Gética

Chapter 7

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Visto que ele era homem nascido da descendência dos Varni, muito inferior à nobreza do sangue gótico, foi, portanto, sem nenhum cuidado em relação à liberdade nem fiel para com seu benfeitor. Como em pouco tempo Theodorid soube disso, reuniu uma força para tirá-lo do reino que ele havia usurpado. Eles vieram rapidamente e o conquistaram na primeira batalha, inflingindo-lhe uma punição compatível com suas ações. Quando ele foi capturado, pegaram seus amigos e os degolaram. Desta forma, por último, ele foi feito ciente da fúria do senhor, [pois] acreditou que talvez ele [seria] desprezado em razão de sua bondade.

Ora, quando os Suavi observaram a morte de seu líder, enviaram sacerdotes daquele país para Theodorid como suplicantes. Ele os recebeu com a reverência devida ao seu ofício e não somente garantiu aos Suavi isenção da punição, mas ficou movido de compaixão e permitiu-lhes escolher um governante de sua própria raça para si mesmos. Os Suavi fizeram assim, tomando Rimismund como seu governante. Quando isso foi feito e a paz foi em todo lugar assegurada, Theodorid morreu no décimo terceiro ano de seu reinado.

[Nota marginal: Rei Eurich_ 466-485 EC]

[Nota marginal: O império do Oeste, da morte de Valentiniano III à Romulus Augustulus]

[Nota marginal: Maximus_ 455 EC]

[Nota marginal: Gaiseric saqueia Roma_ 455 EC]

[Nota marginal: Majorian_ 457-461 EC]

[Nota marginal: Lívio Severo_ 461-465 EC]

[Nota marginal: Leão I_ 457-474 EC]

[Nota marginal: Anthemius_ 467-472 EC]

XLV_ Seu irmão Eurich sucedeu-o com tamanha avidez afobada que caiu sob obscuras suspeitas. Ora, enquanto estes e vários outros assuntos foram ocorrendo entre o povo dos visigodos, o imperador Valentiniano foi assassinado pela traição de Maximus, e o próprio Maximus, como um tirano, usurpou o governo.

Gaiseric, rei dos vândalos, ouviu isso e veio da África para a Itália com navios de guerra, penetrou em Roma e deitou-a em destruição. Maximus fugiu e foi morto por um certo Ursus, um soldado romano. Depois deste, Majorian tomou para si o governo do império Ocidental como o oferecendo a Marcian, imperador do Leste. Mas ele também governou somente um curto tempo. Quando ele havia movido suas forças contra os alani que estavam molestando a Gália, foi morto em Dertona, próximo ao rio chamado Ira. Severus sucedeu-o e morreu em Roma, no terceiro ano de seu reinado. Quando o imperador Leão, que havia sucedido Marcian no império do Leste, soube disso, escolheu como imperador seu Patrício Anthemius e enviou-o para Roma. Contra seu rival ele mandou contra os alani seu genro Ricimer, que era um excelente homem e quase o único homem na Itália com tempo adequado para comandar o exército. No primeiríssimo encontro ele conquistou e destruiu a hoste dos alani, junto com seu rei, Beorg.

[Nota marginal: Olybrius_ 472 EC]

Já Eurich, rei dos visigodos, percebeu a frequente mudança dos imperadores romanos e aspirou possuir a Gália por seu próprio direito. O imperador Anthemius soube disso e questionou os brittones por auxílio. Seu rei, Riotimus veio com doze mil homens para o estado dos Bituriges pelo caminho do Oceano, e foi recebido enquanto desembarcava dos seus navios. Eurich, rei dos visigodos, veio contra ele com um inumerável exército, e depois de uma longa batalha ele derrotou Riotimus, rei dos brittones, antes dos romanos poderem se unir a eles.

Então, quando ele tinha perdido uma grande parte do seu exército, fugiu com todos os homens que pôde levar junto, e veio aos burgundios, uma tribo vizinha [que era] então aliada dos romanos. Mas Eurich, rei dos visigodos, dominou a cidade gálica de Arverna; pois o imperador estava agora morto. [Quando] engajou-se na feroz guerra com seu genro Ricimer, ele tinha esgotado Roma completamente, e foi ele mesmo morto finalmente por seu genro e deu o governo para Olybrius.

