Gética

Chapter 3

Chapter 33,726 wordsPublic domain (Wikisource)

E, já que tenho feito menção do Danúbio, eu penso que não seja deslocado fazer uma breve observação dessas excelentes correntezas. Nascendo nos campos dos alamanos, ele recebe sessenta rios que correm para dentro dele, e lá por mil e duzentas milhas desde seu início até desembocar no [mar do] Ponto, lembrando uma espinha trançada com costelas como um cesto. Ele é realmente o mais vasto rio. Na língua dos Bessi ele é chamado Hister. E tem águas profundas em seu canal de uma profundidade de contados duzentos pés. Este rio ultrapassa em tamanho todos os outros rios, exceto o Nilo. Penso que isso baste sobre o Danúbio. Mas nôs permita agora, com a ajuda do Senhor, retornar ao assunto do qual nôs afastamos.

[Nota marginal: Domiciano_ 81-96 EC]

[Nota marginal: A guerra com Domiciano]

XIII_ Agora, depois de um longo tempo, no reino do imperador Domiciano, os godos, de medo da avareza **{parece que o texto em inglês tem um erro: avarRice}** dele, romperam as tréguas que eles por muito tempo respeitaram sob outros imperadores. Eles destruíram a margem do Danúbio, a grande segurança do Império Romano, e mataram os soldados e seus generais. Oppius Sabinus estava então no comando daquela província, sucedendo Agripa, enquanto Dorpaneus liderava o comando sobre os godos. Por isso os godos fizeram guerra e conquistaram os romanos, cortaram a cabeça de Oppius Sabinus, invadiram e, ousadamente, pilharam muitas mansões e cidades pertencentes ao império. Neste empenho dos seus compatriotas Domiciano precipitou-se com todo seu poder para o Illyricum, trazendo suas tropas de quase o império inteiro. Ele mandou Fuscus adiante de si como seu general, com soldados selecionados. Então unindo barcos juntos como uma ponte, ele fez seus soldados atravessarem o rio Danúbio sobre o exército de Dorpaneus. Mas os godos estavam alertas. Eles pegaram em armas e, nesse momento sobrepujaram os romanos no primeiro encontro. Eles mataram Fuscus, o comandante, e saquearam o tesouro do acampamento dos soldados. E, por causa da grande vitória que eles alcançaram nesta região, eles, desde então chamaram seus líderes, em razão da boa fortuna que eles pareciam ter alcançado, não de meros homens, mas de semi-deuses, [palavra] que é Ansis. Sua genealogia eu sou obrigado a discorrer resumidamente, ordenando a linhagem de cada ***[tribo(???)]*** e o princípio e o fim destas linhagens. E fazer-vos, oh leitor, ouvir-me ao menos afligir-me; para eu falar sinceramente.

[Nota marginal: Genealogia dos Ansis ou Amali]

XIV_ Agora o primeiro destes heróis, como eles mesmos relatam em suas lendas, estava Gapt, quem produziu Hulmul. E Hulmul produziu Augis; e Augis produziu aquele que era chamado Amal, de quem o nome de Amalis provém. Este Amal produziu Hisarnis. Hisarnis demais a mais produziu Ostrogotha, e Ostrogotha produziu Hunuil, e Hunuil da mesma forma produziu Athal. Athal produziu Achiulf e Oduulf. Agora Achiulf produziu Ansila e Ediulf, Vultuulf e Hermanarico. E Vultuulf produziu Valaravans e Valaravans produziu Vinitharius. Vinitharius entrementes produziu Vandalarius; Vandalarius produziu Thiudimer e Valamir e Vidimir; e Thiudimir produziu Theodorico. Theodorico produziu Amalasuentha; [à] Amalasuentha nasceu Athalarico, e Mathesuentha, por ela desposar Eutharico (qual raça estava assim unida à dela por parentesco). Ao acima mencionado Hermanarico, o filho de Achiulf, nasceu Hunimund, e Hunimund produziu Thorismud. Agora Thorismud produziu Beremud, Beremud produziu Veterico, e Veterico da mesma forma produziu Eutharico, que era casado com Amalasuentha e produziu Athalarico e Mathesuentha. Athalarico morreu em sua infância, e Mathesuentha desposou Vitiges, a quem ela não deu descendência. Ambos foram capturar, junto de Belisarius, Constantinopla. Quando Vitiges deixou os assuntos humanos, o patrício Germano, um parente do imperador Justiniano, tomou Mathesuentha em casamento e a fez uma "Patrícia Ordinária". E dela ele produziu um filho, também chamado Germano. Mas, pela morte de Germano, ela determinou-se permanecer viúva. Agora, como e de qual modo o reino dos Amali chegou ao fim, nós devemos guardar para dizer em momento apropriado, se o Senhor nos ajudar. Mas deixe-nos agora retornar ao ponto de onde fizemos nossa digressão e contar como a descendência deste povo do qual eu afirmo que alcançou o fim do seu curso. Ora, Ablabius, o historiador, relata que na Cítia, onde nós dissemos que eles estavam habitando, acima de um braço do Mar do Ponto, parte deles estavam na região oriental e de quem era rei Ostrogotha, que era chamado Ostrogoths, isto é, ao oriente dos godos, ou do seu nome ou do lugar. Mas o resto eram chamados Visigodos, isto é, os godos do oeste do país.

