Saudades: história de menina e moça
Chapter 6
«Mais diz o conto que a ama (que a menina não a deixára mais dormir) sentiu todo aquele estrondo. E Aonia, que não dormia, tambem o ouviu, e cuidou logo o que temeu; porém, dissimulou grandemente, porque já se guardava da ama.
«Mas éla, que já tambem estava descuidada de Aonia, foi suspeitar outra cousa: que seria alguem d'aquelas obras, porque muita gente andava ahi, e, porventura, viria espreitar por aquele lugar o que élas de noite faziam, que bem sabia éla que os homens tudo ousavam fazer de noite.
«E, ainda bem não foi manhan, foi derredor da casa, e achou sinaes por onde confirmou sua suspeita; e logo mandou tapar a fresta a pedra e cal, contando tudo, da maneira que o éla cuidou, primeiro a Aonia, que lh'o ouviu com tamanha mágoa, que mór trabalho cuido eu que levaria em lh'a encobrir que em a sofrer consigo: porque o sofrer faz-se por vontade, e a outra cousa contra éla.
«Mas, este remedio tolhido a Aonia, deu-lhe causa para buscar outro maior; e chamando a uma mulher de casa, que Enis se chamava, avisada, e de quem se podiam bem fiar grandes cousas, e assegurada no segredo, pelas melhores maneiras que pôde, contando-lhe seu coração, lhe disse que fosse ver se andava pela ribeira d'aquele rio o pastor da flauta; e, se o não visse, que preguntasse a algum outro pastor por êle.
«Fel-o éla assim; e soube que jazia doente em um monte perto d'ali, onde morava a mulher e filhos do maioral do rebanho em que êle andava. E, tomando éla em sua companhia um homem de casa, determinou ir lá, porque tamanha vontade conhecia em Aonia, que não pôde fazer menos.
«Chegou depressa ao monte; e preguntando pelo pastor da flauta, lh'o foram mostrar lá, em uma casa de palhoça, por detraz das outras, onde êle estava. E ficando êles sós, que assim buscou éla maneira, lhe descobriu inteiramente ao que ia.
«Bimnarder, que logo a creu, porque era mulher, sobre a cabeceira onde pobremente estava encostado, se lhe deixaram cair umas ralas lagrimas, causadas d'entre contentamento e muita dôr,--que de ambas as duas costumam élas ás vezes vir, as quaes fizeram certa a Enis do grande bem que êle a Aonia queria; e não lhe esqueceu contar-lh'o éla depois.
«Ali estiveram ambos um grande espaço de tempo, e Bimnarder contando-lhe tudo do começo; e detiveram-se tanto que foram suspeitando mal da tardança, se fôra em outro lugar; mas a vida do monte não cria suspeitas, como não cria de quem se suspeite mal.
«Mas, comtudo, detiveram-se ainda ambos n'esta pratica menos do que ambos quiseram, por causa do homem que Enis trouxera.
«Tornada éla onde Aonia estava, lhe contou tudo, cousa por cousa, que não ficou nada por contar.»
CAPITULO XXVIII
De como, estando da queda Bimnarder muito doente, Aonia buscou maneira por onde o fosse visitar
«Veio assim, por acerto, que perto d'ali havia uma ermida de uma santa de grande romagem, e era então, no outro dia, a vespera do seu dia; e a ama e as mulheres de casa ordenaram ir lá.
«Havida licença de Lamentor para Aonia, e postos a caminho, (que a pé podiam bem andar) ao passar pelo monte, se chegou Enis a Aonia, e disse-lhe que ali era, porque iam já concertadas.
«N'isto, fez Aonia que cansava. A ama disse logo que repousasse um pouco. Mas, d'esta vez, não teve éla maneira para ir aonde Bimnarder estava. Foi lá Enis.
«De tornada, fizeram ali grande detença. Buscando achaque de querer lá ir para detraz das casas, levando Enis consigo, houve tempo para Aonia entrar onde êle estava então deitado, contra a outra parte da parede, chorando, porque não vira Aonia ao passar, que bem se pudera êle erguer. E como isto perdêra, cuidava tambem que havia de perder a tornada; porque um mal nunca lhe viera sem outro, pelo que estava no maior pranto do mundo para consigo.
