Chapter 5
Quando eles tinham viajado para fora fazendo algum dano na Itália, Estílico, Patrício e sogro do imperador Honório_ pelo imperador ter-se casado com suas filhas, Maria e Thermantia, em sucessão, mas Deus chamou ambas deste mundo em sua pureza virginal_ este Estílico, digo, traiçoeiramente apressou-se para Pollentia, uma cidade nos Alpes Cottian. Ali ele caiu sobre os inocentes godos em batalha, para a ruína de toda Itália e sua própria desgraça.
Quando os godos repentinamente o notaram, primeiramente eles ficaram aterrorizados. Recuperando-se rapidamente sua coragem e animando uns aos outros por bravos gritos de guerra, como é seu costume, eles lançaram-se contra o inteiro exército de Estílico e quase a exterminaram. Então, abandonando a viajem, responsabilizando-se ***[pelas consequencias?]***, os godos, com os corações plenos de raiva, retornaram novamente para a Ligúria, de onde tinham saído.
Quando eles a tinham pilhado e destruído, também passaram a destruir Aemilia, e então apressaram-se em direção à cidade de Roma, junto da Estrada Flamínia, que percorre entre Picenum e Tuscia, tomando-as como um espólio qualquer, tomaram-nas em seu poder. Quando finalmente entraram em Roma, por expresso comando de Alarico, eles meramente saquearam-na e não puseram fogo na cidade, como povos selvagens normalmente fazem, nem permitiram que se fizesse sérios danos aos lugares sagrados. Partiram, então, dali para trazer ruína sobre Campania e Lucania, e depois vieram para Brutii. Ali eles [ficaram] um longo tempo e planejaram ir para a Sicília e dali para os países da África.
[Nota marginal: Morte de Alarico I_ 410 EC]
[Nota marginal: Athavulf_ 410-415 EC]
Agora a terra de Brutti está no extremo sul da Itália, e uma extremidade dela marca o início das montanhas do Apenino. Estas extendem-se como uma língua para dentro do mar Adriático e o separa das águas do Tyrrenio. Esta [cidade] possivelmente recebeu seu nome nos tempos antigos da rainha Bruttia.
Para este lugar veio Alarico, rei dos visigodos, com a riqueza de toda a Itália que ele tinha tomado como espólio, e dali, como nós tínhamos dito, ele intencionou atravessar do outro lado, pelo caminho da Sicília, para o tranquilo território da África. Porém, posto que o homem não é livre para fazer qualquer coisa que deseje [que seja contra] a vontade de Deus, este afundou vários dos seus barcos e jogou todos em confusão. Alarico foi prostrado por seu revés, e enquanto [estava] deliberando o que faria, foi repentinamente atacado por uma morte fora de hora, sendo apartado dos cuidados humanos.
Seu povo guardou-lhe luto com a maior afeição. Então voltando do seu curso [pelo] rio Busentus, próximo da cidade de Consentia _ por este rio correm águas potáveis do pé da montanha, próximo daquela cidade_ eles conduziram um bando de prisioneiros para o meio de seus túmulos para cavar um lugar para a sepultura dele. Na profundidade deste buraco eles enterraram Alarico, junto de muitos tesouros, e então voltaram pelas águas, por seu canal. E aqueles, de forma alguma, jamais saberão do lugar, [pois] eles mataram todos os escavadores.
Eles entregaram o governo dos visigodos sobre Athavulf, seu parente, um homem de bela imponência e grande espírito; por não ser de grande estatura, ele foi distinguido pela beleza da face e de forma.
[Nota marginal: Feitos do rei Athavulf]
[Nota marginal: Esposa Galla Placidia_ 414 EC]
[Nota marginal: Rei Segeric_ 415 EC]
XXXI_ Quando Athavulf tornou-se rei, retornou novamente para Roma, e tudo o que tinha escapado do primeiro saque, seus godos esvaziaram como gafanhotos, [tornando-a] vazia, não meramente despojando a Itália de sua riqueza privada, mas até seus tesouros públicos. O imperador Honório foi impotente para resistir até quando sua irmã Placidia, a filha do imperador Teodósio por sua segunda esposa, foi conduzida cativa da cidade. Porém Athavulf foi seduzido pela nobreza, beleza e casta pureza dela. Então a tomou por esposa em casamento legal no Forum Julii, uma cidade de Aemilia.
