Chapter 4
Agora isso tinha sido, por muito tempo, um duro assunto ao exército romano, [terem] lutado contra muitas nações sem eles. Isso fica evidente pelo fato de os godos serem frequentemente chamados. Dessa forma eles foram chamados por Constantino para sustentar armas contra seu parente Licinius. Mais tarde, quando ele estava conquistando e trancando Tessalônica e a privando de seu poder, eles mataram-no com a espada de Constantino o victor. Em semelhante modo essa era a ajuda dos godos que permitiram-no construir a famosa cidade que é chamada conforme seu nome, a rival de Roma, à medida que eles entraram numa trégua com o imperador e forneceram a ele quarenta mil homens para ajudá-lo contra vários povos. Este grupo de homens, chamados "Os Aliados", e o serviço que eles renderam na guerra são ainda contados na terra até este dia. Agora naquele tempo eles prosperaram sob o poder de seus reis Ariaric e Aoric. Na sua morte Geberich mostrou-se como sucessor ao trono, um homem conhecido por seu valor e nobreza de nascimento.
[Nota marginal: Geberich conquista os vândalos_ 336 EC]
XXII_ Por ele ser filho de Hilderith, que era filho de Ovida, filho de Nidada; e por suas ilustres façanhas ele igualou a glória de sua raça. Em breve ele procurou aumentar os estreitos limites do seu país ao custo da raça dos vândalos e Visimar, seu rei. Este Visimar era descendente de Asdingi, que é famosos entre eles e ressaltado [como] um grande descendente guerreiro, como o historiador Dexippus relata. Ele situa fora isto que pela razão da grande extensão de seu país eles dificilmente poderiam vir do Oceano para nossa fronteira no tempo de um ano. Neste tempo eles moravam na terra onde os gepidae agora vivem, próximos aos rios Marisia, Miliare, Gilpil e o Grisia, que excedem em tamanho todos os préviamente mencionados. Eles então tinham a leste os godos, no oeste os marcomanni, ao norte os hermunduli e ao sul o Hister, que é também chamado Danúbio. No tempo em que os vândalos estavam morando nesta região, uma guerra foi iniciada contra eles por Geberich, rei dos godos, na margem do rio Marisia que eu havia mencionado. Aqui a batalha enfureceu-se por um pouco enquanto [os lados estavam] iguais. Mas rapidamente o próprio Visimar, rei dos vândalos, foi derrubado, ao mesmo tempo que grande parte de seu povo. Geberich, o famoso líder dos godos, tendo conquistado e saqueado os vândalos, retornou ao seu próprio lugar de onde veio. Então o restante dos vândalos que escaparam, reunindo um bando de seu povo civil, deixou seu maldito país e perguntaram ao imperador Constantino [a respeito da] Panonia. Aqui eles tornaram seu lar por quase sessenta anos e cumpriram as ordens dos imperadores como sujeitos [à tais]. Muito tempo depois eles foram chamados daquele lugar por Estilico, general das tropas, ex-consul e patrício, e tomou possessão de Gália(Gália?). Neste lugar eles pilharam seus vizinhos e não tiveram lugar fixo para permanecer.
