O Oraculo Do Passado Do Presente E Do Futuro 1 7 Parte Primeira
Chapter 1
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O ORACULO
DO
PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO
OU O
Verdadeiro modo de aprender no passado a prevenir o presente, e a adivinhar o futuro
POR
BENTO SERRANO
ASTROLOGO DA SERRA DA ESTRELLA,
_Onde reside ha perto de trinta annos, sendo a sua habitação uma estreita gruta que lhe serve de gabinete dos seus assiduos estudos astronomicos_
OBRA DIVIDIDA EM SETE PARTES, CONTENDO CADA UMA O SEGUINTE:
Parte primeira--O ORACULO DA NOITE Parte Segunda--O ORACULO DAS SALAS Parte Terceira--O ORACULO DOS SEGREDOS Parte Quarta--O ORACULO DAS FLORES Parte Quinta--O ORACULO DAS SINAS Parte Sexta--O ORACULO DA MAGICA Parte Setima--O ORACULO DOS ASTROS
PORTO LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA 55, Largo dos Loyos, 56 1883
PARTE PRIMEIRA
O ORACULO DA NOITE
OU
O modo seguro de adivinhar o futuro pela verdadeira interpretação dos sonhos, ao alcance de qualquer pessoa
PORTO LIVRARIA PORTUGUEZA--EDITORA 55, Largo dos Loyos, 56 1883
Porto: 1883--Imprensa Commercial--Lavadouros, 16.
EXPLICAÇÃO
Para mais facilmente se comprehender a definição dos sonhos
A explicação dos sonhos existe desde a mais remota antiguidade, existirá mais ou menos desvairada emquanto o genero humano não desapparecer da face da terra, ou não for reduzido á condição dos animaes irracionaes.
É certo, porém, que o valor da significação dos sonhos vae desappareçendo á medida que a illustração esclarece o espirito dos povos e lhes mostra claramente que as excitações nervosas, que todos soffremos, mais ou menos, são a causa do cerebro produzir sonhos alegres ou tristes, segundo as disposições physicas ou moraes da pessoa que sonha.
Sonhos, sempre os houve e ha de haver; notando-se, porém, que só os povos rudes ou os ignorantes é que fazem caso da significação que os antigos lhes attribuiram. As pessoas instruidas e de juizo sabem perfeitamente que as venturas ou desgraças, que succedem ao genero humano, são predicados inherentes á sua condição, não influindo nada para isso os sonhos ou phantasias de ninguem.
O nosso intuito, publicando este _Livro dos Sonhos_, é unicamente mostrar ao leitor o desvario da razão humana, e o que elle produz para induzir em erro as pessoas nimiamente crédulas.
É possivel que haja quem não pense como nós a respeito da significação dos sonhos; para esses, que não pensam como nós, vamos aqui transcrever o que outros teem dito acerca da classificação dos sonhos e seu valor; eis o que elles dizem:
«Ha quatro especies de sonhos, e, segundo a qualidade de cada um, se denominam de diverso modo:--a primeira é o _Sonho propriamente dito_; a segunda, a _Visão_; a terceira, o _Pesadelo_; a quarta, a _Apparição_.
«O _Sonho_ é aquelle que, debaixo de certas figuras, nos apresenta a verdade--como quando José interpretou a Pharaó o sonho, que este tivera, com sete vaccas gordas e outras sete magras.
«A _Visão_ é uma especie de revelação, que, durante o somno, nos é feita por algum espirito divino--como aconteceu a José, esposo da Virgem, e aos Magos, quando escaparam á perseguição de Herodes.
«O _Pesadelo_: é causado por affecções vehementes, que atacam o cerebro, quando dormimos, e encontram o espirito vigilante. Então o que nos aconteceu durante o dia occupa-nos igualmente de noite: quem se arreceia de algum mau encontro, sonha que elle se verifica; o que teve alguma questão acalorada, questiona ainda, dormindo; o avarento sonha com o seu thesouro; e o que ceiou regaladamente, sonha com os prazeres da mesa.
