Formulário Ortográfico de 1943
Chapter 1
O VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUÊSA terá por base o VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUÊSA da Academia das Ciências de Lisboa, edição de 1940, consoante a sugestão do Sr. Ministro da Educação e Saúde, aprovada unânimemente pela Academia Brasileira de Letras, em 29 de janeiro de 1942. Para a sua organização se obedecerá rigorosamente aos itens seguintes:
1.º — Inclusão dos brasileirismos consagrados pelo uso.
2.º — Inclusão de estrangeirismos e neologismos de uso corrente no Brasil e necessários à língua literária.
3.º — Substituição de certas formas usadas em Portugal pelas correspondentes formas usadas no Brasil, consoante a pronúncia e a morfologia consagradas.
4.º — Fixação da grafia de vocábulos cuja etimologia ainda não está perfeitamente demonstrada, consignando-se em primeiro lugar a de uso mais generalizado.
5.º — Fixação das grafias de vocábulos sincréticos e dos que têm uma ou mais variantes, tendo-se em vista o étimo e a história da língua, e registro de tais vocábulos um a par do outro, de maneira que figure em primeira plana, como preferível, o de uso mais generalizado.
6.º — Evitar duplicidade gráfica ou prosódica de qualquer natureza, dando-se a cada vocábulo uma única forma, salvo se nêle há consoante que facultativamente se profira, ou se há mais de uma pronúncia legitimada pelo uso ou pela etimologia, casos em que se registrarão as duas formas, uma em seguida à outra, colocando-se em primeiro lugar a de uso mais generalizado.
7.º — Registro de um significado ou da definição de todos os vocábulos homófonos não homógrafos, bem como dos homógrafos heterofônicos, — mas não dos homógrafos perfeitos, — fazendo-se remissão de um para outro.
8.º — Registro, entre parênteses, da vogal ou sílaba tônica de todo e qualquer vocábulo cuja pronúncia é duvidosa, ou cuja grafia não mostra claramente a sua ortoépia; não sendo, porém, indicada a sílaba tônica dos infinitos dos verbos, salvo se forem homógrafos heterofônicos.
9.º — Registro, entre parênteses, do timbre da vogal tônica de palavras sem acento diacrítico, bem como da vogal da sílaba pretônica ou postônica, sempre que se faça mister, em especial quando há metafonia, tanto no plural dos nomes e adjetivos quanto em formas verbais. Não será indicado, porém, o timbre aberto das vogais e e o nem o timbre fechado das dos vocábulos compostos ligados por hífen.
10.º — Fixação dos femininos e plurais irregulares, que serão inscritos em seguida ao masculino singular.
11.º — Registro de formas irregulares dos verbos mais usados emear e iar, especialmente das do presente do indicativo, no todo ou em parte.
12.º — Todos os vocábulos devem ser escritos e acentuados gràficamente de acôrdo com a ortoépia usual brasileira e sempre seguidos da indicação da categoria gramatical a que pertencem.
Para acentuar gràficamente as palavras de origem grega, ou indicar-lhes a prosódia entre parênteses, cumpre atender ao uso brasileiro: registra-se a pronúncia consagrada, embora esteja em desacôrdo com a primordial; mas, se ela é de uso apenas em certa arte ou ciência, e ainda esteja em tempo de se corrigir, convém seja corrigida, inscrevendo-se a forma etimológica em seguida à usual
O Vocabulário conterá:
a) o formulário ortográfico, que são estas instruções;
b) o vocabulário comum;
c) registro de abreviaturas.
O Vocabulário Onomástico será publicado separadamente, depois de aprovado por decreto especial.
1. O alfabeto português consta fundamentalmente de vinte e três letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, x, z.
2. Além dessas letras, há três que só se podem usar em casos especiais: k, w, y.
3. O k é substituído por qu antes de e, i, e por c antes de outra qualquer letra: breque, caqui, faquir, níquel, etc.
4. Emprega-se em abreviaturas e símbolos, bem como em palavras estrangeiras de uso internacional: K. = potássio; Kr. = criptônio; kg = quilograma; km = quilômetro; kw = quilowatt; kwh = quilowatt-hora, etc.
5. Os derivados portuguêses de nomes próprios estrangeiros devem escrever-se de acôrdo com as formas primitivas: frankliniano, kantismo, kepleriano, perkinismo, etc.
