O culto do chá

Part 2

Chapter 22,818 wordsPublic domain

Éra de estylo a monumental lanterna, tal como se encontra nos templos, de pedra, tanto mais valiora quanto mais esverdeada e roida de vetustos musgos, e espalhando pela noite vagas claridades coadas pelas suas frestasinhas cobertas de papel; os japonezes deleitam-se em contemplar, após uma nevada, as amplas cupulas em unbella d'estas lanternas de templos e de jardins, receptaculos onde a neve poisa e se demora, em fofos vello de formas extravagantes, de deslumbrante alvura. Um outro accessorio se encontrava, cerca do pavilhäo: o pedaço de rocha bruta com uma pequena cavidade cheia de agua, onde os hospedes iam lavar as mäos antes de entrarem, como em purificaçäo liturgica.

Até a linguagem empregada entre os convivas obedecia a regras de pragmatica: os assumptos de religiäo ou de politica eram banidos; a phrase devia modelar-se n'um agradavel discorrer, sem ferir melindres de ninguem. A cortezia impunha-se: preceituava-se que o hospede proferisse palavras de louvor pelo que via,--alfaias de serviço, arranjo do aposento, horisontes em volta,--mas sem insistencia em demasia, que poderia parecer pouco sincera ou pelo menos importuna.

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Variadissimos objectos devem encontrar-se no aposento, como o brazeiro, o carväo de reserva contido n'um cestinho, a chaleira, o abano de pennas, o cachimbo, o tabaco, o pincel, o papel e a escrevaninha. Os artigos destinados particularmente ao chá, muitas vezes contidos n'um estojo especial, säo os seguintes: a boceta com perfumes, que antes de tudo se lançam sobre as brazas e embalsamam o ambiente; a jarra com agua fria e a competente colher feita de um pedaço de bambu; o chá em pó n'am cofresinho de charäo e a colherinha adjunta; duas taças, de barro ou de porcellana, uma usada no veräo, de côr clara, e outra escura, usada no inverno; um curioso utensilio feito de finas lascas de bambu reunidas em feixe, com que se agita na chavena a mistura do chá em pó com a agua morna; finalmente a tigela onde se lavam e o pedaço de seda de finissimo tecido, com que se enxugam, as peças empregadas.

É o dono da casa quem deve preparar o chá, solemnemente, prescindindo do mais ligeiro auxilio dos criados; é elle que o offerece aos convidados. A mäo executa setenta e cinco movimentos, n'um _chá-no-yu_ havido por singelo... e trezentos, quandorequeridas todas as formalidade ortodoxas.

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No tempo do generalismo do Imperio, chamado Toyotomi Hideyoshi, mais conhecido na historia pelo grande Taiko-sama, quasi todos os genesaes eram _chajin_, isto é, ferventes apaixonados da ceremonia do _chá-no-yu_. Em 1585, o proprio Taiko-sama organisou um _chá-no-yu_ colossal nas visinhanças de Kyoto, ainda hoje memorado como festa de inigualavel esplendor: uma extensäo de quinze kilometros quadrados era occupada por innumeros kiosques, aonde os generaes preparavam o chá; todos, nobreza e plebe, os ricos e os mendigos,--um enxame humano!--tinham entrada; Hideyoshi visitou todos os poisos e por suas proprias mäos proparou chä, que offereceo aos chefes favoritos.

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Relembrando o passado, justamente n'um periodo de effervescencias guerreiras culminantes no Japäo, talvez pareça estranho, talvez pareça comico, que esses rudes heróis de täo grandes façanhas, os indomaveis veteranos das guerras na China e na Coréa, despissem armaduras, tirassem os dois sabres da cintura, para virem votar horas chimericas a aquecer a agua sobre brazas e a preparar o chä... Mas o contraste, por si, explica o facto: era precisamente essa dura existencia de batalhas e de lances sangrentos, de inclemencias de vida nomada, de longo cogitar em extratagemas e em argucias, que impunha aos homens dirigentes a doce tregua do _chá-no-yu_. O convivio com os partidarios e os amigos, o desfilas do povo alegre a reverente, a verde paizagem de repoiso, a solemnidade hypnotica dos gestos, tudo contribuia para offerecer um curto aprazimento áquella gente, que assim ia apagando da memoria os amorgores soffridos, estretando sympathias, retemperando forças para as proximas luctas.