[Nota marginal: Maximino, o godo, que se torna um imperador romano] [Nota marginal: Septimio Severo_ 193-211 EC] [Nota marginal: Antonino Caracalla 198-217 EC] [Nota marginal: Macrino_ 217-218 EC] [Nota marginal: Antonino Eliogábalo_ 218-222] [Nota marginal: Alexandre_ 222-235 EC] [Nota marginal: Maximino_ 235-238 EC] [Nota marginal: Pupieno_ 238 EC]

XV_ Conforme dito há pouco, eles atravessaram o Danúbio e residiram um curto período na Moesia e Trácia. Do remanescente daqueles veio Maximino, o imperador, sucedendo Alexandre, filho de Mama. Os relatos de Symmachus estão assim no quinto livro da sua história, afirmando que na morte de César Alexandre, Maximino foi feito imperador pelo exército; um homem nasceu na Trácia, do mais humilde parentesco, seu pai sendo um godo chamado Micca, e sua mãe uma mulher dentre os alanos chamada Ababa. Ele reinou três anos e perdeu tanto seu império como sua vida enquanto fazia guerra [contra] os cristãos. Agora, depois dos seus primeiros anos, perdendo-se numa vida grosseira, ele teve de vir de sua tribo para o serviço militar no governo do imperador Severo e no momento em que ía celebrando o aniversário de seu filho. Aconteceu que o imperador estava proporcionando jogos militares. Quando Maximino viu isso, embora sendo um jovem semi-bárbaro, suplicou ao imperador em seu idioma nativo para dar-lhe permissão para lutar com os soldados treinados pelo prêmio oferecido. Severo ficou maravilhado com seu grande tamanho _ e sua estatura, que seja dito, era mais de oito pés _ ofereceu-se competir em combate com os alunos do acampamento, sob ordem de não ferir seus soldados nas mãos deste selvagem colega. Por causa disso Maximino jogou dezesseis criados com tão grande facilidade que conquistou-os um por um agarrando um restante por [ir] pausando entre os embates. Assim, quando ele tinha obtido os prêmios, estava ordenado que ele seria enviado com o exército e teria sua primeira campanha com cavalaria. No terceiro dia depois disso, quando o imperador marchou ao campo [de batalha], o viu comportando-se quase em modos bárbaros e ordenou [que] um tribuno o refreasse, ensinando-lhe a disciplina romana. Mas quando ele entendeu que era o imperador quem estava falando a seu respeito, ele veio adiante e começar a correr para frente dele como [se fosse um] cavalo. Então o imperador esporeou seu cavalo para um trote lento e girou muito num círculo para cá e para lá com várias voltas, até ele ficar cansado. E então ele lhe disse: _"Você está querendo um combate agora depois da sua corrida, meu pequeno Trácio?" _"Muito, conforme seu desejo, oh Imperador", ele respondeu. Portanto Severo saltou de seu cavalo e mandou os novos soldados lutarem com ele. Mas ele jogou no pó sete muito fortes jovens, como da outra vez, agarrando [os oponentes] sem tempo para tomar fôlego entre os embates. Então ele sozinho foi conseguir as recompensas de prata e um colar de ouro pelo próprio César. Então ele recebeu [a oportunidade] de servir na guarda pessoal do imperador. Depois disso ele esteve numa função sob Antonino Caracalla, em razão de sua fama por suas façanhas, e ascendeu para muitas graduações militares e finalmente para centurião como prêmio de seu serviço eficaz. Ainda mais tarde, quando Macrino tornou-se imperador, ele recusou serviço militar por quase três anos, e apesar [de] ostentar o ofício de tribuno, jamais veio na presença de Macrino, acreditando que sua autoridade [era] vergonhosa por ele tê-la obtido cometendo um crime. Então ele retornou sob Eliogábalo, acreditando [que] por ser ele filho de Antonino, e por ter entrado sob ele como tribuno. Depois desse reinado, ele lutou com maravilhoso sucesso contra os partos, sob Alexandre, o filho de Mama. Quando ele foi morto numa revolta dos soldados em Mogontiacum, o próprio Maximino foi feito imperador pelos votos do exército, sem um decreto do senado. Mas ele estragou todas as suas façanhas po perseguir os cristãos de acordo com um demoníaco juramento e, sendo assassinado por Pupieno e Aquiléia, deixou o governo para Philipe. Este assunto nós fizemos empréstimo da história de Symmachus para este nosso pequeno livro, na ordem, para mostrar que a raça da qual nós falamos chegou a conquistar a altíssima posição de imperador romano. Mas nosso assunto requer que retornemos obrigatoriamente ao ponto onde paramos.

