# Indice chronologico dos factos mais notaveis da Historia do Brasil desde seu descobrimento em 1500 até 1849

## Part 3

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Á sombra da paz florecia e prosperava rapidamente a colonia Hollandeza sob o governo sabio do Principe Mauricio, quando suspeitas mal fundadas o fazem chamar á Europa. Entrega portanto o governo ao _Grão-Conselho_ do Recife, composto de tres cidadãos; e faz-se á vela para Hollanda (_22 de Maio_).--A sua ausencia, a fraqueza e má administração do novo Governo trazem a decadencia da colonia, e excitão nos Portuguezes o desejo de liberdade. _Antonio Moniz Barreto_ (ou _Barreiros_, segundo outros) no Maranhão dá o signal, sacodindo o jugo estrangeiro: o Ceará o imita. Feliz incentivo para os de Pernambuco!

1645.

João Fernandes Vieira trama em Pernambuco huma temivel conspiração contra os invasores. Mas desejando o apoio do governo, participa a sua resolução ao Governador Geral; o qual procedendo prudentemente envia André de Vidal Negreiros afim de examinar o estado das cousas e entender-se com Vieira. Vidal conforma-se em tudo com Vieira e exhorta-o a proseguir em tão gloriosa empreza. Descoberta a conspiração por denuncia que ao Grão-Conselho derão dous conjurados, Vieira corre ás armas abandonando o Recife.--Encontra-se Vieira com as tropas Hollandezas ao mando de _Henrique Huss_ junto ao monte _Tabocas_ (_3 de Agosto_): o Chefe inimigo é completamente derrotado e obrigado a retirar-se para o Recife.--Chega a Pernambuco huma frota enviada por Telles da Silva sob o commando de _Serrão de Paiva_; nella vinhão tropas ao mando de Vidal em favor dos insurgentes sob pretexto de os reduzir á ordem. Vidal reune-se a Vieira, ao qual já se havião reunido Camarão e Dias.--Outra esquadra sahida do Rio de Janeiro ás ordens de Salvador Corrêa de Sá reune-se á de Paiva em Pernambuco; porém logo depois se separa.--No entanto huma armada Hollandeza commandada pelo Almirante _Cornelio Lichtart_ destroe em _Tamarandé_ a de Paiva, que é feito prisioneiro.--A revolução lavra por todas as outras possessões Hollandezas no Brazil, e por toda a parte Vieira é reconhecido o chefe della.

1646.

Depois de já haver sido batido segunda vez e aprisionado o General Huss, depois de já se haverem tomado varias villas e pontos, é o General Hollandez expulso de Olinda, vendo-se obrigado a entrincheirar-se no Recife.--No entanto, em consequencia das representações do Grão-Conselho, manda Telles da Silva ordem a Vieira de mandado do Rei para cessar a guerra; Vieira recusa obedecer dizendo--_que depois de restituir ao seu Rei esta bella estrella, iria elle proprio exigir o castigo da desobediencia_.--Vieira, animado por tão prosperos successos de suas armas, vai sitiar o Recife.--Chega de Hollanda com grande reforço Sigismundo de Schopp, que substitue a Junta Governativa. He gravemente ferido em um combate. Vai atacar a Bahia; mas obrigado a voltar ao Recife, toma na passagem a ilha de Itaparica e arraza a povoação.

1647.

Chega ao Brazil o Governador Geral Antonio Telles de Menezes, Conde de Villa-pouca, que substitue Telles da Silva, chamado á Europa.--Chega hum grande reforço aos Hollandezes.--Neste mesmo anno é o Brazil elevado a Principado por D. João IV. na pessoa do Principe D. Theodosio.

1648.

A _13 de Janeiro_ chega ao Brazil _Francisco Barreto de Menezes_ a tomar o commando do exercito em Pernambuco. Coadjuvado sempre pelo patriotico Vieira, Camarão, Dias, e outros ganha a primeira memoravel batalha de _Guararapes_ (_19 de Abril_) sobre Sigismundo. _Astolfo Brinck_, que commandava no impedimento de Sigismundo, tambem é batido. Sigismundo, exacerbado por tantos revezes e querendo vingar-se, tendo recebido reforços resolve atacar a Bahia.

