Resumo elementar de archeologia christã

Chapter 13

Chapter 133,689 wordsPublic domain

No XVI seculo, as vidraças pintadas apresentam um aspecto inteiramente novo. Todavia o primeiro terço do seculo se passou sem que os processos materiaes da pintura sobre o vidro se tivessem modificado; e se a _renascença_ não tivesse, desde este momento principiado a influir nas composições artisticas, seria difficil distinguir as vidraças dos primeiros annos do XVI seculo das do final do seculo precedente. Em 1540, uma nova côr teve applicação, o _encarnado de ferro_, que se juntou na paleta do pintor de vidraças aos tres esmaltes conhecidos então: o pardo, o amarello de prata, e a côr para encarnação. Alguns annos depois, em 1550, achou-se o segredo de applicar todas as côres, preparando-as com um liquefactivo (que não era outra coisa que o pó vitreo), incorporando-os pela cozedura nas placas de vidro. Este genero de pintura sobre vidro, que teve o nome de _pintura_ ou _apprèt_, deu grandissimas facilidades para os pintores de vidraças, e fez mudar completamente os processos da arte. O artista preparava primeiramente a placa vitrea, pouco mais ou menos como a téla, para a pintura a oleo pela maneira de tintas geraes e sitios; sobre estes tons modelava depois as figuras e objectos; finalmente traçava as sombras e alcançava o effeito com os retoques de côres, emquanto fazia apparecer os pontos luminosos, desfazendo com promptidão a tinta opaca afim de deixar ao vidro toda a sua translucidez.

Cerca da mesma época descobria-se a propriedade que tem o diamante de cortar o vidro, inventando-se o tira-chumbo, que facilitou a producção dos filetes de chumbo para segurar os vidros, conseguindo-se tambem executar placas de vidro de grande dimensão. Todos estes progressos nos processos materiaes produziram uma revolução completa na arte da pintura das vidraças, e tiveram por principal resultado o abandono quasi total dos vidros tintos na massa.

O estylo das vidraças transforma-se inteiramente no XVI seculo sob a influencia artistica do renascimento. Nos edificios religiosos dos primeiros annos do XVI seculo, a volta inteira substituiu insensivelmente a ogiva. Depois d'esse momento tambem appareceram, sobre as vidraças pintadas, ornatos tirados do estylo classico, misturados com florões e outras decorações que recordavam ainda a época ogival. Pouco a pouco as idéas classicas fazem progressos e conseguem, depois de algum tempo, obter a preferencia. Não se vê mais então ovanos, volutas, folhas de acantho, festões de flores e fructas. O arco de triumpho ou portico, imitado da architectura pagã, forma de ora ávante o moldurado proprio das vidraças pintadas em que figuram as personagens e os assumptos. Até metade do XVI seculo, o artista se satisfaz em desenvolver, na parte inferior da vidraça o assumpto principal com o moldurado que o limita, e reserva a parte superior, assim como o tympano para collocar os brazões e os symbolos. Poucos annos depois da metade do XVI seculo, em 1560, o assumpto e o emmoldurado passam mesmo atravez dos enlaçamentos do tympano, se todavia os quizerem respeitar, e não fazel-os desapparecer.

Os assumptos religiosos e symbolicos são raros sobre as vidraças pintadas do XVI seculo: vêem-se as mais das vezes os retratos dos doadores nas vidraças, onde apparecem representados geralmente de joelhos sobre um genuflexorio, quer só, quer rodeados das pessoas de suas familias. O orago do sanctuario os acompanha sempre, e os seus brazões repetem-se muitas vezes em differentes partes na pintura da vidraça.