[Nota marginal: Rei Ostrogotha faz guerra contra Philipe]

[Nota marginal: Philipe pai, "o árabe"_ 244-249 EC]

[Nota marginal: Philipe filho_ 247-249 EC]

XVI_ Agora, a raça gótica ganhou grande fama na região onde eles estiveram desde então vivendo, que é na terra da Cítia, na margem do Ponto, em posse de indisputado poder sobre grande parte do país, muitos braços do mar e muitos cursos de rios. Em razão do forte direito [pelas] armas deles, os vândalos estavam frequentemente localizados em baixo, os marcomanni guardavam sua base pelo pagamento de tributo e os príncipes dos Quadi estavam reduzidos à submissão.

Agora quando o supramencionado Philipe_ quem, com seu filho Philipe, foram os únicos imperadores cristãos antes de Constantino_ governou sobre os romanos, no segundo ano de seu governo Roma completou seu milésimo ano. Ele reteve dos godos o tributo devido; consequentemente eles ficaram, naturalmente, enfurecidos e instaram seus amigos a tornarem-se seus inimigos. Por, de qualquer, eles residirem apartados sob seus próprios reis, ainda tinham sido aliados do estado romano e recebiam presentes anuais. E o que mais? Ostrogotha e seus homens o mais rapidamente atravessaram o Danúbio e roubaram a Moesia e a Trácia.

Philipe mandou o senador Décio contra eles. E desde que ele nada pôde fazer contra os getas, ele liberou seus próprios soldados do serviço militar e enviou-os de volta à vida privada, como apesar disso teria sido por sua negligência que os godos teriam atravessado o Danúbio. Quando, como ele próprio supôs, teria assim [de] tomar vingança sobre seus soldados, retornou para Philipe. Mas quando os soldados perceberam-se expulsos do exército depois de tantas dificuldades, em sua cólera recorreram à proteção de Ostrogotha, rei dos godos. Ele recebeu-os, foi estimulado por suas palavras e presentes, sem contar os trezentos mil homens armados, tendo como aliados para esta guerra alguns dos Taifali e dos Astringi e também trezentos homens dos Carpi, uma raça de homens muito úteis para fazer guerra e frequentemente hostis ao romanos. Mas em tempos posteriores, quando Diocleciano e Maximino eram imperadores, o césar Galério Maximiano conquistou-os e fez deles tributários do império romano. Além dessas tribos, Ostrogotha teve godos e Peucinis, da ilha de Peuce, que está situada na desembocadura do Danúbio, onde este esvazia-se no mar do Ponto. Ele colocou no comando Argaithus e Guntheric, os nobres líderes de sua raça. Eles velozmente atravessaram o Danúbio, devastaram a Moesia num segundo momento e Marcianopla, a famosa metrópole desta terra. Ainda depois de um longo cerco eles partiram, sob recebimento de dinheiro dos habitantes.

