O pedestal é de granito dos Alpes. Em dois baixo-relevos ha scenas de batalhas ganhas pelo grande cabo de guerra. Desde 21 de Julho de 1892, que o seu corpo repoisa na crypta do monumento, tendo sido trasladado do Asylo dos Invalidos da Patria.

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_Estatua de José Bonifacio_—Foi esculpturada pelo artista francez Luiz Rochet, e inaugurada em 7 de Setembro de 1872, 50.º anniversario da independencia do Brasil. Deve-se este monumento a uma subscripção popular, iniciada pelo Instituto Historico, que rendeu 60:000:000 réis. Pesa 18:000 kilos, é de bronze e tem a altura de 2ᵐ,40. O heroe da independencia é representado de pé, empunhando uma penna com que escreve o _Manifesto ás Nações_.

A estatua eleva-se defronte da rua do Ouvidor, ao centro do largo de S. Francisco de Paula.

Egrejas

_Cathedral_—O bispado do Rio de Janeiro foi creado em 1676, tomando o 1.º bispo conta do seu cargo seis annos depois. A primitiva cathedral foi a egreja de S. Sebastião, erecta no morro do Castello, berço da cidade.

Em 1703 foi a Sé transferida para o templo da Cruz dos Militares, e em 1720, por algum tempo para a basilica da Candelaria, voltando para a Cruz dos Militares, em 1773. Devido, porém, ao estado de ruina d’esta egreja, no mesmo anno, em 1 de Agosto, o cabido sahiu em procissão e dirigiu-se para a egreja do Rosario, elevando-a a cathedral, contra a vontade dos pretos, seus proprietarios.

Ainda assim conservou-se ahi a Sé por mais de setenta annos. Em 1808, o cabido, em virtude de alvará regio, passou para o santuario mandado construir pelos frades carmelitas, em 1761, ao lado do templo do Carmo, onde actualmente se conserva. A ermida, precursora d’esta egreja, foi edificada á beira-mar, e desabou em dia de festividade, matando muitos fieis.

O interior do templo é ornamentado a trabalho de talha e a estuque dourado, em estylo barroco, por mestre Ignacio, que iniciou os trabalhos em 1785. Ha sete altares e duas capellas fundas; uns e outras separados por balaustres dourados. No corpo da egreja ha tres tribunas de cada lado, divididas por pilares. É bella a perspectiva interior pela feliz combinação dos dourados com a guarnição branca, em estuque, e com o primoroso trabalho de talha. A fachada não pertence a ordem alguma architectonica. O grande painel da capella-mór foi pintado por José Leandro de Carvalho.

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_Carmo_—Bella e imponente frontaria de granito, em estylo barroco, com um lindissimo portico lavrado em marmore da Arrabida.

A confraria dos irmãos terceiros do Carmo, do Rio de Janeiro, foi fundada em 19 de Julho de 1648. A primeira pedra do templo foi lançada em 16 de Julho de 1755, sendo inaugurado em 11 de Julho de 1770. Custou 91:088$995 réis. As duas formosas torres lateraes á frontaria, só ficaram concluidas em 1850 e custaram 111:000$000 réis. Um espaço fechado por dois portões separa esta egreja da Cathedral, ex-capella imperial. O gradil de ferro que cercava o adro e que custára, em Londres, 1:764$100 réis, foi mandado retirar, ultimamente, pelo prefeito Pereira Passos, bem como o do santuario contiguo. Foi no Carmo que se celebrou, em 1792, o Te-Deum em acção de graças pelo enforcamento de Tiradentes. O templo foi novamente dourado em 1854. Até 1812 esteve installado o hospital da Ordem, em edificio annexo, sendo removido para a rua de Riachuelo, em 1870.

O interior da egreja é ornamentado a branco, com toques dourados.

Ha seis altares lateraes e a capella-mór. No corpo principal estão seis tribunas e dois pulpitos. A luz é filtrada, além do zimborio da capella-mór, por seis janellas sobrepostas ás tribunas e por tres do côro, com vitraes coloridos.

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_Cruz dos Militares_—Occupava, outr’ora, a beira-mar. Está situada na rua Primeiro de Março, esquina da do Ouvidor, e a pequena distancia dos santuarios anteriormente descriptos. É obra dos ultimos annos do seculo XVIII, sendo seu constructor o brigadeiro José Custodio de Sá e Faria. Se bem que de elegante aspecto exterior, nada contém esta egreja de especialmente notavel.

