Tres capitaes

Part 13

Chapter 133,523 wordsPublic domain

Percorrem-se, na cidade, as avenidas ladeadas de bellas vivendas no meio de formosos jardins e suavisadas pelo deslisar de limpidas aguas; vae-se á Cascatinha, sitio encantador e votado ao mais criminoso olvido; contempla-se e admira-se o ineffavel amplexo da excelsa natureza a povoação tão amimada de primôres; e como se de páramos celestes caissemos em infectado pantano, o nosso espirito divaga da grandeza divina ás miserias humanas.

Os buracos das ruas e a lama que os occultam, o capim que começa a invadir os proprios passeios abandonados pela incuria official; frontarias sujas; edificações que se não completam e outras que ameaçam ruina; tudo isso revela, ao forasteiro, quão monstruosa é a inepcia e vergonhoso o desleixo de quem assim trata uma localidade que é um primôr de situação topographica e a residencia dos representantes dos povos nossos irmãos e collaboradores na evolução ascencional para o Progresso e para a Luz.

O brio, a dignidade nacional, o simples criterio e bom senso exigem a conservação e o aperfeiçoamento material de Petropolis.

Conviver, no meio de um charco, com as summidades diplomaticas que, no Brasil, representam as nações civilisadas de todo o mundo, é provar-lhes que a nação prefere a economia de alguns vintens á subida honra de dignamente fraternisar com os povos que a distinguem com a sua presença e amisade. E um charco será Petropolis, em poucos annos, se continuar a incuria e o abandono das auctoridades brasileiras.

Não é acceitavel o argumento de que a municipalidade não dispõem de recursos financeiros.

Este é um dos casos excepcionaes em que o governo federal póde e deve intervir por dignidade propria e do paiz que representa.

É preciso, porém, regressar e a paisagem, a natureza, Deus, o conjuncto de perfeições que paira por sobre a Terra, na immensidade dos céos, e que a humanidade jámais conseguirá corromper, enlevam-nos, pelos vôos do pensamento e pelos effluvios da alma, até onde a creatura divinisa-se pelo esquecimento eterno e pelo infinito amôr.

Apreciação Geral

Passando periodica e triumphalmente por todos os numerosos e variados aspectos de povoação colonial, de metropole de um paiz livre e de centro grandioso e bello da actividade humana, em todas as suas brilhantes manifestações, Rio de Janeiro, como desde o berço, terá sempre a aureolar-lhe o vértice glorioso dos destinos, a sua famigerada belleza natural que, sob este especialissimo ponto de vista, a sublima á apotheose de primeira cidade do mundo.

A sua esplendorosa situação geographica e topographica foi, genialmente, escolhida para capital de primeira grandeza.

Porto de entrada admiravelmente defensavel e tão vasto que, com superabundancia, abrigaria todas as esquadras mercantes e bellicas do nosso planeta; maravilhoso scenario de cordilheiras, serras e montanhas, corôadas de picos gigantescos, caprichosos e como que desenhados e vestidos para enfeite e realce da colossal metropole; valles amenissimos, encostas verdejantes e cabeços que desapparecem no seio das nuvens, onde haurem a frescura e a seiva que alimentam e suavisam a grandiosa cidade; todo esse conjuncto de primôres mantem a capital brasileira em um deslumbramento natural, que é o enlêvo e o supremo encanto dos seus moradores e visitantes. Mas, se tal é o seu aspecto geral, quanto á natureza e á situação geographica, vejamos o que é Rio de Janeiro como cidade, analysando-a detalhadamente, em todas as suas curiosidades.

Esse mesmo amplexo, tão apertado quão assombrosamente bello, das preciosidades naturaes que a envolvem, prejudicam a localidade na sua expansão material e civica, difficultando-lhe o desenvolvimento. No centro, como nas extremidades, a povoação esbarra em morros, collinas e outeiros, uns que galgou, cobrindo-os de casaria, outros que procura derrubar, para expandir-se, e ainda alguns, cuja estructura é tão formidavel, que se torna forçoso contornar ou acceitar como limite da cidade.

