Resumo elementar de archeologia christã

Chapter 4

Chapter 43,506 wordsPublic domain

O plano e a disposição das egrejas bysantinas apresenta-se com tres typos distinctos: 1.^o, com a basilica coberta de madeira, similhante á basilica Latina do Occidente; 2.^o, com a rotunda ou egreja circular; 3.^o, com a basilica bysantina propriamente dita, abobadada e sobreposta d'uma ou de muitas cupulas. A basilica bysantina abobadada distingue-se perfeitamente de todos os monumentos dos tempos anteriores, pela cupula sobre abobadas pendentes, e construida ao meio d'uma nave, mais ou menos alongada.

As fachadas das egrejas bysantinas differem das que têem as basilicas Latinas. Estas terminam em geral por um frontespicio triangular; as fachadas das egrejas orientaes, pelo contrario, terminam ou por uma fachada horisontal á maneira d'uma cornija, ou por uma serie de corôamentos semicirculares.

O systema de construcção das egrejas bysantinas distingue-se pelos seguintes traços. O tijolo é geralmente empregado para todas as edificações. Mesmo nos paizes em que a pedra é abundante, os architectos bysantinos preferiam, a maior parte das vezes, o tijolo aos materiaes de grandes dimensões. O caracter distinctivo das egrejas bysantinas, sob o ponto de vista da construcção, consiste na presença de uma ou de muitas cupulas elevadas, sobre abobadas pendentes.

Chamam-se _abobadas pendentes_ umas certas saliencias nas abobadas do cruzeiro, que pela sua fórma se approximam do sector espherico e que serve para fazer passar uma construcção de quadrado a octogono ou a plano circular.

A decoração exterior das egrejas bysantinas, sobretudo no IV e V seculos, era pobre e simples. Do VII seculo ou do VIII seculo em diante, os ornamentos exteriores das paredes e archivoltas das janellas são bastantes vezes como os dos edificios Latinos, formados por fiadas de pedras alternadas com uma ou muitas fiadas de tijolos. As archivoltas ornadas de molduras ficam em resaltos umas sobre as outras, e representadas nas paredes por cordões feitos de tijolos de fórma e côr variaveis.

A decoração _interna_ consiste em revestimentos de diversas naturezas, marchetados de marmores ou mosaicos, applicados sobre os pilares, paredes e abobadas. O caracter essencialmente superficial da esculptura bysantina consiste regularmente em folhagens lisas e angulares.

Os ornatos que os bysantinos gostavam de esculpir nas almofadas de marmore com que decoravam o interior das egrejas, eram entrelaçamentos de linhas rectas e curvas, ás quaes juntavam cruzes da Trindade, florões e algumas vezes figuras de animaes tanto reaes como chimericos.

A começar no VIII seculo, as pinturas a fresco das egrejas bysantinas foram muitas vezes substituidas por mosaicos e por embutidos em estuque; acabaram por ser completamente substituidas.

A influencia bysantina fez-se sentir primeiramente no começo do IX seculo e mais tarde, no fim do X. Foram construidas muitas egrejas sob a influencia bysantina dos monumentos typos.

No reinado de Justiniano (527-565) o estylo bysantino ficou definitivamente constituido com os caracteres acima definidos. Santa Sophia em Constantinopla constitue o seu typo por excellencia.

Leão, o Isauriano, prohibiu, em 726, a reproducção de qualquer figura, quer pela esculptura, quer pela pintura nas paredes das egrejas, quer nos objectos do culto. Esta prohibição, confirmada em 754, por um conciliabulo heretico, subsistiu até 842. N'este ultimo anno, depois da morte de Theophilo, ultimo imperador iconoclasta, a imperatriz Theodora substituiu os editos de Leão o Isauriano e restabeleceu o culto das imagens.

A épocha mais florescente da arte bysantina foi no X seculo e mais particularmente no reinado de Constantino Porphyrogeneta.

No XI seculo, uma serie de graves acontecimentos precipitou a decadencia do imperio bysantino e trouxeram por consequencia o enfraquecimento das artes. No XIII, XIV e XV seculos, as artes continuaram a desfallecer, até que, em 1453, os turcos, apoderando-se de Constantinopla, causaram a decadencia da arte bysantina.

