Part 25
Social 10 5:031 Beneficente 23 19:485 Recreativo 52 5:664 Litterario, scientifico e artistico 25 5:622 Maçon 3 209 Mutualista 97 66:693 Sport 15 18:382 Operario, (circulos) 6 4:414 Socialista 16 22:568 Protector de irracionaes 1 500 Politico 2 719 Protector da infancia 5 2:749 Diverso 36 15:941 --- ------- 291 167:977
D’estas associações 118 eram argentinas, 85 italianas, 19 hespanholas, 12 francezas, 7 inglezas, 7 allemãs e 6 suissas. Dos seus membros, 147:420 eram homens e 16:242 mulheres.
A de maior numero de socios era o Circulo da Guarda Nacional, com 14:000. Segue-se-lhe a _Associacion Española de Soccorros Mutuos_, com 12:428 socios e a _Confederación de Ferrocarrileros_, com 12:000.
As que possuiam maiores bibliothecas eram o _Circulo Medico Argentino_, 8:573 volumes; o _Club del Progresso_, 7:530; a _English Literary Society_, 4:000 volumes, e o _Centro Socialista de la Boca_, 3:400 volumes.
Das agremiações beneficentes e promotoras da instrucção, citaremos a _Protectora de Niños Desvalidos_, que sustenta um asylo e uma escóla; a _Sociedad de Beneficencia Ospedale Italiano_, que mantem o importante hospital da colonia; a _Sociedad Española de Beneficencia_, idem; a _Nazionale Italiana_, que sustenta uma escóla frequentada por 535 alumnos; _A Union Operai Italiani_, com escóla de 380 alumnos: a _Italia Unita_, escóla de 170 creanças; a _Cosmopolita de Proteccion Mutua e Instrución_, escóla com 157 alumnos; a _Umberto I_, escóla com 117 frequentadores; o _Circulo de Obreros de Palermo_, escóla com 300 crianças, e a _Associacion Rivadavia de Jóvenes Cristianos_, que sustenta uma escóla frequentada por 250 alumnos.
A notar, ainda, a associação franceza _Les Dames de la Providence_, fundadora de um orphelinato francez, que em 1906 abrigava 120 asylados.
A sociedade que mais dispendeu, no mesmo anno, foi a _Sociedad de Beneficencia Ospedale Italiano_, com 3:142 socios, a receita de 260:880,71 e a despesa de 243:324 pesos e 38 centavos.
Segue-se-lhe a _Asociacion Española de Soccorros Mutuos_, com 12:428 socios, que arrecadou 173:234,50 e dispendeu 185:668,01 e a _Sociedad Española de Beneficencia_, respectivamente, 3:673, 286:000, e 194:784,75.
_A Caja de Socorros de Policia y Bomberos de la Capital_, tinha 5:536 socios, recebeu 174:183,61, gastou 167:065 pesos e 65 centavos.
De 914:000 habitantes, que então contava Buenos-Aires, 104:808 pertenciam a sociedades mutualistas, dos quaes 94:640 eram homens, 8:880 mulheres e 1:288 crianças.
Parallelo
Synthetizando o estudo feito nos 50 capitulos que tratam das manifestações vitaes das metropoles brasileira e argentina, em todos os ramos da actividade humana, passaremos, para terminar este livro, a estabelecer um parallelo entre as duas capitaes, baseando o nosso trabalho nos principaes pontos até aqui desenvolvidos. E é assim que poderemos considerar, comparativamente, Rio de Janeiro e Buenos-Aires, sob os seguintes 26 aspectos:
—Situação geographica e topographica. —Climatologia. —Aspecto geral. —Monumentos religiosos. —Monumentos profanos. —População. —Area civica. —Museus. —Bibliothecas. —Logradouros publicos. —Arte. —Esthetica. —Historia. —Assistencia publica. —Beneficencia particular. —Theatros. —Instrucção publica. —Salubridade e hygiene. —Commercio e Industria. —Intellectualidade. —Municipalismo. —Viação urbana. —Movimento civico. —Movimento associativo. —Alimentação publica. —Natureza.