No XVI seculo, produziu-se uma certa predilecção pelas pequenas almofadas pintadas com que se ornavam antes, algumas vezes no final do seculo precedente, as vidraças dos edificios publicos, castellos, claustros e mesmo as habitações particulares. Essas bonitas pequenas almofadas, quer em grizalha retocada com amarello de prata, quer de côres differentes, são feitas com bastante tenuidade e delicadeza extrema. Ás vezes occupam toda a abertura, ou pelo menos uma das divisões principaes da vidraça, outras vezes consistem em simples medalhões circulares ou ovaes, circumdados de vidro colorido ou branco. As pequenas vidraças pintadas, designadas _vidraças suissas_, porque tiveram primeiramente uso na republica Helvetica, pertencem á mesma categoria. Estas vidraças, cujo uso se conservou durante os seculos seguintes, reproduziram para a nobreza os brazões de familias differentes moldurados; para os edificios municipaes, as armarias da cidade ou da provincia com figuras de porta-estandartes vestidos com os trajos e as armaduras da época; para as abbadias, as armas do mosteiro ou a figura em pé do fundador. Os burguezes e as pessoas de profissão eram ahi representados com os symbolos do seu officio sobre um escudo. Muitas vezes tambem os fidalgos, burguezes e operarios eram representados todos nos seus trajos com sua familia. A transparencia e o brilho do colorido são geralmente mais vistosos nas vidraças suissas, que nas maiores vidraças pintadas.

*Vidraças pintadas do XVII seculo*

No XVII seculo, a pintura com preparo ou com côres pegadas, continuou a ter voga, devido aos aperfeiçoamentos introduzidos na composição e no assentar os esmaltes, o que fez abandonar completamente o emprego dos vidros duplos e dos vidros tintos na massa. Este genero de pintura, muito apropriada para as vidraças pintadas dos aposentos, não convinha de maneira nenhuma para decoração das grandes vidraças pintadas, porque o artista querendo apresentar grandes sombras e tons fugitivos, servindo-se de meias-tintas e de tintas de bistre, tornava a sua pintura tão carregada, embaciada e confusa que, por vezes, era difficil distinguir os objectos.

A representação de Arcos de Triumpho ou porticos constituia, como no seculo precedente, o moldurado forçoso de todas as composições, com esta differença, que esses arcos e esses porticos são agora vistos obliquamente ou de lado, isto é, em perspectiva, emquanto d'antes apresentavam a frente geometral.

Os filetes de chumbo, que anteriormente seguravam tão vantajosamente os principaes contornos do desenho, foram considerados como inuteis e mesmo causando embaraço na execução da pintura. Não serviram mais que para reunir vidros eguaes e quadrados, formando uma especie de canniçado, por detraz do qual os artistas pintavam sobre os vidros como se fossem uma tela, não fazendo nenhum caso das juntas metallicas.

*Vidraças pintadas do XVIII seculo*

_No XVIII seculo_, os vidros tintos na massa foram pouco fabricados; seu preço era avultado, e sua falta muito grande. Quasi todas as vidraças d'esta época são com vidros esmaltados. O esmalte branco, já conhecído no XVI e XVII seculo, veiu a ser então de uso geral e formou as principaes côres empregadas. A decadencia da pintura das vidraças foi completa, e a arte perdeu a tal ponto que havia em Paris um _unico pintor d'esta especialidade_, o qual não podia subsistir por este seu trabalho.

Finalisando a historia de pintura sobre o vidro, devemos notar uma tradição popular muito vulgar que considera, sem razão, a arte da pintura sobre o vidro, conforme era feita na edade média, como sendo um segredo que se perdeu desde muito tempo. Esta opinião não tem nenhum fundamento.

*Pilares, columnas e columnasinhas*

Na edade média, as designações de _pilar_ e de _columna_ se confundem muitas vezes; todavia a palavra _columna_ indica a idéa de um apoio com fuste cylindrico. Eucontram-se nos edificios do periodo ogival quatro especies principaes de pilares ou columnas: o pilar _quadrado_, a columna _monocylindrica_, a columna _cruciforme_ e a columna _enfeixada_. A columna monocylindrica dá em secção um _circulo_, e o pilar quadrado, um _quadrado_ ou um _rectangulo_; a columna cruciforme se compõe de um _pilar central_, tendo sobre _as faces quatro columnas_ mais ou menos envolvidas; finalmente a columna _enfeixada_, como o nome indica, é o resultado da reunião em _mólho_, em roda de um massiço formando pilar, _muitas columnasinhas ou nervuras_.

