O Infante D. Henrique e a arte de navegar dos portuguezes

Chapter 3

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D'estes embarcavam ordinariamente n'uma nau de carreira um piloto, um sota-piloto, por vezes um piloto de sobresalente. Nas armadas havia quasi sempre um piloto-mór, que embarcava na capitania. E, alem de todos esses, havia frequentes vezes em cada navio um ou mais marinheiros que _carteavam_, provavelmente homens que se preparavam para passar a pilotos, _praticantes_, como hoje se diria; assim na nau _Grypho_, que D. João de Castro commandava quando foi pela primeira vez á India, havia, incluindo o capitão, nove pessoas capazes de tomar alturas.

Ora é facil de imaginar que nos navios, cujos chefes não soubessem de navegação, se daria toda a importancia aos pilotos; estes, porém, creados pela maior parte desde pagens na vida do mar (e era assim que Diogo do Couto os reputava melhores), se tinham por isso toda a pratica proveniente de tão continuadas viagens, eram quasi sempre baldos de fundamentos scientificos, ainda mesmo dos tão simples da sua epocha. Com as _regras do sol_ e as menções dos _Roteiros_ ou das _apostilhas_ que passavam de mão em mão, iam e vinham elles da India, contando por nova palma de triumpho cada viagem que faziam. É claro, pois, que a sua sciencia era em geral muito limitada, e por isso pouco fundada a jactancia com que se ufanavam, e que Pedro Nunes, D. João de Castro e outros tanto censuram nos seus escriptos. Essa jactancia dava por vezes origem a desagradaveis contendas entre elles e os capitães, e tanto que, para as evitar, no reinado de D. Sebastião se estabeleceu a multa de trezentos cruzados ao capitão que injuriasse piloto. E a este respeito conta Diogo do Couto a anedocta de um capitão de nau, Pereira Pestana, o qual, trazendo um dos taes pilotos fanfarrões e teimosos, já farto de o aturar, um dia atou uma bolsa com os trezentos cruzados a uma meia lança, e depois o foi convidando com a arma assim enfeitada[19].

Mas apesar de tudo, apesar dos erros e teimosias de alguns pilotos terem sido a causa provada do lastimosos naufragios, não devemos esquecer quantos serviços se devem a esses homens que em tão dilatadas navegações não tinham para determinar o ponto os elementos de que hoje se dispõe. Registemos, pois, os nomes de Pedro d'Alemquer, Alvaro Martins e João do Santiago, pilotos da expedição de Bartholomeu Dias; os de João de Coimbra e Pedro de Escobar, que com o mesmo Pedro d'Alemquer foram com Vasco da Gama á India na primeira viagem, e que aliás não mostraram muita coragem, se é verdadeira a narrativa de Gaspar Corrêa; o de Pedro Vaz de Caminha que foi na viagem de Cabral; e sobretudo o do famoso Vicente Rodrigues, piloto-mór da India, que fez um Roteiro e se applicou muito ao problema da variação da agulha, e ainda o de Gaspar Reimão, que tambem fez um Roteiro.

Nem sempre, porém, os commandantes estavam n'aquellas circumstancias que acima indiquei. Frequentes vezes individuos que a bordo desempenhavam cargos mais elevados que o de mestre ou piloto, tinham conhecimentos completos de marinharia. Então, se uma nau ou uma armada acertava de ter por commandante um d'esses homens, o papel do piloto tornava-se secundario, e era o capitão que fazia a navegação. Homens taes, reunindo ao poder militar e politico, exercido com saber superior, o conhecimento da manobra e da nautica, eram verdadeiramente o que hoje se entende pela denominação de--officiaes de marinha--. Assim o foram Vasco da Gama, Duarte Pacheco, Fernão de Magalhães, D. João de Castro, Martim Affonso de Sousa, Antonio Galvão, Diogo Botelho Pereira, Diogo do Sá, D. Manuel de Menezes e tantos outros.

