Chapter 6
As duas hostes [estavam] corajosamente unidos na batalha. Nada foi feito escondido, mas eles sustentaram o início da luta. Que causa justa pode provocar o encontro de tantas nações, ou que ódio inspirou todos eles a tomarem armas um contra o outro? Isto é evidência de que a raça humana vive para seus reis, isso é o que os faz terem o impulso de um pensamento [para] massacrar nações, tomando lugar, e pelo capricho de um arrogante governante, aquele que a natureza tem tomado tempo para produzir perigos num momento.
[Nota marginal: O início do conflito]
XXXVII_ Porém antes de prosseguirmos com a ordem da própria batalha, parece necessário relatar o que já havia acontecido no curso da campanha, pois essa não foi somente uma famosa luta, mas foi complicada e confusa. E então, Sangiban, rei dos alanis, atingido pelo medo do que talvez viria a passar, prometeu render-se para Átila, e deixar sua tropa [em] Aureliani, uma cidade da Gália onde ele então morava. Quando Theodorid e Aetius perceberam isso, eles fizeram grande fortificação em torno da cidade antes da chegada de Átila e mantiveram vigiado o suspeito Sangiban, instalando-o com sua tribo em meio aos seus auxiliares.
Então Átila, rei dos hunos, teve um revés com este evento e perdeu a confiança de sua própria tropa, assim que temeu iniciar o conflito. Enquanto ele estava refletindo na fuga _ uma grande calamidade, a própria morte_ decidiu indagar o futuro através dos profetas. Então, como era costume deles, examinou as entranhas do gado e [notou] certas linhas em ossos que tinham sido arranhados, e prognosticou desastre para os hunos. Ainda como um pequeno consolo, profetizaram que o chefe comandando o inimigo que iria encontrar cairia, e prejudicaria por sua morte o resto da vitória e o triunfo.
Átila considerou a morte de Aetius uma coisa desejável até ao custo de sua própria vida, por Aetius colocar-se no caminho dos seus planos. Ainda que ele ficasse perturbado por esta profecia, considerando que ele era um homem que pedia conselho de presságios em toda guerra, iniciou a batalha com o coração ansioso por cerca da nona hora do dia, conforme a iminente penumbra talvez viesse em seu socorro se a consequencia seria desastre.
Batalha nos Campos Cataláunicos_ 451 EC
[Nota marginal: Batalha nos Campos Cataláunicos_ 451 EC]
Batalha nos Campos Cataláunicos_ 451 EC
XXXVIII_ Os exércitos encontraram-se, como tínhamos dito, nas Planícies Catalaunian. O campo de batalha era um plano erguendo-se por uma aguda inclinação para as montanhas, que ambos os exércitos procuraram ganhar; pela vantagem da posição está um grande apoio. Os hunos com suas forças atacaram o lado direito, os romanos, os visigodos e seus aliados o esquerdo, então iniciou-se um esforço para a ainda ***{untaken}*** crista.
Theodorid com os visigodos guardaram o flanco direito e Aetius e os romanos com o esquerdo. Eles posicionaram no centro Sangiban (quem, como dissemos antes, estava no comando dos alanis), desta forma conseguindo, com cautela militar, cercar por uma hoste de tropas fiéis o homem de quem a lealdade eles tinham pouca confiança. Pois estes, tendo dificuldades no caminho da sua fuga, com prazer submeteram-se à necessidade do combate.
Do outro lado, de qualquer forma, a linha de batalha dos hunos estava tão organizada que Átila e os que corajosamente o seguiam ficaram estacionados no centro. Dispondo-os desta forma o rei tinha principalmente sua própria salvação em vista, posto que, por sua posição exatamente no centro de sua raça, ele estaria guardado da passagem do arriscado perigo. Os inumeráveis povos de diversas tribos, que ele tinha sujeitado à sua influência, formou os flancos.
Entre estes era óbvio que o exército dos ostrogodos sob a liderança dos irmãos Valamir, Thiudimer e Vidimer, mais nobres até do que o rei ao qual serviam, pelo heroísmo da família dos amali os fizeram gloriosos. O renomado rei dos gepidae, Ardaric, foi aquele que também com uma incontável hoste, e por causa de sua grande lealdade para com Àtila, participou seus planos. Pois Átila, comparando-os em seu bom senso, estimou-o e [colocou] Valamir, rei dos ostrogodos, sobre todos os outros líderes. Valamir foi um bom protetor dos segredos, brando de fala e hábil nos truques; e Ardaric, como haviamos dito, ficou famoso por sua lealdade e inteligência.
