Floresta de varios romances

VOLUME V--FLORESTA DE VARIOS ROMANCES com forma litteraria. Estudo sobre

Chapter 5604 wordsPublic domain

as transformações do romance popular do seculo XVI a XVIII.--Romances com forma litteraria doseculo XVI e XVII--Romances da Historia de Portugal, tirados das Colleções hespanholas. LIII, 218 pag. Porto, 1869.

Desde 1867 até 1869 entrou em curso de publicaçäo o livro dos cantos populares da nação portugueza; eis finalmente completo o quadro das antigas tradições epicas da edade media, ainda hoje repetidas pelo nosso povo com esse colorido de _maravilhoso_ e da aventura do genio celtico. Todas as provincias do reino e ilhas dos Açores contribuiram para o monumento do seu _Cancioneiro e Romanceiro geral_; a Beira Baixa, interrogada por differentes collectores, apresentou as velhas rhapsodias, em um grande estado de perfeição, rivalisando com os mais velhos romances hespanhoes, e ás vezes completando-os, como se vê pelo romance de conde _Grifos Lombardo_; logo depois, Traz-os-Montes, é a mais rica de lendas cavalheirescas, introduzindo principalmente em cada romance o elemento do maravilhoso e do milagre, como se vê no romance da _Justiça de Deos_ e do _Conde Ninho_. O Algarve deu as lendas religiosas dos primeiros seculos da monarchia, e as _zambras_ mouriscas, similhantes á aventura do mouro Galvan. A provincia do Minho contribuiu com as lendas piedosas dos santos e da hospitalidade. Coimbra, a terra das serenadas e das cantigas, deu a mais vasta collecção da _Sylva_, verdadeiro colar de perolas, a que o povo prendeu a historia dos seus amores. Sobre tudo, a genuina poesia popular portugueza foi encontrada no estado da inteireza e rudeza primitiva, nas Ilhas dos Açores; ali a tradição está pura e simples, como nos fins de seculo XIV, quando começou a elaboração poetica do Romanceiro da Peninsula; a linguagem d'ella é esse portuguez archaico do tempo do _Cancioneiro de Resende_; conserva ainda a designação de _aravias_, que revela o segredo da sua origem mosarabica; n'ella se encontram allusões sem numero aos costumes juridicos das Cartas de Foral, por onde se determina a epoca da sua formação, por isso que nas ilhas dos Açores nunca existiram foraes com o caracter politico e revolucionario que tiveram no seculo XII e XIII. Todos estes diversos cantos epicos da tradição portugueza foram estudados e comparados com a totalidade dos cantos epicos dos romanceiros do Meio Dia da Europa, descobrindo-se ás vezes debaixo de forma novellesca os factos historicos que tem passado até hoje como desapercebidos; acham-se classificados com o maior rigor, adoptando como base os trabalhos de Jacob Grimm, Lafuente y Alcantara e Don Agustin Duran.

No ultimo volume recentemente publicado, a _Floresta de Romances_, se mostra como o romance rude do povo foi imitado pelos nossos quinhentistas e seiscentistas e como lhe imprimiram uma fórma culta e litteraria, substituindo aos grandes e profundos traços dramaticos a expressão subjectiva e um exagerado lyrismo. O quadro termina no principio do seculo XVIII, justamente quando o romance caiu outra vez em desuso, ficando privativamente das classes baixas. O _Cancioneiro e Romanceiro geral portuguez_ é tão vasto, como a gigante collecção hespanhola, se attendermos a que n'este o numero dos romances anonymos, ou perfeitamente do povo, não se eleva a mais de cem, que outros tantos repete a tradição portugueza. Este trabalho lento, completado com mais de dez annos consecutivos de esforços, e com sacrificios pecuniarios, tem encontrado em Vienna, em Paris e em Madrid um acolhimento, que compensa o collector da indifferença que a imprensa e o publico portuguez, por malevolencia ou por incapacidade tem manifestado. No momento em que um povo se extingue ai ficam recolhidos os seus cantos; praza a Deos que o que se recolhe como um despojo da ruina, seja um incentivo de renovaçao.

A obra está á venda em todas as livrarias; avisam-se os senhores subscriptores, para virem receber o ultimo volume da collecção.

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