O Napoleão de Notting Hill

Part 7

Chapter 73,856 wordsPublic domain

— Boa realmente, estranho pai — disse Adam, esticando suas mãos um pouco para a frente. — É nessas noites claras e suaves que sua loja se sobressai. Pois aparecem mais perfeitas, essas luas de verde, dourado e vermelho, que guiam de longe o peregrino da dor e da doença a esta casa de feitiçaria misericordiosa.

— Posso arranjar-lhe algo? — perguntou o farmacêutico.

— Deixe-me ver — disse Wayne, de forma amigável, mas vago. — Algum sal volátil.

— Uma garrafa de oito, dez ou dezesseis pences? — disse o jovem, jovialmente.

— Dezesseis, dezesseis — respondeu Wayne, com uma submissão selvagem. — Eu vim para perguntar-lhe, Sr. Bowles, uma pergunta terrível.

Ele parou e se recompôs.

— É necessário — ele murmurou —, é necessário ser diplomático, e de acordo com o apelo de cada profissão.

— Eu vim — retomou em voz alta — para fazer uma pergunta que vai de encontro com as raízes de suas labutas milagrosas, Sr. Bowles. Deve toda essa magia cessar? — E acenou com o bastão em torno da loja.

Não encontrando nenhuma resposta, continuou com animação:

— Em Notting Hill sentimos até no amago o mistério élfico de sua profissão. E agora Notting Hill está ameaçada.

— Algo mais, senhor? — perguntou o farmacêutico.

— Oh — disse Wayne, um pouco perturbado. Oh, o que é que os farmacêuticos vendem? — Quinino, acho. Obrigado. Deseja ser destruído? Conheci esses homens de Bayswater e North Kensington, sr. Bowles, eles são materialistas. Eles não veem nenhuma bruxaria no seu trabalho, mesmo quando é feito dentro de suas próprias fronteiras. Acham que o farmacêutico é comum. Eles pensam que ele é humano.

O farmacêutico pareceu fazer uma pausa, só um momento, recebeu o insulto, e imediatamente disse:

— E o próximo artigo, por favor?

— Alúmen — disse o superintendente, descontroladamente. — Recomeçando... É apenas nesta cidade sagrada que seu sacerdócio é reverenciado. Portanto, quando luta por nós não luta apenas para si, mas por tudo o que simboliza. Luta, não só por Notting Hill, mas pela terra das fadas, pois tão certo como Buck, Barker e tais homens se fortalecem, o sentido da terra das fadas, de alguma maneira estranha, diminui.

— Algo mais, senhor? — perguntou o Sr. Bowles, com alegria ininterrupta.

— Ah, sim, jujubas, purgante, magnésia. O perigo é iminente. Em todo este assunto senti que lutei não apenas pela minha própria cidade (apesar de que devo a ela todo o meu sangue), mas por todos os lugares em que estas grandes ideias poderiam prevalecer. Estou lutando não apenas por Notting Hill, mas por Bayswater, por North Kensington. Pois, se os caçadores de ouro prevalecerem, estes também perderão todos os seus antigos sentimentos e todo o mistério de sua alma nacional. Sei que posso contar com você.

— Ah, sim, senhor — disse o farmacêutico, com grande animação —, estamos sempre contentes de ajudar um bom cliente.

Adam Wayne saiu da loja com um profundo senso de realização na alma.

— É muita sorte — disse ele —, ter tato, para ser capaz de contar com os talentos peculiares e especialidades, do cosmopolitismo da mercearia e da necromancia do velho mundo do farmacêutico. Onde estaria sem tato?

Capítulo II - O Notável sr. Turnbull

Após mais duas entrevistas com homens das lojas, no entanto, a confiança do patriota em sua própria diplomacia psicológica começou a minguar vagamente. Apesar do cuidado com que considerava a lógica peculiar e a glória peculiar de cada loja separadamente, parecia haver algo que não respondia nos homens das lojas. Se era um ressentimento obscuro contra o não-iniciado bisbilhotando sua magnificência maçônica, ele não conseguia conjecturar.

Sua conversa com o homem que mantinha a loja de curiosidades começou encorajadora. O homem que mantinha a loja de curiosidades tinha, de fato, o encantado com uma frase. Ele estava de pé tristemente à porta de sua loja, um homem enrugado com uma barba grisalha pontuda, evidentemente, um cavalheiro que tinha descido no mundo.