[Nota marginal: Conquista de Herculi, Venethi e Aesti]
XXIII_ Em breve Geberich, rei dos godos, foi separado dos assuntos humanos e Hermanaric, nobre dos Amali, sucedeu ao trono. Ele subjugou muitos povos guerreiros do norte e os fez obedecer suas leis, e alguns de nossos ancestrais o tinham comparado com Alexandre o grande. Em meio às tribos ele conquistou os Mordens, Imniscaris, Rogas, Tadzans, Athaul, Navego, Bubegenae e Coldae. Mas apesar de famoso por sua conquista de tantas raças, ele não se deu descanso até morrer em alguma batalha e então reduzido por seu poder o remanescente da tribo dos heruli, que teve por chefe Alarico. Agora a supramencionada raça, como o historiador Ablabius conta-nos, moraram próximos ao Lago Maeotis nos lugares pantanosos que os gregos chamam hel[=e]; por conseguinte eles eram chamados heluri. Este foi um povo rápido com os pés, e naquela descrição foram os que mais cresceram com orgulho; naquele tempo não havia raça por lá que não os escolheria para tropas de armada veloz, para batalha. Mas apesar da sua velocidade tê-los salvo de outros, que fizeram guerra contra eles, eles ainda foram derrubados pela lentidão e constância dos godos; e a sorte da fortuna trouxe isso para transmitir aquilo a eles, à medida em que bem como as outras tribos {...as well as the other tribes}, tinham [que] servir Hermanaric, rei dos getae. Depois o massacre dos heruli, Hermanaric também tomou armas contra os venethi. Este povo, apesar de dezpresados na guerra, eram fortes em número e tentaram resistir-lhe. Mas uma multidão de covardes não é de ajuda, principalmente quando Deus permite uma multidão armada para atacá-los. Este povo, como nós começamos a dizer no início da nossa descrição ou catálogo das nações, apesar de dezprezarem sua descendência, têm agora três nomes, que são Venethi, Antes e Sclaveni. Apesar de eles agora enfurecerem-se na guerra distante e longinqua, em punição por nossos pecados, ainda naquele tempo eles eram todos obedientes aos comandos de Hermanaric. Seu governo também submeteu por sua inteligência e bravura da raça dos Aesti, que moram na mais distante margem do Oceano Germânico, e governaram sozinhos todas as nações da Cítia e Germania por seus próprios talentos.
[Nota marginal: Origem e história dos hunos]
XXIV_ Mas depois de um curto espaço de tempo, como Orósio relata, a raça dos hunos, mais cruéis do que eles mesmos são ferozes, ameaçaram avançar contra os godos. Nós aprendemos de antigas tradições que sua origem foi a seguinte: Filimer, rei dos godos, filho de Gadaric o grande, que era o quinto em sucessão na posse do governo dos getae depois de sua partida da ilha de Scandza_ e que, como nós dissemos, entrou na terra da Cítia com sua tribo_ encontrou entre seu povo certas bruxas, que ele, em sua língua nativa, chamou Haliurunnae. Suspeitando destas mulheres, ele as expulsou dentre sua raça e as forçou a vagar em exílio solitário, distante deste exército. Lá os espíritos imundos, que observaram como elas vagavam através do deserto, tiveram com elas relações e iniciaram esta raça selvagem, que morou primeiro nos pântanos_ uma estagnada, grosseira e fraca tribo, quase não-humana, e não tendo linguagem salva uma, que tem desprezível semelhança com a fala humana. Igualmente era a descendência dos hunos, que veio ao país dos godos. Esta tribo cruel, como o historiador Priscus relata, fixaram-se na mais distante margem do pântano Maeotic. Eles eram apreciadores da caça e não tinham habilidade em qualquer outra arte. Depois que a sua nação cresceu, eles perturbaram a paz das raças vizinhas com roubo e pilhagem. Certa vez, enquanto caçadores de sua tribo estavam, como usualmente, perseguindo, por passatempo, na margem do Maeotis, eles observaram uma corça inesperadamente aparecer à sua vista e entrar no pântano, atuando como guia ao caminho; agora avançando e novamente, constantemente assim. Os caçadores seguiram e atravessaram à pé o pântano Maeotic, que eles supunham que fosse intransitável como o mar. Neste instante a desconhecida terra da Cítia revelou-se-lhes e a corça desapareceu. Agora, na minha opinião, os perversos espíritos, de quem os hunos descendem, fizeram isso de inveja dos Scythios. E os hunos, que tinham sido completamente ignorantes de que havia outro mundo do outro lado do Maeotis, ficaram agora cheios de admiração da terra Cítia. Como eles eram rápidos com a mente, acreditaram que esta estrada, absolutamente desconhecida em qualquer era do passado, lhes tinha sido divinamente revelada. Eles retornaram para sua tribo, lhes contando o que havia acontecido, glorificaram a Cítia e persuadiram o povo a apressarem-se em seguir o caminho que eles haviam encontrado pela guia da corça. Como muitas vezes [faziam] conforme eles capturavam, quando eles entraram dessa forma na Cítia pela primeira vez, sacrificaram para [o deus] Vitória. O restante eles conquistaram e sujeitaram. Como um redemoinho de nações, eles varreram o outro lado do grande pântano e de uma só vez cairam os Alpidzuri, Alcildzuri, Itimari, Tuncarsi e Boisci, que delimitavam aquela parte da Cítia. Os Alani também, que eram seus iguais em batalha, mas diferentes na civilização, maneiras e aparência, eles exauriram por seus incessantes ataques e [foram] subjugados. Pelo terror de seus feitos, eles inspiraram grande medo naqueles [que] talvez não sobrepujariam em guerra. Eles fizeram seus inimigos fugirem em horror, porque seu escuro aspecto era medonho, e eles tiveram, se assim eu posso chamar, uma espécie de agregado, não uma cabeça, com alfinetes afincados, ao invés de olhos. Sua audácia é evidente em sua selvagem aparência, e eles são seres cruéis para com suas crianças por muitos dias depois que eles nascem. Cortam as faces dos machos com uma espada, pois antes deles receberem o alimento do leite eles são obrigados a aprender a sofrerem ferimentos. Eles se tornam velhos [e permanecem] sem barba e seus homens jovens são sem beleza, em razão de uma face com cortes pela espada, despojada por suas cicatrizes da beleza natural de uma barba. Eles são pequenos em estatura, com rápidos movimentos corporais, cavaleiros vivos, ombros largos, ágeis no uso do arco-e-flecha, e têm nucas duras que estão sempre orgulhosamente eretas.