De D. João de Castro principalmente pouco é tudo quanto em seu louvor se diga. Militar destemido, chefe generoso, administrador honradissimo, erudito de primeira plana, foi sobretudo um verdadeiro homem do mar! Tinha a sciencia e a consciencia, a perspicacia na observação, a pericia na manobra, aquelle sexto sentido tão celebrado como a mais superior qualidade do marinheiro. Os seus tres _Roteiros_ são tres maravilhas do engenho humano; quanto mais se estudam, mais se encontram n'elles motivos para admiração, tanta é a luz que irradia d'aquellas paginas, onde não ha segredo do mar, portento da terra ou meteoro do céu, que não seja descripto e para o qual se não procure cabal explicação. Se o Infante D. Henrique é o nome prestigioso que preside a todos estes trabalhos, se o dr. Pedro Nunes é o theorico eminente, mestre dilecto e respeitoso que nos _Roteiros_ a cada momento se relembra, o nome de D. João de Castro, do infatigavel capitão da nau _Grypho_ e do galeão _Coulão Novo_, é decerto o do portuguez do seculo XVI que mais nobremente praticou a arte de navegar.

* * * * *

E já que mais de uma vez tenho fallado em _Roteiros_, convem dizer uma distincção que deve ser feita no emprego d'esta palavra nos seculos anteriores.

Ao principio o roteiro era o trabalho do navegador escripto dia a dia, mencionando a _rota_, isto é, o caminho andado, e no qual se consignava não só a parte nautica da viagem com o resumo das observações astronomicas e dos calculos, as sondas e as outras indicações proprias da navegação, como ainda e muito principalmente as peripecias da expedição, os desembarques, a descripção das terras visitadas e dos costumes dos seus habitantes, por vezes o debuxo da sua apparencia em planta ou em perspectiva, e a narrativa dos combates ou dos negocios realisados, n'uma palavra as _novidades_. Estes roteiros eram, pois, propriamente a _derrota_ ou antes o _relatorio_ da viagem, segundo a nomenclatura actual; e assim eram os famosos _Roteiros_ de D. João de Castro e tantos outros que se têem publicado, alem de muitos que provavelmente se perderam ou que se acham ineditos[20].

Só mais tarde é que se começou a escrever _Roteiros_ na outra accepção do termo, unica que elle hoje tem. Esses então consistiam nas indicações para se navegar em demanda de determinadas paragens, marcando as melhores epochas, os accidentes physicos que em cada uma d'ellas se encontravam, as precauções a tomar, o modo de buscar a terra, as conhecenças d'ella; d'esta especie de roteiros, evidentemente derivada da primeira, alguns haveria ao principio manuscriptos que servissem para uso dos pilotos; depois imprimiram-se e passaram a ter mais frequente emprego. Creio que o primeiro Roteiro impresso foi um de Manuel do Figueiredo, publicado em 1609.

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N'esta desalinhavada serie de apontamentos ácerca da arte de navegar dos Portuguezes teria de certo logar opportuno a indicação do ensino official da pilotagem. Só este ponto fornecia materia para interessantes observações; mas o tempo vae passando, tem-se já voltado alguns _relogios_, como se dizia no seculo XVI, e por isso apenas fallarei muito a correr na instituição do _cosmographo-mór_.

Vimos que Pedro Nunes, sendo já cosmographo de D. João III, foi em 1547 _accrescentado_ no officio de cosmographo-mór. Desde então até ao fim do seculo passado houve sempre em Portugal um technico encarregado de desempenhar esse logar. A elle pertencia a superintendencia em tudo o que dissesse respeito á navegação, e mais tarde a regencia da aula de nautica, bem como o exame dos pilotos e a concessão dos respectivos diplomas. Era esta ultima parte das suas attribuições a que lhe dava maiores proventos, derivados das respectivas propinas; mas alem d'isso o cosmographo-mór tinha ordenado certo, que para o dr. Pedro Nunes foi fixado em 50$000 réis annuaes, e que no meiado do seculo XVIII era de 400$000 réis. Para apreciar o valor d'estas quantias devemos lembrar-nos que no fim d'sse mesmo seculo (1790) o soldo de um capitão de mar e guerra era de 30$000 réis mensaes em terra e réis 45$000 embarcado.