«Entrada Aonia, deteve-se um pouco, e sentiu que êle chorava, e suspirava baixo, de maneira que como, n'aquilo, se forçava a si mesmo.
«Éla, para vêr se poderia saber o porquê, que tudo desejava saber d'êle, deteve-se ainda mais: mas êle com pensamentos muitos, que sobrevinham ao choro, mais o acrescentava do que o diminuia.
«Assentando-se então Aonia na borda d'aquela sua pobre cama, lhe pôs a mão, e quisera-lhe dizer alguma cousa, mas não pôde, que lhe faleceu o espirito.
«Virando-se Bimnarder, e vendo-a, tambem lhe faleceu o seu.
«Estiveram assim ambos um grande pedaço sem se dizerem nada um ao outro: e êle com os olhos postos em Aonia, e Aonia postos os seus no chão, porque, em se virando Bimnarder, tomou vergonha. Levando-os assim á terra, cobriu-se-lhe o seu formoso rosto de um tanto de côr, alem da natural; e costumava dizer meu pae (porque parte d'esta historia em seu tempo se soubera) que não parecia senão que viera aquela côr como para ajudar ainda mais Aonia contra Bimnarder, tam formosa a éla, formosa, fizera.
«Mas, estando assim n'isto êles ambos, e não estando êles ambos ali, chegou Enis muito de rijo á porta, dizendo que se queriam já ir, e que a mandavam chamar.
«Assim, foi forçoso levantar-se Aonia, e ir-se, e Bimnarder vêr tudo, e ficar.
«Mas Aonia, que bem via os olhos de Bimnarder como ficavam, tomou uma manga de sua camisa, e, rompendo-a, para remedio de suas lagrimas lh'a deu, significando, na maneira só como lh'a deu o para que lh'a dava; pois parece que a dôr grande que sentia não lh'o deixou dizer por palavras; mas, em lh'a dando, pôs os olhos nos seus, dizendo-lhe só assim:
«--Pesa-me, pois a minha ventura, ou desventura, não quis que vos eu deixasse de magoar com o que eu não quisera.»
«E estas palavras lhe disse já fóra da porta.
«E com élas, e com o que sentiu ao dizer d'élas, duas a duas, lhe começaram as lagrimas a correr dos seus formosos olhos, e pelas suas faces formosas abaixo lhe iam fazendo carreiras por onde iam, que Bimnarder a tanto pranto convidou quanto era a razão d'êle, pois perdia a vista.
«Foi tanto o choro, que não lhe bastavam os seus olhos ás suas lagrimas, pelo que lhe não pôde então dizer nada. Mas Enis, apressando Aonia com a fala, e com as mãos, quasi puxando-a, e levando-a já, virou-se para êle Aonia, dizendo:
--«Levam-me!»
«E, deixando-se ficar toda com os olhos, se foi assim, enlevada, até que, com a parede das outras casas, passou alem.
«Apartada que éla foi de Bimnarder, êle não se pôde ter que pela outra banda da sua casa se não saisse para aquela parte d'onde se podia ver o caminho que élas levavam; e ali esteve olhando, entretanto a terra lhes deu lugar, e depois, um grande pedaço, em quanto poderiam bem chegar a casa; pois, parece, folgam tambem os olhos com a presunção, e descansam em olhar para aquela parte onde está, ou vae, aquilo que podiam ver, se não fôra a fraqueza d'êles, ou o impedimento d'alguma cousa.
«Mas como lhe pareceu que estaria já em casa, lembrou-se logo do lugar onde éla estivera na sua cama assentada, e com grande pressa se tornou para lá.
«E, entrando, foi-se ali pôr, onde éla estivera d'antes.
«Consigo estava fantasiando a Aonia; ora lembrando-lhe como aquilo fizera, ora como aquel'outro.
«Depois, tomando aquela parte da manga, que lhe deixára, se punha a chorar com éla, de mistura com palavras tristes, como que as houvesse éla de entender.
«N'isto passou aquela doença, em que grandemente foi visitado por Enis; e sarou depressa.
«E, d'aqui até que lhe aconteceu a desventura que vos contarei, se passaram tempos e outras infindas cousas; porque os paços de Lamentor acabaram-se, e pelo apartamento do lugar onde êles estavam, Aonia e a ama, com outras mulheres de casa, iam passar tempo á ribeira d'este rio, onde Bimnarder sempre andava.
