Tres capitaes

Part 11

Chapter 113,239 wordsPublic domain

Do centro da cidade e pela praia de Botafogo o tramway electrico entra na rua da Passagem, e por ella dirige-se ao tunnel do Leme, que fura um dos contrafortes da serra do Corcovado, ou da Tijuca. Transposta a galeria subterranea, encontra-se duas linhas; a da direita, que segue á praia de Ipanema, e a da frente, que termina na extremidade occidental da praia do Leme. Esta linha é a mais curta, e em poucos minutos attinge-se o obstaculo natural formado pela mesma serra que o tunnel vence e por um gigantesco blóco de pedra, o Pão de Assucar, a desafiar a furia das vagas que, impotentes, desfazem-se, espumantes, de encontro á sua formidavel estructura. Ahi, n’esse encantador final de praia, ha um botequim-restaurante, e organisam-se algumas diversões, no intuito de attraír a concorrencia dos cariocas a sitio tão pittoresco.

Todo o conjuncto, que prolonga-se do extremo da praia do Leme, ao da de Ipanema, visinha da Gavea, tem a denominação generica de Copacabana, cujo ponto principal, além dos já citados, é a Egrejinha, logar elevado e reintrante que divide a praia do Leme da de Ipanema. Um santuario, branco e anti-artistico, occupa o vértice d’aquella elevação, proporcionadora de um dos mais deliciosos encantos que ao nosso espirito possamos offerecer na ephemera passagem pelos esplendores terrestres. O verde glauco das ondas, quebrando-se a nossos pés, em furia tremenda, e projectando-se, em nivea espuma, aos atomos ethereos; a enseada immensa da Copacabana, bordada de casaria, que emerge de tufos de verdura; a verdejante cadeia de montanhas que fecha o horizonte; á nossa direita, a immensidade oceanica, á esquerda as fortalezas que defendem a barra; em face o pharol da Ilha Rasa e os cumes de serras distantes, aureolados por um poente maravilhoso; eis o panorama que sublima a alma a regiões sonhadas pelo que existe, em nós, de immortal e de divino.

O ministerio da guerra tomou conta da Egrejinha, que é tambem um excellente ponto estrategico, outr’ora aproveitado, e trata de fortifical-o.

Ipanema é uma praia tão vasta e bella, dotada de taes condições topographicas e climatericas, que é um crime não preparal-a a ser frequentada e habitada pelos fluminenses, que costumam ir muito mais longe procurar o que possúem ao pé de casa, como nenhum outro povo do mundo.

Aqui não é o oceano a debater-se contra formidaveis gigantes de pedra; as ondas espraiam-se suave e encantadoramente, estendendo niveos e formosos mantos, que as projecções solares bordam de myriades de scintillações deslumbradoras. Já existem muitas habitações em quasi toda a extensão da Copacabana, algumas elegantes; porém o sólo, extremamente arenoso, não está convenientemente preparado; não ha conforto nem distracções.

Só a natureza, nos esplendôres do céo e da terra, gorgeia alli, perennemente, um hymno de triumpho, de belleza e de amôr ao Supremo Creador das celestes espheras.

Salubridade

A Bombaim sul-americana, como era classificada, na Europa, a cidade do Rio de Janeiro, desappareceu sob a alavanca demolidora do dr. Pereira Passos, ex-Prefeito Municipal, a competencia scientifica do dr. Oswaldo Cruz, Director Geral de Hygiene, e a collaboração de muitos elementos officiaes e particulares, que congregaram-se para dar batalha de exterminio á febre amarella e a outras molestias endemicas e epidemicas que afugentavam os immigrantes e os forasteiros, da perola das cidades mundiaes.

Só a febre amarella dizimára, á sua conta, em 1896, 2:929 habitantes da Capital Federal; dez annos depois, em 1906, os seus estragos reduziram-se a 42 vidas!