Quando os bárbaros descobriram esta aliança, ficaram os mais efetivamente apavorados, visto que o império e os godos pareciam ser feito um. Então Athavulf dirigiu-se à Galia, deixando Honório Augusto desnudo de sua riqueza; para ser claro, ainda agradou seu coração porque era agora uma espécie de parente dele.
Sob sua chegada as tribos vizinhas que tinham desejado fazer cruel incursão na Galia _ Francos e Burgúndios igualmente _ estavam aterrorizados e começaram a fortalecer o interior de suas próprias fronteiras. Agora os vândalos e os alani, como dissemos anteriormente, tinham sido residentes em ambas Pannonias por permissão dos imperadores romanos. Ainda temendo que eles não estariam seguros até mesmo aqui se os godos retornássem, atravessaram para a Gália. Mas não muito tempo depois deles terem tomado posse da Gália, fugiram daquele lugar e fecharam-se na Espanha, por ainda lembrarem-se das histórias de seus antepassados, [da] ruína que Geberich, rei dos godos, tinha há muito tempo atrás trazido sobre sua raça, e agora por seu valor ele tinha os dirigido da sua terra nativa.
E dessa forma isso aconteceu: a Gália mostrou-se aberta para Athavulf, quando veio. Agora quando os godos tinham estabelecido seu reino na Gália, ele começou a sentir pesar do aperto dos espanhóis e planejou salvá-los dos ataques dos vândalos. Portanto Athavulf deixou em Barcelona seus tesouros e os homens inadequados para guerra, e entrou no interior da Espanha com poucos fiéis o seguindo. Ali ele lutou frequentemente com os vândalos e, no terceiro ano após ele ter subjugado a Gália e a Espanha, caiu perfurado através da virilha pela espada de Euervulf, um homem de baixa estatura de quem se tinha hábito zombar. Depois de sua morte Segeric foi nomeado rei, mas ele também foi morto pela traição de seus próprios homens e perdeu tanto seu reino como sua vida até mais rapidamente que Athavulf.
[Nota marginal: Rei Valia_ 415-419 EC]
XXXII_ Então Valia, o quarto desde Alarico, foi feito rei, e ele foi um excessivamente severo e prudente homem. O imperador Honório mandou um exército contra ele sob Constantius, que foi famoso por seus feitos em guerra e distinguiu-se em muitas batalhas, por temer que Valia quebraria o trato feito há muito tempo com Athavulf e que, depois dirigindo-se às tribos vizinhas, empreenderia um plano perverso contra o império. Além disso Honório estava ansioso de libertar sua irmã Placídia da desgraça da servidão, e fez um acordo com Constantius que, se pela paz ou pela guerra ou qualquer outro recurso que fosse, ele conseguisse trazê-la de volta ao reino, a teria como esposa. Contente com esta promessa, Constantius dirigiu-se à Espanha com uma força armada e quase em esplendor real.
Valia, rei dos godos, encontrou-se com ele como a um passo dos Pirineus com uma grande força. Neste ponto foram mandadas embaixadas de ambos os lados; e foi decidido fazer paz nos seguintes termos, ou seja: que Valia daria Placidia, a irmã do imperador, e não recusaria socorrer o império romano quando a ocasião exigisse.
[Nota marginal: Constantino III_ 407-411 EC]
[Nota marginal: Constans_ 407-411 EC]
[Nota marginal: Jovinus_ 411-413 EC]
[Nota marginal: Sebastian_ 412 EC]
Ora, naquele tempo um certo Constantino usurpou o poder imperial na Gália e nomeou como césar seu filho Constans, que foi anteriormente um monge. Mas quando ele havia tido, por um curto período de tempo, o império, foi assassinado em Arelate e seu filho em Vienne. Jovinus e Sebastian sucederam então, com igual presunção, e acreditaram talvez obter o poder imperial; mas eles pereceram em semelhante destino.