«A _Apparição_ não é mais do que um phantasma, creado pela imaginação dos velhos e das creanças, que se afigura aos espiritos fracos.
«Já se vê, pois, que d'estas quatro especies de sonhos, só as duas primeiras _é que teem apparencias de verdade_; as outras duas são inteiramente falsas.
«Cumpre advertir que os sonhos, de que não conservamos lembrança alguma, nenhum valor teem; e quanto áquelles de que nos recordamos, para se tomarem em consideração, devem ter logar proximo ao dia, ou, ao menos, depois da meia noite--porque, até essa hora, todos os sentidos e virtudes corporaes estão occupados com a digestão.
A proposito dos sonhos e dos pesadelos eis o que se lê no _Diccionario de Medicina Popular_ de Chernoviz:
«_Sonho._--O cerebro nem sempre está em repouso completo durante o somno. Muitas vezes, emquanto se dorme, produzem-se certos actos intellectuaes que se chamam sonhos. Estes sonhos, por muito tempo considerados como actos sobrenaturaes, avisos celestes ou annuncios do futuro, são o producto do trabalho irregular do cerebro; e se as mais das vezes são estranhos, é porque, tendo o somno feito cessar toda a vontade, as diversas ideias que se formam são associadas como por acaso e com extraordinarias incoherencias. Ordinariamente os sonhos são relativos aos trabalhos, ás paixões que occupam o individuo durante as vigilias, e que deixaram uma impressão no cerebro; o sabio sonha com os seus estudos, o amante com o objecto da sua inclinação. Mas pódem tambem ser o resultado da imaginação ou da memoria; uma impressão apenas percebida póde occasional-os. Algumas vezes os sonhos limitam-se á producção de ideias; mas outras vezes tambem são acompanhados da acção que teria seguido naturalmente estas ideias; um move-se, falla; outro queixa-se; outro canta;...... Não é facil impedir os sonhos.
«_O Pesadelo_ não comprehende os sonhos penosos de toda a especie; designa-se mais particularmente por esta palavra um estado em que a pessoa adormecida, julgando-se na imminencia de um perigo, sente-se privada do uso do movimento e da voz, quer para fugir ou repellir o ataque, quer para chamar soccorro. Estas sensações illusorias são mui variadas: taes são uma queda n'um abysmo, a vizinhança de um incendio, o ameaço de um assassinio, etc. Ás vezes o homem julga ver no seu sonho um monstro, um peso que lhe opprime o peito e lhe tolhe a respiração. Logo que se póde fazer algum movimento, o sonho desapparece, e ás vezes, ao despertar-se, existem palpitações e uma fadiga geral.
«As creanças, as mulheres e as pessoas idosas são mais sujeitas ao pesadelo do que os adultos e os homens. Uma grande sensibilidade predispõe para este incommodo. As historias com que se amedrontam as creanças, os terrores religiosos, pezares profundos e os excessos na comida, são causas frequentes do pesadelo. Muitas vezes é elle produzido pela plenitude do estomago.
«Os meios para fazer cessar esta affecção dimanam naturalmente do conhecimento das causas. Banir o mêdo, dissipar os terrores, procurar distrahir-se, usar de banhos, passeios, observar sobriedade, diminuir ou supprimir totalmente a comida da noite, deitar-se do lado direito e com a cabeça elevada, manter a liberdade de ventre: taes são os meios mais convenientes. Todas as vezes que se podér, convem despertar a pessoa quando a perturbação da respiração, a anxiedade do rosto, o suor do corpo, annunciarem que o pesadelo se declara.»
O que desejamos é que o leitor tenha sempre boas digestões, e, depois d'ellas, os sonhos que mais gratos lhe sejam á phantasia.
EXPLICAÇÃO DOS SONHOS
_Segundo os cabalistas mais notaveis da antiguidade_
A
_Abandonado_ de um protector: indica devassidão.
_Abandonar_ seu estado: indica perda por má fé.
_Abbade._ Veja-se _Cura_, _Frade_ e _Padre_.
