Novo dicionário da língua portuguesa

Chapter 525

Chapter 5253,140 wordsPublic domain

«Outra necessidade impreterível do ensino geográphico, como do histórico, consiste em indicar-se em todos os compendios a pronúncia portuguesa de todos os nomes próprios, visto como em tal ensino convém não deixar introduzir erros, que difficilmente se corrigem ao depois. Devem, pois, ser todos esses nomes graphicamente accentuados na sua syllaba predominante, para o que se terão sempre presentes as regras da accentuação latina, modificadas pelas leis que as regem em português. O discípulo, e também o professor, (que não podemos exigir que seja um philologo encyclopedico), o primeiro para aprender certo, o segundo para não ensinar errado, devem encontrar sempre nos compendios indicada a accentuação, para que não pronunciem, como a todo o momento ouvimos, por exemplo, _Taygéto_, _Ladóga_, _Ônega_, _Cagliári_, _Gibráltar_, _Quilôa_, em vez das accentuações verdadeiras, que são _Taýgeto_, _Ládoga_, _Onéga_, _Cágliari_, _Gibraltár_, _Quíloa_; e bem fôra que se restabelecesse a verdadeira accentuação portuguesa em outros nomes, como _Madagáscar_, evidente na medição do verso dos Lusíadas em que apparece o nome da maior ilha africana, (á qual os nossos primeiramente puseram nome São Lourenço), como a de _Quíloa_ também o é.[11]

«Se não exorbitasse a Secção da parte do ensino que lhe incumbe, não duvidaria de instar igualmente pela accentuação de todos os nomes technicos nos respectivos compendios, e nomeadamente pela accentuação de todos os nomes pessoaes historicos, bem como pela restituição e revindicação das fórmas portuguesas tradicionaes, a respeito daquelles que já nos apparecem trajados estranhamente, sobretudo á alemã, ou com um grupo de letras insignificativas e impossíveis em português, taes como: _bh_, _dh_, _kg_, _wy_, _hm_, etc.; devendo accrescentar que seria da maior vantagem e conveniência didáctica que esses nomes figurassem já accentuados no texto, e que houvesse, além disso, para maior commodidade da consulta, um indice alphabetico de todos elles, ao cabo de cada volume, no qual se reproduzissem com a devida accentuação marcada, e a pronunciação portuguesa em casos de dúvida.

«Com relação a nomes não romanizados nem romanizaveis á portuguesa, de igual importancia parece á Secção que seria a indicação, por letras portuguesas, da sua pronúncia aproximada, mencionada entre parenthese, no texto e no indice, como vemos em geographias escolares estrangeiras, e até em livros nossos. E não se cuide que o ensino simultaneo, principalmente do francês, e o do alemão ou inglês, obviará á incerteza que resulta para a pronunciação da falta de accentuação gráphica e de pronúncia, porque não só o conhecimento dessas línguas induz em erro se taes nomes lhes são estranhos, mas também porque os nomes proprios que lhes pertencem são, em muitos casos, excepções ás regras que lhes regulam a leitura.

«Vemos em compendios anteriormente publicados exemplos de dois subsídios que apontámos, e consta á Secção que êsses subsidios foram muito bem acceitos pelo nosso professorado, e tanto que a falta delles foi já assinalada como defeito capital em um dos livros adoptados para o ensino secundario, conforme a última reforma delle.

«Ninguem duvidará, de certo, de que a revindicação, correcção e fixação da orthographia dos nomes próprios geographicos, historicos e outros, e a indicação da sua accentuação ou pronuncia, são trabalho que exige noções muito especiaes e devido preparo, ao mesmo passo que, em muitas circunstâncias, laboriosas pesquisas, segurança de methodo e bastante circunspecção.