Depois de Pedro Nunes exerceram successivamente o cargo de cosmographo-mór: Thomaz da Orta, de 1582 a 1596; João Baptista Lavanha, de 1596 a 1608, escreveu o _Regimento nautico_; Manuel de Figueiredo, já citado, de 1608 a 1623; Valentim de Sá, nomeado em 1623 e que escreveu o _Regimento de navegar_; Luiz Teixeira que navegou muito; o distincto general de mar D. Manuel de Menezes, que alguns dizem ter succedido a Figueiredo; Antonio de Mariz Carneiro, de 1631 a 1647; este escreveu o _Regimento de Pilotos_ e o _Roteiro da India Oriental_, e foi cognominado _O Agulha fixa_, pelo muito que trabalhou na determinação da variação da agulha, como já disse.

A Antonio de Mariz segue-se a dynastia dos Pimenteis, nome bem conhecido de todos nós. O primeiro foi Luiz Serrão Pimentel, que exerceu o cargo de cosmographo-mór desde 1647 até 1687, e escreveu _Roteiros_ e a _Arte pratica de navegar_, publicada por seu filho. Este foi Manuel Pimentel que teve o officio desde 1687 até 1723, publicando em 1712 a sua _Arte de navegar_, na qual já se ensina a carteação das milhas pelas tábuas dos senos, tangentes e secantes, ou resolvida graphicamente pelo emprego do quadrante ou _quarto de reducção_. Succedeu-lhe em 1723 seu filho Luiz Francisco Pimentel; e finalmente foi o quarto Pimentel, e ultimo cosmographo-mór, Francisco Serrão Pimentel da Silva Paes, que veiu a morrer em 1832.

O que fosse a aula do cosmographo-mór nos ultimos tempos póde avaliar-se por esta citação de Stockler: «Toda a sciencia que na aula se ensinava, se reduzia ao conhecimento da esphera e dos diversos meios graphicos e trigonometricos de determinar no mar a situação do navio pela derrota estimada, isto é, pela medida da velocidade avaliada pela barquinha, pelo angulo de rumo determinado pela agulha de marear, e pela mais grosseira e arbitraria estima do abatimento. Esta imperfeitissima derrota apenas se ensinava a corrigir pela latitude derivada da observação da altura meridiana do sol... A variação da agulha magnetica apenas se ensinava a determinar pela observação da amplitude ortiva ou occidua do sol, reputando-se por sublimidade, a que nem todos podiam chegar, o determinal-a pela observação do angulo azimuthal; segredo que só se communicava a algum discipulo de grande esperança[21].»

Mas surgiu n'essa epocha o vulto eminente de Martinho de Mello, o edificador da nossa marinha moderna, o fundador d'esse conjunto magnifico de instituições que, quanto mais se estudam, mais se admiram. Por isso Martinho de Mello em 1779, «determinando dar ao ensino da arte de navegação uma nova fórma differente d'aquella que até agora se acha estabecida,» _alliviou_ Serrão Pimentel do exercicio de cosmographo-mór, conservando-lhe, porém, os vencimentos, e nomeou o professor Miguel António Ciera para _lente da aula de pilotos_.

Estamos n'uma era nova, em epocha quasi contemporanea. No mesmo anno de 1779 é instituida a Academia Real de Marinha, a antecessora da Escola Polytechnica; em 1796 organisa-se a Academia Real dos Guardas-Marinhas, transformada depois na nossa Escola Naval; em 1798 funda-se o Real Observatorio de Marinha. A instrucção naval entra então em moldes modernos: a _arte de navegar_ passa a ser verdadeiramente uma sciencia; os nossos officiaes collocam-se a par dos mais distinctos das nações estrangeiras; é o apogeu da _marinha de guerra_ portugueza no sentido actual da expressão[22].