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=Situação Geographica e Topographica=—Não obstante a largura do rio da Prata ser de 45 kilometros, defronte de Buenos-Aires, o porto d’esta cidade, amplo e profundo, não deixa de ser de costa, ou margem de rio, e a sua situação geographica inferior á do Rio de Janeiro. Amplissimo e profundo, como o da capital argentina, o porto fluminense é, além d’isso, _especial_ e de belleza natural incomparavel. A differença é radical não só quanto ao porto propriamente dito, como em relação á situação geographica e á exposição topographica das duas capitães. A entrada natural do Rio de Janeiro consta de dois canaes entre fortalezas e montanhas. Transpostos aquelles, depara-se-nos uma immensa bacia liquida de 140 kilometros de circumferencia, semeada de 80 ilhas, abrigada por cordilheiras, ladeada de cidades, villas e aldeias, enfeitada por uma vegetação tropical e luxuriante. A exposição da cidade é prejudicada pela topographia do terreno, extraordinariamente accidentado. Em consequencia, as edificações galgam e contornam as elevações, não podendo, por isso, fazer-se, exteriormente, ideia da extensão e formosura da cidade. É preciso desembarcar e percorrêl-a, subir ao vértice das collinas edificadas e á cúspide das montanhas circumvisinhas, para abranger-se o panorama geral e os detalhes da povoação, surprehendendo-se situações imprevistas e gravando-se, no pensamento e no coração, a indelével impressão que resulta do conjuncto formado por um porto natural de primeira ordem, rival glorioso dos portos de Constantinopla e de Napoles, pelos esplendôres de uma paisagem feerica e unica e pela bellissima, se bem que irregular situação de uma grande cidade prejudicada por excrecencias naturaes que urge destruir, mas tão rica de moldura quão irradiante de primôres.
Em Buenos-Aires não ha belleza natural. O porto é vasto e vulgar e a cidade está edificada em immensa planicie mal vestida de vegetação e pantanosa.
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=Climatologia=—Pela situação geographica da povoação, o clima de Buenos-Aires é mais regular e ameno do que o da sua rival.
É no clima, no aspecto geral e no movimento civico que a metropole argentina mais se assimilha ás capitaes da Europa central. O clima do Rio de Janeiro é, em geral, quente e humido, se bem que suavisado, de dia e á noite, por brisas terrestres e maritimas. A não dar-se esta circumstancia e a existencia da pujante vegetação que perennemente abraça a capital brasileira em transportes de ineffavel suavidade, a metropole fluminense seria ainda hoje uma insignificante povoação indigena, a vegetar em constante e desigual lucta com a inclemencia dos elementos. Ao passo que aqui a temperatura rarissimas vezes baixa de 20.° centigrados, no mez de Julho, o mais frio do anno, em Buenos-Aires desce, frequentemente, a 5.° pela mesma epocha. Em Janeiro não é raro marcar o thermometro 32.°, no Rio de janeiro, se bem que a média da temperatura seja de 27.°, o que poucas vezes acontece na sua rival, cuja média de temperatura, no verão, é de 25.°, e no inverno, de 12.°. Cidade aberta e desabrigada, Buenos-Aires é, com frequencia, açoitada pelos _pampeiros_, furacões que se formam nos pampas. Devido á sua situação geographica e topographica, Rio de Janeiro está naturalmente mais defendida da furia dos vendavaes.
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=Aspecto Geral=—Sob este ponto de vista não é menos profunda a differença entre as duas capitaes, do que em relação á sua topographia e climatologia.
Buenos-Aires é um grandioso centro civico, extraordinariamente movimentado. Quem percorre a povoação de dia ou á noite, nas horas de maior labuta, experimenta a illusão de que está em plena Paris, Hamburgo ou Berlim.
Examinada, todavia, em detalhe, conclúe-se pela monotonia e ausencia da esthetica, n’esses arruados demasiadamente longos e estreitos, que fatigam a vista e a imaginação, a não ser que procuremos rapidamente um derivativo e um refrigerio na avenida e praça de Mayo, ou no parque de Palermo.