— E como é que vai o seu comércio, estranho guardião do passado? — disse Wayne, afavelmente.

— Bem, senhor, não muito bem — respondeu o homem, com a voz paciente de sua classe, que é uma das coisas mais comoventes do mundo. — As coisas estão terrivelmente quietas.

Os olhos de Wayne brilharam de repente.

— Um grande provérbio, digno de um homem cuja mercadoria é a história humana: Terrivelmente quieto. Estas duas palavras são o espírito desta época, como senti desde meu berço. Às vezes, perguntei-me quantas outras pessoas sentiam a opressão dessa união entre quietude e terror. Vejo bem ordenadas ruas brancas e homens de preto que se deslocam nelas inofensivos e mal-humorados. Isso continua dia após dia, dia após dia, e não acontece nada, mas para mim é como um sonho do qual poderia acordar gritando. Para mim, a retidão de nossa vida é a retidão de um cordão esticado. Seu silêncio é terrível. Pode estalar com um barulho de um trovão. E você que se senta no meio dos escombros das grandes guerras, você que se senta , por assim dizer, em cima de um campo de batalha, sabe que a guerra era menos terrível do que esta paz maligna, sabe que os rapazes ociosos que portavam espadas sob Francis ou Elizabeth, o rude fidalgo ou barão, que balançavam aquela maça nas batalhas de Picardy ou Northumberland, podem ter sido terrivelmente barulhentos, mas não eram como nós, terrivelmente quietos.

Seja por um fraco embaraço de consciência quanto à fonte original e data das referidas armas, ou simplesmente uma enraizada depressão, o guardião do passado olhou um pouco mais preocupado.

— Mas não acho — continuou Wayne — que este silêncio horrível da modernidade vai durar, embora acho que por enquanto vai aumentar. Que farsa é essa liberalidade moderno! Liberdade de expressão significa, na prática, em nossa civilização moderna, que devemos falar apenas sobre coisas sem importância. Não devemos falar sobre religião, porque é antiliberal; não devemos falar de pão e queijo, porque estamos falando de compras; não devemos falar sobre a morte, porque é deprimente; é preciso não falar sobre o nascimento, porque é indelicado. Não pode continuar. Algo deve quebrar essa indiferença estranha, este estranho egoísmo sonhador, esta solidão estranha de milhões de pessoas em uma multidão. Algo deve quebrá-lo. Por que não você e eu? Não pode fazer nada além de guardar relíquias?

O lojista mostrou uma expressão clareando gradualmente, o que teria levado os antipáticos à causa do Leão Vermelho a pensar que a última frase foi a única frase para a qual ele havia anexado qualquer significado.

— Eu sou um pouco velho para entrar em um novo negócio — disse ele — e não sei bem o que seria de qualquer forma.

— Por que não... — disse Wayne, gentilmente tendo atingido o cume de sua delicada persuasão — Por que não um coronel?

Foi neste momento, com toda a probabilidade, que a entrevista começou a produzir resultados mais decepcionantes. O homem parecia inclinado a considerar a sugestão de se tornar um coronel como fora da esfera de discussão imediata e relevante. A longa exposição da inevitável guerra da independência, juntamente com a compra de uma duvidosa espada do século XVI por um preço exagerado, pareceu reassentar os assuntos. No entanto, Wayne saiu da loja um pouco infectado com a melancolia de seu proprietário.

A melancolia foi completada no barbeiro.

— Barba, senhor? — perguntou o artista de dentro de sua loja.

— Guerra! — respondeu Wayne, em pé na soleira.

— Como? — disse o outro, bruscamente.

— Guerra! — disse Wayne, calorosamente. — Mas não para algo incompatível com a beleza e as artes civilizadas. Guerra pela beleza. Guerra pela sociedade. Guerra pela paz. Uma grande oportunidade é oferecida para repelir a calúnia que, em desafio a vida de tantos artistas, atribui poltronaria para aqueles que embelezam e pulem a superfície de nossas vidas. Por que não podem cabeleireiros ser heróis? Por que não...

