Obras Completas de Luis de Camões, Tomo III

Part 19

Chapter 192,539 wordsPublic domain

*Vós na vossa gloria posto, Eu na minha sepultura.*

P. 124. V. 9.

_Mas se esse rosto fingido Quizereis representar, Houvera por bom partido Dar-lho a alma do sentido Para a gloria do lugar._]

Assim andão corrompidos estes versos em todas as ed. Corrigimos:

*Mas se esse rosto fingido Quizerão representar, E houverão por bom partido Dar-vos a alma do sentido Para a gloria do lugar: Víreis etc.*

P. 148. V. 1. _Vai o bem fugindo etc._] Estas endeixas, que evidentemente são do poeta, andão na 1.ª e 2.ª edição das Rimas; na 3.ª aindaque apontadas no index, forão supprimidas por descuido: nós as restituimos.

P. 164. V. 23. _E amor he effeito d'alma._] Todas as ed. Parece que deve ser _affeito d'alma_.

P. 183. V. 7. _Sem saber do cuidado o que sentia._] Todas as ed.; mas he êrro: corrigimos:

*Sem saber de cuidado o que sentia;*

isto he um saber de pensado, ou sem examinar, o que sentia.

P. 185. V. 20. _Ao pé d'uma alta faia etc._] Esta que inadvertidamente aqui vai com o nome de Elegia, por assim andar nas precedentes edições, propriamente não he senão uma Egloga, que se deve ajuntar ás mais.

P. 185. V. 24. _Tão queixoso d'Amor_] Faria e Sousa. He vicio: corrigimos: _Mui queixoso d'Amor_.

P. 186. V. 8. _As roxas brancas Nymphas_] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:

*Brancas, roxas, as Nymphas mais colhião,*

porque se entende flores.

P. 188. V. 15. _Junto do rosmaninho, que he crescer_] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:

*Junto do rosmaninho qu'he 'squecer.*

P. 191. V. 25. _Ai que me deras vida a morte dar-me_] Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:

*Ai que me deras vida em morte dar-me.*

P. 197. V. 23. _E como debil flamma a quem fallece O radical humor de que vivia_] Faria e Sousa. He corrupção de texto; porque o radical humor só pode faltar as plantas: corrigimos:

*E como debil flor etc.*

P. 215. V. 15.

_Por qual, Senhor, algum eu me trocára. Ou por qual algum rei de mais grandeza_]

Faria e Sousa. Não julgamos correcto o dizer: _por qual algum_: devem portanto estes versos ler-se como nas primeiras edições:

*Por que Rei, por que duque eu me trocára, Por que Senhor de grande fortaleza?*

P. 220. V. 30.

_Se o successo he contrário da vontade As obras que são boas, e o desvio_]

Faria e Sousa. He corrupção de texto: corrigimos:

*Se o successo he contrário da vontade Nas obras que são boas, e ha desvio etc.*

P. 221. V. 41. _Quanto de infamia_] Faria e Sousa. Quãmanha infamia, 3.ª ed. Esta ultima nos parece ser a lição do poeta.

P. 222. V. 29. _Populares a Pallas._] Todas as ed. He vicio de texto: corrigimos:

*Populares (ó Pallas) etc.*

P. 223. V. 17. _E pois que tudo em vos se permittio_] Faria e Sousa. _No qual, pois tudo em vós etc._] 3.ª ed. Preferimos esta lição, que nos parece ser a do poeta.

P. 224. V. 11.

_O querido de Deos por quem peleja O ar tambem, e o vento socegado, Ao atambor acode, porque veja Que quem a Deos ama, he de Deos amado_

Assim se lião estes quatro versos na 3.ª edição. Manoel de Faria corrigio:

_Oh querido de Deos, por quem peleja O ar tambem, e o vento socegado! Ao tambor acode, porque veja Que o qu'a Deos ama, he de Deos amado._

Mas esta apostrophe, por elle introduzida, não tem aqui lugar; porque o poeta acaba de dizer na Oitava antecedente que quando Albuquerque nas praias da Persia conseguia victoria daquellas nações tão remotas, as settas, que tirava o arco Ormusiano, por milagre de Deos, se viravão no ar, pregando-se nos peitos dos mesmos que as tiravão; e continúa, observando que o querido de Deos que por elle peleja, o mesmo ar e o vento conjurado em seu favor, ao atambor lhe acodem, para que elle veja que o que a Deos ama, he delle amado e favorecido. Este he o sentido natural e obvio. Mas Faria e Sousa, vendo que estes versos erão imitação dest'outros de Claudiano:

