Chapter 2
De volta, então, ao meu assunto. A acima mencionada raça sobre a qual falei é conhecida por ter tido Filimer como rei enquanto estiveram em sua primeira morada na Cítia perto do Maeotis. Em sua segunda morada, que está nas terras da Dácia, Trácia e Moesia, Zalmoxes reinou, a quem muitos escritores de anais mencionam como um homem de excelente conhecimento de filosofia. Ainda antes disso eles tiveram um homem instruído, Zeuta, e depois dele, Dicineus; e o terceiro foi Zalmoxes, sobre quem fiz menção acima. Nem permitiram faltar professores de conhecimento. Portanto os godos têm sempre sido mais cultos do que outros bárbaros e se tornaram como os gregos, como relata Dio, que escreveu sua história e anais com um estilo grego. Ele diz que aqueles de nobre estirpe dentre eles, da qual eles nomeavam seus reis e sacerdotes, foram primeiro chamados Tarabostesei e depois Pilleati. Ademais os Getae foram tão grandemente elogiados que Marte, aquele que os contos dos poetas chamam de deus da guerra, foi reputado ter nascido entre eles. Então Virgílio diz: "Pai Gradivus governa os campos góticos."
Agora Marte tem sempre sido cultuado pelos godos com ritos cruéis, e prisioneiros foram mortos como suas vítimas [de oferta sacrificial]. Eles acreditam que é ele, [Marte], o senhor da guerra, sendo necessário aplacá-lo por derramamento de sangue humano. Para ele os godos devotam a melhor parte dos despojos, e em sua honra ramos de árvores são desnudadas para o inimigo ser suspenso em árvores. E eles têm, mais do que qualquer outra raça, um espírito profundamente religioso, desde que a devoção a seu deus tenha sido realmente concedido por seus ancestrais. Em seu terceiro local de moradia, que estava acima do Mar do Ponto, eles tornaram-se agora mais civilizados e, como eu disse anteriormente, tornaram-se mais instruídos. Então o povo estava dividido sob famílias predominantes. Os visigodos serviram a família dos Balthi e os ostrogodos serviram aos renomados Amali. Eles foram a primeira raça de homens a esticar os arcos com cordas, como Lucan ***(Luciano, o poeta latino???)***, que é mais historiador que poeta, afirma: "Eles esticam arcos armênios com cordas góticas."
[Nota lateral: o rio Don] [Nota lateral: o Dnieper]
Em tempos anteriores eles cantaram sobre os feitos de seus ancestrais em melodiosas músicas acompanhados da cítara; cantando sobre Eterpamara, Hanala, Fritigern, Vidigoia e outros a quem a fama entre eles é grande; semelhantes heróis como admirando antiguidade, raramente proclamando suas próprias façanhas. Então, como segue a história, Vesosis travou uma desastrosa guerra contra os citas, que a antiga tradição afirma terem sido os maridos das Amazonas. Concernente à essas mulheres guerreiras Orósio fala em convincente linguagem. Dessa forma podemos claramente provar que Vesosis lutou com os godos, desde então nós conhecemos seguramente que ele travou guerra com os maridos das Amazonas. Eles moraram por algum tempo perto duma curva do Lago Maeotis, desde o rio Borysthenes, que os nativos chamam de Danaper, até o extremo do Tanais. Por Tanais eu penso que seja o rio que corre descendo pelas montanhas Rhipaeian e em tal velocidade que, quando os rios vizinhos ou o Lago Maeotis e o Bósforo são rapidamente congelados, este é o único rio que permanece quente pelas montanhas rochosas e nunca fica congelado pelo frio da Cítia. Este também é famoso como [sendo] o limite da Ásia e Europa. Para o outro Tanais está aquele que aumenta nas montanhas do Chrinni e corre para dentro do Mar Cáspio. O Danaper inicia em um grande pântano e sai dele como sua mãe. Este é doce e adequado para ser bebido à medida da distancia da metade de seu curso. Este também produz peixe de um fino sabor e sem ossos, tendo somente cartilagem como esqueleto de seus corpos. Mas à medida que se aproxima do Ponto ele recebe um pequeno rio chamado Exampaeus, tão altamente amargo que embora o rio seja navegável ao longo de quarenta dias de viagem, fica tão alterado pela água desse escasso rio à medida que se torna corrompido e diferente de sí mesmo, e corre assim corrompido para o mar entre as cidades gregas de Callipidae e Hypanis. Em sua desembocadura há uma ilha de nome Achilles. Entre esses dois rios está uma vasta terra cheia de florestas e traiçoeiros pântanos.