[Nota marginal: Primeiro irrompimento dos hunos _ princípio de 375 EC]
Quando os getae observaram esta raça enérgica que tinha conquistado muitas nações, ficaram aterrorizados e consultaram seu rei sobre como talvez escapar de semelhante inimigo. Embora Hermanaric, rei dos godos, fosse conquistador de muitas tribos, como nós já dissemos anteriormente, enquanto eles ainda estavam deliberando sobre a invasão dos hunos, a traidora tribo dos Rosomoni, que naquele tempo eram dentre aqueles que deviam respeito para com ele, agarraram esta chance para capturá-los de repente. Quando o rei tinha dado ordens [para] que uma certa mulher da tribo que mencionei, de nome Sunilda, fosse amarrada em cavalos ariscos, rasgando suas partes por fazê-los correrem rápido em direções opostas (pois a fúria dele foi desperta pela traição do marido dela), seus irmãos Sarus e Immius vieram para vingar a morte de sua irmã e enterrar uma espada em Hermanaric. Debilitado por este golpe, ele arrastou uma miserável existência em um corpo debilitado. Balamber, rei dos hunos, tomou vantagem da sua fraca saúde para mover seu exército para o país dos Ostrogodos, de quem os Visigodos já tinham se separado em razão de uma disputa. Por enquanto Hermanaric, que era incapaz de suportar também a dor das voltas ou invasões dos hunos, morreu satisfeito de anos com a grande idade de cento e dez anos. O fato da sua morte permitiu aos hunos prevalecer sobre todos aqueles godos que, como mencionamos, habitavam no leste e eram chamados Ostrogodos.
Os godos divididos: os Visigodos
[Nota marginal: Valentiniano I_ 364-375 EC]
[Nota marginal: Os visigodos assentam-se na Trácia e Moesia_ 376 EC]
[Nota marginal: Valente_ 364-378 EC]
XXV_ Os visigodos, que eram seus outros parentes e habitantes do oeste do país, estavam apavorados, como seus parentes tinham ficado, e não sabiam que modo encontrariam para salvarem-se da raça dos hunos. Após longa deliberação, por comum consentimento, eles finalmente enviaram embaixadores à Romania, ao imperador Valente, irmão de Valentiniano, o [idoso?] imperador, dizendo que se ele lhes desse parte da Trácia ou da Moesia de posse, eles submeteriam-se às suas leis e comandos. Ele [heroicamente?] deu-lhes grande [voto de] confiança; eles, [consequentemente], prometeram tornarem-se cristãos se ele desse-lhes instrutores que falassem seu idioma. Quando Valente constatou isso, alegre e prontamente concedeu o que ele mesmo tinha intencionado convidar. Recebeu os getae na região da Moesia e instalou-os ali como uma muralha de defesa para seu reino contra outras tribos. E desde aquele tempo o imperador Valente, que estava infectado pela perfídia ariana, tinha fechado todas as igrejas do nosso partido, mandou-lhes pregadores daqueles que favoreciam sua seita.