«Mas nenhuma cousa ha n'este mundo em que se deva ninguem muito fiar; que aquela grande segurança em que Bimnarder estava, em lugar tam ermo, lhe não pôde durar, como agora vereis.»
CAPITULO XXIX
De como Lamentor casou Aonia com o filho de um cavaleiro seu comarcão, e do que Enis aconselhou a Aonia que fizesse
«E foi assim que a donzela, por quem morreu o cavaleiro da ponte, (como vos hei contado) veio tristemente a acabar por aso da irman viuva que o levou nas andas.
«E sucedeu no castelo um filho de um cavaleiro muito valido e rico n'esta terra, que, por meio de visinhos, desejou a Aonia para mulher, o que foi depressa acabado, pela igualdade d'ambos n'aquilo em que a quiseram aqueles em que estava o «_praz-me_» do casamento.
«Mas, pelo luto de Lamentor, e pelo apartamento de sua vida, não o soube Aonia senão no dia antecedente áquele em que a haviam de levar para o castelo,--que em sua casa não queria Lamentor ver prazeres, e bem lhe pareceu que se não desconcertaria Aonia do esposo; porque era bem posto cavaleiro, e, dos bens do mundo, abastado; e por isso tambem escusava dizer-lh'o então. Mas não foi assim; que Aonia toda aquela noite passou em um grito.
«Se não fôra Enis, que do seu segredo era sabedora, morrêra ou se fôra por esse mundo; mas éla a consolou, e, com muitas esperanças que lhe deu, não tam sómente a susteve, que não fizesse de si nada, mas antes ainda lhe fez ser contente d'aquela vida e desejá-la; porque lhe dizia que, como os casamentos ocupavam aos homens, poderia éla ter a liberdade que quisesse; e, com resguardo, faria o que de sua vontade fosse, o que não poderia fazer na casa onde estava.
«Este conselho foi tomado sem Bimnarder saber, porque a brevidade do tempo não deu lugar para isso; mas concertaram-se ambas que ficasse Enis para lh'o dizer ao outro dia, e, depois, mandaria por éla, porque logo determinou pedi-la a Lamentor.
«E veio aquele outro dia; e, como Bimnarder não guardasse outro gado, ainda bem não era manhan, já êle andava pela ribeira d'este rio; e viu vir muita gente a cavalo, e passar a ponte dirigindo-se para os paços de Lamentor.
«Mas não teve então a quem preguntar o que seria aquilo.
«Comtudo, não se tirou d'ali, porque logo se lhe revolveu o pensamento, e inclinou a vontade a querê-lo saber; que, pela maior parte, o que ha de ser, dá primeiro sempre na alma; e se andassemos de sobre-aviso facilmente entenderiamos tudo, ou parte, do que nos está para vir.»
CAPITULO XXX
De como Fileno, o marido de Aonia, desejoso de a ter em seu poder, a levou de casa de Lamentor muito acompanhada
«Descidos os de cavalo, estiveram por grande espaço com Lamentor; e, depois, começaram saindo uns atraz dos outros, fazendo maneiras de prazer.
«E, n'isto, viu Bimnarder donas a cavalo, e viu o fio da gente encaminhar-se para a ponte; pelo que teve ensejo de preguntar a um pagem que cousa era aquela.
«Disse-lh'o êle, seguindo seu caminho; mas Bimnarder não o acabou de crer, tamanho abalo fez no seu cuidado.
«Porém, olhando, viu a Aonia, e com éla, da parte esquerda, o seu esposo, que conhecido ia nos trajos e na comunicação da pratica que entre ambos levavam; porque tudo, como derradeira cousa, olhava Bimnarder, e muito bem viu!
«E Aonia nunca se virou para aquela sua banda, que continuada sempre d'éla era; mas antes, porque ia inclinada para aquela parte onde o esposo ia, pareceu-lhe a êle que o ia muito mais do que éla ainda ia, e que o fazia por acinte. E isto é natural, pois quando uma pessoa vos cae n'um erro, todas as cousas, que depois faz, tomais á pior parte, como aqui aconteceu.
«Ficou Bimnarder tam maguado que d'ahi a mais de uma hora não cuidou de nada. E, ao cabo d'éla, virando-se para outra parte, se foi; e não no viram mais.
