Sinapismos

Part 18

Chapter 181,377 wordsPublic domain

Entre a Critica e a minha individualidade está essa mascara:—Zinão. Se aquella me fôr hostil, respeital-a-hei no que tiver de sensato; se me fôr favoravel, francamente, não lh’o agradecerei, porque não peço elogios.

Que este livro proporcione a quem o ler alguns minutos de distracção; que essa distracção valha _uns tostões_ e que d’esses tostões possa apartar _uns cobres_, que mitiguem alguma dôr—eis o que ambiciono d’este ignorado laboratorio, onde preparo os _Sinapismos_.

[26] Não posso ficar calado perante um tão extraordinario acontecimento, como esse que o sr. Joaquim debate na imprensa, com as suas sessenta epistolas. Altero, pois, a ordem dos capitulos, que já estavam no prelo, para não perder a opportunidade d’estas linhas coordenadas á pressa, entre as espiraes azuladas de dois _Princezas_, de seis ao vintem.

[27]

Isto sem pimenta não tem graça. Foi só uma pitadinha...

[28] Este _Marilio dos bosques_ já deu _sorte_ com os _Sinapismos_. D’estes é que eu queria mais...

Uma pergunta: se Cuvier agora trabalhasse na sua zooclassificação, onde incluiria o Marilio?

Oh Marilio!—tu respondeste com um peccado ao entregador dos _Sinapismos_...

Approxima-te.

Vira-te para cá... Agora para lá Pôe-te de _banda_... .................. ........... olha! Vae-te embora.

[29] Já publicado.

[30] Cumpre-me declarar, para respeitabilidade das instituições de segurança publica da nossa terra, que o sr. Sampaio não exercia, n’aquella epocha, as funcções de Commissario das Policias.

[31] Consta-me que este cão foi depois resgatado pelo sr. dr. Pestana. Sua ex.ª está aqui e póde dizel-o...

[32] São indigestos estes periodos. Talvez, até, que Vossa Excellencia, approximando a pituitaria, sinta os vestigios do mau halito, que essa casquilha matrona, D. Politica, exhalava, quando a auscultei para conhecer as causas da atonia que a consome.

No entanto, queira Vossa Excellencia lêr. Talvez que, com estes sinapismos, a creatura melhore e lhe suba a côr ao rosto, indicio de... saude.

Se Vossa Excellencia tal perceber, pôde haver cura.

Eu (aqui á puridade) duvido.

[33] Vejam-se os acontecimentos politicos de 21 de Outubro e 3 de Novembro e todos os outros d’esta especie.

[34] No tocante a corpo commercial ou Valença, ou... Manchester.

[35] Especializo estes cavalheiros porque são os mais calorosos n’esta questão.

[36] Agua vae...

[37] Classificando politicamente estes dois cavalheiros, declaro, para facilidade das futuras investigações historicas, que me refiro ao momento actual, e que faço obra pelo que ouço dizer e não pelas suas consciencias, que são inaccessiveis.

[38] _Portugal contemporaneo_, do sr. Oliveira Martins.

[39] Alludo á infamissima vingança que, ha annos, se perpetrou na habitação d’um cidadão, alli para os lados da Ponte.

[40] Estava a publicação n’estas alturas, quando em Valença se resolveu a _Questão da Musica_, nas condições que eu previ.

A _rusga_ foi, porém, tão desenfreada e, sobretudo, d’uma tal inopportunidade que não merece _sinapismo_: merece ventosa.

[41] Estes F. ou C. são—já se vê—epicenos.

[42] _Stratego_—posto militar, com honras de general. O _Archontado_ era um dos poderes do Estado. Tinha nove membros; o terceiro, que commandava o exercito, chamava-se _Polemarcho_, mas, além d’este, havia os polemarchos inferiores, que tinham o posto inferior aos _strategos_.

_Areopago_ era um tribunal civil, que eu aqui compararei—por exemplo—á nossa Excellentissima Camara.

Intitulava-se o _Senado do Areopago_.

_Eponymo_—era o mais graduado dos _archontes_ e, portanto, o chefe do partido, digo, do Estado.

[43] _Ostracismo_—era a condemnação ao exilio... equivalente ás actuaes transferencias.

[44] Aproximadamente 20 de Outubro e 3 de Novembro, pela nossa divisão do anno.

[45] Estas camisas só eram usadas pelos fanaticos religiosos, porque arrancavam o coiro e... o cabello.

[46] _Prytamos_—cidadãos poderosos.

[47] Este nome é derivado d’um verbo: _cambronnear_, que teve uma leve referencia em Waterloo. Vem do sanskrito e conjuga-se: eu cambronneio, tu cambronneias, etc. Indica uma funcção organica.

[48] Os _thetas_ constituiam a classe mais inferior dos cidadãos athenienses.

[49] Não pude comprehender no texto se aquelle possessivo _seus_ se refere á cidade, se a Pericles.

[50] _Eupatridas_—Proprietarios.

[51] Kshatrias:—guerreiros da antiga India.

[52] Sudras:—escravos.

[53] Dmoes:—escravos para o serviço domestico.

[54] Talentos:—moeda grega de valor variavel.

[55] Coisa de tres kilometros...

[56] Recordo aos meus leitores que este Pericles foi o iniciador, por suggestão, da eschola prudhommica.

