Os meus amores: contos e balladas

Part 11

Chapter 11 3,609 words Public domain Markdown

Jornal do Porto:--«_Os meus amores_.--A colecção António Maria Pereira aumentou-se de um novo volume original. Intitula-se _Os meus amores_ e está escrito pelo nosso ilustre colega e literato distinto o Sr. Trindade Coelho.

Deste livro que, pelas suas destacadas qualidades literárias, deve achar grande aceitação no nosso público, escreveremos em breve as palavras apreciadoras que ele merece.»

Correio Elvense:--Trindade Coelho.--Este nosso amigo e festejado escritor, publicou agora o seu primeiro livro de contos e baladas a que deu o título: _Os meus amores_, editado pela acreditada livraria de António Maria Pereira.

Trindade Coelho, que hoje ocupa um proeminente lugar no jornalismo da capital, fez ainda há pouco algumas das suas melhores armas na imprensa em Portalegre, onde criou dois jornais, um dos quais ainda vive, que tiveram vida gloriosa enquanto os animou o trabalho do distinto estilista.

Não só nos seus escritos passados, mas então, conhecemos o grande valor que indiscutivelmente possui. Não nos surpreendem pois os seus triunfos e rejubilamo-nos com eles com a alegria e sinceridade de bons e sinceros amigos.

Num dos próximos números falaremos da impressão colhida em _Os meus amores_, agradecendo desde já as expressões afectuosíssimas que acompanham a dedicatória do livro, que o seu autor nos ofertou.»

Correio do Norte:--«_Os meus amores_.--Contos e baladas.--Trindade Coelho, o já conhecido e apreciadíssimo escritor, acaba de publicar um livro de contos com o título acima indicado. É esta uma bela novidade para o nosso mundo literário, onde Trindade Coelho de há muito soube conquistar um lugar dos mais distintos, pelo seu belo talento e poderosas qualidades de escritor.

Limitamo-nos por agora a dar esta simples notícia do aparecimento do novo livro, para depois escrevermos mais detidamente sobre ele.

Agradecemos ao nosso prezadíssimo amigo a delicadeza do seu oferecimento.»

O Globo:--«_Os meus amores_.--Mais um livro editado pela livraria de António Maria Pereira. Intitula-se _Os meus amores_ e subscreve-o o nome de Trindade Coelho.

Não o lemos ainda porque o recebemos agora; mas há-de ser por certo trabalho de grande valor artístico, como invenção e como execução, porque Trindade Coelho é incapaz de produzir uma obra literária má. A sua educação literária está feita, e os seus numerosos trabalhos tão apreciados, tão portuguesmente escritos, tão sentidos e tão espontâneos revelam qualidades de escritor de raça. Ele tanto pode ser um jornalista eminente como é um contista original.

_Os meus amores_ é uma colecção de contos e baladas. Conhecemos alguns capítulos, que são primorosos, mas carecemos de ler todo o livro para não errar na apreciação. Vamos lê-lo com a convicção de que teremos de saborear um desses raros mimos literários que só os privilegiados de talento sabem oferecer aos seus leitores.»

Diário de Notícias:--«_Os meus amores_.--_Contos e baladas_.--Anunciámos, em tempo, o próximo aparecimento deste trabalho, com que o brilhante contista e nosso colega do _Portugal_, o Sr. Trindade Coelho, ia aumentar a colecção, já tão valiosa, das edições do Sr. António Maria Pereira.

O livro acha-se, enfim, publicado, e em nada desdiz do conceito que desde logo nos autorizaram a emitir os elevados méritos literários do seu autor, tantas vezes comprovados em numerosos escritos anteriores.

Com uma observação escrupulosa, e um pitoresco estilo, de uma pujança e de uma riqueza não vulgares, sem atentados contra o bom gosto, nem rebeldias contra o bom senso, os contos do Sr. Trindade Coelho são, a todos os respeitos, um verdadeiro primor, uma obra que há-de entrar, sem hesitações, na aceitação do público, e que há-de ficar longo tempo, a atestar, numa formosa prova, a riqueza de um espírito, superiormente educado, dúctil e prontamente maleável.