Rio de Janeiro, visitada n’estes ultimos tempos, produz o effeito de reconstrucção civica, após medonho cataclismo. Não obstante estarem já concluidas soberbas avenidas e transformados, para melhor, numerosos arruados, na maioria dos bairros continúa, activamente, a substituição da cidade colonial por outra mais digna da grandiosa nacionalidade que representa e dirige.
Exteriormente, o aspecto geral do Rio de janeiro, arrabaldes e suburbios é não só superior, em extensão e belleza, ao de Buenos-Aires, mas tambem ao de quasi todas as metropoles do globo; interiormente, porém, somos forçados a dar a preferencia á capital _porteña_, pelo seu feitio completo, internacional, europeu e pela assombrosa animação das suas arterias publicas, do seu commercio e de todas as manifestações da actividade humana.
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=Monumentos=—Caracteristicamente monumental, nenhuma das duas capitaes é; em ambas predomina ainda o mestre de obras a fazer casas sem arte, estylo nem gosto. Quando apparece, raramente, o architecto a manifestar-se em frontarias classicas e em detalhes interiores e artisticos trata-se, geralmente, de edificios do Estado ou de grandes empresas do commercio e da industria. Não ha muitos annos que, n’uma e n’outra capital, as casas, em geral, não passavam do segundo pavimento, o que explica-se, em parte, pela abundancia e barateza do terreno edificavel. Hoje, que elle vae escasseando e encarecendo, que as populações são mais numerosas e outras as condições da vida civica, os andares accumulam-se uns sobre os outros, apresentando as arterias publicas mais imponente aspecto. Rio de Janeiro não possúe um Congresso Nacional nem um Palacio de Justiça, monumentos grandiosos em qualquer dos maiores centros da vida terraquea; mas e em compensação, Buenos-Aires não encerra coisa que se pareça com a Candelaria, precioso escrinio monumental e artistico. Os outros santuarios fluminenses são ainda superiores aos da capital argentina, á excepção da Cathedral. S. Bento e S. Francisco da Penitencia reflectem, deslumbrantemente, o ouro e a arte dos tempos coloniaes, em que as energias moraes, physicas e economicas eram consumidas a celebrar a gloria de Deus e a da sua côrte celestial. Quanto a estatuas e a grupos artisticos, as praças e os parques das duas metropoles estão egualmente guarnecidos e ornamentados em numero e qualidade. Temos, pois, que em monumentos religiosos a superioridade pertence ao Rio de janeiro, e em monumentos civis, ou profanos, a Buenos-Aires, não obstante a monumental decoração da Avenida Central, e os edificios publicos e particulares que, na capital fluminense, ostentam, aqui e alli, as suas imponentes frontarias.
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=População=—463:453 homens e 347:990 mulheres, eis os numeros officiaes da população fluminense, em 20 de Setembro de 1906, data do ultimo recenseamento. Total 811:443 habitantes. 16 annos antes, em 1890, os habitantes do Rio de Janeiro eram 522:651, havendo um augmento de 288:792 individuos. Este censo abrange as duas zonas, urbana e suburbana, subdivididas em 25 districtos municipaes. A densidade da população, na zona urbana, é de 3:928 habitantes por kilometro quadrado, e na zona suburbana, apenas de 191.
D’aquelles 811:443 moradores do Rio de Janeiro 600:928 eram brasileiros, e 210:515 estrangeiros; 195:880 solteiros, 214:730 casados e 52:704 viuvos. Dos restantes não se conhecia o estado civil. Sabiam lêr 260:941 homens e 160:131 mulheres; eram analphabetos 202:512 homens e 187:859 mulheres; total 390:371. Existiam 50 homens e 128 mulheres com mais de cem annos de edade.
Hoje, a população do Rio de Janeiro, arrabaldes e suburbios, é computada em 900:000 habitantes.