Hoje, póde affirmar-se que essa terrivel epidemia passou á historia sanitaria do Rio de Janeiro. A transformação da cidade pela abertura de grandes avenidas e pelo alargamento das velhas ruas coloniaes e, principalmente, as providencias energicas adoptadas pelo governo federal e pela municipalidade, isolando os enfermos, destruindo, pelo fogo, as habitações empestadas e dando caça implacavel ás larvas e aos mosquitos conductores e transmissores dos microbios febris, libertaram a formosa metropole brasileira da fama de necroterio universal e transformaram-na em uma das mais salubres capitaes do nosso globo.

Já em 1906 era a seguinte a estatistica comparativa da mortalidade nas principaes capitaes da Europa, da Asia e da America:

Athenas 30,9 S. Petersburgo 30,5 Madrid 28,0 Lisbôa 23,1 Roma 20,8 Rio de Janeiro 20,7 Vienna d’Austria 19,3 Tokio 18,9 New-Iork 18,3 Paris 17,6 Berlim 17,1 Londres 15,6

Actualmente, o Rio de Janeiro é, pelo menos, tão salubre como New-Iork e Paris.

Este assombroso resultado é uma das glorias mais refulgentes e impereciveis da administração republicana do Brasil.

A ultima estatistica official indica a mortalidade, no Districto Federal, de 16 por 1:000 habitantes, annualmente.

Para manter esta proporção consoladôra e acima de toda a espectativa, muito contribúe o abastecimento de aguas á capital da Republica, hoje consideravelmente augmentado e aperfeiçoado.

A distribuição do precioso liquido está a cargo da Inspectoria Geral de Obras Publicas, subordinada ao ministerio da Industria e Viação, e faz-se por 26 reservatorios, caixas, açudes e reprezas, que occupam situações elevadas dos seis districtos em que, para o effeito da distribuição, está dividido o Districto Federal. O primeiro reservatorio construido foi o do Pedregulho, em 1876, celebre pelas suas fendas, que custaram milhares de contos ao Thesouro. Só no anno de 1905 gastou o governo da União a somma de 20:000 contos para augmento do abastecimento de agua á cidade do Rio de Janeiro, arrabaldes e suburbios.

Actualmente é o Districto Federal abastecido, diariamente, da seguinte fórma:

—Rio Maracanã e affluentes 17 milhões de litros —Rio Macaco 6 » » » —Rio Cabeça 1,500 mil litros —Rios Carioca e Paineiras 3 milhões de litros —Aguas do Silvestre e morro do Inglez 300 mil litros —Rio Trapicheiro 2,500 mil litros —Rio Tres Rios 4 milhões de litros —Rios Mendanha, Piraquara e Covanca 3,700 mil litros —Serras Tinguá e Commercio 122 milhões de litros Augmento de 1905 50 milhões de litros ----------- 210:000:000 » » »

Eis o quadro da mortalidade geral, no Rio de Janeiro, em 1906:

Tuberculose pulmonar 2:647 Outras tuberculoses 135 Molestias do apparelho respiratorio 1:327 Molestias do apparelho digestivo 2:398 Molestias do apparelho circulatorio 2:242 Molestias do systema nervoso 1:331 Mortes violentas (excepto suicidios) 507 Molestias do apparelho urinario 473 Grippe 453 Molestias de primeira edade e vicios de conformação 437 Cancros e outros tumores malignos 291 Debilidade senil 219 Paludismo agudo 149 Outras molestias geraes 145 Injecção purulenta septicemia (excepto a puerperal) 140 Paludismo chronico 118 Peste 111 Molestias ignoradas ou mal definidas 98 Syphilis 71 Suicidios 71 Beriberi 69 Febre typhoide 65 Dysenteria 60 Molestias da pelle e do tecido cellular 56 Outros accidentes purperaes 55 Febre amarella 42 Septicemia puerperal 42 Diphteria e crup 41 Coqueluche 39 Erysipela 36 Lepra 22 Sarampo 18 Diversos tumores 14 Molestias dos orgãos genitaes 10 Molestias dos orgãos da locomoção 9 Variola 9 Hydrophobia 4 Outras molestias epidemicas 1 ------ Total 13:957

A mortalidade infantil é na proporção, média, de 150 por mil adultos.

