O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (5/7) Parte Quinta: O oraculo das Sinas

Part 2

Chapter 23,965 wordsPublic domain

A respeito do pretendido veneno ou _peçonha_, deves saber que são poucos os animaes, exceptuando os mamiferos, as aves e os peixes, aos quaes o nosso povo não attribua veneno, a ponto de julgar passagem de bicho que deixára rasto venenoso ou peçonhento, a quaesquer feridas que apparecem no corpo das creanças, persuadindo-se que _matando o bicho_, desapparece a peçonha e logo o mal. Mas, como não sabem qual fôra o genero, nem a especie do bicho que por alli passára, applicão logo um remedio geral para toda a sorte de bicho, dizendo:

Eu te talho, bicho, bichão; Sapo, sapão; Aranha, aranhão; Bicho de toda a nação: Em louvor de S. Silvestre, Quanto faço tudo preste, E de nosso Senhor, Que é o verdadeiro Mestre.

E fazendo passar ao mesmo tempo, em cruz, uma faca por cima das feridas, talhão e retalhão d'esta sorte qualquer bicho que por alli passasse!

Nada mais difficil do que a medicina, nada mais difficultoso do que ser medico, nada mais melindroso do que receitar, nada mais delicado do que ser boticario; e todos sabem curar, todos são medicos, todos receitão e todos são boticarios, porque todos fazem remedios!

E quanto mais extravagante, mysterioso e miraculoso e sobrenatural parecer o remedio, mais importancia e mais fé lhe dá o povo, pela tendencia que tem para admirar e acreditar sempre aquillo que menos entende. É de grande fé tambem, que um frango preto é proveitoso para servir de remedio contra as lombrigas que atacão frequentemente as creanças. Por meio d'um pequeno golpe dado superficialmente no pescoço do frango, extrahem-lhe um pouco de sangue, com o qual dão uma fricção forte nas costas da creança doente, até que appareção algumas borbulhasinhas! A mais grosseira ignorancia quer vêr n'estas borbulhas as cabeças das lombrigas que acudirão alli ao cheiro do sangue; e com uma navalha de barba, bem afiada, corta então as bolhasitas, dizendo que talhará assim as bichas, de uma vez para sempre; e que este é o unico remedio infallivel!

Já que fallamos em frango, vem a proposito aqui o preconceito mais grosseiro, que revela a maior ignorancia e a mais crassa pequice!

Diz o povo que o gallo aos sete annos põe um ovo, do qual nasce uma cobra! E isto mesmo tenho eu ouvido dizer a algumas pessoas que se querem apartar do povo pelo seu vestuario e pelos seus costumes, e ficão a par da mais grosseira plebe, pelo seu modo de pensar e pelas suas crenças!

Acontece que uma gallinha nova, ainda franga, pouco robusta, põe ás vezes um ovo pequeno, sem gemma, constando só da clara e casca, que quasi sempre é aspera e rugosa; outras vezes uma gallinha já casada, e cansada por uma longa postura, põe um ovo semelhante, como fazendo um ultimo esforço; e achados estes ovos nas capoeiras ou poleiros, como são differentes dos outros, por serem mais pequenos e pela falta de gemma, são do gallo e não das gallinhas! Porém o erro sobe de ponto ao dizerem que d'aquelle ovo sairia uma serpente! Um gallo feito mãe! e feito mãe de serpente!!

Em que ovario se desenvolveria aquelle ovo? em que oviducto tomaria a clara ou albúmen? Aonde formaria elle a casca ou essa crusta calcarea?

Certamente nas tripas!

A gemma ou _vitellus_, para que a esphera germinativa, que é o ponto branco que se vé no meio, fique sempre voltada para cima, em qualquer posição que o ovo tome, para receber o calor immediato da gallinha no chôco, é ligada de cada lado ás duas extremidades do ovo por uma especie de cordão torcido da mesma materia da clara, a que se dá o nome de _chalases_. Ora, estes pequenos ovos abortados, apesar de não conterem a gemma, contem a clara e conservam os _chalases_; e são elles a terrivel serpente que mais tarde tinha de se desenvolver! Haverá cousa mais grosseira? Ignorancia maior?!

O lobo, animal bem commum entre nós, é tido por muitas pessoas, como tendo a bôca de um lado escachada até o ouvido; e que agarrando nos cordeiros os lança ás costas, fugindo com elles.

