O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (7/7) Parte Setima: O oraculo dos Astros

Part 2

Chapter 24,046 wordsPublic domain

Meus caros meninos, vós não conheceis outro fogo, que aquelle que resplandece no fogão, ou na lareira; porém o fogo, ainda que invisivel, está derramado por toda a natureza. Feri dois seixos e do seu choque resultará uma faisca; esfregai com força dois bocados de páo, aquentar-se-hão, e acabarão por allumiar-se; pondo ao sol uma lente, esta reunindo, e apertando os raios, dar-vos-ha fogo; a mesma luz é fogo (posto que tenuissimo.) O fogo é necessario á vida de tudo quanto existe corporeo; e o seu primeiro manancial parece vir do sol. Como o calor é sempre fraco no inverno tudo languece, tudo parece morto, e as aguas não podem correr: ellas tornam-se gelo; felizmente a primavera torna a animar tudo com um novo calor. Se pois o fogo não se fizesse mais sentir tudo pereceria, gelar-se-hia tudo.

XI

O Ar

O ar é tam necessario á nossa existencia que se nos achassemos privados d'elle, morreriamos immediatamente. O ar é este fluido invisivel que respiramos, continuamente, e que sentimos á roda de nós. Quando é impellido com força, constitue o «vento». Está derramado em torno do globo da terra, até uma certa altura, e forma o que chamamos «atmosphera,» isto é, este espaço onde andam as nuvens.

XII

A Agua

Todos os paizes, onde não se acha a agua, são estereis, desertos, e não apresentam mais que tristes planicies de areia. Levada pelo seu proprio pezo desce sempre, até ser retida nos abismos do mar. De ordinario é nos montes que se acham as nascentes dos rios. A agua cobre uma parte da terra, e circula por todos os lados. Vemol-a sahir debaixo da terra, formar ribeiras, e rios, e encher o immenso lago dos mares. Ella humecta as terras, alimenta os vegetaes, anima as paisagens e exaltera os homens, e os animaes.

XIII

As Nuvens

Uma nuvem é absolutamente similhante aos nevoeiros, que se formam á noite sobre as margens das ribeiras, e nos sitios pantanosos; o que a distingue é ter-se formado no ar, e ser impellida pelos ventos até ao momento em que torna a cahir em chuva sobre a Terra. A agua não corre sómente sobre a Terra; tambem se alevanta aos ares, e se sustem alli debaixo da forma das nuvens. O calor do sol faz subir a agua para o céo em vapores invisiveis. Os rios, os lagos, e os mares fornecem continuamente (e mais no verão do que no inverno) esses vapores, os quaes vão reunir-se nos ares em forma de nuvens. Pondo ao sol um panno molhado, a humidade desapparecerá, e o panno seccará, collocae uma bacia cheia de agua ao ar, a agua desapparecerá insensivelmente, e não ficará nem uma só gotta. Que foi feito d'essa agua? Reduziu-se pelo calor em vapores, e estes elevaram-se até ás nuvens, que vêdes passar sobre vossas cabeças.

Quereis ver uma prova mais clara? Examinae a agua, que ferve sobre o fogo; sahe d'ella um fumo espesso, e o vaso diminue cada vez mais. Porque rasão diminue esse vaso? É porque a agua se vai em fumo, ou (para melhor dizer) em vapores. Ponde por um instante a vossa mão sobre esse fumo, e tiral-a-heis toda molhada. As nuvens não andam muito alto: os cumes de differentes montanhas são-lhes sobranceiros. Quando se está sobre essas montanhas, vê-se por baixo as nuvens esclarecidas pelo sol, o qual as faz parecer brancas, como um montão confuso de algodão. Quando se passa pelo meio d'ellas, crê-se que se atravessa um nevoeiro, mais ou menos espesso.

XIV

A Chuva

Já sabeis como se formam as nuvens; sabeis que se compõem de pequenas partes d'agua, tão leves, que se tomariam como um pouco de pó: o ar sustem-as em quanto estão n'este estado. Mas quando estas partes se approximam, e as unem, tornam-se em gotas, as quaes, sendo mais pesadas que o ar, que as sustem, começam a cahir, e eis ahi a chuva. Esta chuva rega os campos, penetra nas terras, e alimenta as nascentes; estas vão para os rios, e estes para o mar; o sol faz outra vez subir estas aguas ao ar, donde são restituidas á terra; de sorte que estão continuamente em movimento, e viajam em todas as partes do mundo, umas vezes impellidas pelos ventos, e outras vezes arrastadas pelo declive dos terrenos.