1649.

Sigismundo volta a Pernambuco, depois de haver saqueado o Reconcavo da Bahia.--Tem lugar a segunda batalha de _Guararapes_ ganha por Barreto (_19 de Fevereiro_).

1650--1654.

Chega á Bahia o Governador Geral, Conde de Castello-Melhor, que substitue Telles de Menezes (1650).--Francisco Dias Velho Monteiro com sua familia, e 500 Indios domesticados dá principio á povoação da Ilha de Santa Catharina (1651).--Continúa o assedio do Recife por Vieira.--Chegando casualmente á Capitania de Pernambuco huma esquadra portugueza sob o commando de _Pedro Jacques de Magalhães_, o General Barreto pede-lhe que o auxilie a expellir definitivamente os Hollandezes (fins de 1653). Por conseguinte, ajudado pelo fogo da esquadra Vieira é encarregado da difficil, mas gloriosa empreza de atacar o Recife, unico ponto occupado pelo inimigo. Com effeito em 1654 obriga elle Sigismundo a capitular e abandonar para sempre as pretenções da Hollanda sobre o Brazil. Neste anno são elles definitivamente expulsos de todos os pontos; porque a restauração de Pernambuco trouxe a de todas as outras Capitanias. Assim, neste anno, para sempre de gloriosa memoria, foi Portugal reintegrado de todos os seus direitos ao Brazil, e este livre do jugo estrangeiro pelos esforços inauditos, e patriotismo sem igual do illustre Vieira, acclamado por isso _Libertador do Brazil_, e _Restaurador da Igreja_.

1656.

Morre D. João IV. (_6 de Novembro_).--É Regente do Reino a Rainha D. Luiza de Gusmão.

1660.

Conclue-se entre Portugal e Hollanda hum tratado de paz, em virtude do qual são definitivamente restituidas a Portugal as provincias do Brazil, devendo em compensação receber a Hollanda 12 milhões, e poder commerciar livremente no Brazil e outras possessões.

1662.

A Rainha D. Luiza entrega o governo a seu filho, já maior, D Affonso (_23 de Junho_).--Sóbe ao throno D. Affonso VI. Pouco reinou, porque a Junta dos tres Estados o depoz em _24 de Novembro_ de 1667, e nomeou Regente o Infante D. Pedro.

1667.

É Regente do Reino o Infante D. Pedro.--Favorece elle as colonias, e estabelece huma armada para comboiar os navios mercantes que do Brazil sahião para Lisboa.

1668.

Conclue-se (_13 de Fevereiro_) hum tratado de paz entre Portugal e Hespanha, em virtude do qual he reconhecida a independencia do Reino e a casa reinante de Bragança: e alguma cousa tambem se convencionou ácerca dos limites das respectivas possessões na America.

1675.

Por morte do Vice-Rei Governador Geral, he o Brazil governado interinamente por um Triumvirato.

1676.

A Igreja da Bahia (que já havia sido elevada a Bispado em 1550, sendo seu primeiro Bispo D. Pedro Fernandes Sardinha) he elevada a Arcebispado por Bulla de Innocencio XI. (de _16 de Novembro_): e elevadas a Bispados as Igrejas de Maranhão, Pernambuco, e Rio de Janeiro.

1678.

Com a vinda do novo Governador Geral, acaba neste anno o governo interino.

1679.

D. Manoel de Lobo, Governador do Rio de Janeiro, recebe ordem do Regente para fundar a colonia do _Sacramento_ perto do Rio da Prata afim de obstar aos ataques e invasões dos Hespanhoes do Paraguay e Buenos-Ayres.

1680.