Em Buenos-Aires, no mesmo periodo de tempo em que foi feito o recenseamento official da população da capital brasileira (setembro de 1906) havia, tambem officialmente recenseados, 1:084:113 habitantes.
Dois annos antes, o censo déra o total de 950:891 almas, das quaes 497:839 homens e 453:052 mulheres; 523:041 argentinas e 427:850 estrangeiras.
Em 31 de Março de 1908, a população de Buenos-Aires era, officialmente, de 1:140:377 moradores, que n’este momento poderão computar-se, sem exaggêro, em 1:200:000. Só as cidades norte-americanas, e não todas, podem competir com a capital argentina em rapidez de augmento de população, o que explica-se, principalmente, pelo movimento immigratorio. Só no mez de Março de 1908 entraram no porto de Buenos-Aires, 309 embarcações com 31:846 passageiros, dos quaes 12:330 eram immigrantes. No anno de 1906 entraram 419 embarcações, transportando 419:024 passageiros, dos quaes 114:889 eram immigrantes.
Pelo recenseamento geral e official de 18 de Setembro de 1904, dos 950:891 habitantes de Buenos-Aires, apenas eram analphabetos 70:825 homens e 86:474 mulheres. 104:925 homens e 97:898 mulheres eram solteiros; 159:310 homens e 149:576 mulheres eram casados, e 12:541 homens e 34:016 mulheres eram viuvos.
Do resto da população ignorava-se o estado civil. Superioridade da população de Buenos-Aires sobre a do Rio de Janeiro—300:000 habitantes, numeros redondos.
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=Area Civica=—A superficie da cidade do Rio de Janeiro, é, actualmente, de 1:100 kilometros quadrados, isto é, maior do que a de New-York, que tem 770 kilometros, a de Paris, com 500 e a de Vienna de Austria, com 178 kilometros quadrados e inferior á área civica de Londres, que é de 1:704 kilometros quadrados. O facto de tamanha area em relação á população, explica-se pela topographia da povoação, cujo desenvolvimento acompanha os accidentes do terreno, extremamente montanhoso, e pelo systema de construcção de habitações, em geral baixas e separadas por espaços ajardinados.
Ha ainda quem dê á capital do Brasil, a superficie total de 1:892 kilometros quadrados, maior do que todo o Districto Federal, que é de 1:394 kilometros quadrados. De Norte a Sul, a extensão da cidade é de 14 kilometros e de 16 de Leste a Oeste. Pelo ultimo recenseamento official, o de 1906, o numero de casas edificadas era de 84:000.
O perimetro civico de Buenos-Aires é de 200 kilometros, e o numero de casas edificadas, em 1904, era de 83:000 (ultimo recenseamento official). A enorme differença da superficie total, em kilometros quadrados, de uma a outra metropole, está em que Buenos-Aires é uma povoação compacta, onde os quarteirões, ou _manzanas_, succedem-se, ininterruptamente, e Rio de janeiro é uma cidade de bairros distantes e distanciados, divididos entre si e do nucleo central por grandes depressões de terreno e por exuberancias naturaes.
O centro civico da capital do Brasil, é pequenissimo em proporção dos nucleos edificados que com elle communicam e dos numerosos arrabaldes que circumdam os bairros populares.
A extensão de Buenos-Aires é de 18 kilometros de Norte a Sul e de 25 kilometros de Leste a Oeste.
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=Museus=—As preciosidades artisticas encerradas na Escóla Nacional, ou Academia de Bellas Artes, onde avultam quadros de Raphael, Corregio, Dominichino, Jordaens, Rubens, Ribera, Ticiano, Van Dyck, Valasquez, Paulo Veronese, Pedro Americo, Victor Meirelles, Amoedo e outras summidades do pincel; o Museu Nacional, com as suas valiosas e numerosissimas collecções, que occupam o espaço de mais de 3:000 metros quadrados; O Museu Naval e o Pedagogium, avantajam-se aos quatro museus de Buenos-Aires.