CAPITULO IV

/# *Summario.*--O estylo Roman desde o VIII até ao seculo X--Caracteres do estylo Lombardo--Planos das Egrejas--Cryptas--Baptisterios--Systemas de construcção--Abobadas--Pilares e columnas--Bases--Capiteis--Fachadas--Cornijas--Decoração monumental--Architectura, antes do seculo XI, nos outros estados sem ser na Lombardia: Italia central e meridional, Belgica e França--O estylo Roman durante o XI e o XII seculos--Caracter da Architectura Roman--Plano e distribuição das Egrejas--Cryptas--Baptisterios n'este seculo--Materiaes e modo de construir--Sepultura monumental--Fachadas--Portico das egrejas--Portaes--Portas e suas ferragens--Janellas e rosaceas--Maneira de resguardar da chuva as janellas e as vidraças pintadas--Absides--Pilares, columnas--Bases e capiteis--Arcadas e arcarias menores--_Triforium_--Cornijas e modilhões--Abobadas--Contrafortes--Madeiramentos--Torres--Modo de se lagearem os edificios--Pinturas muraes--Inscripcões lapidares--Altares--Piscinas--Tribunas--Cadeiras do côro e a separação da capella mór do corpo da egreja--Capellas funereas--Tumulos visiveis e occultos--Campas--Pias Baptismaes--Gradamentos--Alfaias religiosas--Calices e patenas--Custodias--Relicarios--Corôas suspensas nos altares--Lustres de forma de corôas--Cruzes para os altares e procissões--Castiçaes e tocheiros--Evangeliarios--Capas dos livros do Evangelho--Thuribulos--Pias para agua benta--Pentes liturgicos--Cadeiras para os sacerdotes--Baculos--Calçado liturgico--Mitras--Tecidos bordados--Vestuarios sacerdotaes. #/

*Periodo Roman*

O periodo roman estende-se desde o VIII seculo até ao fim do XII. O estylo roman formou-se e desenvolveu-se debaixo da influencia combinada de tres elementos: 1.^o, o estylo classico e latino, cujos monumentos existiam espalhados pela Europa meridional; 2.^o, o estylo bysantino, cujos principios foram importados do Oriente; 3.^o, o genio particular dos povos barbaros que invadiram a Europa desde o V seculo.

O estylo proveniente da influencia combinada d'estes tres elementos, chamou-se _roman_, porque a sua origem e duração coincidem pouco mais ou menos com a da lingua romanica. Por conseguinte a palavra _roman_ indica, do mesmo modo que na lingua romanica, o elemento barbaro que contribuiu para a formação d'este estylo.

*O estylo Roman desde o VIII até ao X seculo*

A decadencia completa das bellas artes foi o effeito necessario dos movimentos politicos que a Europa soffreu durante tres seculos. Só os padres e os religiosos luctavam no meio d'este chaos, contra a barbarie e a força brutal dos invasores. O renascimento das artes foi lento, e do mesmo modo o das lettras, porque o solo da Europa occidental estava juncado de destroços amontoados, dos monumentos antigos; as tradições artisticas tinham-se perdido, e os principios haviam cahido em esquecimento.

Para a architectura e para as artes, a Lombardia foi, desde o VII até ao fim do X seculo, o principal centro d'este renascimento. O estylo formou-se n'esta épocha, ao norte da Italia, e recebeu o nome de _Lombardo_.

*Caracteres do estylo Lombardo*

O estylo Lombardo, ou o estylo Roman do norte da Italia, reinou n'este paiz desde o VIII seculo até ao fim do XII.

O plano da basilica Latina foi geralmente adoptado nas egrejas lombardas.

Na maior parte das grandes egrejas lombardas, as paredes internas são construidas com galerias.

As cryptas das egrejas lombardas estendem-se por baixo de todo o presbyterio, e formam verdadeiras capellas subterraneas, com muitas naves abobadadas.

