Gética

Chapter 8

Chapter 83,868 wordsPublic domain (Wikisource)

LI_ Há outros godos também, chamados Lesser, um grande povo de quem sacerdote e arcebispo foi Vulfila, que se diz [que] os ensinou a escrever. E hoje eles estão na Moesia, habitando a região Nicopolitana à medida que se distancia da base do Monte Haemus. Eles são um numeroso povo, porém pobres e despreparados para a guerra, não são fartos de nenhum tipo de manada, terra de pastagem para o gado ou florestas para madeira. Seu país não é fértil em trigo nem outras espécies de grão. Certos deles não sabem que exista vinhedos em outro lugar, e eles compram seu vinho de países vizinhos. Mas a maioria deles bebe leite.

[Nota marginal: Os ostrogodos na Pannonia]

[Nota marginal: Nascimento de Teodorico o grande_ 454 EC]

LII_ Permita-nos agora retornar para a tribo com a qual nós começamos, ou seja, os ostrogodos, que eram residentes na Pannonia sob seu rei Valamir e seus irmãos Thiudimer e Vidimer. Embora seus territórios fossem separados, suas planícies era unidas. Pois Valamir morou entre os rios Scarniunga e Aqua Nigra, Thiudimer [ficava próximo] do Lago Pelso e Vidimer entre ambos. Visto que isso aconteceu aos filhos de Átila, vendo os godos como desertores de seu domínio, vieram contra eles acreditando estarem perseguindo escravos fugitivos, e atacaram Valamir sozinho, quando seus irmãos não sabiam de nada disso.

Ele sustentou seu ataque, apesar de ter somente poucos apoiadores, e depois de perturbá-los por muito tempo, absolutamente decididos, eles com dificuldade abateram alguma parte do inimigo. O restante voltou em fuga e procuraram as partes da Cítia à margem do rio Danaper, que os hunos chamam em seu idioma, Var. Por isso ele enviou um mensageiro de boas notícias ao seu irmão Thiudimer, e muitos dias [depois] o mensageiro chegou, ele encontrou até grande prazer na casa de Thiudimer. Naquele mesmo dia seu filho Theodoric nasceu, da concubina Erelieva sem dúvida, e ainda uma criança de boa esperança.

[Nota marginal: Este jovem diverte-se em Constantinopla_ início de 461 EC]

Ora, depois de não muito tempo o rei Valamir e seus irmãos Thiudimer e Vidimer enviaram um embaixador ao imperador Marcian, em razão dos usuais presentes que recebiam como um presente de ano novo do imperador para preservar o pacto de paz, estarem demorando em chegar. E descobriram que Theodorico, filho de Triarius, um homem também de sangue gótico, mas nascido de outra descendência, não dos amali, estava em grande favor, junto com os que o seguiam. Ele foi aliado em amizade com os romanos e obteve um prêmio anual, enquanto eles mesmos eram tidos com desdém.

Por isso eles foram animar seu furor e tomaram armas. Percorreram quase todo o Ilyricum e puseram-no em destruição em sua busca por saque. Então o imperador rapidamente mudou seu pensamento e voltou ao seu anterior modo de amizade. Enviou um embaixador para dar-lhes os presentes anteriores, antes por bem agora como dívida, e fora isso prometeu dar aqueles presentes no futuro sem discutir.

Dos godos os romanos receberam como um refém de paz Theodorico, a jovem criança de Thiudimer, que nós mencionamos anteriormente. Ele tinha agora chegado à idade de sete anos e estava entrando no oitavo. Enquanto seu pai hesitou em dá-lo, seu tio Valamir suplicou-lhe para fazer isso, tendo a esperança de que a paz entre romanos e godos talvez assim seria assegurada. Então Theodorico foi dado como refém pelos godos e foi trazido à cidade de Constantinopla ao imperador Leão e, sendo uma bela criança, ganhou merecidamente o favor imperial.

[Nota marginal: Os godos devastam o restante dos hunos]

LIII_ Depois da paz ser estabelecida entre godos e romanos, os godos julgaram que as propriedades que tinham recebido do imperador não eram suficientes para si. Portanto eles foram ansiosos exibir costumeiro valor, e começaram a pilhar as raças vizinhas ao redor, atacando primeiro os Sadagis que estavam no interior da Pannonia.