Os pilares quadrados são raros durante o periodo ogival; apparecem no começo, e ás vezes as suas arestas são chanfradas.

Em quasi todos os monumentos belgas do XIII e XIV seculos, as columnas são monocylindricas. As columnas cruciformes, communs nas cathedraes francezas, servem na Belgica principalmente na intersecção da nave e do transepte nos grandes edificios.

Os edificios do XV seculo teem as columnas monocylindricas ou enfeixadas. As primeiras apresentam ás vezes capiteis; outras vezes são inteiramente privadas d'elles. N'este ultimo caso os arcos-duplos e as nervuras das abobadas nascem directamente do fuste da columna, no logar onde se colloca o capitel. Este genero de columnas se encontra muitas vezes em todos os paizes da Europa central e occidental.

No XV seculo, as columnas enfeixadas não são já formadas, como precedentemente, de columnasinhas com capitel, porém compostas de nervuras _prismaticas em grupo_, á roda de um pilar central. Estas nervuras saem da base da columna erguendo-se quasi sempre sem ter por intermedio o capitel até ás abobadas do edificio, afim de formar os _arcos-duplos_ e os arcos ogivaes; são sempre com a fórma angulosa e apresentam secções similhantes ao feitio de um seio. É por excepção que se encontram ainda, em certas partes dos monumentos do XV seculo, columnas enfeixadas formadas pela reunião de columnasinhas cylindricas com capitel.

Os pilares e as columnas são construidas por _fiadas_ na Belgica, na Allemanha e no Norte da França. No meiodia da França e na Italia, as columnas cylindricas são quasi sempre monolithos.

Durante o periodo ogival, os fustes das _columnasinhas_ não são, como muitas vezes no periodo _roman_, cobertas de diversas esculpturas. Todavia encontram-se, em alguns edificios dos primeiros annos da época ogival, como na cathedral de Chartres em França, e em muitos monumentos italianos, columnasinhas _terciaes_ em que o fuste é em espiral.

As columnasinhas tiveram principalmente applicação no XIII e no XIV seculos. As que compõem os grandes pilares teem geralmente o seu fuste envolvido n'um quarto de circumferencia, os outros tres quartos ficam apparentes; algumas, não obstante, estão inteiramente separadas da parede ou da columna que fórma o pilar que ellas ornam, como existe nas cathedraes de Amiens, França, e de Salisbury, na Inglaterra. No XIII seculo, essas columnas são muitas vezes, como as do seculo precedente, _anneladas_, ou compostas de engrossamentos em fórma de bracelete.

No XV seculo, estas columnasinhas são raras; ou então substituidas por nervuras prismaticas não sómente nas columnas enfeixadas, mas tambem em todas as outras partes dos edificios, taes como o molduramento das portas e das janellas. Estas nervuras teem base, mas sem capitel.

No principio do XVI seculo tornam a apparecer as columnasinhas com o fuste coberto de esculpturas, representando figuras geometricas, festões e arabescos. Os fustes das columnasinhas d'esta época são regularmente cylindricos: algumas vezes polygonaes ou apresentando a forma de _balaustre_.

*Bases das columnas*

As bases das columnas do XIII seculo compõem-se de dois _tóros_ separados por uma cavidade redonda (_scocia_) bastante profunda de maneira a formar uma calha na qual a agua da chuva se retem afim de não prejudicar o cimento da construcção. Algumas vezes o tóro inferior é achatado e sobresae bastante por cima do _plintho_; o tóro superior é quasi sempre cylindrico; por vezes todavia apresenta uma pequena depressão.

Durante a primeira metade do XIII seculo, as bases das columnas estão ainda muitas vezes ligadas aos angulos dos seus plinthos _por garras_. As garras apparecem por vezes, porém excepcionalmente no final do periodo ogival.

Depois do meiado do XIII seculo, a _scocia_ profunda, que indica um dos signaes caracteristicos das bases da ultima metade do XII seculo e do principio do XIII seculo, desapparece pouco a pouco, assim como o achatamento do tóro inferior. As bases passam depois successivamente pela fórma polygonal ou cylindrica; pertencendo a primeira d'este feitio ao XIII seculo, e a segunda ás bases do XVI seculo.