Os baptisterios isolados, geralmente octogonaes ou circulares, usaram-se durante o periodo lombardo.

A maior parte dos edificios lombardos são construidos de tijolo.

_Abobadas_. A abobada em fórma de _berço_ consiste n'um semi-cylindro concavo e sem penetração alguma.

A abobada de _*aresta*_, assim chamada porque apresenta quatro arestas no intradoz, é formada pela intersecção ou penetração de duas abobadas de berço, com a mesma abertura e reunindo-se em angulo recto.

Os architectos lombardos fizeram grandes progressos na construcção das abobadas. Antes do seu tempo não se conhecia além da cupula senão duas especies de abobadas: a abobada de berço, e a abobada de aresta romana.

As abobadas lombardas apresentam todas uma elevação em fórma de zimborio, particularidade que pertence ao systema de construcção seguido pelos architectos lombardos. Esta elevação dá ás abobadas das egrejas lombardas um aspecto particular.

Nas egrejas lombardas de tres naves, a principal tem sempre dobrada largura.

Como dissémos, as abobadas da nave principal exercem sobre os seus pontos de apoio não sómente uma pressão vertical, mas tambem uma obliqua e lateral, que tende a fazer inclinar para fóra os pilares e as muralhas superiores. Nos edificios lombardos, esta pressão acha-se equilibrada pelo encontro opposto das abobadas altas e baixas das naves lateraes e em parte apoiada sobre os contrafortes exteriores, pelos arcos-butantes das naves lateraes e pelas porções de parede que supportam estes arcos.

Nos edificios antigos e nas basilicas latinas serviam-se de columnas cylindricas, pouco espaçadas e recebendo directamente as pressões verticaes de entablamentos d'um peso relativamente pouco consideravel. Os constructores lombardos substituiram o pilar composto de columnas pelo simples supporte cylindrico da basilica coberta de madeira.

Os caracteres dos pilares lombardos pódem resumir-se da seguinte maneira: 1.^o Os pilares apresentam uma secção rectangular ou quadrada e são ornados de pilastras ou de columnas envolvidas, recebendo as bases das nervuras e dos arcos-butantes. 2.^o Não têem todas a mesma grossura, umas são menos, outras mais fortes, segundo recebem ao mesmo tempo as bases de todas as abobadas, ou das naves lateraes sómente. Foi desde a primeira metade do seculo VIII que appareceram os pilares ornados de columna, desconhecidos na arte classica e empregados com profusão no Occidente pela arte na edade media. As columnas e as columnatas são ordinariamente construidas por fiadas de desigual altura de medio e pequeno apparelho; raramente são monolithas.

Essas columnatas dos pilares, quasi sempre delgados e muito elevados, chegam muitas vezes sem interrupção até á origem das abobadas, e constituem um facto capital na historia da arte, porque são um dos elementos mais caracteristicos e fundamentaes de quasi toda a architectura da edade media.

As bases lombardas approximam-se sensivelmente, pela sua fórma, da base attica propriamente dita.

Estas bases são muitas vezes munidas d'um ornato destinado a ligar o tóro inferior com os angulos do plintho e a dar d'este modo uma apparencia de maior solidez dos angulos. Este ornato ou appendice recebeu o nome de _garra_ ou _pata_.

As garras mais antigas são muito simples, as de data posterior representam ordinariamente cabeças d'animaes.

Os capiteis lombardos, assim como os bysantinos, têem ordinariamente a fórma de açafate esvasado ou cubico.

Uma transformação se opéra insensivelmente e a arte lombarda adquire uma certa originalidade. Os seus typos são variadissimos; o cinzel do esculptor dá ali provas de fecundidade. Mais tarde esta transformação continúa lentamente, e durante o X seculo, as esculpturas tornam-se mais salientes, as folhagens são augmentadas e as extremidades arredondadas.

Em relação á esculptura d'ornato que cobre o açafate, podem distinguir-se duas especies de capiteis: os capiteis _ornados de folhagens_ e os capiteis historicos ou legendarios. Os capiteis historicos são muito communs nas egrejas lombardas que datam do VIII seculo.