«N'aquele dia á tarde, veio Enis buscá-lo; e, não no achando, preguntou por êle; e disse-lhe outro pastor (que por acaso acertára então de estar perto d'êle, olhando tambem a gente) que, depois d'éla passada, estivera êle um grande pedaço sem se mudar do lugar d'onde estava e sem tirar os olhos do chão, como homem pensativo, em sua maneira. E tanto que êle mesmo olhára para isso, e quisera-lhe falar, senão quando êle, n'isto, virára para outro lado, e, pela ribeira, dando a andar apressadamente, desaparecêra, e nunca mais o vira. E já êle mesmo fôra ao monte de seu amo preguntar por êle, para que viesse pastorear seu gado, que andava desmandado, e não o acharam; e que, do monte, tambem o foram buscar por todo este mato, e pareceu a todos que seria ido, porque êle nunca tal costumou; e já outrem andava com o seu gado.
«Ficou Enis toda fóra de si; e logo cuidou que lhe não cumpria ir ver Aonia, nem viver com éla, pois saira tam mal o seu conselho.
«E, tornada para casa, ordenou dilatar a sua ida por alguns dias, para ver se sabia novas de Bimnarder.
«Entretanto, não sabendo nenhumas, e apressando-a Aonia para que lh'as levasse, determinou, comtudo, ir; porque, por outra via, cuidou para consigo que com pouco trabalho se lhe tiraria por então Bimnarder do pensamento; que os casamentos, á primeira vista, parecem outra cousa; e senhoras, que d'antes foram presas de amor, logo aos primeiros dias esqueceram todo o passado; mas depois, por cousas e desgostos, que nascem da culpa do longo tempo, ou conversação que traz menospreso, tornaram muitas vezes ás lembranças do primeiro.
«Porque n'isto, que Enis consigo cuidou, quis obedecer a Lamentor, que já, a pedido de Aonia, mandava que a levassem.
«Que vos hei de dizer?
«Ainda bem não chegavam, afastou-se Aonia com éla, mas, sabido o que se passava, chorou muitas lagrimas e maldisse o dia em que nascera.
«Enis, que era avisada, e via que, pois o mal não se podia curar, se devia dilatar, lhe fez uma fala d'esta maneira:
--«Deixemos, senhora, o pranto, que d'êle não se vos podem seguir senão dous males muito grandes. Um, é que mataes a vós com o choro; e quando, porventura, vier Bimnarder, não vos quereria achar assim, e será esta então maior ofensa para êle; porque est'outra tem desculpa, e esta não a terá para êle, senão se lhe quiserdes dizer que desconfiaveis d'êle, que monta tanto como cuidardes d'êle mal. Ora vede lá, senhora, convosco, se podereis dar a culpa a quem quereis tamanho bem! Pois, afóra isto, tendes ainda outro mal: que correis risco de se saberem vossos prantos, e, como êles sejam tomados em tempo de bodas, não se poderá deixar de suspeitar d'eles mal. E, por aqui, tolher-se-vos-á, porventura, o que póde ser em algum tempo, o que eu espero; porque as lagrimas de Bimnarder não podiam ser sem vos êle querer muito grande bem, que lhe não doesse muito o que fizestes; e não lhe póde doer muito o que fizestes que, n'algum tempo, não queira saber o como ou porque o fizestes;--porque o bem-querer grande faz sentir muito os escandalos recebidos, e crê-los em parte, quanto baste para o sentimento ser maior do que póde ser. Mas, porém, sempre deixa uma duvida lá na crença, para experimentar n'algum tempo, tarde ou cedo, segundo a dôr grande ou pequena lhe dá lugar. Não póde ser que aquilo que vós, senhora, sabeis, não faça duvidar Bimnarder do que fizestes, até se êle desenganar por si mesmo. Ou, se isto não é assim, não ha verdade no mundo nem nos homens!»
CAPITULO XXXI
Em que se diz a grande dor que sentiu Aonia em seu casamento
«Estas palavras desagastaram a senhora Aonia algum pouco, mas não de todo; que, na verdade, se a deixaram estar só, e ter tempo para perseverar n'este cuidado, não creio eu que éla pudera durar muito.
«Mas era esposada de então, e umas cousas e outras não na deixavam nunca só; espalhavam-se os cuidados.