Quando Dintzic, rei dos hunos, um filho de Átila, soube disso, reuniu uns poucos que ainda pareciam ficar sob seu poder, ou seja, os Ultzinzures, os Angisciri, os Bittugures e os Bardores. Vindo para Bassiana, uma cidade da Pannonia, ele cercou-a e começou a pilhar seu território. Então os godos logo abandonaram a expedição que tinham planejado contra os Sadagis, voltaram contra os hunos e os dirigiram tão ingloriosamente à sua própria terra que aqueles que sobraram ficaram desde aquele tempo até hoje aterrorizados com as armas dos godos.

[Nota marginal: Conquista dos Suavi]

[Nota marginal: Plano de Hunimund_ cerca de 470 EC]

Quando a tribo dos hunos foi finalmente submetida aos godos, Hunimund, líder dos Suavi, atravessou novamente para saquear a Dalmácia, carregou algum gado dos godos que estavam novamente estabelecidos nas planícies; pois a Dalmácia estava próxima [à] Suavia e não distante do território da Pannonia, especialmente aquela parte onde os godos estavam então fixados. Então, como Hunimund estava retornando com os Suavi ao seu próprio país, depois de terem devastado a Dalmácia, Thiudimer, o irmão de Valamir, rei dos godos, ficou vigiando sua linha em marcha. Não que ele sentisse terrível pesar pela perda do seu gado, mas temeu que se os Suavi obtivessem seu saque com impunidade, procederiam em maiores rebeldias.

Então, no fim da noite, enquanto estavam adormecidos, ele fez contra eles um inesperado ataque, próximo ao Lago Pelso. Aqui ele esmagou-os tão completamente que tomou cativos e enviou à escravidão sob os godos até Hunimund, seu rei, e todo o seu exército que escapou da espada. Como ele era um amante da clemência, garantiu perdão depois de tomar vingança e se reconciliou com os Suavi. Ele adotou como seu filho o mesmo homem que ele havia tomado cativo, e enviou-lhe de volta com os que o seguiam na Suavia.

Mas Hunimund esqueceu-se da bondade de seu pai adotivo. Depois de algum tempo levou adiante um plano que havia tramado e estimulou a tribo dos Sciri, que então habitava acima do Danúbio e permaneciam pacificamente com os godos. Então os Sciri quebraram sua aliança com eles, tomaram armas, unindo-se a Hunimund e partiram para atacar a raça dos godos. Desta forma a guerra veio sobre os godos que não estavam na expectativa de perversidade, pois contavam ambos os vizinhos como amigos. Compelidos pela necessidade, tomaram armas e vingaram a si e suas injurias pelo recurso da guerra.

Nesta batalha, como o rei Valamir passou a cavalo antes da linha para encorajar seus homens, o cavalo foi ferido e caiu, causando a queda de seu cavaleiro. Valamir foi rapidamente penetrado pelas lanças de seus inimigos e morreu. Em razão disso os godos prosseguiram em exigir vingança pela morte de seu rei, bem como também pela injúria que lhes foi feita pelos rebeldes. Eles lutaram de tal modo que, daqueles que sobraram da raça dos Sciri, somente alguns sustentam o nome, e estes com desgraça. Assim foram todos destruídos.

[Nota marginal: Sucessos dos godos sob Hiudimer_ cerca de 470 EC]

LIV_ Os reis [dos Suavi], Hunimund e Alarico, temeram a destruição daqueles que tinham vindo pelos Sciri, depois de fazerem guerra contra os godos, contando com o apoio dos Sarmations, que tinham vindo auxiliá-los com seus reis Beuca e Babai. Eles reuniram os últimos remanescentes dos Sciri, com Edica e Hunuulf, seus líderes, acreditando que eles lutariam o mais desesperadamente para vingarem-se. Eles tinham ao seu lado os gepidae também, bem como não pequenos reforços da raça dos rugi e dos outros que reuniram daqui e dali. Subsequentemente eles trouxeram juntos uma grande hoste do rio Bolia, na Pannonia e acamparam lá.

Já quando Valamir foi morto, os godos correram para Thiudimer, seu irmão. Embora ele tivesse por longo tempo governado com seus irmãos, ele ainda tomou a insígnia de sua aumentada autoridade e chamou seu jovem irmão Vidimer e dividiu com ele os cuidados da guerra, recorrendo às armas sob compulsão. Uma batalha foi disputada e o destacamento dos godos encontrou-se tão poderoso que a planície foi banhada em sangue de seus adversários caídos e pareceu-se com um mar carmesim. Armas e cadáveres, amontoaram como uma colina, cobrindo a planície por mais de dez milhas.