Chamam-se historicos e legendarios os capiteis que são ornados com esculpturas que representam scenas tiradas da historia ou da lenda e até mesmo algumas vezes têem animaes symbolicos ou phantasticos.

O abaco enorme em fórma de capitel, que se encontra nos edificios Latinos, só raramente se vê nas egrejas Lombardas; é substituido por grosso abaco, mas pouco elevado, de profil muito acentuado e muitas vezes talhado em pedra differente do corpo do capitel.

Em opposição ao principio geralmente admittido pela antiguidade e pela edade media, as fachadas das egrejas Lombardas não indicam exteriormente a fórma das naves lateraes.

Compõem-se d'uma grande parede que chega até aos dois lados obliquos que a terminam, e na qual não apparece o resalto na nave principal por cima das naves lateraes.

Os campanarios das egrejas Lombardas ficam ordinariamente separados do edificio da egreja, e compõem-se de uma serie d'andares quadrados, todos da mesma largura e pouco mais ou menos da mesma altura, separados uns dos outros por cornijas. Estes andares são ornados com faixas muraes e pequenas arcadas fingidas, cujos arcos se apoiam sobre modilhões.

As cornijas dos edificios lombardos apenas apresentam uma pequena saliencia das faces das paredes. São quasi sempre collocadas sobre arcaduras fingidas, de volta inteira, assentando em modilhões de fórma muito simples.

As arcaduras constituem uma das fórmas caracteristicas da architectura Lombarda; encontram-se, não só debaixo das cornijas dos telhados, mas tambem debaixo das outras cornijas das fachadas; e até mesmo nas platibandas horisontaes dos edificios.

*Decoração monumental*

Os bysantinos cobriam com marmores e mosaicos as paredes interiores das suas egrejas. Os lombardos, pelo contrario, mostram no seu systema decorativo uma certa preferencia quasi exclusiva pelas esculpturas, a qual derivando da bysantina, foi por algum tempo sua imitação; porém, mais tarde, a começar no IX seculo, principiou-se a abandonar esse modo de decorar.

Nos primitivos edificios lombardos nota-se uma grande incorrecção nas esculpturas das figuras, quer verdadeiras, quer phantasticas. Mais tarde, encontram-se, em todo o periodo do estylo Lombardo, nos seus edificios, animaes chimericos, ora isolados ora em frente uns dos outros, e acompanhados, e tambem entrelaçados de folhagens.

As esculpturas não cobrem só os capiteis, mas tambem as archivoltas e os tympanos, assim como as faces dos altares, dos doceis, etc.

Os embutidos e os revestimentos de marmore são raros no interior dos edificios lombardos.

Desde o IX seculo que se substituiram os embutidos em marmore pelas pinturas a fresco e por mosaicos de pequenos cubos.

Em quanto o estylo Lombardo se desenvolvia no Norte da Italia, o Latino continuava a ser seguido na Italia central e meridional.

A maior parte das egrejas do VII e do VIII seculos eram construidas de madeira, o que explica os frequentes incendios d'essas egrejas.

No principio do seculo IX, o imperador Carlos-Magno tentou fazer reviver as bellas artes na Europa Occidental; quiz restabelecer o renascimento da arte romana.

*O estylo Roman durante os seculos XI e XII*

O estylo Lombardo, inteiramente constituido no Norte da Italia desde o seguinte seculo, exerceu uma grande influencia sobre a architectura roman dos paizes cisalpinos no XI e XII seculos. No fim do X seculo, e no principio do seguinte, os monges introduziram o estylo Lombardo na Allemanha, na Suissa, e nas provincias da França visinhas da Italia, d'onde irradiou para o Norte e Oeste.

O estylo roman da Europa Central não é outra coisa mais que o estylo Lombardo transportado áquem dos Alpes e modificado occidentalmente pelo proprio genio dos differentes povos que occupavam esta região. O elemento Gaulo-romano tomou tambem grande parte na formação do estylo roman.

O roman inglez recebeu o elemento Lombardo por intermedio dos Normandos, que, depois de terem conquistado a Inglaterra, para ali levaram o estylo do Occidente da França.