O lobo tem a bôca regular d'ambos os lados, não põe os cordeiros ás costas, mas muitas vezes, vendo-se perseguido, não querendo deixar a preza, segura-a pelo lado do pescoço e foge com ella, correndo ambos, como uma parelha de cavallos.

Quando isto se dá com os nossos animaes, a respeito dos quaes o exagero, passando de bôca em bôca, tem dado causa tambem a muitos erros, o que será a respeito dos animaes estranhos, cujas descripções são feitas por viajantes, quasi sempre propensos á mentira, a augmentarem e a exagerarem as cousas!

Muitas vezes os proprios naturaes de um paiz, pela mesma razão, informando mal os curiosos, os fizerão acreditar em falsas narrações e contos extravagantes.

Hoje, porém, graças ao desenvolvimento do estudo da Historia natural, á sua reconhecida utilidade, á protecção dada aos museus e aos jardins d'acclimatação, estes erros têm-se emendado, e vão-se conhecendo as cousas á luz da verdade. Só entre nós, aqui no Porto, parece desnecessario um museu; pelo menos não vejo ligar-lhe a mais pequena importancia! E para que!

Aqui já todos são sabios.

Que importa o estudo dos bichos e das hervas?

Dá elle dinheiro? Não dá? Pouco importa dizer tolices; não é cousa de _utilidade publica_.

As ridiculas historias de alguns macacos, como os gorillos, os chimpanzés e os orangos, raptarem as raparigas e fugirem com ellas para os bosques, que tão acreditadas forão, e fazião que as mulheres tivessem tanto medo dos macacos, são hoje desmentidas.

A hyena foi tida como um monstro; fizeram-n'a até hermaphrodita! Derão-lhe os instinctos mais sanguinarios e a maior ferocidade; disserão que ia aos cemiterios desenterrar os cadaveres, para nelles cevar a sua ferocidade! A hyena é um animal pouco sanguinario, preferindo a carne morta e de dias, á carne viva e com sangue; cobarde, poucas vezes ataca, e se ataca são os animaes pequenos, matando a fome muitas vezes com os cadaveres dos animaes que desenterra, quando se achão mal cobertos.

O condor, que passou como ave cruel e temivel, é cobarde como em geral todos os abutres, que mal merecem o nome de aves de rapina; e estão no caso das hyenas. Sustentando-se de carne morta, não atacão os outros animaes; mas lanção-se sobre os que encontrão mortos ou sobre aquelles que encontrão morrendo; ou espreitando as cabras, as vacas, etc., na occasião em que dão á luz o filho, lanção-se sobre o recem-nascido, sem sequer atacarem a mãe, apesar de doente; uma creança armada d'um páo basta para os fazer fugir.

O veneno da tarantula, aranha bem commum na Italia, Hespanha e Portugal, foi tido como causa de effeitos terriveis, deixando atarantados ou em convulsões horriveis os mordidos por ella, e receitando-se até como remedio a musica. Mas hoje, dizem que é bem sabido, que o veneno d'estas aranhas não é perigoso senão para os insectos que lhes servem de sustento.

Has-de ter visto os nossos pescadores andarem pelas ruas vendendo alguns polypeiros petrosos, a que chamam arvores do mar. Não estranho que elles lhes chamem arvores do mar. Porém estranho que pessoas de instrucção, dadas ás letras, nada queirão saber da sciencia e se contentem com a lição do pobre pescador, repetindo o mesmo, e até ensinando, que as madréporas, astréas, fungias, etc., são tortulhos e arvores do mar, sem fazerem ideia, já se vê, do que é uma arvore, nem dos pobres animaes que caírão nas suas mãos e debaixo das suas vistas, que tão mal os olharão; porém para maior esclarecimento e maior disparate acrescentão os que já não precisão de estudar--são arvores do mar _petrificadas_.

Poderia continuar a fallar-te de mais alguns d'estes erros, mas receio enfadar-te, e por isso fico por aqui. Emquanto aos curiosos animaes que habitão a nossa costa da Foz, da Granja, Mattosinhos e Leça, terei talvez ainda occasião de te fallar d'elles em particular; pois são uma distracção nos solitarios passeios á beira-mar, amenisando o que parecia monotono, e tornando habitado o que parecia deserto, achando nós companhia aonde nos julgavamos sós.

Adeos até outra occasião.