Quando os godos viram isso, regozijaram com inexprimível prazer, pois mediante este grande massacre dos seus inimigos eles vingaram o sangue de Valamir, seu rei, e a injúria feita contra eles. Mas aqueles da inumerável e variada multidão de inimigos que foram capazes de escapar, apesar de serem recebidos em outro lugar, todavia vieram para sua própria terra com dificuldade e sem glória.

[Nota marginal: Thiudimer novamente luta contra os Suavi]

[Nota marginal: Teodorico enviado de volta ao seu próprio povo_ 472 EC]

[Nota marginal: Captura de Belgrado]

LV_ Depois de um certo tempo, quando o inverno frio foi ***(at hand)*** , o rio Danúbio ficou congelado mais que o usual. Pois um rio tão poderoso como estes suportou, como uma rocha sólida, um exército de infantaria e vagões e carroças e todos aqueles veículos que existam_ nem é lá necessário os esquifes e barcos. Então, quando Thiudimer, rei dos godos, viu que este estava congelado, atravessou seu exército pelo Danúbio e apareceu inesperadamente aos Suavi pelas costas.

Agora este país dos Suavi tem ao leste os Baiovari, no leste os francos, no sul os burgúndios e ao norte os Thuringians. Com os Suavi estavam presentes os alamanni, então seus confederados, que também governavam os Alpinos superiores, de onde vários rios fluem para o Danúbio, jorrando com grande ruído.

Em um lugar assim fortificado o rei Thiudimer dirigiu seu exército no inverno e conquistou, saqueou e quase subjugou a raça dos Suavi bem como a dos alamanni, que eram mutuamente unidos. Dali ele retornou vitorioso para seu próprio lar na Pannonia e recebeu alegremente seu filho Theodorico, dado uma vez como refém para Constantinopla e agora enviado de volta pelo imperador Leão com grandes presentes.

Ora, Teodorico tinha se tornado homem formado, pois ele tinha dezoito anos de idade e sua infância havia terminado. Então ele chamou certos dos partidários do seu pai e tomou para si mesmos dentre o povo seus amigos e empregados_ quase seis mil homens. Com estes ele atravessou o Danúbio, sem o conhecimento de seu pai, e marchou contra Babai, rei dos sarmatians, que tinham justamente obtido uma vitória sobre Camundus, um general dos romanos, e foi dominado por insolente orgulho. Theodorico veio contra ele e matou-o e, tomando como presa seus escravos e tesouro, retornaram vitorioso ao seu pai. Depois ele invadiu a cidade de Singidunum, que os próprios Sarmatians haviam dominado, e não a retornou aos romanos, mas reduziu-a ao seu próprio poder.

[Nota marginal: Vidimer, o jovem, vai para a Gália_ 473 EC]

LVI_ Portanto como o espólio tomado de uma e outra das tribos vizinhas reduziu, os godos começaram a carecer de comida e roupa, e a paz tornou-se desagradável a homens a quem a guerra havia fornecido por muito tempo as necessidades da vida. Então todos os godos aproximaram-se de seu rei Thiudimer e, com grande clamor, pediram-lhe para liderar adiante seu exército em qualquer direção que ele talvez desejasse. Ele chamou seu irmão e, depois lançando sortes, ofereceu-lhe ir ao país da Itália, onde naquele tempo Glycerius dominava como imperador, dizendo que ele mesmo, como o poderoso, iria ao leste contra o poderoso império. E então foi feito.

Por causa disso Vidimer entrou no território da Itália, mas em pouco tempo pagou o último débito do destino e partiu dos assuntos terrenos, deixando seu filho e homônimo Vidimer para sucedê-lo. O imperador Glycerius concedeu presentes para Vidimer e persuadiu-o a ir da Itália para a Gália, que era então molestada por todos os lados por várias raças, dizendo que seus próprios parentes, os visigodos, governavam um reino vizinho. E o que mais? Vidimer aceitou os presentes e, obedecendo o comando do imperador Glycerius, apressou-se para a Gália. Unindo-se aos seus parentes, os visigodos, eles novamente formaram um corpo, como eles tinham sido há muito tempo atrás. Então eles obtiveram a Gália e a Espanha por seu próprio poder e então defenderam-na afim de que nenhuma outra raça obtivesse o domínio lá.