Átila talvez sentiu bem claro que eles lutariam contra os visigodos, seus parentes. Já o resto da multidão de reis (se assim podemos chamá-los) e os líderes de várias nações presos sob o sinal de Átila, como escravos, quando ele dava um sinal até por um olhar, sem um ruído, cada um colocava-se adiante em medo e tremor, ou em todos os eventos, conforme ele desejasse. Átila sozinho foi rei sobre os reis de todos os reinos.
Então a luta começou pela vantagem da posição que haviamos mencionado. Átila mandou seus homens tomarem o pico da montanha, mas foram superados por Thorismud e Aetius, que em seus esforços de ganhar o topo da colina alcançaram superior [poder] de destruição e através desta vantagem de posição derrotaram facilmente os hunos enquanto avançavam.
thumb|De Neuville - The Huns at the Battle of Chalons
[Nota marginal: Átila discursa aos seus homens]
XXXIX_ Quando Átila viu que seu exército estava posto em confusão por este evento, ele acreditou que o melhor para encorajá-los seria por um improvisado discurso deste modo:
"Aqui você fica, depois de conquistar poderosas nações e subjugando o mundo. Então eu penso que é tolice para mim incitá-los com palavras, como se vocês fossem homens que não têm sido provados em ação. Deixa um novo líder ou um exército inexperiente recorrer a isso. Não é correto para mim dizer qualquer coisa banal, nem devem vocês ouvirem. Pois,o que é guerra senão seu usual costume? Ou, o que é mais doce para um corajoso homem do que procurar vingança com sua própria mão? Este é um direito da natureza saturar a alma com vingança.
Permita-nos, então, atacar o inimigo avidamente; por serem eles sempre os corajosos a fazer o ataque. Desprezo esta união de discordantes raças! Por defenderem a si mesmos por aliança é evidência de covardia. Vejam, até antes do nosso ataque eles foram golpear apavorados. Eles procuram os cumes, agarram as colinas e, arrependendo-se tarde demais, clamam por proteção contra a batalha nos campos abertos. Vocês sabem como desprezo a forma do ataque romano. Enquanto eles ainda estão reunidos em ordem e formados numa linha com escudos unidos, estão enquadrados, não direi pelo primeiro encontro, mas até na poeira da batalha. Então lutem, com corações decididos, como é de seus hábitos.
Desprezo sua linha de batalha. Avante os alani, golpear os visigodos! Busquem a vitória imediata naquele ponto onde há batalha enfurecida. Pois quando as forças estão reduzidas os membros em breve relaxam, nem fica um corpo de pé quando você atirou longe os ossos. Vamos aumentar sua coragem e sua própria fúria estourando avante! Mostrem agora sua perspicácia, hunos, suas façanhas em armas! Permita aos feridos exigir durante o retorno a morte do seu inimigo; conceda aos não-feridos a alegria do massacre do inimigo. Não prejudicará àqueles que estão certos de viver; e aqueles que estão certos de morrer o Destino alcança até na paz.
Finalmente, porquê a fortuna teria feito os hunos vitoriosos sobre tantas nações, a menos que isso fosse [para] prepará-los para o prazer deste conflito[?] A quem foi isso revelado aos nossos ancestrais o caminho através do pântano Maeotian, por muitas eras escondido? Quem, além disso, fez de vocês homens armados, quando vocês ainda estavam como que desarmados? Até um aglomerado de nações confederadas não conseguiria aguentar a pontaria dos hunos.
Eu não me enganei no assunto _ aqui é o campo que tem prometido tantas vitórias para nós. Eu atirarei a primeira lança no inimigo. Se alguém pode permanecer no sono enquanto Átila luta, ele é um homem morto." Inflamados por tais palavras, todos eles lançaram-se na batalha.