[Nota marginal: Glycerius_ 473 AEC]

[Nota marginal: Nepos_ 474 EC]

Naquele tempo Aspar, o maior dos patrícios e homem famoso da raça gótica, foi ferido pelas espadas dos eunucos em seu palácio em Constantinopla, e morreu. Com ele foram mortos seus filhos Ardabures e Patriciolus, os únicos Patrícios, e o outro nomeado um césar e genro do imperador Leão. Nisso Olybrius morreu apenas oito meses depois de entrar no reinado, e Glycerius foi feito césar em Ravena, mais particularmente por usurpação do que por eleição. Não tinha nem mesmo um ano que tinha sido concluído quando Nepos, o filho da irmã de Marcellinus, uma vez Patrício, o destituiu de seu ofício e ordenou-o bispo do Porto de Roma.

[Nota marginal: Romulus Augustulus_ 476 EC]

Quando Eurich, como já dissemos, observou essa grande e diferente chance, tomou a cidade de Arverna, onde o general romano Ecdicius estava naquele tempo no comando. Ele era senador da mais renomada família e o fiho de Avitus, um imperador recente que tinha usurpado o reino por uns poucos dias_ pois Avitus tomou o governo poucos dias antes de Olybrius, e então retrocedeu de seu próprio acordo para Placentia, onde ele foi ordenado bispo. Seu filho Ecdicius tentou por um longo tempo contra os visigodos, mas não tinha poder para prevalecer. Então ele saiu do país e (o que foi mais importante), da cidade de Arverna para o inimigo e entregou-se para salvar as regiões.

Quando o imperador Nepos ouviu isso, mandou Ecdicius partir da Gália e vir a ele, nomeando Orestes em seu lugar como Senhor das Tropas. Este Orestes por isso recebeu o exército, dirigiu-os de Roma contra o inimigo e veio para Ravena. Ali demorou-se enquanto fez de seu filho Romulus Augustulus imperador. Logo que Nepos soube disso, fugiu para a Dalmatia e morreu lá, privado de seu trono, exatamente no lugar onde Glycerius, que foi anteriormente imperador, obteve o bispado de Salona.

[Nota marginal: O domínio de Odoacro_ 476-493 EC]

[Nota marginal: Morte de Bracila_ 477 EC]

XLVI_ Ora, quando Augustulus tinha sido nomeado imperador por seu pai Orestes em Ravena, isso não foi muito antes de Odoacro, rei dos Torcilingi, invadir a Itália, como líder dos Sciri, Heruli e aliado de várias raças. Ele matou Orestes, e dirigiu seu filho Augustulus do trono para a punição de exílio no Castelo de Lucullus na Campania.

Então o império do Ocidente da raça romana, que Otaviano Augusto, o primeiro dos Augusti, começou a governar no sectuagésimo nono ano da fundação da Cidade, pereceu com seus Augustulus no quintuagésimo vigésimo segundo ano do início do governo de seus predecessores e daqueles antes deles, e do tempo adiante os reis godos tomaram Roma e a Itália. Portanto Odoacro, rei de nações, subjugou toda a Itália e então, como início do seu reinado assassinou Count Bracila em Ravena a fim de talvez inspirar algum medo entre os romanos. Ele fortaleceu seu reino e dirigiu-o por quase treze anos, igualou até a aparência de Teodorico, de quem falaremos depois.

[Nota marginal: Leão II_ 473-474 EC]

[Nota marginal: Zenon_ 474-491 EC]

[Nota marginal: Eurich assassinado_ 485 EC]

[Nota marginal: Alarico II, último rei dos visigodos_ 485-507 EC]

XLVII_ Mas primeiro permita-nos retornar para aquela ordem da qual nós divagamos e contar como Eurich, rei dos visigodos, contemplou o cambaleante Império Romano e reduziu Arelate e Massilia do seu próprio poder. Gaiseric, rei dos vândalos, atraiu-o por presentes para fazer estas coisas, a fim de que ele mesmo talvez evitasse os planos que Leão e Zenon tinham tramado contra ele. Então moveu os ostrogodos para destruírem o império do Leste e os visigodos o Oeste, tal que, enquanto seus inimigos estivessem lutando em ambos os impérios, ele mesmo poderia reinar pacificamente na África.

