O Descobrimento Do Brazil Prioridade Dos Portugueses No Descobr
Chapter 5
Estas lutas não podem continuar, e não podem continuar, sobretudo, no campo em que infelizmente foram postas.
Eu, quando vim representar a Republica Portugueza, não vim com o desejo de que todos os portuguezes se fizessem republicanos: não precisamos de tanto. A unica coisa que desejamos, que eu desejo, como patriota, é que todos sejamos bons portuguezes. (Muito bem, muito bem.)
Eu louvo até, com a franqueza que me caracteriza, que hajam convicções monarchicas no meio de portuguezes. O que é necessario é que os republicanos respeitem os monarchistas e que os monarchistas respeitem os republicanos (Muito bem).
O que nós pedimos é muito pouco: é que nunca confundam as glorias da patria, da terra onde nasceram com as pequeninas paixões que possam viver no nosso espirito. (Muito bem, muito bem).
E, posta a luta nestes termos, como é facil todos nos entendermos! Basta que cada um de nós se esforce para ser o melhor portuguez que possa ser; trabalhe pelo engrandecimento do seu paiz; honre o nome portuguez por toda a parte; defenda as suas convicções politicas, mas honradamente, honestamente.» (Muito bem. Palmas).
Depois de varias considerações termina o sr. Antonio Luiz Gomes.
«Para realisar a nossa obra não queremos que todos sejam republicanos; o que queremos apenas é que ninguem se esqueça que a patria está acima das paixões de cada um. (Muito bem).
E eu estou convencido de que esse tempo vae chegar rapidamente.
A Republica vae, dentro de pouco tempo, ter a sua constituinte, a sua constituição.
Nas ultimas eleições, que foram feitas em condições excepcionaes, depois de uma revolução, depois de boatos aterradores, a Republica já teve a sua consagração.
Nunca as urnas portuguezas foram tão concorridas como neste momento: 80 por cento do corpo eleitoral de Lisboa foi votar.
O Porto, considerado como reaccionario, não para nós republicanos, porque foi precisamente lá que tiveram inicio todos os grandes movimentos de Portugal, no proprio Porto, a votação foi maior do que em qualquer outro ponto.
Portanto, todos vêm a situação definida e clara em que se encontra hoje Portugal.
Vindo a S. Paulo, eu dirijo as minhas saudações mais affectuosas não só ao povo de S. Paulo, mas tambem á auctoridades do Estado, que nos deram a alta honra de se fazer representar nesta conferencia, e remato por agradecer a todas as senhoras, a todos os cidadãos que aqui vieram e, finalmente de novo, dirijo os meus agradecimentos mais sinceros e profundos ao dr. Garcia Redondo, não só em meu nome, como no de Portugal, que tenho a honra de representar.»
As ultimas palavras do dr. Antonio Luiz Gomes foram abafadas com uma estrepitosa e prolongada salva de palmas da grande assistencia.
(_Noticia do_ ESTADO DE S. PAULO _de 4 de Junho de 1911_).
Conferencias portuguezas
Em carro reservado ligado ao nocturno de luxo, chegou hontem a esta capital, conforme era esperado, o dr. Antonio Luiz Gomes, ministro de Portugal junto ao nosso governo, acompanhado de seu secretario, sr. dr. Bartholomeu Ferreira.
Á noite s. exc. assistiu á conferencia que o sr. dr. Garcia Redondo, com grande successo e brilhantismo, realizou no salão nobre do Instituto Historico e Geographico, tendo por thema: «O descobrimento do Brazil e a prioridade dos portuguezes no descobrimento da America».
Publicaremos amanhã, na integra, esse importante trabalho do distincto membro da Academia Brazileira de Letras, que foi, pelo successo que alcançou, vivamente applaudido e felicitado.
Depois da conferencia do dr. Garcia Redondo, o dr. Antonio Luiz Gomes, usou da palavra, produzindo bellissima allocução, durante a qual era constantemente interrompido por estrepitosa salva de palmas.
(_Noticia do_ SÃO PAULO _de 4 de Junho de 1911_).
Conferencias portuguezas
No salão nobre do Instituto Historico e Geographico de S. Paulo, realizou-se hontem á noite, conforme se annunciára, a primeira conferencia da série promovida pelo Centro Republicano Portuguez, desta capital.
Coube o inicio das conferencias ao dr. Garcia Redondo, que tomou por thema de sua oração--«O descobrimento do Brazil» «Prioridade dos portuguezes, no descobrimento da America».
Precisamente ás 8 horas e meia, constituida a mesa da presidencia pelo sr. Joaquim Dias da Cunha Barbosa, tendo a seu lado o ministro plenipotenciario de Portugal no Rio de Janeiro, sr. Dr. Antonio Luiz Gomes, que para tal fim veio a esta capital; dr. Bitencourt Rodrigues, e membros da directoria do Centro Republicano Portuguez, era o conferencista introduzido no salão, que já regorgitava de numerosos cavalheiros e gentilissimas senhoras e senhoritas.