«Não falta, comtudo, nesta Sociedade, ou pelo menos em Portugal, quem o possa empreender e levar a cabo, coadjuvando-se mutuamente diversas pessoas, aquellas que com tal objecto tem, com apropriadas habilitações previas, applicado o seu estudo a esse assumpto. A Secção já citou o nome de um consocio, que para a nomenclatura arabica poderia concorrer com a sua competencia, já provada neste ramo pela transcripção systemática que escrupulosamente fixou nos trabalhos que mencionámos, e a qual, se descontarmos minutíssimos accidentes em que talvez foi longe de mais no aportuguesamento orthográphico, se póde considerar como modêlo. Sabido é tambem que outro nosso consocio adoptou, com respeito á nomenclatura cafrial, nos volumes que publicou á cêrca da Lunda, uma transcripção vulgar irrepreensível e methodica; como tambem se não ignora que na mesma Sociedade existe quem possa, com a devida autoridade, consagrar-se á regularização da nomenclatura da India portuguesa, e outras asiaticas. Se aqui, pois, se trabalhar neste empenho, poderá sem duvida, em breve prazo, submetter-se ao Governo um plano geral de romanização portuguesa, acompanhado dos competentes nomenclatores; corrigindo-se, porem, desde já o que se puder de prompto corrigir e consignando-se, por inclusão nos respectivos programas para concurso de livros de ensino, a condição expressa e indeclinavel de que a nomenclatura seja, quanto possível, sujeita a correcção motivada pelos competentes jurys, verdadeiramente portuguesa e devidamente accentuada. Conviria além disso que, entre parenthese, nos casos necessarios, se indicassem, nos mesmos compendios, as denominações nacionaes, conforme a orthographia propria de cada uma das nações que se servem do alphabeto romano ou do gótico, todas as vezes que a identificação ás fórmas aportuguesadas não seja evidente, ou quando haja mais de uma denominação autorizada, como acontece, por exemplo com _Autuerpia_ e _Anvèrs_, á imitação do que se costuma fazer nos bons diccionarios geographicos, e até em vocabularios bilingues.

Por outra parte, convém semelhantemente que até a escripta dos nomes geographicos portugueses do continente e ilhas adjacentes soffra tambem uma revisão e uniformização methodica, para que esses sejam igualmente corrigidos. Escriptas taes com _Foya_, com _y_, a par de _Azoia_, com _i_, _Monsão_, em vez de _Monção_, etc, devem desapparecer de livros de ensino; primeiro porque manifestam incongruencia, segundo porque habituam o espirito do alumno á idéa de que a escripta é assumpto de escassa importancia.

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_O relator_,

A. R. Gonçalves Viana.

A

*Abássia*, _f. Ant._ O mesmo que _Abyssínia_. Cf. _Lusíadas_, X, 50; Barros, _Déc._, (_passim_)

*Abdera*, (_dé_) cidade thrácia. (Lat. _Abdéra_)

*Abido*, antiga cidade egípcia. (Lat. _Abýdos_)

*Abidos*, (não *Ábidos*) antiga cidade egýpcia. (Lat. _Abýdos_)

*Ábila*, antigo nome de Ceuta.

*Abranches*, (e não *Avranches*), cidade francesa. Cf. _Lusíadas_, IV, 25.

*Abydo*, antiga cidade egýpcia. (Lat. _Abýdos_)

*Abydos*, antiga cidade egýpcia. (Lat. _Abýdos_)

*Ábyla*, antigo nome de Ceuta.

*Abyssínia*, grande região da África Oriental, conhecida também em português pelo nome de _Abássia_.

*Achém*, (não *Achim*) antigo reino, na ilha de Samatra. Cf. Fr. José do Sacramento, _Chrón. dos Carmelitas Descalços_.

*Achemênia*, (_que_) nome, dado por poétas á Pérsia. Cf. _Lusíadas_, IX, 60. (Lat. _Achaemênia_)

*Ádem*, (e não *Aden*) cidade e pôrto da Arábia. Cf. _Hist. dos Port. no Malabar_, p. 95; Barros, _Déc._ II, liv. III, cap. 3; _Lusíadas_, X, 99.

