O descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral

Part 2

Chapter 22,133 wordsPublic domain

[9] A expedição compunha-se ao largar de Lisboa de tres naus e dez caravellas. «_Caravelle_: Le navire de ce nom, qui eut une véritable célébrité aux XVe et XVIe siècles; le navire dont se servirent les Portugais pour leur voyages de découvertes, et Christophe Colomb pour sont aventureuse navigation à l'ouest, était un petit bâtiment de la famille des vaisseaux ronds, mais plus fin de forme que les nefs ses contemporaines, et ayant des façons plus pincés. Ainsi était-il plus rapide, meilleur manœuvrier, et plus propre à toutes les expéditions qui demandait de la célérité dans la marche et une grande rapidité dans les évolutions».==_Glossaire Nautique_ par A. Jal, Paris MDCCCXLVIII, pag. 419.

[10] Vaz de Camina, qui donne beaucoup de détails sur ce voyage, n'indique nulle part ce motif (éviter les calmes de la côte d'Afrique) comme cause de la déviation dans l'O. de la route de Cabral, et nulle par non plus on ne lui voit invoquer le motif d'une tempête par 15° ou 16° de latitude pour expliquer ce grand écart de route et la découverte de la terre. Dès qu'on s'avance au S. de l'équateur, les alizés adonnent continuellement, et si l'on peut doubler la partie la plus orientale du continent, un peut au S. du cap Saint-Roque, l'on ne peut que s'éloigner de plus en plus de la côte quand on cherche à doubler le cap de Bonne-Espérance, puisque, d'un côté, les vents permettent de faire plus d'E., et que, de l'autre, la côte s'éloigne vers l'Ouest. Il est donc à peu près impossible de donner un autre motif plausible de l'arrivée de Cabral en vue de terre par 16° de latitude qu'une erreur de route commise par ce navigateur.--_Les côtes du Brésil_ (já citado), nota _a_, pag. 115

[11] Veja-se: _Vida do Infante D. Henrique de Portugal_, por Richard Henry Major; _Roteiro da Viagem de Vasco da Gama_, por A. Herculano e o Barão do Castello de Paiva; e as chronicas escriptas pelos historiadores portuguezes do seculo XVI.

[12] Ensaio de um mappa das linhas de egual declinação (linhas isogonicas) no seculo XVI, _Roteiro de Lisboa a Goa_ por D. João de Castro, annotado por João de Andrade Corvo, 1882, est. XIII.

[13] Ensaio de um mappa das linhas de egual declinação no seculo XVI, (já citado). Carta de Pero Vaz Caminha. _Historia da Provincia de Santa Cruz_ por Gandavo (tambem já citadas). Por estes ultimos documentos sabe-se que a expedição passou entre as Canarias e depois entre as Ilhas de Cabo Verde.

[14] «... solamente mando a vosa alteza como estan situadas as estrellas del, pero en que grade esta cada una non lo he podido saber, antes me paresce ser impossible en la mar tomarse altura de ninguna estrella porque yo trabaje mucho en eso e por poco que el navio enbalance se yerran quatro o cinco grados de guisa que se non puede fazer sy non en terra e otro tanto casy dygo de las tablas de la Indya que se non pueden tomar com ellas sy non con mui mucho trabajo, que sy vosa alteza supiese como desconcertavan todos en las pulgadas reyria dello mas que del estrolabio, porque desde de lisboa até as canarias unos de otros desconcertavan en muchas pulgadas que unos desyam mas que outros tres e quatro pulgadas e otrotanto desde las canarias até as yslas de cabo verde, e esto resguardando todos que el tomar fuese a una misma ora, de guisa que mas jusgavan quantas pulgadas eran por la quantydad del camino que les parescia que avyan andado que non el camino por las pulgadas,...»

[15] Cortando a linha a oeste das Ilhas de Cabo Verde e seguindo para o sul muito ao poente pelo meridiano de 30° a oeste de Greenwich, com destino a montar o Cabo da Boa Esperança, seria precisa uma corrente constante, ou um erro systematico, para oeste, de 10 milhas por dia, durante uns 15 dias, para desviar a frota tanto para o occidente; circumstancia inadmissivel, porque não existe tal corrente, nem as derrotas estabelecidas pela pratica e traçadas nas cartas maritimas modernas se afastam para oeste do meridiano de 30°.--Veja-se a _Chart of the World on Mercators projection_, (já citada).