A rapida propagação das ordens religiosas durante o seculo XI, contribuiu poderosamente para a diffusão e desenvolvimento da architectura Roman. Foi n'este seculo, que as ordens religiosas, graças a abundantes recursos, cobriram em pouco tempo a Europa Central e Occidental com um grande numero de egrejas e mosteiros. Estes monumentos, não obstante apresentarem todos os mesmos caracteres geraes, taes como o emprego das abobadas de volta inteira e d'um mesmo systema de construcção, differem comtudo entre si, em certos caracteres especiaes, proprios de cada região.

O estylo roman do seculo XI differe do estylo do XII por uma ornamentação mais simples, contornos menos correctos e execução geralmente inferior.

No seculo XII, abundam os ornatos tanto no interior como no exterior dos edificios. No final do seculo XI, estabeleceram-se, na Europa Occidental, duas escolas de architectura, animadas de diversas tendencias. Uma na ordem de S. Bento, que tinha o seu centro principal na abbadia de Cluny, desenvolvia uma magnificencia e um luxo quasi extraordinario na decoração dos edificios religiosos, cuja construcção lhe era incumbida; a outra, pelo contrario, procedente da Ordem de Cister, quasi que não admittia ornatos alguns e levava a singeleza até á severidade. Em todos os paizes em que existiam edificios romanos por occasião da formação do estylo roman, a sua existencia exerceu grande influencia na decoração dos edificios. Pelo contrario nos paizes em que escasseavam aquelles monumentos, diligenciaram imitar, a maior parte das vezes, na esculptura monumental os variados tecidos importados do Oriente.

*Caracteres da architectura Roman*

As egrejas romans apresentam ordinariamente em planta a forma d'uma Cruz Latina, cuja frente representada pelo côro é voltada para o Oriente. Têem geralmente tres naves formadas por duas ordens parallelas de pilares, e algumas vezes de cinco. Depois do seculo XI, o côro das egrejas cathedraes, abbaciaes (exceptuando as da Ordem Cistersiense e collegiaes), tem maiores dimensões que nas basilicas Latinas e Lombardas.

Quando o côro não era rodeado de capellas, terminava por um abside semi-circular ou por uma parede recta. Encontram-se, nas margens do Rheno e em outras partes da Allemanha, egrejas Romans com dois absides semi-circulares, um a Leste e o outro a Oeste.

Algumas das grandes egrejas Romans têem os lados do corpo da egreja divididos por galerias.

Todas as egrejas Romans, sem excepção, são orientadas.

Muitas das mesmas egrejas têem cryptas quasi sempre situadas debaixo do côro, e formando capellas subterraneas, com tres a cinco naves, cujas abobadas de barrete veem assentar sobre duas ou quatro ordens de pilares pouco elevados.

Desce-se para a maior parte das cryptas por duas escadas collocadas aos lados da que do transepte conduz ao côro. Nas que não têem senão uma entrada, acha-se ordinariamente diante do côro mesmo no eixo da egreja.

O uso de construir cryptas só deixou de existir desde o seculo XIII.

Durante o periodo Roman, ainda se construiram, ao pé das cathedraes e das grandes Egrejas abbaciaes e parochiaes, baptisterios isolados, de fórma polygonal e circular.

Todavia, logo que a solemne ministração do baptismo caiu em desuso, não se construiram mais baptisterios proximo das novas Egrejas parochiaes que se edificaram. A pia baptismal foi então transportada para a nave principal, proximo á porta de entrada da egreja nas naves lateraes, ou então em uma capella do lado occidental, proximo da porta principal.

A natureza dos materiaes influe poderosamente sobre o modo de construcção adoptada; assim nos paizes em que a cantaria é resistente, construe-se com grandes dimensões, o apparelho é mais grandioso, as fiadas são altas; emquanto que, nas localidades em que os materiaes são menos resistentes, e em que o trabalho de preparar a cantaria é portanto mais facil, o apparelho tem menor dimensão.