— Agora, saia! — disse o barbeiro, irascível. — Não queremos alguém do seu tipo aqui. Saia!

E avançou com a contrariedade desesperada de uma pessoa suave quando enfurecida.

Adam Wayne colocou a mão por um momento sobre a espada, então a soltou.

— Notting Hill — disse ele — precisará de seus filhos mais ousados — e virou-se tristemente para a loja de brinquedos.

Era uma daquelas pequenas lojas estranhas tão constantemente vistas nas ruas de Londres, que só devem ser chamados de lojas de brinquedos só porque brinquedos predominam sobre o todo, pois o restante das mercadorias parecem consistir de quase tudo no mundo. De tabaco, livros de exercício, doces, novelas, clipes de papel, apontadores baratos, cordões de botas e fogos de artifício baratos. Também vendia jornais, e uma fileira de cartazes de aparência suja pendurada ao longo da frente.

— Estou com medo — disse Wayne, quando entrou — que não estou lidando com esses comerciantes como deveria. Será que negligenciei o pleno significado do trabalho deles? Existe algum segredo enterrado em cada uma dessas lojas que nenhum mero poeta pode descobrir?

Ele deu um passo para o balcão com uma depressão que rapidamente dominou quando abordou o homem no outro lado — um homem de baixa estatura e cabelo prematuramente branco, e a aparência de um grande bebê.

— Senhor — disse Wayne —, estou indo de casa em casa nesta nossa rua, buscando despertar algum senso do perigo que ameaça agora a nossa cidade. Em nenhum lugar senti meu dever tão difícil quanto aqui. Pois o lojista da loja de brinquedo tem tudo o que nos resta do Éden antes das primeiras guerras começar. Senta aqui meditando continuamente sobre os desejos do tempo maravilhoso em que toda escada levava para as estrelas, e todos os jardins eram caminhos para a outra extremidade da Terra do Nunca. Acha que é impensado que eu bata o velho e escuro tambor do perigo no paraíso das crianças? Mas considere um momento, não me condene às pressas. Mesmo o próprio paraíso contém o rumor ou início desse perigo. Assim como o Éden que foi feito perfeito continha a terrível árvore. Para julgar a infância, mesmo pelo seu próprio arsenal de prazeres, você mantém tijolos; sem dúvida para o testemunho do instinto construtivo mais velho do que o destrutivo. Você mantém bonecas, você torna-se o sacerdote dessa a idolatria divina. Você mantém Arcas de Noé; perpetua a memória da salvação de toda a vida como um bem precioso, uma coisa insubstituível. Mas, senhor, mantém apenas os símbolos desta sanidade pré-histórica, esta racionalidade infantil da terra? Não mantém as mais terríveis? Que são essas caixas, aparentemente de soldados de chumbo, que vejo nessa caixa de vidro? Não são testemunhas de que o terror e a beleza, que o desejo de uma morte linda, não pode ser excluídos até mesmo da imortalidade do Éden? Não despreze os soldadinhos de chumbo, Sr. Turnbull.

— Não desprezo — disse Turnbull, da loja de brinquedos, brevemente, mas com grande ênfase.

— Estou feliz em ouvir isso — respondeu Wayne. — Confesso que temi por meus planos militares a inocência terrível de sua profissão. O que, pensei comigo mesmo, será que este homem habituado apenas com espadas de madeira que dão prazer, pensará sobre as espadas de aço que dão dor? Mas estou pelo menos em parte tranquilizado. Seu tom sugere-me que tenho pelo menos a entrada de um portão da terra das fadas — o portão através do qual os soldados entram, isso não se pode negar — devo, senhor, não mais negar, que é de soldados que vim falar. Permita que o seu emprego suave o faça misericordioso para com os problemas do mundo. Permita que a sua própria experiência prateada diminua as nossas tristezas sanguíneas. Pois há guerra em Notting Hill.

O mantenedor da loja de brinquedo pulou de repente, batendo as mãos gordas sobre o balcão.

— Guerra? — ele gritou. —Verdade, senhor? É verdade? Oh, que piada! Oh, que vista para os olhos cansados!

Wayne foi surpreso por essa explosão.

— Estou muito contente — gaguejou. — Não tinha noção.

Ele se pôs para fora do caminho a tempo de evitar Turnbull, que deu um salto sobre o balcão e correu para a frente da loja.