6. O w substitui-se, em palavras portuguêsas ou aportuguesadas, por u ou v, conforme o seu valor fonético: sanduíche, talvegue, visigodo, etc.
7. Como símbolo e abreviatura, usa-se em kw = quilowatt; W. = oeste ou tungstênio; w = watt; ws = watt-segundo, etc.
8. Nos derivados vernáculos de nomes próprios estrangeiros, cumpre adotar as formas que estão em harmonia com a primitiva: darwinismo, wagneriano, zwinglianista, etc.
9. O y, que é substituído pelo i, ainda se emprega em abreviaturas e como símbolo de alguns têrmos técnicos e científicos: Y. = ítrio; yd = jarda, etc.
10. Nos derivados de nomes próprios estrangeiros, devem usar-se as formas que se acham de conformidade com a primitiva: byroniano, maynardina, taylorista, etc.
11. Esta letra não é propriamente consoante, mas um símbolo que, em razão da etimologia e da tradição escrita do nosso idioma, se conserva no princípio de várias palavras e no fim de algumas interjeições: haver, hélice, hidrogênio, hóstia, humildade; hã!, hein?, puh!; etc.
12. No interior do vocábulo, só se emprega em dois casos: quando faz parte do ch, do lh e do nh, que representam fonemas palatais, e nos compostos em que o segundo elemento, com h inicial etimológico, se une ao primeiro por meio do hífen: chave, malho, rebanho; anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sôbre-humano, etc.
13. No futuro do indicativo e no condicional, não se usa o h no último elemento, quando há pronome intercalado: amá-lo-ei, dir-se-ia, etc.
14. Quando a etimologia o não justifica, não se emprega: arpejo (substantivo), ombro, ontem, etc. E mesmo que o justifique, não se escreve no fim de substantivos nem no comêço de alguns vocábulos que o uso consagrou sem este símbolo: andorinha, erva, felá, inverno, etc.
15. Não se escreve h depois de c (salvo o disposto em o n.º 12) nem depois de p, r e t; o ph é substituído por f, o ch (gutural) por qu antes de e ou i e por c antes de outra qualquer letra: corografia, cristão, querubim, química; farmácia, fósforo; retórica, ruibarbo; teatro, turíbulo; etc.
16. Não se escrevem as consoantes que se não proferem: asma, assinatura, ciência, diretor, ginásio, inibir, inovação, ofício, ótimo, salmo, e não asthma, assignatura, sciencia, director, gymnasio, inhibir, innovação, officio, optimo, psalmo.
17. Em sendo mudo o p no grupo mpc, ou mpt, escreve-se nc ou nt: assuncionista, assunto, presunção, prontificar, etc.
18. Devem-se registrar os vocábulos cujas consoantes facultativamente se pronunciam, pondo-se em primeiro lugar o de uso mais generalizado, e em seguida o outro. Assim, serão consignados, além de outros, êstes: aspecto e aspeto, característico e caraterístico, circunspecto e circunspeto, conectivo e conetivo, contacto e contato, corrupção e corrução, corruptela e corrutela, dactilografia e datilografia, espectro e espetro, excepcional e excecional, expectativa e expetativa, infecção e infeção, optimismo e otimismo, respectivo e respetivo, secção e seção, sinóptico e sinótico, sucção e sução, sumptuoso e suntuoso, tacto e tato, tecto e teto.
19. Elimina-se o s do grupo inicial sc: celerado, cena, cenografia, ciência, cientista, cindir, cintilar, ciografia, cisão, etc.
20. Os compostos dessa classe de vocábulos, quando formados em nossa língua, são escritos sem o s antes do c: anticientífico, contracenar, encenação, etc.; mas, quando vierem já formados para o vernáculo, conservam o s: consciência, cônscio, imprescindível, insciente, ínscio, multisciente, néscio, presciência, prescindir, proscênio, rescindir, rescisão, etc.
21. Escrevem-se rr e ss quando, entre vogais, representam os sons simples do r e s iniciais; e cc ou cç quando o primeiro soa distintamente do segundo: carro, farra, massa, passo; convicção, occipital; etc.
22. Duplicam-se o r e o s tôdas as vêzes que a um elemento de composição terminado em vogal se segue, sem interposição do hífen, palavra começada por uma daquelas letras: albirrosado, arritmia, altíssono, derrogar, prerrogativa, pressentir, ressentimento, sacrossanto, etc.
