Resumo elementar de archeologia christã

Chapter 2

Chapter 23,559 wordsPublic domain

_Objectos collocados no exterior do tumulo_. Entre estes objectos, uns são executados pela mão do homem, outros não o são. Podem classificar-se, na primeira cathegoria, os _baixos relêvos_, as estatuetas, os pequenos _bustos_, e os fragmentos de esculpturas em pedra e em marmore, os cacos de louça, os fragmentos de _vasos_ de _crystal_ e de _vidro esmaltado_ e _dourado_, os prismas e as pequenas _placas_ de _mosaico_, os anneis, os collares, os bracelêtes, e um grande numero d'outros objectos de _toilette feminino_, d'ambar, ouro, marfim e nacar, os brinquedos de creança, as folhas de taboa de escrever, as placas de bronze, as guarnições e os ornamentos para portas e cadeiras, d'ouro, marfim, bronze e ferro, os camapheus, as moedas e as medalhas, os utensilios de cosinha; n'uma palavra, tudo desde o objecto mais ordinario até ás joias mais preciosas.

Encontram-se tambem fragmentos brutos de toda a especie de substancias, os mais diversos objectos naturaes e os mais extravagantes; pedaços de tufo, estilhaços de pedra ou de tijôlo, caróços de fructos, folhas d'arvore ou de planta, dentes e ossos d'animaes, caracoes, cascas de mexilhão e d'ôstra, conchas, etc.

Estes objectos fixos ao cimento, eram dispostos de maneira que podessem desenhar figuras de que facilmente se podesse fazer idéa.

_Outros monumentos christãos dos tres primeiros seculos além das catacumbas_. Occupar-nos-hemos dos edificios religiosos construidos sobre a terra, dos cemiterios construidos ao ar livre, dos paramentos sagrados e dos instrumentos do culto, anteriores á abjuração de Constantino.

Sabemos por documentos historicos que muitas pessoas abastadas tinham em seus palacios oratorios onde os soberanos Pontifices vinham celebrar os Santos Mysterios na presença da multidão dos fieis. Muitos d'estes oratorios foram substituidos, depois da abjuração de Constantino, por basilicas, ás quaes deram o nome das pessoas piedosas que haviam cedido á egreja o direito de propriedade; e se mais tarde estas pessoas ficavam consideradas no numero dos Santos, estas basilicas eram-lhes dedicadas.

A mais remota menção d'um templo christão data do tempo de Alexandre Severo, que foi imperador desde 222 até 235.

Não é conhecida a fórma nem a distribuição interior d'estas primitivas egrejas.

Os unicos monumentos notaveis dos tres primeiros seculos, até hoje conhecidos, são as _cellas_ dos cemiterios, ás quaes se deu tambem o nome de _basilicas_, desde o principio do IV seculo.

Estes pequenos edificios, construidos nos cemiterios, serviam para ponto de reunião dos fieis.

_Cemiterios ao ar livre_. As sepulturas christãs foram estabelecidas, desde o principio, ao ar livre.

Estes cemiterios, designados em geral pelo nome de _d'areae_[2] eram, do mesmo modo que as catacumbas, situados fóra das portas das cidades; porque as leis romanas prohibiam severamente as inhumações dentro dos muros.

Depositavam-se os cadaveres, quer em simples fóssas, algumas vezes revestidas interiormente de tijólos e de lages, quer em pias de pedra, ou caixões de madeira mettidos debaixo da terra. As paredes dos tumulos mais ricos eram, dadas certas circumstancias, rebocadas de argamassa, ou estucadas e decoradas com pinturas _a frêsco_, semelhantes ás das galerias e capellas sepulchraes das catacumbas.

_Paramentos e objectos do culto_. Parece certo que, durante os primeiros seculos, os paramentos sagrados não se differençavam dos fatos ordinarios, nem pela fórma nem pelo talhe.

Do mesmo modo que aproveitavam para os sagrados paramentos as fórmas e os pannos dos fatos ordinarios, assim tambem aproveitavam para o serviço dos altares os vasos ricos e preciosos que haviam servido aos usos profanos.