*Ádige*, rio da Itália. (Do lat. _Áthesis_)

*Ádria*, antiga cidade da Itália.

*Afaganistão*, região da Ásia.

*Afeganistão*, região da Ásia.

} *Afghanistan*, Fórma bárbara de _Afeganistão_. (V. _Afeganistão_)

*Ainão*, ilha do mar da China. Cf. _Lusíadas_, X, 129; M. Godinho, _Caminho da Índia_. (Fórmas estranhas, _Hai-Nan_, _Hainan_)

*Aires*, (e não *Ayres*) povo do concelho de Marvão.

*Aisne*, (_éne_) departamento francês.

*Aix*, (_éss_) cidade francesa.

*Alanos*, (não *Álanos*) antigo povo da Scýthia, que invadiu a Gállia no séc. V. (Lat. _Alani_)

*Alanquer*, o mesmo _ou_ melhór que _Alenquer_. Cf. R. Pina, _Affonso V_, c. XXXI; _Lusíadas_, III, 61.

*Alão-quer*, (outra fórma de _Alanquer_)

*Albion*, (_álbion_) nome indígena da Gran-Bretanha.

*Alcouchete*, (outra fórma de _Alcochete_, villa de Portugal). Cf. _Peregrinação_, XCI.

*Alemanha*, (e não *Allemanha*) nação europeia. Cf. _Lusíadas_, III, 11; VI, 69. (Lat. _Alemannia_)

*Alemquer*, Orthogr. usual, mas injustificável. (V. _Alenquer_)

*Alemtejo*, Orthogr. moderna e menos aceitável que _Alentejo_. (V. _Alentejo_)

*Alemtém*, Fórma usada, mas injustificável, em vez de _Alentém_. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._

*Alencastro*, cidade inglesa. Cf. _Lusíadas_, VI, 46. (Ingl. _Lancaster_)

*Aquemênia*, nome, dado por poétas á Pérsia. Cf. _Lusíadas_, IX, 60. (Lat. _Achaemênia_)

*Alenquer*, villa do districto de Lisbôa.--Modernamente, por uma falsa comprehensão da composição da palavra, e pela errada pronúncia dos que a imaginam composta de _àlém_ e _quer_, escreve-se, geral e insensatamente, _Alemquer_. Na formação da palavra não entra o adv. _àlém_: é palavra de origem árabe e aínda no século XVI se escrevia _Alanquer_. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._; Barros, _Déc._ I, liv. III, cap. 9; Figueiredo, _Lições Práticas_, vol. I.

*Alentejo*, uma das províncias de Portugal.--A antiga escrita portuguesa da palavra, o valor comparativo das duas líquidas _m_ e _n_, a pronúncia vulgar da palavra como simples, etc., tudo aconselha a preferência de _Alentejo_ a _Alemtejo_. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._; Couto, _Déc._ IV, liv. VII, cap. 14.

*Alentém*, aldeia do concelho de Guimarães.

*Alexandría*, cidade do Egypto.--_Alexândria_ é prosódia italiana e inglesa, errónea. (Lat. _Alexandría_)

*Alger*, (Fórma afrancesada, em vez de _Argel_)

*Algéria*, (Fórma afrancesada, em vez de _Argélia_)

*Alijó*, _m._ Villa trasmontana. Fórma archaica, _Legioo_. Cf. _Portug. Monum. Hist._, p. 605.

*Allegany*, (_áleganei_) cordilheira da América do Norte.

*Allemanha*, (Fórma usual, mas inexacta, em vez _Alemanha_. V. _Alemanha_)

*Almodóvar*, villa de Portugal.

} *Altenbourg*, (V. _Altenburgo_)

*Altenburgo*, cidade aleman.

*Áltona*, cidade aleman.

*Amacuça*, ilha do Japão.

} *Amakoussa*, (V. _Amacuça_)

} *Amsterdám*, (V. _Amsterdão_)

*Amsterdão*, cidade da Holanda.