Quando o tóro inferior da base desdobra muito sobre o plintho da columna, põe-se algumas vezes um pequeno apoio por baixo do t­óro. Esta particularidade, sem belleza, se encontra nos edificios francezes e da Belgica.

O sóco sobre o qual vem assentar a base da columna do XIII e do XIV seculos, fórma, quasi sempre, um octogono regular; algumas vezes, comtudo, é quadrado (nos edificios dos primeiros annos do periodo ogival) ou cylindrico. Os _sócos cylindricos_ se encontram em muitos monumentos belgas do XIII e do XIV seculo: tambem são bastante communs na Inglaterra: em França servem na Normandia, na Bretanha e no Maine.

No XV seculo, a base e plintho das columnas monocylindricas são extraordinariamente delgadas. A base é formada sempre por uma simples moldura do feitio de tóro. Muitas vezes esta moldura, que nos seculos precedentes era traçada sobre um plano circular, toma a fórma polygonal do sóco.

Nas columnas enfeixadas do seculo XV, as pequenas bases parciaes das nervuras prismaticas ou cylindricas em grupo á roda do pilar central, formam, pela sua reunião e penetração, a base e o sóco da columna. Durante a primeira metade d'este seculo, as pequenas bases teem todas o mesmo perfil e ficam ao mesmo nivel. Mais tarde, os architectos costumaram perfilar as bases parciaes em niveis differentes, como para melhor fixar cada columnasinha e para evitar tantas compridas linhas horisontaes.

_Capiteis_.--Durante todo tempo do periodo ogival, ornaram regularmente com bellas esculpturas os açafates dos capiteis. Houve comtudo excepções a esta regra, e por isso se encontram em alguns edificios religiosos de segunda e terceira ordem do XII e do XIII seculo, limitados por uma simples moldura.

Os capiteis do XIII seculo distinguem-se com facilidade pela ornamentação vegetal de um caracter mui particular. O seu açafate compõe-se geralmente de um, de dois, e algumas vezes mesmo de tres renques de crochetes ou enroscamento de folhagens. Os crochetes de renque superior supportam quasi sempre os angulos do abaco, e substituem, de alguma maneira, o emprego dos modilhões. No final do XII seculo e no principio do XIII seculo, teem a sua extremidade enroscada e parecem rebentos de vegetaes. Em França desde o final do XII seculo, e na Belgica um pouco depois, as extremidades dos crochetes se desenrolam, e os rebentos se abrem em folhagens.

Algumas vezes os crochetes, em logar de acabarem por folhagens enroscadas ou abertas, trazem no seu cume cabeças de homens e de animaes verdadeiros ou phantasticos.

Os capiteis com crochetes enroscados, cujo emprego então estava abandonado em toda a parte no final do XIII seculo, continuou na Flandres maritima até ao fim do periodo ogival. Além d'isso, os crochetes teem, n'esta região, uma fórma especial; seus enroscados são muito mais chatos e mais largos.

A ornamentação dos capiteis do XIV seculo consiste em ramos de folhagens, de flôres e de fructos, de fórma muito variada, nas quaes se acham todos os caracteres da esculptura ornamental do XIV seculo. Os crochetes, apropriadamente assim designados, não apparecem mais que excepcionalmente com os capiteis d'esta época: todavia os ramos de folhagens e de flores são geralmente collocados, nos angulos do abaco, de maneira a recordar pelo seu vulto os crochetes do XIII seculo, e servem para o mesmo fim. Muitas vezes estes ramos são dispostos sobre dois renques; esta maneira se nota sempre quando, como acontece repetidas vezes, o açafate é composto de duas peças sobrepostas, e mesmo algumas vezes, quando o capitel é formado de uma só pedra.

As figuras de animaes reaes ou phantasticos se encontram poucas vezes sobre os capiteis do XIII e do XIV seculos.