_Abbadessa_ de um convento: orgulho, malicia de que alguem será victima.
_Abelhas_, para o cultivador: ganho e proveito.--Para as pessoas ricas: desasocego, inquietação e cuidado. Se põem o mel em algum logar da casa: eloquencia, dignidade, bom successo; mas perda para os inimigos da mesma casa.--Tomal-as: ganho notorio.--Matal-as: perda, ruina.
_Abertura_: alvor de esperança.
_Abraçar_ parentes ou amigos: traição.
_Abrigo_, buscar um contra a chuva: pena secreta.--Durante a tempestade: bons presentimentos.--Achal-o: miseria, desespero.--Contra inimigos. V. _Inimigos._
_Absintho_, bebel-o: pena diminuta seguida de alegria extrema.
_Abundancia_: falsa segurança.
_Abutre_: doença longa, perigosa, e algumas vezes mortal.
_Academia_ de sabios: aborrecimento, tristeza.--De jogo: engodo, engano.
_Accesso_ em casa de um fidalgo: honra, proveito.
_Acclamação._ V. _Regosijo._
_Accusar_ alguem de um crime: tormento, inquietação.
_Actor, Actriz._ V. _Comedia_, _Tragedia_.
_Adão e Eva_: reconhecimento de creança, adopção.
_Adopção_ de meninos: penas, contrariedades.
_Adorar_ a Deus, seu pae e sua mae: alegria, satisfação.
_Adulterio_: escandalo, contendas futuras.
_Afogado_, vêr um: triumpho de inimigos.
_Agonia_: perda de successão.
_Agraço_: justa segurança.
_Agua_, vel-a bem clara: bom presagio para todo o dia.--Turva: dignidade.--Bebel-a quente: perigo entre os inimigos.--Bebel-a fria: cuidado, afflicção.
_Aguadeiro_: tedio, fadiga.
_Aguardente_: soffrimentos, grande dôres.
_Aguia_, gerar uma: grandeza, prosperidade, fama para a creança que ha de nascer.--Adejando no ar: bom successo nos projectos que cada um fórma, e especialmente no estado militar.--Voando sobre quem sonha: honras, dignidades.--Montal-a, atravessar n'ella os ares: perigo imminente de morte para a pessoa que a montou.--Morta: ruina de um fidalgo, fortuna de um plebeu.--Caindo com a cabeça para baixo: morte do sonhador ou de algum seu parente.
_Agulhas_, tel-as alguem: inquietação.--Ser picado d'ellas: desgraça imprevista.
_Alambique_: inquietação, tormentos.
_Aldeão, Aldeã_: alegria, falta de cuidado.
_Aldeia_, perda de dignidades.
_Alecrim_: boa nomeada.
_Alfaiate_: infidelidade.
_Alfinete_, vêl-o: contradicção.
_Algemas_: livramento, desembaraço.
_Alho_, sonhar alguem que vê alhos ou quaesquer hervas que cheiram mal: contendas e revelações de cousas occultas.
_Almanak_: urgencia de um proceder mais regular.
_Alteração_: sêde ardente, V. _Sêde_.
_Amazona_: mulher ambiciosa e perfida.
_Amendoa_, _Amendoeira_, ver amendoas: significa riqueza. Comer-lhe o fructo; denota difficuldade.
_Amigos_, rir com os seus: proxima ruptura.
_Amoras_, comel-as: desgosto, soffrimento, feridas.
_Amoreira_, ver uma ou muitas: fertilidade, abundancia de bens e filhos.
_Anão_: ataque de inimigos fracos e ridiculos.
_Anchovas_: boa fortuna.
_Ancora de navio_: probabilidade em suas esperanças.
_Andorinha_: honestidade da esposa ou noiva.--Vel-a entrar em casa; noticias de amigos.
_Animaes_, morrerem: fortuna.--Fallar-lhes. V. _Bestas._ _Fallar._
_Anjo ou santo_, ver um: aviso de viver bem uma pessoa e arrepender-se; augmento de honras e dignidades.--Voando para sua casa: consolação, alegria, felizes novas.