Eurich percebeu isso com satisfação e, como ele já dominava toda a Espanha e a Gália com sua própria mão, prosseguiu em submeter os burgundians também. No décimo nono ano de seu reinado, ele foi privado desta vida em Arelate, onde ele então residia. Foi sucedido por seu próprio filho Alarico, o nono em sucessão desde o famoso Alarico o grande, a receber o reino dos visigodos. E da mesma forma que aconteceu à linhagem dos Augusti, como declaramos acima, assim também aconteceu na linhagem dos Alarici, pois reinos muitas vezes chegam a um fim em reis que sustentam o mesmo nome daqueles do início. Por enquanto, abandonemos esse assunto, e teçamos juntamente a completa história da origem dos godos, como prometido.

( Os godos divididos: Ostrogodos)

[Nota marginal: Os ostrogodos e sua sujeição aos hunos]

[Nota marginal: A morte de Hermanaric_ 375 ou 376 EC]

XLVIII_ Desde que eu tenho obedecido as histórias dos meus ancestrais e recontando de acordo com o melhor da minha habilidade a narração do período quando ambas as tribos, ostrogodos e visigodos, eram unidas, e então claramente tratei os visigodos separados dos ostrogodos, devo agora retornar para aquela antiga moradia Cítian e demonstrar a origem e feitos dos ostrogodos.

Parece que na morte de seu rei, Hermanaric, eles fizeram uma separação do povo pela partida dos visigodos, e ficaram em seu país sujeitos ao poder dos hunos; ainda Vinitharius dos amali reteve a insígnia de sua autoridade. Ele rivalizou em valor seu avô Vultuulf, embora ele não tivesse a boa fortuna de Hermanaric. Mas, desagradando-se de estar sob domínio dos hunos, ele retirou uma pequena quantidade deles e esforçou-se em mostrar sua coragem movendo suas forças contra o país dos Antes.

Quando ele atacou-os, abateu-os no primeiro encontro. Consequentemente ele mostrou-se valente e, como terrível exemplo, crucificou seu rei, chamado Boz, junto com seus filhos e setenta nobres, e largou seus corpos suspensos lá, para amedrontamento dobrado daqueles que renderam-se. Quando ele tinha dominado com semelhante liberdade por apenas um ano, Balamber, rei dos hunos, não sofreu isso por muito tempo, mas enviou, pois, Gesimund, filho de Hunimund o grande. Gesimund, junto com grande parte dos godos, ficaram sob o domínio dos hunos, sendo diligente em seu juramento de fidelidade. Balamber renovou sua aliança com ele e conduziu seu exército contra Vinitharius. Depois de longa competição, Vinitharius prevaleceu no primeiro e segundo conflitos, nem poderia alguém dizer como ele fez tal enorme massacre ao exército dos hunos. Mas na terceira batalha, quando eles encontraram-se inesperadamente no rio chamado Erac, Balamber lançou uma flecha e feriu Vinitharius na cabeça, e desta forma ele morreu. Então Balamber tomou para si em casamento Vadamerca, a neta de Vinitharius, e finalmente dominou todo o povo dos godos como seus pacíficos sujeitados, mas de semelhante forma um rei de seu próprio número sempre retiveram o poder sobre a raça gótica, apesar de sujeito aos hunos.

[Nota marginal: Rei Hunimund]

[Nota marginal: Rei Thorismud assassinado_ 404 EC]

E mais tarde, depois da morte de Vinitharius, Hunimund governou-os, o filho de Hermanaric, um poderoso rei de antigamente; um homem cruel na guerra e de uma notável beleza pessoal, que posteriormente lutou com sucesso contra a raça dos Suavi. E quando ele morreu, seu filho Thorismud sucedeu-o, na mais nova flor da juventude. No segundo ano de seu reinado, moveu um exército contra os gepidae e obteve uma grande vitória sobre eles, mas se diz ter morrido por cair do seu cavalo. Quando ele morreu, os ostrogodos enlutaram-se por ele tão profundamente que por quarenta anos nenhum outro rei sucedeu seu lugar, e durante todo esse tempo eles tiveram sempre em seus lábios a narração de sua memória.