Eles vieram e imediatamente injetaram num rude e ignorante povo a peçonha de sua heresia. Assim o imperador Valente fez dos visigodos arianos, ao invés de cristãos. Além disso, em razão do amor que desenvolveram por eles, pregaram ambas as crenças aos ostrogodos e aos seus aparentados, os gepidae, instruindo-lhes respeitar essa heresia, e, em suas palavras, convidaram em toda parte o povo inteiro a se ligarem à essa seita. Eles mesmos, como nós dissemos, atravessaram o Danúbio e fixaram-se na Dacia Ripensis, Moesia e Trácia com a permissão do imperador.
[Nota marginal: Fome_ 376-377 EC]
XXVI_ Logo veio a fome e quiseram vir sob eles, como geralmente acontece a um povo [que] não está ainda bem assentado num país. Seus príncipes e líderes que os governavam, em lugar de reis, que eram Fritigern, Alatheus e Safrac, começaram a lamentar o apuro de seu exército e imploraram a Lupicinus e Maximus, os comandantes romanos, a abrirem um mercado. Mas pelo quê não concordaria forçosamente o homem pelo "amaldiçoado desejo de ouro"? Os generais, comandados pela avareza, negociou com eles por alto preço não somente a carne de carneiros e bois, mas igualmente carcaças de cães e animais imundos, tanto que nem um escravo trocaria por um pedaço de pão ou dez libras (peso) de carne.
Quando suas mercadorias e bens esgotaram, o voraz negociante pediu seus filhos em troca do necessário à vida. E os pais consentiram nisso, desde que fornecessem cuidados às suas crianças, argumentando que era melhor perder a liberdade antes que a vida. E de fato, é melhor ser vendido, se ele irá bondosamente nutrir-se, do que guardar-se livre somente para morrer.
[Nota marginal: Traição dos romanos]
Agora isso passou-se naquele turbulento tempo em que Lupicinus, o general romano, convidou Fritigern, um líder dos godos, a um banquete e, como o evento mostrou, criar uma armadilha contra ele. Mas Fritigern, acreditou [ser] maldade vir à festa com alguns poucos o seguindo. Enquanto ele estava jantando no praetorium, escutou o doloroso clamor de morte daquele malfadado homem, que pela ordem do general, os soldados assassinaram seus companheiros que estavam trancados noutra parte da casa. O ruidoso grito da sofrida morte [que pairava] imediatamente tornou-se suspeito em seus ouvidos, e Fritigern logo entendeu o truque dos traidores. Ele puxou sua espada e com grande coragem lançou-se rapidamente da sala de banquete, resgatando seu colega da sua ameaçadora morte e incitou-o a matar os romanos. Desta forma este valente homem ganhou a chance que tinha desejado para _ser livre para mais preferivelmente matar em batalha do que perecer de fome_ e imediatamente pegou armas para matar os generais Lupicinus e Maximus.
Assim o dia pôs um fim à fome dos godos e à segurança dos romanos, pois os godos, não mais como estranhos e peregrinos, mas como cidadãos e senhores, começaram a dominar os habitantes e apossaram-se, em seu próprio poder, de todo o norte do país, distante em relação ao Danúbio.
[Nota marginal: imperador Valente derrotado e assassinado_ 378 EC]
Quando o imperador Valente ouviu disso na Antioquia, fez um exército aprontar-se e dirigir-se ao país da Trácia. Aqui uma dolorosa batalha tomou lugar e os godos prevaleceram. O próprio imperador foi ferido e fugiu para uma fazenda próximo de Hadrianople. Os godos, não sabendo que o imperador pensaria em esconder-se numa tão pobre cabana, atiaram fogo nela (tratamento costumeiramente dado a inimigos cruéis), e assim ele foi cremado em real esplendor. Isso foi claramente um julgamento direto de Deus, dele ser queimado com fogo pelos mesmos homens que ele deslealmente conduziu maldosamente, quando eles procuraram a verdadeira fé, tornando-os apartados da chama do amor para o fogo do inferno.
Neste tempo os visigodos, em consequência de sua gloriosa vitória, tomaram posse da Trácia e a Dácia Ripensis, como se essa fosse sua terra nativa.