[Nota marginal: Valia move-se contra os vândalos_ 427 EC]
Já no décimo segundo ano do reinado de Valia, os hunos dirigiram-se para [fora da] Pannonia sobre romanos e godos, quase cinquenta anos depois deles terem tomado posse dela. Então Valia descobriu que os vândalos tinham vindo avante com destemida audácia do interior da Galicia, para onde Athavulf tinha há tempos os dirigido, e foram devastando e saqueando todos os lugares em seus próprios territórios, quer dizer, nas terras da Espanha. Então ele não atrasou-se, mas moveu seu exército contra eles por uma vez, no tempo em que Hierius e Ardabures foram cônsules.
[Nota marginal: Os vândalos e Gaiseric, seu rei_ 427-477 EC]
XXXIII_ Mas Gaiseric, rei dos vândalos, já tinha sido convidado a entrar na África por Bonifácio, que tinha [se] arruinado numa disputa com o imperador Valentiniano e foi capaz de vingar-se por prejudicar o império. Então ele convidou-os urgentemente e trouxe-os através do reduzido estreito conhecido como Estreito de Gades, tendo dificilmente sete milhas de largura, que divide a África da Espanha e une a foz do Mar Tirrênio com as águas do Oceano.
Gaiseric, ainda famoso na Cidade pelo desastre dos romanos, era um homem de moderada altura e coxo em consequência de uma queda de seu cavalo. Foi um homem de profundo pensamento e curtas palavras, pensando da luxúria com desdém, selvagem em sua fúria, voraz para lucro, sagaz para vencer outros bárbaros e habilidoso em disseminar as sementes da dissenção para estimular a inimizade. Tal ele era que, como dissemos, veio por convite solicitado por Bonifácio para a província da África.
Ali ele reinou por um longo tempo, recebendo autoridade, como eles dizem, do próprio Deus. Antes de sua morte ele reuniu todos os seus filhos e ordenou que lá não haveria disputas entre eles pelo desejo do reino, mas que cada um reinaria em seu próprio posto e ordem como ele sobreviveu aos outros; ou seja, o próximo jovem sucederia seu velho irmão, e ele, novamente, seria sucedido pelo mais moço.
Por darem atenção à esta ordem, governariam seu reino em felicidade pelo espaço de muitos anos e não seriam desgraçados pela guerra civil, como é comum entre muitas nações; um após o outro recebendo o reino e reinando o povo em paz.
[Nota marginal: Os cinco reis dos vândalos_ 427-534 EC]
[Nota marginal: O reino dos vândalos torna-se sujeito à Roma]
Esta é a ordem de sucessão: primeiro, Gaiseric, que foi pai e senhor; o próximo, Huneric; o terceiro Gunthamund; o quarto Thrasamund; e o quinto, Ilderich. Ele foi conduzido ao trono e morto por Gelimer, que exterminou sua raça por ser indiferente aos conselhos de seus ancestrais e tornou-se um tirano. Mas o que ele fez não ficaria impune, pois em pouco tempo a vingança do imperador Justiniano foi manifestada contra ele. Com toda sua família e toda sua excessiva riqueza que ele havia desejado feito um ladrão, foi tomada para Constantinopla pelo mais renomado guerreiro, Belisarius, Senhor das Tropas do Leste, ex-Cônsul Ordinário e Patrício.Ali ele dava um grande espetáculo ao povo no circo. Seu arrependimento, quando observou sua própria queda de sua situação de realeza, veio muito tarde. Morreu como um mero subalterno e em retiro, apesar dele ter anteriormente se negado à submeter-se à vida privada.
Desta forma, depois de um século a África, que na divisão da superfície terrestre é considerada como uma terça parte do mundo, foi livrada do jugo dos vândalos e trazida de volta à liberdade do império romano. O país que a mão dos bárbaros tinha há muito tempo atrás cortado do corpo do império romano, em razão da covardia dos imperadores e traições dos generais, estava agora restaurada por um prudente príncipe e um fiel líder, e hoje está, felizmente, florescendo. E, de qualquer forma, depois disso, teve de lastimar a miséria da guerra civil e a traição dos "Moors", ainda o triunfo do imperador Justiniano, concedido por Deus. Trouxe para uma pacífica conclusão o que ele tinha iniciado.
Mas porque precisamos falar do que o assunto não requer? Retornemos ao nosso tema.