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_S. Bento_—Templo e mosteiro situados no vértice da collina de egual nome, no extremo da rua Primeiro de Março. É simples e sem arte o aspecto exterior da egreja e dos edificios annexos; ao transpôr, todavia, o peristylo, o visitante fica deslumbrado com a perspectiva e os detalhes da magestosa fabrica. Desde o sopé ás abobadas, o santuario resplandece o velho ouro que os seculos ainda não conseguiram desvanecer. Em talha dourada, é a d’esta egreja a maior, a mais antiga e a mais preciosa decoração que existe na capital do Brasil. É d’uma só nave, ladeada por dez altares, oito dos quaes communicam-se, interiormente, por duas especies de naves. Os dois pulpitos são tambem preciosos. Sobre os arcos que dão ingresso aos altares, ha outras tantas tribunas douradas, com balaustradas. O tecto é em quadriculos de madeira colorida.

No pavimento do corpo principal estão as sepulturas dos doadores, D. Diogo de Brito de Lacerda, e D. Victoria de Sá, com brazões heraldicos.

São riquissimas as capellas do Santissimo Sacramento e da Immaculada Conceição. A primeira tem quatro tribunas e um magnifico altar, com esplendoroso sacrario e quatro columnas salomonicas, tudo dourado. Todos os altares do monumento são guarnecidos a columnas do mesmo estylo e profusamente douradas.

Na capella-mór ha bancadas de nogueira para a assistencia capitular. Á esquerda está o solio, com o docel, para o abbade-bispo de S. Bento.

Os beneditinos estabeleceram-se no Rio de Janeiro, em 1589, e occuparam, primitivamente, a ermida de N. S. do Ó, na praia da cidade, doada pelo governador Corrêa de Sá.

O tecto da capella-mór é decorado a frescos, representando scenas da vida de S. Bento. É grande, valiosa e artistica a collecção de objectos de prata, que adorna o templo, avultando a imagem de N.ª S.ª do Monserrat, que occupa a cúspide do altar-mór; o crucifixo d’este altar, o tocheiro da capella-mór e as lampadas das capellas lateraes.

O corpo da egreja é illuminado por seis artisticos lampeões de ferro, a tres luzes. Da esplanada, bem como de varios pontos da vasta cêrca do convento, a vista é extensa e bella para diversos pontos da cidade e da bahia.

O Gymnasio de S. Bento e a escóla de preparatorios, contiguos ao templo, teem frequencia superior a 300 alumnos. Ha ainda a escóla preliminar de S. José e uma escóla nocturna, tudo para o sexo masculino. Todos os frades d’este convento são allemães. Na cêrca está uma caixa de agua, do rio do Ouro, que communica com o deposito geral do Pedregulho.

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_S. Francisco da Penitencia_—Minusculo e magnifico santuario, pertencente á Ordem Terceira de S. Francisco da Penitencia, situado no alto da collina de Santo Antonio, e junto á egreja d’esta invocação. Depois do de S. Bento, é este o interior sagrado mais artistico e bello do Rio de Janeiro. Os 6 altares lateraes, os 2 pulpitos, as 6 varandas, o magestoso árco-cruzeiro, a capella mór e o côro constituem um grandioso poema em talha dourada, onde a arte da execução rivalisa com os primôres das concepções decorativas e da materia prima empregada, ha seculos, no realce artistico.

O tecto é em madeira pintada e nos intervallos das tribunas ha quadros emmoldurados em talha dourada e pintados por José de Oliveira.

A primitiva egreja da Ordem Terceira da Penitencia, no Rio de Janeiro, foi a capella da Conceição, erecta na visinha egreja de Santo Antonio, por Luiz de Figueiredo e sua mulher, Antonia Carneiro.

O actual edificio foi concluido em 1772, depois de muitas contendas com os visinhos frades franciscanos do convento de Santo Antonio, tendo começado as obras em 1653.

Tanto o interior como o exterior do santuario são em estylo barroco.

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_Santo Antonio_—Communica com o edificio anteriormente descripto. Esta egreja é modestissima, destacando-se apenas a capella do Noviciado, com o tumulo, em marmore, do principe D. Pedro Carlos, filho de D. João VI. Contiguos a estas egrejas estão os dois conventos das mesmas invocações, ambos habitados por frades franciscanos.

Do adro d’estes santuarios, gosa-se o panorama parcial da cidade, da bahia e dos suburbios.

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_S. Francisco de Paula_—No lado Sul da praça de egual nome, ergue-se imponentemente a elegantissima frontaria d’este templo, pertencente á Veneravel Ordem Terceira dos Minimos de S. Francisco de Paula. É construcção architectonica da ordem composita e ostenta um bellissimo portico de marmore da Arrabida. Foi inaugurado em 1801. Os artistas brasileiros Valentim da Fonseca e Silva e Antonio de Padua e Castro, decoraram interior e sumptuosamente esta egreja, a mais central da cidade. Ladeiam a fachada duas torres, que realçam a belleza do conjuncto. Tambem aqui, e em nome da esthetica civica, o prefeito Passos destruiu o gradeado que protegia o adro.