Porque esses contos são a obra de um genuíno artista, cuja _maneira_, simultaneamente fácil e apuradíssima, revelando a espontaneidade de uma fecunda fantasia, traduz e afirma a fina sensibilidade de uma alma delicadamente temperada, a viveza de um talento exuberante de vigor e de seiva.

Não pode entrar nos curtos limites de uma simples notícia, a mais desenvolvida crítica desse trabalho, que tem, na próprio nome do seu autor, o melhor e o mais seguro título de recomendação para obter do público a consagração de um largo e legítimo sucesso.

Apenas acrescentaremos que abre o livro um encantador soneto de Luís Osório--preciosa chave de oiro, na realidade bem merecida por aquele rico e primoroso escrínio de verdadeiras e puras jóias literárias.»

A Actualidade:--«_Os meus amores_.--Este nome é o de um novo livro da colecção António Maria Pereira. Pelo título presume-se um volume de versos; mas não é, o que não quer dizer que nele se não surpreenda legítima poesia. Trata-se de contos e baladas, originais do Sr. Trindade Coelho, um dos nossos mais apreciados e brilhantes escritores.

Eis, muito resumidamente, as prendas que distinguem este primoroso contista:

Estilo correcto, elegante, vivo; descrições ricas de observação e atraentes tanto pelo colorido como pelo esmerado da forma; despidos de grandes artifícios os entrechos, mas subjugantes pela muita naturalidade; o diálogo, em suma, admirável pela singeleza e, sobretudo, pela propriedade.

Com estes predicados o livro _Os meus amores_, do Sr. Trindade Coelho, deve incontestavelmente ser de valor. E é. São encantadoras todas as narrativas que contém. Logo ao abrir depara-se-nos um _Idílio rústico_, que embriaga e predispõe para a leitura de todo o volume, onde se encontram quadros soberbos, reproduzidos do natural com um notável poder de observação e que deixam o espírito suavemente impressionado. Leiam, e verão que não exageramos na opinião que aí deixamos rapidamente exposta.

Ao autor o nosso reconhecimento pelo mimo da oferenda.»

Correio da Manhã:--«Registar o aparecimento de um livro bom, linguagem elevada e singela, desartificioso e artístico, repositório vasto de observação, vibrado por uma grande impressão pessoal e subjectiva, é sempre agradável à crónica, neste tempo sobretudo de literatura gafada, ou de arte ainda literária quase pornográfica.

_Os meus amores_ que amavelmente acaba de nos oferecer Sr. Trindade Coelho é um livro desses. Colecção primorosa de contos e baladas, em que no mais despretensioso dos estilos nos conta recordações e idílios e nos mostra uma galeria rica de tipos e de figuras cuidadosamente observados e primorosamente expostos.

O último conto _Para a escola_, que dessa bela colecção acabamos de ler, é encantador de verdade, de singeleza, de arte, e assemelha-se notavelmente à maneira de Gustavo Droz.

Não é o lugar nem a acasião de fazermos a crítica do livro e a apreciação deste novo, deste debutante, que ao primeiro assalto parece estar já senhor da batalha.

É por isso que sinceramente o felicitamos.»

Vanguarda:--«_Os meus amores_.--O nosso colega, o Sr. Trindade Coelho, que quase só conhecíamos pelos seus libelos acusatórios, acaba de nos enviar um livro primoroso com este título, no qual a feição carregada e sombria do agente do ministério público desaparece por completo, para nos deixar apreciar só o espírito finalmente delicado do homem de letras conhecedor dos melhores processos de arte e verdadeiramente sabedor do seu ofício.

Confessamos que nos apraz muito mais admirar este Trindade Coelho, que o outro que temos visto apertado dentro da negra vestimenta de agente do ministério público, que parece lhe oblitera às vezes as suas excelentes faculdades.»

Primeiro de Janeiro:--«_Os meus amores_.--Acabamos de receber o formosíssimo livro de contos «_Os meus amores_», de Trindade Coelho.

Não é ainda a ocasião de pormos em relevo todas as qualidades literárias, complexas e brilhantíssimas, que se evidenciam neste livro, demonstrando um dos talentos mais vivos e assinaláveis entre os mais ilustres cultores da prosa portuguesa.