[Nota marginal: Migração ou Os Amali aos Visigodos]
[Nota marginal: Theodorico I _ 419-451 EC]
Valia, rei dos godos, e seu exército lutou então ferozmente contra os vândalos, perseguiu-os até a África, não tendo, porém, uma desgraça semelhante a que sucedeu a Alarico quando este se dirigiu para a África. Então, quando obteve grande fama na Espanha, retornou depois para Tolosa com uma vitória sem derramamento de sangue, devolvendo ao império romano, como ele prometera, um número de províncias que ele libertou de seus inimigos. Muito tempo após isso ele foi pego por uma doença e partiu desta vida.
Exatamente naquele mesmo tempo Beremud, o filho de Thorismud, que mencionamos anteriormente na genealogia da família dos Amali, partiu com seu filho dos Ostrogodos, os quais ainda submeteram à opressão os hunos na terra da Cítia, e veio ao reino dos visigodos. Bem ciente do seu valor e nobreza de nascimento, acreditou que o reino seria o mais propenso a entregar-se a ele por seu parentesco, à medida que ele fosse conhecido por ser o herdeiro de muitos reis. E quem iria hesitar escolher um dos Amali, se houvesse um trono vago? Mas não foi ávido de fazer-se conhecer quem ele era, e assim, na morte de Valia dos visigodos fizeram Theodorid seu sucessor.
Beremud veio até ele e, com a resistência mental pela qual ficou conhecido, ocultou seu nobre nascimento por prudente silêncio, por saber que as linhagens reais são sempre suspeitas pelos reis. Portanto ele sofreu em si mesmo o permanecer desconhecido, até que ele talvez não trouxesse o estabelecimento da ordem na confusão. O rei Theodorid recebeu a ele e seu filho com especial respeito e o fez seu companheiro em seus conselhos e um companheiro em sua hospedagem; não por seu nobre nascimento, que ele desconhecia, mas por seu bravo espírito e forte mente, que Beremud não conseguiu esconder.
[Nota marginal: Consulado de Teodósio_ 439 EC]
[Nota marginal: Primeira violação entre Theodorid I e os romanos]
[Nota marginal: A trégua_ 439 EC]
XXXIV_ E o que mais? Valia (repetindo o que havíamos dito) teve apenas pequeno sucesso contra os gálios, mas quando morreu [sendo] o mais afortunado e próspero, Theodorid sucedeu-o ao trono. Ele foi um homem de enorme moderação e notável pelo vigor de mente e corpo.
No consulado de Teodósio e Festo, os romanos quebraram as tréguas e tomaram armas contra ele na Gália, tendo os hunos como auxílio. Por uma parte dos Confederados Gálicos, dirigidos por Count Gaina, haviam estimulado os romanos a colocar Constantinopla em pânico. Naquele tempo o Patrício Aetius estava no comando do exército. Ele foi da brava descendência dos Moesian, nascido de seu pai Gaudentius na cidade de Durostorum. Foi um homem adaptado aos duros labores da guerra, nascido expressamente para servir ao estado romano; e por impor esmagadores derrotas, ele forçou os arrogantes Suavi e os bárbaros Francos à submissão do poderio romano.
Então, com os hunos por aliados sob seu líder Litorius, o exército romano moveu-se em ordem contra os godos. Quando as linhas de batalha de ambos os lados tinham permanecido [em] posição por longo tempo, opostos um contra o outro, sendo ambos corajosos e nenhum dos lados fraco, fizeram uma trégua e retornaram à sua antiga aliança. Depois do tratado ter sido confirmado por ambos e uma honesta paz foi estabelecida, ambos se retiraram.
[Nota marginal: Embaixada para Átila_ 448 EC]
Durante esta paz Átila era senhor sobre todos os hunos e quase governante único de todas as tribos da terra Cítia; um homem maravilhoso por sua gloriosa fama entre todas as nações. O historiador Priscus, que foi enviado a ele numa embaixada pelo jovem Teodósio, diz isso entre outras coisas:
"Atravessando poderosos rios _ ou seja, o Thisia e Tibisia e Dricca_ nós viemos ao lugar onde tempos atrás Vidigoia, valente dos godos, pereceu pela trapaça dos sarmatianos. Por não grande distância daquele lugar nós chegamos na vila onde o rei Átila estava morando _ uma vila, digo, como uma grande cidade em que nós encontramos paredes feitas de madeira construídos em tábuas de ***smooth-shining***, estas unidas dando tão falsa impressão de sólidas que a união das tábuas dificilmente poderiam ser distinguidas por escrutínio de perto. Lá você talvez veja salões de recepção de grande tamanho e pórticos planejados com grande beleza, enquanto o pátio era de tão vasto circuito que seu completo tamanho mostrou ser de um palácio real." Este era o abrigo de Átila, o rei de todos os bárbaros do mundo; e ele preferiu esta como uma residência do que as cidades que capturou.