XV

A Neve e a Saraiva

Deve-se advertir que existe a neve, e se forma quando os vapores humidos que cahem d'uma nuvem se trasformam na sua queda, pelo gelo que os penetra, em longos filamentos, os quaes constituem flocos differentemente arranjados. Se estes vapores tiveram tempo para formar gotas, que o frio condensa immediatamente, cahe, em logar de neve, saraiva. Esta saraiva tem, de ordinario, a forma, e a grossura das gotas da chuva; comtudo algumas cahem como grossos pedaços de gelo; mas pode-se observar, que esses pedaços, são, n'este caso, compostos de muitos grãos, que se reuniram na sua queda.

XVI

O Mar

Chamamos com este nome de «Mar» todas essas immensas qualidades de agua, que cobrem uma grande parte da Terra. Os homens chegaram a ultrapassar (pela sua industria) esses abismos que pareciam abertos para os reter, construiram navios, e viajaram sobre as ondas, que podiam tragal-os, com mais commodidade, e mesmo com mais segurança do que sobre as terras. Não é doce, e boa para beber a agua do mar, como a das nascentes, e rios; ao contrario é acre, amarga e tão salgada, que excita nauseas violentas. É d'esta agua que se tira o sal, de que se usa na cosinha. Para isso faz-se entrar a agua do mar em grandes tanques, que tem sómente algumas polegadas de profundidade; o sol faz evaporar a agua, e o sal fica em secco no fundo do tanque.

XVII

O Homem

Das creaturas mais perfeitas que Deus creou, é o Homem; ainda que vive como todos os animaes, e está sujeito ás mesmas necessidades é-lhes comtudo tão superior, que não se deve estabelecer comparação alguma entre elles e o homem. Elle é o chefe de tudo quanto abaixo de Deus, recebeu a existencia, e o dominador da Terra. E donde lhe vem a sua superioridade? Da alma; d'esta intelligencia celeste que Deus lhe deu. Os animaes pensam sómente em satisfazerem as suas necessidades; o homem é o unico que reflecte, e sabe elevar-se ao conhecimento da Divindade. Por isso chama-se Razão o sentimento, que dirige as suas acções; e dá-se somente o nome de «Instincto» ao que faz obrar os animaes; posto que esse instincto em varias cousas se torna superior ás nosas forças, e razão, com o proprio influxo e direcção das sabias determinações que ora coarctam ora dirigem as acções dos animaes. Porém se o homem recebeu uma prerogativa tão bella, é para se conduzir livremente com mais sabedoria; quando abusa dos seus meios, quando obra mal, sabe-o, torna-se culpado para Deus, o qual lhe deu luzes geraes para o esclarecer no caminho da vida.

Os deveres dos homens para com Deus estão consignados na verdadeira Religião Natural ou Universal, a qual se tem dividido em tres idades «Religião Ante-Moysaica, Religião Moysaica» (ou escripta) «Religião e Christã» (ou Revelada). Em todas estas tres idades a Religião Natural é sempre a mesma: representando na 1.ª idade o verdadeiro culto á Divindade na esperança do Salvador; na 2.ª a confirmação, e mais magestosa ractificação d'esse culto; e na 3.ª o complemento final d'esse culto na pessoa do mesmo verdadeiro e esperado Messias, Nosso Senhor Jesus Christo. Os deveres da Religião em todas as suas idades basea-se em tres principaes deveres para com Deus, directa ou indirectamente. Deveres «directos» (para com Deus), «e indirectos» (para comnosco, ou nossos similhantes). Estes deveres são obrigatorios, ou prohibitivos, aos quaes se oppoem o crime de commissão para com os primeiros, ou de omissão para com os segundos. Em estes deveres se contam a celebração do Sacerdocio, e mais sacramentos da Igreja, e seus deveres; os mandamentos do Decalogo e da Igreja.

A vida do homem divide-se em quatro epocas; a saber:--«A Infancia» até os 15 annos; «A Juventude» até os 35; «A Virilidade» (ou idade viril) até os 55; e «A Velhice» d'ahi por diante até o muito 100 annos.