— Olhe aqui, senhor — disse ele —, olhe aqui.

Voltou com dois dos cartazes rasgados que estavam do lado de fora de sua loja na mão.

— Olhe para eles, senhor — disse ele, e atirou-os no balcão.

Wayne inclinou-se sobre eles, e leu sobre um

"O ÚLTIMO COMBATE. SUBMISSÃO DA CIDADE DERVIXE CENTRAL. NOTÁVEL, ETC."

No outro lado, leu:

"ÚLTIMA PEQUENA REPÚBLICA ANEXADA. CAPITAL NICARAGÜENSE SE RENDE APÓS A LUTA DE UM MÊS. GRANDE MATANÇA".

Wayne inclinou-se sobre eles novamente, evidentemente confuso, então olhou para as datas. Eles eram ambos de agosto, 15 anos antes.

— Por que mantém essas coisas antigas? — disse ele assustado, inteiramente fora de seu absurdo tato de misticismo. — Por que as pendura do lado de fora de sua loja?

— Porque — disse o outro, simplesmente — são registros da última guerra. Você mencionou guerra agora. Acontece ser o meu hobby.

Wayne ergueu os grandes olhos azuis com uma admiração infantil.

— Venha comigo — disse Turnbull, bruscamente, e levou-o para uma sala na parte de trás da loja. No centro da sala havia uma grande mesa. Nela foram estabelecidas linhas e linhas de soldadinhos de chumbo e estanho que faziam parte do estoque do lojista. O visitante não teria reparado nisso se não houvesse um certo agrupamento estranho deles, que não parecia nem inteiramente comercial ou totalmente casual.

— Você está familiarizado, sem dúvida — disse Turnbull, virando os olhos grandes em cima de Wayne —, com a disposição das tropas americanas e da Nicarágua na última batalha — e acenou com a mão para a mesa.

— Receio que não — disse Wayne. — Eu...

— Ah! Estava ocupado demais na época, talvez, com o caso Dervixe. Vai encontrá-lo neste canto — apontou para uma parte do chão onde havia um outro arranjo de soldados de criança agrupados aqui e ali.

— Parece — disse Wayne — estar interessado em assuntos militares.

— Não estou interessado em nada mais — respondeu o mantenedor da loja de brinquedos, simplesmente.

Wayne pareceu convulsionado com uma singular, suprimida emoção:

— Nesse caso, posso me aproximar com um grau incomum de confiança. Sobre a questão da defesa de Notting Hill, eu...

— Defesa de Notting Hill? Sim, senhor. Aqui, senhor — disse Turnbull, com grande perturbação. — Basta entrar neste quarto ao lado — e levou Wayne a outro quarto, onde a mesa estava totalmente coberta com um arranjo de tijolos de crianças. Um segundo olhar mostrou a Wayne que os tijolos foram dispostos na forma de um plano preciso e perfeito de Notting Hill. — Senhor — disse Turnbull, impressionantemente —, por um tipo de acidente, descobriu o segredo da minha vida. Como um menino, cresci entre as últimas guerras do mundo, quando a Nicarágua foi tomada e os dervixes exterminados. E a adotei como um hobby, senhor, como pode adotar a astronomia ou a taxidermia. Não tinha má vontade contra qualquer um, mas estava interessado na guerra como uma ciência, como um jogo. E de repente estava excluído. As grandes potências do mundo, depois de ter engolido todos as pequenas, chegaram a esse acordo confuso, e não houve mais guerra. Não havia nada mais para fazer, exceto o que faço agora, ler sobre as antigas campanhas em velhos jornais sujos, e recriá-las com soldadinhos de chumbo. Uma outra coisa me ocorreu. Pensei que seria uma fantasia divertida fazer um plano de como nosso distrito poderia ser defendido se fosse atacado. Isto parece interessá-lo também.

— Se fosse atacado — repetiu Wayne, admirado com uma enunciação quase mecânica. — Turnbull, ele será atacado. Graças a Deus, estou trazendo a pelo menos um ser humano, a notícia que é no fundo a única boa notícia para qualquer filho de Adão. Sua vida não tem sido inútil. Seu trabalho não tem sido um jogo. Agora, quando o cabelo já está grisalho, Turnbull, você terá a sua juventude. Deus não a destruiu, ele apenas a adiou. Vamos nos sentar aqui, e você deve explicar-me este mapa militar de Notting Hill. Pois eu e você temos que defender Notting Hill juntos.