* * * * *

_Tocaram oito ampulhetas_, é chegado o momento, sempre ditoso, de entregar o quarto.... e já ora tempo, senhores, de cessar de abusar da vossa attenção. Vou, pois, terminar.

Em alguns escriptores, quiçá com mais curiosidade indiscreta do que com verdadeira critica proveitosa, se encontra posto o problema do que teria sido, se taes e taes factos historicos se não tivessem dado, ou houvessem succedido por modo differente. Poderiamos nós tambem perguntar: O que seria de Portugal, se o Infante D. Henrique não se tivesse dedicado ao problema dos descobrimentos? O que seria da Europa se, meiado o seculo XV, um principe do pequeno reino portuguez não pensasse em alargar para o occidente e para o sul os ambitos da sua nação?

A taes perguntas cada qual poderá responder a seu talante. Ninguem de certo ousará affirmar que ainda hoje estivessemos limitados ao mundo conhecido dos antigos. Mas por quanto tempo se demorariam ainda os descobrimentos? Não viria a realisar-se o que, segundo vemos nos _Commentarios de Affonso de Albuquerque_, por pouco esteve para succeder, que, em vez de serem europeus que demandassem as plagas orientaes, fossem homens da India que viessem ao longo da costa africana a descobrir-nos?[23]

E se Portugal se não lançasse no caminho do desconhecido e não conquistasse assim para si gloria e poder tão grandes que lhe deram jus a uma vida independente, não estaria elle já de ha muito absorvido na unidade peninsular, tantas vezes tentada e sempre repellida?

Gloria, pois, ao inclito D. Henrique, ao prestigioso Infante, que abriu aos nossos antecessores o caminho dos mares, e nos permittiu a nós, Portuguezes e marinheiros de hoje, vivermos livres á sombra da bandeira das quinas, symbolo amado da nossa tão querida patria.

_Entreguei_.

BIBLIOGRAPHIA

LISTA DOS PRINCIPAES TRABALHOS IMPRESSOS, RELATIVOS Á «ARTE DE NAVEGAR DOS PORTUGUEZES» DESDE OS PRIMEIROS TEMPOS ATÉ Á EXTINCÇÃO DA «AULA DO COSMOGRAPHO-MÓR» EM 1779

TRATADISTAS

*Duarte Pacheco Pereira*, _Esmeraldo de situ orbis_. Começa por noções geraes de cosmographia, esphera e navegação, e segue a descripção geographica e roteiro dos descobrimentos. Escripto em 1505? Publicado em 1892, Lisboa.

*Gaspar Nicolas*? _Tratado da Spera do m[~u]do tirada de latim em lingoagem portugues com h[~u]a carta... Seguese ho regimento da declinaçom do sol... com ho regimento da estrella do norte_. (A carta é traduzida por Alvaro da Torre.) Lisboa, impresso por Germão Galhard, 1519?

*Pedro Nunes*, _Tratado da Sphera_, etc. (Veja-se nota 1, pag. 23). Lisboa, 1536.

----, _De arte atque ratione navigandi, libri duo_. 1.^a edição, Coimbra, 1546; 2.^a edição, Coimbra, 1573; outra edição com o titulo de _Opera quae complectuntur_, etc. Basilea, 1566. Houve mais edições.

A 1.^a edição mencionada, de Coimbra, é apontada por Barbosa, Ribeiro dos Santos, Innocencio e outros; não consegui, porém, ver um exemplar d'ella, ao passo que são frequentes os da 2.^a edição, 1573, em cujo prologo o editor (Antonio de Mariz) censura os erros das anteriores edições d'esta obra de Pedro Nunes, sem comtudo as designar explicitamente. Parece, pois, que aquelles bibliographos fizeram alguma confusão.

*Diogo de Sá*, _De navigatione_. París, 1549.