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O _chá-no-yu_ attingiu depois, durante a longa paz da dynastia shogunal dos Tokugawa, uma epocha de exaggeros faustuosos, de dissipaçöes paradoxaes. Escolhiam-se as baixellas de entre objectos muitos antigos e firmados por um nome de fabricante prestigioso, e por isso rarissimos, preciosissimos; e estava entäo em moda offerecel-os, no momento das ruidosas despedidas, ás bellas companheiras do festim, que haviam com as suas guitarras, com as suas cançöes, com as suas graças profissionaes, enfeitiçando os hospedes... Sorveram-se fortunas n'este abysmo.

É de entäo que se conta que um amador empregou n'um _chá-no-yu_ utensilios no valor de trinta e oito mil yens, o que passa de quatro mil libras esterlinas; um outro adquiria por trinta mil yens um só boiäo de chá!...

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Ha cerca de tres ou quatro annos, em um leiläo de Tokyo, um japonez comprou por tres mil yens uma chavena de _chá-no-yu_; prova isto que ainda ha devotos _chajin_ presentemente. Com effeito, se o luxo sem limites que caracterizou o _chá-no-yu_ dos bons tempos feudaes desappareceu para sempre com a mudança de regimen e com a mudança de costumes, continuou todovia esta elegante pratica merecendo uma alta estima. Hoje, os dois sexos a ella se dedicam, e pode affirmar-se que faz parte da boa educaçäo de uma menina, exigindo uns seis ou sete annos a sua aprendizagem. As _gueishas_ tambem se instruem em tal culto; as celebres danças primaveraes da cidade de Kyoto, conhecidas pela denominaçäo de _Miyako-odori_, säo sempre precedidas do _chá-no-yu_, em que é officiante uma das mais gentil _gueishas_ do logar; e a multidäo acode, com devota deligencia, a saborear o perfumado chá.

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Näo me peçam agora, a mim, profano na materia e viageiro fatigado de täo multiplices impressöes que tenho vindo colhendo por este mundo fóra, uma opiniäo pessoal sobre o _chá-no-yu_. Estive uma vez, é certo, com dois ou tres amigos, em uma das _chayas_ de mais fama da cidade de Kobe; e Tama-Guiku (o Malmequer-Precioso) era a esplendida sacerdotiza da cerimonia. A impressäo que d'aquella noite guardo é indefinida, fugidia, como de um vago sonho que tivesse. Ficaram-me reminiscencias indecisas do luxo sombrio e harmonioso e do aceio extremo das coisas impregnadas de exotismo onde poisou o meu olhar. Na meia luz do placido aposento, amplo e silencioso como um templo, contornava-se, distante, um vulto de mulher, de joelhos, envolta em sedas magnificas. As attencöes fixavam-se especialmente, como que por attracçäo hypnotica, nas suas mäos finissimas, alvejando no espaço como se fossem de marfim, tomando de estranhos utensilios, preparando näo sei que filtro de magia, poisando em mimicas hieraticas, quaes mäos de mystica officiante de uma religiäo desconhecida. Por fim, convidado a partilhar no sacrificio, acceitava uma taça com chá que me era offerecida e levava-a aos labios commovido, com näo sei que subitos escrupulos de apostata mal firme...