[Nota marginal: Derrota de Vesosis (Sesóstris) ]
VI _ Esta era a região onde os godos viveram quando Vesosis, rei dos egípcios, lhes fez guerra. Seu rei naquele tempo era Tanausis. Numa batalha no rio Phasis (onde pousam os pássaros chamados pheasants, que são encontrados em abundância nos banquetes do mundo inteiro ) Tanausis, rei dos godos, encontrou Vesosis, rei dos egípcios, e aí infligiu-lhe uma severa derrota, perseguindo-o mesmo até o Egito. Se ele não tivesse sido retido pelas águas do intransitável Nilo e as fortificações que Vesosis tinha há muito tempo ordenado que fossem construídas contra os ataques dos etíopes, o teria matado em sua própria terra. Mas o encontrando, não teve poder para ofendê-lo, então voltou e conquistou quase toda a Ásia e a colocou em sujeição e tributária para Sornus, rei dos Medos, que era então seu querido amigo. Naquele tempo alguns de seus exércitos vitoriosos, vendo que as províncias dominadas estavam ricas e frutíferas, desertaram suas companhias e seu próprio acordo e ficaram em várias partes da Ásia.
De seu nome ou raça Pompéio Trogo diz que tem na descendência dos Parthians ***(Partos??)*** sua origem. Então mesmo hoje no idioma da Cítia eles são chamados Parthi, que significa desertores. E na importância de sua descendência eles são arqueiros__ quase sós entre todas as nações da Ásia__ e são guerreiros muito valentes. Agora com respeito ao nome, apesar de eu ter dito que eles eram chamados Parthi por terem se tornado desertores, alguns têm traçado a origem da palavra de outra forma, dizendo que eles foram chamados Parthi por fugirem de seus parentescos. Agora quando este Tanausis, rei dos godos, morreu, seu povo começou a adorá-lo como um dos seus deuses.
[Nota marginal: As Amazonas na Ásia Menor]
VII_ Depois de sua morte, enquanto o exército sob seus sucessores estavam engajados numa expedição em outras regiões, uma tribo vizinha tentou levar embora as mulheres dos godos como espólio. Mas elas fizeram uma brava resistência, como se tivessem sido treinadas para fazer isso por seus maridos, e mandaram em desgraça o inimigo que veio contra elas. Quando elas obtiveram essa vitória, ficaram animadas por grande ousadia. Encorajando umas às outras, elas pegaram em armas e escolheram duas corajosas, Lampeto e Marpesia, para agir como suas líderes. Enquanto essas estiveram no comando, elas separaram-se, parte para a defesa de seu próprio país e [parte para] a devastação de outras terras. Então Lampeto ficou para defender sua terra nativa e Marpesia pegou uma companhia de mulheres e dirigiu seu novo exército para a Ásia. Depois, conquistando várias tribos na guerra e fazendo de outras suas aliadas por tratos, ela veio ao Cáucaso. Lá ela ficou por algum tempo e deu ao lugar o nome de Rocha de Marpesia, ao qual Virgílio faz menção:
Semelhante à dureza da rocha ou a Rocha Marpesiana."
Esteve ali Alexandre, o grande, mais tarde, e construiu um portão, chamando-o de Portão Cáspio, que agora a tribo dos Lazi cuida como uma fortificação romana. Aqui, então, as Amazonas ficaram por algum tempo e fortaleceram-se muito. Elas partiram, portanto, e atravessaram o rio Halys, que corre próximo à cidade de Gangra, e com igual sucesso subjugaram a Armenia, Syria, Cilicia, Galatia, Pisidia e todos os lugares da Ásia. E depois elas viraram para Ionia e Aelia, e fizeram províncias delas, depois de suas rendições. Ali elas governaram por algum tempo e até fundaram cidades e acampamentos sustentando seus nomes. Em Éfeso também elas construíram um caríssimo e bonito templo para Diana, por causa do seu prazer em arco-e-flecha e a caça _ artes na qual elas dedicavam-se. E depois estas mulheres de nascimento Scytha, que tiveram igualmente adquirido o controle sobre os reinos da Ásia, governou-os por quase uns cem anos, e por último, voltaram para seus parentes, nas montanhas Marpesianas que mencionei acima, ou seja, as montanhas Caucasianas.