*João Baptista Lavanha*, _Regimento nautico_. 1.^a edição, Lisboa, 1595.

*Simão de Oliveira*, _Arte de navegar_. Lisboa. 1606.

*Manuel de Figueiredo*, _Chronographia_, etc. (Veja-se adiante.)

----, _Hydrographia, exame de pilotos, no qual se contem as regras que todo o piloto deve guardar nas suas navegações_, etc. Lisboa, 1642. Traz tambem um roteiro, adiante mencionado.

*Valentim de Sá*, _Regimento de navegação_, etc. Lisboa, 1624.

*Antonio de Najera*, _Navegacion especulativa e pratica_, etc. Lisboa, 1628.--Incluo este tratadista entre os auctores portuguezes, porque elle se declara terminantemente _lusitano, natural de Lisboa_ (e isto no tempo da dominação dos Filippes), diz que saíu da _sua patria_ para percorrer a Hespanha, e desculpa-se de escrever o seu livro em castelhano, por ser esta lingua conhecida em toda a monarchia. A obra de Najera é a mais completa e clara das publicadas até ao seu tempo; cita frequentes vezes Pedro Nunes e as praticas dos Portuguezes; e sempre que vem a proposito, mostra os erros de Rodrigo Samorano e Garcia de Cespedes, os dois tratadistas de navegação ao tempo mais conceituados em Hespanha.

*Antonio de Mariz Carneiro*, _Arte pratica de navegar e roteiro das navegações das Indias orientaes_. Lisboa, 1642. Teve mais edições.

*Luiz Serrão Pimentel*, _Arte pratica de navegar e regimento de pilotos_, etc. Lisboa, 1681. É obra posthuma, publicada por seu filho Manuel Pimentel.

*Antonio Carvalho da Costa*, _Via astronomica_. 1.^a parte, Lisboa, 1676; 2.^a parte, Lisboa, 1677. N'esta se contém: 1.^o tratado: _Da navegação_.

----, _Compendio geographico... construcção de mappas e fabrica das cartas hydrographicas_, etc. Lisboa, 1686.

*Manuel Pimentel*, _Arte pratica de navegar e roteiro das viagens_, etc. Lisboa, 1699. É 2.^a edição da obra de seu pae, Luiz Serrão Pimentel.

----, _Arte de navegar em que se ensinam as regras praticas e o modo de cartear pela carta plana e reduzida_, etc. Lisboa, 1712.

ALMANACHS, REPORTORIOS, ETC.

*Abraham Zacuto*, _Almanach perpetuus celestius motûs astronomi Zacuti, cujus radix est 1473_. Leiria, 1496. É a traducção do hebraico em latim, feita por José Visinho, e impressa por mestre Ortas. Conhecem-se tres exemplares: um na Bibliotheca Nacional de Lisboa, outro na bibliotheca de Evora, e o terceiro na Colombiana de Sevilha.

*Valentim Fernandes*, _Reportorio dos t[~e]pos em lingoag[~e] portugues... e a declinaçom do sol com seu regimento_, etc. 1.^a edição, 1521? Teve mais edições.

*André de Avellar*, _Reportorio dos tempos, o mais copioso que até agora saíu á luz, conforme a nova reformação do Santo Padre Gregorio XIII_, Lisboa, 1585. Teve, pelo menos, mais quatro edições: Lisboa, 1590; Coimbra, 1590; Lisboa, 1594 com o titulo de _Chronographia ou Reportorio dos tempos_, etc.; Lisboa, 1602, com o mesmo titulo.

*Manuel de Figueiredo*, _Chronographia, reportorio dos tempos, no qual se contem seis partes_, etc. Lisboa, 1603.

*Boaventura Soares*, _Lunario de um siglo_. Lisboa, 1748.

ROTEIROS

*Alvaro Velho*? _Roteiro da viagem de Vasco da Gama em 1497_. Publicado pela primeira vez por Diogo Kopke e Antonio da Costa Paiva, Porto, 1838; 2.^a edição, por Alexandre Herculano e o barão do Castello Paiva (o mesmo Paiva da 1.^a), Lisboa, 1861.