_O nimium dilecte Deo, cui fundit ab antris Aeolus armatas hiemes! tibi militat aether, Et conjurati veniunt ad classica venti._

julgando que o poeta os devia traduzir servilmente, e não accommodá-los ao seu intento, metteo aqui esta exclamação forçada, sem nem ao menos saber a quem ella se refere, porque diz elle mesmo: _Yo dudo si esta exclamacion mira al Albuquerque, si al Rey Don Sebastian._ E assim estando ja viciado o texto, muito mais o ficou ainda. Nós seguimos a lição antiga, mas como a falta de clareza que nella se encontra, argue vicio de cópia, corrigimos:

*O querido de Deos, por quem peleja, O ar tambem e o vento socegado Ao atambor lhe acodem, porque veja Que o que a Deos ama, he de Deos amado.*

P. 225. V. 3. _Com louvores de Apollo celebrado._] Todas as ed.; mas aqui ha vicio, porque falta a clareza: corrigimos:

*Com louvores de Apollo, e celebrado.*

P. 228. V. 1. _Depois que a clara aurora a noite escura._] Esta glosa do Soneto 14 bem como a do 194 que vai a pag. 132, evidentemente não he obra do poeta: por inadvertencia as conservámos nesta edição.

P. 257. L. 7. _Que são muito e valem pouco._] Todas as ed.; mas o que o poeta quer dizer, he que um par de reales são cousa pouca, mas para um escudeiro pobre valem muito. Corrigimos:

*Que são pouco, e valem muito.*

P. 258. L. 17. _Ora, pois, Senhor, o Auto dizem, que he tal._] Todas as ed. Mas he vicio manifesto: corrigimos:

*Que tal dizem, que he?*

P. 259. L. 1. _E huma donzella que vem mais podre de amor, fallando como Apostolo, mais piedosa que huma lamentação._] Todas as ed.; mas he vicio: corrigimos:

*Que vem podre de amor etc.*

P. 259. L. 8. _Olá, Senhores._] Lição vulgar. He viciosa: corrigimos:

*Olá, Senhoras.*

P. 286. V. 1. _Mas qué amo y cararon._] Lição vulgar. He grande estrago de texto: corrigimos:

*Mas qué amo y qué cabron!*

P. 369. V. 11. _Esperai, dir-vo-lo-ha._] Faria. He êrro: deve ler-se:

*Dir-se-vos-ha.*

P. 370. V. 14.

_Pois só desse encantador Me quero vingar de ti._]

Lição vulgar: he viciosa: corrigimos:

*Pois so desse encantador Me quero vingar em ti.*

P. 374. V. 48. _E se mal vos succedesse._] Lição vulgar: he êrro de cópia ou de impressão: corrigimos:

*E se mal nos succedesse.*

P. 386. L. 11. _O qual informado pelo pastor que a achára, (que era homem sabio na arte magica) e como a criára._] Lição vulgar; mas a oração esta imperfeita: corrigimos: *O qual informado pelo pastor etc.; de como a achára e como a criára.*

P. 402. V. 17. _E levar-me a lenha o vento._] Lição vulgar: He viciosa, porque falta a clausula da oração: corrigimos:

*He levar-me a lenha o vento.*

P. 418. L. 5. _Pois não devia assi de ser posantos e vanselos._] Lição vulgar. Estranha corrupção de texto: corrigimos:

*Pois não devia assi de ser, polos Santos Evangelhos.*

P. 418. V. 6. _Que os amos e os cangrejos._] Lição vulgar. He viciosa: corrigimos:

*Que o amor e os cangrejos.*

P. 447. V. 16.

_Que das montanhas erguidas D'algum monte não sahisse._]

Lição vulgar. Não he menos notavel esta corrupção: corrigimos:

*Que das montanhas erguidas Algum monstro não sahisse.*

P. 453. V. 20. _Se tanto amasse._] Lição vulgar; mas aqui ha vicio de texto, porque falta a clareza, com que o poeta sempre costuma exprimir-se. Corrigimos:

*Se eu tanto amasse.*

Pag. 467. V. 12.