Tendo-se dirigido ao Prata o Governador Lobo, levanta o forte do Sacramento, apezar das representações e opposição dos Hespanhoes. Mas neste mesmo anno he o forte tomado pelo Governador de Buenos-Ayres.

1683.

He restituida a Portugal a praça do Sacramento, e reedificada.--Fallece D. Affonso VI. (_12 de Setembro_).--Sobe ao throno D. Pedro II., que até aqui governára como regente.

1690.

Os Vicentistas ou Paulistas tentão novas peregrinações pelo interior do paiz em busca de metaes preciosos, e descobrem as minas de Sabará.

1697.

Os Paulistas fundão em Minas-Geraes a povoação denominada _Villa-Rica_ (hoje Ouro-Preto), para a qual afluio quantidade enorme de colonos attrahidos pelo ouro em que abundava o districto.--Neste mesmo anno he destruida completamente a povoação de _Palmares_ em Pernambuco, feita por negros de ha muitos annos. Tinha ella crescido a tal ponto que foi preciso huma força de 7000 homens, e sitial-a em regra como si fôra huma fortaleza ou grande cidade!

*TITULO III.*

*SECULO XVIII.*

1701.

Conclue-se (_18 de Junho_) hum tratado entre Portugal e Hespanha, em virtude do qual Hespanha concedeu-lhe o dominio pleno e perfeito da margem Septentrional do Rio da Prata.

1705.

Os Hespanhoes tomão Sacramento.

1706.

Morre El-Rei D. Pedro II. (_9 de Dezembro_).--Sobe ao throno D. João V.

1707.

Reune-se no Arcebispado da Bahia hum Synodo Diocesano, que organisa a Constituição do Arcebispado; a qual foi approvada pelo Governo da Metropole, e ainda hoje he a lei que rege todos os Bispados do Imperio.

1710.

Tendo rebentado a guerra de successão á corôa de Hespanha, na qual Portugal tomára parte contra a França, varias expedições são tentadas por armadores Francezes; algumas das quaes estiverão a ponto de fazer perder a Portugal a possessão do Brazil.--Apparece na capitania do Rio de Janeiro a primeira expedição commandada por _Carlos Duclerc_. Depois de haver entrado na cidade quasi sem resistencia por causa da pusilanime apathia do Governador Francisco de Moraes e Castro, he obrigado a entregar-se e morre assassinado na prisão (ou, segundo outros, no acto de entregar-se prisioneiro). Assim ficou mallograda esta tentativa.

1711.

Apparece no Rio de Janeiro (_12 de Setembro_) segunda expedição Franceza ás ordens de _Dugay-Trouin_ a vingar a affronta de Duclerc. Era elle protegido e apoiado por Luiz XIV.--Toma sem resistencia o forte da Ilha das Cobras; e depois de fazer fogo sobre a cidade e de varrer deste modo as praias, desembarca, e apodera-se de varios pontos importantes. Depois de um pequeno combate, o Governador Castro capitúla vergonhosamente, pagando 610:000 cruzados. Dugay-Trouin faz-se de véla para França em _13 de Outubro_, levando comsigo todos os Francezes aprisionados no anno antecedente.--O Governador recebeo o devido castigo de sua cobardia, sendo degradado para a India.

1713.

Celebra-se o tratado de Utrecht (_11 de Abril_), que traz a paz geral á Europa. A colonia do Sacramento no S. do Brazil occupada pelos Hespanhoes desde 1705 he restituida a Portugal.--Ao mesmo tempo celebra-se (_11 de Abril_) hum tratado parcial entre a França e Portugal debaixo da mediação de Inglaterra, no qual se fixão os limites entre o Brazil e a Guyana Franceza, e se dão outras providencias.

1715.

Celebra-se entre Hespanha e Portugal o tratado de Utrecht (_6 de Fevereiro_), segundo o qual devia o Rio da Prata ser o limite Meridional do Brazil, voltando a colonia do Sacramento ao poder dos Portuguezes.