Viação Urbana

A Estrada de Ferro Central do Brasil, a mais extensa e poderosa da União, ao partir da sua estação central, na praça da Republica, serve as zonas urbana e suburbana do Rio de Janeiro, pertencentes ao Districto Federal, até á estação de D. Clara.

N’esse perimetro, foi o seguinte o movimento geral, no 1.º trimestre de 1908:

1.ª classe:

1:487:884 viajantes Réis 379:838:860

2.ª classe:

3:523:405 viajantes Réis 583:641:700

Total—5:011:359 viajantes, cujas ----------- passagens custaram 953:480:560

São 19 as estações d’esta Estrada, situadas no territorio do Districto Federal, 8 das quaes são tambem servidas por bondes, ou tramways electricos e a tracção animal.

A Estrada de Ferro Central do Brasil, que já tem em trafego 1:360:000 kilometros, liga a capital da Republica aos Estados do Rio de Janeiro, S. Paulo e Minas Geraes, e será prolongada aos Estados de Goyaz e da Bahia, a este pelo fertilissimo valle do grande rio S. Francisco.

Da estação de S. Francisco Xavier, suburbio fluminense, começa o trafego da _Leopoldina Railway Company_, que atravessa a zona federal de Irajá e dirige-se á cidade de Petropolis.

Da Ponta do Cajú, arrabalde do Rio de Janeiro, parte o material da _Estrada de Ferro do Rio do Ouro_, especialmente construida para o serviço de abastecimento de agua á colossal metropole, mas tambem transporta passageiros e carga, no percurso total de 60 kilometros e 247 metros, com 24 estações, até ao Rio S. Pedro, na serra do Tinguá.

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A outr’ora _Botanical Garden Rail Road Company_, e desde 1882, Companhia Ferro Carril do Jardim Botanico, é a mais poderosa empreza de viação urbana da capital brasileira. O seu serviço publico teve inicio em Outubro de 1868, cinco annos antes de ser inaugurada, em Paris, a primeira linha de identico systema de viação, da Praça da Concordia a Sévres. A tracção da _Jardim Botanico_, foi mudada de animal para electrica em 1891. A sua estação inicial é na Avenida Central, e a principal é no extremo do Cattete; praça Duque de Caxias. Aqui bifurca-se ás Larangeiras e por Botafogo até á Gávea, seu ponto terminal, a 11:880 metros da Avenida Central. A bitola d’esta linha é larga de 1,ᵐ44. A extensão total das linhas d’esta Companhia, é de 79:000 metros.

A velocidade média é de 150 metros por minuto. É tambem esta empreza que serve os habitantes e visitantes das praias do Leme, Copacabana e Ipanema.

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A _Companhia Ferro Carril da Villa Izabel_, serve os arrabaldes do Andarahy, Villa Izabel e Engenho Novo, communicando-os, por tracção electrica, com o centro commercial da cidade. A bitola é de 1,ᵐ44, partindo os seus carros da praça Tiradentes, para um percurso total de 49:000 metros. A mais extensa das suas linhas, a do Engenho Novo, attinge 11:650 metros de comprimento.

Esta empreza tambem serve os povoados suburbanos de Jacaré, Bocca do Matto, e Cachamby, ligando-os com as estações de Engenho Novo, Meyer e Todos os Santos, da Estrada de Ferro Central, em um percurso total de 10:000 metros e com a bitola de 1 metro, a tracção animal.