23. As vogais nasais são representadas no fim dos vocábulos por ã (ãs), im (ins), om (ons), um (uns): afã, cãs, flautim, folhetins, semitom, tons, tutum, zunzuns, etc.
24. O ã pode figurar na sílaba tônica, pretônica ou átona: ãatá, cristãmente, maçã, órfã, romãzeira, etc.
25. Quando aquelas vogais são iniciais ou mediais, a nasalidade é expressa por m antes de b e p, e por n antes de outra qualquer consoante: ambos, campo; contudo, enfim, enquanto, homenzinho, nuvenzinha, vintènzinho; etc.
26. Os ditongos orais escrevem-se com a subjuntiva i ou u: aipo, cai, cauto, degrau, dei, fazeis, idéia, mausoléu, neurose, retorquiu, rói, sois, sou, souto, uivo, usufrui, etc.
27. O ditongo ou alterna, em numerosos vocábulos, com oi: balouçar e baloiçar, calouro e caloiro, dourar e doirar, etc. Cumpre registrar em primeiro lugar a forma que mais se usa, e em seguida a variante.
28. Escrevem-se assim os ditongos nasais: ãe, ãi, am, em, en(s), õe, ui, (proferido ũi): mãe, pães, cãibra, acórdão, irmão, leãozinho, amam, bem, bens, devem, põe, repões, muito, etc.
29. Os encontros vocálicos átonos e finais que podem ser pronunciados como ditongos crescentes escrevem-se da seguinte forma: ea (áurea), eo (cetáceo), ia (colônia), ie (espécie), io (exímio), oa (nódoa), ua (contínua), ue (tênue), uo (tríduo), etc.
30. A 1.ª, 2.ª e 3.ª pessoas do singular do presente do conjuntivo e a 3.ª do singular do imperativo dos verbos em oar escrevem-se com oe, e não oi: abençoe, amaldiçoes, perdoe, etc.
31. As três pessoas do singular do presente do conjuntivo e a 3.ª do singular do imperativo dos verbos em uar escrevem-se com ue, e não com ui: cultue, habitues, preceitue, etc.
32. Deve-se fazer a mais rigorosa distinção entre os vocábulos parônimos e os de grafia dupla que se escrevem com e ou com i, como o ou com u, com c ou com q, com ch ou com x, com g ou j, com s, ss ou c, ç, com s ou x, com s ou z, e com os diversos valores do x.
33. Deve-se registrar a grafia que seja mais conforme à etimologia do vocábulo e à sua história, mas que esteja em harmonia com a prosódia geral dos brasileiros, nem sempre idêntica à lusitana. E quando há dois vocábulos diferentes, v. g., um escrito com e e outro escrito com i, é necessário que ambos sejam acompanhados da sua definição ou do seu significado mais vulgar, salvo se forem de categorias gramaticais diferentes, porque, neste caso, serão acompanhados da indicação dessas categorias. Ex.: censório, adj. Cf. sensório, adj. e s. m.
Assim, pois, devem ser inscritos vocábulos como: antecipar, criador, criança, criar, diminuir, discricionário, dividir, filintiano, filipino, idade, igreja, igual, imiscuir-se, invés, militar, ministro, pior, quase, quepe, tigela, tijolo, vizinho, etc.
34. Palavras como cardeal e cardial, desfear e desfiar, descrição e discrição, destinto e distinto, meado e miado, recrear e recriar, se e si serão consignadas com o necessário esclarecimento e a devida remissão. Por exemplo: descrição, s. f.: ação de descrever. Cf. discrição. | Discrição, s. f.: qualidade do que é discreto. Cf. descrição.
35. Os verbos mais usados em ear e iar serão seguidos das formas do presente do indicativo, no todo ou em parte.
36. De acordo com o critério exposto, far-se-á rigorosa distinção entre os vocábulos que se escrevem
a) com o ou com u: frágua, lugar, mágoa, manuelino, polir, tribo, urdir, veio (v. ou subst.), etc.
b) com c ou q: quatorze (seguido de catorze), cinqüenta, quociente (seguido de cociente), etc.
c) com ch ou x: anexim, bucha, cambaxirra, charque, chimarrão, coxia, estrebuchar, faxina, flecha, tachar (notar; censurar), taxar (determinar a taxa; regular), xícara, etc.