[Nota marginal: Thiudimer na Macedônia]

Já Thiudimer, o irmão primogênito, atravessou o rio Savus com seus homens, ameaçando os Sarmatians e seus soldados com guerra se alguém lhes resistissem. De medo disso eles permaneceram quietos; ademais eles foram impotentes na face de tão grande hoste. Thiudimer, vendo prosperidade em todo lugar o esperando, invadiu Nassus, a primeira cidade do Iliricum. Ele ficou unido por seu filho Theodorico e a Counts Astat e Invilia, e enviou-o para Ulpiana pelo caminho do Castrum Herculis. Sob sua chegada a cidade rendeu-se, como fez Stobi mais tarde; e muitos lugares do Illyricum, inacessível para eles antes, tinham então feito fácil acesso.

Eles primeiro pilharam e então governaram pelo direito da guerra Heraclea e Larissa, cidades da Tessália. Mas Thiudimer, o rei, vendo sua boa fortuna e a do próprio filho, não se contentou com apenas isso, mas saiu da cidade de Naissus, deixando para trás uns poucos guardas. Ele mesmo avançou para Tessalônica, onde Hilarianus, o Patrício, nomeado pelo imperador, ficou estacionado com seu exército.

Quando Hilarianus observou Tessalônica cercada do entrincheiramento e entendeu que não poderia resistir ao ataque, enviou um embaixador ao rei Thiudimer e pela oferta de presentes parou de arrasar a cidade. Então o general romano entrou numa trégua com os godos e por seu próprio acordo deu-lhes aqueles lugares que eles habitaram, ou seja, Cyrrhus, Pella, Europus, Methone, Pydna, Beroea, e outra que é chamada Dium. Então os godos e seu rei baixaram armas, consentindo com a paz, e se tornaram tranquilos. Logo depois desses eventos, o rei Thiudimer foi agarrado por uma mortal enfermidade na cidade de Cyrrhus. Ele chamou a si os godos, nomeou Teodorico, seu filho, como herdeiro do seu reino e neste instante foi apartado desta vida.

[Nota marginal: Zenon_ 491 EC]

[Nota marginal: Teodorico, o grande_ 526 EC]

[Nota marginal: Teodorico honrado por Zenon_ 528 EC]

LVII_ Quando o imperador Zenon ouviu que Teodorico tinha sido nomeado rei sobre todo seu povo, recebeu a notícia com satisfação e convidou-o a vir e visitá-lo na cidade, nomeando uma escolta de honra. Recebendo Teodorico com todo o devido respeito, instalou-o entre os príncipes do seu palácio. Depois de algum tempo Zenon aumentou sua dignidade por adotá-lo como seu "filho de armas" e deu-lhe um triunfo na cidade por seu custo. Teodorico foi feito Cônsul Ordinário também, que é bem conhecido por ser a suprema bondade e altíssima honra no mundo. Nem foi tudo, pois Zenon colocou no palácio real uma estátua equestre para glória deste grande homem.

[Nota marginal: Perguntas do império feitas ao seu governante]

[Nota marginal: Teodorico dirigi-se para a Itália_ 488 EC]

Enquanto Teodorico estava em aliança pelo trato com o império de Zenon e estava se divertindo muito aconchegado na cidade, escutou que sua tribo, residindo como dissemos, no Illyricum, não estava totalmente satisfeita. Então ele escolheu procurar uma habitação por seus próprios esforços, depois da maneira costumeira para sua raça, ao invés de aproveitar as vantagens do império romano em sossegada luxúria enquanto sua tribo vivia precariamente. Após refletir esses assuntos, ele disse ao imperador:

"Apesar [de não sofrer] carência em nada estando a serviço do seu império, ainda se Vossa Piedade se dignar disso, seja do seu agrado ouvir o pedido do meu coração."

E quando, como de costume, lhe havia sido dada permissão de se expressar livremente, ele disse:

"O país do Ocidente, há tempos atrás governado pela autoridade dos seus ancestrais e predecessores, e aquela cidade que foi a cabeça e senhora do mundo_ para quê ela é agora agitada pela tirania dos Torcilingi e os Rugi? Envie-me para lá com minha raça. Desta forma se apenas disseres a palavra, talvez você seja liberado da carga de despesa aqui, e, se pela ajuda do Senhor eu a conquistar, a fama de Sua Piedade será gloriosa lá.