_Annel_, dar um a alguem; significa damno,--Recebel-o: denota segurança em seus negocios.
_Anzol_: engano, abuso de confiança.
_Apaziguar_ os gritos de um ente soffredor: violencia, cólera próxima.
_Aposento_, sonhar que mora n'elle o tédio: tristeza.
_Aqueducto_: fortuna patrimonial.
_Ar_ puro e sereno: amizade e estima de todos, reconciliação com inimigos, descobrimento de furto ou cousa perdida, victoria sobre invejosos, ganho de demanda, viagem feliz a emprehender, n'uma palavra, todo o genero de prosperidades e triumphos.--Turvo, nebuloso, sombrio: tristeza, doença, obstaculos, em summa, tudo ao contrario do sonho precedente.--Suave e embalsamado pelas flores da primavera: vida pacifica, costumes brandos, sociedades honestas e agradaveis, bom successo nos negocios, ou nas viagens.
_Aranha_: somma de dinheiro proporcionada á sua gordura.--Tocal-a: beneficio.--Matal-a: perda.
_Areia_: duvidas, incerteza.
_Arcebispo_: aviso de morte.
_Arco_, atiral-o destramente: consolação, honra.
_Arco-iris_ da parte oriental: commodidade, riqueza, restabelecimento de saude.--Da parte occidental: feliz presagio para os ricos, mau para os pobres.--Sobre a cabeça de alguem ou perto de si: mudança de fortuna, perigo de vida, ruina na familia.
_Arlequim_, ver um: desgosto brevemente dissipado, malicia, travessura.
_Armas_, ter alguem um monte d'ellas: honras que receberá.
_Arranhadura_: afflicção.
_Arroz_, comel-o: abundancia excessiva, indigestão.
_Armenio_: curiosidade ácerca do futuro.
_Arsenal_: boatos de guerra.
_Arvores_ verdes ou floridas: esquecimento de passados desgostos, alegria, receio inesperado.--Derribadas, queimadas, feridas do raio: aborrecimento, receio, dor, desespero.--Sem flores: expedição de negocios.--Seccas: perda inesperada, abuso de confiança.--Com flores: alegria, e doce satisfação.--Carregadas de fructos: riquezas.--Derrubar uma: mal cruel e perdas.--Estar alguem sobre uma grande arvore: poder e dignidades, boas novas.--Cair d'ella: perda de emprego ou da protecção dos grandes, em proporção contraria do mal que alguma pessoa tiver soffrido.--Colher a fructa de uma velha arvore:--herança de pessoas idosas.--Ser mudado em arvore: doença.
_Assado_, vel-o: alvor de esperança.--Comel-o: ganho, segurança.
_Assassinos_. V. _Cabeça cortada._
_Assobio_: perigo pessoal, maledicencia.
_Astrologo_. V. _Horoscopo._
_Atirador_: religião, surpreza.
_Audiencia_ de um ministro ou de um empregado: luto.
_Ausencia_ de um pai afastado de sua familia: tempestade horrivel, grande prejuizo, e algumas vezes, incendio.
_Auto de fé_, ver queimar um homem em publico: doença ou perda de fazenda.
_Autómato_: incapacidade.
_Avelãs._ V. _Nozes._
_Avental_: servidão.
_Azeite_ derramado: perda infallivel.--Sobre si: lucro.--Colhel-o: grande proveito.
_Azeitonas_ na arvore: liberdade, potencia, amizade, paz, concordia, bom successo em amores.--No chão: trabalho e pena sem proveito.--Colhel-as: ganho.
B
_Bacia de mãos_, ter uma cheia de agua, sem d'ella fazer uso: morte na familia.
_Baile_, achar-se alguem n'elle, ou assistir a uma representação: alegria, prazer, recreio, successão.
_Bainha_: perda de thesouros, divulgação de segredo.
_Baixella_ de estanho: boa commodidade.
_Balança_: recurso á justiça.
_Balão_: elevação de pouca dura.
_Baleia_: grande perigo.