_Livro de Duarte Barbosa, escrito em 1516_; _Navegação ás Indias Orientaes, por Thomé Lopes_; _Navegação do capitão Pedro Alvares Cabral_; _Navegação de Lisboa á ilha de S. Thomé, por um piloto portuguez_. No tomo II da _Collecção de noticias para a historia e geographia das nações ultramarinas que vivem nos dominios portuguezes_. Lisboa, Ac. R. Sc. 1812.

_Carta de Pedro Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel_; _Roteiro da viagem de Fernão de Magalhães_. Ibid., tomo IV, Lisboa, 1826.

*Pedro Lopes de Sousa*, _Diario de navegação de Martim Affonso de Sousa_, publicado pela primeira vez por Francisco Adolpho de Varnhagen, Lisboa, 1839.

*D. João de Castro*, _Roteiro de Lisboa a Goa_, viagem realisada em 1538. Publicado em Lisboa, 1882, por Andrade Corvo, com numerosas annotações e um appendice sobre as _Linhas isogonicas no seculo XVI_.

----, _Roteiro de Goa a Diu_, viagem realisada em 1538-1539. Publicado no Porto, 1843, por Diogo Kopke.

*D. João de Castro*, _Roteiro da viagem... em 1541, partindo... de Goa até Suez_, etc. Publicado pelo dr. Antonio Nunes de Carvalho, París, 1833.

*Manuel de Figueiredo*, _Roteiro e navegação das Indias Occidentaes, ilhas Antilhas e mar Oceano occidental_, etc. Lisboa, 1609.

*Gaspar Ferreira Reimão*, _Roteiro da navegação e carreira da India tirado de... Vicente Rodrigues e Affonso Dioguo_. Lisboa, 1612.

*Antonio de Mariz Carneiro*, _Roteiro_, etc, acima indicado.

*Luiz Serrão Pimentel*, _Roteiro do mar Mediterraneo_, etc. Lisboa, 1675.

----, _Roteiros das navegações das conquistas de Portugal e Castella_, na _Arte pratica de navegar_, acima indicada.

*Manuel de Mesquita Perestrello*, _Roteiro dos portos, alturas, etc, desde o Cabo da Boa Esperança até ao das Correntes_. Saíu na obra de Serrão Pimentel, acima indicada.

Nos _Annaes maritimos e coloniaes_, Lisboa, 1840-1846, vem alguns roteiros e indicações de navegações.

Na Collecção intitulada _Alguns documentos do Archivo Nacional da Torre do Tombo ácerca das navegações e conquistas portuguezas_, Lisboa, 1892, inserem-se diversas cartas, relações de viagens e outros escriptos importantes para a historia da arte de navegar portugueza.

TRABALHOS HISTORICOS E CRITICOS

*Antonio Ribeiro dos Santos*, _Memoria da vida e escriptos de D. Francisco de Mello_. Memorias de litteratura portugueza da Academia Real das Sciencias, Lisboa, tomo VII, 1806.

----, _Memoria da vida e escriptos de Pedro Nunes_. Ibid., ibid.

----, _Memorias historicas sobre alguns mathematicos portuguezes e estrangeiros domiciliarios em Portugal ou nas conquistas_. Ibid., tomo VIII, 1812.

----, _Da antiguidade da observação dos astros_. Historia e memorias da Academia Real das Sciencias. Lisboa, 1817, tomo V, parte I.

*Sebastião Francisco Mendo Trigoso*, _Memoria sobre Martim de Bohemia_. Memorias de litteratura da Academia, tomo VIII.

*Francisco de Borja Garção Stockler*, _Ensaio historico sobre a origem e progressos das mathematicas em Portugal_. París, 1819.

*Ignacio da Costa Quintella*, _Annaes da marinha portugueza_. Lisboa, 1839 e 1840.