Com o passar do tempo, Valamir cresceu como homem de estado ***(grew to man's estate)*** . Ele era filho do primo de Thorismud, Vandalarius. Em relação a seu filho Beremud, como dissemos anteriormente, por último cresceu para desprezar a raça dos ostrogodos em razão da soberania dos hunos, e assim seguiu a tribo dos visigodos ao oeste do país, e esta descendeu de Veteric. Veteric também teve um filho, Eutharic, que desposou Amalasuentha, a filha de Theodoric, unindo assim novamente a descendência dos amali, que havia se dividido tempos antes. Eutharic gerou Athalaric e Mathesuentha. Mas, visto que Athallaric morreu nos anos de sua infância, Mathesuentha foi tomada para Constantinopla por seu segundo marido, chamado Germanus, um parente do imperador Justiniano, e gerou, antes de morrer, um filho, ao qual ela chamou Germanus.

[Nota marginal: Rei Valamir_ 445? EC]

Mas esta ordem que tomamos para nossa história talvez fuja do curso devido; precisamos voltar à descendência de Vandalarius, que gerou posteriormente três ramos. Este Vandalarius, o filho de um irmão de Hermanaric e parente do supramencionado Thorismud, gabou-se entre a raça dos amali por ter gerado três filhos, Valamir, Thiudimer e Vidimer. Este Valamir ascendeu ao trono após seus parentes, apesar dos hunos ainda segurarem o poder sobre os godos em geral, [assim] como entre outras nações. Isso foi agradável de se observar, a concordância destes três irmãos; pois o admirável Thiudimer serviu como um soldado para o império de seu irmão Valamir, e Valamir ofereceu-lhe honras enquanto Vidimer foi ávido de servir ambos. Desta forma, respeitando um ao outro com afeição em comum, ninguém ficou privado do reino que dois deles governaram em mútua paz. Ainda, como foi frequentemente dito, eles reinaram por igual de um modo que respeitou o domínio de Átila, rei dos hunos. Realmente eles não puderam recusar-se a lutar contra seus parentes, os visigodos, e eles até cometeriam um parricídio pelo comando de seu senhor. Não havia como alguma tribo Cítian ter sido arrancada do poder dos hunos, exceto pela morte de Átila_ um evento que tanto os romanos como todas as outras nações desejavam. Já sua morte foi tão vil quanto sua vida foi maravilhosa.

[Nota marginal: Morte de Átila_ 453 EC]

XLIX_ Imediatamente antes dele morrer, como relata o historiador Priscus, havia tomado em casamento uma belíssima garota chamada Ildico, depois [também] outras incontáveis esposas, como era o costume de sua raça. Ele se deu a excessivos prazeres em seu casamento, e enquanto ele deitou-se de costas, pesado de vinho e sono, um corrimento de excessivo sangue, que geralmente havia escorria de seu nariz, jorrou em mortífero curso por sua garganta e matou-o, visto que isso impediu as usuais passagens. Embebido desta forma teve desgraçado fim um renomado rei na guerra.

Ao prosseguir do dia, quando grande parte da manhã havia se passado, os serviçais reais suspeitaram de alguma desgraça e, depois de um grande ruído, romperam as portas. Lá eles encontraram a condenação de Átila efetuada pela efusão de sangue, sem qualquer respiração, e a garota com a face abatida chorando debaixo do véu. Então como é o costume daquela raça, eles arrancaram o cabelo de suas cabeças e fizeram suas faces horríveis com profundos ferimentos, que o renomado valente guerreiro faz no luto, não por efeminados choramingos e lágrimas, mas pelo sangue de homens.

Ademais uma impressionante coisa tomou lugar em conexão com a morte de Átila. Em um sonho algum deus se pôs ao lado de Marcian, imperador do Oriente, enquanto ele estava preocupado a respeito de seu cruel inimigo, e mostrou-lhe o arco de Átila quebrado naquela mesma noite, como se no íntimo aquela raça dos hunos devesse muito para aquela arma. Esta descrição do historiador Priscus diz que ele aceitou a evidência por verdadeira. Tão terrível foi Átila pensar em grandes impérios que os deuses anunciaram sua morte aos governantes como um bênção especial.