CAPITULO III

/# *Summario.*--Estylo Latino--Estylo Bysantino--Fórmas das Basilicas--Origem da Basilica Christã--O Narthex--Orientação das Basilicas e Egrejas Christãs--Egrejas cruciformes, circulares e polygonaes--Cryptas--Baptisterios--Oratorios domesticos--Templos pagãos e edificios profanos apropriados em Egrejas Christãs--Systema e regras de construcção--Decoração monumental--Narthex, fachadas e portaes das Basilicas--Janellas e a maneira de as vedar.--Madeiramento do cume dos edificios--Torres--Pinturas representadas em mosaico--Pavimento nos edificios--Altares--Ciborium--_Ambon_, Tribuna para as leituras da Biblia--Poltrona para os bispos e bancos para os sacerdotes--Cemiterios--Monumentos funerarios--Sarcophagos--Tumulos subterraneos--Objectos com symbolos christãos achados nas sepulturas--Alfaias religiosas--Calices e Patenas--Custodias--Relicarios--Pombas e torres--Accessorios do altar--Corôas de metal precioso suspensas sobre o altar--Dipticos--Encadernação dos livros dos Evangelhos--Estofos religiosos--Paramentos sacerdotaes--Jesus Christo sob fórmas symbolicas--Os Apostolos S. Pedro e S. Paulo. #/

_Periodo Latino e Bysantino_. A architectura christã póde considerar-se dividida em dois ramos perfeitamente distinctos. O primeiro, que se poderá chamar o _Estylo Latino_, foi adoptado pela egreja Latina, isto é, na Italia, na Illyria, na Dalmacia e em toda a Europa Occidental. É caracterisado pela imitação mais ou menos correcta da architectura classica, greco-romana. O outro estylo, formado por elementos orientaes e romanos, nasceu em Constantinopla, e ahi se desenvolveu, formada sob a influencia Oriental, uma configuração inteiramente nova: deram-lhe o nome de _Bysantino_.

O Estylo Latino predominou no Occidente até ao principio do seculo VIII; e o Estylo Bysantino no Oriente, até á tomada de Constantinopla pelos Musulmanos, em 1453.

Chamou se _Latino_ o estylo do imperio do Occidente, em primeiro logar porque, derivando do Estylo Romano ou Classico, foi empregado nos paizes em que a lingua _latina_ era a lingua ecclesiastica e vulgar; em segundo logar, porque existiu tanto tempo como aquella lingua, approximadamente.

O Estylo _Bysantino_ tem o nome derivado de Bysancio ou Constantinopla, capital do imperio do Oriente.

_Estylo Latino_. A architectura greco-romana chegou ao seu apogêo durante os dois primeiros seculos da era christã. A sua decadencia começou no seculo III, afastando-se da nobre simplicidade do Estylo Classico.

No seculo IV, ainda mais se pronunciou a sua degeneração.

Começaram então a desmanchar os antigos monumentos para em seu logar construir e decorar mais facilmente os novos. Tal era o estado da architectura no Occidente, quando foram construidos os primeiros monumentos christãos do periodo _Latino_.

_Fórma das basilicas_. As _basilicas profanas_ eram vastos edificios construidos no _Forum_, ou nos arredores das praças publicas. Serviam para ponto de reunião dos vendedores, assim como de outros individuos que se occupassem de negocios. Era n'ellas que os magistrados administravam Justiça.

As _basilicas christãs_ foram construidas segundo o modêlo das basilicas profanas; sómente, em vez de se construirem ao longo das praças publicas, eram precedidas de um pateo quadrado, com o fim de as afastar do ruido e do tumulto da rua. Tinham, como as basilicas profanas, a fórma d'um rectangulo mais ou menos alongado e compunham-se de tres partes principaes--o _pateo_ ou o _atrium_; a _nave_ e o _Sanctuario_.

O _narthex_ abria-se ao fundo do atrium. Era uma especie de vestibulo, propriamente dito, formado pelo portico transversal contiguo á fachada da basilica.

Esta primeira parte da basilica era occupada, durante o officio, por aquelles a quem as leis ecclesiasticas prohibiam tomar parte nas assembléas dos fieis.

Do _narthex_, entrava-se por uma, tres ou cinco portas para a basilica, que era ordinariamente dividida em tres naves por duas ordens de columnas.