_Bananeira_: casamento vantajoso, ganho de sentença, herança.
_Banca-rota_: expedição de negocios.
_Banco_: offerecimentos enganosos de serviços.
_Banhar_ em agua limpida: bom successo, perfeita saude.--Em agua turva: perda de um amigo.
_Banho_, preparar um: noticia de pessoa que nos interessa, prosperidade.
_Banquete_, gosal-o só: avareza, pobreza.--Em companhia: dissipação, prodigalidade.
_Barba_, tel-a grande e bella: persuasão, perspicacia, resultado completo em todas as emprezas.--Negra: perda e cuidados.--Russa: erro proximo.--Arrancada ou feita: perda de bens, de honras ou parentes, para a pessoa que assim a tem.--Não a ter naturalmente: riqueza.--Ter muito trabalho em arrancal-a: empreza ruinosa, augmento de miseria para o sujeito a quem a arrancaram.--Em uma rapariga: casamento prompto e vantajoso.--N'uma mulher casada: morte do marido, ou abandono proximo, que a obrigará a dirigir só os trabalhos domesticos.--Em uma mulher pejada: nascimento de um filho.--Laval-a: tristeza.--Vel-a sêcca: alegria.--Vel-a fazer a outrem mau signal.
_Barbear-se_: perda de bens, de honras, ou saude.
_Barras_ (jogo das): concorrencia para um emprego, ou no commercio.
_Barrete_ de dormir: instante de deixar os negocios.
_Barris_ e _Toneis_: abundancia.
_Batalha_. V. _Combate_.
_Batel_, passear alguem sobre a agua dentro de um batel: alegria, prosperidade, segurança nas emprezas, se o tempo estiver sereno e o mar manso.--Se houver tempestade e ondas encapelladas: indica o contrario.
_Beijar_ a terra: humiliação e pezar--As mãos a alguem: amizade, boa fortuna.--O rosto: temeridade seguida de bom successo.
_Bella_ (achar-se com a sua): tentação.
_Bem_, fazel-o: nimia satisfação,--Aos mortos: proveito certo.--Ter grandes bens; motivos de tristeza.
_Berço_ de creança: fecundidade.--De verdura: pezar, cuidado.
_Bestas_, vel-as alguem correr: penas amargas.--Ser d'ellas perseguido: offensa da parte dos inimigos.--Ouvil-as ornear: tristeza;--Fallar-lhes: mal proximo.--Luctar com ellas: soffrimento, enfermidades.--Sonhar matal-as: prazer e saude.
_Bexiga_: falsa gloria, orgulho.
_Bibliotheca_: sabio, ou letrado a consultar.
_Bicho_ da seda: amigos caridosos e bemfeitores.
_Bigodes_ compridos: augmento de fortuna.
_Bilha_: perda por incuria pessoal, ou de outrem.
_Bilhar_: negocio arriscado, ganho incerto.
_Bilhete_ de loteria, se alguem lhe vir os numeros: bom successo. Se os não vir: despeza inutil, prodigalidade.
_Biscoito_ de embarque, comel-o alguem: proveito, saude.
_Bispo_: grande personagem.
_Boa ventura._ V. _Horoscopo._
_Bôca_, tel-a qualquer fechada, sem poder abril-a: perigo de morte.--Tel-a infecta: desprezo publico, traição de criados.--Maior do que deve ser: augmento de honras e opulencia em sua caza.
_Bodas_: pequena satisfação.
_Bófe_, ser n'elle ferido: perigo imminente, desejos frustrados.
_Boi_: criado fiel e muito util, paz interior.
_Bois_, vel-os gordissimos: bom tempo, felicidade proxima.--Magros: carestia de grãos, fome.--Olhal-os quando sobem: mal e fadigas.--Brancos, que saltam: honra, proveito, dignidades.--Pretos: perigo imminente.--Avermelhados: risco de vida.--Lavrando: vantagem inestimavel.--Sem pontas: inimigos desarmados.--Que combatem uns com os outros: origem de inimizade.--Quando vão beber: mau signal.--Quando descansam: serviço feito.--Furiosos: tormento.