(Por esta época continuão os Paulistas nas suas peregrinações pelo interior, em quanto as capitanias do Norte vão em regresso por falta de protecção da Metropole).

1719.

He a Igreja do Pará elevada a Bispado.

1720.

He destacado da capitania de S. Paulo o districto das Minas (C. R. _21 de Fevereiro_); e elevado á cathegoria de capitania com o nome de Minas-Geraes (Alv. _2 de Dezembro_).

1721.

Os Paulistas chegão até o Cuyabá em busca de ouro.

1726.

O Paulista _Bartholomeo Bueno_, indo em busca de minas de ouro no districto dos Goyazes, as descobre: já em 1682 pouco mais ou menos ahi havia chegado seu pae (foi com o ouro extrahido destas minas abundantissimas que hum de seus descendentes mandou fazer varias especies de fructos do paiz em tamanho natural, e offereceo a D. João V.) Lanção-se os fundamentos da povoação de Goyaz.

1729.

Antonio (ou Bernardo, segundo outros) da Fonseca Lobo acha no districto do Sêrro-Frio, em Minas-Geraes, o primeiro diamante descoberto no Brazil (deste lugar sahio depois quantidade enorme desta pedra preciosa).

1735.

A colonia do Sacramento he atacada pelos Hespanhoes, ao mando de _D. Miguel de Salcedo_; porém são victoriosamente repellidos pelo bravo e valente _Antonio Pedro de Vasconcellos_, commandante do forte.

1743.

Os Paulistas chegão até o Rio da Prata, e fundão a povoação de S. Pedro.

1746.

A pedido do Rei, o Papa Benedicto XIV. eleva a Bispados as Igrejas de S. Paulo e Minas-Geraes (Bulla de _6 de Dezembro_); e cria as Prelazias de Goyaz e Matto-Grosso.

1750.

Conclue-se hum tratado entre Hespanha e Portugal (_13 de Janeiro_), tendo por fim determinar definitivamente os limites das respectivas possessões na America, e trocar o Sacramento por terras do Paraguay.--Morre D. João V. (_31 de Julho_).--Sobe ao throno D. José I.

1751.

Já por L. _9 de Março_ 1609 havia sido criada na Bahia huma Relação, ou Tribunal da 2.^a instancia; porém não o havia sido effectivamente senão em 1652, quando se lhe deo o Regimento de _12 de Setembro_.--Neste anno de 1751 he criada outra Relação no Rio de Janeiro (L. _16 de Fevereiro_), e deo-se-lhe Regimento em _13 de Outubro_.--Já a este tempo existia na Bahia a Relação Ecclesiastica Metropolitana, criada em 1677 (Prov. de _30 de Novembro_) por D. Gaspar Barata de Mendonça, 1.^o Arcebispo, e confirmada pelo Regente D. Pedro (Prov. Regia de _30 de Março_ de 1678). Neste mesmo anno he concluido e ratificado o tratado com Hespanha de 1750.

1752.

Sahe para o Rio da Prata o Governador do Rio de Janeiro Gomes Freire de Andrade (depois Conde de Bobadella), encarregado de pôr em execução do lado do Sul o tratado de 1750.--Porém ficou sem effeito este tratado por causa das immensas difficuldades que sobrevierão na sua execução; porquanto, devendo-se trocar Sacramento por povoações e terras do Paraguay, de hum lado os de Sacramento com difficuldade obedecerão ás ordens da côrte, sendo até preciso quasi empregar a força, e do outro tiverão os Portuguezes e Hespanhoes reunidos de combater os Indios do Paraguay, os quaes incitados pelos Jezuitas e habituados a obedecerem unicamente a elles, recusarão sujeitar-se.

1755.