Teu amigo==_A. Luso._

O NOIVADO DO SEPULCHRO

(BALLADA)

Vae alta a lua! na mansão da morte Já meia noite, com vagar soou; Que paz tranquilla! dos vaivens da sorte, Só tem descanço quem alli baixou.

Que paz tranquilla!... mas ao longe, ao longe Funérea campa com fragor rangeu: Branco phantasma, semelhando um monge, D'entre os sepulchros a cabeça ergueu.

Ergueu-se ergueu-se!... na amplidão celeste Campeia a lua com sinistra luz; O vento geme no feral cypreste, O mocho pia na marmorea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se, com sombrio espanto, Olhou em roda... não achou ninguem... Por entre as campas, arrastando o manto, Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto d'uma cruz alçada, Que entre os cyprestes alvejava ao fim, Parou, sentou-se, e com voz maguada Os éccos tristes accordou assim:

«Mulher formosa, que adorei na vida, E que na tumba não cessei d'amar; Porque atraiçôas desleal, mentida, O amor eterno que te ouvi jurar?

«Amor! engano, que a campa finda, Que a morte despe d'illusão fallaz; Quem d'entre os vivos se lembrará ainda Do pobre morto que na terra jaz?

«Abandonado n'este chão repousa; Ha já tres dias, e não vens aqui... Ai! quão pesada me tem sido a lousa Sobre este peito que bateu por ti!

«Ai! quão pesada me tem sido!» e em meio, A fronte exhausta lhe pendeu na mão, E entre soluços arrancou do seio Fundo suspiro de cruel paixão.

«Talvez que rindo dos protestos nossos, Gozes com outro d'infernal prazer; E o olvido cobrirá meus ossos Na fria terra, sem vingança ter!

--«Oh! nunca, nunca!» de saudade infinda Responde um écco-suspirando além... «Oh! nunca, nunca!» repetiu ainda Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as fórmas divinaes, airosas, Longas roupagens de nevada côr; Singéla c'rôa de virgineas rosas, Lhe cerca a fronte d'um mortal pallôr.

«Não, não perdeste meu amor jurado; Vês este peito! reina a morte aqui... E já sem forças, ai de mim, gelado, Mas ainda pulsa com amor por ti.

«Feliz que pude acompanhar-te ao fundo Da sepultura, succumbindo á dor; Deixei a vida... que importava o mundo, O mundo em trevas sem a luz do amor?

«Saudosa ao longe vês no céo a lua? --Oh! vejo, sim... recordação fatal! --Foi á luz d'ella que jurei ser tua, --Durante a vida, e na mansão final.

«Oh! vem! se nunca te cingi ao peito, Hoje o sepulchro nos reune emfim... Quero o repouso do teu frio leito, Quero-te unido para sempre a mim!»

E ao som dos pios do cantor funéreo, E á luz da lua de sinistro alvor, Junto ao cruzeiro, sepulchral mysterio, Foi celebrado, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia, Já d'esse drama nada havia então, Mais que uma tumba funeral vasia, Quebrada lousa por ignara mão.

Porem, mais tarde, quando foi volvido Das sepulturas o gelado pó, Dous esqueletos um ao outro unido, Foram achados n'um sepulchro só.

AO MEU GATO

Ai! meu pobre animal unicos restos do meu viver de então; Companheiro nos dias tão funestos e d'esta solidão.

Ficaste ainda assim ao meu abrigo para me acompanhar, Tu agora, talvez unico amigo que sabe o meu penar.

Tua dona morreu: Já não existe quem te affagava emfim; Hoje pobre animal, tu hoje triste só me possues a mim.

Como tudo mudou, como perdida nos foi a nossa luz; e cada qual de nós em sua lida tem hoje a sua cruz.

Hoje é tudo deserto, o lar sem lume para te conchegar que foi-se-nos da vida esse perfume o conforto do lar

Ai! meu pobre animal tão resignado, me vens agradecer não me olvidar, embora fatigado de dar-te de comer.

Mas tu tambem não comes, tambem sente teu seio cruel dor, porque ás vezes me fitas de repente com bem triste amargor.

Que fazemos nós ambos sem conforto n'este deserto assim! Oh! vamo-nos embora d'este horto partamos já emfim.

Nem eu, nem tu já temos alegria, tudo vimos morrer; que fazemos aqui de noite e dia? apenas só gemer.