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A _Companhia Ferro Carril de S. Christovão_, outr’ora _Rail Street Company_, mantem ainda a tracção animal e é a que possúe maior numero de linhas, que são as seguintes:

Do Largo de S. Francisco á Tijuca 10:630ᵐˢ. » » » » ao Jockey Club 10:134 » » » » á Ponta do Cajú 9:036 » » » » » Praça Marechal Deodoro 7:194 » Do Largo de ao Rio Comprido 5:845 » » » de a Itapagipe 5:469 » » » de » Itapirú 4:964 » » » de » Estacio de Sá 4:203 » » » de » Catumby 4:000 » --------- Total 61:435ᵐˢ.

As linhas do Uruguay, S. Januario, Fabrica das Chitas, Santa Alexandrina, Bispo, S. Francisco Xavier e Alegria, são intermediarias das anteriores.

A bitola é de 1,ᵐ35. A média do transporte annual é de 20:000:000 de passageiros, em 850:000 viagens.

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A mais _carioca_, todavia, das emprezas de viação urbana do Rio de Janeiro, a que não transpõem os limites da cidade, é a Companhia Carris Urbanos, de tracção animal e bitola estreita, que deslisa o seu material por 15 linhas differentes.

Quatro partem do _Boulevard_ Carceler, ou rua Primeiro de Março, em direcção ás praças da Carioca, Tiradentes e da Republica, terminando o seu trafego na praça Onze de Junho e nos extremos das ruas do Visconde de Sapucahy, Sant’Anna, Riachuelo e largo da Lapa.

Seis linhas teem o seu inicio na Praça Quinze de Novembro, junto da estação das barcas de Nictheroy, e seguem até á Saúde, Gambôa, Estrada de Ferro e Canal do Mangue.

Cinco linhas cruzam da Estrada de Ferro ao largo de S. Francisco de Paula, da Gambôa ao Arsenal de Marinha e do Largo da Lapa ao de S. Francisco. As linhas, estendidas, occupariam 70 kilometros, com a bitola de 0,ᵐ80. Regula transportar, annualmente, 34 milhões de passageiros.

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A _Companhia Ferro Carril Carioca_, a tracção electrica, tem a sua estação central no largo da Carioca, que communica com o morro de Santa Thereza, Paula Mattos e Silvestre. É a mais pittoresca das linhas fluminenses, cuja belleza foi descripta no capitulo—_Da Carioca ao Somaré_.

E mais surprehendente de formosura natural será ainda quando estivér concluido o prolongamento ao Alto da Bôa Vista, na Tijuca. O percurso actual é de cêrca de uma hora de viagem. Era 1904 os carros d’esta empreza transportaram 1:134:787 passageiros, em 76:860 viagens.

Da Estrada de Ferro do Corcovado já nos occupamos no capitulo—_Corcovado_.

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Além das já citadas, partem da Capital Federal as seguintes vias de communicação para o exterior:

—Barcas da Prainha a Mauá, isto é, do Rio de Janeiro a Petropolis.

—Barcas da Prainha a Sant’Anna de Maruhy, ou entre o Rio e Friburgo.

—Barcas da Prainha á Piedade, ou Therezopolis.

—Barcas da _Companhia Cantareira_ e _Viação Fluminense_, serviço permanente e rapido entre a capital e a cidade fronteira de Nictheroy.

Ha uma dezena de companhias nacionaes e estrangeiras, de navegação, que communicam o Rio de Janeiro com os Estados maritimos da União e, directa e indirectamente, com todo o nosso planeta.

Imprensa

A primeira das potencias moraes que orientam as sociedades modernas, tem um dos seus principaes nucleos de expansão e influencia na grandiosa metropole brasileira. Se muitos e eminentissimos jornalistas que, no Rio de Janeiro, sublimaram a divina instituição da imprensa aos páramos da immortalidade, já desappareceram, materialmente, na frialdade dos sepulchros, a sua obra ficou e será uma das mais brilhantes fulgurações da gloria do Brasil.