Os capiteis do XV seculo teem, como os dos seculos precedentes, o seu açafate coberto de folhagens; porém essas folhagens apresentam geralmente mais ou menos desenvolvimento; são delgadas, angulosas, muito recortadas, muito profundas e exaggeradas. Com o XV seculo, appareceu sobre os capiteis o ornato vulgarmente designado _folha de repolho_.

Em muitos ornamentos do XV seculo, os architectos, levados pela applicação muito rigorosa do preceito que qualquer ornato deve ter ao mesmo tempo um emprego necessario, supprimiram o capitel. N'estes casos, os arcos-butantes e as nervuras das abobadas sobem, sem intermediario, do fuste cylindrico, ou então nascem na base mesmo da columna, seguindo toda a largura do fuste até ao nascimento das abobadas, e tomam, n'esse logar, as differentes direcções convenientes para a construcção das abobadas.

As columnas cylindricas com capitel são usadas nos edificios belgas do XV seculo, mas são bastante raras em França.

*Modilhões e misulas*

É um apoio que faz saliencia sobre a face de uma parede ou de uma columna que se chama _modilhão_ quando tiver dois lados lateraes parallelos e perpendiculares á parede; e _misula_, quando apresentar uma outra differente posição.

Depois do meiado do XIII seculo, os modilhões do feitio de curvas são raros.

As misulas apresentam por vezes uma tal ou qual similhança com os capiteis, e são tambem sempre rematadas por um abaco; differençam-se comtudo, as mais das vezes, pelo seu genero de ornamentação. Na verdade, as esculpturas dos capiteis do periodo ogival reproduzem quasi sempre vegetaes: e sómente por excepção mostram figuras de homens ou de animaes. Sobre as misulas, pelo contrario, a ornamentação vegetal não apparece, por assim dizer, senão no XIII seculo, e mesmo é rara; durante os dois seculos seguintes desapparece, e então as misulas são constantemente formadas de personagens grotescas, acocoradas, de animaes reaes ou phantasticos, e algumas vezes tambem de cabeças humanas, ou figuras de anjo e de homem sustentando escudos, disticos e bandeirolas.

Muitas vezes as misulas, collocadas quer no interior, quer no exterior dos edificios, são pintadas com côres vivas.

*Arcadas e arcaduras*

As grandes arcadas ou archivoltas ligando os pilares das naves e sustentando o peso das paredes superiores, compõem-se regularmente de dois ou tres renques de sobre-arcos nos edificios do periodo ogival. Os perfis variam nos differentes seculos.

No XIII seculo, e mesmo ainda no XIV seculo, as arestas da archivolta são formadas por tóros inscriptos na face quadrada da peça do arco; no XIV seculo e durante uma grande parte do XV seculo, os tóros já não são completamente cylindricos, mas teem antes do termino a curva d'esta moldura, um filete destinado a deter a força do reflexo; no final do XV seculo e no principio do XVI, os tóros cylindricos tornam a apparecer.

As _arcaduras_ são bastante vulgares nos monumentos do periodo ogival; servem para ornar o liso das paredes internas e exteriores dos edificios. Na parte interna apparecem principalmente no _triforium_ e por baixo dos peitorís das janellas das naves lateraes; na parte exterior, por baixo das cornijas e nos frontespicios, nos vasamentos dos grandes portaes e nas galerias dos claustros.

As arcaduras que se vêem em baixo das janellas de quasi todos os grandes monumentos, compõem-se de uma serie de pequenas arcadas fingidas, collocadas entre os peitorís das janellas e o solo ou no sóco de cantaria que fórma, muitas vezes, uma especie de base ao longo das paredes das naves lateraes.

No XIII seculo, as curvas das arcaduras assentam sobre columnellos mais ou menos embebidos na parede. No XIV e no XV seculos, os _columnellos_ ficam substituidos por simples nervuras, ás vezes cylindricas; porém as mais das vezes a secção polygonal não differe muito da de uma semi-hombreira de janella. Estas nervuras teem remate junto do solo, sobre as bases que lhes pertencem. No final do periodo ogival, supprimem-se, por vezes, as nervuras, e então as _arcaduras_ assentam sobre modilhões.

