Estrellas Propícias

Part 12

Chapter 12552 wordsPublic domain

Emma, viscondessa da Cruz, tinha nutrido muito; e, com quanto o jubilo lhe désse azas, não cessava de queixar-se dos incommodos de tamanha viagem, desde o Porto alli! Leonor, casada com Luiz Taveira, ria muito da irman gorda, chamava-lhe o ideal da preguiça, e saltava muito, pendurada no braço do marido, que era doido por ella. O velho Bernardo Taveira seguiu os filhos, e fazia discursos, que ninguem lhe ouvia, excepto Antonio d'Azevedo, que via n'elle um dos classicos velhos talhados a molde das virtudes de Valentim da Costa. Dias depois, chegou Gastão de Noronha, Mafalda e Elisa, a mais nova, e ainda solteira das meninas. Gastão, com todo o aprumo de sua fidalga altivez, approximou-se do genro Azevedo, abraçou-o cordialmente, e disse-lhe:

--Meu caro commendador!

--Vossa excellencia está enganado!--disse o attonito Azevedo--Eu sou, salvo a pequena differença de alguns cabellos brancos, o Antonio de Azevedo de 1844.

Gastão tirou da algibeira uma chapa refulgente da ordem de Christo, e disse:

--Aqui tem! É o meu presente de noivado.

--Muito agradecido a vossa excellencia--disse Antonio d'Azevedo--Qualquer dadiva de vossa excellencia me alegra; e esta, que tanto luz, deve ser muito agradavel entre os brinquedos de meu primeiro filho.

--Mas eu quero que a use--tornou o sogro.

--Na minha aldeia?--perguntou o genro.

--Em Lisboa, para onde eu quero que o senhor vá gosar a vida e a riqueza que tem. A minha Corinna não se fez para o mato de Barcellos. Não é assim menina?

--Respeito muito a vontade de meu pae--disse Corinna com submissão--mas a nossa casa é em Barcellos, e as minhas flores estão lá por aquelles matos. Tenho lá uma segunda familia que me chama, e á qual eu tenho escrupulos de roubar por mais dias o seu irmão querido. Ámanhan partiremos.

Antonio de Azevedo, sem temer reparos, cedeu á alma reconhecida, e deu um beijo na face de sua mulher.

EPILOGO.

Lá vão quatorze annos.

Não me consta que tenha morrido algum dos personagens que ha instantes vimos tão alegres nas margens do Lima.

Conhecem romance em que tenha morrido tão pouca gente? Eu não! Se aquelle santo do Rio de Janeiro não vergasse debaixo dos oitenta annos, ainda agora podia estar no seio da patriarchal familia de Barcellos, onde elle tencionava acabar seus dias.

As irmans de Antonio de Azevedo estão todas casadas, e senhoras de boas casas de lavoira e numerosa descendencia.

Está ainda solteira Eliza, a irman mais nova de Corinna. Tem hoje trinta e um annos. É ainda formosa. Se o leitor é solteiro e rico... (não será mau que seja rico, para maior segurança) póde dar a este romance um supplemento, casando com aquella senhora, que está aqui em Lisboa. Eu de muito boa vontade, na segunda edição d'este romance, darei a possivel immortalidade ao acto.

Pude tambem saber que o menino mais velho de Antonio d'Azevedo amolgou a commenda na borda de um tanque, e acabou por atirar com ella a um poço. Que grande democrata se está alli criando!

FIM.

Notas:

[1] O _Snr. Antonio Pereira da Cunha_.

[2] O _Snr. José Barbosa e Silva_, author do romance==Viver para soffrer.

Lista de erros corrigidos

Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:

+----------+-------------------------+----------------------+ | | Original | Correcção | +----------+-------------------------+----------------------+ |#pág. 65| Ningnem | Ninguem | |#pág. 164| pimas | primas | |#pág. 178| ao labios | aos labios | |#pág. 184| nogociante | negociante | +----------+-------------------------+----------------------+

Foram mantidas as variações de nomes próprios.