[Nota marginal: Caráter de Átila, rei dos hunos]
[Nota marginal: Átila e Bleda juntos reinam_ 433-445 EC]
[Nota marginal: Átila reina sozinho_ 445-453 EC]
XXXV_ Este Átila foi filho de Mundiuch, e seus irmãos eram Octar e Ruas que se diz terem governado antes de Átila, apesar de não sobre tantas tribos como ele. Depois de sua morte ele sucedeu ao trono dos hunos, junto com seu irmão Bleda. ***Na ordem que ele talvez primeiro estar igual {In order that he might first be equal}*** para a expedição que estava preparando, ele procurou aumentar sua força pelo assassinato. Deste modo ele procedeu com a destruição de seu próprio consanguíneo para a ameaça de todos os outros. Mas, apesar dele aumentar seu poder por este vergonhoso recurso, todavia da balança da justiça ele recebeu as horríveis consequências de sua própria crueldade.
Ora, quando seu irmão Bleda, que governou sobre uma grande parte dos hunos, tinha sido assassinado por esta traição, Átila uniu todo povo sob seu próprio poder. Reunindo também uma hoste de outras tribos que ele então segurou sob sua influência, procurou submeter as principais nações do mundo_ os romanos e os visigodos. Seu exército se diz ter contado quinhentos mil homens. Ele foi um homem dado à luz para estremecer as nações, o flagelo de todos os povos, quem de algum modo apavorava a toda humanidade por terríveis rumores divulgados ao exterior concernente à ele.
Ele era arrogante em seu caminhar, virando seus olhos para lá e para cá, de modo que o poder de seu orgulhoso espírito evidenciava-se no movimento de seu corpo. Era realmente amante da guerra, mas restringido na ação, eficaz em aconselhar, piedoso com os suplicantes e doce para com aqueles que eram uma vez recebidos em sua proteção. Era baixo de estatura com tórax largo e grande cabeça; seus olhos eram pequenos, sua barba escassa e salpicada de cinza; tinha um nariz chato e uma pele morena, provando as evidências suas origens. Apesar de seu temperamento ser tal que ele sempre tinha grande auto-confiança, sua promessa foi acrescida por descobrir a espada de Marte, sempre estimada [como] sagrada entre os reis dos citas. O historiador Priscus diz que esta foi descoberta sob as seguintes circunstâncias:
"Quando um certo pastor observou uma novilha de seu rebanho mancando sem motivo para isso, ele ansiosamente seguiu a trilha de sangue e ao longo [desta], chegou numa espada que ela tinha, sem perceber, pisado enquanto comia grama. Ele alegrou-se com este presente e, sendo ambicioso, pensou ter sido marcado [como] governante de todo o mundo, e que através da espada de Marte, a supremacia em todas as guerras lhe seria garantida."
[Nota marginal: Gaiseric os incita à guerra com os godos]
Quando Gaiseric, rei dos vândalos, a quem mencionamos sucintamente acima, compreendeu que sua mente estava propensa à devastação do mundo, ele incitou Átila por muitos presentes para fazer guerra aos visigodos, por ele estar receoso de que Theodorid, rei dos visigodos, vingaria a injúria feita à sua filha. Ela foi unida em casamento com Huneric, o filho de Gaiseric, e no início foi feliz nesta união. Porém, mais tarde ele foi cruel até com sua própria criança, e por mera suspeita de que ela estava tentando envenená-lo, cortou seu nariz e mutilou suas orelhas. Ele a enviou de volta ao pai na Gália, despojada deste modo dos seus encantos naturais. Então a miserável garota apresentou um lastimável aspecto permanentemente depois, e a crueldade que emocionaria até estranhos incitou seu pai ainda mais à vingança.