XVIII

Homens de differentes cores

Os homens variam de cor conforme os climas, ou regiões, e terras que diversamente habitam; por isso não são os homens todos brancos, como os vemos na Europa. Nos paizes quentes são trigueiros, e mesmo pretos. É principalmente em Africa que se acham povos inteiros, e numerosos, cuja pelle é tam preta como o carvão; chamamo-lhes «negros.» Os «Hotentotes,» os quaes habitam tambem esta parte do mundo, tem uma cor bronzeada. As differentes cores americanas são as de cobre, e laranja. Os homens de maior estatura são os «Patagoens,» os quaes habitam a extremidade da America Meridional: tem commumente seis pés, a seis e meio. Os «Laponios» são ao contrario os mais pequenos: não tem ordinariamente mais de quatro pés e meio, é esta a sua estatura ordinaria: porém são fortes e robustos. Habitam um paiz frio, e coberto quasi sempre de neve na extremidade septentrional da Europa.

XIX

Os Mineraes

Dá-se o nome de _mineraes_ ás substancias que se tiram das minas, isto é, das excavacões que se fazem no seio da Terra. Entre estas substancias é necessario observar os metaes, que nos são de grandissima utilidade. Estes metaes são o _ferro, cobre, estanho, chumbo, ouro, e prata_. O homem não só tornou em vantagem sua tudo quanto a Terra produz na superficie; mas até o que ella tem occulto nas suas entranhas.

XX

O Ferro

O homem não tem necessidade senão de purificar o ouro, e a prata; e é-lhe necessario, para assim dizer, crear o ferro. Este metal, tal qual a natureza nol-o dá, é mui differente d'aquelle de que as artes usam. Esta arte sobe á mais remota antiguidade, e pode-se crêr que o ente creador de todas as cousas o qual o faz nascer com tanta profusão por toda a terra, suggeriu elle mesmo ao homem os meios de o adoptar ás suas necessidades, e de o fazer gozar de todas as vantagens, que elle occulta; pois que este metal tão util apresenta-se debaixo de mil formas diversas na natureza; e o que vós nunca pensaveis, acha-se quasi em toda a parte; acham-se partes d'elle na combustão de muitos vegetaes, e pertende-se mesmo que o sangue que circula nas nossas veias, lhe deve este vermelho, que o cora. É por meio do fogo que se separa o ferro da terra com que está misturado; e é igualmente por meio do fogo que se trabalha, e que se fazem com elle vasos, alavancas, pregos, e mil outros instrumentos, que nos são de grande utilidade; sem o ferro nunca existiria um numero infinito d'objectos que augmentam as commodidades da vida.

O ouro, que nós procuramos com tanta avidez, é muito menos precioso, que este metal, que nos parece tão grosseiro. O aço é um ferro refinado.

XXI

O Cobre

De todos os metaes imperfeitos é o cobre o que mais se aproxima do ouro, e da prata; se o não tivessemos, haveria um grande vacuo nas producções as mais interessantes das artes. Porém as suas vantagens são bem compensadas pelas suas qualidades malfazejas: exposto ao ar, ou á humanidade, e muitas vezes por si mesmo, cobre-se d'esta ferrugem conhecida pelo nome de _Verdete_, a qual muitas vezes converte nos vasos da cosinha em um veneno extremamente perigoso os alimentos que contem. A estanhadura pallía o perigo, porem não o annulla inteiramente. O mais prudente é não usar d'este metal sem muito resguardo, e limpeza. O cobre derretido e purificado, chama-se _Cobre vermelho_. Ligando-o com o zinco que é outra substancia mineral, obtem-se o _Cobre amarello_, ou o _Latão_; misturando-lhe uma certa qualidade d'estanho produz-se o _Bronze_, ou o _Arame_.

XXII

O Estanho

Emprega-se o estanho de mil maneiras: fazem-se com elle pratos, colheres, e vasos, usa-se d'elle misturando-o com o chumbo para a estanhadura; applica-se por traz dos espelhos para lhes dar este brilhantismo, que lhe faz reflectir as imagens de todos os objectos.

XXIII

O Chumbo

As minas de chumbo são como as de ferro as mais communs em a Natureza. Elle é o menos precioso dos metaes. Como é molle e facil a derreter, fazem-se com elle os canos para conduzir as aguas, e outras obras semelhantes a esta; fazem-se tambem com elle as ballas de espingarda.