d) com g ou j: estrangeiro, jenipapo, genitivo, gíria, jeira, jeito, jibóia, jirau, laranjeira, lojista, majestade, viagem (subst.), viajem (do v. viajar), etc.
e) com s, ss ou c, ç: ânsia, anticéptico, boça (cabo de navio), bossa (protuberância; aptidão), bolçar (vomitar), bolsar (fazer bolsos), caçula, censual (relativo a censo), sensual (lascivo), etc.
f) com s ou x: espectador (testemunha), expectador (pessoa que tem esperança), experto (perito; experimentado), esperto (ativo; acordado), esplêndido, esplendor, extremoso, flux (na locução a flux), justafluvial, justapor, misto, etc.
g) com s ou z: alazão, alcaçuz (planta), alisar (tornar liso), alizar (s. m.), anestesiar, autorizar, bazar, blusa, brasileiro, buzina, coliseu, comezinho, cortês, dissensão, emprêsa, esfuziar, esvaziamento, frenesi (seguido de frenesim), garcês, guizo (s. m.), improvisar, irisar (dar as côres do íris a), irizar (atacar [o iriz] o cafèzeiro), lambuzar, luzidio, mazorca, narcisar-se, obséquio, pezunho, prioresa, rizotônico, sacerdotisa, sazão, tapiz, trânsito, xadrez, etc.
37. O x continua a escrever-se com seus cinco valores, bem como nos casos em que pode ser mudo, qual em exceto, excerto, etc. Tem, pois, o som de
1.º — ch, no princípio e no interior de muitas palavras: xairel, xerife, xícara, ameixa, envoxal, peixe, etc
2.º — cs, no meio e no fim de várias palavras: anexo, complexidade, convexo, bórax, látex, sílex, etc.
3.º — z, quando ocorre no prefixo exo, ou ex seguido de vogal: exame, êxito, êxodo, exosmose, exotérmico, etc.
4.º — ss: aproximar, auxiliar, máximo, proximidade, sintaxe, etc.
5.º — s, final de sílaba: contexto, fênix, pretextar, sexto, textual, etc.
38. No final de sílabas iniciais e interiores se deve empregar o s em vez do x, quando não o precede a vogal e: justafluvial, justaposição, misto, sistino, etc.
39. Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portuguêses ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns.
40. Para salvaguardar direitos individuais, quem o quiser manterá em sua assinatura a forma consuetudinária. Poderá também ser mantida a grafia original de quaisquer firmas, sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público.
41. Os topônimos de origem estrangeira devem ser usados com as formas vernáculas de uso vulgar; e quando não têm formas vernáculas, transcrevem-se consoante as normas estatuídas pela Conferência de Geografia de 1926 que não contrariarem os princípios estabelecidos nestas Instruções.
42. Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia, quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. Sirva de exemplo o topônimo “Bahia”, que conservará esta forma quando se aplicar em referência ao Estado e à cidade que têm êsse nome.
43. A fim de que a acentuação gráfica satisfaça às necessidades do ensino, — precípuo escopo da simplificação e regularização da ortografia nacional —, e permita que todas as palavras sejam lidas corretamente, estejam ou não marcadas por sinal diacrítico, no Vocabulário será indicada, entre parênteses, a sílaba ou a vogal tônica e o timbre desta em todos os vocábulos cuja pronúncia possa dar azo a dúvidas.
A acentuação gráfica obedecerá às seguintes regras:
1.ª — Assinalam-se com o acento agudo os vocábulos oxítonos que terminam em a, e, o abertos, e com o acento circunflexo e os que acabam em e, o fechados, seguidos, ou não, de s: cajá, hás, jacaré, pés, seridó, sós; dendê, lês; pôs, trisavô; etc.
2.ª — Tôdas as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas gràficamente: recebem o acento agudo as que têm na antepenúltima sílaba as vogais a, e, o abertas ou i, u; e levam acento circunflexo as em que figuram na sílaba predominante as vogais e, o fechadas ou a, e, o seguidas de m ou n: árabe, exército, gótico, límpido, louvaríamos, público, úmbrico; devêssemos, fôlego, lâmina, lâmpada, lêmures, pêndula, quilômetro, recôndito; etc.
3.ª — Os vocábulos paroxítonos finalizados em i ou u, seguidos, ou não, de s, marcam-se com acento agudo quando na sílaba tônica figuram a, e, o abertos, i ou u; e com acento circunflexo quando nela figuram e, o fechados ou a, e, o seguidos de m ou n: beribéri, bônus, dândi, íris, júri, lápis, miosótis, tênis, etc.