*Visconde de Santarem*, _Memoria sobre a prioridade dos descobrimentos dos Portuguezes_, etc. París, 1841. Foi depois traduzida em francez e ampliada com o titulo de _Recherches_, etc. París, 1841.

----, _Essai sur l'histoire de la cosmographie et de la cartographie_, com o magnifico atlas. París, 1849-1852.

*José Silvestre Ribeiro*, _Historia dos estabelecimentos scientificos... de Portugal_. Lisboa, 1872, volume II e outros.

*Marquez de Sousa Holstein*, _A escola de Sagres e as tradições do Infante D. Henrique_. Lisboa, 1877.

*Luciano Cordeiro*, _De como navegavam os Portuguezes no começo do seculo XVI_. _No Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa_, 4.^a serie, 1883.

*Sousa Viterbo*, _Trabalhos nauticos dos Portuguezes nos seculos XVI e XVII_. Ibid., 9.^a serie, 1890.

----, _Trabalhos nauticos_, etc. 2.^a serie. No numero do _Instituto_, de Coimbra, dedicado á commemoração do Centenario, 1894.

*Latino Coelho*, _Vasco da Gama_. Lisboa, 1882.

*Manuel Pinheiro Chagas*, _Os descobrimentos portuguezes e os de Colombo_. Lisboa, 1892.

*Antonio Arthur Baldaque da Silva*, _O descobrimento do Brazil por Pedro Alvares Cabral_, nas _Memorias da commissão portugueza para o centenario do descobrimento da America_. Lisboa, 1892.

*Vicente M. M. C. Almeida d'Eça*, _Nota sobre os estabelecimentos de instrucção naval em Portugal_, etc. Lisboa, 1892.

Notas:

[1] Em trabalhos, publicados já depois da celebração do Centenario, volta-se a pôr em duvida a diuturnidade da permanencia do Infante em Sagres. Parece-me que ainda haverá muito que investigar a este respeito; creio, comtudo, poder-se affirmar que foi do Algarve, e principalmente dos seus portos occidentaes, que derivou a grande corrente dos descobrimentos nos primeiros tempos.

[2] _Chronica do descobrimento de Guiné_, pag. 57.

[3] _Decadas_, vol. I, pag. 281 (edição de 1778).

[4] Barros, _Decadas_, vol. I, pag. 281, 280 (ed. cit.)

[5] Era um astrolabio feito por Nicolau Patenal em 1616; pertence á collecção de instrumentos nauticos da Escola Naval.

[6] _Hydrographie_, 2.^a ed., 1666, pag. 369.

[7] Antonio de Najera, mathematico lusitano, _Navegacion especulativa e pratica_, Lisboa, 1628, fl. 25 V.

[8] Veja-se _Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa_, 4.^a serie, pag. 163 e seg.: _De como navegavam os Portuguezes no começo do seculo XVI_, pelo sr. Luciano Cordeiro.

[9] Nomes dos auctores do _Tratado_ e das _Tábuas de navegação_, pelos quaes nos ultimos vinte e cinco annos se tem ensinado na nossa Escola Naval.

[10] Era a edição de _Witebergae, anno 1606_, pertencente ao conferente.

[11] _Chronographia, reportorio dos tempos_, etc.; exemplar pertencente á bibliotheca da Escola Naval.

[12] Assim o julgava quando escrevi a conferencia; mas depois tive occasião de vir a saber que Pedro Nunes nasceu em 1502. Na pag. 135 da _Arte atque ratione navigandi_ (ed. de Coimbra, 1573) lêem-se as seguintes palavras: «Exempli gratiâ, sit anno Domini 1502, _quô ego natus sum_.» No rosto de um dos tres exemplares d'esta edição, existentes na Bibliotheca Nacional, encontra-se escripta por lettra do seculo XVI a seguinte indicação: «Natus est hic Doctor año Dñi 1502. Obiit verò tertio idus Augusti año Dñi 1578.»