No XIV e no XV seculos, as arcaduras sobre os peitorís das janellas ligam-se inteiramente com as hombreiras das janellas e parecem, de alguma maneira, confundir-se com elles: parecendo que atravessam a cantaria do peitoril e descem até ao solo. As arcaduras não são mais do que a parte inferior da janella que está tapada, e na verdade, a parede necessitando de diminuir para dentro, ficando á face da vidraça, afim de deixar metade do peitoril apparente, conserva apenas uma pequena grossura, que equivale a uma simples divisão.

Nos edificios mais esmerados, os _seguintes_, isto é, os lados triangulares comprehendidos entre os extradoz das archivoltas e de duas _arcaduras_, proximas uma da outra, estão geralmente ornatados com esculpturas, pinturas ou rendilhados, mostrando a fórma trilobada ou quadrilobada, e com vidros pintados, emquanto as paredes que separam os entre-columnios, apresentam pinturas decorativas.

As esculpturas e as pinturas com as quaes se decoravam os _seguintes_ das arcaduras, durante o periodo ogival, são ora legendarios ou satyricos, ora tirados do reino vegetal. Nos monumentos inglezes do XIII seculo, os _seguintes_ estão muitas vezes com ornatos similhantes a estofo cheio de relevo.

Dentro das grandes egrejas do XV seculo existem como decoração as arcaduras e outras figuras por cima e por baixo do _triforium_, sobre o dorso das grandes arcadas e ao correr das janellas mais superiores; ás vezes mesmo sobre o liso das paredes e em outras partes do edificio.

*Triforium*

Os _triforiums_ comprehendem toda a largura das naves lateraes, não se vêem senão por acaso nos edificios do periodo ogival. Desde o final do XII seculo, lhes substituiram, nas egrejas da Europa occidental, galerias estreitas, abertas na grossura da parede, por baixo dos peitorís das janellas superiores da nave principal. Estas galerias estreitas offereciam commodidade: em primeiro logar facilitavam a circulação dentro da egreja quasi á altura das janellas superiores, e davam logar a collocarem-se as armações e outros adornos com que havia o costume de decorar as egrejas nos dias de festa; e em segundo logar, diminuindo a grossura das paredes superiores, alliviavam a pressão exercida sobre os pilares principaes dos edificios; finalmente, offereciam uma das mais importantes disposições para a decoração da nave principal.

O triforium communica com o interior da egreja por series de arcaduras abertas, tendo o mesmo feitio que as arcaduras que havia sobre o liso das paredes, debaixo dos peitorís das janellas inferiores. Muitas vezes, principalmente no XV seculo, tapava-se a parte inferior da arcadura com um parapeito formando ornato de feitio de trêvo ou de quatro folhas.

Nota-se que nos triforiums, assim como nas arcaduras com ornato, as archivoltas ficam assentes sobre columnatas com capitel pertencente ao estylo do XIII seculo, e sobre _nervuras das hombreiras_ dos seculos seguintes. A disposição das arcaduras do triforium apresenta ainda uma outra analogia muito parecida com as arcaduras de ornato, formando regularmente, desde o final do XIII seculo, a continuação das janellas das naves lateraes. Depois d'esta época tambem as arcaduras do triforium se assemelham ás janellas superiores da nave principal.

No termo do periodo ogival, supprimem-se muitas vezes as arcaduras, não conservando mais do que um simples guarda-peito; o ornamento denominado _chama_ apparece regularmente nos desenhos que formam as hombreiras d'esses guarda-peitos. As janellas superiores ficam, n'este caso, collocadas a prumo sobre a parede exterior do triforium.

Na Belgica, o triforium é geralmente tapado do lado exterior da nave por uma parede; é, por excepção, que esta parede tem abertura, e a um ou dois metros por cima do pavimento da galeria, pequenas aberturas circulares, _trilobadas_ ou _quadrilobadas_, cobertas de grisalhas ou com ornatos elevados. Nos edificios francezes do XIII e XIV seculos, pelo contrario, a galeria do triforium não fica, as mais das vezes, separada do exterior senão por uma simples lumieira, apresentando bellos vidros pintados, semelhantes aos que decoram as janellas.

*Cornijas*