[Nota marginal: Graciano_ 367-383 EC]
[Nota marginal: Hostilidades relacionadas com Roma finda com uma trégua]
[Nota marginal: Teodósio_ 379-305 EC]
XXVII_ Agora no lugar de Valente, seu tio, o imperador Graciano estabeleceu Teodósio, o Espanhol, no império do leste. A disciplina militar foi de tal forma restaurada num alto nível, e os godos, percebendo que a covardia e preguiça dos príncipes anteriores era findada, ficaram amedrontados. Ao imperador era imputada a fama de sutil e discreto. Por severas ordens, por generosidade e bom tratamento, ele encorajou um corrompido e desorganizado exército a ousadas proezas. Mas quando os soldados, que obtiveram um líder melhor pela mudança, renovaram a confiança, passaram a atacar os godos e dirigi-los para as bordas da Trácia.
Mas como o imperador Teodósio caiu tão doente naquele tempo que sua vida estava quase sem esperança, os godos foram inspirados por renovada coragem. Repartindo o exército godo, Fritigern colocou-os a pilhar a Tessália, o Épiro e a Acáia, enquanto Alatheus e Safrac com o resto das tropas fizeram-se [pela?] Pannonia.
Já o imperador Graciano tinha, naquele tempo, fugido de Roma para a Gália por causa da invasão dos vândalos. Quando ele percebeu que os godos estavam agindo com grande atrevimento porque Teodósio estava sem esperança de vida, ele rapidamente reuniu um exército e veio contra eles. Ele ainda não pôde confiar nos exércitos, mas procurou conquistá-los por gentilezas e presentes. Então ele entrou numa trégua com eles e fez paz, dando-lhes provisões.
[Nota marginal: Paz confirmada por Teodósio_ 380 EC]
[Nota marginal: Morte do rei Athanaric em Constantinopla_ 381 EC]
XXVIII_ Quando o imperador Teodósio posteriormente recuperou-se e descobriu que o imperador Graciano havia feito um pacto entre godos e romanos, como ele mesmo tinha desejado, recebeu isso muito bondosamente e deu seu assentimento. Ele deu presentes ao rei Atanaric, que tinha sucedido Fritigern, fez com ele uma aliança e da mais agradável maneira convidou-o a visitá-lo em Constantinopla.
Athanaric, com muita satisfação consentiu e, à medida que entrou na cidade real, exclamou em assombro: "_Veja! Agora entendo o que tenho escutado com incrédula opinião!", tendo em vista a grande e afamada cidade. Voltando seus olhos prá cá e prá lá, ele maravilhou-se conforme contemplava a situação da cidade, o ir e vir dos barcos, as explêndidas muralhas, e o povo de diversas nações reunidos como uma corrente de águas jorrando de diferentes regiões neste único vale. Assim também, quando ele avistou o exército em disposição, ele disse: "_Verdadeiramente o imperador é um deus na terra, e quem quer que eleve uma mão contra ele é culpado por seu próprio sangue." Em meio à essa admiração e divertimento de até mesmo grandes honras à mão do imperador, ele partiu dessa vida após o espaço de poucos meses.
O imperador demonstrou-lhe tamanha afeição que honrou Athanaric mais após a morte do que durante o tempo em que viveu, pois não somente deu-lhe um digno funeral, mas ele mesmo caminhou adiante do esquife funerário. Agora, quando Athanaric morreu, seu exército inteiro continuou no serviço pelo imperador Teodósio e submetidos ao governo romano, formando um corpo com a tropa imperial. O prévio serviço dos aliados sob o imperador Constantino era agora renovada, e eles foram novamente chamados Aliados. E desde que o imperador soube que eles eram fiéis à ele e seus amigos, ele tomou do seu número mais do que vinte mil para estar a serviço contra o tirano Eugenius, que tinha matado Graciano e dominou a Gália. Depois, obtendo vitória sobre seu usurpador, ele derramou sua vingança sobre ele.
[Nota marginal: Alarico I, rei dos godos_ 395-410 EC]
[Nota marginal: Estílico e Aureliano, cônsules em 400 EC]
XXIX_ Mas depois que Teodósio, o amante da paz e da raça gótica, tinha passado dos cuidados humanos, ambos os seus filhos começaram a arruinar os impérios por sua vida de luxúrias e a desprover seus Aliados, que seja dito, os godos, de seus costumeiros presentes. A desobediência dos godos pelos romanos rapidamente cresceu, e por temer que seu valor seria destruído após longa paz, eles nomearam Alarico rei sobre eles.