Os contos por onde «_Os meus amores_» se repartem não são apenas maravilhas de linguagem, onde tão somente se destaquem destrezas e fulgurações do estilo: a acção que os anima constitui uma deliciosa galeria de quadros, aspectos íntimos e exteriores da vida, colhidos em flagrante com uma extraordinária subtileza e lucidez de observação e trasladados a uma forma superiormente artística, onde há firmemente acentuados todos os caracteres de uma esplêndida organização literária.

É um livro vibrante e magnífico--adoráveis páginas intensamente ou delicadamente emocionadas e primorosamente escritas, cuja leitura é um verdadeiro encanto.

As nossas cordiais felicitações a Trindade Coelho, a quem agradecemos a gentilíssima oferta do seu livro.»

Folha do Povo:--«_Os meus amores_.--Está publicada em volume uma série de _contos e baladas_ com que o Sr. Trindade Coelho, o brilhante colaborador do _Portugal_, vem enriquecer a literatura _contista_ entre nós, hoje tão querida do público, depois que os trabalhos de Fialho de Almeida deram a esse género literário um valor até então mesquinho.

A primeira qualidade que notamos logo nos _contos e baladas_ do Sr. Trindade Coelho é um estilo muito seu, cheio de uma cristalina naturalidade, _afastando-se completamente dessas excrescências de mau gosto_, que ultimamente têm abastardado a língua portuguesa,--prova da superioridade intelectual do escritor de que nos ocupamos--, visto que não mira a uma falsa glória, conquistada facilmente pelas excentricidades de estilo, que são hoje uma verdadeira mania entre alguns escritores da chamada geração moderna.

O Sr. Trindade Coelho escreveu a sua prosa obedecendo à espontaneidade das suas impressões, ao seu sentir, sem deixar de se revelar um artista, porque nunca a frase lhe sai banal, nem tão-pouco envolvida em ouropéis de mau gosto literário.

E no entanto encanta-nos,--prova de que está ali um primoroso escritor, um espírito delicado, reproduzindo todos os cambiantes da natureza por uma forma de observação, que não é desta nem daquela escola. É simplesmente sua, individual.

Notamos mesmo um progresso no livro do Sr. Trindade Coelho; porque as suas primeiras produções literárias ressentiam-se de uma tal ou qual preocupação de _efeito_ no modo de construir a frase. Hoje, o escritor adquire a independência da sua maneira, do seu processo, e feito a tirar decorre fatalmente dessa independência, visto que os seus quadros obedecem apenas a uma rigorosa e fiel reprodução do que o artista observa em volta de si.

Certamente que o público lerá com encanto o novo livro do Sr. Trindade Coelho, pelo que felicitamos o autor, e--podemos mesmo dizer--a literatura portuguesa.--_Silva Lisboa_.»

Diário Ilustrado:--«De tempos a tempos chegava-nos do Alentejo um periódico que não deixávamos nunca de ler pelo fino gosto literário, pitoresco e moderno, que se revelava em todos os seus artigos, incluindo os políticos. Esse periódico era redigido por Trindade Coelho, cujo talento conhecíamos desde Coimbra, e cuja individualidade literária víamos agora acentuar-se com um vigor de originalidade verdadeiramente notável.

De quando em quando, Trindade Coelho obsequiava-nos com um artigo para o _Diário Ilustrado_ e, vindo estabelecer residência em Lisboa, algumas vezes tivemos a honra de receber nesta redacção a sua visita, sempre agradabilíssima para nós, porque a sua conversação cintilante aligeirava as nossas pesadas horas de trabalho.

Pois bem, Trindade Coelho acaba de reunir num volume--que faz parte da colecção _António Maria Pereira_--os seus deliciosos contos, cheios de observação, de verdade, de simplicidade artística, que é, a nosso ver, suprema expressão de beleza neste género de composições literárias.

_Os meus amores_ são um belo livro, em que o estilo se não contorce atormentado, como em tantos outros, em que os rebuscados esplendores da forma literária denunciam uma carência absoluta de espontaneidade. Tudo ali deriva naturalmente, tanto na sequência lógica dos caracteres e dos episódios, como na contextura fácil, mas colorida, dos períodos.