Nós não omitiremos dizer umas curtas palavras sobre os muitos modos em que seu spectro foi honrado por sua raça. Seu corpo foi colocado em meio a uma planície e estendido em cerimônia numa tenda de seda como uma visão para admiração dos homens. O melhor cavaleiro da inteira tribo dos hunos cavalgou em volta em círculos, depois à maneira de jogos de circo, no lugar em que ele tinha sido trazido e falou de seus feitos numa lamentação funerária da maneira que se segue:

"O chefe dos hunos, Rei Átila, nascido de seu pai Mundiuch, senhor de valentes tribos, dono único dos reinos da Cítia e Germânia_ poderes antes desconhecidos_ capturou cidades e aterrorizou ambos os impérios do mundo romano e, aplacado por suas rezas, tomou tributo anual para poupar o resto da riqueza. E quando ele tinha feito tudo isso pelo favor da fortuna, caiu, não por mão inimiga, nem pela traição de amigos, mas em meio à sua nação em paz, feliz em seu contentamento, e livre de pânico. Quem pode repreender [algo] como a morte, quando ninguém acreditar nisso, convidar para vingança?"

Quando eles se enlutaram por ele com semelhantes lamentações, um "strava", como eles chamam isso, foi celebrado sobre sua tumba com grande gozo. Eles se encaminharam nos extremos dos sentimentos e mostraram pesar funerário alternando com alegria. Então, na discrição da noite eles enterraram seu corpo em terra. Ataram seus caixões, o primeiro com ouro, o segundo com prata e o terceiro com a resistência do ferro, mostrando por semelhantes meios que estas três coisas satisfizeram os poderosos reinos; ferro porque ele subjugou as nações, ouro e prata porque recebeu as honras de ambos os impérios.

Eles além disso acrescentaram as armas do inimigo obtidas em combate, enfeites de surpreendente valor, cintilando com várias gemas, e ornamentos de toda sorte através do qual se mantém a nobreza. E por tão grandes riquezas talvez atiçarem a curiosidade humana, eles mataram aqueles escolhidos para o trabalho_ um terrível pagamento por seu labor; e então repentina morte foi o destino daqueles que enterraram-no, à medida que eles eram enterrados. ***(and thus sudden death was the lot of those who buried him as well as of him who was buried.)***

[Nota marginal: Desintegração do reino dos hunos_ 454 EC]

[Nota marginal: Batalha de Nedao_ 454 EC]

L_ Depois de terem concluído estes ritos, uma concorrência pelo alto posto levantou-se entre os sucessores de Átila_ em razão da mente dos homens jovens estarem costumeiramente inflamadas de ambição pelo poder_ e, em seu precipitado ímpeto pelo governo eles igualmente destruíram seu império. Então reinos são frequentemente derrubados mais por um [motivo] supérfluo do que por falta de sucessores. Os filhos de Átila, que através da licenciosidade do seu desejo formou quase uma população destes, foram vociferar que as nações seriam divididas entre eles igualmente e que reis guerreiros com seus povos seriam partilhados entre eles por sortes, como uma propriedade de família.

Quando Ardaric, rei dos gepidae, soube disso, ele veio enfurecido por tantas nações terem sido tratadas assim como escravos de baixa condição, e foi o primeiro a ir contra os filhos de Átila. Boa fortuna cuidou dele, e ele apagou a desgraça da servidão que descansava sobre ele. Por sua revolta ele libertou não somente sua própria tribo, mas todas as outras que eram igualmente oprimidas; desde então todas com prazer esforçaram-se nesse fim, que é perseguido por geral vantagem. Eles tomaram armas contra a destruição que ameaçava a todos e tiveram batalha contra os hunos na Pannonia, próximo ao rio chamado Nedao.

Ali um encontro tomou lugar entre várias nações que Átila tinha segurado sob seu poder. Reinos com seus povos estavam divididos, e longe de um corpo, eram muitos membros não respondendo a um comum impulso. Sendo privados de seu cabeça, eles loucamente investiram uns contra os outros. Eles nunca encontraram seus iguais avançando contra eles sem danificar um ao outro por ferimentos mutuamente desferidos. E assim tão bravas nações rasgaram-se em pedaços. Para então, penso, haver o mais extraordinário espetáculo, onde talvez alguém viu os godos lutando com lanças, os gepidae enfurecidos com espadas, os rugi rompendo as lanças em seus próprios ferimentos, os suavi lutando à pé, os hunos com arco-e-flecha, os alani avançando numa linha de batalha de tropa pesada ***( heavy-armed)*** e os heruli com infantaria leve.