[Nota marginal: O Cáucaso]
Tendo em vista que mencionei esta cordilheira duas vezes, penso não ser fora de propósito para descrever esta extensão e localização, por, como é bem conhecido, cercar uma grande parte da terra com sua contínua cadeia. Começando pelo oceano Índico, onde sua superfície sul é quente, liberando vapor ao sol; onde na sua posição virada para o norte está exposta aos ventos frios e nevascas. Então dirigindo-se de volta à Síria numa curva, não é somente produzidos adiante muitos outros rios, mas jorram dele abundantes lutas ***(breasts/peitos?)*** para dentro do Vasianensian, região do Eufrates e Tigre, rios navegáveis famosos por suas incessantes primaveras. Estes rios cercam a terra da Síria e por isso é chamada Mesopotâmia, como ela verdadeiramente está. Suas águas esvaziam-se dentro do Mar Vermelho. Então voltando para o norte, a abrangência eu tenho falado das passagens com grandes curvas através da terra Scytha. Lá ela produz adiante muitos famosos rios para o Mar Cáspio _ o Araxes, o Cyrus e o Cambyses. Eles viajam pela prolongada fileira até as montanhas Rhipaeian. Desde aí, descendo do norte em direção ao mar Pôntico, fornecendo uma fronteira para as tribos Scythas por sua cadeia [montanhosa], e até tocar as águas do Íster com suas colinas agrupadas. Sendo cortada por este rio, a reparte, e na Cítia é chamada Taurus também. Semelhante também é a grande fileira, quase a maior das cadeias montanhosas, elevando seus picos; e por sua formação natural supre os homens de sua inexpugnável fortaleza. Aqui e alí ela divide-se onde a cadeia interrompe-se e deixa uma profunda lacuna, formando agora, desse modo, o Portão do Cáspio, e novamente a Armênia ou a Cilícia, ou qualquer nome que seja do lugar. Ainda passará apenas um carro, por ambos os lados serem traiçoieros e escarpados como um poço, sendo muito alto. A cordilheira tem diferentes denominações entre os vários povos. A Índia a chama de Imaus e em outra parte Paropamisus. A Pártia a denomina primeiro de Choatras e mais tarde Niphates; a Síria e a Armênia a chama de Taurus. Muitas outras tribos têm dado nomes à essa cadeia. Agora que nós temos devotado algumas poucas palavras para descrever sua extensão, vamos retornar ao objeto de assunto das Amazonas.
[Nota marginal: As Amazonas]
VIII_ Temendo que sua raça fracassasse, elas procuraram casamento com as tribos vizinhas. Elas marcaram um dia de encontro uma vez todo ano, de tal forma que quando elas precisassem retornar ao mesmo lugar naquele dia no ano seguinte, cada mãe daria novamente ao pai qualquer criança macho que elas tivéssem dado à luz, mas deveriam elas mesmas sustentar e treinar para a guerra qualquer criança do sexo feminino que nascesse. Ou senão, ***como algum mantimento*** , elas exporiam os machos, destruindo a vida de sua infeliz criança com um ódio igual a uma mãe adotiva. Entre essa geração detestada, apesar de em toda parte senão era desejada. O terror de sua crueldade era acrescido por um comum rumor; com que esperança, para lá iria um cativo, quando tal [coisa] era considerada injusta, deixar viver até mesmo um filho? Hercules, elas dizem, lutou contra elas e submeteu Menalippe, mais por trapaça que por valor. Theseu, além disso, capturou Hippolyto, e dela ele produziu Hippolytus. E tempos depois as Amazonas tiveram uma rainha chamada Penthesilea, conhecida nas narrativas da Guerra de Tróia. Daquela mulher [em diante] é dito terem possuído seu poder até ao tempo de Alexandre, o Grande.
