Gética

Chapter 1

Chapter 13,789 wordsPublic domain (Wikisource)

fonte: Projeto Gutenberg

Na versão em português por Rodrigo Leite Valentin de Souza, Carapicuiba, 2008,

baseado na versão inglesa de (Parte de uma Tese Apresentada à Faculty of Princeton University para a graduação em Doctor of Philosophy)

por CHARLES C. MIEROW

Princeton, 1908 Nota: Pela primeira vez a história dos godos, registrada na Gótica_de_Jordanes, um godo cristão que escreveu sua crônica no ano de 551, provavelmente em Constantinopla, é agora colocada em inglês como parte de uma edição de "Gótica" preparada pelo Mr. Mierow. Aquele que cuida do romance da história ficará fascinado pela grande narrativa de uma causa perdida, e não encontrará um ingênuo e amável --- (simple-hearted) exagerado de um enganador panegírico da raça gética. Ele pintou o que acreditava, ou queria acreditar, e seu emprego da fábula e da lenda, sua tão bem feita e tão ingênua exibição de seus leais preconceitos simplesmente aumenta o interesse por sua história. Aqueles que querem uma desapaixonada narrativa científica evitarão ler Jordanes, mas igualmente lembrarão a verdade, palavras de Delbrueck: "Legende und Poesie malen darum noch nicht falsch, weil sie mit anderen Farben malen als die Historie. Sie reden nur eine andere Sprache, und es handelt sich darum, aus dieser richtig ins Historische zu uebersetzen."

ANDREW F. WEST. Prefácio (do tradutor para o inglês)

A versão que se segue da "Gética", de Jordanes, é baseado no texto de Mommsen, tal qual se encontra na Monumenta Germaniae Historica, Auctores Antiquissimi 5 (Berlin 1882). Eu tenho aderido unicamente por sua ortografia dos nomes próprios, especialmente os nomes géticos, exceto no caso de quando muito raras palavras são comuns em outra forma (como são Geserico e Belisário). Eu desejo expressar meus sinceros agradecimentos ao Reitor Andrew F. West da Princeton Graduate School por seu profundo interesse em meu trabalho. Isso foi em um de seus cursos de graduação de tradução iniciado, três anos depois, e de sua sugestão, que eu idealizei a composição da tese na presente forma. Ele interpretou o inteiro estudo no manuscrito, e foi meu constante conselheiro e crítico. Devo agradecimentos também ao Dr. Charles G. Osgood, do English Department of Princeton University, pela leitura da tradução.

CHARLES C. MIEROW.

Classical Seminary, Princeton University, July 1908. Nota da tradução para o Português_Brasil:

Não acredito que conseguirei produzir uma elogiável tradução dessa obra: o desafio para isso estaria mesmo fora do meu alcance. Espero um dia saber que essa tradução foi ao menos lida por alguém tão apaixonado pela história quanto eu, e espero que alguém se interesse em melhorá-la, em benefício de todos os leitores. As datas, ao invés dos costumeiros aC (antes de Cristo) e AD (ano Domini) ou dC (depois de Cristo), utilizei AEC (Antes da Era Comum) e EC (Era Comum), levando-se em conta que é uma forma mais exata.

RODRIGO LEITE VALENTIN DE S.

Estudos pessoais Pq. Jandaia_Carapicuiba/SP Agosto de 2008.