Oh! vamo-nos embora e bem depressa que já não póde mais o coração, acabe-se o tormento que não cessa, fujamos d'esta triste solidão.

Agosto--1870

_Costa Goodolphim._

SIGNAES PHISIONOMICOS

SATURNO

Os homens que nascem debaixo do dominio de Saturno, são d'estatura grossa, avultada, nervosa, e com alguma imperfeição, o rosto grande e de côr palida, a fronte larga e cheia de lineamentos tortuosos, a cabeça imperfeita, os cabellos pretos, humidos e crespos nas pontas; os olhos pretos e centralmente disposto um maior que o outro, e ás vezes uma macula ou albugem em um d'elles; as sobrancelhas grandes, e unidas uma com outra até á raiz superior do nariz; a bocca larga; o beiço superior mais contrahido e o inferior mais grosso; os dentes superiores grandes e os inferiores agudos, curtos e desiguaes; o pescoço magro, comprido e algum tanto inclinado para diante, cheio de musculos, veias e arterias que se manifestam com boa distincção; os hombros largos e levantados; o peito apertado; as costas largas; a cutis aspera e bem povoada de cabellos; os braços compridos e robustos; as pernas delgadas, compridas e tortas; os pés cheios de veias superficialmente dispostas e pela maior parte sugeitos aos calos.

JUPITER

Os homens nascidos debaixo do dominio de Jupiter, são de boa estatura, bem dispostos e temperados; teem o rosto grande mas em boa conformidade de côr rosada; a fronte bem formada e descoberta; a cabeça espherica; os cabellos densos e pouco crespos, inclinando a louros; os olhos formosos, grandes e sahidos; as sobrancelhas agudas e bem povoadas de cabellos; o nariz comprido e no meio com alguma eminencia; a bôca rasgada; o labio superior maior que o inferior, ambos vistosos e córados; os dentes superiores compridos e largos, especialmente os dous medios, os inferiores mais miudos, mas uns e outros firmes e bem collocados; a barba sahida de côr castanha com uma cova no meio; o pescoço elegante e bem proporcionado, com algumas veias musculosas, e arterias bem distinctas e engraçadas; os hombros largos, carnosos e bem compostos; o peito entre largo e apertado, pouco povoado de cabellos; os braços e pés medianamente crassos e robustos, povoados de cabellos tenues e compridos, com algumas veias ceroleias e manifestas.

MARTE

Os homens que nascem sob a influencia de Marte, são de estatura avultada, fornida, e varonil; o rosto comprido, feio e de côr acceza; a fronte redonda e cheia de rugas; a cabeça grande e aguda; os cabellos densos de côr castanha ou ruiva; os olhos claros, seccos, e centralmente dispostos, a vista aguda, secca e espantada; as sobrancelhas estendidas e mal povoadas: o nariz agudo, apertado e curvo; a bôca grande; os beiços delgados e tenues; os dentes pequenos e agudos, mas dispostos por boa ordem; a barba aguda e bem povoada de cabellos, com uma cova na ponta; o pescoço comprido, magro e cheio de musculos, e veias patentes; os hombros magros e robustos; o peito estreito; as costellas vigorosas; a cutis povoada; os braços e pés magros, duros e robustos, com musculos, veias, e arterias prominentes e bem superficiaes.

SOL

Os homens que nascem sob a influencia do Sol, teem a estatura do corpo bem formada e proporcionada; são alvos e de muitas carnes; a cabeça redonda e não muito grande; os cabellos louros breves e pouco densos; os olhos formosos, claros e castanhos; as sobrancelhas bem dispostas, delgadas e pouco povoadas de cabellos; o nariz direito e extenso; a bôca pequena; os beiços redondos e carnosos; os dentes raros, agudos e firmes; a barba quasi redonda e largamente povoada de cabellos, com uma cova profunda no meio; o pescoço breve e robusto, musculoso e pouco patentes as arterias e as veias; os hombros grandes, largos, carnosos e robustos; o peito grande sahido e bem formado; as costellas largas e robustas; os braços, pernas e pés robustos, crassos e bem proporcionados, e o corpo direito, bem formado e forte.

