Part 15
Ao segundo assalto, o tenor continuou não tendo vantagens sobre o visconde.
Perguntava a si proprio se o plano d'Antonino não seria esgotar-lhe as forças, sem duvida menos resistentes do que as do athletico bretão. Mas se assim fosse o duello devia prolongar-se por muito tempo sem resultado definitivo, porque os momentos do descanço que as testemunhas concederiam aos combatentes bastavam para Lauretto se refazer.
Depois de muitos minutos passados, foi ainda Bauriac quem disse:
--Podem descançar.
O segundo descanço foi apenas de cinco minutos.
Lauretto tinha quasi a certeza que Antonino atacaria n'aquelle terceiro assalto, para pôr fim ao duello.
Portanto começou a esgrimir com toda a presteza, como fizera ao principio.
Dirigiu um bote ao visconde, mas Antonino _parou-o_ e _ripostou_ com energia.
Depois conservaram-se por alguns segundos immoveis, espiando-se, tacteando os ferros, com sensivel crescimento d'irritação mutua.
Repentinamente Antonino fez um movimento e cahiu a fundo, com a rapidez do raio.
Lauretto _parou em prima_ e _ripostou_.
Foi tão rapido o jogo do tenor que o visconde não teve tempo de _parar_ e foi _tocado_..
Ao mesmo tempo, porém, com um bote fortissimo, Antonino attingiu Lauretto, trespassando-o.
O visconde cahiu desmaiado, e o tenor cahiu morto.
Despujolles precipitou-se para Antonino, e descobriu-lhe o ferimento.
--Justamente a duas polegadas da cicatriz feita por Pozzoli! disse o dr.
O conde de Bizeux correu, afflicto, mas Despujolles gritou-lhe:
--Socegue! d'esta vez o ferimento não é grave! D'aqui a oito dias está curado!
Durante esse tempo o medico do theatro constatava a morte de Lauretto Mina, que Nobillet e Gressier, aterrados, transportaram para a carruagem que os conduzira.
Duas horas depois a carruagem d'Antonino parava á porta da casa da rua de Boudreau.
Despujolles foi o primeiro a descer, para prevenir Laura. Logo que abriram a porta, ella correu para o medico.
Felizmente, porém, o aspecto de Despujolles indicava uma alegria extraordinaria.
--Ah! Antonino está vivo, não é verdade? perguntou-lhe Laura.
--O que!... Pois sabia?
--Adivinhei... Mas diga-me, elle está ferido?...
--Está, ligeiramente. Se assim não fosse eu não estaria alegre. Já vae ver.
Alguns instantes depois, Laura, ajoelhada junto do leito em que fôra deitado Antonino, que tinha entre as suas as mãos de seu pae, dizia-lhe:
--Meu querido Antonino!... é a terceira vez que expões a tua vida por minha causa!
--E agora abandonarás tudo por mim?
--Ah! sim! E não terás completamente apenas a esposa, terás tambem a mãe!
FIM
End of Project Gutenberg's O Romance d'uma cantora, by Alfredo Sirven