A da direita, reservada para os homens, e a da esquerda para as mulheres.

Avançando pela nave dentro, encontravam-se os _ambons_, pulpitos destinados á leitura dos Santos Evangelhos para as prédicas, e á promulgação das leis ecclesiasticas.

Entrava-se emfim na terceira parte da basilica, a parte mais Santa e mais veneranda, aquella onde os seculares não podiam penetrar, e que se chamava o _Sanctuario_.

O altar occupava a parte central do Sanctuario, e tinha frente para uns poucos de lados.

Atraz do altar desenvolvia-se o _abside_ de fórma semi-circular e coberto ordinariamente com uma meia cupula.

A cadeira do Bispo era collocada ao fundo do _abside_, e para ella se subia por uns poucos de degraus. Aos lados da cadeira episcopal, se achavam, contiguos ao hemicyclo do abside, os assentos ou bancos destinados aos padres, que assistiam aos Officios Divinos.

A alteração mais notavel, que a disposição interior das basilicas soffreu com o andar do tempo, foi o accrescentamento do cruzeiro ou nave transversal, entre o abside e a nave propriamente dita.

_Orientação das basilicas e das egrejas christãs_. Chama-se _orientação_ uma disposição particular, segundo a qual o eixo longitudinal d'um edificio, d'um tumulo, etc., se dirige do Occidente para Oriente.

Desde a primitiva que a egreja christã adoptou o costume de orar voltando o rosto para o Oriente.

O costume de orientar as egrejas foi dos primeiros seculos do Christianismo.

Ha dois modos inteiramente oppostos d'orientar as egrejas. N'um, usado antigamente, a fachada principal forma a parte Oriental do edificio e a capella-mór do lado do Poente. N'outro, que preponderou mais tarde, a posição de todas as partes da egreja é completamente trocada, a fachada está voltada para o Occidente, e a capella-mór para o Oriente.

O primeiro modo d'orientação não durou muito tempo. Nos seculos V e VI, a começar no V, se construiram muitas egrejas com a capella-mór voltada para o Oriente. No Occidente a mudança effectuou-se lentamente, pois só se completou durante o seculo XIII.

_Cryptas_. A maior parte das basilicas foram edificadas nos mesmos sitios onde tinham sido sepultados os restos mortaes d'um Martyr, ou de qualquer Santo illustre.

Nas primitivas basilicas, o altar era situado mesmo sobre a sepultura.

As galerias e capellas subterraneas, que mais tarde foram substituidas, tiveram o nome de _cryptas_, da palavra grega que significa, _eu escondo_.

Estas galerias abobadadas transformaram-se muito tarde em verdadeiras capellas, ou egrejas subterraneas, por debaixo de todo o _presbyterium_; bastante vastas para necessitarem o emprego de columnas que recebiam os arcos das abobadas, formando assim muitas naves.

_Baptisterios_. Distinguem-se tres especies de baptismo: o baptismo por _immersão_, o baptismo por _aspersão_, e o baptismo por _infusão_ ou _affusão_.

O primeiro ministra-se mergulhando na agua todo o corpo; no segundo e terceiro, o ministro, de longe ou de perto, lança a agua sobre a cabeça do neophito. O baptismo por immersão foi usado até ao seculo XII; a começar d'esta épocha, principiou a ser substituido, na egreja Latina, pelo baptismo por infusão, do qual até ali se não serviam, a não ser para os doentes em perigo de vida.

Primitivamente era reservada aos Bispos a administração do Solemne Baptismo. O Bispo mergulhava tres vezes o neophito, invocando de cada vez uma das Pessoas da Santissima Trindade.

Depois da abjuração de Constantino, quasi se generalisou por toda a christandade o baptismo ministrado nos edificios particulares situados ao lado das principaes egrejas, e especialmente das cathedraes.

Os baptisterios tinham em geral a fórma circular ou octogona, mas alguns havia quadrados, e outros ainda em fórma de cruz grega. As pias baptismaes eram muito grandes, porque muitas vezes se ministrava a adultos o baptismo por immersão.

_Templos pagãos e edificios profanos convertidos em egrejas christãs_. Os templos pagãos não se prestavam em geral para o culto christão, em consequencia das suas diminutas proporções.