[16] «E ao outro dia que era quinta feira chegámos á Ilha de Samtiago, onde pousámos na praya de Santa Maria com prazer e folgar, e aly tomámos carnes e augua e lenha, e corregendo as vergas dos navios porque nos era necesario. E huuma quynta feira que eram tres dias d'agosto partimos em leste, e hindo huum dia com sull quebrou a verga ao capitam moor, e foy em XVII dias d'agosto, e seria isto CC legoas da Ilha de Samtiaguo, e pairámos com o traquete e papafigo dous dias e huuma noute, e em XXII do dito mês hindo na volta do mar ao sull e a quarta do sudueste, achámos muitas aves feitas com garçõees, e quando vêo a noute tiravam contra o susoeste muito rrigas como aver que hiam pera terra, e neste mesmo dia vimos huuma baléa, e isto bem oytocentas legoas em mar. A vinte e sete dias do mes d'outubro vespora de Sam-Simam e Judas, que era sêsta feira, achámos muitas baléas, e huumas que se chamam quoquas, e lobos marinhos. Huuma quarta feira primeiro dia do mês de novembro, que foy dia de Todos os Santos, achámos muitos signaees de terra, os quaes eram huuns galfãoos que naçem ao lomgo da costa. Aos quatro dias do dito mês, sabado ante manhan duas oras, achámos fundo de cemto e dez braças ao mais, e ás nove oras do dia ouvemos vista de terra, e emtam nos ajuntámos todos e salvámos o capitam moor com muitas bandeiras e estemdartes e bombardas e todos vistidos de festa, e em este mesmo dia virámos bem junto com terra na volta do mar, porém nom ouvemos conhecimento da terra».--_Roteiro da viagem de Vasco da Gama_ em MCCCCXCVII por A. Herculano e o Barão do Castello de Paiva, Lisboa, 1861, pag. 2.

[17] «On lit en effet dans les instructions nautiques que ce navigateur (Vasco da Gama) composa en 1499, à la demande du roi de Portugal, pour servir à l'expédition de Pedralvarez Cabral qui partait pour l'Inde: _Qui l'on doit s'éloigner dans l'O. des îles du cap Vert en prenant la bordée du S.O. pour passer dans l'hémisphère Sud, afin d'éviter les calmes et les orages de la côte d'Afrique, et courir ainsi jusqu'à la hauteur du cap Bonne-Espérance»._--_Les côtes du Brésil_, préface, pag. IX.--D'onde o auctor d'esta obra, o sr. almirante Ernest Mouchez, traduziu esta parte das instrucções nauticas, que diz terem sido dadas a Cabral, não o sabemos, apezar de o ter perguntado aquelle escriptor, mas suppomos que existissem em o primeiro caderno que falta antes do caderno das instrucções para esta viagem que existe no Arch. Nac. da Torre do Tombo, das Angedivas em deante, parecendo tambem faltar a ultima parte. É porém evidente, havendo instrucções para aquella expedição, como prova o segundo caderno d'ellas existente na Torre do Tombo, que o primeiro e terceiro cadernos que faltam, fossem vistos em qualquer parte pelo sr. Mouchez, actual director do observatorio de Paris.

[18] A nota anterior, evidenceia a circumstancia principal de evitar as calmarias e trovoadas da costa d'Africa, como motivo do desvio da frota para o occidente; devendo-se-lhe acrescentar o proposito de passar ao largo do cabo das Tormentas, tão temido dos navegadores, que já o conheciam pelos seus effeitos tempestuosos, como eram Bartholomeu Dias e Vasco da Gama.

[19] As viagens portuguezas de exploração, obedeciam todas a um plano systematico de estudo e investigação, recolhendo dados experimentaes derivados da pratica e observação das condiçôes do meio, que pouco a pouco ia sendo conhecido, o que explica o arrojo de Vasco da Gama em soltar o rumo a meio do mar tenebroso, derivando pelo Atlantico sul a grande distancia da costa africana, abandonando o primitivo processo de exploração, costa a costa, dos navegadores que o precederam. Pedro Alvares Cabral, melhor informado das condições meteorologicas e maritimas do Atlantico, ia procurar ao largo correntes atmosphericas e maritimas favoraveis á sua derrota.