Outros gigantes da penna e do pensamento os substituiram, e os rutilantes nomes de Ferreira de Araujo, Joaquim Serra, Machado de Assis, Arthur de Azevedo, Saldanha Marinho, Evaristo da Veiga, Ferreira de Menezes, José do Patrocinio e os de tantos outros sacerdotes da imprensa, reflectem-se em Ruy Barbosa, Quintino Bocayuva, Coelho Netto, Olavo Bilac, Ubaldino do Amaral, Nuno de Andrade, Sylvio Romero, Ferreira da Rosa, Edmundo Bettencourt, Eduardo Salamonde, Alcindo Guanabara, José Verissimo, Virgilio Varzea, Paulo Barreto e em outros muitos, para que sejam mantidas as gloriosas tradições do jornalismo fluminense.

O _Jornal do Commercio_, decano da imprensa fluminense; a _Gazeta de Noticias_; _O Paiz_; o _Jornal do Brasil_; a _Noticia_; _A Imprensa_; _A Tribuna_; o _Correio da Manhã_; o _Diario do Commercio_; _O Seculo_; _O Correio da Noite_ e numerosos outros orgãos diarios, matinaes e vespertinos, e periodicos da opinião carioca, abrilhantam a intensa vida social da maravilhosa capital do Brasil e collaboram efficaz e incessantemente no movimento ascencional da nacionalidade brasileira para a meta dos seus gloriosos destinos.

O jornal é indispensavel ao fluminense, como parte integrante da sua propria natureza; elle o desdobra nas ruas, nos bondes, nos cafés, nas residencias e até durante as refeições; o que explica o extraordinario desenvolvimento de muitas emprezas jornalisticas do Rio de Janeiro que, além dos melhoramentos materiaes introduzidos nas suas officinas e patenteados nos seus periodicos, levantam soberbos palacios, para a propria séde, na Avenida Central e em outras das novas e grandiosas arterias da soberba metropole. D’entre elles destaca-se o do _Jornal do Commercio_, em via de conclusão, na Avenida Central, que brevemente substituirá o velho casarão onde, ha mais de meio seculo, está installado o primeiro jornal da America do Sul.

Dos semanarios illustrados, destacam-se o _Fon-Fon_, _A Careta_, _A Semana Illustrada_, _O Degas_, _O Tico-Tico_, para creanças, e _O Malho_, que é o de maior circulação.

_A Leitura para Todos_ é uma revista mensal, propriedade da empreza d’_A Tribuna_, assim como o semanario _Tico-Tico_.

Dos orgãos vespertinos o mais lido é _A Noticia_, excellentemente redigido, como quasi todos os jornaes brasileiros. Os mais rendosos são o _Jornal do Commercio_, que tem feito fortunas, e o _Jornal do Brasil_.

Quintino Bocayuva, o principe dos jornalistas brasileiros, e talvez sul-americanos, está, infelizmente, arredado das pugnas da imprensa; mas o seu nome fulgirá, ainda por muitissimo tempo, como estrella de primeira grandeza.

Dos mortos, José do Patrocinio e Ferreira de Araujo eram organisações jornalisticas completas, e que fariam a gloria da imprensa dos mais adeantados paizes do globo.

Ha a citar ainda, _O Diario Official_, _O Brasil Medico_, _Revista Medica_, _Revista de Engenharia_, _Kosmos_, _Os Annaes_, _A Rua do Ouvidor_ e _Rio Nú_. Diariamente apparecem e desapparecem publicações de varia indole.

Commercio e Industria

Ao findar o seculo XVIII, em 1799, a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, com 43:376 habitantes, possuia 97 estabelecimentos commerciaes, em todos os generos. Actualmente, com cêrca de 900:000 moradores, a capital do Brasil encerra um numero approximado de 22:000 casas de negocio, incluindo os arrabaldes e suburbios. Sóbe a 7:000 o numero de vendedores ambulantes de todas as especies de commercio. Os estabelecimentos commerciaes pagam, annualmente, á municipalidade, cêrca de 3:000 contos de alvará, ou licença, e os vendedores ambulantes, 500 contos.