A soberba Avenida Central, algumas ruas largas que a cortam e outras que lhe são parallelas; a magestosa Avenida Beira-Mar; o aformoseamento de largos e praças; a erecção de monumentos publicos e a substituição de velhas edificações, transformaram, em grande parte, o Rio colonial, do Imperio e dos primeiros annos da Republica. A reedificação continúa a par da construcção gigantesca e utilissima do novo porto; novissimas avenidas e outros melhoramentos estão iniciados ou projectados, de modo que, no espaço de um decénnio, a capital brasileira será não só o primeiro centro civico e commercial da America do Sul, mas um dos melhores do globo, como já é o primeiro na incomparavel formosura dos seus contornos.

Na execução do extensissimo plano de melhoramentos materiaes não se nota, porém, o criterio que seria para desejar em assumpto de tal magnitude e importancia.

É assim que no aproveitamento de velhos arruamentos que ainda servem a povoação, taes como: Ouvidor, Rosario, Hospicio, S. Pedro, General Camara, Theophilo Ottoni e outros que communicam com a Avenida Central, para alargamento d’esses arruados, ou para construcção de novas avenidas, o que terá, impreterivelmente, de realisar-se em futuro mais ou menos proximo, serão sacrificados os grandiosos e artisticos edificios que, na Avenida Central, fazem esquinas com as ruas citadas.

Tal não se daria se houvesse o bom senso de não consentir em novas construcções nas proximidades d’esses arruamentos, edificações que, pela sua grandeza, quasi fazem desapparecer, á vista, a já exigua largura d’aquelles.

Outro gravissimo erro do governo federal e da municipalidade é a conservação, entre outros, dos morros do Castello e de Santo Antonio, cuja suppressão aproveitaria ás mesmas collectividades, pela acquisição de terreno edificavel; á salubridade e á hygiene publica pela circulação, mais livre, do ar e da luz, e á esthetica da cidade, que ficaria completa e aprimorada. Outros defeitos de menor importancia desapparecerão com o tempo e a boa vontade de dirigentes e dirigidos.

Especialmente notavel é a falta de um Jardim Zoologico, digno d’este nome, em um centro como Rio de Janeiro, capital de um dos mais ricos paizes do globo, em quasi todas as especies animaes. O que existe com este nome é deposito particular, vergonhoso e deprimente para o civismo de uma população das tradições da capital fluminense.

A burricada das companhias S. Christovão e Carris Urbanos, deve desapparecer, com brevidade, de um centro já abundantemente servido pela tracção electrica.

A população mista e bizarra da grande cidade carioca, sendo morigerada e primorosamente hospitaleira está, comtudo, longe de corresponder á grandeza material do Rio de Janeiro e ás proporções civicas, que os seus governantes, homens novos e progressistas, estão a imprimir-lhe. Ella ainda não se adaptou aos costumes dos grandes centros civilisados, onde cada qual trata da sua vida e do bem commum, sem importar-se, por educação e por falta de tempo, com o que faz o vizinho.

Nas cidades europeias e americanas, os moradores do mesmo predio não se conhecem, geralmente, limitando-se a cumprimentos de respeito quando, por acaso, encontram-se na escada. No Rio ainda impéra a bisbilhotice, e censuram constantemente os defeitos do proximo aquelles que não se conhecem. Muito ha ainda a fazer, a caminhar no sentido progressivo, n’este como sob outros pontos de vista.

Trata-se, todavia, de um paiz novo, insufficientemente preparado nos primôres da civilisação; mas cuja população é intelligente e dotada de energia e de civismo sufficientes para, dentro em poucos annos, ascender ao logar que lhe compete no convivio universal dos povos e das nações.