Tama-Guiku concluira. Ergueu-se, deslumbrante de graças, de atavios, de magestade. O seu rostinho meigo illuminava-se entäo da exaltaçäo beatifica que lhe electrizava o espirito; dirigiu sobre nós a ardencia negra dos seus olhos, saudou-nos reverente... reverente, näo porque uma imfima cortezia sequer lhe merecessemos,--pobres occidentais ignaros!--mas em estricta abediencia aos preceitos rituaes; e desappareceu da scena.

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A proposito d'estas divagaçöes respeitantes ao chá e ao seu culto, vem-me agora ao pensamento e ainda me compunge um dramatico episodio da existencia intima japoneza, que contado me foi ha cerca de tres annos. Vou tentar descrevel-o.

Éra no fim de maio. Eu achava-me em Kobe. Um meu amigo japonez, _chajin_ apaixonado, partira para Uji, onde devia assistir a umas costumadas reuniöes votadas ao _chá-no-yu_, em casa de um parente, cuja filha, a gentilissima O-Hana, era eximia na arte; entre nós ficára combinado que eu iria encontral-o, passadas tres semanas, em Nara, a cujos velhos monumentos queriamos votar horas de estudo.

Haviam decorrido apenas uns tres dias, quando do tal sujeito recebi um bilhete, pouco mais ou menos n'estes termos:--"Pode seguir para Nara, onde me encontrará. Falhou o _chá-no-yu_. O-Hana suicidou-se. Pesava sobre ella uma desdita igual á pobre Hichi da lenda..."--

Ora, eu conhecia O-Hana; e a lenda, que por signal constitue o thema de uma notavel peça de theatro, näo me era de todo estranha.

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Vamos por partes. A lenda é como segue.

Näo sei ha quantos seculos e nem sei em que logar,--nem importa sabel-o,--havia em certa rua dois estabelecimentos de negocio, dos que se chamam _Yaoya_ em lingua do paiz, onde se vemdem variadas provisöes,--fructos, legumes, hortaliças, ovos, peixe e muitas coisas mais.--Defrontavam um com o outro. N'um, habitava certo casal com uma filha unica, O-Hichi; n'outro, um outro casal com um só filho, Kichisa. Quiz a mofina sorte que se enamorassem um do outro.

Mofina sorte? Sim, embora, á primeira vista, näo seja o caso concebivel, quando se saiba que ambos eram jovens, gentis e animados de doces enternecimentos amorosos. Eu me explico todavia. Os velhos codigos nipponicos, ainda hoje respeitados, impöem aos filhos o preceito de herdarem o appellido de seus paes; o filho mais velho herda a mais o encargo de chefe de familia, com a administraçäo dos bens e a superintendencia no culto piedoso devido aos parentes fallecidos. É por este processo que as genealogias näo offerecem mysterios e as familias se eternizam, conservando religiosamente o mesmo appellido durante seculos sem conto; cessando apenas no caso excepcional de todos os descendentes acabarem, consanguineos ou näo, pois é de uso corrente chamar ao lar, por adopçäo, filhos alheios. O filho unico pode certamente casar, e a esposa recebe o appellido do marido. A filha unica pode igualmente casar e entäo o esposo recebe o appellido da mulher. Está-se agora percebendo como para O-Hichi e Kichisa o problema se complicava em demazia, por serem ambos filhos unicos. Um meio só se apresentava, o de uma das familias adoptar um filho estranho, sobre quem recahissem os encargos de uma supposta primogenitude. Mas o alvitre era quasi impraticavel, por aquelles tempos feudaes que iam correndo, dependendo da sancçäo suprema do daimyô, que a negaria, por ser o caso novo; sem já contar com o orgulho revoltado dos paes da noiva, ou dos paes do noivo, da familia emfim que, para evitar de ser extincta, tivesse de investir um filho alheio nos deveres que competem ao legitimo.