Sendo Ministro do Rei D. José o grande _Sebastião José de Carvalho e Mello_ (depois Marquez de Pombal), levou este suas vistas para as colonias, e mais que tudo para o Brazil. A elle he o Brazil devedor de serviços sem preço, e de medidas justas e salutares a bem dos Indios, do commercio, da lavoura, da illustração, da justiça, etc.--Não podia elle ver com bons olhos a oppressão em que jazião os Indios reduzidos á escravidão, apezar das sabias e justas determinações já da côrte de Madrid, já mesmo da de Lisboa, sempre menoscabadas pelos colonos, avidos de riquezas. Em consequencia a L. _6 de Junho_ mandou restituir a liberdade, bens, e commercio aos Indios do Pará e Maranhão assim como em geral conservarem-se-lhes as propriedades demarcadas, inteiras e pacificas para si e seus herdeiros.

1758.

O Alv. de _8 de Maio_ estendeo aos Indios de todo o Brazil a disposição do de _6 de Junho_ 1755, mandando que todos elles fossem senhores de sua liberdade e bens em tudo e por tudo como os do Maranhão.

1759.

Exacerbado o Ministro do Rei com a opposição que aos seus projectos sempre encontrava da parte dos Jezuitas tanto em Portugal como na America e desejando acabar com o dominio de semelhante Ordem, consegue expulsal-os do Reino e dominios (Alv. de _19 de Janeiro_, C. R. de _21 de Julho_, e L. de _3 de Setembro_). Já o Alv. de _19 de Janeiro_, e o de _28 de Junho_ deste mesmo anno lhes havia dado hum golpe fatal, sequestrando-lhes os bens, mandando-os conservar reclusos nas casas principaes das cidades e villas notaveis, e tirando-lhes o direito de ensinar e educar.

1761.

Celebra-se entre Hespanha e Portugal hum tratado (_12 de Fevereiro_) annullando o de 13 de Janeiro de 1750 e todos os que delle forão consequencia.--Mandão-se confiscar para a corôa e Fazenda Nacional todos os bens pertencentes aos Jezuitas, á excepção do que era destinado ao serviço das Igrejas e Culto Divino (Alv. _25 Fevereiro_).

1762.

Rompe-se a paz entre Hespanha e Portugal.--As suas colonias na America seguem a sorte das Metropoles. _D. Pedro Cevallos_ ataca de improviso a colonia do Sacramento, que cahe em poder dos Hespanhoes, bem como outros fortes e pontos.

1763.

Celebra-se na Europa o tratado de paz (_10 de Fevereiro_) entre Portugal, Hespanha, Inglaterra, e França, no qual algumas disposições havia ácerca do Brazil e limites no Sul.--Neste mesmo anno, tendo morrido o Conde de Bobadella Governador do Rio de Janeiro, he a capital do Brazil transferida da Bahia para esta cidade, tendo os Governadores Geraes o titulo de _Vice-Reis_.--Chega o 1.^o Vice-Rei _D. Antonio Alvares_, Conde da Cunha.

1764.

Em virtude do tratado de paz do anno antecedente he Sacramento restituida aos Portuguezes.

1767.

Chega ao Rio de Janeiro o 2.^o Vice-Rei _D. Antonio Rolim de Moura_, Conde de Azambuja.

1768.

Depois de já se ter creado huma companhia de commercio do Grão-Pará e Maranhão, e de se terem dado providencias ácerca do commercio entre os colonos e a Metropole, começa de novo huma esquadra a accompanhar os combois para a Europa.

1769.

Chega ao Rio de Janeiro o 3.^o Vice-Rei _D. Luiz d'Almeida_, Marquez de Lavradio.

1770.

O Tenente (depois Tenente-General) _Candido Xavier de Almeida e Sousa_ descobre os vastissimos campos de _Guarapúava_.

1772.

Tem lugar no dia _18 de Fevereiro_ a primeira sessão publica da sociedade litteraria estabelecida no Rio de Janeiro sob os auspicios do Marquez de Lavradio, denominada _Academia Scientifica do Rio de Janeiro_.--Já outra associação litteraria existia na Bahia.

1774.

Para fazer todo bem possivel ao Brazil, o Marquez de Pombal attendendo ao ponto essencial da civilisação e moralisação dos póvos, a illustração, cria escolas regulares nas diversas capitanias.