Ele era de uma famosa descendência, e sua nobreza era próximo somente dos Amali, por ele vir da família dos Balthi, que, por seu corajoso valor tinha muito anteriormente recebido entre sua raça o nome "Baltha", que significa "O Destemido". Agora quando este Alarico foi feito rei, tomou conselho com seus homens e persuadiu-os a perseguir um reino por seus próprios esforços ao invés de servir outros futilmente. No consulado de Estílico e Aureliano ele levantou um exército e penetrou a Itália, que pareceu ser vazia de defensores, e veio através da Pannonia e Sirmium, junto do lado direito. Fora alguma resistência que encontrou, ele alcançou a ponte do rio Candidianus no terceiro marco miliário da cidade real de Ravena.
[Nota marginal: Descrição de Ravena]
Esta cidade repousa entre o rio Pó, pântanos e o mar, e é somente acessível por um lado. Seus antigos habitantes, como nossos ancestrais relatam, eram chamados "Ainetoi", que significa "Louvável". Situada num canto do império romano sobre o mar Jônio, esta é circundada como uma ilha por um fluxo de águas velozes.
Ao leste há o mar, e um estreito trecho para ele da região de Corcyra e aquelas partes de Hellas [que] movimentam com seus remos junto da mão direita da costa, primeiro tocando o Épiro, então a Dalmácia, Liburnia e Histria, e por último as ilhas venetians. Mas no oeste ela tem pântanos de lado a lado que uma espécie de entrada tem sido deixada com uma apertadíssima entrada. Ao norte é um braço do Pó, chamado Fossa Asconis. Ao sul, da mesma forma, é o mesmo Pó, que eles chamam o Rei dos rios da Itália; e este também é chamado Eridanus. Este rio foi mudado de lado pelo imperador Augustus para dentro de um muito largo canal que fluia através do meio da cidade com uma sétima parte de sua correnteza, proporcionando um agradável porto em sua foz. Homens acreditaram em tempos antigos, como Dio relata, que ele suportaria uma esquadra de duzentos e cinquenta navios em sua segura ancoragem. Fábio conta que este, que uma vez foi um porto, agora exibe a si mesmo como um vasto jardim cheio de árvores; mas nelas não se penduram velas, porém maçãs.
A cidade em si vangloria-se de três nomes e é, felizmente, instalada em sua tripla localização. Eu tenciono dizer que o primeiro é chamado Ravena e a mais distante parte, Classis; enquanto situado entre a cidade e o mar é Caesarea, completa de luxúria. A areia da praia é fina e adequada para cavalgar.
[Nota marginal: Honório_ 393-423 EC]
[Nota marginal: Honório concede aos godos terras na Gália e Espanha]
XXX_ Mas, como eu estava dizendo, quando o exército dos visigodos tinha vindo às vizinhanças desta cidade, eles mandaram um embaixador ao imperador Honório, que habitava o centro. Eles disseram que se ele permitisse aos godos assentare-se pacificamente na Itália, então viveriam com o povo romano [de tal forma] que [os] homens talvez acreditem [que] ambos sejam uma raça; mas se não, quem prevalecêsse na guerra dirigiria o outro, e o vitorioso, de agora em diante governaria sem ser molestado.
Mas o imperador Honório temeu fazer este ou aquele trato. Então ele tomou conselho com seu Senado e considerou como, talvez, dirigi-los às fronteiras italianas. Finalmente decidiu que Alarico e sua raça, se eles estavam habilitados para fazer isso, lhes seria permitido desapropriar, para seu próprio lar, as distantes províncias chamadas Gália e Espanha. Naquele tempo ele quase as tinha perdido, e além disso eles tinham sido devastados pela invasão de Gaiseric, rei dos vândalos. A concessão foi confirmada pela ordem ***(rescript)*** imperial, e os godos, consentindo no que foi disposto, dirigiram-se ao país que lhes foi dado.
[Nota marginal: O traiçoeiro ataque de Estílico_ 402 EC]
[Nota marginal: Alarico I saqueia Roma_ 410 EC]