[Nota marginal: Marcianopla]

[Nota marginal: Os gepidae e sua derrota com Ostrogotha]

Agora desde [que] nós fizemos menção [de] Marcianopla, nós podemos relatar brevemente umas poucas matérias em conexão com sua fundação. Eles dizem que imperador Trajano construiu esta cidade pela seguinte razão: enquanto a filha de Márcia, sua irmã, estava banhando-se num riacho chamado Potamus _ um rio de grande transparência e pureza que alarga no meio da cidade_ ela desejou tirar alguma água deste, e por acaso afundou o jarro de ouro que ela carregava. Mesmo apesar do enorme peso do seu objeto de metal, ele emergiu das águas um bom tempo depois. Isso certamente não é uma coisa comum, para um vasilhame vazio afundar, muito menos que, uma vez submergido, seria lançado para cima pelas águas e flutuar novamente. Trajano assombrou-se ouvindo isso e acreditou que aquilo era alguma divindade no rio. Ele, portanto, construiu uma cidade e chamou-a Marcianopla,conforme o nome de sua irmã.

XVII_ Então, como nós dissemos, os getae retornaram, depois de um longo cerco, dessa cidade para sua própria terra, enriquecidos pelo resgate recebido. Agora a raça dos gepidae era movida pela inveja quando eles os viram carregar o saque e a tão repentina vitória por toda parte, e fizeram guerra contra seus parentes consangüíneos. Você me perguntaria: "_Como os getae e os gepidae são parentes consangüíneos?"; e eu lhe diria algumas curtas palavras. Você certamente lembra-se que no início eu havia dito que os godos viajaram do meio da ilha de Scandza com Berig, seu rei, navegando em somente três navios em direção às margens do Oceano de cá, quer dizer, para Gothiscandza. Um desses três navios mostrou ser mais lento que os outros, como é usualmente o caso, e dessa forma é dito terem dado a tribo seu nome, em sua língua,"gepanta" _"meio lentos". Daí em diante isso veio a passar gradualmente, e pela corrupção [da palavra], o nome gepidae foi cunhado para eles em forma de censura. Indubitavelmente, eles também traçaram sua origem entre o grupo de godos, mas, por causa, como eu disse, do baixo e parvo "gepanta", a palavra gepidae surgiu como um nome livre de censura. Eu não acredito que isso esteja muito errado, por eles serem lentos de pensamento e também preguiçosos para o vivo movimento de seus corpos.

Estes gepidae eram então movidos pela inveja enquanto moravam na província de Spesis na ilha cercada pelas rasas águas do Vistula. Esta ilha eles chamaram, no idioma de seus pais, Gepedoios; mas ela é agora habitada pela raça dos Vividarii, desde [que] os Gepidae se mudaram para territórios melhores. Os vividarii estão reunidos de várias raças dentro deste asilo, se assim eu posso chamá-lo, e deste modo eles formam uma nação.

Assim então, como nós dissemos, Fastida, rei dos gepidae, movimentou seu povo quietamente para amumentar suas fronteiras pela guerra. Ele sobrepujou os burgúndios, quase aniquilando-os, e conquistou um número de outras raças também. Ele injustamente provocou os godos, sendo o primeiro a quebrar os laços de parentesco com conflito inadequado. Ele estava grandemente inflado pela glória vã, mas na tentativa de adquirir novas terras para sua crescente nação, ele somente reduziu o número de seus próprios compatriotas. Para ele enviar embaixadores para Ostrogotha, para quem reinava igualmente ostrogodos e visigodos, que são, os dois povos da mesma tribo, era ainda sujeito {subject}. Queixando que ele estava confinado pelas rudes montanhas e densas florestas, ele exigiu uma de duas coisas: que Ostrogotha ou se preparasse para a guerra ou désse parte de suas terras para ele. Então Ostrogotha, rei dos godos, que era um homem de firme opinião, respondeu aos embaixadores que ele sem dúvida temia uma guerra e que isso seria uma grave e infamante coisa por concordar batalhar [contra] sua família, mas ele não daria suas terras. E porquê dizer mais? Os gepidae apressaram-se pegar em armas e Ostrogotha igualmente moveu suas forças contra ele, a fim de que talvez ele amedrontasse-se. Eles encontraram-se na cidade de Galtis, próximo de onde o rio Auha corre e lá ambos os lados lutaram com grande valor; de fato a similaridade de seus exércitos e de sua maneira de lutar virou-os contra seus próprios homens. Mas a melhor causa e sua natural vigilância socorreu os godos. Finalmente pôs um fim à batalha conforme uma parte dos gepidae íam saindo embora. Então Fastida, rei dos gepidae, deixou o campo da derrota humilhante e apressou-se para sua própria terra, bastante humilhado com a vergonha e desgraça na mesma medida [em que] anteriormente ele tinha sido exaltado com orgulho. Os godos retornaram vitoriosos, satisfeitos com a retratação dos gepidae, e moraram em paz e felicidade em sua própria terra, assim enquanto Ostrogotha foi seu líder.