Numa palavra, _Os meus amores_ são a obra de um artista, de um homem que sabe do seu ofício, e que tem uma individualidade bem definida por traços profundos de verdadeira originalidade.»

Voz Pública:--«_Os meus amores_.--Trindade Coelho, inegavelmente um talento de primeira água, acaba de brindar a literatura portuguesa com um excelente livro de contos subordinado àquele título e que constitui o duodécimo volume da elegantíssima _Colecção António Maria Pereira_.

_Contos e baladas_ é o subtítulo do livro, e muitos ao lerem-no julgarão que se trata de versos; mas não, é em prosa, em prosa vernácula, correcta e vibrante que estão escritos os belos contos de que se compõe este livro, digno a todos os respeitos de ser lido.

São todos eles uns contos ligeiros, encantadores pela espontaneidade e verdade dos seus tipos e das suas situações, lembrando um tudo-nada os formosos tipos de aldeia, tão magistralmente desenhados pelo malogrado autor da _Morgadinha dos Canaviais_ e dos _Fidalgos da Casa Mourisca_.

Lemos de um fôlego o magnífico livro, e ninguém que o comece a ler deixará de o fazer como nós; tão atraente é a forma por que Trindade Coelho conduz todos os ligeiros contos de que ele se compõe, que sem querer, sem se sentir mesmo, chega-se ao fim e fica-se como triste dele ter acabado.

Todos magníficos, dizemos, mas se alguns há que mais nos prendessem, foram os que se intitulam _Tipos da terra_ uma galeria curiosa de tipos, e _A mãe_, um conto de natureza, simples e comovente na sua simplicidade, e notável pela sua originalidade.

Recomendar o livro de Trindade Coelho é prestar um serviço aos nossos leitores.»

Ordem do Dia:--«_Os meus amores_.--Este é o titulo do 12.^o volume da colecção António Maria Pereira, inegavelmente a publicação mais elegante, mais barata e mais interessante do país.

_Os meus amores_ são uma série de contos e baladas, em prosa, devidos à pena de um moço talentosíssimo, de há muito conhecido nas lides do jornalismo, Trindade Coelho, mas que ainda não lançara ao mercado um livro; com este debuta o autor, e é uma estreia auspiciosíssima a sua.

A leitura do volume, longe de fatigar, faz-se com agrado, e nele é cultivado um género--o de contos, alguns à maneira de Gustave Droz, que prendem e interessam o leitor em todo o sentido.

Foi gratíssima a impressão que ele nos deixou no espírito e esperamos que Trindade Coelho continue a brindar o público com as suas belas produções, porque estamos certos de que quem ler _Os meus amores_ será com sofreguidão que esperará novo volume do distinto escritor, tal é o encanto da sua escritura».

O Sorvete, (com o retrato do autor):--«Dr. Trindade Coelho.--Mais uma prova do seu brilhantíssimo talento! Mais uma vez justificada a alta competência e finíssimo espírito de escritor distintíssimo!

O novo livro de Trindade Coelho,--_Os meus amores_--contos e baladas--editada pela casa António Maria Pereira, de Lisboa, é, no dizer dos entendidos em literatura,--uma verdadeira jóia.»

O Esposendense:--«_Os meus amores_ (contos e baladas) por Trindade Coelho.--Faz parte este volume da interessantíssima colecção António Maria Pereira, tão bem aceite do público, pela superior escolha das obras publicadas e pela modicidade extraordinária dos seus preços.

_Os meus amores_ é um precioso agrupamento de contos, alguns inéditos, outros já conhecidos, e que Trindade Coelho espalhara com aplauso por diferentes jornais do país. Decorridos quase todos em plena aldeia trasmontana, cujos costumes o autor conhece de sobra, pois é natural de Trás-os-Montes, e foi durante alguns anos, delegado do procurador régio numa cidade de província--os contos desta colecção tornam-se sobretudo notáveis pela propriedade e pela fidelidade da acção, verdadeiros, nítidos, reais, palpitando da cor própria da paisagem, vivendo da vida natural, íntima e intrínseca, dos personagens e das coisas.