XXIV

A Prata

As principaes minas da prata em França são as de Santa Maria nos Vosges; as de Baigóry nos Altos Pyreneus; e as de Chalanches perto de Allemont no Delphinado. As minas da Noruega são as mais importantes; porem as mais ricas do mundo são as que se acham no cume das cordilheiras; a Natureza derramou ahi este metal com uma verdadeira profusão; quasi todos os paizes da terra possuem minas d'este precioso metal, porem observa-se que quanto as minas de ouro abundam nos paizes quentes, tanto a prata parece amar as regiões frias.

XXV

O Ouro

Não porque nos seja o mais util, mas porque o fizemos, como a prata, representativa de tudo quanto se pode comparar, eis aqui em fim o metal que nós estimamos mais. Com tudo é o ouro o mais perfeito, por si mesmo dos metaes, é o mais pezado, o mais denso, e o mais ductil. Podem-se-lhe dar todas as formas, pode-se applicar, e extender em folha sobre superficies, cuja grandeza comparada á pouca materia de que se usou, admira a imaginação. O fogo, menos que não seja excessivamente violento, não produz sobre elle impressão alguma. As minas mais abundantes de ouro são as do Mexico, e Peru, ultimamente as da California na America; bem como tambem na Austria, Siberia; e acha-se tambem na area de algum rio em forma de palhetas.

XXVI

Das cinco partes do Mundo

A terra a qual já dissemos que era redonda divide-se em cinco partes, a saber: _Europa_, _Asia_, _Africa_, _America_, e novamente descoberta a Oceánia. A parte do mundo que nós habitamos é a Europa; é a menos extensa mas a mais povoada, é aquella onde as sciencias e artes são mais cultivadas. Os seus povos são brancos. A parte meridional é temperada, e a do norte é fria. A Asia é tres vezes maior que a Europa; mas não tem povoações proporcionaes. Os seus paizes meridionaes sentem calores muito grandes, os do norte estão cobertos pelo gelo do inverno nos tres quartos do anno. Esta parte do mundo é a mais rica em producções naturaes, pedras preciosas, perolas, especiarias, aromas, e animaes. A Africa cortada ao meio pelo Equador, isto é, achando-se directamente debaixo dos raios do sol offerece os climas mais quentes, e por consequencia mui desertos. Veem-se ahi espaços immensos sem arvores, e sem verdura onde cobre a terra uma areia secca. É n'ella onde se acham os homens mais pretos, e os animaes mais ferozes. A America é a parte maior do mundo. A Asia, a Africa, e a Europa não a conheceram durante muito tempo; os povos antigos nem ao menos suspeitaram a sua existencia. Foi somente no curso do decimo quinto seculo, isto é ha pouco mais de trezentos annos, que Christovão Colombo teve a gloria de fazer conhecer esta metade do mundo á outra. A America produz uma quantidade infinita de metaes, e mineraes; o oiro que os europeos tem tirado d'ella é incalculavel. Ha alli alguns paizes mui povoados, mas ha outros onde se acha mui pouca povoação. É n'esta parte do mundo que existem os maiores rios da terra; o maior de todos é o dos Amazonas, o qual tem mil leguas de curso.

XXVII

Divisão do Tempo

Os homens sentiram a necessidade de estabelecer as divisões do tempo para regular os seus trabalhos, recordar os acontecimentos, e combinar, e designar os dias futuros. A propria natureza indica essas divisões. Já vos disse que a terra se volve sobre si mesma no espaço de vinte e quatro horas, e que é esse movimento quem nos dá alternativamente o dia, e a noite. Essas 24 horas fazem o que se chama um dia. Este achou-se naturalmente dividido em quatro partes: _a manhã, o meio dia, a tarde e a meia noite_. Inventaram-se outras divisões, para maior commodidade: são as _horas_. Contam-se 24 n'um dia, isto é, durante o tempo da luz, e das trevas; porém estas 24 horas estão divididas em duas vezes doze: eis de têl-o visto em todos os mostradores, os quaes não tem mais que esse numero de horas. A hora foi subdividida em 60 minutos, e o minuto em 60 segundos, etc.

As 4 estações são: a _Primavera_, em que nascem a verdura e as flores; o _Estio_, em que se amadurecem os fructos da terra; o _Outono_, em que se fazem as colheitas; e o _Inverno_ tempo em o qual a terra em repouso toma novas forças soffrendo a intemperie dos ares (pelos ventos, frios, neves, gelos, e tempestades). Dividem-se estas estações mais simplesmente em duas partes, a saber: _Verão e Inverno_, cada uma com seis mezes; contando o verão desde o meio da primavera, todo o estio, e primeira parte do Outono (isto é, meio de Maio, a meio de Novembro,) e contando o inverno desde o meio de Novembro e todo e inverno propriamente dito, até meio de Maio.