Finalmente, depois de amargos conflitos, a vitória veio inesperadamente aos gepidae. Pela espada e conspiração de Ardaric se destruiu quase trinta mil homens, dos hunos bem como daqueles de outras nações que prestavam-lhes auxílio. Nesta batalha pereceu Ellac, o filho primogênito de Átila, de quem se diz que seu pai lhe teve amor muito mais do que todos os outros, a quem ele preferia do que qualquer criança ou até mais do que todas as crianças do seu reino. Mas a fortuna não esteve de acordo com o desejo de seu pai. Depois de matar muitos do inimigo, pareceu que ele encontrou sua morte tão bravamente que, se seu pai estivesse vivo, teria regozijado com seu glorioso fim. Quando Ellac foi morto, seus irmãos foram pôrem-se em fuga próximos à margem do Mar do Ponto, onde dissemos que os godos fixaram-se primeiro. Então fizeram os hunos se distanciarem, uma raça a quem os homens acreditaram que o mundo inteiro se renderia. Tão venenosa é a divisão, da qual eles usaram para inspirar terror quando suas forças estavam unidas, causou seu fim separadamente. A causa de Ardaric, rei dos gepidae, foi sucesso para várias nações que foram submetidos contra a vontade ao domínio dos hunos, pelo melhoramento de ânimo de seus espíritos por muito tempo abatidos, agora satisfeitos com esperança de liberdade.

Muitos enviaram embaixadores ao território romano, onde eles foram mais bondosamente recebidos por Marcian, que era o imperador de então, e receberam moradias que lhes eram destinadas para aí morar. Mas os gepidae por sua própria coragem obtiveram sozinhos o território dos hunos e governaram como vitoriosos sobre a extensão de toda a Dácia, exigindo do império romano nada mais do que paz e um anual presente como promessa de sua amistosa aliança. Isso o imperador espontaneamente garantiu naquele tempo, e atualmente aquela raça recebe seu costumeiros presentes do império romano.

[Nota marginal: Jordanes]

Ora, quando os godos verificaram [que] os gepidae defendiam por si mesmos o território dos hunos e o povo dos hunos habitando novamente suas antigas moradias, eles preferiram questionar por terras do império romano do que invadir territórios dos outros com perigo para si mesmos. Portanto receberam Pannonia, que estira-se numa longa planície, sendo limitada ao leste pela Moesia Superior, ao sul pela Dalmácia, a oeste pelo Noricum e ao norte pelo Danúbio. Esta terra é adornada com muitas cidades, sendo a primeira Sirmium e a última, Vindobona. Mas o Sauromatae, que nós chamamos Sarmatians, e os Cemandri e certos dos hunos residiam em Castra Martis, uma cidade deles na região do Illyricum. Desta raça era Blivila, duque de Pentápolis, e seu irmão Froila e também Bessa, um Patrício em nosso tempo.

Os Sciri, ademais, e os Sadagarii e certos dos alani com seu líder, de nome Candac, receberam a Cítia Menor e a Baixa Moesia. Paria, o pai de meu pai Alanoviiamuth (que por assim dizer, é meu avô), foi secretário deste Candac enquanto ele viveu. Para o filho de sua irmã Gunthigis, também chamado Baza, o Mestre das Tropas, que foi descendente da linhagem dos amali, eu também, Jordanes, embora um homem iletrado antes da minha conversão, fui secretário.

Os Rugi, de qualquer forma, e algumas outras raças perguntaram se poderiam habitar Bizye e Arcadiópolis. Hernac, o jovem filho de Átila, com os que o seguiam, escolheram um lar na mais distante parte da Pequena Cítia. Emnetzur e Ultzindur, parentes seus, obtiveram Oescus, Utus e Almus, na Dácia à margem do Danúbio, e muitos dos hunos, então pululando em todo lugar, dirigiram-se à Romania, e se diz que deles descenderam os atuais Sacromontisi e os Fossatisii.

[Nota marginal: Bispo Ulfilas _ cerca de 311-381 EC]

[Nota marginal: Os godos Lesser]