Turnbull olhou para o outro por um momento, hesitou, e depois sentou-se ao lado dos tijolos e do desconhecido. Não levantou por sete horas, quando amanheceu.

A sede do superintendente Adam Wayne e seu comandante-em-chefe consistia de uma pequena leiteria sem muito sucesso na esquina de Pump Street. A manhã branca havia apenas começado a romper sobre os edifícios brancos de Londres quando Wayne e Turnbull estavam sentados na suja e sombria loja. Wayne tinha algo feminino em seu caráter, pertencia a essa categoria de pessoas que esquecem suas refeições quando estão fazendo algo interessante. Não tinha comido nada por 16 horas, exceto copos apressados ​​de leite, e, com um copo vazio ao lado dele, estava escrevendo, desenhando, pontilhando e cruzando com inconcebível rapidez um lápis em um pedaço de papel. Turnbull era do tipo mais masculino, no sentido que a responsabilidade aumentava seu apetite, e com o seu mapa esboçado ao lado dele estava lidando vigorosamente com uma pilha de sanduíches de um pacote de papel, e uma caneca de cerveja da taberna do lado oposto, cuja persianas tinham acabado de serem fechadas. Nenhum deles falou, e não havia nenhum som no silêncio vivo, exceto o riscar do lápis de Wayne e o guinchar de um gato sem rumo. Finalmente Wayne quebrou o silêncio, dizendo:

— Dezessete libras, oito xelins e nove pences.

Turnbull assentiu e levou a caneca à cabeça.

— Isso — disse Wayne — não conta as cinco libras de ontem. O que fez com elas?

— Ah, isso é muito interessante! — respondeu Turnbull, com a boca cheia. — Usei essas cinco libras num ato gentil e filantrópico.

Wayne estava olhando com mistificação em seus olhos estranhos e inocentes.

— Usei estas cinco libras — continuou o outro — para dar a para não menos do que quarenta menininhos passeios em táxis londrinos.

— Está louco? — perguntou o superintendente

— É apenas o meu leve toque — respondeu Turnbull. — Esses passeios de táxi vão elevar o tom (elevar o tom, meu querido companheiro) dos nossos jovens de Londres, ampliar seus horizontes, preparar seus sistemas nervosos, torná-los familiarizados com os vários monumentos públicos de nossa grande cidade. Educação, Wayne, educação. Quantos excelentes pensadores apontam que a reforma política é inútil até que tenhamos uma população culta. Assim daqui a vinte anos, quando esses meninos estiverem crescidos...

— Louco! — disse Wayne soltando o lápis. — E com menos cinco libras!

— Está errado — explicou Turnbull. — Criaturas graves como você nunca entendem o quão mais rápido o trabalho realmente se passa com a ajuda de boas refeições e o absurdo. Despojada de belezas decorativas, a minha declaração era estritamente precisa. Ontem à noite dei 40 meias-coroas a 40 meninos, e os enviei por toda a Londres para tomar cabriolés. Disse-lhes, a cada um para dizer ao taxista para levá-los a este lugar. Em meia hora a partir de agora a declaração de guerra será afixada. Ao mesmo tempo que os táxis vão começaram a entrar, você vai ordenar a guarda, os meninos vão chegar em bloco, vamos mandar os cavalos para a cavalaria, usar os táxis de barricada, e dar aos homens a escolha entre servir em nossas fileiras e a detenção em nossas cavas e adegas. Os meninos podemos usar como batedores. O principal é que vamos começar a guerra com uma vantagem desconhecida aos outros exércitos: cavalos. E agora — disse terminando sua cerveja — vou inspecionar as tropas.

E ele saiu da leiteria, deixando o superintendente olhando.