[Nota marginal: O rei Cniva e a guerra contra Décio]

[Nota marginal: Décio_ 249-251 EC]

[Nota marginal: Captura de Philipópoles_ 250 EC]

[Nota marginal: Morte de Décio e Abrittus_ 251 EC]

XVIII_ Depois de sua morte, Cniva dividiu o exército em duas partes e mandou um tanto para destruir a Moesia, sabendo que ela era não defendida pela negligência dos imperadores. Ele mesmo com setenta mil homens apressou-se para a Euscia, que é [agora chamada?] Novae. Quando conduzido deste lugar pelo general Gallus, ele aproximou-se [de] Nicópolis, uma muito famosa cidade situada próxima do rio Iatrus. Esta cidade Trajano construiu quando conquistou os sarmatianos e chamou-a Cidade da Vitória. Quando o imperador Décio aproximou-se, Cniva finalmente retornou das regiões do Haemus, que está não muito distante dali. Por isso ele apressou-se para Philipópolis, com suas forças em boa disposição. Quando o imperador Décio descobriu sua partida, ele estava ansioso de trazer alívio para sua própria cidade e, atravessando a montanha Haemus, veio para Beroa. Enquanto ele estava descansando seus cavalos e seu enfadado exército naquele lugar, todos junto de Cniva e seus godos vieram como um raio sobre ele. Ele cortou o exército romano em pedaços e compeliu o imperador, com uns poucos que tiveram sucesso em escapar, a atravessar os Alpes novamente para a Euscia na Moesia, onde Gallus estava então estacionado com uma grande força de soldados como guardiões da fronteira. Reunindo um exército desta região como bem [afirma?] Oescus, ele preparou-se para o conflito da guerra próxima. Mas Cniva tomou Philipópolis depois de longo cerco e então, carregando espólio, aliou-se com Priscus, o comandante na cidade, para lutar contra Décio. Na batalha que sucedeu eles rapidamente atravessaram o filho de Décio com uma flecha e cruelmente o mataram. O pai viu isso, e , embora é dito ter ele exclamado, para regozijo ao coração de seus soldados: "Ninguém de luto; a morte de um soldado não é nada para a República", ele estava ainda incapaz de suportar isso, por causa do seu amor pelo filho. Então ele cavalgou novamente contra o adversário, reclamando entre sua morte ou vingança, e quando veio para Abrittus, uma cidade da Moesia, ele recebeu um golpe de espada dos godos e morreu, causando assim o fim do seu domínio e de sua vida. Este lugar é hoje chamado "o Altar de Décio", porque ele ofereceu lá estranhos sacrifícios aos ídolos antes da batalha.

Os godos no tempo de Gallus, Volusiano e Emiliano

[Nota marginal: Gallus_ 251-253 EC]

[Nota marginal: Volusiano_ 252-253 EC]

[Nota marginal: Emiliano_ 253 EC]

[Nota marginal: A praga_ 252-267 EC]

[Nota marginal: Gallienus_ 253-268 EC]