Prefácio

Ainda que meu desejo tenha sido o de deslizar com meu pequeno barco pelo mar de uma costa pacífica e, com certeza escritor de discursos, para pescar pequenos peixes do reservatório dos antigos, você, irmão Castalius, me propõe ajustar minhas velas rumo ao abismo. Você me insta a abandonar o pequeno trabalho que tenho em mãos, isto é, interromper as Crônicas, para condensar em meu próprio estilo, num pequeno livro, os doze volumes do Senador, da origem e façanhas dos godos, de antigamente até o presente, descendo através de gerações de reis. Uma ordem realmente difícil, e imposto por quem dá, de sí mesmo, impressão de relutância para realizar a idéia da tarefa. Você também não nota que a minha elocução é também desprezível em comparação com a tua para completar isso tão magnífico quanto um trompete para discurso. Mas sobre a idéia toda, é o fato de eu não ter acesso aos seus livros para poder persistir no seu propósito. Silêncio_ e permita-me não repousar_ eu lí, em tempos idos, os livros uma segunda vez, emprestados por sua administração, por três dias de leitura. Não quero ser repetidor, mas penso conservar inteiro o senso e a proeza relatadas. Para isso, incluí matérias adaptadas, algumas provenientes da história grega e latina. Tenho, além disso, uma introdução e uma conclusão, e inserí muitas coisas de minha autoria. Não para eu ser afamado, mas, para você receber e ler com prazer o que me solicitou escrever. Se qualquer coisa for insuficientemente falada, e você se lembrar disso, faça de si mesmo um próximo para nossa raça, adicionando o que faltar, orando por mim, querido irmão. O Senhor esteja contigo. Amém.

Introdução à Geografia

[Nota marginal: Oceano e suas menores ilhas.]

I_ Nossos ancestrais, como Orósio relata, eram da opinião que o círculo do mundo todo era envolto pelo oceano, cercado pelos três lados. Estas três partes eles chamaram Ásia, Europa e África. Concernente à esta tripla divisão da extensão da Terra, houve inumeráveis escritores, que não somente explanam as situações da cidades e lugares, mas também a medida de distâncias e o compasso, para dar mais clareza. Além do mais, eles localizam as ilhas espalhadas entre os mares, tanto a maior quanto a menor das ilhas, chamadas Cíclades ou Sporades, como situadas nos vastos do Grande Mar. Mas os impraticáveis ressaltos distantes do Oceano não somente não receberam atenção para serem descritos, mas a distância não o permitiu; pela razão da obstrução por algas e sua sinuosidade, é francamente inacessível e é desconhecido para quem quiser fazer isso. Porém, a margem próxima desse mar, que podemos chamar Círculo do Mundo, está envolvido em costas como uma coroa. Esta tem se tornado claramente como homens indagando o intelecto, ainda para, tão semelhante desejo de escrever sobre isso. Não é somente o litoral habitado, mas certas ilhas marítimas afastadas são habitáveis. Desta maneira, há ao Leste do Oceano Índico, Hippodes, Iamnesia, Solis Perusta (que, mesmo não habitável, é ainda a maior em comprimento e largura), comparada à Taprobane, uma ilha exposta na qual há cidades ou estados e dez fortemente fortificadas cidades. Há ainda outra, a amável Silefantina, e Theros também. Estas, embora não claramente descritas por nenhum escritor, são, contudo, bem supridas de habitantes. Este mesmo Oceano tem, na sua região Oeste, certas ilhas próximas umas das outras, por causa do grande número delas, se vê pela jornada indo e retornando.E há duas não muito longínquas na vizinhança do Estreito de Gades, uma abençoada ilha; e outra chamada Fortunate. Embora alguns considerem como ilhas do Oceano os idênticos promontórios da Gália e Lusitânia, onde estão continuamente visíveis do templo de Hércules em um, e o monumento à Cipião no outro, ainda que eles estejam ligados pela extremidade do país da Gália, ainda são parte contada com a maior terra da Europa ao invés de com as ilhas do Oceano. De qualquer modo, há outras ilhas desconhecidas em suas águas, que são chamadas Baleares; e ainda outra, Mevania, ao lado das Orcades, trinta e três em número, mesmo nenhuma delas sendo habitadas. E, nesse extremo da expansão Oeste tem outra ilha, chamada Thule, que o bardo Mantuan faz menção:

"E a distante Thule deve te servir "

O mesmo imenso mar tem também, em sua região ártica, que fica no Norte, uma grande ilha chamada Scandza, na qual minha narrativa (pela graça de Deus) deve tomá-la pelo princípio. Para a raça de origem da qual você indaga para conhecer, manifesto adiante como um subir das abelhas do centro desta ilha, vindo para a terra da Europa. Mas como ou de que forma, nós devemos explanar daqui em diante, se for da vontade do Senhor.