Entretanto alguns foram convertidos, com ligeiras modificações, em egrejas christãs, e outros foram-lhes encorporados.

A maior parte d'estas transformações datam do reinado do imperador Theodosio (383-385), e dos seus successores immediatos.

Tambem houve monumentos civis que foram transformados em egrejas christãs; taes como as thermas e os banhos, que entre os romanos excediam em magnificencia os proprios templos.

_Caracteres do Estylo Latino_. As basilicas christãs foram muitas d'ellas construidas, aproveitando para isso monumentos mais antigos. Mas em consequencia das basilicas serem muito mais vastas do que os templos pagãos, tornava-se por isso não raras vezes necessario desmanchar muitos d'esses monumentos para construir uma só basilica.

A architectura estava n'uma tal decadencia, que muitas vezes chegavam a reunir fragmentos de dimensões e estylos differentes, e ajustavam-nos o melhor que podiam.

Se, por exemplo, se tratava de columnas provenientes de diversos monumentos, não pertenciam muitas vezes á mesma Ordem d'architectura; tendo portanto os fûstes e os capiteis de alturas differentes, enterravam os fustes, ou os collocavam sobre soccos. O desvio e a distancia relativa das columnas variavam dentro de limites excessivos.

A unica innovação d'alguma importancia introduzida nas construcções, foi a substituição da _arcada_ pela architrave.

Nas regiões onde escasseavam monumentos antigos, os edificios do periodo Latino eram em geral muito pequenos, baixos e pobremente decorados, muitos até de madeira.

Apezar do que acabâmos de expôr, no seculo V e VI, construiram-se em Ravenna muitos monumentos importantes (dos quaes ainda alguns se conservam), sem que fôsse necessario recorrer á devastação que tiveram os anteriores; o que prova existir n'aquella epocha em Ravenna uma brilhante escola de habeis constructores.

_Materiaes de construcção_. As basilicas e os monumentos do periodo Latino eram construidos com pedras d'alvenaria regulares, quasi sempre quadradas, de mediano preparo, e tambem com tijolos chatos, ficando separados por uma espessa camada de cimento. Muitas vezes tambem os muros eram formados por cordões de uma, duas ou muitas faxas de pedras d'alvenaria alternadas com outras compostas de uma ou duas fiadas de tijolos.

_Decoração dos monumentos_. O periodo Latino não foi epocha de esplendor para a architectura ornamental.

O _ábaco_ dos capiteis recebeu, durante o periodo Latino, dimensões e um esvasamento taes que muitas vezes parecia ser um capitel sobrepôsto sobre outro. A frente do ábaco era adornada, do lado da nave principal, com um symbolo, que algumas vezes era o monogramma do fundador, e em geral havia uma Cruz d'ordem Trina isolada, ou inscripta n'um circulo. Chama-se Cruz de Ordem Trina aquella cujos braços são mais largos nas extremidades do que no ponto de intersecção dos ramos. Esta cruz, quer só, ou entre dois cordeiros, ou entre dois passaros, com a frente um para o outro, foi um dos symbolos christãos mais usados durante o periodo Latino.

_Narthex, fachadas e portaes das basilicas_. O narthex interior occupava o fundo do atrio, e era formado pelo portico contiguo á fachada principal da basilica. Communicava pelos extremos com as galerias que rodeavam o atrio; como se observa na egreja de Villarinho de S. Romão, na provincia do Douro.

Nas basilicas latinas, quando a configuração do terreno não permittia estabelecer o atrio e o narthex, substituiam algumas vezes estes, por galerias altas collocadas no interior do edificio ao longo da nave.

Os portaes das basilicas eram construidos segundo o modelo dos portaes ricos do estylo classico.

As portas dos portaes das basilicas eram de bronze ou de madeira. Algumas das portas de bronze, das primeiras basilicas, provieram de monumentos pagãos. No seculo IX, a egreja de Santa Maria Maior, em Roma, tinha portas de prata.

_Janellas e vidraças_. As janellas das basilicas eram rasgadas d'alto a baixo, e de volta inteira.