Por isso seria melhor que eu, seu servo e filho, governasse aquele reino, recebendo como um presente seu se eu a conquistar, antes que aquele um que não [te] reconhece, oprimir seu senado com sua carga tirânica e uma parte da república com escravidão. Pois se eu prevalecer, reterei-a como uma concessão e presente; se a conquistar, Sua Piedade não perderá nada_ além disso, como havia dito, isso o salvará do custo [do que] eu [receberia] agora como herança."

Embora o imperador tenha sofrido porque ele iria, ainda quando ouviu isso, permitiu o que Teodorico pediu, pois ele ficou sem ter como negar por causa da aflição dele. Enviou-o adiante enriquecido por grandes presentes e glorificado por sua carga pelo senado e o povo romano.

[Nota marginal: Ele conquista Odoacro e o mata_ 493 EC]

Então Teodorico apartou-se da cidade real e retornou ao seu próprio povo. Em companhia de toda tribo dos godos, que deram-lhe seu unânime consentimento, ele dirigiu-se para Hesperia. Viajou em marcha diretamente através de Sirmium para os lugares fronteiriços com a Pannonia e, avançando para o território de Venetia conforme distancia-se da ponte de Sontius, acampou ali.

Quando ele parou ali por algum tempo para o descanso dos corpos de seus homens e os rebanhos de animais, Odoacro enviou uma força armada contra ele, que encontrava-se nas planícies de Verona, [mas Teodorico] destruiu-os com grande massacre. Então ele levantou acampamento e avançou através da Itália com grande coragem. Atravessando o rio Pó, acampou próximo à cidade real de Ravena, sobre o terceiro miliário desde a Cidade, num lugar chamado Pineta.

Quando Odoacro viu isso, fortificou-se dentro da cidade. Ele frequentemente molestou o exército dos godos à noite, saindo adiante secretamente com seus homens, e assim não uma ou duas vezes, mas frequentemente; desta forma ele lutou por quase três anos inteiros. Mas esforçou-se em vão, pois toda a Itália por fim considerou Teodorico seu senhor e o império obedecia seu comando.

Mas Odoacro, com os poucos que ainda aderiam a ele e os romanos que lhe eram favoráveis, sofreram diariamente guerra e fome em Ravena. [Finalmente], enviou embaixadores e implorou por sua misericórdia. Teodorico primeiro garantiu-lhe isso, depois privou-lhe a vida.

[Nota marginal: Teodorico funda o reino ostrogodo na Itália_ 493 EC]

Isso foi no terceiro ano depois de ter entrado na Itália, como já dissemos, que Teodorico, pelo conselho do imperador Zenon, colocou à parte a vestimenta de cidadão privado e as vestimentas de sua raça e assumiu um traje com um manto real, pois ele tinha agora se tornado governante tanto sobre Godos como romanos. Ele enviou um embaixador para Lodoin, rei dos francos, e perguntou-lhe por sua filha Audefleda em casamento. Lodoin, espontaneamente e alegremente deu-a [para casarem-se], e também [para casarem-se com as filhas de Teodorico?] seus filhos Celdebert e Heldebert e Thiudebert, crendo que por tais alianças uma confederação seria formada e que eles se associariam com a raça dos godos. Mas aquela união não beneficiou a paz e a harmonia, pois eles lutaram ferozmente entre si novamente e novamente pelas terras dos godos; mas os godos nunca recuaram aos francos enquanto Teodorico viveu.

[Nota marginal: Sobre o aumento de seu poder]

[Nota marginal: Amalarico_ 507-531 EC]

LVIII_ Mas antes dele ter de Audefleda uma criança, Teodorico teve crianças de uma concubina, filhas geradas na Moesia, uma chamada Thiudigoto e outra Ostrogotho. Pouco depois dele vir à Itália, ele deu-as em casamento aos reis vizinhos, uma para Alarico, rei dos visigodos, e a outra para Sigismund, rei dos burgúndios.

Já Alarico gerou Amalarico. Enquanto seu avô Teodorico preocupou-se em protegê-lo_ pois ele tinha perdido ambos os pais na infância_ descobriu que Eutharic, o filho de Veteric, neto de Beremud e Thorismud, e um descendente da raça dos amali, estava vivendo na Espanha, um jovem homem de grande inteligência, valor e saúde do corpo.