[Nota marginal: Reino de Telefus e Eurypylus]
IX_ Mas não diga "Porque fazer uma história dos assuntos com respeito aos homens godos tendo assim muito a dizer de suas mulheres?". Escute, então, a narrativa da fama e glória do valor dos homens. Agora Dio, um historiador e diligente investigador dos tempos antigos, que deu à seu trabalho o título "Getica" (e os Getae nós provamos numa passagem anterior serem os godos, no testemunho de Orósio Paulo)_ este Dio, eu digo, fez menção de um rei posterior deles chamado Telefus. Não se pode dizer que este nome é totalmente estranho ao idioma gótico, e é ignorância contestar o fato de que as tribos dos homens fizeram uso de muitos nomes, até como os romanos apropriaram-se dos macedônios, e os gregos dos romanos, os sarmatianos dos germanos, e os godos frequentemente dos hunos. Este Telefus, então, um filho de Hércules por Auge, e o marido da filha de Príamo, foi de alta estatura e terrível força. Ele comparou-se ao seu pai em valor por virtudes próprias e também lembrava as feições de Hércules por sua semelhança de aparência. Nossos ancestrais chamaram seu reino de Moesia. Esta província tem ao leste a desembocadura do Danúbio, ao sul a Macedônia, à oeste a Histria e ao norte o Danúbio. Agora este rei nós temos mencionado que continuou na guerra com os gregos, e em seu percurso ele matou na batalha Thesander, o líder da Grécia. Mas enquanto ele estava fazendo um ataque hostil a Ajax e estava perseguindo Ulysses, seu cavalo embaraçou-se em algumas vinhas e caiu. Ele mesmo ficou caído e foi ferido na coxa por um dardo de Aquiles, de maneira que, por um longo tempo, ele não pode ser curado. Ainda, a despeito de sua volta, ele dirigiu os gregos de sua terra. Agora quando Telefus morreu, seu filho Eurypilus sucedeu-o ao trono, sendo um filho da irmã de Príamo, rei dos Frígios. Por amor à Cassandra ele procurou tomar parte na guerra de Tróia, que ele heróicamente veio para ajudar seus parentes e seu próprio sogro; mas, em breve, depois de sua chegada ele foi morto.
[Nota marginal: Ciro, o grande _ 559-529 AEC] [Nota marginal: Rainha Tomyris e Ciro _ 529 AEC]
X_ Então Ciro, rei dos persas, depois de um longo intervalo de quase exatamente seiscentos e trinta e três anos (como Pompéio Trogo relata), travou uma mal-sucedida guerra contra Tomyris, rainha dos getae. Glorificado por suas vitórias na Ásia, ele aspirou conquistar os getae, que tinham por rainha, como eu já disse, Tomyris. Apesar dela poder parar a aproximação de Ciro no rio Araxes, ela ainda o permitiu atravessá-lo, preferindo para sujeitá-lo mais especialmente na batalha do que por frustrá-lo na vantagem da posição. E assim ela fez. À medida que Ciro aproximou-se, a fortuna favoreceu primeiro aos partos, tanto que eles mataram o filho de Tomyris e o principal do exército dela. Mas quando a batalha foi renovada, os getae e sua rainha venceram, conquistaram e devastaram os partos e pegaram rica pilhagem para si mesmos. Nos primeiros tempos a raça dos godos experimentaram tendas macias. Depois de alcançarem esta vitória e obtendo assim muito saque de seus inimigos, a rainha Tomyris atravessou para as partes da Moesia que agora é chamada Pequena Cítia _ um nome emprestado da Grande Cítia_ e construiu na Moesia, na margem do Ponto, a cidade de Tomi, nomeada conforme si mesma.