4.ª — Põe-se o acento agudo no i e no u tônicos que não formam ditongo com a vogal anterior: aí, balaústre, cafeína, caís, contraí-la, distribuí-lo, egoísta, faísca, heroína, juízo, país, peúga, saía, saúde, timboúva, viúvo, etc.
5.ª — Assinala-se com o acento agudo o u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i: argúi, argúis, averigúe, averigúes, obliqúe, obliqúes.
6.ª — Põe-se o acento agudo na base dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando tônicos: assembléia, bacharéis, chapéu, jibóia, lóio, paranóico, rouxinóis, etc.
7.ª — Marca-se com o acento agudo o e da terminação em ou en das palavras oxítonas de mais de uma sílaba: alguém, armazém, convém, convéns, detém-lo, mantém-na, parabéns, retém-no, também, etc.
8.ª — Sobrepõe-se o acento agudo ao a, e, o abertos e ao i ou u da penúltima sílaba dos vocábulos paroxítonos que acabem em l, n, r e x; e o acento circunflexo ao e, o fechados e ao a, e, o seguidos de m ou n em situação idêntica: açúcar, afável, alúmens, córtex, éter, hífen; aljôfar, âmbar, cânon, êxul, fênix, vômer; etc.
9.ª — Marca-se com o competente acento, agudo ou circunflexo, vogal da sílaba tônica dos vocábulos paroxítonos acabados em ditongo oral: ágeis, devêreis, escrevêsseis, faríes, férteis, fósseis, fôsseis, imóveis, jóqueis, pênseis, pudésseis, quisésseis, tínheis, túneis, úteis, variáveis, etc.
10.ª — Recebe acento circunflexo o penúltimo o fechado do hiato oo, seguido ou não de s, nas palavras paroxítonas: abençôo, enjôos, perdôo, vôos, etc.
11.ª — Usa-se o til para indicar nasalização, e vale como acento tônico se outro acento não figura no vocábulo: afã, capitães, coração, devoções, põem, etc.
12.ª — Emprega-se o trema no u que se pronuncia depois de g ou q e seguido de e ou i: agüentar, argüição, eloqüente, tranqüilo, etc.
13.ª — Mantêm-se o acento circunflexo e o til do primeiro elemento nos advérbios em mente e nos derivados em que figuram sufixos precedidos do infixo z (zada, zal, zeiro, zinho, zista, zito, zona, zorro, zudo, etc.): cômodamente, cortêsmente, dendêzeiro, ôvozito, pêssegozinho, chãmente, cristãzinha, leõezinhos, mãozoada, romãzeira, etc.; o acento agudo do primeiro elemento passará a ser acento grave nos derivados dessa natureza: avòzinha, cafèzeiro, faìscazinha, indelèvelmente, opùsculozinho, sòmente, sòzinho, terrìvelmente, voluntàriozinho, volùvelmente, etc.
14.ª — Emprega-se o acento circunflexo como diferencial ou distintivo no e e no o fechados da sílaba tônica das palavras que estão em homografia com outras em que são abertos êsse e e êsse o: acêrto (s. m.) e acerto (v.); aquêle, aquêles (adj. ou pron. dem.) e aquele, aqueles (v.); côr (s. f.) e cor (s. m.); côrte, côrtes (s. f.) e corte, cortes (v.); dêle, dêles (contr. da prep. de com o pron. pess. êle, êles) e dele, deles (v.); devêras (v.) e deveras (adv.); êsse, êsses, êste, êstes (adj. ou pron. dem.) e esse, esses, este, estes (s.m.); fêz (s. m. e v.) e fez (s. f.); fôr (v.) e for (s. m.); fôra (v.) e fora (adv., interj. ou s. m.); fôsse (dos v. ir e ser) e fosse (do v. fossar); nêle, nêles (contr. da prep. em com o pron. pess. êle, êles) e nele, neles (s. m.); pôde (perf. ind.) e pode (pres. ind.); sôbre (prep.) e sobre (v.); etc.