Serviam de vidraças a estas janellas grandes laminas de marmore ou de pedra, atravessadas de buracos para por elles penetrar a luz no interior dos edificios. Mais tarde, estas laminas foram vasadas de maneira que offereciam á vista os mais complicados desenhos. Na Europa Occidental e Septemtrional, em que as laminas de pedra e de marmore escasseiavam, guarneciam as janellas com caixilhos de madeira.

As clara-boias muitas vezes não tinham cobertura, principalmente nos paizes meridionaes; e n'outros eram vedadas com laminas de pedras translucidas ou de placas de alabastro.

Desde o seculo VII que começou a haver vidraças com vidros brancos e esverdeados, e até mesmo com vidros de differentes côres. Não appareciam ainda figuras, nem ornatos alguns, pintados sobre os vidros; as vidraças com vidros de côr eram formadas por um grande numero de vidros coloridos, cortados de differentes modos e que se reuniam de certa maneira, a fim do conjuncto representar figuras de fórmas regulares.

Desde o reinado de Constantino, os grandes edificios apenas se cobriam com madeira.

A maior parte d'esta construcção ficava visivel no interior dos edificios. Em alguns, as naves tinham tectos de madeira com pinturas diversas, representando caixões ricamente adornados e dourados.

Raras eram as basilicas que desde a sua fundação tinham possuido torres. Os campanarios que hoje se vêem proximo das antigas egrejas de Roma, são quasi todos posteriores ao seculo VIII. As torres do _periodo Latino_ são na maior parte de fórma circular ou octogonal.

Nas grandes basilicas as abobadas esphericas do abside e o Arco Triumphal, e algumas vezes tambem as paredes comprehendidas entre as janellas altas da nave e das arcadas que ligam as columnas, ficavam revestidas com vistosos mosaicos.

Os materiaes mais ordinariamente empregados n'este genero de trabalho, eram folhas de marmore e pedaços de vidro.

Em muitas basilicas de Roma, o abside abobadado em forma de esphera tem ao centro a imagem de Jesus Christo em pé ou sentado, com o braço direito erguido, ou lançando a benção, e com um rolo de papel ou um livro collocado á sua esquerda. Aos lados do Salvador estão representados os Apostolos, ou outros Santos. O sólo que pisam é o da Judeia, o que se conhece pela representação do rio Jordão, cujo nome é muitas vezes inscripto debaixo dos pés de Jesus Christo, e pela presença das palmeiras, que foram, desde o primeiro seculo da era christã, o symbolo da Terra promettida. Logo abaixo do abside se estende, em toda a largura, uma zona estreita, no centro da qual se vê o Cordeiro Divino coroado com ou sem a Cruz, collocado sobre um outeiro d'onde brotam os quatro rios do Paraíso: Geham, Phison, o Tigre e o Euphrates, symbolos dos Evangelistas. Doze cordeirinhos, seis de cada lado, se dirigem para o cordeiro symbolico, e parecem sahir das cidades Santas de Jerusalem e Bethlem, que occupam os extremos da composição, e se acham representadas por varias portas e muralhas com ameias. Estes cordeirinhos symbolisam os fieis.

Alguns mosaicos representam o sonho de S. João, isto é, os quatro animaes, symbolos dos Evangelistas; e os vinte e quatro velhos, vestidos de mantos brancos, offerecendo coroas ao Cordeiro.

Para piso das basilicas, os primitivos christãos serviam-se dos differentes processos de empedramento, como os romanos usavam. Mais tarde, estes processos foram substituidos por um trabalho de novo genero, chamado _opus alexandrinum_, assim designado por ter sido usado primeiramente na Alexandria. Estes empedramentos consistiam em um conjuncto de variados marmores em que predominavam os porphyros verdes e vermelhos; pareciam como um rico tapete estendido no sólo. O empedramento _alexandrino_ foi muito pouco empregado na Europa Occidental e Septemtrional.

Havia tambem empedramentos em que sobresahia a prata e outros metaes preciosos.

Parte do piso do Sanctuario da basilica do Vaticano é de palhetas de prata; mas o da capella de S. Pedro, da mesma basilica, é de palhetas de ouro.

Nas catacumbas era mesmo sobre os tumulos dos martyres que se celebravam os Santos Mysterios; porém, a começar do seculo III, este uso foi approvado tambem pela Egreja.