BRETANHA

[Nota marginal: As duas invasões de César na Bretanha 55-54 AEC]

II_ Mas agora, se puder, permita-me falar resumidamente concernente à ilha da Bretanha, que é situada no coração do Oceano, entre a Espanha, Gália e Germânia. Embora Livy (Tito Lívio?) nos conte que ninguém nos tempos antigos navegou envolta dela, por causa deste enorme tamanho, ainda muitos escritores têm tido várias opiniões sobre o assunto. Era muito distante para as armas romanas, até que Júlio César a descobriu ao lutar em batalhas pela mera glória. Na época da ocupação, que se seguiu a isso, ela tornou-se acessível para muitos **completo, de uma parte à outra** **negócios** e por outros meios. Deste modo revelou-se mais claramente sua posição; por isso, devo explanar aqui como eu a tenho encontrado nos autores gregos e romanos. A maior parte deles dizem que a ilha é como um ponto triangular entre norte e oeste. Seu ângulo maior defronta-se com a desembocadura do rio Reno. A partir daí a ilha diminui na largura e retrocede até terminar em dois outros ângulos. Seu lado com maior comprimento defronta-se com a Gália e Germany. Sua maior largura é dito que seja, de um lado a outro, dois mil e trezentos e dez estádios. Em algumas partes, a ilha é pantanosa, em outras existem planícies de bosques, e às vezes ascende a picos montanhosos. A ilha é circundada por um mar calmo, que não se rende facilmente à força do remo nem se percorre grandes distâncias sob rajadas de vento. Suponho que isso seja causado por estarem todas as outras terras distantes dela, e por isso não causam distúrbio ao mar, que, deveras, é aí da maior largura. Além disso Estrabão, um famoso escritor grego, relata que a ilha exala como uma cobertura de sujeira, encharcada pela frequente invasão do Oceano, e o sol é completamente coberto por sua desagradável natureza de dia nessa passagem uniforme, e assim está escondida da vista. Cornélio também, o autor de "Anais", diz que no extremo leste da Bretanha a noite tem luminosidade e a noite é muito curta. Ele afirma também que a ilha é abundante em metais, é bem suprida de pasto e é mais produtiva em tudo daquelas coisas que alimentam antes animais do que a homens. Além do mais, rios muito grandes correm constantemente alí, e as marés são ***(borne)*** voltando para ela, rolando adiante preciosas pedras e pérolas. Os Silures têm pele escura e geralmente nascem com cabelos pretos e cacheados, mas os habitantes da Caledônia têm cabelos ruivos e grandes corpos desconjuntados ***(?[loose-jointed])*** . Eles são como os gauleses ou os espanhóis, conforme estão ambas as nações opostas. Em razão disso alguns têm suposto que destas terras a ilha recebeu seus habitantes, atraindo-os pela sua proximidade. Todo o povo e seus reis são igualmente violentos. Ainda Dio, o mais celebrado escritor de anais, nos assegura do fato que eles estavam combinados sob o nome de Caledonios e Maeatae. Eles vivem em entrelaçamentos de cabanas, abrigo usado em comum entre suas multidões, e frequentemente as florestas são seu lar. Eles pintam seus corpos com ferrugem ***(?iron-red)*** , ou como adorno ou eventualmente por alguma outra razão. Eles geralmente travam guerra um com o outro, por desejarem poder ou para aumentar suas possessões. Lutam não somente à cavalo ou à pé, mas [planam(even)] com o corte da foice da carruagem de dois cavalos, que eles normalmente chamam _essedae_. Permita que seja o suficiente o muito que foi dito dessa forma a respeito da situação da ilha da Bretanha.

SCANDZA

III_ Permita-nos retornar para localizar a ilha de Scandza, que nós acima havíamos deixado. Cláudio Ptolomeu, um excelente [descritor] do mundo, fez menção disso no segundo livro de seu trabalho, dizendo: "Aquela é a grande ilha situada nas agitadas águas do Oceano Nórdico, Scandza é seu nome, na figura de um junípero brotando com lados salientes que estreita-se [para baixo] para uma ponta com longo fim." Pomponius Mela também fez menção dela como situada no Golfo Codan, com o Oceano em torno de suas praias.