[20] «... e por tanto bem aventurado Principe temos sabido e visto como no terceiro anno de Vosso Reinado do hano de nosso senhor de mil quatrocentos e noventa e oito donde nos vossa alteza mandou descobrir ha parte oucidental passando alem a grandesa do mar oceano honde he hachada e navegada huma tam grande terra firme com muitas e grandes Ilhas ajacentes a ella que se estende a satenta graaos de ladeza da linha equinocial contra ho polo artico e posto que seja asaz fora he grandemente pouorada, e do mesmo circulo equinoxial torna outra vez e vay alem de vinte e oito graaos e meo de ladeza contra o pollo antartico e tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura que de huma parte nan de outra nom foi visto nem sabido o fim e cabo della pello qual segundo ha hordem que leva he certo que vay em cercoyto per toda a Redondeza, asim que temos sabido que das prayas e costa do mar destes Reynos de Portugual e do promontorio de finisterra e de qualquer outro lugar da europa e d africa e d azia hatravessando alem todo ho oceano direitamente ha oucidente ou ha loest segundo hordem de marinharia por trinta e seis graaos de longura que seram seiscentos e quarenta e oito leguoas de caminho contando ha de soy to leguoas por graao, e ha luguares algum tanto mais longe ha hachada esta terra nom navegada pellos nauios de vossa alteza e por vosso mandado e licença os dos vossos vassallos e naturaes» e findo por esta costa sobredita do mesmo circulo equinocial em diante fez vinte e oyto graaos de ladeza contra o pollo antartico ha hachado nella muito fino brazil com outras muitas cousas de que os nauios nestes Reynos uem grandemente carregados, e primeiro muitos annos que esta costa fose sabida nem descoberta dise Vicente estorial no seu primeiro livro que se chama espelho das istorias no capitolo cento e satenta e sete «Além das tres partes do orbe ha quarta parta he alem do mar oceano interior em ho meo dia em cujos termos os antipodas dizem que habitam»--_Esmeraldo de situ orbis_, 1505, pags. 22, 23 e 24.

[21] «... e outros antigos cosmographos que a mesma terra por muitos annos andarom e doutras pessoas que isso mesmo per uerdadeira emformaçam ha souberom em tres partes notaveis ha diuidirom» e na quarta parte que Vossa alteza mandou descobrir aleem do oceano por a elles ser uicognygta cousa alguma nom falorom «as quaees tres Asya, Europa, e Africa som chamadas cujos nomes de seu antiguo principio atee agora ionguamente sempre durarom»--_Esmeraldo de situ orbis_, 1505, pag.ª 27.

[22] «... e asy seguimos vosso caminho per este mar de comgo atãa terça feira doitauas de pascoa que foram XX dias d abril que topamos alguuns synaaes de tera........» Carta de Pero Vaz Caminha, 1 de maio de 1500 (já citada). «Esta communicação de Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel, relatando que a frota seguiu o caminho indicado de antemão (_vosso caminho_), relacionada de mais a mais com a referencia de terem topado os primeiros signaes da terra, mostra claramente o proposito com que a expedição se afastou para oeste, trilhando uma derrota traçada em instrucções positivas que Pedro Alvares Cabral levava comsigo (nota 17) e dando conta do bom resultado que obtiveram em seguir essas instrucções que el-rei scientemente lhes ordenou.

[23] «... e tanto que comemos vieram logo todolos capitãaes a esta naao per mandado do capitam moor, com os quaes se ele apartou, e eu na companhia, e preguntou asy a todos se nos parecia seer bem mandar a noua do achamento desta terra a Vosa alteza pelo nauio dos mantiimentos, pera a milhor mandar descobrir, e saber dela mais do que agora nos podiamos saber por hirmos de nosa viajem e antre muitas falas que no caso se fezeram, foy per todos ou a mayor parte dito que seria muito bem, e nisto comcrudiram,...» _Carta de Pero Vaz Caminha_ (já citada),--Na primeira viagem á India tinha Vasco da Gama mandado desfazer a náo dos mantimentos.--«Em vinte e cinquo dias do dito mês de novenbro, huum sabado á tarde dia de Santa Caterina, entrámos em a angra de Sam Bras, onde estevemos trezes dias, porque nesta amgra desfezemos a naoo que levava os mantimentos e os rrecolhemos aos nauios»--_Roteiro da Viagem de Vasco da Gama_ (já citado).--N'esta segunda expedição, porém, tudo leva a crer que Vasco da Gama, tendo em vista não perder o navio, tivesse incluido nas instrucções nauticas que deu a Cabral, a indicação de aproveitar a náo dos mantimentos para voltar para traz, dando conta da investigação que a frota ia fazer ao occidente na sua passagem para o Cabo da Boa Esperança.

[24] Vejam-se as notas (4) e (10).