VENUS

Os homens que Venus vê nascer são elegantes, de estatura pequena, mimosa e engraçada; o rosto entre redondo e comprido, bem proporcionado e córado; a fronte engraçada, aonde se distingue a linha venera; a cabeça mediocre na grandeza e redonda na fórma; os olhos alegres, claros, pretos, grandes e resplandecentes; as sobrancelhas formosas, grandes, bem povoadas e unidas; o nariz plano, mediocre e prominente; a bôca pequena e engraçada; os dentes miudos, bastos, brancos e firmes; a barba abreviada, e cheia; o pescoço comprido, carnoso e bem formado; os hombros largos e robustos; o peito carnoso; as costellas robustas; os braços e pés carnosos e bem formados.

MERCURIO

Os homens que nascem sob a influencia de Mercurio, são de estatura mediocre, mas bem formada; o rosto entre comprido e redondo de poucas carnes e de côr morena; a fronte regular com profundas lineações phisionomicas, e com mais distincção a linha mercurial, que é a segunda em ordem, contando da raiz superior das sobrancelhas; a cabeça grande e redonda; os cabellos poucos, densos e delgados; os olhos profundos, pequenos e formosos, não de todo pretos; as sobrancelhas pequenas, pouco arquiadas e unidas ás palpebras; o nariz pequeno, plano, igual e um pouco afilado; a bôca rasgada; os beiços carnosos e rubicundos; os dentes superiores desiguaes e raros, os inferiores compostos e unidos; a barba redonda, assignalada no meio e os cabellos pretos; o pescoço mediocremente comprido; os hombros largos e robustos; o peito plano, igual e pouco povoado de cabellos; os braços e dedos das mãos compridos, bem feitos do corpo e dos pés, são fortes rapazes.

LUA

Os homens que nascem na influencia da Lua a sua estatura é comprida e descomposta; o rosto grande, largo, carnoso e de côr trigueira; a cabeça grande e algum tanto espherica; os olhos grandes bem dispostos, redondos e superficiaes, e algumas vezes um maior que o outro; as sobrancelhas grandes arquiadas e unidas; o nariz grande, redondo ou rombo; a bôca rasgada não muito grande; os beiços grossos e carnosos; os dentes largos, grandes e mal dispostos; a barba redonda, abreviada e pouco povoada de cabellos; o pescoço breve, robusto e carnoso; os hombros grandes e mal dispostos; o peito grande e largo com muitas carnes; os braços e pés robustos, grossos, com poucos pellos e muitas veias distinctas.

ORAÇÃO DO JUSTO JUIZ

Justo Juiz de Nazareth, filho da Virgem Maria, que em Belem fostes nascido entre as idolatrias, eu vos peço, Senhor, pelo vosso sexto dia, que meu corpo não seja preso, nem ferido, nem morto, nem nas mãos da justiça envolto, _Pax Tecum_, _Pax Tecum_, _Pax Tecum_. Christo assim o disse aos seus Discipulos, se os meus inimigos vierem para me prender, terão olhos não me verão, terão ouvidos não me ouvirão, terão bocca não me fallarão, com as armas de S. Jorge serei armado, com a espada de Habrahão serei coberto, com o leite da Virgem Maria serei borrifado, com o sangue de meu Senhor Jesus Christo serei Baptisado, na Arca de Noé serei arrecadado, com as chaves de S. Pedro serei fechado, aonde me não possam vêr, nem ferir, nem matar, nem sangue de meu corpo tirar; tambem vos peço Senhor, por aquelles tres Calix bentos, por aquelles trez Padres revestidos, por aquellas trez Hostias consagradas, que consagradas ao Terceiro dia me deis aquella doce companhia que déste á Virgem desde as portas de Belem até Jerusalem, que com prazer e alegria eu seja tão bem guardado de noite como de dia, assim como andou Jesus Christo no ventre da Virgem Maria, Deus diante, paz na guia, Deus me dê a companhia que Deus deu á virgem Maria; desde a casa Santa de Belem até Jerusalem.

Deus é meu Pae, a Virgem Santa Maria é minha Mãe? com as armas de S. Jorge serei armado, com a espada de S. Thiago serei guardado para sempre. Amen.