Possuidor de todos os elementos progressistas e civilisadores, de uma natureza uberrima, bellissima e fecunda, de homens eminentes pelas primorosas faculdades de espirito e qualidades moraes que formam os benemeritos da humanidade e da patria, o Brasil, que ainda recentemente impoz-se á consideração universal pelo genio de um dos seus filhos, continuará, ininterruptamente, a caminhar pela senda gloriosa dos seus destinos; e a sua capital, material e scientificamente aformoseada á altura da belleza natural que a sublima, brilhará, perante o mundo, como o vivo e deslumbrante testemunho do incommensuravel poder do genio da humanidade, fundido no cadinho immortal do trabalho, do talento, da justiça e do amôr.

INDICE

Pag.

Razão de Ser 5

Domingo de Ramos 13

Situação e Aspecto Geral 19

Historia 27

Phases Fluminenses 39

Monumentos 45

Egrejas 61

Museus 69

Bibliothecas 77

Jardins e Parques 81

Theatros 91

Cemiterios 95

Curiosidades 99

Estabelecimentos Scientificos 117

Da Carioca ao Somaré 125

Assistencia Publica 129

Beneficencia Particular 145

Batalha de Confetti 193

Instrucção Publica 197

Corcovado 205

Governo Municipal 209

Copacabana, Leme e Ipanema 213

Salubridade 217

Viação Urbana 223

Imprensa 229

Commercio e Industria 233

Porto do Rio de Janeiro 237

Recenseamento 241

Segurança Publica 249

Nictheroy 257

Petropolis 259

Apreciação Geral 263

MONTEVIDEU

Situação e Aspecto Geral

O nome de Montevideu, que os orientaes-uruguayos escrevem—Montevideo—provém de um cerro, com 149 metros de altura, que se eleva defronte da capital. Encima-o a fortaleza General Artigas.

A cidade está situada em uma peninsula da embocadura do Rio da Prata, no extremo sul do departamento de Montevideu, o mais pequeno da Republica, em extensão territorial.

O seu porto é formado por vasta e bella bahia, de facillimo accesso, com um ante-porto artificial, que é um arrojo de engenharia, e numerosos cáes acostaveis, quasi concluidos, que farão de Montevideu um dos primeiros portos do mundo.

A povoação é toda plana e o clima, regular nas quatro estações do anno, é geralmente ameno. É raro elevar-se a temperatura, no verão, além de 30 graus e no inverno descer a zero. Apenas o vento de sudoeste, ou _pampero_, açoita, por vezes, os mares visinhos, a bahia e a cidade. Esta póde considerar-se dividida em tres secções. A primeira comprehende a primitiva povoação de Zavala, o fundador, desde o extremo oeste até á actual rua da Cidadella. Traçou-a o capitão Millan. A segunda prolonga-se da Cidadella até Egido, e a terceira secção é a novissima cidade, que abrange os antigos bairros de Cordon e da Aguada, bem como a area até ao riacho Miguelete e o caminho da povoação de Propios.

Os limites actuaes e officiaes de Montevideu são o arroio Miguelete, desde a sua foz, no Prata, até Propios, ao norte; a éste o caminho de Propios, e ao sul e oeste o rio da Prata.

A população total da cidade é de cêrca de 260:000 habitantes, a do departamento de 290:000, e a de toda a Republica Oriental do Uruguay, de 1.250:000 habitantes.

O aspecto geral de Montevideu é tristonho. As casas, em geral de um só pavimento e velhissimas, dão-lhe a perspectiva de uma antiga cidade colonial; mas, de espaço a espaço, a monotonia do conjuncto é quebrada por bellas e modernas edificações, algumas com artisticas frontarias.

O que muito contribúe para afear as antigas e muitas das modernas casas da cidade, é fazerem as cimalhas em fórma de sacada e de varandas salientes, o que dá-lhes um tom original mas desagradavel á vista e attentatorio da esthetica.

As ruas são quasi todas largas e muito arborisadas, porém a vegetação é macilenta e rachitica. Ha lindas avenidas, sendo a principal a _Dezoito de Julho_, com 30 metros de largura.

O centro civico de Montevideu é constituido pelas tres praças, da Independencia, da Constituição e de Cagancha, assim como pelas arterias publicas que as communicam, taes como Rincon, Uruguay, Sarandi, Vinte e Cinco de Maio, Vinte e Cinco de Agosto e Zavala.