Estes são o Museu Nacional de Bellas Artes, o Museu de Historia Natural, o Museu Historico Nacional e o Museu de Armas. Falta á capital do Brasil uma installação que recorde á mocidade e ao publico, em geral, os actos de heroicidade e de civismo praticados pelos seus filhos mais illustres, na curta mas já brilhante trajectoria da existencia nacional; todavia, e em compensação, as collecções de historia natural, mineralogia, ethnographia, pintura, numismatica, e ainda outras dos museus fluminenses, são mais preciosas do que as suas similares dos museus de Buenos-Aires. Nas 17 salas do Museu Nacional de Bellas Artes da capital argentina, ha maior numero de quadros do que nos exiguos e escuros compartimentos da Academia de Bellas Artes, do Rio de janeiro; porém os quadros d’esta ultima são de maior valor artistico e constituem, incontestavelmente, a primeira collecção da America do Sul.
Quanto ao Museu Nacional, esse é tambem, no seu genero, o melhor do continente sul-americano. Brevemente, reunidas todas as collecções naturaes e artisticas no sumptuoso palacio das Bellas Artes, em construcção na Avenida Central, a capital do Brasil possuirá um dos primeiros museus do globo.
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=Bibliothecas=—A Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, possúe 240:000 volumes, e a Bibliotheca Nacional, de Buenos-Aires, 180:000. Além de que a primeira tem 100:000 estampas e gravuras e 25:150 moedas e medalhas.
Em compensação, a argentina possúe imprensa propria, officina de encadernação e estufas de desinfecção, o que a fluminense ainda não contem, mas que certamente não lhe faltarão, e em condições de superioridade, na sua nova installação da Avenida Central que, dentro em pouco, será inaugurada. A Bibliotheca Nacional, brasileira, já estava melhor installada do que a sua similar, argentina; agora, transferida para o novo e magestoso palacio, em conclusão, não terá rival em toda a America do Sul.
Quanto á frequencia média, mensal, a da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro é de 3:500 leitores e a da sua congenere de Buenos-Aires, é de 2:500.
A Bibliotheca Municipal, fluminense, encerra 22:000 volumes, com a media mensal de 1:200 leitores; a Bibliotheca Municipal, ou Rivadavia, de Buenos-Aires, 43:000 livros, com equivalente frequencia.
As outras collecções de livros mais importantes, nas duas capitaes são, em Buenos-Aires, as bibliothecas General Mitre, do jornal _La Prensa_, das Faculdades de Direito e de Medicina e da Sociedade Typographica Bonaerense; no Rio de Janeiro, a _Fluminense_, com 90:000 volumes, a _Germania_; a do _Commercio_ e as especiaes do Exercito e da Marinha, nos respectivos arsenaes.
De associações e particulares, ha numerosas collecções de livros, mais ou menos importantes, em uma e outra capital, equivalendo-se em numero e qualidade.
Se a existencia de livros, na Bibliotheca Nacional, fluminense, é superior em 60:000 volumes aos exemplares da sua congenere do Rio da Prata, o numero de livros que enriquecem a Bibliotheca Municipal de Buenos-Aires, é superior em 11:000 volumes á collecção da Bibliotheca Municipal do Rio de Janeiro.
A primazia d’esta capital, em bibliothecas, é principalmente devida ás respectivas installações.
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=Logradouros publicos=—Principaes parques e jardins de Buenos-Aires, com as competentes areas em metros quadrados:
Parque Tres de Fevereiro, ou de Palermo 3:677:467 Parque Saavedra 426:397 » Patricios 228:795 Jardim Zoologico 179:400 Parque Christovão Colombo 162:000 » Lezama 76:635 Jardim Botanico 80:427 Passeio de Julho 33:085 » Colon 20:216
Ha ainda outros parques e jardins, menos importantes e citados no capitulo respectivo, que completam o algarismo de 7:100:000 metros quadrados, para a indicação da superficie total dos logradouros publicos da capital argentina.