Entre as nossas obras literárias originais, _Os meus amores_ merecem, pois, um lugar à parte, não como uma estreia auspiciosa, que o nome de Trindade Coelho é já demasiado conhecido de todos quantos se interessam pela literatura nacional, mas como a poderosa afirmação de um prosador elegante e de um contista distinto, no meio da grande maioria da chata vulgaridade indígena.

_Os meus amores_ é, em suma, um livro de valor, bem cabido nas mais escolhidas bibliotecas.»

O Português:--«_Os meus amores_.--Delicioso título de um livro delicioso.

O livro é uma colecção de graciosos contos, editorada pelo Sr. António Maria Pereira; e o autor é o nosso colega do _Portugal_, Sr. Trindade Coelho, que, nos ócios da magistratura, de que é digno representante, cultiva as letras com desvelado amor.

Em Coimbra, estudante ainda, era já literato apreciado, colaborando, com aplauso dos mais doutos, em jornais e revistas, que há mais de dez anos tornaram o seu nome festejado e querido. Hoje, reúne ao seu título de jornalista a invejável nomeada de contista esmerado, e brinda as letras portuguesas com um volume, que está tendo a mais justa e lisonjeira acolhida.

O primeiro conto do livro, _Idílio rústico_, não obstante ser agora publicado pela primeira vez, cremos nós, é já nosso conhecido, porque apareceu manuscrito num concurso literário da extinta _Associação dos jornalistas_, sendo premiado. Depois da consagração de um júri, terá agora a consagração do público.

Depois do _Idílio rústico_, vem o _Sultão_, um quadro magnífico da vida campesina, notável de simplicidade e graça; e a _Última dádiva_; e os _Prelúdios de festa_; e os _Tipos da terra_; e as _Baladas_; e a _Tragédia rústica_; e a _Mãe_; e os _Arrulhos_; e as _Batalhas domésticas_: outros tantos primores, que às vezes nos fazem lembrar as deleitosas e serenas paisagens de Daudet.

Agradecendo ao autor a gentileza da sua oferta, congratulamo-nos por não haver ainda expirado entre nós a literatura sã, que, ou nos desperte o sorriso ou nos obrigue a lágrimas, não nos deixa no espírito a impressão doentia das nevroses literárias...»

Jornal da Manhã, Porto:--«_Os meus amores_.--Mais um volume acaba de ser publicado da colecção António Maria Pereira, por sem dúvida a mais elegante, a mais escolhida e a mais económica biblioteca que se publica em Portugal.

É o primeiro livro de Trindade Coelho, _Os meus amores_, contos e baladas, em que o talentosíssimo escritor acaba de reunir todos os seus contos dispersos por vários jornais, e alguns inéditos.

Do primeiro ao último, os contos que compõem _Os meus amores_ são espécimes no género, porque, além de constituírem uma esplêndida galeria de quadros íntimos, de retratos, de tipos, são a confirmação de uma verdade já por nós há muito aceite: que o seu autor tem todos os requisitos de um escritor de primeira ordem; estilista vibrante, correcto e sempre elegante.

E se formos a escolher o melhor desses contos, ver-nos-emos em sérios embaraços, porque são todos por igual deliciosos, constituindo a sua leitura um verdadeiro encanto; entretanto, se há que mostrar predilecções por algum deles parece-nos que os melhores serão _A Mãe_ e _Para a escola_, aquele uma delicada e emocionante história arrancada flagrantemente à natureza, e este saudosas recordações de um passado que não volta.

A edição, escusado é dizê-lo, é nitidíssima.»

O Tempo:--«_Os meus amores_.--Este livro teria vindo melhor nas noites invernosas para serões às lareiras crepitantes:--as faíscas de ouro subindo no tecto, o vento zunindo fora açoitando a chuva, e dentro, no conforto recolhido, gozar-se o contraste das paisagens alegradas pelo sol, espelhadas na água rumorosa, com gorjeios e trinados de aves, paisagens que o Sr. Trindade Coelho sabe encantar com a delícia suave e subtil de iludidor ameno. Mas não se pode aconselhar o leitor a que se prive de saboreá-lo desde já, tanto mais que os tempos vão agoireiros para a arte de manancial, e os que a cultivam têm de separar-se dos estragadores d'Ela e das cabeças quase vazias que espremem e segregam o pus nauseabundo do sadismo medíocre.