«Assim, éla, pouco a pouco, foi-se acostumando a viver d'outra maneira; que as ocupações de casa, e a desconfiança, ou desesperança, que foi tendo de Bimnarder, lhe fizeram indo ter nas cousas passadas uma sombra de esquecimento, com que éla pudera viver todas as horas da sua vida descansada ou menos cansada, se em alguma cousa d'este mundo houvera segurança.
«Mas não na ha; que mudança possue tudo!...»
INDICE
CAPITULO I--Em que a donzela começa a sua historia
CAPITULO II--Em que a donzela vae prosseguindo sua historia
CAPITULO III--Da conta que a dona dá á donzela de sua vinda áquela terra
CAPITULO IV--Das palavras que a dona com a donzela passou
CAPITULO V--Do que Lamentor passou n'aquela parte onde foi aportar com a sua nau, e da batalha que teve com o cavaleiro da ponte, e do que mais lhe sucedeu
CAPITULO VI--Em que se diz a razão por que o cavaleiro da ponte sustinha aquele passo, e de como sua irman ali veio ter
CAPITULO VII--Como, depois de partida a irman do cavaleiro da ponte, por aprazer aquele lugar a Lamentor, ordenára fazer ali seu assento
CAPITULO VIII--De como a Belisa vieram em crescimento as dôres do parto, e, parindo uma criança, faleceu
CAPITULO IX--Do pranto que Aonia fez pela morte de sua irman Belisa
CAPITULO X--De como Narbindel, vindo combater com o cavaleiro da ponte, vendo o pranto que se fazia na tenda de Lamentor, entrou dentro para o consolar
CAPITULO XI--De como se deu sepultura ao corpo de Belisa, e do pranto que com êle fez Lamentor
CAPITULO XII--Do que sucedeu ao cavaleiro, que saiu da tenda, vencido do parecer e formosura da senhora Aonia
CAPITULO XIII--Em que se diz quem fosse Cruelcia, e do que o cavaleiro passou com seu escudeiro
CAPITULO XIV--De como, partido o escudeiro do cavaleiro da tenda, entrou em pensamentos de como se apartaria d'êle, e mudaria o nome
CAPITULO XV--De como Bimnarder soube de um servidor de Lamentor que este ordenava fazer ali uns paços, e do mais que lhe aconteceu com a sombra que lhe apareceu
CAPITULO XVI--De como, estando Bimnarder muito pensativo no que faria, viu de subito vir o seu cavalo fugindo d'uns lobos que o queriam matar
CAPITULO XVII--De como Bimnarder assentou vivenda com o maioral do gado, e do que a donzela passou com a dona em sua historia
CAPITULO XVIII--Em que a ama dá razão á donzela da cantiga de Bimnarder
CAPITULO XIX--De como conta a ama á senhora Aonia o que vira fazer ao pastor, acabada a cantiga
CAPITULO XX--Da peleja que o touro do pastor teve com outro alheio, e de como o matou, a qual Aonia estava vendo do eirado
CAPITULO XXI--De que maneira Bimnarder se viu com Aonia
CAPITULO XXII--De como Bimnarder, estando na fresta da camara de Aonia, se pôs devagar a ouvir a ama
CAPITULO XXIII--Do singular conselho que deu a ama á senhora Aonia, pelo que suspeitou de seus amores
CAPITULO XXIV--Em que se conta o mais que a ama passou com a senhora Aonia, ácerca de Bimnarder
CAPITULO XXV--De como Bimnarder, pela fresta do aposento de Aonia, lhe falou
CAPITULO XXVI--De como Bimnarder, estando na fresta de Aonia, adormeceu, e se lhe foram, por sonho, os pés, e caiu
CAPITULO XXVII--De como a ama, sentindo de noite o estrondo da queda, o que sobre isso fez quando foi manhan
CAPITULO XXVIII--De como, estando da queda Bimnarder muito doente, Aonia buscou maneira por onde o fosse visitar
CAPITULO XXIX--De como Lamentor casou Aonia com o filho d'um cavaleiro comarcão, e do que Enis aconselhou a Aonia que fizesse
CAPITULO XXX--De como Fileno, o marido de Aonia, desejoso de a ter em seu poder, a levou de casa de Lamentor muito acompanhada
CAPITULO XXXI--Em que se diz da grande dôr que sentiu Aonia em seu casamento
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