[Nota marginal: A luta feroz]
XL_ Embora a situação fosse em si mesma aterrorizante, ainda a presença de seu rei dissipou ansiedade e hesitação. Mão por mão eles foram de encontro com a batalha, e aumentou a violência da luta, confuso, monstruoso, duro _ uma luta tal qual não recordaria as dos tempos antigos. Lá semelhantes feitos eram produzidos para que um bravo homem que sentisse saudades deste maravilhoso espetáculo não pudesse esperar ver qualquer coisa admirável assim por toda sua longa vida.
Se posso acreditar em nossos anciãos, por um riacho correr entre margens baixas através da planície foi grandemente aumentado pelo sangue dos feridos de morte. Este não foi inundado por chuvas, como riachos normalmente se elevam, mas foi acrescido por um estranho rio e voltou para a torrente pelo acréscimo de sangue. Os feridos dirigiram-se a ele para satisfazer a ressecante sede bebendo água misturada a sangue coagulado. Em seus desgraçados empenhos eles foram forçados a beber o que acreditaram ser sangue derramado de seus próprios ferimentos.
[Nota marginal: Morte do rei Theodorid I em batalha]
Aqui o rei Theodorid, enquanto cavalgava para encorajar seu exército, foi jogado por seu cavalo e atropelado pelos pés de seus próprios homens, terminando assim seus dias em um perfeito de antigamente. Mas outros dizem que ele foi assassinado pela lança de Andag da tropa dos ostrogodos, que estavam então sob o poder de Átila. Isso foi o que os profetas tinham contado para Átila na profecia, apesar dele entender que fosse Aetius.
Então os visigodos, separando-se dos alani, caíram sob a multidão de hunos e quase mataram Átila. Mas ele prudentemente fugiu e imediatamente fechou-se e seus companheiros dentro dos obstáculos do acampamento, que ele fortificou com vagões ***{wagons}*** . Uma frágil defesa, realmente; lá eles procuraram refúgio para suas vidas, porém sem valor, já que paredes de terra não poderiam resistir. Mas Thorismud, o filho do rei Theodorid, com quem Aetius tinha dominado a colina e expulsado o inimigo do alto pulverizando, veio inconscientemente para os vagões ***{wagons}*** do inimigo na escuridão da noite, pensando ele que tinha alcançado suas próprias linhas. Como ele era corajoso guerreiro, alguém o feriu na cabeça e [foi] puxado de seu cavalo. Ele foi salvo pela vigilância atenciosa dos seus que o seguiam e retiraram-no do feroz conflito.
Aetius também ficou separado dos seus homens na confusão da noite e vagou no meio do inimigo. Temendo que um desastre tivesse acontecido, ele foi na procura dos godos. Por último ele alcançou o campo de seus aliados e passou o resto da noite na proteção de seus escudos.
Ao amanhecer do dia seguinte, quando os romanos verificaram os campos, com grandes pilhas de corpos e que os hunos não avançariam adiante, acreditaram terem vencido, mas souberam que Átila não fugiria da batalha a menos que sobrepujado por grande desastre. Ele não faria nada em covardia, como alguém que esteja sujeitado, mas por confronto de armas tocou os trompetes e ameaçou um ataque. Era como um leão penetrado por uma lança, marchou para e também de diante da boca do seu esconderijo e não ousou desafiar, mas não cessou de aterrorizar a vizinhança com seu rugido. Este rei guerreiro até em latido apavorou seus conquistadores.
Então os godos e romanos reuniram-se e consideraram o que fazer com o conquistado Átila. Eles determinaram esgotá-lo por um cerco, porque ele não tinha estoque de provisões e foi impedido por [estar] próximo de uma chuva de flechas dos arqueiros colocados dentro do campo romano. Mas foi dito que o rei ficou supremamente bravo até neste extremo e tinha amontoado uma pira funerária dos enfeites dos cavalos, se o inimigo o atacásse, ele estava determinado a atirar-se nas chamas, ninguém teria o prazer de machucá-lo e o senhor de tantas raças não cairia nas mãos do inimigo.