_Que quando por accidente Da fortuna desastrado Fosse apartado da gente N'um lugar onde somente Das feras fosse guardado: E por ferro, fogo e ágoa Buscar minha morte iria._]

Lição vulgar. Mas a corrupção de texto não póde ser mais visivel. Comtudo não difficil atinar-se com o sentido do poeta.

Acaba de dizer Dionysa a Filodemo que tomára ver-se dalli cem mil leguas, pelo perigo que corria a sua honestidade. Responde-lhe este, que isso desejava tambem elle que succedesse; porque nesse caso teria occasião de fazer por ella uma fineza, que fosse mais de agradecer; e vem a ser, que quando ella por algum caso da fortuna fosse apartada da gente n'um deserto onde não tivesse por guarda, senão as feras; por ferro, fogo e ágoa lá iria elle buscar a sua morte. E porque não póde ser outro o sentido do poeta, corrigimos:

*Que quando por accidente A fortuna desastrada Vos apartasse da gente N'um deserto, onde somente Das feras fosseis guardada; Lá por ferro, fogo e ágoa Buscar minha morte iria etc.*

P. 475. L. 20. _Que estas cidras não se desistem em nove dias, senão em nove mezes._] Lição vulgar. Não ha maior corrupção de texto. Que tem as cidras que desistir? Que o poeta não disse um tal absurdo, he fóra de toda a dúvida. O que elle disse foi isto:

*E porque estes sirgos não se desistem em nove dias, senão em nove mezes, foi-lhe a elle necessario acolher-se com ella etc.*

Sirgo he o envolucro, onde se encerra o bicho da seda, quando passa ao estado de metamorphose, e onde se conserva doze dias, ou nove, como diz o poeta. Mas a ignorancia transformou sirgos em cidras.

P. 482. L. 7. Porque quando cuido que sem peccado que me obrigasse a tres dias de purgatorio, passei tres mil de más linguas, peores tenções, damnadas vontades, nascidas de pura inveja de verem _su amada yedra de si arrancada, y en otro muro asida..._ Aqui ha lacuna porque falta o verbo da oração.

P. 489. V. 28.

_A quem não assopre a morte Nem sopre o fogo da vida._]

Lição vulgar; mas a do poeta he:

*A quem o assôpro da morte Não sopre o fogo da vida.*

P. 490. L. 26. _Tres cousas não se soffrem sem discordia; companhia, namorar, mandar villão ruim sobre cousa de seu interesse._] Todas as ed. Mas o vicio he palpavel: corrigimos: *Duas cousas não se soffrem sem discordia; companhia no amar, mandar villão ruim sobre cousa de seu interesse.*

INDEX.

REDONDILHAS &c.

Pag.

100 A alma que está offrecida 61 A dor que a minha alma sente 113 A morte, pois que sou vosso 71 Amor loco, amor loco 57 Amor que todos offende 63 Amores de huma casada 66 Apartárão-se os meus olhos 126 Aquella captiva

107 Campos bem-aventurados 99 Catharina bem promette 98 Cinco gallinhas e meia 136 Coifa de beirame 103 Com razão queixar-me posso 76 Com vossos olhos, Gonçalves 38 Conde, cujo illustre peito 33 Corre sem vela e sem leme 93 Crescem, Camilla, os abrolhos

53 Da doença em que ora ardeis 62 D'alma e de quanto tiver 28 Dama d'estranho primor 56 De atormentado e perdido 70 De dentro tengo mi mal 65 De pequena tomei amor 76 De que me serve fugir 70 De vuestros ojos centellas 54 Deo, Senhora, por sentença 91 Deos te salve, Vasco amigo 60 Descalça vai pela neve 102 Descalça vai para a fonte 143 Dó la mi ventura

63 Enforquei minha esperança 80 Esconjuro-te, Domingas 101 Esperei, ja não espero 46 Este mundo es el camino

67 Falso cavalleiro ingrato 101 Ferro, fogo, frio e calma 125 Foi-se gastando a esperança

78 Ha hum bem que chega e foge

132 Irme quiero, madre

112 Ja não posso ser contente 119 Justa fue mi perdicion

105 Mas porém a que cuidados 140 Menina formosa 52 Menina formosa e crua 75 Menina, não sei dizer 129 Menina dos olhos verdes 118 Minh'alma, lembrae-vos della