[Nota marginal: Dario _ 521-485 AEC]
[Nota marginal: Dario repelido]
Posteriormente Dario, rei dos persas, filho de Hystaspes, pediu em casamento a filha de Antyrus, rei dos godos, pedindo a mão dela e ao mesmo tempo fazendo ameaças no caso deles não realizarem seu desejo. Os godos menosprezaram esta união e executaram em sua embaixada uma destruição completa. Aceso em cólera por sua oferta ter sido rejeitada, ele conduziu um exército de setecentos mil homens armados contra eles e tentou vingar seus sentimentos feridos pela injúria pública que lhe foi infligida. Atravessando em barcos, encobertos com tábuas e unidos como uma ponte, quase o caminho inteiro da Calcedônia à Bizâncio, ele se encaminhou para a Trácia e Moesia. Mais tarde ele entrou numa ponte sobre o Danúbio da mesma maneira, mas foi molestado por dois breves meses de esforço e perdeu oito mil homens armados no [rio] Tapae. Então, temendo que a ponte sobre o Danúbio seria dominada por seus inimigos, ele foi embora da Trácia numa rápida retirada, acreditando que a terra da Moesia não seria segura até mesmo para a curta residência temporária ali.
[Nota marginal: Xerxes _ 485-465 AEC]
Depois de sua morte, seu filho Xerxes planejou vingar a ofensa contra seu pai, e assim procedendo guerrear contra os godos com setescentos mil de seus próprios homens e trezentos mil da armada auxiliar, mil e duzentos barcos de guerra e três mil barcos de transporte. Mas ele não aventurou tentar sua batalha, sendo derrotado por sua irresistível animosidade. Então ele retornou com sua força exatamente como tinha vindo, sem lutar uma única batalha.
[Nota marginal: Filipe da Macedônia _ 359-336 AEC]
[Nota marginal: Cerco a Odessus ***(Odessa?)*** ]
Então Filipe, pai de Alexandre magno, fez aliança com os godos e tomou como esposa Medopa, a filha do rei Gudila, assim que ele passou a fazer o reino da Macedônia mais seguro pela ajuda de seu matrimônio. Era nesse tempo, conforme o historiador Dio relata, que Filipe, sofrendo falta de dinheiro, se determinou liderar suas forças e saquear Odessus, uma cidade da Moesia, que estava então sujeita aos godos por avizinhar-se da cidade de Tomi. Por causa disso aqueles sacerdotes dos godos, que são chamados os "Homens Sagrados", repentinamente abriram os portões de Odessus e vieram para fora ao encontro deles. Eles traziam harpas e estavam cobertos por túnicas brancas, e cantavam em súplicas melodiosas aos deuses de seus pais, [para] que eles pudessem ser-lhes propícios e repelir os macedônios. Quando os macedônios os encontraram com semelhante confissão, adequada a eles, ficaram atônitos e, ficaram aterrorizados os armados pelos desarmados, até para falar. Imediatamente quebraram a linha que tinham formado para a batalha e não somente refrearam-se de destruir a cidade, mas até libertaram aqueles a quem eles tinham capturado do lado de fora, por direito de guerra. Então eles fizeram uma trégua e retornaram para seu próprio país.
Depois de um longo tempo Sitalces, um famoso líder dos godos, relembrando estas traidoras tentativas, reuniu cento e cinquenta mil homens e fez guerra aos atenienses, lutando contra Perdiccas, rei da Macedônia. Este Perdiccas tinha sido deixado por Alexandre como seu sucessor para governar os atenienses pelo direito hereditário, quando ele bebeu sua destruição em Babilônia através da traição de seu criado. Os godos se engajaram numa grande batalha com ele e mostraram-se poderosos. Dessa forma, em recompensa pela injustiça que os macedônios tinham há muito tempo antes cometido na Moesia, os godos invadiram a Grécia e esvaziaram toda a Macedônia.