*Aname*, Estado da Índia transgangética. Cf. G. Viana, _Apostilas_, vb. _bonzo_.

*Anciães*, (V. _Ansiães_)

* *Ancóna*, cidade italiana. (Lat. _Ancóna_)

*Andaluzia*, (e não *Andalusia*) região meridional da Espanha. Em latim bárbaro _Vandalitia_, do nome dos _Vândalos_, que alli habitaram. (Cp. ár. _andalos_)

} *Anderney*, ilhota inglesa, que os Franceses e os francesistas chamam _Aurigny_. (Cp. _Aurigny_)

*Angoleima*, cidade francesa. Cf. Castro, _Paráfrase_, 45.

*Angolema*, o mesmo que _Angoleima_.

*Angora*, (_Angóra_, não _Ângora_) cidade da Turquia Asiática. (Do lat. _Ancyra_)

} *Angoulême*, (v. _Angoleima_)

*Annám*, (v. _Aname_)

*Annão*, (v. _Aname_)

*Ansiães*, povoação trasmontana. É fórma preferível á hoje usada, _Anciães_. No lat. medieval _Ansianes_, (séc. XI e XII).

*Antívari*, cidade da Albânia.

* *Antínoe*, antiga cidade do Egypto. (Lat. _Antínoe_)

* *Antínoi*, antiga cidade do Egypto. (Lat. _Antínoe_)

*Antuérpia*, cidade da Holanda, que, em português, algumas vezes se tem chamado _Anveres_.

*Anveres*, (v. _Antuérpia_)

*Aónia*, Designação poética da Beócia. Cf. _Lusíadas_, V, 87. (Lat. _Aónia_)

} *Aracan*, (v. _Arracão_)

*Árcole*, (não _Arcóle_) cidade italiana.

*Argel*, cidade capital da Argélia. Cf. _Eufrosina_, 223. (Do ár. _aljezair_)

*Argélia*, colónia francesa da África setentrional.

} *Arkiko*, (v. _Arquico_)

*Aceiceira*, povoação do districto de Santarém. Dantes, predominava a fórma _Aceiceira_. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._ o mesmo _ou_ melhór que _Asseiceira_. (V. _Asseiceira_)

*Arómata*, (outro nome do cabo Gurdafui). Cf. _Lusíadas_, X, 97.

*Arquico*, pôrto nas vizinhanças de Maçuá, designado nos mappas modernos por _Arkiko_. Cf. _Lusíadas_, X, 52.

*Arracão*, Nome de um antigo reino da Índia. Cf. _Lusíadas_, X, 122. (_Aracan_ é fórma hodierna, mas estranha).

*Arraiolos*, (não _Arrayollos_) villa de Portugal.

*Arroios*, (e não *Arroyos*) Nome de uma freguesia de Lisbôa. Cp. _arroio_.

*Arroyos*, Escrita tradicional, mas injustificável, em vez de _Arroios_. (V. _Arroios_)

*Arsinário (cabo)*, Designação antiga do Cabo-Vêrde. Cf. _Lusíadas_, V, 7.

*Artabro*, Designação antiga do cabo Finisterra. Cf. _Lusíadas_, IV, 28. (Lat. _Artabrus_)

*Arundel*, (_árandel_) cidade inglesa.

*Arzila*, (melhór escrita que *Arzilla*) cidade africana. Cf. Filinto, _D. Man._, I, 260 e 340.

*Assaboro*, Designação antiga do _Moçandão_. Cf. _Lusíadas_, X, 102. (Cp. _Moçandão_)

*Asseiceira*, povoação do districto de Santarém. Dantes, predominava a fórma _Aceiceira_. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._

*Assúcar*, É assim que, nalguns livros de Geographia, e por uma confusão facilmente explicável, se nomeia a cidade de _Sucre_, na Bolívia. (V. _Sucre_)

*Atlante*, o mesmo _ou_ melhór que _Atlas_. Cf. _Lusíadas_, III, 73.