No seculo XI, a esculptura monumental toma repentinamente um desenvolvimento extraordinario pela influencia combinada do estylo Lombardo, dos monumentos Gaulo-Romanos; dos tecidos e outros objectos d'arte importados do Oriente pelos cruzados.

Em cada paiz ou quasi que em cada provincia, a decoração Roman offerece caracteres particulares, devidos á aptidão dos habitantes, á variada natureza dos materiaes e a outras influencias locaes. Em geral, em todos os paizes onde se encontravam documentos romanos ricamente decorados, a influencia Lombarda se liga e se combina com a d'estes monumentos.

No Noroeste da França, principalmente na Normandia, e até mesmo na Inglaterra, a decoração consiste principalmente em estrellas e outras figuras geometricas. A ornamentação Roman da Allemanha compõe-se sobretudo de galões entrelaçados, cujas extremidades acabam em folhas com tres a cinco lobulos. Estes galões, algumas vezes ornados de perolas, parecem ordinariamente ligados com fitas ou reunidos por anneis.

Na Belgica, onde principalmente se manifestou a influencia da escola Cistersiense, os monumentos do periodo Roman não têem as decorações de trabalhos custosos e variados, que se encontram n'outros paizes.

Assim como nas basilicas Latinas, as fachadas das egrejas Romans indicam em geral a forma transversal das naves; só no seculo XI, começaram a ornal-as com mais cuidado e esmero. A sua decoração architectural consiste nos portaes, ordinariamente tres, construidos em profundas arcadas de volta inteira mais ou menos carregadas de molduras de architectura; as galerias, verdadeiras ou fingidas, eram formadas por uma ou muitas ordens de arcadas fingidas ou rendilhadas; e emfim em grandes rosaceas vasadas, por cima da porta principal.

Raras vezes se encontram fachadas romans decoradas com estatuas.

Antes do seculo XI, os atrios que succederam aos narthex das basilicas, apresentavam-se d'ordinario sob a fórma d'um portico, geralmente pouco profundo e occupando toda a largura da fachada da egreja; havia alguns tambem, ainda que pouco numerosos, que eram construidos na fachada Occidental.

Os atrios Romans dos seculos XI e XII dividem-se em fechados e abertos; os primeiros tomaram, em varios paizes, um desenvolvimento de tal modo importante, que formavam de alguma maneira uma nova egreja construida em frente das naves propriamente ditas, como havia na egreja de S. Francisco de Santarem.

Nos grandes monumentos do seculo XI, e especialmente do XII, os portaes mais notaveis, e até mesmo algumas vezes os secundarios, são ornados profusamente de esculpturas de todo o genero.

Quando as archivoltas dos portaes são cobertas com muitas esculpturas, o tympano é quasi sempre ornado d'um baixo relevo, representando Jesus Christo sentado e sob uma aureola. Em alguns casos o Redemptor offerece as mãos a dois Santos coroados e ajoelhados cada um do seu lado; em outros, lança a benção com a mão direita e segura um livro com a esquerda; n'este caso a aureola é muitas vezes cercada de animaes symbolicos representando os Evangelistas.

Nos mais importantes monumentos, os batentes dos portaes eram ordinariamente de bronze ou de qualquer outro metal.

As ferragens das portas, que a principio não serviam senão para consolidar todas as travessas da porta, forneceram desde o seculo XI, no estylo Roman, um dos mais bellos modelos de ornamentação.

Encontram-se tambem, nos edificios de architectura Roman, portaes com batentes de madeira esculpidos em baixo relevo. As janellas d'estes edificios mais antigos são pequenas e quasi sem ornamentação alguma.

No meado do seculo XI, augmentaram os vãos das janellas á proporção que mais se generalisava o uso do vidro. No final d'este seculo e durante todo o XII, as archivoltas exteriores das janellas dos grandes monumentos são executadas com o maior cuidado, e compostas de arcos com muitas ordens de pedras lavradas symetricas, varias vezes com o feitio de tóros, ficando assentes sobre grupos de pequenas columnas ou sobre pés direitos ornados de uma imposta com esculptura. Estes tóros têem tambem muitas vezes ornatos.