XIX_ Então, na morte de Décio, Gallus e Volusiano o sucederam no império romano. Neste tempo uma destrutiva praga, quase como a morte em si, tal como nós sofremos nove anos atrás, destruiu a face de toda a terra e devastou especialmente Alexandria e toda a terra do Egito. O historiador Dionysius deu uma triste contagem disso e Cipriano, nosso próprio bispo e venerável mártir em Cristo, também descreve isso em seu livro entitulado "Da mortalidade". Neste tempo os godos frequentemente roubavam a Moesia, em razão da negligência dos imperadores. Quando um certo Emiliano percebeu que eles eram livres para fazer isso, e que eles não poderiam ser expulsos por ninguém sem um grande custo para a república, pensou que ele também poderia ser capaz de alcançar fama e fortuna. Então ele conquistou o domínio da Moesia e, reunindo todos os soldados que pôde concentrar, começou a pilhar cidades e povos. Nos próximos poucos meses, enquanto uma tropa armada era sendo reunida contra ele, provocou não pequeno estrago ao estado. Ele morreu ainda quase no início de seu perverso esforço, perdendo assim de uma só vez sua vida e o tão desejado poder. Agora, de qualquer forma, Gallus e Volusiano, os por nós já mencionados imperadores, perderam suas vidas depois de ficarem no poder em dois difíceis anos, ainda durante este espaço de dois anos que eles passaram na terra reinaram em meio a universal paz e favor. Somente uma coisa era colocada contra eles, ou seja, a grande praga. Mas essa era uma acusação feita por difamadores ignorantes, que costumam prejudicar as vidas dos outros com suas más maliciosas picadas. Logo depois deles virem ao poder, fizeram um tratado com a raça dos godos. Quando ambos governavam, morreram, [sendo] isso não muito tempo antes de Gallienus usurpar o trono.

[Nota marginal: Os godos pilham a Ásia Menor_ 262 ou 263 EC]

XX_ Enquanto ele entregava-se à uma vida de luxúrias de toda sorte Respa, Veduc e Thuruar, líderes dos godos, tomaram barcos e navegaram atravessando do estreito do Helesponto para Ásia. Ali eles se colocaram a destruir muitas populosas cidades e atiar fogo ao renomado templo de Diana em Éfeso, que, como dissemos antes, as amazonas construíram. Sendo conduzidos da vizinhança da Bithynia, eles destruíram Chalcedon, que Cornelius Avitus mais tarde restaurou alguma extensão. Ainda assim hoje, apesar dela estar felizmente situada próxima à cidade real, ainda mostra alguns traços de suas ruínas como testemunhas à posteridade. Depois de seu sucesso, os godos atravessaram novamente o estreito do Helesponto, carregando saque e pilhagem, e retornaram pela mesma rota pela qual eles tinham entrado nas terras da Ásia, saqueando Tróia e Ilium pelo caminho. Estas cidades, que, com dificuldade, recuperaram um pouco da famosa guerra com Agamemnon, era assim destruida novamente pela hostil espada. Depois dos godos terem dessa forma devastado a Ásia, a Trácia sentiu sua ferocidade. Eles moveram-se para lá e em seguida atacaram Anchiali, uma cidade ao pé do Haemus e não longe do mar. Sardanapalus, rei dos partos, tinha construido esta cidade há muito tempo atrás entre uma pequena baía do mar e na base do Haemus. Ali se diz que ficaram por muitos dias, divertindo-se na quente primavera, situada quase doze milhas da cidade de Anchiali. Lá eles correram da profundidade de sua brilhante origem; e, entre inumeráveis quentes primaveras do mundo eles são estimados como especialmente famosas e eficázes para a cura de suas virtudes.

Os tempos de Diocleciano

[Nota marginal: Diocleciano_ 284-305 EC]

[Nota marginal: Masimian_ 284-305 EC]

XXI_ Após esses eventos, os godos tinham já retornado para casa quando eles foram chamados pelo pedido do imperador Maximiano para socorrer os romanos contra os partos. Eles lutaram para ele fielmente, servindo como auxiliares. Mas depois de Caesar Maximiano pedir seu apoio foi vencido por Narseus, rei dos persas, o neto de Sapor o grande, tomando como despojo todas as suas posses, junto com suas esposas e seus filhos; e quando Diocleciano conquistou Achiles na Alexandria e Maximiano Herculius tinha quebrado o Quinquegentiani na África, alcançando assim paz ao império, eles começaram particularmente a desprezar os godos.

[Nota marginal: Constantino I_ 306-337 EC]

[Nota marginal: Licinius_ 307-323 EC]