Os descobrimentos portuguezes e os de Colombo: Tentativa de coordenação historica
Part 14
[120] «Sahindo do dito Cabo Verde, esta terra jaz entre Oeste e Sudoeste, ventos principaes, e dista do dito Cabo Verde quatrocentas leguas». _Carta de Portugal enviada ao rei D. Manuel ácerca da viagem e successo da India_, traduzida da versão italiana pelo sr. Prospero Peragallo, e por este publicado com o texto italiano e annotado nas _Memorias da commissão portugueza do centenario de Colombo_. O trecho que citamos vem a pag. 9 _in fine_. Como se vê, estando a 400 leguas de distancia não a oeste, mas a oes-sudoeste a distancia do meridiano de Cabo Verde ao meridiano de Vera-Cruz não podia ser superior a 370 leguas. Pero Vaz de Caminha disséra-lhe: «Topamos algūus synaes de terra seendo da dita ilha (_S. Nicolau de Cabo-Verde_) segundo os pilotos diziam obra de VIᵉ LX ou LXX legoas ᵉlc (670 _ou_ 701 _leguas_)». Esta carta de Pero Vaz Caminha tem sido muitas vezes publicada. Fazemos o nosso extracto da memoria do sr. Aragão, onde vem nos documentos, pag. 66.
[121] A carta do jesuita Antonio de Sá escripta em hespanhol aos jesuitas da Bahia e datada de S. Vicente, 13 de junho de 1559 diz: «Un Indio que se llama Belchior está puesto en ayunar todos los dias que manda la Iglesia, y sin yo le hablar nada, preguntóme que le hiziese saber los dias de ayuno y cual no se comia carne, diciendome que antes _que muriese Juan Ramallo que el se lo dezia y ayunaba todos los dias que la Iglesia manda_.» O estudo a que nos referimos feito pelo sr. Candido Mendes de Almeida vem publicado na _Revista trimensal do Instituto Historico Geographico do Brasil_, e n’esse periodico vem tambem as memorias de Joaquim Norberto, Gonçalves Dias e Machado de Oliveira, a que atraz nos referimos.
[122] «ao qual monte alto, diz Pero Vaz de Caminha, o capitam poz o nome de monte pascoal e aa tera a tera de Vera-Cruz». Depois de ter entrado em communicação com os habitantes é que Pedro Alvares Cabral considerou a terra como uma ilha, e a denominou _ilha de Vera Cruz_.
[123] Strabão XI, pag. 518.
[124] Pomponio Mela, t. III, c. 5, 98.
[125] _Les Corte-Real_ par mr. H. Harrisse, pag. 209. Ernesto do Canto, _Os Côrtes-Reaes_, pag. 211.
[126] _Histoire de la Géographie_, etc., t. IV, pag. 263.
[127] Legenda do mappa mandado fazer em Lisboa por Alberto Cantino em 1502. O sr. Ernesto do Canto transcreve-a a pag. 208 do seu livro.
[128] Esta curiosa doação foi publicada em texto latino por Bidle na obra que saío anonymamente em Londres, 1831 e que se intitula _A Memoir of Sebastian Cabot with a Review of the History of Maritime Discovery, illustrated by documents from the Rols, new first published_. Abrange de pag. 312 a 320. O sr. Ernesto do Canto publica tambem o texto latino com a traducção portugueza no seu livro _Os Côrtes-Reaes_ e abrange de pag. 74 a 87.
[129] E. do Canto, _Os Côrtes-Reaes_, texto italiano a pag. 45 e 46, traducção latina de Madrijuan a pag. 47 e 48.
[130] São interessantissimas as indicações dadas a esse respeito pelo sr. Patterson, na sua magnifica memoria. A bahia de Fundy, diz elle, é evidentemente a Bahia Funda. Tambem nota que apparece lá o nome de Tanger, que não podia ter sido posto senão pelos portuguezes, senhores então d’essa praça, e sempre tão relacionados com ella.