A primeira das grandes praças acima citadas, occupa o centro, é vastissima e ajardinada, como as outras duas, não possuindo edificio algum notavel. As fachadas de quasi todos os predios que a circundam, assentam sobre columnas.

Na praça da Constituição avultam a Matriz, e os edificios do Jockey-Club, do Grande Hotel e da Representação Nacional, antigamente do Cabido.

O Atheneu e o Museu e Bibliotheca Pedagogicos, são as melhores construcções da praça Cagancha, tambem conhecida pelo nome de Liberdade, por ostentar, ao centro, o monumento da Liberdade, uma figura feminina, de bronze, sobre alta e elegante columna de granito. Depois d’estas, as melhores praças da capital uruguaya são as de Trinta e Tres e do General Flôres.

Todas, bem como as ruas principaes, são illuminadas a profusão de arcos voltaicos, ou de fócos electricos, sendo pelo mesmo systema a illuminação geral de toda a cidade.

Numerosos canaes subterraneos conduzem do rio Santa Lucia, a sessenta kilometros de distancia, abundancia de agua potavel para abastecimento da cidade.

D’entre os mais notaveis edificios de Montevideu, sobresahem, além dos já citados, a Universidade, a Camara Municipal, o Monte de Piedade, o Theatro Solis, a Estação Central, o Manicomio, o Banco Britannico, as casas de Jackson, de Golorons e de Chiarino; os templos da Aguada, Metropolitano, de S. Francisco, de Cordon e dos Redemptoristas; os hospitaes Italiano, Hespanhol, Militar e da Caridade; os asylos dos Expostos e de Mendigos; a Bolsa; a Escóla de Artes e Officios; o Palacio do Governo e o Seminario Conciliar. Ha outras construcções particulares notaveis, principalmente algumas sédes bancarias. Porém, os principaes monumentos de Montevideu consistem nas suas instituições de Educação e de Beneficencia. Estas, então, são modelares. O Manicomio e os asylos de Expostos e de Mendigos, fariam honra e dariam gloria ás maiores metropoles do nosso globo. É que a população de Montevideu é essencialmente caritativa e affavel.

Em parte alguma poderá haver quem exceda o montevideano em extremos de hospitalidade, de cortezia e de carinho.

As senhoras, vestindo com elegancia e estonteadoramente formosas, dardejam scintillações astraes no taciturno aspecto da velha cidade. Por toda a parte o forasteiro sente-se bem; gosa e aprecia as delicias de um grande centro, eminentemente progressista, metropole de um paiz pequeno, mas admiravelmente bem organisado e dotado de instituições que o honram e glorificam, sublimando a grande familia humana aos esplendôres da civilisação e do amôr universal.

Historia

Com a designação de _San Felippe de Montevideo_, o general Bruno Mauricio de Zavala, que desempenhava, em nome do governo hespanhol, o cargo de governador de Buenos-Aires, mandou delinear uma nova povoação, na embocadura do rio da Prata.

Em 24 de Dezembro de 1726, o capitão D. Pedro Millan, por nomeação do Governador, começou a abertura das ruas e a repartição dos terrenos para as primeiras edificações.

Oito familias, compostas por 33 pessôas, foram os primeiros povoadores da novissima localidade, que já em 1770 contava mil e cem habitantes.

As primitivas construcções eram de couro, com estacas, empregando-se a pedra, com cobertura de palha, nas melhores edificações.

A 1 de Janeiro de 1730, Zavala creou a primeira instituição de Montevideu, o Cabido, especie de municipalidade, composta de 9 membros. O fundador mandou cercar de muralhas a nova povoação.

O coronel José Joaquim de Viana, foi o primeiro governador civil e militar de Montevideu, nomeado em 1749.

Em 1796 inaugurou-se a primeira escóla publica, sendo construida a casa, para o seu funccionamento, em um terreno doado por D. Maria Clara Zavala de Vidal.