1776.

São restaurados para a corôa Portugueza os presidios do S. do Brazil que indevidamente se achavão ainda em poder dos Hespanhoes.--Porém novas hostilidades tem lugar entre Hespanha e Portugal; e o Brazil he ameaçado.

1777.

Huma formidavel esquadra Hespanhola (de 126 velas) ao mando de D. Pedro Cevallos toma a ilha de Santa Catharina, e a colonia do Sacramento.--Morre El-Rei D. José I. (_24 de Fevereiro_).--Sobe ao throno D. Maria I.--Celebra-se com Hespanha o tratado preliminar de paz (_1.^o de Outubro_) chamado de _Santo Ildefonso_, em virtude do qual se fixão novos limites ao Brazil no Sul, e se perde a colonia do Sacramento que passa aos Hespanhoes.--No reinado desta Rainha descobrem-se em Minas-Geraes minas riquissimas de diamantes, perto do Sêrro-Frio, Tejuco, etc., merecendo especial menção a do _Giquitinhonha_.

1778.

Em virtude do tratado de paz he a ilha de Santa Catharina evacuada pelos Hespanhoes (_30 de Julho_).

1779.

Chega ao Rio de Janeiro o 4.^o Vice-Rei _D. Luiz de Vasconcellos e Sousa_.

1789--1792.

Tendo-se tramado em Minas-Geraes huma conspiração para erigir em Republica esta capitania, he disto avisado o Governador Luiz da Cunha e Menezes. O infame Joaquim Silverio dos Reis denuncia os seus consocios ao Visconde de Barbacena, então Capitão-General. De ordem do Vice-Rei são todos presos. _Joaquim José da Silva Xavier_, qualificado chefe da revolução, he enforcado. _Claudio Manoel da Costa_, e _Joaquim da Silva Pinto Rego Fortes_ morrem na prizão. Os outros tendo sido igualmente processados e condemnados á pena ultima, he-lhes esta comutada em degredo para Africa (1792): entre elles o celebre poeta _Gonzaga_. A este tempo já era governado o Brazil pelo 5.^o Vice-Rei _D. José de Castro_, Conde de Rezende, que tomára posse em 4 de Junho de 1790.--A Rainha D. Maria achando-se atacada de alienação mental confia o governo a seu filho o Principe D. João (_10 de Fevereiro_ de 1792).--He Regente o Principe D. João.

1799.

Aggravando-se cada vez mais a enfermidade da Rainha, he o Principe D. João confirmado na Regencia por Decr. de _16 de Julho_.

*TITULO IV.*

*SECULO XIX.*

CAPITULO I.

1800.

Tres malfeitores condemnados a desterro descobrem em Minas-Geraes o enorme diamante, que pertence hoje á corôa Portugueza. Em recompensa são perdoados.

1801.

Rompe a guerra entre Hespanha e Portugal. Por conseguinte nova guerra se suscita no S. do Brazil. Felizmente não foi de longa duração, porque a _6 de Junho_ concluio-se o tratado de paz entre as duas potencias.--Chega ao Rio de Janeiro e toma posse do governo (_14 de Outubro_) o 6.^o Vice-Rei _D. Fernando José de Portugal_, depois Marquez de Aguiar.

1802.

Em consequencia da paz celebrada entre as Metropoles, cessão as hostilidades no S. do Brazil.

1806.

Chega ao Brazil e toma as redeas do governo (_21 de Agosto_) o 7.^o e ultimo Vice-Rei _D. Marcos de Noronha e Brito_, Conde dos Arcos.

1807.

Em consequencia da celebre convenção de Fontainebleau, Napoleão resolve conquistar Portugal e riscar a familia de Bragança do throno deste Reino, apezar de já haver o Principe D. João adherido ao famoso bloqueio continental e fechado por um decreto os seus portos aos Inglezes. Junot entra pois em Portugal e marcha sobre Lisboa.--O Principe Regente, depois de deixar hum governo interino, sahe para o Brazil com toda a familia, accompanhado por huma esquadra Ingleza.