[Nota marginal: Resultados do combate]
XLI_ Durante este prolongamento, os visigodos procuraram seu rei e os filhos do rei, seu pai, admirando-se de sua ausência quando o sucesso tinha sido obtido. Quando, depois de uma longa procura, o encontraram onde a morte deitou muitos, o honraram com música e adornos à vista do inimigo, conforme acontece a homens valentes. Você talvez [já] tenha visto grupos de godos com dissonantes choros e dores nas honras de morte enquanto a batalha ainda [está] enfurecida. Lágrimas foram derramadas, mas de tal forma eles eram acostumados a devotar-se ao bravo homem. Estava realmente morto, mas os hunos eram testemunhas de que este foi alguém glorioso. Esta foi uma morte segundo alguém talvez bem iria supor [que] o orgulho do inimigo foi desdenhado, quando eles contemplaram o corpo de um grande rei, prestando em seguida adequadas honras.
Assim os godos, continuando as cerimônias devidas a Theodorid, adornaram em seguida a majestade real com os sons das armas, e o corajoso Thorismud, conforme se espera de um filho, honrou o glorioso espírito de seu falecido pai por seguir seu cadáver.
Quando isto foi feito, Thorismud ficou ansioso de tomar vingança por seu falecido pai nos hunos que restaram, sendo movido tanto por sua dor de luto quanto pelo impulso do valor pelo qual ficou conhecido. Ele consultou o Patrício Aetius (pois era um homem idoso e de mais bom senso maduro) com respeito a o que ele deveria fazer em seguida. Mas Aetius temeu que se os hunos fossem totalmente destruídos pelos godos, o império romano seria devastado, e o aconselhou a urgentemente retornar aos seus próprios domínios para receber o governo que seu pai lhe deixou. Senão seus irmãos talvez agarrariam as suas posses paternas e obteriam o poder sobre os visigodos. Neste caso Thorismud teria de lutar impetuosamente e, o que é pior, desastrosamente com seus próprios compatriotas.
Thorismud aceitou o conselho sem perceber seu duplo propósito, mas obedeceu isso com um olhar voltado para sua própria vantagem. Então ele deixou os hunos e retornou à Gália. Enquanto as fraquezas humanas apressam a suspeita, frequentemente desperdiçam uma oportunidade de fazer grandes coisas.
Na mais famosa guerra das corajosas tribos, cento e sessenta e cinco mil se diz terem sido mortos de ambos os lados, deixando de fora da contagem quinze mil dos gepidae e francos que lutaram pelos romanos, e os gepidae pelos hunos.
Quando Átila percebeu a retirada dos godos, pensou que fosse artimanha do inimigo_ pois tantos homens tendo vencido, para acreditar nesse inesperado ocorrido_ e ficou por algum tempo em seu acampamento. Mas quando um longo silêncio se seguiu à ausência do inimigo, o espírito do corajoso rei ficou animado a acreditar em vitória e a antecipação do prazer, e sua mente voltou-se aos velhos oráculos de seu destino.
[Nota marginal: Thorismud_ 451-453 EC]
Thorismud, de qualquer forma, depois da morte de seu pai nas Planícies Catalaunian onde havia lutado, avançou em cerimônia pública e adentrou Tolosa. Ali, ainda que a multidão de seus irmãos e bravos companheiros estivessem comemorando a vitória, ele começou a governar tão pacificamente que ninguém aspirou a sua sucessão ao trono.
[Nota marginal: Cerco e queda de Aquiléia_ 452 EC]
XLII_ Mas Átila agarrou a chance do retorno dos visigodos, observando o que ele tinha frequentemente desejado, que seu inimigo estivesse dividido. Na grande sensação de segurança, ele moveu adiante seu grupo para atacar os romanos. Como seu primeiro movimento, ele assediou a cidade de Aquiléia, a metrópole de Venetia, que está situada num ponto ou língua de terra sobre o mar adriático. Pelo lado oriental suas muralhas são banhadas pelo rio Natissa, fluindo da Montanha Piccis. O cerco foi longo e cruel, mas sem benefício, visto que os bravos soldados dos romanos resistiram-lhes de dentro.