[57] Segundo as theorias recentemente apresentadas por philantropicos e honradissimos Cresus, o dever dinheiro é _coisa_ pouco escorreita de dignidade. A honradez não gasta da mesma tinta com que se acceita uma lettra. Um titulo de divida—documento d’uma transacção—é assim como a _marca a fogo_ que nas ancas do potro indica o nome do creador. O potro vende-se, recebe-se o dinheiro, mas o creador quando o encontra diz sempre: _aquelle é dos meus_.

[58] Por decencia vejo-me obrigado a _inglezar_ esta e outras phrases. Saiba, porém, o leitor que todas ellas, significando as mais abjectas phantasias de Lord Deboche, foram publicadas nas columnas da _Pall Mall Gazette_, em quatro numeros de julho de 1885.

[59] Só para bebedeiras não chegam cinco libras diarias a qualquer d’esses animaes. O duque de Edimburgo, por exemplo, exgotta ao jantar quatro garrafas de champagne e dois litros de cognac.

[60] Pag. 155.

[61] Direi, de passagem, que isto nem sempre succede. Notam-se, ás vezes, umas anomalias, uns desvios da força nervosa que partindo do cerebro, vae actuar n’outros musculos, produzindo manifestações de sentimentos oppostos aos que nos impressionaram.

Por exemplo:

Quando vamos ao theatro e ouvimos o sr. Sampaio _jeremiando_ o seu papel n’aquelle plangente e lugubre rhythmo d’uma _licção_ de _quarta-feira de trevas_ e vemos que elle tenta reproduzir com o rosto, com o gesto, com os olhos, as amarguras da sua alma atribulada por esta ou por aquella situação dramatica—nós não choramos; rimos e rimos a valer, com tanto mais furor, quanto mais afflictiva é a attitude do sr. Balagota.

Outro exemplo:

Quando o sr. Joaquim, depois de ler os _Sinapismos_, solta umas casquinadas de riso tirante a verdadeiro e lhe ouvimos dizer que sim, que o Zinão tem muita graça e desde que elle, Zinão, anda na rua, elle, sr. Joaquim, põe mais uma tranca na porta, a gente—em vez de rebolar no chão aos tombos com riso provocado por tão espirituosa facecia—fica muito séria, e até sente o quer que seja que instinctivamente vae enfiando em cada mão o dedo _mata-parasitas_ entre o _fura-bolos_ e o _maior-de-todos_, n’aquella posição com que o meu amigo M. Silva se previne cautelosamente contra os numerosos _amigos_ que no dia da Cruz—uma vez por anno, felizmente—lhe vão festejar a garrafeira.

Spencer explica isto na sua _Physiologie du rire_:

_La decharge de la force nerveuse peut se tourner en excitation pour d’autres nerfs qui n’ont pas de relation directe avec les membres et, ainsi, amener d’autres sentiments et idées._

A individualidade do sr. Sampaio no convivio diario, por quaesquer razões desperta o riso; e a individualidade do sr. Joaquim, pela sua auctoridade _vice-administrativa_ e mais predicados ingenitos provoca a seriedade e o tal cruzamento dos dedos.

Convivendo diariamente com estes cavalheiros, as impressões que elles nos causam vão, por assim dizer, armazenar-se em nosso cerebro, condensando-se e augmentando de intensidade em força nervosa.

Quando, pelas facecias, ou pelas jeremiadas, elles nos communicam uma impressão mais forte, ha uma expansão brusca e violenta de força nervosa _armazenada_, que vae actuar em nervos e musculos correspondentes a sentimentos diversos.

[62] Oh padre capellão: que rica _tirada_ para _um juramento de bandeiras_...

Só falta: _é a terra que cobre os ossos de nossos avós!_

Indice

Paginas

Duas palavras 5

Aos pobres de Valença 9

I—O microbio 13

II—Passe-Calles 23

III—Carta a Sua Ex. ª o Sr. Governador de Paysandu 63

IV—Uma descoberta do dr. Charcot 79

V—Perfis 91

VI—Coisas de egreja 105

VII—Litteraturas 127

VIII—Quimtilinarias 135

IX—Politiquices 145

X—Violetas 169

XI—Os quadros da Collegiada 177

XII—O senhor deputado 189

XIII—Carta ao Zé Senso 201

XIV—A Questão da Musica 209

XV—As muralhas 235

XVI—A manifestação de 14 de janeiro 247

XVII—A Sociedade dos Provareis 279

XVIII—Uma recita de curiosos 299

XIX—Transferencias 309

XX—A questão ingleza 321

XXI—A manifestação dos artistas 333

XXII—Carta a Sua Ex. ª o Sr. Administrador 347

XXIII—Compadres e comadres 363

XXIV—Ultimas palavras 375

Emendas

PAG. LINH. ONDE SE LÊ LEIA-SE

54 24 d’uma fórma d’um modo 112 22 origem viagem 127 16 eminente imminente 162 10 e 16 Luiz XI Luiz XIV 177 11 paleonlithica paleolithica 180 12 as borrasse os borrasse 205 22 corcodilo crocodilo 239 5 nada valeram nada valerem 318 25 anavalharem anavalhar

A perspicacia e benignidade do leitor confiamos outras irregularidades que n’essas paginas possa encontrar.