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_Matriz da Gloria_—Esta vastissima egreja eleva-se na face occidental da praça do Duque de Caxias.

A frontaria é aformoseada por oito columnas jonicas, de granito, com dez metros de altura, que assentam em treze degraus de cantaria e sustentam um frontão da mesma pedra, com um painel decorativo, e as estatuas de S. Pedro e S. Paulo, nas extremidades lateraes. Do lado posterior do frontão eleva-se um campanario da altura de quarenta e dois metros, até um terraço guarnecido a balaustrada e a estatuas de granito. Sobre esta esplanada levanta-se outro corpo de torre, rematado por uma pyramide quadrangular, que sustenta uma cruz á altura total de sessenta metros. Interiormente, o templo é decorado em estylo barroco, notando-se a preciosa obra de talha do altar-mór.

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Outras muitas egrejas, menos notaveis, accentúam o aspecto monumental do Rio de Janeiro, taes como S. José, Lapa, S. Christovão, Rosario, Sacramento, S. João Baptista, Gavea, e a historica e popular ermida octogona que corôa o vértice da pittoresca altura da Gloria.

Museus

_Museu Nacional_—Foi fundado em 1710, pelo vice-rei Luiz de Vasconcellos, em um predio da rua do Sacramento, mais tarde ampliado para Thesouro Federal.

Tendo caído em abandono, D. João VI reergueu-o, em 1818, a pedido do seu ministro Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal, sendo installado em um palacete do campo de Sant’Anna, depois praça da Acclamação. Em 11 de Julho de 1864, foi inaugurada a bibliotheca d’este Museu, com 3:000 volumes, contando hoje mais de dez mil. Um italiano, em 25 de Junho de 1865, tendo-se escondido no interior do edificio, no momento de serem fechadas as portas, durante a noite roubou 49 diamantes, 153 moedas antigas e 70 medalhas diversas.

O Museu foi mudado, em 1892, para o ex-palacio imperial de S. Christovão, que servira, em 1890 e 1891, de Palacio do Congresso Constituinte da Republica. É um amplo e vistoso edificio situado em terreno elevado, ao centro de terras incultas e enfrentado por um magnifico parque, cuidadosamente ajardinado.

As principaes collecções são a mineralogica e a antropologica, seguindo-se-lhes, em importancia, a numismatica, a ethnographica e a de antiguidades egypcias e pompeanas.

Começando pelo 3.º pavimento, visita-se a _Sala Rodrigues Ferreira_, com curiosos exemplares de simios, phocas e outros animaes.

_Sala Correia de Lacerda._ Carnivoros roedores. Bellissimo exemplar leonino. Insectivoros.

_Sala Spix._ Mammiferos. Antiodactylos ruminantes. Magnificos exemplares de elephantes e de veados.

_Sala Blainville._ Esqueletos de passaros. Gabinetes, a seguir, com variadissima e abundante collecção de insectos do paiz. Interessantes habitações de maribondos.

_Galeria Buffon._ Esqueletos de quadrupedes.

Segundo pavimento.

_Sala Burmeister._ Curiosissima collecção de ninhos de aves.

_Sala Natterer._ Passaros.

_Sala Wied._ Aves de rapina. Esplendido exemplar de condor dos Andes.

_Sala Schreiner._ Numerosa e escolhida collecção avicola-brasileira.

_Sala Wallace._ Passaros corredores, entre elles dois magnificos exemplares de avestruz.

_Galeria Baptista Caetano._ Ethnographia. Vestuarios e armas de varias tribus de indios da bacia do Amazonas.

_Sala Simão de Vasconcellos._ Armas, utensilios e ornatos de indios mundurucús, araras, uaupés e da Guyana Brasileira.

_Sala Castelnau._ Retratos e estatuas de indigenas do Brasil. Grupo, em bronze, offerecido pelo marechal Deodoro.

_Sala Varnhagen._ Numerosa e curiosissima collecção de armas, vestuarios, utensilios e ornatos dos indios carajás, appiaças, bororós, mahués e guajarás.

_Sala Ferreira Penna._ Ceramica greco-romana. Ceramica brasileira, peruana e mexicana. Alguns dos objectos expostos são pre-historicos.

_Galeria Fernão Cardim._ Ethnographia das ilhas Aleutas, Sandwich, Nova Guiné, Rainha Carlota, Madagascar e Nova Zelandia.