*Atlas*, grande montanha da África setentrional, que em português se chama _Atlante_. (Cp. _Atlante_)

*Áurea-Chersosoneso*, (_quer_) o mesmo que _Malaca_. Cf. _Lusíadas_, II, 54.

} *Aurigny*, (_orinhi_) Nome francês de uma ilhota do mar da Mancha, pertencente aos Ingleses, e que êlles chamam _Anderney_. É êste o nome que lhe devemos dar, á falta de nome português.

*Austerlitz*, (_áusterliz_) cidade austríaca.

*Avis*, (e não *Aviz*) villa do Alentejo.--Não encontro justificação para o _z_ final. Em português antigo, a palavra não tem _z_. Cf. _Port. Mon. Hist._, 595; Car. Michaëlis, _Uma obra do Condestável_, 2.

*Avranches*, (v. _Abranches_)

*Áxio*, (_csi_) Nome antigo do Vardar. Cf. _Lusíadas_, III, 13. (Lat. _Áxius_)

*Ayres*, Fórma inexacta de _Aires_. Advirta-se que Barros, não obstante sêr de uma época em que dominava a fórma ditongal _ay_, _ey_, _oy_..., escreveu _Aires_. Cf. _Dec._, (_passim_).

B

*Babelmândeb*, (não *Babelmandéb*) estreito de mar, entre a Arábia e a Abyssínia.

*Baçaim*, cidade marítima da Índia. Cf. _Lusíadas_, X, 61. (Em livros modernos, _Bassein_)

*Bachão*, uma das Molucas.

*Bactro*, rio do Turquestão. Cf. _Lusíadas_, II, 53. (Nos mappas de hoje, _Balkh_, ou _Balkh-Déria_) (Lat. _Bactrus_)

*Baffin*, (_báfin'_) gôlfo na América do Norte.

*Bagdad*, Designação usual da cidade, que em português se chama _Bagodad_. (V. _Bagodad_)

*Bagodá*, Designação usual da cidade, que em português se chama _Bagodad_. (V. _Bagodad_)

*Bagodad*, Designação portuguesa e antiga da cidade da Turquia asiática, conhecida hoje geralmente por _Bagdad_.

} *Bahrém*, (v. _Barèm_)

*Balça*, Nome de várias povoações portuguesas. _Balsa_ usa-se hoje, mas não se usava nem é fórma justificável. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._

*Balcans*, Melhór orthogr. que _Balkans_. (Cp. _Balkans_)

} *Bâle*, Nome francês da cidade de Basileia, disparatadamente usado ás vezes entre nós.

} *Balkans*, Designação generalizada da grande montanha que vai do Adriático ao Mar-Negro. Não se restabelecendo o nome clássico de _Hemo_, será preferível escrevermos _Balcans_. (Cp. _Hemo_)

} *Balkh*, (v. _Bactro_)

*Balochistão*, Fórma talvez mais portuguesa que _Beluchistão_, visto que os _Baloches_, segundo Barros, são os habitantes da respectiva região. Cf. _Déc._, III, liv. VII, cap. 2.

*Balsa*, (v. _Balça_)

*Baltimore*, (_Báltimor_) cidade americana.

*Bantam*, cidade de Java.

*Barborá*, cidade ao sul do gôlfo de Ádem. Cf. _Lusíadas_, X, 50. (Designação moderna, _Berberá_. Alguns diccion. geográphicos portugueses dizem _Berbera_, como em francês)

*Bardés*, província da Índia portuguesa. Cf. _Peregrinação_, VIII.

*Barém*, região da Arábia. Cf. _Lusíadas_, X, 41. (Em livros e mappas nossos, _Bahrem_ e até _Bahrein_!)

*Baroce*, região da África austro-central.