Quanto a fabricas, funccionam cêrca de 250, de todas as industrias, a maior parte na zona suburbana. As mais numerosas são as de calçado, aguas gazozas, flôres, doces, gravatas, chapeus e de colletes para senhora.

Os estabelecimentos commerciaes mais numerosos, são os armazens de generos alimenticios, seguindo-se os açougues, as padarias, os hoteis e hospedarias, os botequins e bilhares, as casas de pasto, os barbeiros, as alfaiatarias, as pharmacias, os armarinhos, as lojas de calçado e as charutarias.

Em menor proporção figuram os armazens de fazenda e artigos de moda, as chapelarias, as drogarias, as typographias, as livrarias, os estabelecimentos de pianos, as luvarias, os joalheiros, as lithographias, as photographias e as lojas de chapéus para senhora.

O maior numero de officinas é de carpinteiro e marceneiro, vindo depois as colchoarias, serrarias, as officinas de encadernação, os marmoristas e os estaleiros, que eram 14 em 1906.

_A Junta Commercial da Capital Federal_, regulamentada por decreto de 1890, composta de sete deputados, commerciantes, de um secretario e de tres supplentes, estes tambem membros do commercio, tem as seguintes attribuições:—Matricular os commerciantes e sociedades commerciaes; os trapicheiros e administradores de armazens de deposito, assim como todas as pessôas idoneas que pretenderem estabelecer emprezas commerciaes.

—Nomear correctores de mercadorias e de navios; leiloeiros, interpretes e avaliadores commerciaes.

—Rubricar os livros dos commerciantes e sociedades de commercio, das companhias ou sociedades anonymas e dos trapicheiros.

—Admittir á assignatura do termo de fiel depositario o pretendente á concessão de entreposto particular.

—Registar as nomeações de guarda-livros, caixeiros e outros quaesquer propostos de casas commerciaes; as marcas de fabrica e de commercio, nacionaes e estrangeiras; as firmas e razões commerciaes e quaesquer documentos que, por lei, teem de constar de registro publico do Commercio.

—Archivar um exemplar dos contractos, suas prorogações, alterações e distractos de sociedades commerciaes; dos contractos ou estatutos das companhias ou sociedades anonymas, nacionaes e estrangeiras, e das sociedades em commandita por acções, com a lista nominativa dos subscriptores, e das marcas inscriptas no Registro Internacional.

—Representar, informar e consultar o Governo da União, sobre a necessidade de interpretar, modificar ou revogar alguma lei, regulamento ou instrucção, e de reprimir abusos de funccionarios publicos, ou de commerciantes e agentes auxiliares do Commercio, sobre os interesses do Commercio e da Industria.

—Processar administrativamente os funccionarios do Commercio que transgredirem as leis commerciaes, impondo-lhes a pena de multa, suspensão, destituição ou cassação de matricula.

Das decisões d’esta Junta, ha recurso para o ministro da Justiça e Negocios do Interior.

Os deputados e supplentes são eleitos pelo Collegio Commercial e pelo prazo de quatro annos. D’elles o ministro da Justiça escolhe o presidente e nomeia um secretario d’entre os cidadãos graduados em sciencias juridicas e sociaes.

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Em 1906, o commercio exterior do Brasil ascendeu á cifra de um milhão e quatrocentos mil contos, tres quartas partes do qual pertence á actividade dos portos do Rio de Janeiro e de Santos.

O movimento maritimo, annual, do porto da Capital Federal é, na média, comparando as estatisticas dos ultimos cincos annos, de 600 embarcações á véla e 2:400 a vapor, entradas e saídas, representando 3.000:000 de toneladas.

Porto do Rio de Janeiro

A incomparavel e formosissima bahia de Guanabara, ou do Rio de Janeiro, com 140 kilometros de circumferencia, 30 kilometros de comprimento e 28 de largura, era bem digna do auxilio dos seus possuidores na construcção de um porto commercial a aproveitar-lhe as riquezas naturaes e a facilitar o importantissimo commercio da capital da Republica.