Esta ilha repousa defronte do rio Vistula, que desce das montanhas Sarmatianas e corre direto sua tripla boca pelo Oceano Nórdico à vista de Scandza, separando a Germânia e a Cítia. A ilha tem em sua parte oriental uma vasta lagoa no centro dessa terra, onde o rio Vagus nasce das entranhas da terra e corre terminando no Oceano. E a oeste, está rodeada por um imenso mar. Ao norte, está confinada pelo mesmo vasto e inavegável Oceano, onde penso que a forma do braço de terra projeta uma baía está cortada e forma o Mar Germânico. Aqui também dizem haver muitas pequenas ilhas dispersas ao redor. Se lobos cruzam para estas ilhas quando o mar está congelado em razão do extremo frio, eles estão [dito] ***(said)*** para perder sua visão. Assim a terra [é] não só inóspita para o ser humano, mas igualmente cruel aos animais selvagens. Agora na ilha de Scandza, da qual eu falo, residem muitas e diversas nações, apesar de Ptolomeu mencionar os nomes de somente sete delas. Ali os favos de mel ***(honey-making)*** enxames de abelhas em parte alguma são encontrados, julgando pelo excessivo frio. Na parte norte da ilha a "corrida da vida de Adogit" , que se diz ser feito para terem continuamente luz no meio do verão por quatorze dias e noites, e que do mesmo modo deixam de ter luz completamente na estação do inverno pelo mesmo número de dias e noites. Pela razão dessa alternância de sofrimento e alegria, eles são como nenhuma outra raça em seus sofrimentos e bênçãos. E porquê? Porque durante os longos dias eles vêem o sol retornando ao leste junto à linha do horizonte, mas nos dias de curta duração ele (o sol) não é assim visível. O sol mostra-se diferentemente porque ele está passando de uma parte à outra o lado ***(signs)*** sul, enquanto para nós o sol se vê levantando-se de baixo, ele (o sol) é visto ir em redor, junto à linha da terra. Há também outras pessoas. Há os Screrefennae, que não recorrem a grãos como alimentos mas vivem de animais selvagens e ovos de pássaros; para haverem deste modo multidões de jogos de criança/jovens na inundação como para prover para o aumento natural de sua espécie e para satisfazer a necessidade de seu povo. Mas ainda outra raça reside ali, os Suehans, quem, como os Thuringians, têem excelentes montarias. Aqui também há aqueles que despacham através de inumeráveis outras tribos, os que comercializam peles sappherine para uso de Roma. Eles são um povo conhecido pela beleza morena de sua pele e, apesar de viverem em pobreza são os mais ricamente vestidos. Depois desta, sucede uma multidão de várias nações, Theustes, Vagoth, Bergio, Hallin, Liothida. Suas habitações são todas em uma plana e fértil região. Por isso eles são perturbados aí pelo ataque de outras tribos. Atrás destes estão os Ahelmil, Finnaithae, Fervir e Gauthigoth, uma raça de homens destemidos e ativos para a luta. Então vem os Mixi, Evagre, e Otingis. Todos eles vivem como animais selvagens nas rochas talhadas externamente como castelos. E há além desses os Ostrogodos, Raumarici, Aeragnaricii, e os mais pacíficos Finns, os mais brandos de todos os habitantes de Scandza. Assim são também os Vinovilith. Os Suetidi descendem deles e excedem os outros em estatura. De qualquer forma, os Dani, que traçou sua origem na mesma ascendência, conduziu de suas casas os Heruli, quem cantou reinvindicando a superioridade entre todas as nações de Scandza por sua altura. Além desses há na mesma redondeza os Grannii, Augandzi, Eunixi, Taetel, Rugi, Arochi e Ranii, sobre quem Roduulf foi rei não muitos anos depois. Mas ele desprezou seu próprio reino e correu fazer acordo com Teodorico, rei dos godos, encontrando ali o que desejou. Todas essas nações sobrepujam os germânicos em tamanho e espírito, e lutam com a crueldade de animais selvagens.