Finalmente, seu exército estava descontente e desejava retornar. Átila teve a chance de estar caminhando em torno das muralhas, considerando se cancelaria o cerco ou o prolongaria longamente, e reparou que os pássaros brancos, ou seja, as cegonhas, que constróem seus ninhos na cumeeira das casas, sustentavam seus filhotes da cidade e, contrário ao seu costume, estavam carregando-os para fora do país. Sendo um sagaz observador de eventos, entendeu isso e disse aos seus soldados:
"Vocês sabem que os pássaros prevêem o futuro. Eles estão deixando a cidade obviamente para perecer e estão abandonando fortalezas malditas para morrerem em razão do iminente perigo. Não pensem que este seja um sinal insignificante ou duvidoso; temam, despertando destas coisas eles previram, mudaram seu costume." O que mais dizer? Inflamou seus soldados a atacar Aquiléia novamente. Construindo bate-estacas e trazendo para sustentar todo gênero de engenhos de guerra, eles rapidamente forçaram seu caminho para dentro da cidade, trazendo sobre ela a destruição, dividiram o saque e então cruelmente devastaram-na à medida que dificilmente deixaram um traço do que era.
Então aumentando o destemor e ainda com sede de sangue romano, os hunos encolerizaram-se furiosamente contra as cidades que restavam dos Veneti. Eles também destruíram Mediolanum, a metrópole da Ligúria, antigamente uma cidade imperial, e foram sobre Ticinum para uma semelhante destruição. E depois destruíram os países vizinhos em sua loucura, demolindo quase a Itália inteira.
[Nota marginal: Papa Leão intervém para salvar Roma_ 452 EC]
A idéia de Átila era ir para Roma. Mas os que o seguiam, como relata o historiador Prisco, guiou-o para outro lugar, não em consideração para com a cidade (com a qual eles eram hostis), mas por lembrarem-se do caso de Alarico, o antigo rei dos visigodos. Eles desconfiaram da boa fortuna de seu próprio rei, considerando que Alarico não viveu muito depois de saquear Roma, mas imediatamente partiu desta vida.
Enquanto o espírito de Átila ficou hesitando na dúvida entre ir e não ir, e ele ainda demorando para ponderar o assunto, um embaixador veio à ele de Roma procurando paz. O próprio papa Leão veio para encontrá-lo no distrito de Ambuleian dos Veneti, em viagem descendo o rio Mincius.
Então Átila rapidamente colocou de lado sua fúria usual, voltou pelo caminho que tinha avançado do outro lado do Danúbio e partiu com a promessa de paz. Mas sobretudo declarou e manifestou-se com ameaças que ele faria perversidades sobre a Itália, a menos que eles lhe enviassem Honória, a irmã do imperador Valentiniano e filha de Augusta Placidia, com a devida parte da riqueza real dela. Para isso foi dito que esta Honória, embora obrigada à castidade pela honra da corte imperial e deixada no constrangimento pela ordem do seu irmão, tinha secretamente despachado um eunuco para chamar Átila, de quem talvez ela teria proteção contra o poder de seu irmão_ uma vergonhosa coisa, sem dúvida, para obter permissão à sua paixão ao custo da felicidade pública.
[Nota marginal: Marciano_ 450-457 EC]
[Nota marginal: Átila derrotado por Thorismud]
XLIII_ Assim Átila retornou ao próprio país, aparentando lamentar a paz e irritado pela pausa da guerra. Portanto ele enviou embaixadores para Marciano, imperador do Leste, ameaçando devastar as províncias, por [algo que] lhe havia sido prometido por Theodósio, um imperador anterior, sem ter sido executado, e disse que ele se mostraria ainda mais cruel com seus inimigos do que antes. Mas como ele era astuto e esperto, ameaçou numa direção e moveu seu exército em outra.
No meio daqueles preparativos, ele voltou sua face em direção aos visigodos, que tinham ainda que sentir sua vingança. Mas nisso ele não teve o mesmo sucesso [que teve] contra os romanos. Apressando-se de volta por um caminho diferente de antes, decidiu reduzir ao seu poder aquela parte dos Alani fixada do outro lado do rio Loire, [já que] atacando-os, e desta forma mudando o aspecto da guerra, ele talvez se tornaria na mais terrível ameaça aos visigodos.