*Barotze*, (Orthogr. bárbara, em vez de _Baroce_. V. _Baroce_)

*Baroze*, (v. _Baroce_)

*Basileia*, cidade e cantão da Suíça. (Lat. _Basilea_)

} *Bassein*, (v. _Baçaim_)

*Batecalá*, cidade da Índia. Cf. _Lusíadas_, X, 66. (Chamam-lhe hoje _Batkul_)

*Baticalá*, cidade da Índia. Cf. _Lusíadas_, X, 66. (Chamam-lhe hoje _Batkul_)

} *Batjan*, (v. _Bachão_)

} *Batkul*, (v. _Baticalá_)

*Bélgia*, Fórma des. de _Bélgica_. Cf. Filinto, _D. Man._, I, 342.

*Bélgica*, nação europeia.

*Bella-Ilha*, Nome português de uma ilha da França, sôbre o Atlântico. (Fr. _Belle-Isle_)

} *Belle-Isle*, Nome francês de _Bella-Ilha_. (V. _Bella-Ilha_)

*Beluchistan*, Fórma bárbara de _Beluchistão_.

*Beluchistão*, região da Ásia. (V. _Balochistão_)

*Beja*, cidade do Alentejo. Em documentos antigos, lê-se _Begia_. Cf. _Port. Mon. Hist._, 640.

*Benares*, (não *Benarés*) grande cidade indiana.

*Benguela*, (e não *Benguella*) cidade de Angola. Na representação escrita do quimbundo, a que pertence aquelle termo, não há duplicação de consoantes.

*Benomotapa*, (Outra fórma de _Monomotapa_). Cf. _Lusíadas_, X, 93.

*Beócia*, região da Grécia. (Cp. _Aónia_)

*Berberá*, (v. _Barborá_)

*Berna*, (e não *Berne*) cidade da Suíça.

} *Berne*, Fórma afrancesada, que muitos entre nós empregam, em vez de _Berna_.

*Bétis*, Designação antiga de Guadalquivir.

*Bidassôa*, rio de Navarra.

*Bié*, região da África meridional.

*Bihé*, (v. _Bié_)

*Bijagós*, (v. _Bissagos_)

*Bijagoz*, (v. _Bissagos_)

} *Bintang*, (v. _Bintão_)

* *Bintão*, pôrto e ilha, ao sul de Singapura. Cf. _Lusíadas_, X, 57. (Nos modernos livros de Geographia, _Bintang_)

*Bisnaga* (e não *Bisnagá*, como escreveram alguns) região da Índia. Cf. David Lopes, _Chron. dos Reis de Bisnaga_, p. XXVII.

*Bissagos*, archipélago na costa da Guiné. Cp. _Dórcadas_.

*Bombaim*, cidade da Índia inglesa.

} *Bombay*, Fórma estranha, em vez de _Bombaim_. (V. _Bombaim_)

*Bona*, cidade da Prússia, á beira do Rheno.

} *Bonn*, (v. _Bona_)

*Bons-Sinaes (Rio dos)*, Nome, que os Portugueses deram primitivamente ao Zambeze. Cf. _Lusíadas_, V, 78.

*Borbão*, ilha do Oceano Índico. Cf. Garcia de Resende, _Miscellânea_.

} *Bordeaux*, (v. _Bordéus_)

*Bordéus*, cidade da França. (Fr. _Bordeaux_)

*Borístenes*, grande rio da Rússia, mais conhecido hoje por _Dniepre_. (Lat. _Borýsthenes_)

*Borýsthenes*, grande rio da Rússia, mais conhecido hoje por _Dniepre_. (Lat. _Borýsthenes_)

*Bósforo*, (v. _Bósporo_)

*Bósphoro*, (v. _Bósporo_)

*Bósporo*, Nome do estreito, também conhecido por _estreito de Constantinopla_; e nome do estreito, que liga o Mar-Negro ao de Azof. (Lat. _Bosporos_, gr. _Bosporos_)

*Bourbon*, (v. _Borbão_)

*Brasil*, (e não *Brazil*) nação da América do Sul. (Do nome do pau _brasil_, que, segundo a opinião mais segura, deriva de _brasa_, que se não deve escrever com _z_). Cf. _Peregrinação_, XXXVII ; _Lusíadas_, X, 63.