1808.

Tendo hum temporal dispersado os diversos vasos que compunhão a esquadra, arriba á Bahia (_19 de Janeiro_) a náo que conduzia o Principe Real. Ahi promulga-se o salutar decreto (_28 de Janeiro_) franqueando os portos e commercio do Brazil a todas as nações em paz com Portugal.--A _7 de Março_ chega o Principe ao Rio de Janeiro, onde se reune á familia, e estabelece sua côrte.--Manda estabelecer immediatamente huma typographia regia (já em meiados do seculo passado fôra a imprensa introduzida no Brazil; porém pouco durou).--A _5 de Maio_ cria a Academia de Marinha no Brazil.--Por Dec. de _10 de Maio_ eleva a Relação do Rio de Janeiro á cathegoria de Casa da Supplicação; o que foi de summa utilidade para a administração da justiça por não ser preciso recorrer á de Lisboa.--Já por Alv. de _22 de Abril_ havia sido creado no Rio de Janeiro o Tribunal do Dezembargo do Paço; tornando-se deste modo totalmente desnecessarios para os Brazileiros os tribunaes existentes em Portugal, e facilitando-se em extremo a administração da justiça.--Pelo mesmo Alv. se creou no Rio de Janeiro a Meza de Consciencia e Ordens, competindo-lhe, bem como ao Dezembargo do Paço a jurisdicção e attribuições do Conselho Ultramarino, que não foi estabelecido no Brazil.--Por Alv. de _28 de Junho_ creou-se o Conselho da Fazenda.--Pela C. R. de _12 de Outubro_ estabeleceo-se o Banco do Brazil.

1809.

Continuando a guerra entre Portugal e a França, e tendo o Principe Regente mandado attacar _Cayenna_, capital da Guyanna Franceza, cahe ella em poder dos Portuguezes (_14 de Janeiro_). Assim nesta época os limites do Brasil no N. estenderão-se ate á foz do _Marony_, não chegando anteriormente senão até o rio _Oyapock_.

(As sabias medidas tomadas pelo Principe, o estabelecimento de huma côrte europêa no Brazil, a presença do Chefe do Estado fazem prosperar rapidamente a colonia).

1810.

Celebrão-se dous tratados de identica data (_19 de Fevereiro_) entre Portugal e a Grã-Bretanha, hum denominado de _paz e amizade_, e o outro de _amizade, commercio, e navegação_; nos quaes muita cousa se acha estipulada ácerca do Brazil.--Por C. L. de _4 de Dezembro_ cria-se no Rio de Janeiro a Academia Militar.

1811.

O Principe Regente, receiando que o movimento da independencia de Buenos-Ayres arrastasse tambem os de Montevidéo e alterasse a paz no Brasil, envia hum exercito de observação (6.000 h.) ás fronteiras do Sul sob as ordens do General _D. Diogo de Souza_, Governador do Rio Grande do Sul. Com effeito, apezar de sermos incommodados pelas correrias de _D. José Artigas_, as nossas armas forão felizes em alguns encontros com este caudilho.--A Resol. _23 de Agosto_ manda criar a Relação do Maranhão.

1812.

A instancias de Buenos-Ayres conclue-se hum armisticio com o General D. Diogo de Souza, em virtude do qual evacúa elle o territorio de Montevidéo.

1813.

Constando ao Principe existirem minas de ferro em Minas Geraes manda elle o Barão de Eschwege exploral-as.

1814.

Tendo entrado em Paris pela primeira vez os alliados, e obrigado Napoleão a abdicar, conclue-se a paz geral, e o 1.^o tratado de Paris de _30 de Maio_; em virtude do qual devia a Guyana ser restituida á França, voltando por conseguinte o Brazil no N. aos antigos limites.--Estabelece-se a Real Bibliotheca no Rio de Janeiro.

1815.