Consequentemente ele começou pelas províncias da Dácia e Pannonia, onde os hunos eram então residentes, com vários povos que lhe eram sujeitos, e moveu-se contra os Alani. Mas Thorismud, rei dos visigodos, com igual agilidade de pensamento percebeu o truque de Átila. Por forçar marcha ele veio aos Alani antes dele, e foi bem preparado para verificar o avanço de Átila quando este veio contra ele. Batalharam quase do mesmo jeito que antes, nas Planícies Catalaunian, e Thorismud frustrou-o em suas esperanças de vitória, por derrotá-lo e dirigi-lo de volta à [própria terra] sem triunfo, compelindo-o a fugir ao seu próprio país. Desta forma, enquanto Átila, o famoso líder e portador de muitas vitórias, procurou manchar a fama de seu destruidor e, do seu jeito, anular o que havia sofrido às mãos dos visigodos, recebeu uma segunda derrota e escapou vergonhosamente.
Após os bandos de hunos terem sido expulsos pelos Alani, sem qualquer ferimento em seus próprios homens, Thorismud partiu para Tolosa. Ali ele estabeleceu uma paz obtida para seu povo e no terceiro ano de seu reinado caiu doente. Enquanto lhe saía sangue de uma veia, foi levado à morte por Ascalc, um cliente, que contou aos inimigos que suas armas estavam fora de alcance. Ainda segurando um ***[escabelo?_foot-stool_ ]*** em uma das mãos, ele obteve liberdade, tornando-se o vingador de seu próprio sangue, destruindo vários daqueles que foram mentirosos na espera dele.
[Nota marginal: O reinado do rei Theodorid II_ 453-466 EC]
[Nota marginal: Batalha próxima de Ulbius_ 456 EC]
XLIV_ Depois de sua morte, seu irmão Theodorid sucedeu-o no reino dos visigodos e em breve descobriu que Riciarius, seu parente, o rei dos Suavi, era hostil com ele. Pois Riciarius, presumindo do seu relacionamento para com Theodorid, acreditou que este talvez dominaria quase a Espanha inteira, acreditando que o distúrbio iniciado pelo reinado de Theodorid fez o momento oportuno para sua fraude.
Os Suavi anteriormente dominaram como seu país a Galicia e a Lusitânia, que extende-se do lado direito da Espanha ao longo da margem do Oceano. Ao leste está Austrogonia, no oeste, num promontório, está o consagrado Monumento do general romano Cipião, para o norte o Oceano, e ao sul a Lusitânia e o rio Tagus, que tem ouro misturado às suas areias, e assim carrega riquezas em sua lama sem valor. Portanto Riciarius, rei dos Suavi, dirigiu-se adiante e aspirou dominar a Espanha inteira.
Theodorid, seu parente, um homem de moderação, enviou-lhe embaixadores e contaram-lhe serenamente que ele não tinha necessidade [somente] de retirar-se dos territórios que não lhe pertenciam, mas, além disso, que ele não presumiria fazer semelhante esforço, tornando-se odiado por sua ambição. Porém, com espírito arrogante, ele replicou: "Se você resmunga aqui e encontra erro comigo, irei para Tolosa onde você mora. Oponha-se a mim lá, se puder."
Quando escutou isso, Theodorid ficou irritado, fazendo pacto com todas as outras tribos, moveu-se contra os Suavi. Ele teve por aliados próximos Gundiuch e Hilperic, reis dos burgúndios. Eles vieram para lutar próximo ao rio Ulbius, que corre entre Asturica e Hiberia, e no compromisso de Theodorid com os visigodos, que lutaram à direita, tornaram-se vitoriosos, derrubando a inteira tribo dos Suavi e quase a exterminando. Seu rei Riciarius fugiu de medo do inimigo e embarcou num navio. Mas foi abatido por outro inimigo, o vento contrário do Mar Tyrrênio, e assim caiu nas mãos dos visigodos. Assim, apesar dele mudar do mar para terra, o desprezível homem não evitou sua morte.
Quando Theodorid tornou-se vencedor, poupou o conquistado e não desejou a continuação do conflito, mas estabeleceu sobre os Suavi, a quem ele havia conquistado, um de seus próprios empregados, chamado Agrivulf. Mas Agrivulf traiçoeiramente mudou seu pensamento, através de persuasão sobre os Suavi, e falhou em realizar sua obrigação. Por ele ter sido totalmente inflado com orgulho tirânico, acreditando ter obtido a província como prêmio pelo seu valor, e [por] seu senhor tê-los recentemente subjugado.