86 Na fonte está Leonor 57 Não estejais aggravada 89 Não posso chegar ao cabo 74 Não sei se m'engana Helena

104 Ojos, herido me habeis 55 Olhae que dura sentença 94 Olhos em que estão mil flores 78 Olhos, não vos mereci 79 Os bons vi sempre passar

69 Para que me dan tormento 145 Pastora da serra 43 Peço-vos que me digais 83 Pequenos contentamentos 84 Perdigão perdeo a penna 80 Perguntais-me quem me mata 85 Pois a tantas perdições 73 Pois damno me faz olhar-vos 72 Pois he mais vosso que meu 92 Porqué no miras, Giraldo 64 Puz o coração nos olhos

60 Qual terá culpa de nós 77 Quando me quer enganar 87 Que diabo ha tão damnado 122 Qué veré que me contente 103 Quem disser que a barca pende 58 Quem no mundo quizer ser 128 Quem ora soubesse 94 Quem se confia em huns olhos 21 Querendo escrever hum dia

123 Retrato, vós não sois meu

134 Saudade minha 81 Se a alma ver-se não póde 68 Se de meu mal me contento 41 Se derivais da verdade 137 Se Helena apartar 83 Se me desta terra for 128 Se me levão agoas 45 Se n'alma e no pensamento 35 Se não quereis padecer 51 Se vossa Dama vos dá 45 Sem olhos vi o mal claro 117 Sem ventura he por demais 116 Sem vós, e com meu cuidado 59 Senhora, pois me chamais 73 Senhora, pois minha vida 40 Senhora, s'eu alcançasse 95 Sois formosa e tudo tendes 9 Sôbolos rios que vão 30 Suspeitas, que me quereis

141 Tende-me mão nelle 121 Todo es poco lo posible 109 Trabalhos descansarião 110 Triste vida se me ordena 131 Trocae o cuidado 118 Tudo póde huma affeição 98 Tudo tendes singular

148 Vai o bem fugindo 72 Vêde bem se nos meus dias 115 Vejo-a n'alma pintada 79 Venceo-me Amor, não o nego 132 Ver e mais guardar 138 Verdes são os campos 139 Verdes são as hortas 90 Vi chorar huns claros olhos 135 Vida da minha alma 68 Vós, Senhora, tudo tendes 146 Vós sois huma Dama 122 Vos teneis mi corazon 88 Vossa Senhoria creia 82 Vosso bem querer, Senhora

SEXTINAS.

152 A culpa de meu mal só tem meus olhos 151 Foge-me pouco a pouco a curta vida 154 Oh triste, oh tenebroso, oh cruel dia 155 Sempre me queixarei desta crueza

ELEGIAS.

194 A vida me aborrece, a morte quero 185 Ao pé d'hum'alta faia vi sentado 160 Aquella que de amor descomedido 175 Aquelle mover de olhos excellente 190 Belisa, unico bem desta alma minha 172 Depois que Magalhães teve tecida [4] 177 Entre rusticas serras e fragosas 208 Juizo extremo, horrifico e tremendo 164 O poeta Simonides fallando 157 O sulmonense Ovidio desterrado 196 Que tristes novas, ou que novo damno [5] 202 Se quando contemplamos as secretas

[4] A D. Leoniz Pereira, havendo-lhe Pedro de Magalhães Gandavo dedicado o seu livro intitulado: _Historia da Provincia de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil_. Impresso em Lisboa 1576.

[5] Á morte de D. Miguel de Menezes na India, filho de D. Henrique de Menezes, Governador da casa do Civil. Foi dirigida a seu irmão D. Philipe de Menezes.

EPISTOLAS.

217 Como nos vossos hombros tão constantes [6] 223 Mui alto Rei a quem os ceos em sorte [7] 210 Quem póde ser no mundo tão quieto [8] 225 Senhora se encobrir por alguma arte

[6] A D. Constantino de Bragança, Viso-Rei da India.

[7] Sobre a setta que o Papa enviou a ElRei D. Sebastião no anno de 1575.

[8] A D. Antonio de Noronha, sôbre o desconcêrto do mundo.

OITAVAS.

232 Cá nesta Babylonia adonde mana 228 Despois que a clara Aurora a noite escura 234 D'huma formosa virgem desposada

COMEDIAS.

255 ElRei Seleuco 301 Os Amphitriões 385 Filodemo

CARTAS.

481 Carta 1.ª 484 Carta 2.ª

503 NOTAS