Estes estão agora entretendo o público arrebanhado para saborear com prazer as estapafurdices atoleimadas, e que os iguala--o vingador--ao imbecil que escreveu o _Senhor Dupont_ e aos autores das _Pimentinhas_ e _Berbigões Ardentes_.

Que o livro de glorificadora arte do Sr. Trindade Coelho seja o perfumador dos excrementícios e apareça em plena luz nas mesas e nas famílias dos que compravam os outros, é o voto que faz o alinhavador destas linhas corredias, na certeza de que recomenda à atenção um artista recolhido que sabe ter força nos traços ténues e meias-tintas dos seus quadros, que capricha em suavizar idilicamente as dores vulgares da vida aceite, da materialidade animal, dourando-as com recantos de natureza chilreante. Que me perdoem insistir na impertinência: mas, o que no livro mais particulariza o talento de quem o assina é a compreensão das paisagens, o sabê-las colorir, animar, pô-las ante os olhos que lêem.

As grandes dores obscuras e sinceras, as brandas afeições, amizades arreigadas, a placidez do recanto habitado, os amores simples sustentados por ingénuas crenças e suavizada fé, tudo o que a aldeia tem de ameno, de atraente, de pitoresco, de consolador, os seus ridículos mesmo, vestindo atitudes de paródia em teatrinho de curiosos, tudo reveste bem o Sr. Trindade Coelho, e aligeira com um optimismo de bom humor, sublinhando aqui e acolá umas notas reais, bem apanhadas, como se diz, e que refrescam o rosto num aberto sorriso de ventarola. O livro encanta porque traz todo o aroma da aldeia onde o autor encerrou por anos a sua nostalgia--a pior de todas: nostalgia de delegado!--apertando os voos do seu espírito de artista que ama pairar com a fantasia para o longínquo, para o que se Imagina, para o Distante, o Inacessível, o Insaciável. Sonhos e fantasias que morreram e se dispersaram como o fumo e as cinzas das fogueiras a que se aqueceria nas noites uivantes do Inverno trasmontano; mas que deixaram sementes de recordação e de saudade donde brotou o livro, escrito decerto nas horas feriadas do trabalho árido, com a documentação da natureza que vivifica, com a elaboração pachorrenta de quem não tem pressa e se compraz na arte libertadora.

Especificar um ou outro conto não é depreciar os não citados, mas dar preferência pessoal--e talvez pecadora--ao _Idílio rústico_, à _Última dádiva_, à _Mãe_, às _Batalhas domésticas_, que fecham o livro e deixam entrever no autor um desejo de animar os personagens tanto como anima a natureza onde eles sentiram. Há contos nos _Meus amores_ que fazem lembrar um Cladel menos retumbante e por isso mesmo livram quem lê da patada épica do que fez _Créte-Rouge_ e _Ompdrailles_.

O Sr. Trindade Coelho é um escritor tão distinto quanto aclarado pelo jorro de arte que vem de há muito confundindo os convulsionários do talento; os serenos no desdém; os entusiastas; o que, despindo o metafórico, quer significar que ele está em posição artística onde decerto o seu talento e o seu trabalho continuarão a chamar atenção e respeito.--_M. Caldas Cordeiro_.»

António Maria, (com o retrato do autor, desenho de Rafael Bordalo):--«_Os meus amores_ por Trindade Coelho.--A livraria portuguesa tem tido uma enchente, como raramente lhe sucede, na última quinzena. Depois do êxito do romance de Abel Botelho e do livro de memórias de Luís Palmeirim, veio o volume de contos de Trindade Coelho, com a amável denominação de _Os meus amores_.

Aqui o temos, já todo aberto, já todo lido... É originalíssimo, agradabilíssimo o modo de escrever, de descrever, de dizer, de contar, que usa o autor deste belo livro,--agradabilíssimo contista, escritor originalíssimo, cujo nome a bibliografia regista hoje, tão notavelmente, como o jornalismo de há muito o registara.