_Bóla_, jogar a bóla: boa fortuna.--Vel-a rolar diante de si: demora de fortuna.
_Bolsa_ cheia: desgostos, pena, miseria, avareza.--Vasia: commodidade, contentamento de espirito.
_Borboletas_: inconstancia.
_Bordadura_, ver bordar: ambição.
_Botas_, tel-as, ou calçal-as novas: bom successo e ganho.
_Botelhas_: alegria.--Quebradas: tristeza.
_Boticario_: soffrer usura, receber injurias.
_Braço_, tel-o cortado: morte de um parente ou criado, se for o braço direito; de mulher, se fôr o esquerdo.--Ambos os braços cortados: captiveiro ou doença.--Quebrados ou magros, de um simples particular: afflicção, doença, miseria na familia; de um militar em posto elevado: desastre publico; _v. g._: exercito derrotado, fome ou peste; de uma mulher casada: viuvez, ou separação.--Sujos: penuria.--Inchados: riquezas para irmão ou parente querido.--Fortes e robustos: felicidade, cura, livramento.--Ageis e bem constituidos: graças para receber.--Maiores e mais nervosos que os ordinarios: alegria e lucro.--Pertencentes a um filho ou irmão: riqueza inesperada.--Se foi mulher que teve este sonho: augmento de fortuna, ou poder para seu marido.--Cabelludos: acquisição de novas riquezas.--Cobertos de sarna ou ulceras. V. _Ulceras._
_Branco_, estar vestido de branco. V. _Vestido._
_Burro_: pessoa inepta ou ignorante; criado fiel ou zeloso, segundo as circumstancias relativas ao sonho.--Assentado sobre o trazeiro: trabalho.--Ver correr um: desgraça proxima.--Ouvil-o zurrar: cansaço, damno.--Olhal-o no posto: tormento.--Ver-lhe as orelhas: morte d'um parente.
C
_Cabala_ no theatro: bacharelice, ditos maledicos.
_Cabanas_ nos bosques: trabalho penoso.
_Cabeça_, ver uma sem corpo: lucro.--Lavar a sua; afastamento de perigo.--Cortar a de um frango: alegria e gosto.
_Cabeça_ de javali, recebel-a: triumpho sobre um inimigo poderoso.--Offerecel-a: contrariedade, humiliaçao.
_Cabelleireiro_: perigo proximo.
_Cabellos_ mal penteados: amizade, fim de maus negocios.--Embaraçados: tédio, dôres, ultrajes, contendas.--Caídos: perda de amigos.--Não os poder desembaraçar: demandas e grandes trabalhos.--Tel-os compridos como uma mulher: molleza e engano da parte de uma pessoa do sexo.--Tel-os mais longos e negros que de costume: medrar em honras e riquezas.--Tel-os mais finos que os usuaes: afflicção e pobreza.--Vel-os encanecer: aniquilação de fortuna.--Olhar uma mulher sem cabellos: fome, pobreza, doença.--Homem sem cabellos: abundancia, riqueza, saude.--Vel-os arrancar da sua propria cabeça: disputa com os seus melhores amigos.
_Cabras_ brancas: lucro.--Pretas: infortunio.--Tel-as alguem suas: feliz mediocridade.
_Caça_: accusação de gatunice.
_Cachimbo_: guerra, ou combate singular.
_Cadaver_. V. _Morto._
_Cadeias_: melancolia.--Quebral-as: tormento.
_Cadeira_: distincção.
_Cães_: precaução, valhacouto.
_Café_, vel-o queimar: pena e tribulação.
_Caír_ na agua, se o sonhador acorda sobresaltado: ciladas de inimigos.
_Caixinhas_, tel-as ou tomal-as novas: successo e ganho.
_Cajús_: gosto, saude.--Comel-os: noticias.--Azedos: lagrimas.
_Calçada_: mau recolhimento.
_Calções_: segurança.
_Calhandra_: elevação rápida.