No Occidente, o altar era quasi sempre erigido sobre o tumulo d'um martyr. Os restos mortaes do Santo collocavam-se immediatamente debaixo do altar n'um sarcophago, e ainda, na maior parte dos casos, ficavam depositados n'uma crypta collocada debaixo do Sanctuario. Tanto na Grecia como no Oriente, nunca em tempo algum, e até mesmo em nossos dias, se fez d'um tumulo um altar, mas sim d'uma mesa, que recordava aquella sobre a qual o Salvador instituiu a Eucharistia. Um altar _nunca_ encerrava _reliquias_. Desde o tempo de Constantino, que data a maior parte dos altares das egrejas do Occidente. No principio do seculo VI (517) o concilio de Épona prescreveu, que todos os altares fossem de pedra, os quaes foram adoptados pela razão symbolica de ser considerado o Salvador a pedra angular.

Os altares de pedra d'essa épocha eram sempre formados por uma especie de prateleira quadrada ou rectangular, para constituir a mesa do altar propriamente dito. Esta mesa, muitas vezes, cobre um sarcophago ou um tumulo de madeira; outras é sustentada por um pé central em forma de cippo e ainda outras posta em quatro, cinco e mesmo até seis columnellos.

Havia altares formados de tres lages, das quaes duas se collocavam verticalmente, servindo de supporte á terceira, collocada horisontalmente, a fim de formar a mesa do altar. Encontram-se tambem altares formados de cinco placas, tendo, pelo seu conjuncto, a fórma de um cofre de pedra.

A Auréola era formada de folhagens e sustentada por quatro anjos; Nosso Senhor Jesus Christo fica collocado entre dois Cherubins, que facilmente se reconhecem pelas suas asas abertas. Uma mão figurada no remate superior da Auréola, é para indicar a presença de Deus. É tambem adornada de flores, para indicar que o assumpto se passa no Céu.

As esculpturas mostram que esta arte estava muito decahida no seculo VIII. Essas figuras com posições grotescas e forçadas, teem todas o rosto de frente, e os membros desproporcionados, sendo tudo d'uma imperfeição tal, que é difficil imaginar-se nada mais grosseiro e rude.

A inscripção, muito mal escripta, e n'uma linguagem quasi inintelligivel, não é mais esmerada do que as esculpturas.

Quando as faces dos altares das basilicas das grandes egrejas não tinham esculpturas, eram então revestidas de laminas de ouro e de prata, com engastes de pedras preciosas, ficando cobertas de colchas bordadas, representando algumas vezes assumptos sagrados.

Desde o seculo IV até meiado do XII, que as mesas dos altares eram muitas d'ellas escavadas em fórma de bandeja em toda a extensão do plano superior, tendo um rebórdo de alguns centimetros de altura; às vezes tinham ornatos esculpidos. Muitas mesas eram furadas nos angulos, com um ou muitos buracos, cuja serventia ainda não foi possivel descobrir. O altar era encimado por um _ciborium_, especie de docel ou baldaquim, sustentado por quatro columnas de madeira ou de marmore e de metal.

Entre as columnas do _ciborium_ havia umas cortinas ou reposteiros de corrediça, que se corriam para occultar o officiante e o altar durante a consagração.

O _ciborium_, que data do seculo XII, tem uma fórma um tanto differente da que foi posta em uso durante o periodo Latino.

As cortinas dos antigos _ciboriums_ eram em geral de preciosissimos damascos de seda e ouro, ou com ricos lavores, guarnecidos de perolas, pedrarias e mesmo laminas de ouro e de prata.

Primitivamente, cada egreja apenas tinha um altar. Comtudo mais tarde houve egrejas no Occidente, que tinham muitos.

Os gregos e os orientaes nunca tiveram senão um altar nas suas egrejas.

Os _altares portateis_ antigos compunham-se, bem como os mais recentes, de uma prancha rectangular de madeira, de pedra ou de metal, algumas vezes munida de uma moldura de ouro ou de prata, e tendo no extremo um appendice para servir de punho. Não se acharam altares portateis do periodo Latino, não obstante parecer indubitavel que deveriam ser communs n'aquelle periodo.