Ao alvorecer do seculo XIX, a população da nova cidade já era superior a 15:000 habitantes. Em 1807, Montevideu foi tomada pelos inglezes, sob o commando de Beresford, que muito pouco tempo depois a abandonaram, assignando a capitulação de Buenos-Aires.

A primeira eleição popular, livre, fez-se em 1808, para a Junta do Governo. No anno seguinte começou a evolução emancipadora, que em 1809 transformou-se em revolução, sendo abafada pelas tropas hespanholas, que até 1814 resistiram dentro dos muros da cidade, aos caudilhos da independencia nacional. Finalmente, em 1815, o general Artigas entrou em Montevideu, arvorando nas suas muralhas a bandeira oriental—uruguaya.

Dois annos depois, a capital foi tomada pelos portuguezes, em seguida á batalha de India Muerta, cujo effeito os combates de Rincon, Sarandi e Ituzaingó destruiram, voltando a famosa cidade á unidade nacional.

Desde 1 de Maio de 1829 que Montevideu é a capital official da Republica Oriental do Uruguay. Esta cidade foi uma formidavel praça de guerra e é hoje um grandioso centro civico e commercial. A primeira fortificação foi levantada dois annos antes da fundação da localidade, no intuito de resistir aos portuguezes, que em 1723 tinham-se apoderado da peninsula de Montevideu, abandonada pelos hespanhoes.

As muralhas, cuja construcção começou com a da cidade, communicavam com a Cidadella, elevada no local occupado hoje pela praça da Independencia. D’ahi seguiam até ao _portão de S. Pedro_, agora rua Vinte e Cinco de Mayo, entre Juncal e Cerro, e d’ahi até ao Cabo do Norte, na costa maritima. Ahi existia um cordão de baterias para proteger as _Bóvedas_, deposito de material de guerra.

O _Cabo del Sur_, completava as fortificações exteriores de Montevideu, que assim resistiu a um cêrco de nove annos, de 1843 a 1851, ao cêrco de Artigas, de 1812 a 1814. A batalha de Guayabos, ganha pelo general Artigas ás tropas hespanholas, deu-lhe não só, em 1815, a posse da cidade, como ensejo á proclamação da independencia nacional, perturbada, em 1817, pelos portuguezes, e consolidada pela conquista das Missões e pelos feitos de armas de Ituzaingó, Rincon e Sarandi.

Depois de quasi dois seculos de luctas pertinazes e gloriosas, começando pelas dos indigenas, que tornaram difficil a existencia dos primeiros habitantes, pretendendo mesmo destruir o primitivo nucleo civico, Montevideu é hoje uma grande cidade, residencia dos altos poderes da nação e destinada, pela admiravel situação geographica, pelo seu amplo e magnifico porto e pelo trabalho e patriotismo dos montevideanos, aos mais brilhantes destinos.

Assistencia Publica

_Hospital de Caridade_—O maior e mais importante de Montevideu. Foi fundado no anno de 1809, por doação de Francisco Antonio Maciel.

A média annual de doentes é de sete mil.

É um grande edificio, em 3 pavimentos, pessimamente situado no centro da cidade e nas proximidades do porto.

No primeiro pavimento estão duas enfermarias cirurgicas, para o sexo masculino, uma enfermaria para militares, sala de operações cirurgicas, a pharmacia e uma enfermaria ophtalmologica. Nota-se, na sala das operações, a falta de apparelhos especiaes, cirurgicos, se bem que ahi trabalhe o dr. Navarro, primeiro cirurgião da Republica.

No segundo pavimento ha uma enfermaria mista de medicina e cirurgia, para presos; enfermaria de partos e sala de operações da especialidade; enfermaria geral de medicina, para mulheres; enfermaria geral cirurgica, feminina; enfermaria para venereos, masculinos; sala de operações para homens; sala e enfermaria para officiaes militares, pensionistas do Estado, e mais duas enfermarias de medicina e uma de cirurgia, para homens.