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É certo que as duas familias se oppozeram com toda a vehemencia a taes amores, e a casa se transformou para O-Hichi em duro encerro e a estima dos seus em aggressöes continuas. Foi entäo que a pobre _musumé_, captiva n'uma alcova, desesperada, louca de amores, meditou em pôr fogo ao seu lar de tormentos, na crença de que as chammas lhe trariam a liberdade e o ensejo de reunir-se áquelle a quem votara todo o seu affecto. Errou porem nos calculos, como succede tantas vezes quando se tem quinze annos e o pensamento voêja no mundo das chimeras: descoberto o seu crime apenas posto em pratica, foi trazida á justiça da cidade e condemnada á morte.

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Vem agora a proposito narrar um pormenor curioso, que é de toda a tragedia o que mais me enternece. A misera seguia, conforme o estylo, pelas ruas populosas, amarrada ao dorso de uma besta, para ignominia propria e para licçäo do povo; mais tarde seria executada. A meio da jornada expiatoria, os seus longos cabellos soltos, como até entäo eram usados, cahiam-lhe em desalinho sobre a fronte, cheios da poeira dos caminhos, escorrendo de suor, fustigando-lhe as faces. Entäo, ou porque quizesse poupar-se a um tormento a mais, ou--quem sabe?--por um resto de garridice deminia, viram-n'a rasgar com os bellos dedos tremulos um pedaço da seda carmezim do forro do vestido, com quem amarrou junto á nuca, erguendo os braços, esses pobres cabellos... A idea pareceu graciosa ás raparigas, que se iam juntando em grupos curiosos para observarem o cortejo; e desde entäo as japonezas começaram de usar aquelle enfeite, que persiste até hoje e a que chamam _kikidashi_--litteralmente: farrapo--em memoria de O-Hichi, a triste namorada de Kichisa...

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Mas vamos depressa ao fim da historia.

Quando em Nara deparei com o meu amigo japonez, o triste fim de O-Hana esclareceu-se em breve.

Havia em Uji duas familias abastadas, Fukumoto e Yamaguchi, possuindo as mais bellas culturas de chá d'aquelles campos. Os Fukumoto juravam que o seu chá éra o melhor de todo o Imperio, e os Yamaguchi diziam do seu chá a mesma coisa; eram no fim de contas uns caturras, professando um supino orgulho do seu nome e um culto pelo mister a que se davam; alem d'isto, ou por isto, pouco affeiçoados entre si, confirmando a justiça d'aquelle ditado portuguez, com curso em todas as longitudes do planeta... _dos officiaes do mesmo officio_.

O casal Fukumoto tinha um filha unica, O-Hana; o casal Yamaguchi tinha um unico filho, Naotarô. Este era um perfeito rapazola, amavel, intelligente, segundo affirma quem o viu. O-Hana era uma _musumé_ em plena flôr da vida, educada em todos as gentis prendas do seu sexo. Ninguem como ella desprendia suavissimos sons do _koto_, a harpa nacional; nenhumas mäos se mostravam täo habeis de pinheiro ou de lirios floridos trazidos do jardim; no _chá-no-yu_ era incomparavel.

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Eu vi O-Hana uma só vez, nos parques de Kyoto, quando em peregrinaçäo primaveral se vae contemplar, á luz da lua, a celebre cerejeira de Guion, toda vestida de pequeninas petalas.

O-Hana éra uma d'essas japonezinhas embebidas de enlevo e de exotismo, taes como vós as conheceis dos leques, dos biombos. Isto basta, á falta de melhor, para definir-lhe o vulto em miniatura, esguio e ondulante, coberto de sedas preciosas; e para imaginar-lhe o rosto pallido em forma de pevide de meläo, os olhinhos cerrados, os finos traços das sobrancelhas em viez, a boquinha sorridente, rubra, lembrando uma cereja, e o penteado... o penteado colossal como uma enorme borboleta de azeviche, que lhe houvesse pousado, de azas abertas, sobre a nuca. Ria, curvava-se em mesuras, em meneios, agitando no ar as descommunaes mangas do _kimono_; e lá ia seguindo o seu caminho entre um bando de amigas, antes ziquezagueando, a passos miudinhos, indécisos, sem intuito. E eu ia pensando que alli estava, em carne e osso, a companheira deliciosissima, anjo de graças e fada de sorrisos, para quem podesse offerecer-lhe--japonez claramente,--uma casinha de papel em extremos de limpeza, com duas esteiras sobre o chäo, um bule com chá, um prato com confeitos, uma jarra com ramos vicejantes; e á frente o jadinsinho,--bambus tufados, azaleas em flor, pedras musgosas, o pequinono lago, onde peixes vermelhos nadassem pachorrentos e räs coaxassem em noites estivaes...--