Um ou dois minutos depois, o superintendente riu. Ele só riu uma ou duas vezes em sua vida, e o fez de uma forma estranha, como se fosse uma arte que não tinha dominado. Mesmo ele viu algo engraçado no golpe absurdo das meias-coroas e os pequenos meninos. Ele não viu o absurdo monstruoso de toda a política e toda a guerra. Ele apreciou isso a sério como uma cruzada, isto é, bem mais do que qualquer piada pode ser apreciada. Turnbull gostou em parte como uma piada, mais ainda, talvez, como uma reversão das coisas que ele odiava — a modernidade, a monotonia e a civilização. Para quebrar o vasto maquinário da vida moderna e usar os fragmentos como máquinas de guerra, usar ônibus como barricadas e chaminés como pontos de observação, era para ele um jogo que valia risco e problemas infinitos. Ele teve aquela preferência racional e deliberada que será sempre problemas para a paz do mundo, a preferência racional e deliberada por uma vida curta e alegre.

O Experimento do Sr. Buck

Um pedido sincero e eloquente foi enviado para o rei assinado com os nomes de Wilson, Barker, Buck, Swindon e outros. O pedido era que na próxima conferência a ser realizada na presença de Sua Majestade sobre a disposição final das propriedades em Pump Street, com todo o decoro político e com o respeito indizível que mantinham por sua Majestade, que eles pudessem vir vestidos normalmente, sem o traje designado para eles como superintendentes. Assim aconteceu que a companhia apareceu no conselho em casacos e que o próprio rei limitou seu amor a cerimônia ao aparecer (depois de sua forma usual), de vestido de noite com uma insígnia de uma ordem — neste caso não da Ordem da Jarreteira^1 <#note6> , mas o botão do Clube de melhores amigos do velho Clipper, uma decoração obtida (com dificuldade) a partir de uma publicação infantil de meio penny. Assim também aconteceu que o único toque de cor na sala era Adam Wayne, que entrou com grande dignidade usando grandes vestes vermelhas e uma grande espada.

— Nós nos encontramos — disse Auberon — para decidir o mais árduo dos problemas modernos. Que possamos ser bem sucedidos — e sentou-se gravemente.

Buck virou a cadeira levemente, e cruzou as pernas.

— Sua Majestade — disse ele, muito bem-humorado — só há uma coisa que eu não consigo entender: por que este assunto não pode ser resolvido rapidamente? Aqui está uma pequena propriedade que vale mil para nós e não vale cem para qualquer outra pessoa. Nós oferecemos mil. Não é um bom negócio, pois deveríamos conseguir por menos, não é razoável e não é justo para nós, mas não vejo qual é a dificuldade.

— A dificuldade pode ser explicada facilmente — disse Wayne. — Podem oferecer um milhão e ainda não terão Pump Street.

— Mas escute, Sr. Wayne — gritou Barker, golpeando com fria emoção. — Escute bem. Não tem o direito de assumir uma posição como essa. Pode barganhar por um preço maior, mas não está fazendo isso. Está recusando o que você, e qualquer homem são, sabe ser uma oferta esplêndida simplesmente por malícia ou rancor - deve ser malícia ou rancor. E isso é realmente criminoso, é contra o interesse público. O Governo do Rei poderia justificadamente forçá-lo.

Com os dedos magros espalhados sobre a mesa, olhava ansiosamente para o rosto de Wayne, que não se mexeu.

— Poderia forçá-lo… — repetiu.

— E o fará — disse Buck, breve, voltando-se para a mesa. — Fizemos o melhor para ser decentes.

Wayne levantou os grandes olhos lentamente:

— Foi o Lorde Buck, quem disse que o rei da Inglaterra ‘fará’ algo?

Buck corou e disse, irritado:

— Quero dizer que deveria. Como disse, fizemos o nosso melhor para ser generosos. Desafio qualquer um a negar. Sr. Wayne, não quero ser grosseiro, mas permita-me dizer que você deveria estar na prisão. É criminoso parar obras públicas por um capricho. Senão, com o mesmo direito que você almeja, um homem poderia também queimar dez mil cebolas em seu jardim da frente ou fazer suas crianças correr nuas na rua. Pessoas foram obrigadas a vender antes. O rei pode obrigá-lo, e espero que o faça.

— Até que o faça — disse Wayne, calmamente —, o poder e o governo desta grande nação está do meu lado e não do seu, e desafio você a desafiá-los.

—Em que sentido — gritou Barker, com os olhos e as mãos febris —, o Governo está do seu lado?