[Nota marginal: Sulla ***(Sila?)*** ditador _ 82-79 AEC ]
[Nota marginal: O modo de governo de Dicineus]
[Nota marginal: César ditador_ 49-44 AEC]
[Nota marginal: Tibério_ 14-37 EC]
XI_ Então quando Buruista era rei dos godos, Dicineus veio à Gótia na época em que Sulla governava os romanos. Buruista acolheu Dicineus e deu-lhe quase o poder real. Foi por seu conselho que os godos roubaram as terras dos germanos, que os francos atualmente detêm posse. Então veio César, o primeiro de todos os romanos a assumir o poder imperial e subjugou quase o mundo inteiro, que conquistou todos os reinos e até dominou ilhas situadas além do nosso mundo, repousadas no seio do oceano. Ele fez tributários aos romanos aqueles que não conheciam o nome romano nem por boatos, e ainda assim foi incapaz de prevalecer sobre os godos, apesar de suas muitas tentativas. Pouco depois Caio Tibério reinou como terceiro imperador dos romanos, e os godos ainda continuavam em seu reino intocado. Sua segurança, sua vantagem, sua única esperança repousava nisso, que qualquer conselho dado por Dicineus devia por todos os meios ser feito; e eles decidiram esse meio que eles teriam para sua realização. E quando ele notou que suas mentes estavam obedientes à ele em todas as coisas e que tinham dom natural, ele os ensinou quase a inteira filosofia, para tornarem-se hábeis nesse assunto. Deste modo, por instruí-los na ética, ele reprimiu seus costumes bárbaros; por passar-lhes um conhecimento de física ele os fez viverem sob suas próprias leis, que eles possuíam em forma escrita de acordo com este dia e chamaram "belagines". Ele os educou em lógica e os fez hábeis em raciocínio acima de toda outra raça; ele mostrou-lhes conhecimento prático e então persuadiu-os a abundar em boas ações. Por demonstrações teóricas de conhecimento ele encorajou-os a contemplar os doze signos e os cursos dos planetas passando acima, e toda a astronomia. Ele contou-lhes como o disco da lua ganha aumento ou sofre perda, e mostrou-lhes como em muito o globo chamejante do sol excede em tamanho nosso planeta terrestre. Explicou-lhes os nomes de trezentas e quarenta e seis estrelas e contou através de quais signos no arco da abobadada celeste elas deslizam rapidamente do seu nascente para seu poente. Pense, lhe rogo, que satisfação isso foi para aqueles bravos homens, quando por um pequeno período eles tiveram descanso da guerra, para serem instruidos nos conhecimentos da filosofia! Talvez você tenha visto um mapeamento da posição dos céus e noutra ocasião investigado a natureza de plantas e arbustos. Nisso sustenda um o crescimento e encolhimento da lua, enquanto ainda outro observa as voltas do sol e observa como aqueles corpos que íam apressadamente em direção ao leste estão girando em volta e nascem de volta no oeste pela rotação dos céus. Quando eles tinham aprendido a razão, eles se tornaram como o resto. Estas e muitas outras matérias Dicineus ensinou os godos em sua compreensão e adquiriu maravilhosa reputação entre eles, assim ele governou não somente os homens comuns mas [também] seus reis. Ele escolheu dentre eles aqueles que eram de nobre nascimento e superior conhecimento, e ensinou-lhes teologia, oferecendo-lhes cultuar a certas divindades e lugares sagrados. Aos sacerdotes que ele próprio nomeou, deu-lhes o nome de "Pilleati"; porque, eu suponho, eles ofereciam sacrifício dando suas próprias cabeças encobertas com tiaras, que nós, por outro lado, chamamos "pillei". Mas ele ofereceu-lhes [a possibilidade de] chamar o resto de sua raça de "Capillati". Este nome os godos aceitaram e apreciaram muito; e eles o retiveram até hoje em suas canções.
Após a morte de Dicineus, eles tiveram Comosicus em quase igual honra, porque ele não foi inferior em conhecimento. Por sua inteligência ele era considerado seu sacerdote e rei; e ele julgou o povo com grandiosa sinceridade.
[Nota marginal: Dácia]
XII_ Quando ele também foi apartado dos assuntos humanos, Coryllus ascendeu ao trono como rei dos godos e por quarenta anos governou este povo na Dácia. Eu acredito [que foi] a antiga Dácia, que a raça dos gepidae agora detém posse. Este país está situado do outro lado do Danúbio à vista da Moesia, e é circundada por uma coroa de montanhas. Tem somente dois caminhos de acesso, um pelo caminho do Boutae e o outro pelo Tapae. Esta Gothia, que nossos ancestrais chamaram Dácia e agora, como eu já disse, é chamada Gepidia, estava então limitada ao leste pelos Roxolani, à oeste pelos Iazyges, no norte pelos Sarmatianos e Basternae e ao sul pelo rio Danúbio. Os Iazyges estão separados dos Roxolani somente pelo rio Aluta.
[Nota marginal: O Danúbio]