ORAÇÃO

A Jesus christo, como a dizia S. Cypriano

Meu Senhor Jesus Christo, lembrai-vos de mim peccador. Virgem Santissima, rogai por mim sempre sereis louvada, bemdita; rogai por este peccador ao vosso amado filho, preciosa formosura dos anjos, flor dos archanjos, prophetas e Patriarchas, coroa dos Martyres Apostolos e confessores, gloria dos Serafins, coroa das Virgens, livrai-me de aquella espantosa figura quando minha alma do meu corpo sahir, ó Santissima fonte de piedade, formosura de Jesus Christo, alegria da gloria, consolação no ceu, remedio nos trabalhos, comvosco ó Virgem prudentissima se alegram os Anjos, encommendae minha alma a todos os fieis christãos e conduz-me ao eterno Paraiso aonde viveis e reinaes para sempre e eu para vos louvar. Amen.

ORAÇÃO

Ao Anjo Custodio, como a dizia S. Cypriano

Anjo Custodio quereis ser Santo pela graça de Deus? Quero.

Das treze palavras que sabeis dizei-me a uma.

(_Assim se deve dizer em todas as palavras_).

1.ª Uma entre o sol e a lua. Padre, Filho, Espirito Santo.

2.ª São as duas taboinhas de Moysés.

3.ª São os tres Patriarchas Jarco Jarcó.

4.ª São os quatro Evangelistas.

5.ª São as 5 Chagas de Nosso Senhor Jesus Christo.

6.ª São os seis cirios bentos que appareceram em Jerusalem para alumiar a Nosso Senhor Jesus Christo para todo o sempre. Amen.

7.ª São as sete salvas da Senhora.

8.ª São os oito coros d'Anjos.

9.ª São os Nove Corpos Santos.

10.ª São os Dez Mandamentos.

11.ª São as 11 Mil Virgens.

12.ª São os Doze Apostolos.

13.ª São os 13 raios do Sol que arrebente o Demonio do mais pequeno até o maior.

N. B. Esta oração deve ser principiada e acabada, porque do contrario, o Santo fica de joelhos até que a pessoa que a principiou a acabe.

RECEITAS CURIOSAS

Contra a picada da vibora

Dissolva-se em agua chlorureto de cal até que fique em uma massa mole, e se põe sobre a picada.

Contra o envenenamento produzido pelo verdete

Bata-se uma clara d'ovo, e depois de bem batida misture com agua e dê ao doente, repetindo o mesmo até acalmar as colicas, tomando depois bebidas temperantes.

Contra a mordedura de cães damnados

O que se deve logo fazer é espremer bem a ferida para expellir o sangue e a baba, e depois lavar a ferida com a dissolução de pedra caustica (alkali) em agua, ou a cauterisação de ferro em braza pondo depois pannos e enchumaços molhados na dissolução para dilatar a ferida, póde ajuizar-se se é de cão damnado molhando um bocado de pão no sangue da ferida e deital-o a uma gallinha e se fôr damnado morre a gallinha; se se deitar a outro cão não o quererá comer e até fugirá do pão.

Contra as queimaduras

Metta-se immediatamente a parte queimada em agua de cal ou envolva-se em algodão em rama.

Contra escaldaduras d'agua a ferver

Esfregue-se a parte offendida com farinha triga e depois cubra-se com bastante farinha e pannos de linho.

Contra os ataques de gota

Esprema-se um limão na bocca da pessoa atacada que logo cessam os accidentes.

Para estancar sangue de veia ou outro qualquer vaso cortado

Magisterio d'opio um escropulo, cabellos de lebre cortados miudos e clara d'ovo q. b. para fazer uma massa a qual se põe na parte com ataduras.

Para os surdos

Toma-se do fel de gallinha, aguia, corvo e lebre (todos ou partes d'elles) uma porção sufficiente e cozam-se em panella nova, com vinho branco, bem tapada, até ficar em consistencia d'oleo, do qual se deita todos os dias nos ouvidos algumas gotas tepidas.

Para estancar o sangue do nariz

Esfregue-se a testa com o mesmo sangue, ou levantem os braços para o ar até passar.

Para não cahir o cabello

Lava-se a cabeça com oleo rosado em o qual se tenha fervido a semente de murta, galha, e mirabolanos, o summo das cebolas tambem serve para o mesmo.

Contra a embriaguez

Tome seis a oito gotas d'amoniaco liquido (alkali volatil) dissolvidas n'um copo d'agua.

Para enjoar o vinho

Tome-se o chora das videiras misturado em vinho.

Contra o defluxo

Esfregue o nariz e entre os olhos ao deitar na cama com pomada camphorada, e em jejum tome algumas colheres de mel.