Além d'esta divisão natural divide-se o anno em doze mezes. O mez é um espaço de 30 a 31 dias (pouco mais ou menos;) o que se ve n'estes versos:

Trinta dias tem Novembro; Abril, Junho e Setembro; Vinte e oito, ou nove, um e os demais trinta e um.

Elles são, pois _Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, e Dezembro_.

O inverno começa a vinte e tantos de Dezembro, acabando a vinte e tantos de Março. A primavera a vinte e tantos de Março a vinte tantos de Junho. O Estio a vinte e tantos de Junho a vinte e tantos de Setembro. O outono a vinte e tantos de Setembro até vinte, e tantos de Dezembro.

Os mezes tambem se dividem em 4 semanas; as quaes não o completam porque dão somente 28 dias, e os mezes tem 30 a 31; excepto fevereiro _o_ qual tem 28, e nos annos bissextos, isto é, de 4 em 4, 29.

A semana contém 7 dias que são: _Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sabbado, e Domingo_. Os Christãos começam a sua semana pela segunda feira, e o domingo é o setimo dia de repouso. Os Judeus tomam o Sabbado por seu setimo dia de repouso, contando o domingo como seu primeiro dia da semana. Os mahometanos tomam o seu primeiro dia no sabbado e o seu ultimo e setimo na sexta.

Temos dois equinoxios, e 2 solsticios: Os primeiros em que as noites são iguaes aos dias em doze horas: os segundos em que os dias e as noites entre si são ora maiores ora menores.

De 21 a 22 de Março é o _equinoxio da primavera_.

De 23 a 24 de Setembro o _equinoxio do Outono_.

De 23 a 24 de Junho é o _solsticio do estio_, em que os dias são maiores do anno (isto é, perto das 3 até ás 9 da noite). De 20 a 23 de Dezembro é o _solsticio de inverno_, em que as noites são as maiores do anno (isto é, desde perto das 5 da tarde até perto das 7 da manhã).

Entende-se por um _seculo_ o espaço de cem annos.

Por lustre o espaço de 5. Por olympiada o espaço de 4.

O nome, a epocha d'este ultimo, vem das festas que os gregos celebravam cada 4 annos junto d'Olympia na Grecia.

XXVIII

Principaes povos e cidades da Asia

A Asia tem mil e setecentas leguas de comprido, e mil e quinhentas de largo. Seus principaes estados são: Turquia Asiatica, Arabia, Persia, India, Tartaria (chineza, independente, e russiana, na maior extensão e pouco povoada,) a China, e o Japão.

A Turquia Asiatica, é consideravel; e tem a _Persia_ ao oriente; o Mediterraneo, e o Archipelago ao occidente; ao meio dia a _Arabia_, e ao norte o _Mar-negro e Persia_. Tem magnificos fragmentos do seu antigo esplendor.

A Arabia é a maior peninsula do mundo, de norte a sul com quinhentas leguas, e de oriente a occidente quatrocentas, _Meca e Medina_ suas principaes cidades.

O grande imperio da Persia, cuja capital é _Ispahan_. A India, cujos principaes estados são o _Indostão, Visapor, Golonda, Bisnagar, Ava, Pegu, Aracão, Sião, Camboje, Tunquim, Cochinchina._

O mais bello poderoso e antigo imperio da China, com quinhentas leguas d'oriente a occidente; e tresentas e cincoenta de norte a sul. Tem como immensa povoação as principaes cidades de _Pekin e Nankin_.

PROPHECIA

De um Lavrador velho e cego, da freguezia da Maia, a qual foi achada debaixo do travesseiro, depois do seu fallecimento.

Cessem todos os estrondos Para em bella harmonia Ouçam todos mais attentos Esta real prophecia.

De um authentico Soberano Distincto e inspirado Que alem de ser Monarcha Tambem tem prophetisado.

Cujo Soberano escreveu A qual me mandou lêr Do que no futuro anno N'este reino se ha de vêr.

Prophetisou que para o anno Tudo o que fôr vegetal, Causará terror e espanto No reino de Portugal.

Toda a terra portugueza Dará fructo desmarcado Como nunca se tem visto Desde que o mundo foi creado.