Os godos unidos

[NOTA MARGINAL: Como os godos vieram para a Cítia]

IV_ Agora dessa ilha de Scandza, como que provindo de um conjunto de raças ou de uma geração de nações, os godos afirmam terem ido adiante muito tempo depois sob seu rei, de nome Berig. Logo que desembarcaram de seus navios e colocaram pés em terra, imediatamente deram seu nome ao lugar. E mesmo hoje isso é dito, para ser chamada Gothiscandza. Em pouco tempo eles moveram-se daí para residir em Ulmerugi, onde ficaram por um tempo na costa oceânica, levantando acampamento, lutando com eles e guiando-os para seus lares. Então eles subjugaram seus vizinhos, os vândalos, e assim adicionaram isso às suas vitórias. Mas quando o número de pessoas aumentou demais e Filimer, filho de Gadarico, reinou como rei _o quinto desde Berig_ ele decidiu que o exército dos godos com suas famílias deveriam sair dessa região. Na procura de casas adequadas e lugares agradáveis eles vieram para a terra da Cítia, chamada Oium nessa língua. Aqui eles ficaram satisfeitos com a grande riqueza do país, e se diz que quando a metade do exército teve de atravessar novamente, a ponte através da qual eles passaram o rio caíu em total ruína, desde então ninguém pode ir ou vir . Sobre o lugar se diz que está cercado de pântano movediço e um abismo circundando, e por estes dois obstáculos naturais tem feito o lugar inacessível. E mesmo hoje alguém talvez escute naquela redondeza o mugido do gado e talvez encontre sinais de homem, se acreditarmos em histórias de viajantes, ainda que nós precisemos permitir que eles escutem estas coisas de muito longe. (And even to-day one may hear in that neighborhood the lowing of cattle and may find traces of men, if we are to believe the stories of travellers, although we must grant that they hear these things from afar)

Esta parte dos godos, que se diz ter atravessado o rio e entrado com Filimer no país de Oium, veio apossada do desejo de território, vindo rapidamente contra a raça dos Spali, batalhando e obtendo vitória. Desde então os vitoriosos avançam para a mais distante região da Cítia, que é perto do mar do Ponto; a história, assim, é geralmente contada em suas breves canções, em quase todos os seus costumes históricos. Ablabius também, um famoso cronista da raça gótica, confirma isso em sua mais confiável descrição. Alguns dos antigos escritores também concordam com a narrativa. Entrementes nós podemos mencionar Josefo, um mui confiável relator de anais, quem por toda parte segue o preceito da verdade e soluciona começando pela origem das causas; --mas quem ele tem omitido o princípio da raça gótica, que eu tenho falado, eu não sei. Ele apenas menciona Magog dessa descendência, e diz que eles eram da raça dos Cítians e era chamado assim pelo nome.

Antes de entrarmos em nossa história, precisamos descrever os limites desta terra, assim como sua posição.

[Nota marginal: Cítia]