*Brazil*, (Fórma incorrecta, em vez de _Brasil_)

*Brindes*, (e não *Bríndisi*) cidade da Itália, sôbre o Adriático. (It. _Brindisi_, do lat. _Brundisium_)

} *Bríndisi*, (v. _Brindes_)

*Bronsuíque*, cidade aleman.

} *Brunswick*, (v. _Bronsuíque_)

*Buçaco*, serra de Portugal. A orthogr. antiga e exacta é _Buçaco_. (Do b. lat. _Buzaccum_)

*Bucara*, (_bu-cá-ra_) cidade asiática. (Cp. fr. _Boukhara_)

*Buenos-Aires*, capital da República Argentina.

*Buenos-Ayres*, Fórma incorrecta de _Buenos-Aires_. (V. _Buenos-Aires_)

*Bussaco*, (v. _Buçaco_)

*Butan*, Fórma bárbara de _Butão_.

*Butão*, região da Ásia.

*Byzâncio*, (e não *Bysâncio*, como alguns escrevem) Designação antiga da cidade que hoje se chama Constantinopla. (Lat. _Byzantium_)

C

*Cabo-Verde*, cabo da costa occidental da África, conhecido antigamente por _Arsinário_. (Cp. _Arsinário_)

*Cabul*, (e não *Kabul*) rio da Ásia.

*Cachó*, Designação antiga da Cochinchina. Cf. _Conquista do Pegu_, I.

*Çafim*, antiga cidade berbére. Cf. Filinto, _Vida de D. Man._, II, p. 7.

} *Cagliari*, (v. _Cálari_)

*Çahará*, o mesmo _ou_ melhór que _Sahará_. Cf. Barros, _Déc._ I, liv. I, cap. 2. grande região da África, ao sul de Marrocos, Argélia e Tunes.

*Çáhara*, o mesmo _ou_ melhór que _Sahará_. Cf. Barros, _Déc._ I, liv. I, cap. 2.

*Calaiate*, região da Arábia. Cf. _Lusíadas_, X, 41. (Em livros modernos, _Kallat_)

*Cálari*, cidade principal da Sardenha. (It. _Cagliari_)

*Calecu*, o mesmo _ou_ melhór que _Calecut_: «_Ricos em Calecu_...» _Lusíadas_, IX, 10. Cf. G. Vicente, _Auto da Índia_.

*Calecut*, cidade da costa occidental da Índia. Cf. Filinto, _Vida de D. Man._, I, p. 253.

*Calecute*, Fórma preferível a _Calecut_. Cp. _Calecut_. Cf. _Hist. dos Port. no Malabar_, p. 91.

*Calicut*, (v. _Calecut_)

*Çamatra*, Outra fórma, talvez a mais exacta, de _Samatra_. Cf. _Not. para a Hist. e Geogr._, II, p. 375; Barros, _Déc._ III, liv. V, cap. 1; Couto, _Déc._ IV, liv. III, cap. 1.

*Cambodja*, Fórma bárbara de _Camboja_. (V. _Camboja_)

*Camboja*, rio e região da Ásia meridional.

*Cambraia*, cidade da França. (Fr. _Cambray_)

} *Cambray*, (v. _Cambraia_)

*Camchatca*, grande península da Sibéria oriental.--A fórma _Kamtchatka_, usada por geógraphos, não se justifica em português.

*Çamora*, (e não *Samora*) cidade da Espanha. Cf. R. Pina, _Aff. V_, c. CLXXX. (Cast. _Zamora_)

*Çamora-Correia*, villa do districto de Santarém. (Usa-se _Samora-Correia_, incorrectamente. Cp. _Çamora_)

*Canaan*, (e não *Chanaan*) Designação antiga daquella parte da Palestina, que ficava a Oéste do Jordão. (Lat. _Canaan_)

*Çanagá*, o mesmo _ou_ melhór que _Senegal_. Cf. Barros, _Déc._, (_passim_)

*Çanagal*, o mesmo _ou_ melhór que _Senegal_.