_Camara_. V. _Aposento._
_Camello_: riqueza.
_Caminho_, seguir um direito e facil: alegria, prosperidade, bom successo.--Escabroso e fatigante: absolutamente o contrario.
_Camisa_: prosperidade vindoura.--Tirar alguem a sua: esperança baldada;--Tel-a rôta: boa fortuna.
_Campainha_, agitar uma: dissensão caseira.
_Campanario_: fortuna, poder, elevação.--Derribado: perda de emprego.
_Campo_: V. _Trigo_, _Milho_.--Estar n'um campo: manifesta perseguição da parte de inimigos.--Ir alguem a elle divertir-se: perigo de perder seus bens.--Fazer lá bem os seus negocios: alegria, lucro, saude.--Voltar d'elle: afflicção, perda de seus haveres.
_Canal_ navegavel: grande lucro.--Vel-o alguem sêcco: perda de grande parte de seus cabedaes.
_Canario_: viagem longinqua.
_Canhão_, ouvil-o disparar: ruina proxima.--Vel-o: surpreza damnosa.
_Canivete_: inconstancia, infidelidade conjugal.
_Cantar_, ouvir cantar mulher ou rapariga: afflicção e lagrimas.--Homens: esperança.
_Cão_, brincar com um cão: damno.--Com muitos: avareza.--Branco: ventura proxima.--Negro: traição de amigos.--Damnado: receios fundados.--E gato: disputa, contrariedade.--E cadella: libertinagem. Se elle pertence ao sonhador: serviço da parte de um amigo fiel, animoso, infatigavel, um bom criado.--Se fôr alheio: inimigos devassos, infames.--Se elle rasga o fato: maledicencia da parte de um ente vil, que intenta arruinar a pessoa, cujo vestuario foi roto.--Se morde: desgostos suscitados por inimigos.--Pensar n'elle: fidelidade.--Velo dormir: socego.--Vel-o correr ou ouvil-o ladrar: bom aviso.--Quando late após alguem: calumnia de inimigo.--Luctando com outros: enredos temiveis.
_Cantor_ ou _Cantora_: gemidos.
_Canticos_, entoal-os: fraqueza, enfermidade.
_Canto_, dos passaro: amor, alegria, prazer.--Sem a pessoa os ver: contendas.
_Capão_ que canta: tristeza, aborrecimento.
_Capella._ V. _Igreja._
_Capucho_: reconciliação, esquecimento de faltas.
_Carcere_, _Fortaleza_: resistencia imprevista.
_Cardeal_: augmento na profissão que alguem exerce.
_Cardos_, cortal-os: preguiça.--Picasse n'elles: insulto ou desavença de amigos.
_Carnificina_: perda de filhos ou de fortuna.
_Carro_ elegante: elevação immerecida.--Apeiar-se alguem d'elle: perda de postos ou dignidades.
_Cartas_ ou _Dados_, jogal-as ou jogal-os: embuste, perda de haveres por calumnias perfidas.
_Cartas_, escrevel-as a amigos ou d'elles recebel-as: boas novas.
_Cartazes_, pregal-os: deshonra.--Lel-os: trabalho infructuoso.
_Carteira_: mysterio.
_Carvões_, comel-os: prejuizo.--Vel-os accesos e ardentes: precauções que alguem deve tomar contra seus inimigos, vergonha e reprehensão.--Apagados: morte ou expedição de negocios; conforme os ditos carvões estiverem mais ou menos vermelhos.
_Casa_, edificar uma: consolação.
_Casamento_, contrahil-o: tempo feliz.
_Castanhas_: V. _Nozes_;
_Castello_: bom signal.--Entrar n'elle: esperança lisongeira.--Incendiado e consumido: damno, doença ou morte do proprietario.
_Cava_, _adega_: doença proxima.--Baixar alguem a ella: molestia perigosa.--Subir-lhe a escada: alegria.
_Cavalleiro_ derribado do cavallo: perda.--Se alguem monta em seu logar: bom successo.
_Cavalleria_ numerosa: grande cuidado.