Teodorico enviou-lhe e deu-lhe sua filha Amalasuentha em casamento. E por ele, talvez, ter extendido sua família, como muito provavelmente foi, enviou-lhe sua irmã Amalafrida (a mãe de Theodahad, que posteriormente tornou-se rei) para África como esposa para Thrasamund, rei dos vândalos, e sua filha Amalaberga, que foi sua própria sobrinha, ele uniu com Herminefred, rei dos thuringios.

Ele enviou-lhe Count Pitza, escolhido dentre os principais homens de seu reino, para possuir a cidade de Sirmium. Ele tomou posse dela tirando-a de seu rei Thrasaric, filho de Thraustila, e levou sua mãe cativa. Por isso ele veio com dois mil [soldados de] infantaria e quinhentos cavaleiros para apoiar Mundo contra Sabinian, Senhor das Tropas do Illyricum, que naquele tempo tinha feito preparativos para lutar com Mundo próximo da cidade chamada Margoplanum, situado entre os rios Danúbio e Margus, e destruiu o exército do Illyricum.

Pois este Mundo, que traçou sua origem desde Attilani o velho, tinha proposto a fuga para a tribo dos gepidae e foram perambular além do Danúbio em lugares vazios sem homens que cultivassem o solo. Ele reuniu em torno de si ilegais, brigões e ladrões de todos os lados e capturou uma torre chamada Herta, situada à margem do Danúbio. Ali ele saqueou seus vizinhos em licensiosidade selvagem e se fez rei sobre seus vadios.

Ora, Pitza veio [a favor] dele quando estava próximo de ser reduzido ao desespero e já estava pensando em rendição. Então ele resgatou-o de Sabinian e o fez um agradecido servo de seu rei Teodorico.

[Nota marginal: Thiudis_ 531-548 EC]

[Nota marginal: Thiudigisclus_ 548-549 EC]

[Nota marginal: Agil_ 549-554 EC]

[Nota marginal: Athanagild_ 554-567 EC]

Teodorico obteve igualmente uma grande vitória sobre os francos através [de] Count Ibba na Gália, quando mais de trinta mil francos foram mortos em batalha. Ademais, depois da morte de seu genro Alarico, Teodorico nomeou Thiudis, seu ***[armor-bearer(?)]*** , guardião de seu neto Amalarico, na Espanha. Mas Amalarico foi enlaçado pelo complô dos francos na tenra juventude e perdeu de uma só vez seu reino e sua vida. Então seu guardião Thiudis, avançando do mesmo reino, assaltou os francos e livrou os espanhóis de sua maldita traição. Enquanto ele viveu, manteve os visigodos unidos. Depois dele, Thiudigisclus obteve o reino e, governando porém, um curto período, encontrou sua morte nas mãos dos próprios que o seguiam.

Ele foi sucedido por Agil, que possui o reino atualmente. Athanagild rebelou-se contra ele e está até agora provocando o poder do império romano. Então o Patrício Liberius está a caminho com exército para opor-se a ele. Ora, não houve tribo ao oeste que não tenha servido Teodorico enquanto este viveu, seja amigavelmente ou pela conquista.

[Nota marginal: Teodorico, o grande, morre_ 526 EC]

[Nota marginal: Rei Athalarico_ 526-534 EC]

LIX_ Quando ele alcançou a velhice e percebeu que logo seria apartado desta vida, chamou a si os condes e líderes godos e nomeou Athalarico como rei. Ele era um garoto de nem talvez dez anos de idade, o filho de sua filha Amalasuentha, e havia perdido seu pai, Eutharico. Como expressão de seu ultimo desejo e testamento, Teodorico intimou-o e mandou-o honrar seu rei, amar o senado e o povo romano e fazer óbvia a paz e boa vontade do imperador do Leste, [depois morreu].

[Nota marginal: Amalasuentha]

[Nota marginal: Theodahad_ 534-536 EC]

[Nota marginal: 534 EC]

Eles cumpriram sua ordem completamente por muito tempo, enquanto Athalarico, seu rei e sua mãe viveram, e governou em paz por quase oito anos. Mas como os francos não punham confiança no governo de uma criança e, além disso, tinham-no em desprezo, e foram também organizar guerra, ele deu volta neles por aquelas partes da Gália que seu pai e o avô tinham dominado. Ele possuiu todo o resto em paz e sossego.