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O-Hana e Naotarô amaram-se.. Näo se sabe porque. Porque eram ambos jovens, visinhos, conhecidos; e em circunstancias semelhantes a juventude attrahe a juventude...

Quando esta inclinaçäo foi conhecida, as duas familias irromperam em näo dissimulados azedumes. O casamento era impossivel. Se a adopçäo de um filho alheio podia resolver em theoria o problema, quem vinha sujeitar-se ao sacrificio? Os Yamaguchi? Os Fukumoto? Mas nem uns nem outros, com os diabos!... Os nomes das duas familias, procedentes de uma linhagem täo remota que em väo se tentaria investigar-lhes a origem, gosavam em todo o Imperio de um prestigo inconfundivel, conquistado durante annos sem conto pela pobidade mercantil dos seus negocios, pela excellencia do chá da sua lavra, pela nobre chientela nos castelos; podendo apenas pôr-se em duvida, se o chá dos Yamaguchi preferival ao chá dos Fukumoto. Ora,--mercê de um capricho de estouvados,--investir, por uma adopçäo do acaso, um estranho na posse de tal nome, e ungil-o dos nobres encargos que competem a um futuro chefe de familia--Fukumoto ou Yamaguchi,--nem por brincadeira se propunha!... Que O-Hana e Naotarô se casassem, intendia-se; era esse mesmo o seu dever, de perpetuar pela prole os nomes dos avós; mas confiassem no bom tacto dos paes, que saberiam escolher-lhes noivos do seu agrado e em condiçöes de näo virem parturbar a paz das familias e ferir o amor das tradiçöes.

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Muito bem. Quando os dois namorados se convenceram da impossibilidade de viverem um para outro, tiveram certa noite uma furtiva entrevista á beira do Ujigawa, a pittoresca ribeira, que entäo serpeava em grande cheia de aguas, resultado das ultimas chuvas copiosas. Deram-se as mäos, parece; sorriam-se um para o outro; näo se sabe o que segredaram entre si, porque ninguem esta alli para os ouvir...

Quando, ao romper do dia, as moças de Uji seguiam para a apanha do chá, em ranchos galhofeiros, quedaram-se de repente junto ao rio, cheias do espanto, de pavor, vendo a boiar dois corpos detidos na maranha dos juncos, rigidos, lividos, mortos, porem sorrindo ainda e dando-se ainda as mäos...

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"N'estas aguas do rio d'Uji, --Täo milagrosas que säo!-- Lavam-se todos os males De que soffre o coraçäo...

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Lista de erros corrigidos

Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:

+----------+-----------------------+---------------------------+ | | Original | Correcção | +----------+-----------------------+---------------------------+ |#pág. 19 | do outros | de outros | |#pág. 23 | ama norma | uma norma | |#pág. 24 | ua industria | na industria | |#pág. 24 | a modernismo | o modernismo | |#pág. 26 | da flores | de flores | |#pág. 33 | exteusäo | extensäo | |#pág. 33 | homeus | homens | |#pág. 37 | desappaeceu | desappareceu | |#pág. 38 | appelldo | appellido | |#pág. 39 | dos familias | das familias | |#pág. 39 | umo supposta | uma supposta | |#pág. 45 | pela excellencias | pela excellencia | |#pág. 45 | nobre encargos | nobres encargos | +----------+-----------------------+---------------------------+