Quanto aos da sua rival, brasileira, eis o quadro:
Jardim Botanico 544:611 Parque da Republica 198:000 » de S. Christovão 180:000 Passeio Publico 28:196 Jardim da Gloria 20:000
Addicionando as superficies de todos os outros jardins e passeios ajardinados do Rio de Janeiro, muito inferiores aos mencionados anteriormente, temos, no maximo, uma area de 1:500:000 metros quadrados de superficie total para todos os logradouros publicos da capital do Brasil. Propositadamente não incluimos, n’este quadro, o Jardim Zoologico e a Floresta da Tijuca, do Rio de Janeiro, ambos descriptos no capitulo respectivo, porque o primeiro é indigno d’esse nome e está alugado a particulares, e a segunda fica muito além da area civica e está inculta, em grande extensão e liga-se, por diversos pontos, a matagaes virgens.
É, sob este ponto de vista, esmagadora a superioridade da capital argentina sobre a brasileira; mas o que Buenos-Aires jámais possuirá é um Jardim Botanico comparavel ao do Rio de Janeiro, mesmo porque este não tem rival em parte alguma do mundo, quanto a belleza e desenvolvimento da vegetação.
N’este particular, todos os logradouros publicos fluminenses são superiores aos bonaerenses, cujo arvoredo é, em geral, rachitico e raro.
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=Arte e Esthetica=—Em manifestações estheticas e artisticas temos, nas duas capitaes, os monumentos publicos e particulares, as preciosidades contidas nos seus museus e a esthetica geral e civica das duas metropoles. Considerado este especialissimo ponto de vista, Buenos-Aires avantaja-se ao Rio de Janeiro, na generalidade, e esta capital áquella nos detalhes. A capital argentina tem um caracter definido do bello, apreciavel e discutivel, mas emfim é uma cidade regularmente edificada em arruados symetricos e que obedecem a um plano preconcebido, se bem que na sua execução haja a notar a pouca amplidão das arterias em relação ao comprimento, o que faria de Buenos-Aires uma cidade triste e monotona, se a não animásse a extraordinaria actividade de 1:200:000 individuos, que parecem multiplicados por quatro. Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. Esta obedece tambem a um plano revelador do caracter esthetico; mas a verdade é que muito resta ainda da antiga povoação colonial, mesmo no centro da cidade, e que só muito mais tarde será completamente transformado; ao passo que ha mais de trinta annos que Buenos-Aires é uma capital regularmente edificada, _por igual_.
Considerados os detalhes não ha parallello possivel. A Avenida de Mayo, com todo o seu movimento parisiense e londrino, não vale a esthetica nem a arte da Avenida Central, ladeada por cem palacios, como a perspectiva do parque de Palermo, não se compara aos esplendores irradiantes do percurso pela Avenida Beira Mar.
Em todas as coisas d’este mundo, porém, a verdade é só uma e a logica implacavel, obrigando-nos a resolver o assumpto pela generalidade. Em valor e formosura de monumentos e de collecções artisticas, já vimos a superioridade da capital argentina quanto ao primeiro ponto. O thesouro artistico, em pintura, da Academia de Bellas Artes, do Rio de Janeiro, compete vantajosamente com todas as collecções de arte que enriquecem os museus e as galerias particulares de Buenos-Aires.
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=Historia=—É egualmente gloriosa para as duas primeiras capitaes sul-americanas, a historia da sua fundação. Gonçalo Coelho e Pedro de Mendoza, militares de alta patente, o 1.º almirante e o 2.º governador militar, ou _adelantado_, foram os primeiros europeus que pisaram o solo onde, mais tarde, deveriam ser fundadas as soberbas metropoles que nos occupam. O _adelantado_ foi mesmo o fundador da primitiva cidade de Buenos-Aires, cujo nome provem da exclamação do seu subordinado, o capitão Sancho del Campo, ao saltar em terra:—_Qué buenos aires son los de este suelo!_
A hostilidade dos naturaes e a falta de recursos pelo esquecimento e abandono da metropole, não permittiram que prevalecêsse a obra do governador hespanhol, e cinco annos após a fundação, a localidade era abandonada, para só reviver 39 annos depois, sob o genial impulso de Juan de Garay.