As nabiças darão grellos Tão altos e engrumados, Que dê mastros de navios, E serrando-os taboados.

Cada nabo será tal Que se o escavar por dentro Possa dar casa bastante Para córte d'um jumento.

Taes repolhos vereis creados Em todos os repolhaes, Que o menor seja bastante P'ra pezar vinte quintaes.

Pois só as folhas de fóra D'aquelles mais bem creados Poderão servir de vellas Para estender nos eirados.

As couveiras crearão Tão altos pés e grossos; Que d'elles se farão bombas Para tirar agua dos poços.

Vereis cebollas como pipas Batatas como toneis Tomates como gigas Alhos como canistreis.

Que só os dentes dos alhos Tão volumosos serão, Como que fossem quartos De aboboras ou de melão.

As pereiras darão peras Tão grandes e tão bastas Que uma só pera aos pedaços Encha bem sete canastras.

Taes limões vereis creados Nos limoeiros azedos, Que um limão seja bastante P'ra carregar seis gallegos.

E que nozes tão grandes Se hão de ver pelas Nogueiras, Que das cascas d'uma só Se farão duas maceiras.

E do que tiver por dentro Gostosos doces farão, E muitas se hão de moer Que não hão de dar mau pão.

Tambem promette abundancia De pão trigo e centeio Porque só cada espiga Dará alqueire e meio.

As mulheres farão fogueiras Queimarão fuzos e rocas Por que ha de nascer linho Prompto já em maçarocas.

Pois só cada melancia Tão grande ha de ser, Que precisem de dez homens Com pancas para a mover.

Da tona grossa e dura Com talos tão bem creados Que só possam ser partidos Com alviões ou machados.

Cada videira do Douro Tantos cachos ha de dar Que de vinho e bagaço Possa encher um lagar.

A cinco reis o almude Quem quizer beberá vinho Do melhor do Alto Douro N'esta provincia do Minho.

No tempo que o vinho fôr A cinco reis o almude Muito ha de haver quem diga: «Cá vae á sua saude.»

Velhos e velhas vereis Dar saltinhos de contentes Porque até terceira vez Lhe hão de nascer novos dentes.

Até os brancos cabellos Vereis tomar novas côres, Iguaes ás d'aquelle tempo Em que tinham seus amores.

Os que forem corcovados A corcova hão de perder, Até cegos vereis com vista, Que já não esperavam vêr.

Tudo quanto tenho dito Afianço e asseguro, Que se nada fôr verdade Ha de ser mentira tudo.

D'esta forma terminou Esta real prophecia, Só a todos desejo Vida, paz e alegria.

HORAS PLANETARIAS

Nomes dos Planetas Saturno, Jupiter, Marte, Sol, Venus, Mercurio e Lua.

_Domingo_

A 1.ª hora é quando nasce o Sol, e é hora Solar.

2.ª--de Venus.

3.ª--de Mercurio.

4.ª--de Lua.

5.ª--de Saturno.

6.ª--de Jupiter.

7.ª--de Marte.

8.ª--do Sol.

9.ª--de Venus.

10.ª--de Mercurio.

11.ª--de Lua.

12.ª--de Saturno.

E assim continuará, segundo os nomes dos Planetas; isto é, conforme o que se segue pelos nomes acima indicados.

_Segunda-feira_

1.ª--esta primeira hora como se tem dito, é da Lua.

2.ª--de Saturno.

3.ª--de Jupiter.

4.ª--de Marte.

5.ª--do Sol.

6.ª--de Venus.

7.ª--de Mercurio.

8.ª--da Lua.

E assim se vai proseguindo até pôr-se o Sol.

_Terça-feira_

1.ª--de Marte.

2.ª--do Sol.

3.ª--de Venus.

4.ª--de Mercurio.

5.ª--da Lua.

6.ª--de Saturno.

7.ª--de Jupiter.

8.ª--de Marte.

_Quarta-feira_

1.ª--de Mercurio.

2.ª--da Lua.

3.ª--de Saturno.

4.ª--de Jupiter.

5.ª--de Marte.

6.ª--do Sol.

7.ª--de Venus.

8.ª--de Mercurio.

_Quinta-feira_

1.ª--de Jupiter.

2.ª--de Marte.

3.ª--do Sol.

4.ª--de Venus.

5.ª--de Mercurio.

6.ª--da Lua.

7.ª--de Saturno.

8.ª--de Jupiter.

_Sexta-feira_