Pudemos mesmo notar entre os assistentes, os seguintes:
Commendador Tiburtino Mondim Pestana, segundo-tenente Carlos Rocha, representando o general Ferreira de Abreu, inspector da 10.ª região militar, com séde nesta capital; major Arthur da Graça Martins, secretario do commando geral, da Força Publica; Jacques Dupas, consul da França, e sua familia; commendador Daniel Monteiro de Abreu, consul do Paraguay e encarregado do consulado de Portugal; dr. Eugenio Egas, Arthur Vautier, Nestor Rangel Pestana, Gelasio Pimenta, José Vicente Sobrinho, dr. Antonio Francisco de Paula Sousa, director da Escola Polytechnica; dr. Rodolpho S. Thiago, lente da mesma escola; dr. Ricardo Severo, dr. Leopoldo de Freitas, consul de Guatemala, dr. Alfredo Redondo, dr. Manoel Redondo, Jayme Redondo e sua familia.
Abriu a sessão o sr. Cunha Barbosa.
Referiu-se s. s. com palavras elogiosas ao dr. Bettencourt Rodrigues, de quem partira a idéa das conferencias, cujo grande valor salientou, pois ellas viriam cada vez mais estreitar os vinculos que unem os dois povos portuguez e brazileiro.
Saudava a patria portugueza, alli directamente representada na pessoa do seu ministro plenipotenciario, cuja presença, agradecia.
Á directoria do Instituto Historico e Geographico agradecia tambem, penhorada, a gentileza de haver cedido o salão da sua séde, para a realização da conferencia.
Isto dito, e como não desejava prender por mais tempo a attenção do auditorio, naturalmente ancioso, dava a palavra ao dr. Garcia Redondo, cuja apresentação julgava desnecessario fazer, pois tinha absoluta certeza de que nem uma só pessoa alli presente, desconhecia, quer através da imprensa ou da literatura, os altos meritos do conferencista.
Uma prolongada salva de palmas ecôa pela sala.
Levanta-se então o dr. Garcia Redondo que começa agradecendo aos circumstantes a sua temeridade em affrontar os rigores daquella noite humida e fria, não para ouvir a sua modesta palavra, pois não tinha sobre isso illusão alguma, mas para corresponder ao appello que lhes dirigiram os promotores daquella conferencia.
Sobretudo, era-lhe grato constatar alli a presença das representantes do sexo gentil, que á festa emprestavam a nota brilhante.
Diz que o thema da sua conferencia havia sido para elle objecto de longos e profundos estudos. Poderia por isso dissertar sobre elle sem ter necessidade de ler, nem mesmo simples annotações.
Mas, importando o que tinha de dizer responsabilidades que queria assumir e receiando que a memoria o trahisse, considerava mais prudente ler a sua conferencia.
Em seguida, offerece alguns esclarecimentos sobre um grande mappa que está ao seu lado, e que elle organizou para illustrar a conferencia, e entra finalmente no assumpto.
Ás ultimas palavras da brilhante oração do dr. Garcia Redondo, uma calorosa e prolongada salva de palmas se fez ouvir no salão.
S. s. foi distinguido com a offerta de um lindo «bouquet» de flôres naturaes.
Levantou-se então o ministro plenipotenciario da Republica de Portugal, sr. Antonio Luiz Gomes.
Recáe sobre a sala um profundo silencio.
O illustrado diplomata começa affirmando que não comparecera áquella reunião com o intuito de falar.
Mas, cumpria-lhe o dever de agradecer em nome de Portugal, que tinha a honra de representar, o bello trabalho do dr. Garcia Redondo.
Tratando da moderna phase da sua patria, fala sobre o Portugal antigo, cujos feitos enchem as paginas da historia universal.
Refere-se á Monarchia, dizendo que ella teve tempo mais que sufficiente para demonstrar a capacidade dos seus homens.
Por occasião do assassinato de d. Carlos, levaram os republicanos a sua generosidade ao ponto de prestigiar--sem o sacrificio, porém, das suas convicções politicas--as instituições então vigentes, desde que isso concorresse para o bem do paiz.
Entretanto a Monarchia mostrou-se impotente; nada fez porque nada poude fazer para manter o prestigio de Portugal.
As crises ministeriaes succediam-se de um modo assustador e a situação chegou a tal ponto que só a Republica poderia salvar as gloriosas tradições do paiz.
E a Republica veio, não a Republica do terror, das perseguições, como apraz aos boateiros vulgares, mas a Republica que tem por lemma o levantamento moral do tradicional paiz das quinas.
End of Project Gutenberg's O Descobrimento do Brazil, by Garcia Redondo