No rez-do-chão estão installados os depositos geraes do estabelecimento, entre elles o de cadaveres, bem como as cosinhas e as despensas. O edificio tem quatro pateos interiores. Em um d’elles está a sala de autopsias e dois são ajardinados. Nota-se pouca limpeza e, em consequencia, o odôr pronunciado e caracteristico dos hospitaes que, como este, são indignos de uma cidade da cathegoria de Montevideu, e deprimentes para o seu glorioso renome de beneficente e altruista.

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_Manicomio_—Foi fundado em 25 de Maio de 1880, pelo governo do general Santos.

É construcção vasta e dividida em dois pavilhões, um para cada sexo. O das mulheres é servido por irmãs de caridade.

O serviço interno é feito por cinco medicos, um cirurgião e cinco praticantes.

Á entrada, entre os dois pavilhões, está o estabelecimento hydrotherapico, com excellente installação. Salão de recepção.

Sala provida dos mais modernos e aperfeiçoados apparelhos, para a cura pela electricidade.

Enfermaria de observação de alienados, com banheiros.

Secção especial de pensionistas, com pequenos pavilhões, e jardins privativos. Pavilhões, na cêrca, para observações. Grande pavilhão—lavanderia que prepara a roupa de todas as casas de caridade da capital. Officinas de carpintaria, mechanica, e de trabalhos manuaes.

Quinta-pomar, entretida pelos doentes brandos, e que fornece o estabelecimento. Pavilhão com uma enfermaria de cirurgia, outra de medicina, salas de operações, de radiographia e consultorio odontólogico. Bibliotheca da especialidade. Pharmacia especial. Capella com torre, e interiormente revestida de marmores diversos.

Grande cêrca e jardins com apparelhos para gymnastica e outros exercicios. Existencia de 1:500 alienados, de ambos os sexos. Ao contrario do Hospital de Caridade, nota-se n’este estabelecimento primoroso aceio.

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_Asylo de Expostos e Orfãos_—Deve-se a sua fundação, em 7 de Outubro de 1818, á iniciativa do vigario D. Damaso Larreñaga, e do general portuguez Sebastião Pinto de Araujo Correia.

Ao principio esteve este estabelecimento aggregado ao Hospital de Caridade. O actual edificio foi começado a construir em 1873 e concluido e inaugurado em 1875. Este Asylo é mantido pelo Estado, seu proprietario, e administrado pela Commissão de Caridade e Beneficencia Publica, entidade de nomeação official e que tambem superintende nos outros estabelecimentos de assistencia publica, de Montevideu. Em Maio de 1908 tinha uma existencia de 220 varões, de 3 a 17 annos, e de 180 meninas, que são admittidas dos 3 aos 18 annos. Abriga e sustenta orfãos e expostos na roda do estabelecimento, ou entregues pelos paes com o pretexto de indigencia.

Ha cinco dormitorios para meninos e seis para meninas, todos bem ventilados e com muita luz. Escóla gratuita para meninas externas; enfermarias especiaes para syphiliticos e tuberculosos; ditas para enfermos de olhos e dos ouvidos; sala de operações cirurgicas, estufas de desinfecção, pharmacia e enfermarias de convalescentes e de observação. As creanças recem-nascidas e abandonadas, são entregues a amas que as criam fóra, e restituem ao Asylo, aos tres annos de edade.

A pharmacia, além do estabelecimento, tambem serve a pobreza da cidade, despachando, diariamente, a média de 250 receitas.

Consultorios medicos, interno e externo, e enfermaria de herpeticos.

Este edificio está situado na rua do Salvador e tem uma area de 5:600 metros. A manutenção do Asylo custa ao Estado, mensalmente, quinze contos de réis.

A Commissão administradora substituiu, ultimamente, as irmãs que faziam o serviço d’esta casa de caridade, por pessoal laico, tambem feminino, porque, no seu fanatismo, as irmãs martyrisavam as creanças com praticas religiosas, em excesso, e que principiavam de madrugada.

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_Asylo de Mendigos e Chronicos_—Este edificio, situado na rua Larravide vale, com o terreno annexo, cêrca de trezentos contos de réis, moeda portugueza.