15.ª — Recebem acento agudo os seguintes vocábulos, que estão em homografia com outros: ás (s. m.), cf. às (contr. da prep. a com o art. ou pron. as); pára (v.), cf. para (prep.); péla, pélas (s. f. e v.), cf. pela, pelas (agl. da prep. per com o art. ou pron. la, las); pélo (v.), cf. pelo (agl. da prep. per com o art. ou pron. lo); péra (el. do s. f. comp. péra-fita), cf. pera (prep. ant.); pólo, pólos (s .m.), cf. polo, polos (agl. prep. por com o art. ou pron. lo, los); etc.
16.ª — O acento grave, além de marcar a sílaba pretônica de que trata a regra 13.ª, assinala as contrações da preposição a com o artigo a e com os adjetivos ou pronomes demonstrativos a, aquêle, aqueloutro, aquilo, os quais se escreverão assim: à, às, àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo, àqueloutro, àqueloutra, àqueloutros, àqueloutras.
44. Limita-se o emprêgo do apóstrofo aos seguintes casos:
1.º — Indicar a supressão de uma letra ou letras no verso, por exigência da metrificação: c’roa, esp’rança, of ’recer, ’star, etc.
2.º — Reproduzir certas pronúncias populares: ’tá, ’teve, etc.
3.º — Indicar a supressão da vogal, já consagrada pelo uso, em certas palavras compostas ligadas pela preposição de: copo-d’água (planta; lanche), galinha-d’água, mãe-d’água, ôlho-d’água, pau-d’água (árvore; ébrio), pau-d’alho, pau-d’arco, etc.
45. Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.
46. Dentro dêsse princípio, deve-se empregar o hífen nos seguintes casos:
1.º — Nas palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação, mas o conjunto constitui uma unidade semântica: água-marinha, arco-íris, galinha-d’água, couve-flor, guarda-pó, pé-de-meia (mealheiro; pecúlio), pára-choque, porta-chapéus, etc.
2.º — Nas formas verbais com pronomes enclíticos ou mesoclíticos: ama-lo (amas e lo), amá-lo (amar e lo), dê-se-lhe, fá-lo-á, oferecê-la-ia, repô-lo-eis, serenou-se-te, traz-me, vedou-te, etc.
3.º — Nos vocábulos formados pelos prefixos que representam formas adjetivas, com anglo, greco, histórico, ínfero, latino, lusitano, luso, póstero, súpero, etc.: anglo-brasileiro, greco-romano, histórico-geográfico, ínfero-anterior, latino-americano, lusitano-castelhano, luso-brasileiro, póstero-palatal, súpero-posterior, etc.
4.º — Nos vocábulos formados por sufixos que representam formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, quando o exige a pronúncia e quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada gràficamente: andá-açu, amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu, etc.
5.º — Nos vocábulos formados pelos prefixos:
a) auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi e ultra, quando se lhes seguem palavras começadas por vogal, h, r ou s: auto-educação, contra-almirante, extra-oficial, infra-hepático, intra-ocular, neo-republicano, proto-revolucionário, pseudo-revelação, semi-selvagem, ultra-sensível, etc.
b) ante, anti, arqui e sôbre, quando seguidos de palavras iniciadas por h, r ou s: ante-histórico, anti-higiênico, arqui-rabino, sôbre-saia, etc.
c) supra, quando se lhe segue palavra encetada por vogal, r ou s: supra-auxiliar, supra-renal, supra-sensível, etc.
d) super, quando seguido de palavra principiada por h ou r: super-homem, super-requintado, etc.
e) ab, ad, ob, sob e sub, quando seguidos de elementos iniciados por r: ab-rogar, ad-renal, ob-reptício, sob-roda, sub-reino, etc.
f) pan e mal, quando se lhes segue palavra começada por vogal ou h: pan-asiático, pan-helenismo, mal-educado, mal-humorado, etc.
g) bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurança, etc.
h) sem, sota, soto, vice, vizo, ex (com o sentido de cessamento ou estado anterior), etc.: sem-cerimônia, sota-pilôto, soto-ministro, vice-reitor, vizo-rei, ex-diretor, etc.
i) pós, pré, e pró, que têm acento próprio, por causa da evidência dos seus significados e da sua pronunciação, ao contrário dos seus homógrafos inacentuados, que, por diversificados fonèticamente, se aglutinam com o segundo elemento: pós-meridiano, pré-escolar, pró-britânico; mas pospor, preanunciar, procônsul, etc.
47. A divisão de qualquer vocábulo, assinalada pelo hífen, em regra se faz pela soletração, e não pelos seus elementos constitutivos segundo a etimologia.