V_ Agora as fronteiras da Cítia na terra da Germânia são do início do rio Ister e o espaço do pântano Morsian. Isso alcança até o rio Tyra, Danaster e Vagosola, e o grande Danaper, extendendo-se até o Taurus __não as montanhas na Ásia mas nosso próprio, que é a Taurus Cítia__ todo o caminho para o Lago Maeotis. Além do Lago Maeotis estende-se do outro lado do estreito do Bósforo para as Montanhas do Cáucaso e o rio Araxes. Então volta para a esquerda, atrás do mar Cáspio, que vem do oceano nordeste na mais distante parte da Ásia, e daí amplo e contorna a figura ***(shape)*** . Ela extende-se pelo Hunos, Albani e Seres. Esta terra, eu digo, __ou seja, Cítia, expandindo ao longe e extendendo-se amplamente__ tem ao leste o Seres, uma raça que, no começo desta história, mora no mar Cáspio. No oeste estão os germânos e o rio Vistula; no lado ártico, quer dizer o norte, está cercado pelo oceano; ao sul pelo Persis, Albania, Hiberia, Ponto e o distante canal do Ister, que é chamado Danúbio por todo o caminho desde a desembocadura até a nascente. Mas nesta região onde a Cítia toca a costa do Ponto está pontilhada de cidades de não pouca fama: Borysthenis, Olbia, Callipolis, Cherson, Theodosia, Careon, Myrmicion e Trapezus. Estas cidades as selvagens tribos Cítias permitiram aos gregos construir para dar-lhes um meio de comércio. No centro da Cítia está o lugar que separa a Ásia e a Europa, penso ser as montanhas Rhipaeian, de onde o poderoso Tanais corre. Este rio entra no Maeotis, um pântano tendo um circuito de cento e quarenta e quatro milhas e nunca descendo para uma profundidade menor que oito braças.

Na terra da Cítia, ao oeste mora, primeiro de todos, a raça dos Gepidae, cercados pelos grandes e famosos rios. Pela correnteza do Tisia através dela para o norte e noroeste, e ao sudeste está o grande Danúbio. Ao leste está cortado pelo Flutausis, um ligeiro rio corrente que move-se dirigindo-se às águas do Ister. Este rio está situado dentro da Dacia, circundado pelos Alpes como por uma coroa. Perto das suas montanhas à esquerda, que inclina para o norte, e começa no início do Vistula, morada da populosa raça dos Venethi (Vênetos), ocupando um grande espaço de terra. Apesar de seus nomes estarem agora dispersos dentre vários clãs e lugares, eles ainda são principalmente chamados Sclaveni e Antes. A localização dos Sclaveni está da cidade de Noviodunum e o lago chamado Mursianus para o Danaster, e para o norte até o Vistula. Eles têm pântanos e florestas para suas cidades. Os "Antes", que são os corajosos desses povos residindo na curva do mar do Ponto, estendem-se do Danaster ao Danaper, rios esses que estão separados muitos dias de jornada. Mas na margem do oceano, onde a correnteza do rio Vistula desemboca em três bocas, vive os Vidivarii, um povo reunido de várias tribos. Além deles os Aesti, um povo subjugado, também possuem margem de oceano. Ao sul ficam os Acatziri, uma tribo muito guerreira que ignora a agricultura, que vivem de seus rebanhos e da caça. Mais longe e acima do mar do Ponto está a moradia dos Bulgares, bem conhecidos pelas injustiças feitas a eles por causa da nossa opressão. Estão nessa região os Hunos, [que são] como fértil raiz das raças guerreiras, desenvolveu-se em duas multidões de povo. Alguns destes são chamados Altziagiri, outros Sabiri; e eles têm diferentes locais de residência. Os Altziagiri [estão] perto [dos] Cherson, onde comerciantes avarentos trazem o melhor da Ásia. No verão eles alcançam as planícies, seus amplos domínios, sempre que a pastagem para o gado os convida, e dirigem-se, no inverno, além do Mar do Ponto. Agora os Hunuguri são conhecedores para nós do fato de eles trabalharem em pele de marta. Mas eles têm sido intimidados por seus valentes vizinhos.

[Nota marginal: As três moradas dos godos ]

Nós lemos que na sua primeira migração os godos residiram na terra da Cítia perto do Lago Maeotis. Na segunda migração eles foram para a Moesia, Trácia e Dácia, e depois eles, na terceira, moraram novamente na Cítia, acima do Mar do Ponto. Nem nôs faz encontrar em lugar algum em seus escritos do passado lendas que conte sobre sua sujeição para escravidão na Bretanha ou em alguma outra ilha, ou sobre sua redenção por um certo homem no custo de um único cavalo. Claro se qualquer um em nossa cidade diz que os godos têm uma origem diferente da que eu relatei, dê-lhe objeção. Para mim mesmo, prefiro muito mais acreditar no que leio, do que confiar em histórias de velhas.