[131] «There are about 100 sail of Spaniards who come to take cod, who make it all wet and dry... As touching their tonnage I think it may be 5,000 or 6,000. Of Portugals there are not above fifty or sixty sail, whose tonnage may amount to 5,000, and they make all wet.» Citado pelo reverendo George Patterson na excellente memoria que publicou nas _Trans-Roy. Soc. Canada_, e que se intitula _The Portuguese in the North-East coast of America, and the first European attempt at Colonization there. A lost chapter in American History_, pag. 145. Esta memoria foi lida na _Royal Society_ a 28 de maio de 1890.
[132] Esta exploração outr’ora tão importante e activa, na qual estavam empenhados capitaes e interesses tão avultados, concorrendo para ella tantas partes do nosso continente, vê-se hoje reduzida a uma duzia de navios que a entretêem apenas em dois centros de pescarias: Figueira da Foz e Lisboa.» A. A. Baldaque da Silva, _Estado actual das pescas em Portugal_, pag. 166. E diz, em nota, que a pesca do bacalhau era tão importante no tempo de D. João III e d’el-rei D. Sebastião «que foi providenciada por um regimento particular para as frotas que annualmente expediam a esta pescaria.»
Emquanto á colonisação, que foi motivada exactamente pela importancia da pesca do bacalhau, foi promovida por varias pessoas de Vianna do Minho, muito interessadas n’este negocio da Terra Nova, pelas muitas relações que tinham com os Açorianos. D’esta colonisação dá conta um interessante folheto publicado ha poucos annos, mas escripto no seculo XVI, que se intitula: _Tratado das ilhas novas e descobrimento d’ellas e outras coisas feito por Francisco de Souza, feitor d’El-Rei Nosso Senhor, na capitania da cidade do Funchal da ilha da Madeira e natural da mesma ilha e assim de parte da nação portugueza que está em uma grande ilha, que n’ella foram ter no tempo da perdição das Espanhas, que ha trezentos e tantos annos em que reinou El-Rei Dom Rodrigo. Dos Portuguezes que foram de Vianna e das Ilhas dos Açores a povoar a Terra Nova do Bacalhau vae em sessenta annos, do que succedeu, o que adiante se trata. Anno do Senhor de 1570. Ponta Delgada, S. Miguel, Açores 1877._
É curiosa a mistura de lenda e de verdade que n’este titulo se encontra. Ao lado de uma colonisação perfeitamente authentica n’uma ilha certa é conhecida ainda a velha lenda da ilha das Sete Cidades colonisada pelos sete bispos, que fugiram da Peninsula com os seus fieis no tempo do rei Rodrigo!
[133] «Outros chamam-lhe, diz D. Manuel, terra nova ou novo mundo».
[134] Veja-se o estudo desenvolvido de Humboldt, que aliás não vê as coisas debaixo do nosso ponto de vista nas notas finaes do vol. V, da sua _Histoire de la géographie_, etc., da pag. 180 em diante.
[135] _Recherches historiques, critiques et bibliographiques sur Améric Vespuce et ces voyages._—Paris, sem data.
[136] Veja-se a carta de mr. Letronne a Humboldt, publicada no vol. III, da sua _Histoire de la géographie_, etc., da pag. 119 em diante.
[137] Veja-se Humboldt, _Histoire de la géographie_, etc., tom. II, pag. 26 e segg. Falando do globo de João Schoner diz: «Figurou no globo o estreito no logar em que Colombo debalde o procurara.» No globo de Weimar (que tem a data de 1534) ha dois estreitos, um a 42° de latitude sul, e outro no isthmo de Panamá a 10° de latitude ao norte do Equador.
[138] «Se não tivessemos achado este estreito, diz Pigafetta, o capitão-general estava disposto a ir até 75 graus para o polo antarctico onde no verão não ha noite, ou muito pouca e da mesma maneira no inverno não ha luz do dia ou ha pouquissima.» _Navegação e viagem que Fernando de Magalhães fez de Sevilha a Moluco no anno de_ 1519, pag. 61 da traducção ingleza de sir Stanley de Alderley, (Londres, 1874).