*Candahar*, cidade do Afeganistão, conhecida dos chronistas portugueses por _Candar_. (V. _Candar_)

*Candar*, o mesmo _ou_ melhór que _Candahar_. Cf. Barros, _Déc._ IV, liv. IV, cap. 1.

*Canosa*, cidade italiana, antigamente _Canúsio_.

} *Cantorbery*, (v. _Cantuária_)

*Cantuária*, _f._ Cidade inglesa, antiga capital do reino de Kent. (Em ingl. _Cantorbery_)

*Canúsio*, Nome antigo de _Canosa_. Cf. _Lusíadas_, IV, 20. (Lat. _Canusium_)

*Çaragôça*, _f._ Cidade da Espanha. Bôa e antiga orthogr. Cf. _Eufrosina_, act. I, sc. 2; Filinto, _Vida de D. Man._, I, p. 61.

*Cária*, província da Ásia-Menor. (Lat. _Cária_)

*Carmânia*, antiga província da Pérsia. Cf. _Lusíadas_, IV, 65. (Nos livros modernos, _Kerman_) (Lat. _Carmania_)

*Carnac*, (e não *Karnak*) aldeia egýpcia, situada onde foi Thebas. Cf. Freund, vb. _Thebae_.

*Cárpathos*, cadeia de montanhas, ao norte da Hungria.

*Cárpatos*, cadeia de montanhas, ao norte da Hungria.

*Carpella*, cabo da Carmânia, o mesmo que _Jasque_. Cf. _Lusíadas_, X. 105.

*Cartum*, capital do Sudão egýpcio.

*Casével*, povoação portuguesa.

*Castello-Branco*, cidade da Beira-Baixa. Em documentos antigos lê-se _Castelbranco_. Cf. _Port. Mon. Hist._, 566.

*Catgão*, cidade da Índia. Cf. _Lusíadas_, X, 121. (Nos mappas modernos, _Chitagong_)

*Cauchinchina*, o mesmo _ou_ melhór que _Cochinchina_. Cf. _Lusíadas_, X, 129.

*Cebta*, o mesmo que _Ceita_.

*Ceia*, Hoje, fórma usual que se dá ao nome de uma villa da Beira-Baixa. O lat. bárbaro dizia _Sena_ e os nossos escritores antigos escreviam _Seia_. Cf. Herculano, _Hist. de Port._ O _S_ não soava como _C_, e portanto devemos suppor que escrita exacta é _Seia_.

*Ceilám*, (outra fórma de _Ceilão_). Cf. _Not. para a Hist. e Geogr._, II, 353.

*Ceilão*, (e não *Ceylão*) grande ilha do mar das Índias. Cf. _Hist. dos Port. no Malabar_, 112; _Not. para a Hist. e Geogr._, tomo V; _Lusíadas_, X, 107.

*Ceita*, Antiga designação portuguesa de _Ceuta_.

*Cepta*, Fórma antiga de _Ceuta_. Cf. Barros, _Déc._; R. Pina, _João II_; Azurara, _Chrón. de D. Pedro_; etc.

*Cérigo*, ilha do Mediterráneo, ao Sul da Grécia, antigamente _Cythera_. (Cp. _Cythera_)

*Cernache*, Nome de duas povoações portuguesas. Parece que a fórma _Cernache_ é a mais exacta; é pelo menos a mais antiga. Cf. L. Cardoso, _Diccion. Geogr._

*Cernancelhe*, (_cê_) villa da Beira-Alta. Tem-se usado as duas variantes; _Cernancêlhe_ porém é mais antiga e talvez mais exacta.

*Ceuta*, promontório e cidade forte na costa setentrional da África. Fórma antiga, _Cepta_.

*Cevennas*, (e não *Cevennes*) montes de França. (Do lat. _Cevenna_ ou _Cebenna_)