Átila, então, em seus esforços para causar ao redor as guerras há tempos atrás instigadas pelo suborno de Gaiseric, despachou embaixadores para Itália ao imperador Valentiniano para semear conflito entre godos e romanos, pensando destruir pela discórdia civil aqueles a quem não conseguiria esmagar em batalha. Ele declarou que de jeito nenhum estava violando suas relações amistosas com o império, mas que tinha uma querela com Theodorid, rei dos visigodos.
Como ele desejava ser acolhido amigavelmente, preencheu o resto de sua carta com o visual [de] saudações lisonjeadoras, esforçando-se em obter crédito por sua falsidade. De forma semelhante despachou uma mensagem a Theodorid, rei dos visigodos, encorajando-o a quebrar sua aliança com os romanos e lembrando-o das batalhas que eles tinha recentemente provocado a ele. Debaixo de sua ferocidade ele foi um homem sutil, e lutou com trapaça antes de fazer guerra.
[Nota marginal: Aliança de visigodos e romanos contra Átila_ 451 EC]
Portanto o imperador Valentiniano enviou uma embaixada aos visigodos e ao seu rei Theodorid, com esta mensagem:
"Bravos das nações, esta é a posição da prudência [tomada] por nós para reunir contra o senhor da terra que deseja escravizar o mundo todo; que não requer causa justa para guerra, mas supõe que não importa o que faça, é correto. Ele mede sua ambição por sua bravura. Rebeldia satisfaz sua vaidade. Desprezando lei e direito, ele mostra-se um inimigo da própria natureza. E desta forma ele, que evidentemente é o inimigo público, merece o ódio geral.
Peço que se lembre _ o que você certamente não esquece_ que os hunos não destruíram nações pelos meios da guerra, onde haveria chances iguais, mas atacou-os pela traição, que é uma grande causa de angústia. Para não dizer coisa alguma a nosso próprio respeito, pode você sofrer semelhante insolência impunemente? Visto que você é poderoso em armas, dê atenção ao seu próprio perigo e una esforços em comum conosco. Prestar socorro também ao império, que você possui uma parte. Se você compreender como uma aliança lhe é necessária como é para nós, olhe nos planos do adversário."
[Nota marginal: A força dos aliados]
Por estes e semelhantes argumentos os embaixadores de Valentiniano prevaleceram sobre o rei Theodorid. Ele respondeu-o, dizendo:
Romanos, vocês realizaram seu desejo; vocês fizeram Átila também nosso inimigo. Nós o perseguiremos onde quer que ele nôs convocar, e, apesar dele ficar enaltecido por suas vitórias sobre várias raças, os godos ainda sabem como lutar contra este soberbo inimigo. Não chamo guerra nenhuma de perigosa, salvo aquela cuja causa é fraca; por ele não temer desgraça a quem a Majestade tem sorrido."
Os nobres gritaram concordando com a resposta e a multidão com satisfação os seguiu. Todos tornaram-se ferozes para a batalha e desejaram encontrar os hunos, seus inimigos. E assim uma incontável hoste foi conduzida adiante por Theodorid, rei dos visigodos, que mandou quatro dos seus filhos para casa, ou seja, Friderich e Eurich, Remeter e Himnerith, tomando com ele somente os dois filhos mais velhos, Thorismud e Theodorid, como companheiros nos mesmos labores. Oh brava exibição, obviamente defesa e melodiosa amizade! Tendo como consolo o risco daqueles a quem um contentamento é a tolerância dos mesmos perigos.
Um lado dos romanos manteve-se [sob] o Patrício Aetius, de quem naquele tempo o inteiro império do oeste dependia; um homem de tal bom senso que reuniu guerreiros de todos os lugares para encontrá-los em iguais termos. Estes foram auxilio para ele: Francos, Sarmatianos, Armoricians, Liticians, Burgundians, Saxons, Riparians Olibriones (antigamente soldados romanos e agora a beleza das forças aliadas), e alguns outros das tribos célticas ou germânicas. Desta forma eles encontraram-se nas Planícies Catalaunian, que são também chamadas Mauriacian, extendendo-se em comprimento por cem "leuva", como os gálios expressam isso, e setenta em largura. Já a gálica "leuva" mede uma distância de mil e quinhentos passos. Aquela porção de terra consequentemente tornou-se o caminho de incontáveis raças.